História Casa de Vó - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 719
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LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Lírica

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Esse texto pode conter erros de português mas dessa vez eu não tô nem ai, eu não achei que deveria embunitizar a fala de quem fala errado só pra agradar os professor não....

Mas tudo vai fazer sentido depois, eu prometo.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Casa de Vó - Capítulo 1 - Capítulo Único

O que é nostalgia para você?

 

Eu sinto saudades de quando minha avó podia ser quem ela queria ser.

 

Era uma vida tão simples e tranquila.

 

Eu adorava particularmente acordar pela manhã cedo já sentindo o cheiro do café e da fumaça do fogão a lenha da minha avó circulando pela casa, chegando até o quarto. Acordar e ver os raiozinhos de sol que entravam pelas frestas do telhado iluminando as paredes de barro, a cama, a rede, meu braço... Balançar a rede e ouvir o crec crec do armador velho fazendo zuadinha, saber que assim ela ia saber que eu acordei e iria vir me chamar para o café.

Eu adorava quando ela vinha me chamar para o café da manhã.

Ver a “porta” — que na verdade era só um lençol fino estendido — “se abrir” e nela a figura da minha avó surgir com seus cabelos brancos, pele de idosa, cachimbo na boca, sorrindo e dizendo “minha galega véia dormiu foi muito, acorde pa tumar café que já são seis hora”.

Para ela que já estava de pé desde às 4…

Quanta saudade desse tempo, as únicas férias que pude passar longe de casa, da minha bolha de proteção, longe dos meus pais e de todos os médicos que eu era obrigada a frequentar naquela época…

Eu até podia correr se quisesse! Ela nem se importava se eu caísse, bastava me levantar, se não tivesse nada sangrando ou quebrado, tudo bem. Eu podia passar o dia deitada se quisesse, a única regra era me levantar de vez em quando para comer pois segundo ela eu era muito pouquinha e não podia ficar sem comer.

Eu podia comer o que eu quisesse também, desde que tivesse feijão no meio, porque o doutor tinha dito que feijão tinha ferro, embora ela dissesse não  entender onde mulesta ele tava, mas eu tinha que comer porque ferro era forte e eu era fraca. Mas se depois de comer o feijão eu quisesse comer só a mistura eu poderia também.

Eu podia brincar com quem eu quisesse, embora não tivesse nenhuma outra criança por lá, no fim das contas eu gostava por isso mesmo, assim não ia ter ninguém para me olhar com pena e pensar “tadinha ela é doentinha”. Só tinha os adultos mais velhos por lá e ainda que eles soubessem sobre mim, ninguém parecia tão preocupado assim.

Hoje eu sei que era porque eles me olhavam de longe, entendiam que algumas coisas eu não poderia fazer mas tudo bem se eu quisesse, eu só precisava ter cuidado para não cair e sangrar.

Eu gostava de ver a tarde, eu sempre gostei de todas as horas, mas a tarde sempre foi mais legal. Eu nunca me esqueço que ela deixava eu passar a tarde todinha na rede olhando pro céu vez ou outra enquanto eu lia alguma coisa. De tarde dava para sentir o tempo passando de quente para menos quente, o céu passando de azul claro para o colorido do pôr do sol que ficava bem na frente do alpendre e depois para azul escuro brilhante pois a única luz que tinha lá de noite era a das estrelas e na época pensava: "meu deus como tem estrela no céu!".

Eu gostava das refeições, até os legumes eu conseguia comer. Na verdade eu acho que só lá eu conseguia ser quem eu era, foram tão poucos dias, mas foram dias inesquecíveis.

Lembro que para chegar na casa dela eu tinha que caminhar quarenta minutos do ponto de ônibus até lá, e era sempre uma sensação maravilhosa finalmente chegar, era descanso para os pés cansados, o aliviar da sede para a garganta seca ao beber água gelada do pote de barro, matar a fome de comida de milho mesmo que não fosse São João e ouvir histórias até "tarde da noite" para ir dormir de oito horas, acordar cedo e começar tudo outra vez.

Hoje eu sinto que passei muitos anos nessa caminhada de quarenta minutos até a casa da minha avó, subindo e descendo morro, atravessando alguns rios secos, campos com uns matos mais altos que eu, talvez eu até tenha me perdido como da última vez que fui lá de verdade, mas eu também sinto que finalmente cheguei naquele lugar onde eu posso ser realmente quem eu quiser ser.

 


Notas Finais


Olha, a culpa é da senpai e desse mantra aqui que a gente ficou ouvindo de noite https://www.youtube.com/watch?v=WtsmqzcYkMs&feature=youtu.be


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