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História Cartas para um jedi perdido - Capítulo 1


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Notas do Autor


Eu ia postar só quando concluisse o 2° cap, mas sou emocionada demais, irmão. E essa capa que a gabbie @aestuantic fez tá simplesmente perfeita, to sofrendo de amor por ela, minha nossa senhora que obra divina!!!

Achei meio blé, mas nunca gosto 100% do que escrevo, então vai assim mesmo, é isto.

Boa leitura, gays ♡

Capítulo 1 - Jedi perdido à procura de sua nave.


Song Mingi não apreciava ser considerado um perdedor desocupado, muito menos um folgado preguiçoso como Wooyoung costumava se referir à sua pessoa. Mesmo que fosse um jovem adulto de vinte e quatro anos desempregado, morando em um quarto minúsculo na casa de sua avó, acreditava que era muito além de um rapaz acima dos vinte sustentado pelos pais. Era possuidor de vários talentos como o da escrita e pintura, ainda que nunca quebrasse o padrão de poesias curtas esquecidas na gaveta de sua cômoda, e quadros inacabados largados em um canto do quarto.

Amava desabafar seus sentimentos e frustrações em versos carregados de palavras cruas e rimas harmoniosas, porém sempre os considerava fajutos e forçados e acabava optando por deixá-los jogados na gaveta rachada, a qual carinhosamente apelidou de cantinho do esquecimento. Assim como também adorava tentar reproduzir a paisagem da janela de seu quarto ─ ainda que a visão fosse apenas a janela da sala de seu vizinho misterioso e esquisito. No entanto, havia aquela voz em sua consciência que sussurrava palavras cruéis, induzindo-lhe a largar seu trabalho pela metade, pois nunca seria bom o suficiente. E dando ouvidos à tudo o que lhe era dito, desanimado, deixava suas pinturas de lado, jogando-as em qualquer canto do quarto. 

Mingi poderia preferir a comodidade e sossego de uma vida sem muitas preocupações; ter medo de enfrentar as responsabilidades da vida adulta e preferir se esconder naquele cubículo que chamava de lar; não fazer ideia de qual profissão desejava seguir e sempre deixar de lado seus sonhos mais trabalhosos por falta de coragem. Mas definitivamente, não era um sem noção covarde; um inútil sem qualquer ambição como sua avó adorava lhe taxar. Song Mingi era apenas mais uma alma perdida no meio das regras, padrões e estereótipos do caos da existência humana no planeta. Exatamente como o rapaz da casa ao lado.

Jeong Yunho; esquisitão da vizinhança, vampiro emo ou jedi perdido ─ tanto faz como o chamavam, ele não se importava ─; o vizinho solitário que morava sozinho e nunca saia de casa, era considerado deveras estranho para aqueles que o observavam superficialmente. Com sua aparência de emo dos anos dois mil e a carranca que sempre carregava no rosto, além do olhar afiado que parecia ser capaz de explodir qualquer um com um simples piscar de olhos, afastava todos aqueles que ousassem lhe encarar por mais de três segundos. O fato de que ele raramente era visto fora de casa e, sempre que surgia na porta de entrada fitava as pessoas na rua com ódio mortal, também contribuía para a antipatia alheia e diversas especulações e boatos. 

Os adolescentes da rua fantasiavam a história de que Yunho era um vampiro com séculos de vida e escondia corpos de pessoas no porão. Um grupo menor, ao qual Mingi chamava de aborrescentes emocionados, acrescentava um pouco de romance, como um amor perdido reencarnado em outro corpo, ou ainda um conto completo soando quase como uma versão alternativa ─ e bem mais exagerada ─ de crepúsculo. Quanto aos adultos, apenas lhe lançavam olhares de crítica e cochichavam opiniões desagradáveis, carregadas de palavras que as crianças eram proibidas de ter conhecimento da existência, julgando-o sem conhecê-lo.

Cada ser humano que morava naquela rua pacata e sem graça, preferia manter distância do esquisitão da vizinhança, tratando-o como alguém que vivia em um mundo completamente diferente. Com exceção do poeta meia boca, intrometido e curioso chamado Song Mingi.

