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História Carter. O cristal. - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Essa é uma história que retirei do meu sonho. Estou escrevendo para você em forma de diário porque eu venho sonhando com isso há mais de 3 anos. O mesmo sonho. Já não sei mais com quem falar sobre, todos dizem que enlouqueci, então espero que signifique algo para você.

Capítulo 1 - Capítulo 0 - A nação. Os Aspectos.


Eu não faço ideia de quanto tempo isso durou nem se realmente aconteceu. O que sei é que aquela velha sensação de que você está esquecendo de um sonho intenso que tivera naquela mesma manhã, eu não sinto mais.

 Há 3 anos quando sonho, é sempre com a mesma coisa. 

A cidade brilhante e arborizada poderia retratar perfeitamente qualquer bairro futurista que você conhece. Mas basta virar as esquinas que você descobre a cultura mais rica, e (arrisco dizer) "a mais importante" que existe. Ou não existe. 

Eu não sei. Pode muito provavelmente ser um efeito químico no meu cérebro. Talvez ele esteja tentando me alertar um câncer ou uma disfunção. Eu provavelmente estou morrendo. 

Porém quando entro em ≈, meu cérebro relaxa junto com cada centímetro do meu corpo. Eu me alegro e regozijo com os cheiros e sons de tal lugar abençoado.

Sim, é isso mesmo. Não foi um erro de digitação. O nome deste lugar impecável é ≈, cuja pronúncia está correta não importando o barulho que você faça com a boca. Ou com as mãos. Ou pés. 

Isso se deve ao fato de que os Catheleons não se limitam a regras gramaticais porque entendem que a expressão do ser vai profundamente além de um conjunto fonético. 

Você pode sentir o nome desta cidade. Qualquer palavra ou som que seus ouvidos captarem só serão ≈ se isso estiver no coração de quem fala. E sabemos quando está. Porque o êxtase assim o faz iluminar.


Catheleons. Os aspectos. 

Seres sem rótulos que te fazem querer questionar tudo o que sabem sobre a breve e ridícula existência humana. 

Meu nome? Meu nome é a sensação de otimismo. Se escreve  "<•>", mas a pronúncia é qualquer coisa que te dê a sensação de otimismo. E assim nomeamos os aspectos que nascem em ≈. Traduzindo pra linguagem humana, pode me chamar de Auxiliadora. 

Ironicamente, nasci no universo humano. Sou um ser humano do gênero feminino de 20 anos. 

Minha história com ≈ existiu por acidente, mas a mantenho mais como privilégio do que como fatalidade. Ainda não sei se ela me visita ou se eu a visito. Acredito que ambos não usemos o convencional método de transporte que envolve o deslocamento de dois corpos no espaço. Então não vamos a lugar nenhum, ao mesmo tempo que vamos a todo canto de um único lugar. 

Confuso? Pode acreditar. Mas você vai admitir que essa foi a frase mais clara dessa história. E ela começa no dia em que eu fui caçar siriri.


- Meu record é de 8 dias sem dormir. Praticamente venci o teste russo do sono! 

Eu me orgulhava de ser uma pessoa extraordinária em coisas sem sentido. 

A que prende mais tempo a respiração 

A que sabe falar o alfabeto de trás pra frente.

A que sabe consertar uma máquina de lavar com palha seca, borracha e uma colher de pau.

É claro que eu só tinha 13 anos. Mas não, não sofri por ser esquisita. Meus amigos me adoravam, ninguem me enchia o saco, eu era amiga de todo mundo! E ao voltar pra casa, por volta das cinco da tarde já no lusco-fusco, subia uma colina de vagalumes até a casa de madeira no topo da colina. 

Na minha colina. Na minha fazenda.

- É a vez da Auxiliadora levar o Bertô pra dentro do celeiro! - Meu irmão, Celestino, gritava de cima do burrico novo para a minha avó ouvir

- Não discuta comigo! - Ela gritava pela janela da cozinha ao lado do fogão onde fazia feijão. Eu estava logo atrás, na mesa de madeira, terminando meu dever de casa. - Você já está em cima do Bertô e brincou com ele a tarde toda! Vamos!

Celestino saiu chutando poeira seca, fazendo uma birra seca, com seu beiço seco para fora, porque era pequeno, magrelo e irritantemente preguiçoso.

No fundo do armazém, pude ver a imagem do velho deitado em sua rede de corda, fumando seu cachimbo fedido e sintonizando num sertanejo sofrido de antigo em um ridículo radinho de bateria. E o armazém só tinha esse nome porque comida não tinha não. Era sempre vazio no final do mês. Potinho dos vinténs cheio, armazém vazio. Vendíamos tudo.

Isso só me lembrava que no fim de semana seguinte a chatice que era recontar e reabastecer o lugar era obrigatória.

- Vó, tá queimando não? - senti o cheiro forte da panela

- Ta não. Devia ter comida grudada no fundo da panela que o fogo queimou.

E não estava mesmo. Dona Fé sabia exatamente o ponto do feijão.



Mais tarde naquele cenário, eu levantei meus joelhos do chão do quarto depois de pedir a deus pela proxima benção. Foi quando a silhueta minúscula do Celestino invadiu o quarto, acompanhada pelo dourado que o lampeiro emanava da sala. 

