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História Cartas Para Dois - Capítulo 13


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Notas do Autor


Esquece o "açúcar do seu café amargo", esse definitivamente é o melhor título de cap dessa fic kkkkkkkkk n consigo ler sem rir.

Capítulo 13 - XIII - Vamos pôr um pãozinho no forno.


 

  - Ah, Cinco, querido! Estava esperando você – Grace lhe chamara, erguendo os olhos e mantendo o sorriso característico nos lábios escarlate. – Poderia fazer a gentileza de lavar a louça para nós, querido?

 Diego estava de pé ao lado Grace, na mesa suja de farinha e cheia de ingredientes. Ele ficava mais alto que ela e os saltos agulha (diferente de Cinco). Seu irmão tinha as mangas puxadas até os cotovelos e as mãos afundadas na farinha de dentro da tigela.

 - Certo – respondera com um dar de ombros. Não era como se tivesse outra escolha.

 - Maravilhoso! – ela exclamara naquele humor programado e inabalável. Uma mão delicadamente repousada no ombro de Diego. – Eu vou ajudar Klaus com os produtos. Você continua, coração? Está se saindo muito bem.

 - Claro mãe.

 - Ótimo! Logo, logo eu estarei de volta.

 Ela beijara a bochecha de Diego antes de sair. Cinco já estava na pia, começando seu trabalho e roubando olhares curiosos na direção do irmão. Ele parecia bem compenetrado, com sobrancelhas unidas e o olhar fixo na massa que estava sovando.

 Queria que ele olhasse na sua direção, mesmo que só por um segundo tímido. Queria que ele puxasse assunto, nem que fosse para “quebrar seu acordo das cartas” e citar a boa noite que tivera.

 Nada disso, no entanto, se sucedera.

 - Você também está de castigo? – questionara, em boa parte curioso, mas na maior querendo puxar qualquer assunto.

 - Não. Estou aqui por vontade própria.

 - Ajudando Grace?

 - Tanto quanto ela está me ajudando – Diego respondera ainda compenetrado, mas então retribuíra seu olhar pela primeira vez. – Ela está me ensinando algumas receitas. Eu não pretendo morrer de fome ou comer só porcaria industrializada quando der o fora daqui.

 Uma tristeza repentina surgira em seu peito. Diego ia embora, é claro. Fazia mal dois meses, quase três, que fizeram 18 anos, mas, pelo jeito, ele não pretendia ficar sequer meio ano a mais naquela casa.

 - Você não vai aprender como se cozinha? – Diego indagara. – Disse na última missão que também pretendia ir embora logo.

 - Quem disse que eu não sei? – retrucara, desejando poder fingir que sabia e não seria um desastre com quem se dividir um teto.

 - Eu estou aqui com frequência nos últimos meses. Se você aprendeu algo, não foi com Grace ou nessa cozinha, e eu não acho que você tenha muitas outras opções.

 Era estranho conversar de forma “banal” com Diego. Toda vez que desviava o olhar da louça para ele esperava capturar um sorrisinho satisfeito, ou um olhar desconfiado, mas nada. Ele sempre estava encarando a tigela e as mãos enfarinhadas.

 - Posso ter me concentrado em outras habilidades.

 - Tipo...?

 Beijos. Talvez eu até possa ser bom de se dividir uma cama.

 - Habilidades úteis para se ganhar dinheiro e sobreviver.

 Recebera um sorriso sem dentes por parte do irmão, mas ele ainda estava de cabeça baixa.

 - Achei que diria sobre limpeza ou algo assim. – Então Diego parara e lhe encarara. – Quer tentar?

 Fora pego de surpresa pela proposta. Olhara para a tigela, ponderativo, então para a pia com louça, a água ainda escorrendo pelo prato que tinha em mãos.

 - Grace não vai se importar e o velho não reclama por ela estar me ensinando. Uma habilidade é uma habilidade, afinal.

 Terminara de enxaguar o prato.

 - Não acho que seja uma boa ideia. Não é meu tipo de habilidade.

 - Mas é útil aprender a fazer uma massa de pão e não morrer de fome – Diego insistira. – Vem, Cinco. Também vai ser útil para mim ensinar alguém.