Enxergando muito além das roupas escuras, os olhos contornados com lápis preto e o cabelo descolorido, Mingi se pegou envolvido no mistério que cercava a existência de Jeong Yunho. Não que fosse enxerido e adorasse meter o nariz onde não era chamado, apenas considerava impossível o fato de não se sentir instigado a conhecer melhor o vizinho vampiresco. Estava intrigado, desejando saber muito mais do que apenas seu nome e, talvez, comprovar se ele realmente era um vampiro ou não. Sua avó vivia dizendo que precisava encontrar outros amigos além de Wooyoung, então por que não tentar socializar com o vizinho?

Poderia não conhecê-lo bem, mas durante suas observações discretas (ele jura que não é um stalker, apenas não tem culpa da janela da sala de Yunho ser defronte a sua) pode listar alguns aspectos que possuíam em comum, contribuindo para o pensamento de que seria uma boa ideia tentar uma socialização amigável.

1. Odiavam sair de casa (Yunho muito mais);

2. Odiavam pessoas em geral (Yunho provavelmente com mais intensidade);

3. Curtiam bandas emo e músicas do anos noventa (Apesar de apenas Yunho ter a coragem e audácia de ouvir em volume máximo);

4. Sentiam-se deslocados naquele mundo opressivo em que viviam.

Este último era apenas uma dedução com base no comportamento e atitudes quase imperceptíveis de Jeong Yunho. Ou talvez, fosse apenas o desejo de Mingi de encontrar alguém que lhe compreendesse bem falando mais alto, fazendo-o enxergar detalhes que não existiam. Contudo, mesmo que fosse o último caso, esse simples fato não diminuía seu interesse no rapaz, apenas o instigava um pouco mais, deixando ansioso para tomar uma atitude, sendo a primeira pessoa a tentar comunicação com o provável vampiro da casa ao lado. E assim o fez.

Acreditando que provavelmente seria chutado para fora, queimado vivo ou se tornar a potencial nova vítima de um vampiro (a verdade real, era que apenas percebeu o quanto Yunho poderia ser inseguro diante de outras pessoas e deveria respeitar sua privacidade), Mingi fez sua primeira tentativa de contato humano com o vizinho utilizando-se de um método peculiar: escrevendo cartas.

A probabilidade de ser ignorado eram altíssimas, assim como acabar despertando o ódio do outro, porém mesmo com as chances de dar errado, decidiu se arriscar. Wooyoung até tentou fazê-lo desistir, protestando contra seu plano estúpido e apontando diversas falhas, todavia Mingi decidiu dar ouvidos somente a si mesmo (pela primeira vez) e, pegando uma folha de seu caderninho das meninas super poderosas, escreveu uma carta simples, relatando sobre uma música que o ouviu escutar em volume máximo certo dia, e deixando alguns questionamentos que tinha curiosidade para saber. Fez até mesmo questão de colocar uma observação sobre sua opinião em relação a letra da canção, e debochar do fato da vizinhança se incomodar com o barulho quase ensurdecedor de guitarras e gritos estranhos. 

No dia seguinte, após muita hesitação (o momento de afobação havia passado por longos instantes), empurrou a cartinha por baixo da porta de entrada da casa ao lado, sentindo seu coração bater rápido como consequência da adrenalina. No segundo seguinte, correu de volta para sua toca e se escondeu debaixo dos cobertores com estampa de planetas, entrando em uma crise existencial. Questionou-se o motivo de seu ato, da sua existência e até mesmo do planeta, perdendo-se em pensamento no mar de perguntas sem resposta.  

Acalmou-se pouco tempo depois, deixando escapar um longo suspiro por entre seus lábios ressecados. Já estava feito, afinal, não havia como voltar atrás. O que lhe restava era esperar para saber quais consequências sua atitude traria, principalmente se seriam boas ou ruins.