Esfregou seus olhos gigantes e esperou meu Amém. Mesmo que eu já tivesse terminado, mesmo que já tivesse perguntado o que ele queria no meu quarto. 

- Auxiliadora, ce não me leva pra pegar siriri ali não? Tem um monte ali, eu to ouvindo já.

- Onde? - abri a janela

- Na casinha. O vô deixou a luz pro lado de fora e os siririzinho tão circulando a bolota da luz. - empurrou a cortina mais pra lá, para abrir meu campo de visão. 

Só pediu mais umas seis vezes até que eu  falasse pra ele calar a boca enquanto buscava a bota de couro.

- Pega o baldinho pra mim, Auxiliadora. Eu vou pegar um alumiador.

- Um vagalume! - corrigi. Dona Fé fazia questão de corrigir o garoto e me ordenou assim também. Ela queria que ele virasse homem importante, com nome na praça. Um ensinado com diploma e tudo. 

- Isso!

Sua mãozinha gelada do banho de caneca que acabara de tomar se agarrou no meu pulso e ficou junto a mim, porque tinha medo de buraco. Não queria ser engolido pela terra daquela forma. 

- Auxiliadora, se tiver buraco de coelho me avisa?

- Toca, Celestino! Se diz "toca de coelho".

Descemos o declive que dava num quadrado de cimento onde ficava a casinha. Celestino apontou para sua bexiga (ou onde ele achava que ela ficava) e alertou que precisava fazer xixi. Convenientemente, coloquei-o lá dentro da casinha e fechei com um paralelepípedo, como sempre fazíamos. 

- O siriri tá na bolota da luz, Auxiliadora?

- Sim, tem três aqui.

Olhei pra imagem da casa na colina completamente apagada. A brisa do lago vinha direto de trás do nosso barraquinho. Essa visão era o que eu buscava sempre que descia a colina.

Depois que o Celestino terminou de usar a casinha e pegou seus 3 siriris, reclamou do seu sono e pediu colo até seu quarto. 

Eu, sua irmã 6 anos mais velha, o agarrei no ombro me preparei para subir colina até em casa. 

Quando eu estava na metade da subida da foi quando o vi pela primeira vez. 



Sobre seis peludas patas estava ‘w, o executor. 

Assim aprendi que era seu nome de ≈.


Eu me lembro de ter caído no chão de joelhos e agarrado o Celestino com tanta força que quase sufocava-o. Eu rezava na velocidade da luz, pedindo para o todo poderoso espantar aquela visão demoníaca! Um acervo folclórico correu meu vocabulário mas nenhuma das lendas possuia aquele arquétipo, para que pudesse ser pronunciada como definição de tal imagem.

’w possuia a face de um bisão e o corpo de um  urso. Um urso grande e dourado de seis patas. Ele abriu seu olho e ele era como uma pedra preciosa de milhares de rubis.

 Antes que eu pudesse tomar ar para gritar, ele mudou de forma. E cresceu, diante dos nossos olhos, 9 vezes mais. Até que ficou do tamanho do moinho de vento. 

Seus movimentos eram extremamente silenciosos. Nem um galho quebrava sob seus pés, nem a brisa macia se desdobrava de maneira brusca ao impactar o volume de seu corpo. Era como se ele fosse etéreo.

Ele me hipnotizou apenas com a forma de olhar. Gigante e majestosa, a criatura de ≈, me convidou a me aproximar sem dizer uma palavra. Sem emitir um som. E fui. Deixando Celestino atrás. 

Celestino que estava com seu corpo caído no campo. 

’w saltou por cima de mim, se aproximou do meu pequeno irmão e o lambeu. Tudo o que sua língua puxou na lambida foi um rastro dourado que se desfez como açúcar na saliva dele. E aquele rastro dourado foi consumido. 

Bastou. ’w sumiu num flash de luz. Eu cambaleei, completamente chocada até o corpo de Celestino, o menino. E quando o vi, desacordado, imediatamente o coloquei no meu peito, apertando seu rosto ordenando imadiatamente que acordasse. E eu senti toda sua forma se desfazer em poeira. Logo meu colo era apenas um braço trêmulo segurando um monte de pó, que chacoalhei e bati da roupa em prantos desesperados. Tudo o que restou do meu irmão era poeira marrom, e um objeto estranho que emergiu de dentro dela. 

Um pingente circular com o selo <•>.


Gritando sem parar e completamente traumatizada, caí. Caí no abismo que se abriu abaixo de mim. Caí por quilômetros até afundar em um líquido preto e denso que me fez debater e acordar imediatamente na minha cama. 

Respirei aliviada porque sabia que aquilo era um pesadelo e que logo mais esqueceria do que houve. Claro, se não fosse pela polícia lá fora consolando Dona Fé, dizendo que achariam, custe o que custar, o menino que sumiu antes do amanhecer. 


Notas Finais


Certo, podem achar que é loucura mas são relatos reais de sonhos meus que nunca esqueci e sei bem com detalhes tudo q houve.

<< Nomes alterados >>


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