 Claro, claro que não ia dizer não para aquele sorriso charmoso e os olhos castanhos mais lindos que já vira. Desligara a torneira, secando as mãos em um pano e indo juntar-se à Diego na mesa. Enquanto isso, ele afastara a primeira tigela e trouxera uma nova.

 - Mangas no cotovelo.

 Obedecera, mesmo que já estivesse remangado por conta da louça. Deixara seu blazer no encosto de uma cadeira, ao lado do de Diego.

 - Um quilo de farinha – ele anunciara, sério, despejando um quilo na tigela. – O fermento você adiciona nela. Uma colher de sopa.

 Tentara mesmo prestar atenção nas medidas e ingredientes que ele ia anunciando, no entanto, os braços morenos e mãos brancas tinham toda a sua atenção. Ainda lembrava da sensação de encaixe perfeito quando elas estavam na sua cintura. Os dedos tão precisos, treinados pelas facas...

 - Entendeu?

 - Sim – mentira, fingindo uma seriedade para não entregar uma voz trêmula.

 Diego, então, afastara-se. Esperava mesmo que ele não tivesse lhe dado uma ordem enquanto aguardava pelo irmão, trazendo alguma leiteira do fogão.

 Observara a massa lisa da tigela em que ele trabalhara, perfeita, como se tivesse sido feito por Grace. E então observara o que parecia um mini-vulcão de farinha e outros ingredientes (ovo cru, ao que parecia) que Diego fizera na segunda tigela. O leite fora despejado bem no centro.

 - Cuidado! Se você puser a mão agora vai se queimar – ele advertira, mexendo com a colher.

 Observara-o, procurando desvendar o que era aquela aura de algo mais nele. Poderia ser uma boa mão para a cozinha, mas não era. Tampouco parecia que ele estava se esforçando para esconder como se sentia perto de si. Se ele desconfiava de que não fora Vanya na noite anterior, era impossível dizer.

 - Agora acho que está bom. – Diego testara, encostando as costas dos dedos na massaroca antes de dar um passo para o lado. – Pode ir.

 - Fazer o quê? – indagara, ainda distraído pelos próprios pensamentos.

 Diego sorrira.

 - Meter a mão na massa.

 Ponderara, cauteloso, dando um passo adiante e ocupando o lugar outrora de Diego. Pusera as pontas dos dedos da mão direita. A temperatura era gostosa, mas a sensação de sujeira, da farinha com pelotas de leite, ovo e farinha.

 - Com vontade, Cinco! – Diego dissera de repente, batendo com a mão de leve em seu ombro e lhe desestabilizando por um momento de pânico. – Afunda as mãos!

 Não ousara ir contra. Pusera as mãos naquela mistura feita por Diego. Era sujo, mas macio conforme apertava com os dedos, sem ideia do que mais fazer. Farinha espirrava para fora da tigela e pelos seus braços, entre os pelos e até no seu suéter.

 Cinco queria muito mostrar utilidade, mas estava tão perdido com aquela chuva de farinha que precisara perguntar:

 - O que mais eu tenho que fazer?

 - Apertar até ficar igual àquela – Diego sinalizara para a outra massa.

 Murmurara em concordância, mesmo acreditando que não ia ser possível. Apreciara a sensação algumas vezes, odiando outras, quando tinha certeza de que precisaria de um banho para se livrar de toda a sujeira. Com o tempo, a massa fora se tornando melequenta demais, grudando em seus dedos.

 - Eww – reclamara ao ver que, além dela estar grudada em si, sua manga esquerda se desprendera e estava chegando no pulso. – Tira, tira!

 Diego rira muito baixinho, suave, dando um passo adiante e segurando em seu braço, puxando a manga com força para cima. A palma dele em seu antebraço era tão quente quanto a massa que lhe escorria os dedos.

 Ele aproveitara a oportunidade para ajeitar a outra manga também. Em seguida, enfiara a mão no saco de farinha e puxara um punhado, jogando na tigela. Assim se seguira até que a massa desgrudasse de seus dedos, assumindo a forma homogênea que deveria.

 - Pronto?