Não esperava obter realmente uma resposta ─ especialmente tão rápida ─, no entanto. Ainda que sua intenção fosse quebrar a barreira invisível da comunicação com Yunho, surpreendeu-se ao deparar-se na manhã conseguinte, com uma folha meio amassada enfiada debaixo da porta da sala. Eufórico, correu com o papel em mãos até seu quarto, jogando-se em sua poltrona velha e esfarrapada. Sabia que estava parecendo um protagonista de romance clichê, finalmente recebendo atenção de sua paixão, porém pouco se importava. Jeong Yunho, o esquisitão da vizinhança que nunca saia de casa, havia escrito uma carta para si, caramba! E ainda tido o trabalho de deixá-la em sua casa. Como poderia reagir, se não daquela maneira?

Não contendo-se de ansiedade, percorreu o olhar por cada palavra elegante e bem caprichada escrita no papel, um pouco incrédulo com o fato de realmente ter obtido uma resposta. 


"Valeu pelo elogio, cara, eu sei que tenho bom gosto musical. E sinceramente, espero que esse pessoal exploda, 'tô nem aí para o que dizem ou pensam de mim. Se eu 'tô aqui de boas no meu canto, 'pra que dar relevância a essas coisas insignificantes?

Confesso que fiquei surpreso quando me deparei com a folha de papel na porta de entrada. Primeiro pensei que fosse algum tipo de brincadeira sem graça dos moleques otários do final da rua, mas assim que li, reconheci a sua caligrafia. Como eu a reconheço? Bem, certo dia você deixou cair umas folhas próximas à minha porta quando levava algumas sacolas de lixo para a lixeira. Eu obviamente ia jogar fora, mas acabei lendo o que estava escrito e me deparei com algumas poesias ─ excelentes, inclusive. Na verdade, eu nem tinha certeza de que eram realmente de sua autoria, contudo depois analisar a carta que recebi e comparar com os papéis de poesias, percebi que a caligrafia se tratava da mesma. E sim, eu ainda guardo elas comigo. Talvez me ache estranho, porém espero que não se importe. Juro que não irei tomá-las como minhas, apenas gosto de lê-las.

Eu não esperava que alguém dessa vizinhança medíocre tivesse interesse em conversar comigo, sempre acreditei que todos estavam mais preocupados em me julgar. No entanto, também confesso que sempre te considerei um cara legal e fico feliz de não ter me decepcionado. Ok, provavelmente estou soando como um solitário desesperado por atenção, porém na verdade, eu nunca me importei com o fato de não ter com quem conversar. Mas cara, eu desejei falar contigo, às vezes até pensei em dizer um "Oi" quando te via passando na rua. Perdão se em algum momento te encarei de maneira estranha, juro que não tenho nada contra ti.

E sim, eu tenho conhecimento do boato de que sou um vampiro, mas sinto em destruir as fantasias alheias, não sou. E agradeço por não ser, imagina só ter que passar a eternidade cercado por seres humanos? Nem sou imortal e já 'tô de saco cheio, nem consigo imaginar se aguentaria caso o fosse. 

Vou te contar um segredo: Eu na verdade, sou um jedi perdido à procura de minha nave para retornar à minha missão de proteger a galáxia. Ela está por aí, largada em algum canto, esperando ser encontrada. Se quiser me ajudar nessa busca, eu aceito. Está disposto a embarcar nessa jornada?"


O sorriso largo que surgiu no rosto de Mingi a seguir o fez se sentir como se fosse o próprio Cheshire de Alice no país das maravilhas, ainda que estivesse levemente cético diante da situação. Que tipo de universo clichê era aquele em que foi colocado? A realidade que conhecia não era tão agradável daquela maneira, ela sempre costumava lhe assustar, especialmente quando relembrava do quão cruel poderia ser. 

Entretanto, por mais surreal e inacreditável que fosse, certamente não permitiria que a oportunidade escapasse por entre seus dedos. A resposta era óbvia: com toda certeza existente no universo, aceitaria iniciar aquela aventura.


Notas Finais


Yungi gados demais. Aviso desde já que essa fic é um monte de boiolagem + uns surtos e divagações das minhas crises existenciais


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