História Casada com um selvagem - Capítulo 58


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Palavras 5.303
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 58 - Relidas e lembranças


Sakon segura uma corrente, em uma ponta há a lâmina de foice e na outra um escudo circular. Sua armadura possui camada metálica mais fina comparada a dos cavaleiros maiores. 

Melindo é um homem de olhos cristalinos azuis, quase brancos, poderiam se passar pela cor dos globos Hyuugas se não fossem as pupilas dilatadas e trêmulas. O capacete exibe o rosto através da abertura em formato de T, do topo dele desponta uma plumagem vermelha na forma de um rabo de cavalo combinando com a armadura cuja cor bronzeada tende ao vermelho. Rodeia uma adaga em cada mão e mantém os pés separados. 

–Comecem! –O porta voz dá o sinal, a mini ampulheta inicia a queda da areia.

Sakon corre abeirando o limite do campo de batalha, acima da cabeça roda a foice pela corrente mantendo o escudo diante de si, por um triz não o encostando no peito.
Melindo gira no próprio eixo acompanhando a corrida do adversário. 

–“A armadura não o deixa lento” –Sakon conclui encerrando duas voltas completas. –“Ele é como Mizuke, grande e ágil

Interrompendo o giro da arma, contra o rival atira a foice que é rebatida pelo cruzamento de adagas realizado imediatamente pelo dono delas. 

Aproveitando, Melindo tenta enrolar parte da corrente nas armas, indo contra sua ideia, a corrente é recolhida em uma puxada bruta a qual quase o fez derrubar uma das adagas. 

Sakon de costas corre apressado, freia quando acha a distância segura, olha pra trás e vê que faltou somente dois passos pra sair do campo de batalha.  Sorrir sem graça ao avistar o irritado irmão. 

–Se afaste da beira seu jegue! –Ukon exclama.

–Não se intrometa! –Sakon grita de volta. Recompõe a concentração. Avança de novo na direção do oponente, girando outra vez a foice sobre a cabeça e conservando o escudo rente ao corpo. Parando em um lugar a nove passos de distância à esquerda do cavaleiro, investe novo tiro.

Melindo pretende deter a foice usando uma adaga, feito, move a outra adaga tentando enrolá-la na corrente nova vez, falhando, nem mesmo completa uma volta na corrente, Sakon recolhe ferozmente a arma, a repuxada dele derruba a adaga. Melindo a colhe depressa enquanto a foice volta para perto do dono.

Sakon persiste, corre pra outra direção, se mantendo longe de Melindo e lançando a foice contra ele. 

O cavaleiro de Roseana mostra se adaptar ao ritmo do selvagem.

–Derrotar a longa distância é o estilo de Sakon e Ukon. Melindo depois de deixar a adaga cair, ficou mais atento nas investidas e agora está aprendendo o compasso de luta do Sakon. –Iruka avalia e crava olhar preocupado na ampulheta. –Se ficarem nessa vão perder muito tempo.

Naruto de braços cruzados e soando a beça, não arreda um milímetro. Seus azuis fulgurantes seguem cada mover do selvagem no campo de batalha.

Sakon segue correndo de um lado a outro, sempre quando para, atira a foice. Lançou a corrente de todos os ângulos possíveis e em todas as vezes a recolheu veloz sem dar chance de Melindo conseguir enrolar ela. 

Faltando quatro minutos e meio para toda a areia da ampulheta cair, Melindo arranca pra cima do adversário, a foice lhe é atirada e se defende dela formando o X de adagas, continua correndo na direção do seu alvo.

Sakon encarando o oponente, recua rápido, se atenta ao limite do campo de batalha. Saltando, faz uma curva, e com a foice próxima, a lança. Acha que iria recolhê-la sem problemas de novo, contudo a situação mudou.

Melindo a pega fácil com uma mão livre, cauteloso para não se cortar na foice puxa a corrente trazendo Sakon aos poucos para perto de si. Se livra da outra adaga, passa a puxar a corrente com as duas mãos. As adagas estão jogadas pra fora do campo de batalha. Assim não teria risco de Sakon tentar pegá-las quando estivesse perto.

–Você fingia? Podia ter pego minha corrente em qualquer momento? Voc...ah! Fez eu atacar de todas as formas que pude, estava me estudando! –Perante o silencio estendido do rival, Sakon suspeita que Melindo não saiba falar. 