 - Não. Agora você sova. Aqui.

 Enquanto estivera distraído, seu irmão salpicara de farinha a mesa.

 - Como?

 Diego fizera o translado da massa para a mesa. Em seguida, fizera algo que deixara o coração de Cinco palpitando ainda mais: pegara sua mão com a dele e empurrara a sua na massa.

 - Sovar é assim...

 Não estava prestando atenção na lição, em si, mas no fato de Diego estar pondo-se atrás de seu corpo, com um braço de cada lado, pressionando o peito nas suas costas e as duas mãos nas suas.

 Se ele notara que os pelos do braço de Cinco estavam eriçados (e não tinha como não ver) nada dissera sobre, compenetrado na aula de apertar suas mãos contra a massa até ela se esticar, então a dobrando sob si mesma. E mais uma vez. Suas pupilavas dilatavam ao assistir suas mãos sumindo atrás das palmas maiores dele. Elas faziam um sanduíche com as suas mãos, lhe obrigando e espalhar a massa, e então dobrá-la.

 - Ou assim.

 Então ele mudara a abordagem, o peito firme ainda contra seu corpo, a respiração próxima demais do seu pescoço maltratado. O toque de Diego forçara-lhe a fechar as mãos em punhos, então empurrando contra a massa.

 - Assim é para o caso de você querer extravasar um pouco de raiva. – Podia sentir Diego sorrindo com a própria piada. – E pode usar bastante força. Quanto mais, melhor. A massa precisa ficar lisa e elástica para fermentar melhor.

 As mãos dele ainda guiavam as suas.

 Queria entrelaçar seus dedos. Mesmo sujos de farinha e gororoba do que seria um pão.

 Descobrira, de repente, que amava ver suas mãos juntas. E amava a sensação de Diego atrás de si, lhe ensinando.

 Então se dera conta de outra coisa: aquela aura ao redor de Diego era porque ele amava o que estava fazendo.

 - Ah, que bela visão! – a voz de Grace soara pela cozinha, lhe arrancando de seu transe com um belo susto. Na mesma hora Dois recuara. – Diego, querido, que gentileza ensinar seu irmão Cinco!

 - Sim. Acho que é útil para todos nós, não é, mãe? – ele soara orgulhoso.

 - É claro! Estou muito orgulhosa dos meus dois meninos.

 Tentara concentrar-se em amassar aquilo, todavia, suas mãos tinham um leve tremor do qual só se dera conta naquele momento.

 - Essa daqui está pronta, mãe. – Diego pegara a tigela e a expusera, orgulhoso.

 - Muito bem, Diego! Vamos deixar ela descansar para o fermento fazer seu trabalho, sim?

 - Sim. Quer que eu assuma, Cinco? – ele lhe perguntara, mas Cinco negara com a cabeça.

 - Estou fazendo certo? – quisera saber.

 - Está sim.

 - Então eu continuo – respondera, convicto e disposto a fazer um bom maldito pão para Diego, quem estava sorrindo com um certo orgulho ao observar seu trabalho.

 - Quer me ajudar com o chá, Diego, querido?

 - Claro mãe.

 Enquanto Cinco sovava a massa, concentrado em mostrar para seu irmão que seria útil na cozinha, não conseguira deixar de pensar quantas outras refeições e lanches tinham sido preparadas por ele sem que Cinco tivesse ideia alguma. Poderia ter comido uma boa sopa feita por ele, ou um outro pão, e não sabia. Se soubesse, teria dito que estava bom e imaginado as mãos morenas dedicadas e pondo carinho em cada detalhe.

 Cinco, aliás, punha ódio no pão. Ódio e dedicação. Devia ter quase o mesmo efeito.

 


Notas Finais


"Cartas Para Você" acabou de virar uma fic útil com este tutorial de como fazer pão apresentado por: Diego Hargreeves.
Eu sou mto pregiçosa na cozinha pra fazer qalqer coisa, mas qando faço pão é qe nem o Cinco: amassando na base do ódio. Sempre funciona. (Na vdd a única coisa qe eu n faço na minha vida na base do ódio é escrever e resp vcs, de resto....)


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