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História Cartas perdidas - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Foi apenas uma vez.


Abril de 1920

-Eu te amo- e olhando em meus olhos ele disse. Esperei tanto por isso, pelo momento em que ele olhasse nos meus olhos e proferisse juras de amor. Mas porque não sinto nada? A expressão em meus rosto provavelmente me dedurava:- Não está feliz? Não posso ter sido o único a sentir aquilo, Ali…

Respirei fundo, incapaz de lhe olhar nos olhos com tamanha coragem, apenas proferi olhando para os girassóis em sua mão, minhas flores preferidas:

- Sei que passamos por muita coisa juntos, mas você não me ama. Como poderia?- minha voz falhou, não conseguiria, não lhe contaria a verdade, não com ele me encarando com tanta esperança e amor, esperei tanto por isso, não posso desistir agora, não por um erro bobo.

-No começo-ele soluçou, quando havia começado a chorar?- No começo, eu tentei dizer a mim mesmo que era apenas a opinião dos meus pais refletindo em mim, eles queriam tanto que eu me casasse com você, não entendia no começo exatamente o porquê, mesmo que hoje entenda, depois fingi que me sentia atraído apenas pelo seu corpo, lhe reconheci como amiga, mas foi James que…

Eu o interrompi:- James? Como?- olhos arregalados, voz trêmula, logo choraria…

-James me fez ver a mulher incrível que tinha em casa, me fez vê que perderia você se não agisse logo, eu te amo, Alice, e pretendo provar isso todos os dias.

Eu chorei, e em meio às lágrimas deixei meu coração amar e ser amado de volta, eu apenas sorrir.

                           28 de dezembro de 1920.

Querido Rodrigo,

É apenas por achar que nunca vai ler, que lhe escrevo tal carta. Lembro como se fosse ontem do garoto arrogante que conheci um dia, que queria fugir de um casamento arranjado e estava bêbado o suficiente pra desabafar nos braços de uma estranha, um belo contraste do homem forte e gentil de hoje, do nervosismo que senti no dia do nosso casamento, naquela hora eu queria fugir. Lembro de você sussurrando Alfred Tennyson na nossa lua de mel. Minha, minha por direito do berço até o último suspiro. Minha, minha-juraram nossos pais. Eu te amei antes mesmo de saber que lhe era prometida, espero que não duvide disso no decorrer dessa carta.

Posso sentir essa maldita doença me corroendo os órgãos, já não sou bela e viva como antes, lamento que tenha que vê a degradação daquela que um dia amou, mas sei que não morrerei em paz se não lhe contar a verdade. Este filho em meu ventre-que espero que sobreviva e vire um homem forte- talvez não seja seu, meu amor.

Lembra do tanto de vezes que me deixou sozinha com James e ia para seus clubes clandestinos? No começo era apenas conversa de bons amigos, mas nos apaixonamos, ou achavamos que era amor- por um momento temi o amar mais do que um dia lhe amei- entao uma noite, eu sucumbi a essa ardente paixão. Nas noites que se seguiram planejavamos fugir. Oque mudou você deve estar se perguntando? Você,  você mudou tudo. Quando disse que me amava percebi que não poderia lhe deixar, nem se quisesse, compartilhavamos da mesma alma, viver longe de você, mesmo com a esperança de um falso amor era cruel demais. Então veio essa criança, que hoje, amo mais do que a mim mesma, que amo mais até do que amo você, pois ela é fruto do amor.

Espero que se um dia ler essa carta, me perdoe e não desconte no meu pequeno Pedro. Eu sinto muito.

Sempre sua,

Alice



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