Melindo traz Sakon pra sua frente, ficam a um passo de distância. 

O menor empurra os pés pra frente jogando seu tronco pra trás, não quer soltar a corrente e nem o escudo, jaze lançando seu peso em direção oposta a de Melindo. Lhe descontentando, seu peso é insignificante.

O cavaleiro de Roseana seguro caminha arrastando Sakon à marcação de campo. 

–Que porra, se Sakon soltar a corrente ficará sem arma e escudo. –Desarmado seria questão de tempo até Melindo derrotá-lo, conclui Ukon. –Mas se não soltar será lançado pra fora do campo. –Olha pra ampulheta. Agitado por inteiro, receia o que acontecerá. Notara que desde o início da batalha Sakon demonstrou desconforto, nervosismo. Foram emoções sutis que só ele percebeu, a ligação entre irmãos gêmeos o fizera capaz de captá-las. 

Faltam cinco passos pra Melindo alcançar a beira do campo, repentinamente, a corrente fica mais leve, Sakon desprendeu o escudo da corrente e colocando-o na frente do corpo pula contra Melindo quem larga a corrente se preparando para agarrar o escudo inimigo, intencionava segurar os braços de Sakon e assim lançá-lo pra fora do campo de batalha. 

No corpo a corpo, certeza que o selvagem perderá.

Dois minutos e vinte segundos faltando para o fim da batalha.

Como objetivava, Melindo agarra o escudo de Sakon, todavia seu plano de segurar os braços dele, não procede. Veloz Sakon larga o escudo se abaixando, uma dor no meio da perna lhe dilacera, ao olhar para a origem dela, visualiza uma lâmina de adaga. 

Sakon retira a adaga pelo cabo e pula pra trás três vezes, dois pulos curtos e o último longo. Cria a distância segura assistindo o sangue escorrer da perna de Melindo. 

–O que aconteceu? –Ukon fracassou em acompanhar. 

–Sakon tirou uma adaga que tinha presa atrás do escudo. Ele manteve o escudo bem junto do corpo mostrando estar preocupado com a defesa. Mas a verdade é que ele só estava a escondendo desde o início. –Mizore achou bem fácil de entender. –Parece que ele deixou o orgulho de lado e botou a caixola pra funcionar. –Rir, realmente acreditou que Sakon enfrentaria Melindo no mano a mano, como na vez que persistiu em enfrentar Kiba. 

Ukon nega balançando a cabeça com força assaz. Contraria surpreso:

–Mas...ele me pareceu inseguro...

–Ukon e seu negativismo, não entendeu a intenção dele em mostrar essa “insegurança”? –Mizore também surpreso, porém pelo fato de Ukon não saber do óbvio.

–Você percebeu? Então não era algo que só eu notava...–Sorrir forçado. –Acreditei que ele estivesse lutando pra esconder a insegurança...

–A insegurança não era dele. –Mizore avalia e se afasta de Ukon, se aproxima da marcação do campo. 

Eu não confiei no meu irmão” 

Ukon pensa volvendo seu observar ao campo. 

Melindo tentou alcançar Sakon, no entanto, estava lento por causa do ferimento, deixava um rastro sangrento e o menor fugia energético, confiante. A perseguição dura pouco, pois o tempo de batalha chegou ao fim e o selvagem foi dado como vencedor. 

–Parabéns, Sakon. –Melindo contém sua expressão dolorosa. 

–Ah você fala! Mal aí pela perna. É que foi o único lugar menos protegido que o resto do seu corpo. –Entre a canela e a coxa, a proteção é uma malha. –Quando você agarrou minha corrente, pensei logo que você me puxaria então eu fingi que lutava para tirar a corrente de suas mãos, a verdade é que eu ia aproveitar o momento que estivesse perto de ti para avaliar sua armadura...o primeiro lugar menos protegido que encontrei se tornou o meu alvo, não ia perder tempo procurando em todo o corpo.

–Médicos para Melindo! –O rei do cavaleiro ordena.

–Saiam do campo por favor. –O porta voz pede aos dois. 

O cavaleiro de Roseana e Sakon andam em direções opostas, o primeiro estende seu rastro de sangue e o segundo, um belo sorriso. 

