1. Spirit Fanfics >
  2. Casa dos Gritos.-(Jily) >
  3. Talvez não seja a última vez.-(Capítulo único)

História Casa dos Gritos.-(Jily) - Capítulo 1


Escrita por: Nerd_11

Capítulo 1 - Talvez não seja a última vez.-(Capítulo único)


James Potter afasta o charuto da boca quando Lily Evans cruza a porta do bar. Solta a fumaça e arrepia os cabelos enquanto observa seus belos fios ruivos e o rosto sardento, erguendo um canto da boca num meio sorriso considerado sedutor por muitas outras garotas quando as esmeraldas verdes dos seus olhos cruzam com os dele.

Lily revira os olhos e se encaminha para uma mesa do outro lado do recinto junto com as amigas. James lembrava vagamente de algumas delas da época de Hogwarts, mas não deu muita atenção. Seu olhar logo se voltou para a ruiva, e apenas voltou a desviá-lo quando Sirius colocou um copo com whisky de fogo em sua frente.

-Deve ser um sinal do destino- o amigo fala, se sentando na cadeira ao lado do Potter e passando os braços ao redor dos seus ombros- Quem diria, Lily Evans, depois de tantos anos.

James voltou a levar o charuto a boca, tentando demonstrar indiferença.

-Não importa- ele solta a fumaça mais uma vez, prendendo o charuto entre os dedos e dando um gole no whisky- Seja lá o que eu sentia pela Evans, já passou tem anos.

Remus, que estava sentado à sua frente, tossiu.

-Então porque não tirou os olhos dela desde que entrou?- James percebe que ele contém um sorriso.

Sirius ri, dando um tapinha na nuca de James antes de tirar o braço de trás do corpo dele.

-O Pontas aqui, é péssimo em disfarçar- seus olhos procuram os de Peter Pettigrew que estava sentado ao lado de Remus na mesa- Não é verdade, Rabicho?

As feições muito parecidas com a de um rato de Pettigrew esboçam um sorriso e ele acena positivamente com a cabeça antes de dar um longo gole em sua caneca de cerveja amanteigada.

Estavam as vésperas do Natal e Sirius, para fugir da família, sugeriu que passassem um dia no povoado de Hogsmeade. James aceitara de bom grado, pois estava mesmo meio cansado do seu trabalho de Desfazedor de Feitiços do Ministério. Remus ainda estava procurando emprego e Pettigrew estava de folga do seu trabalho numa loja de bichos de estimação no Beco Diagonal. Mas James não esperava ver Lily Evans ali, na verdade, pensava que nunca mais a veria.

-Acho que o Almofadinhas tem razão- Remus fala, quebrando o curto silêncio- É o destino dando a Pontas uma oportunidade de concertar as coisas.

James bufou.

-Dá para vocês pararem de falar de mim como se não estivesse aqui?

Aluado, Rabicho e Almofadinhas se entreolharam, então começaram a rir. James revirou os olhos e virou o resto do whisky de fogo de uma vez.

-Vocês são uns idiotas- diz, se levantando da mesa.

Os amigos param de rir e encaram o amigo, confusos.

-Onde você vai?- Rabicho pergunta.

-Só dar uma volta- James dá de ombros.

Prende o charuto entre os dentes e se encaminha até a porta, saindo do Três Vassouras para a estrada coberta de neve do vilarejo.

Eram férias de inverno para os alunos de Hogwarts, então não se via muitos deles nas ruas. Alguns poucos estavam amontoados na vitrine da Zonko's, ou comprando doces na Dedosdemel. James apenas deixou seus pés o carregarem morro a cima, e quando se deu conta, estava parado em frente a cerca que ficava em volta da Casa dos Gritos.

Ficou parado ali, observando a construção em ruínas e pensando em todas as aventuras que já havia passado com os amigos ali dentro na época da escola. Oh sim, aqueles eram bons tempos. Não tinha tanto com que se preocupar quanto agora.

-Então agora você fuma?- uma voz soou atrás dele.

E ali estava ela, Lily Evans, sendo imprevisível, como sempre.

James soltou a fumaça pela boca mais uma vez, antes de apagar o charuto e se virar para a ruiva.

-Ora, ora. Olha só quem me seguiu até aqui- ele diz com um toque de sarcasmo na voz.

Lily cruzou os braços, sua expressão era impassível. Suspira, olhando para algum ponto que não o rosto de James.

-Só queria garantir que não faria algo estúpido- deu de ombros.

Um sorriso passou pelo rosto dele.

-Deveria saber que não sou mais um garoto impulsivo, Evans- seu tom saí seco- Sou um homem responsável agora.

Ela força uma risada, como se achasse aquilo muito engraçado.

-Você, Potter? Responsável?

James enfiou as mãos nos bolsos das vestes, tombando a cabeça para o lado.

-Porquê está aqui, Evans?- pergunta- Desde quando se importa comigo?

Lily respira fundo, a expressão endurecendo repentinamente.

-Você estava certo sobre o Severo- o tom de voz dela vacila um pouco ao dizer o nome do homem.

-Sério?- James finge surpresa, abrindo novamente o sorriso sarcástico- Quem diria, o brilhante Severo Snape metido com Artes das Trevas?

Lily olha para as folhas cobertas de neve de uma árvore um pouco adiante, a expressão mudando de sombria para algo um pouco mais alegre.

-Foi assim que descobri sobre o Remus, lembra?- pergunta depois de alguns segundos reflexivos- Te segui até aqui e te obriguei a contar. Eu ainda era obcecada por você naquela época- apontou para baixo da árvore que encarava - Sirius ficou parado bem ali, rindo da nossa discussão e gritando: “Conta logo para ela, James! Quem sabe assim ela pare de nos perseguir.”

-Sirius é um babaca- murmura James.

Lily começou a sorrir, mas aparentemente mudou de ideia.

-Depois daquele dia, resolvi que realmente seria melhor para mim deixar de seguir vocês- continuou- Fim da minha obsessão.

-Início da minha- comenta James.

Dessa vez, Lily sorri brevemente.

Haviam cinco anos desde a última vez que se encontraram, e James realmente pensou que nunca mais a veria depois da discussão feia que tiveram sobre Severo Snape no topo da Torre de Astronomia no sétimo ano. Era estranho para ele falar com Evans depois de tanto tempo, e deveria ser estranho para ela também. Nenhum dos dois tinha certeza do que realmente havia acontecido entre eles, e James estava começando a acreditar que talvez Sirius estivesse certo sobre esse reencontro ser um sinal do destino.

Lily Evans parecia tão amargurada quanto ele. O brilho nos olhos já não era o mesmo de antes, o sorriso não era mais tão contagiante, e não demonstrava muito interesse em manter uma conversa como James sabe que manteria em outros tempos. Parecia estar passando por uma situação difícil, e não o surpreenderia se fosse por conta de Severo Snape e sua associação com Magia Negra. Lily sempre fora de confiar muito nas pessoas, e experimentar a decepção não parecia ter lhe feito bem.

James sabia muito bem o que era a decepção, por isso as pessoas em que realmente confiava eram as únicas que mantinha por perto. Remus, Sirius e Peter. Os únicos pelos quais James se atiraria na frente de uma Maldição da Morte, e que podia ter certeza de que fariam o mesmo por ele, mesmo apesar de todos os desentendimentos.

Mas será que Lily tinha alguém assim? Alguém disposto a levar uma Maldição Imperdoável no seu lugar?

James virou as costas para ela, caminhando em direção a cerca e passando por baixo dela. Evans ergueu as sobrancelhas, mas ele apenas fez um gesto para segui-lo.

Lily hesitou, mas também passou por baixo da cerca. Quase se desequilibrou ao tropeçar numa rocha que se sobressaia na neve, mas foi segurada por James. Os dois se olharam por um tempo, então ele se afastou dela e começou a caminhar em direção da construção abandonada. A madeira velha do assoalho da varanda rangeu assim que seus pés a tocaram.

James examinou as correntes que prendiam a porta e sacou a varinha. Lily parou ao seu lado, olhou pela fresta das tábuas presas na janela, e se voltou para ele:

-Vamos mesmo fazer isso?

Pela segunda vez naquela tarde, o sorriso sedutor se ergueu no canto da boca de James.

-Com medo, Evans?- os olhos do Potter se voltam para os dela- Não se preocupe, eu protejo você.

Lily revirou os esplêndidos olhos verdes, mas sorriu

-Pensei que você era um “homem responsável” agora- ela fez sinais de aspas com os dedos.

O sorriso de James sumiu instantaneamente e ele bufou antes de se voltar para as correntes.

-Alohomora! -ordenou, apontando a varinha para elas.

As correntes se partiram e caíram com estrépito no chão se madeira, fazendo subir uma nuvem de poeira. James tossiu antes de empurrar a porta e adentrar na Casa dos Gritos. Lily hesitou a porta, mas tapou a boca e o nariz com uma das mãos e entrou também.

O lugar estava exatamente como James se lembrava, talvez só um pouquinho mais poeirento. As marcas de garras, os móveis quebrados, e até o rangido da madeira.

-Remus fez tudo isso?- Lily pergunta, olhando ao redor.

James concorda com a cabeça, ela faz uma careta.

Faz sinal para ela acompanhá-lo por um corredor estreito que terminava em uma escada. James viu Evans sacar a varinha e murmurar um feitiço para iluminar. Os ombros dos dois batiam algumas vezes um contra o outro enquanto cruzavam o minúsculo corredor, e James se encostou na parede para conceder passagem para ela quando chegaram ao primeiro degrau da escada.

-Não acredito que vou mesmo fazer isso- ela murmura antes de subir o primeiro degrau.

James dá um sorrisinho antes de começar a subir atrás dela. Cada passo fazendo os degraus de madeira rangerem assustadoramente. Quando finalmente chegam ao topo, Lily cobre o nariz para evitar inalar a poeira e James percebe seus olhos pousarem numa cadeira de balanço muito velha e tão empoeirada quanto o resto da casa encostada a um canto.

-Nox- ordena, e a varinha se apaga, deixando o ambiente ser iluminado apenas pela pouca luz que passava por entre as tábuas que cobriam a única janela do recinto. Seus olhos encontram o de James e um leve sorriso se forma em seu rosto- O que fazemos agora, sr. Responsável?

James dá de ombros.

-Não sei, alguma sugestão?- seu tom tem um pouco de deboche presente, o que Lily percebe, e a faz revirar os olhos e desmanchar o sorriso.

-Remus sempre disse que você tinha uma mente limitada- retrucou, virando as costas para ele.

-Ele disse isso?- James franze o cenho e escuta Lily assentir- Mas que grande filho da...

Um barulho no andar de baixo o faz parar de falar quase instantaneamente, fazendo-o virar o corpo na direção da escada e empunhar a varinha com firmeza. Lily faz o mesmo, parando ao seu lado. Os dois se entreolham por um breve segundo e o barulho de passos, não de uma pessoa, preenche o silêncio. Num ato quase inconsciente, a mão enluvada de Lily desliza para a de James e da mesma forma ele a segura. O barulho de passos fica mais forte conforme o indivíduo se aproxima da escada, e Lily aperta a mão dele com força.

Uma luz se acende na ponta da escada lá embaixo e os dois prendem a respiração. A silhueta mal iluminada de Sirius Black esboça um sorriso assim que vê os dois, e ao lado dele está parado o gorducho Pettigrew. As mãos de Lily e James se soltam quase imediatamente, e o Potter abre a boca para xingar os amigos quando Sirius começa a rir feito louco, seguido por Pettigrew.

James bufa, e percebe que Lily está corada mesmo com a pouca luz. Ela olha pro chão, e brinca com os próprios dedos enquanto aperta os lábios. É um alívio quando Remus aparece na sala, segurando a própria varinha acessa e faz a pergunta que resulta no fim das gargalhadas dos amigos.

-Os dois escaparam para se agarrar- explica Sirius, bem humorado- Eu sabia que não tinham se superado.

-Não é nada disso!- retruca James, de repente furioso- A gente só estava...

-Conversando- completou Lily, olhando finalmente para os garotos do outro lado da escada- E relembrando os velhos tempos.

-Isso- confirmou James.

O sorriso presunçoso ainda estava presente no rosto de Sirius, mas ele apenas deu de ombros.

-Acredito que estejam mesmo relembrando os velhos tempos, já que neles costumavam passar a maior parte do tempo trocando saliva.

Pettigrew desata a rir novamente e James revira os olhos.

-Já chega, Sirius- interfere Lupin- É melhor sairmos daqui, todos nós. Antes que alguém da vizinhança resolva nos denunciar.

Lily desce as escadas quase correndo, parando no último degrau e encarando Remus.

-Foi bom ver você- sorri- Você também, Sirius e Peter- ela volta a olhar para o Potter no topo da escada- Acho que não posso dizer o mesmo de você, James.

Sirius e Peter começam a rir novamente e Remus os encara, sério. James não liga, apenas arqueia as sobrancelhas para Evans que, apesar de toda a escuridão do lugar e ele não poder enxergar muito bem, teve certeza de que sorria.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...