Ukon correu ao encontro do irmão, passou por Mizore e pulou no colo de Sakon, mordeu a orelha dele,  retornado ao chão, se desculpa:

–Não serei negativo, digo, não muito. Vou pôr mais fé em ti! –Promete fazendo Sakon gargalhar.

Sakon não entendia a expressão dolorosa de Ukon, porém acha engraçado.

 

-*--*-S2-*--*-

 

–Sara Hayami. 

Hinata pronuncia áspera, dobra a última carta lida e se deita fitando o teto, afunda-se em pesada reflexão, as outras cartas espalham-se pelo colchão ao seu redor. 

Doloroso suspiro.

Mente afetada. 

Coração inflamado. 

Lamenta pelo marido, acredita que ele tenha amado Sara, se não fosse por ela, não teria conhecido um Naruto com aversão às mulheres. Lembra bem como ele se referia ao sexo feminino. 

A Senhora tem a “atrevida” opinião de que a sociedade reduzia a mulher a um nível inferior, no entanto, o Uzumaki apresentara um ponto contra a mulher, um que ia além de ter sido criado em um sistema que diminuía o papel feminino em diversos casos.

Se decepcionar, se iludir, se ferir dentro de um sentimento grande como o amor serve de berço ao rancor.  Naruto antes rancoroso à imagem feminina, hoje se nota mudado. Hinata se alivia, e se orgulha pelo seu amor surtir esse efeito no homem que lhe conquistou o coração.

Todavia...

O passado é imutável, e dificilmente esquecido. Naruto não se livrou das dores, possivelmente existiam vários resquícios delas no fundo da alma.

–Sara terminou com ele, nem o encontrou pessoalmente para fazê-lo, terminou de modo frio através de uma mensagem! 

Dói imaginar como o Uzumaki reagiu, tem vontade de apertá-lo e não soltá-lo mais. O que sofre no presente não é nem uma gota do que Naruto sofrera na época, acredita. 

–Calma meu amor...–Agrada o ventre. –Quando papai chegar vamos dar nosso amor com muitos carinhos pra ele.  

O beijaria voluptuosa, o abraçaria até onde suas forças permitissem, faria amor até cansar, não! Ainda cansada insistiria pra continuarem. Depois conversariam juntinhos, unidos sob os lençóis. 

Um lágrima rola fácil pelo lado esquerdo da face, a seca com o indicador. Inspira e expira de modo alongado, exercitando o poder de se tranquilizar. Busca o lado bom: 

–Naruto precisa ser amado de verdade, ter seu amor retribuído de forma merecida. –Reforça essa linha de pensamento construindo um novelo resistente. –Ele se dará conta de que não era um amor puro. Acho que Sara quis saciar o interesse da fama de Naruto. –Enojada fica lembrando das mulheres que abusaram de seu marido.

No transgredir de um minuto, uma dúvida nasceu e cresceu em proporção gigante nesse pouquíssimo tempo:

–Por que Menma não me falou de Sara?


-*--*-

A ex-Hyuuga encosta as pontas dos dedos, cutucando-as de mãos tremulando. E a tremedeira não era causada pelo frio.

–Naruto correspondeu alguma mulher? Ele...não teve ao menos uma namorada? 

Os olhos azuis vaguearam pelos ares, vasculhando todas as lembranças possíveis.

–Não...Ele deve ter começado a aproveitar as fodas com dezoito ou dezenove anos...todas as oferecidas, as moças que davam pra ele só queriam se vangloriar afinal ele era o cavaleiro mais desejado de Roran.

-*--*-

–Mentiu para mim. Por que? Pensei que tivesse a confiança dele. –Verbaliza alto, indignada. –Ele deveria ter me dito a verdade no calabouço...

Já que fora um momento para ser sincero com ela, tanto que “confessou” que a amava. Por que não dizer logo tudo? 

Cobre os olhos com as mãos e choraminga um pouco, passam-se vinte segundos e abre as pálpebras. 

–Espera...não posso me precipitar, talvez...ele não saiba.

Concede à mente cavar até encontrar outra lembrança.

-*--*-

–A mãe de Naruto era uma fazendeira no papel de concubina...--O Namikaze explicou a politica do contrato pré-nupcial dos pais, e mencionou o boato de que Minato se apaixonara por Kushina. Hinata fingia surpresa a cada revelação. –...mas Kushina morreu em um inverno quando Naruto era criança. Meu irmão foi encontrado por Sakumo, que por acaso era o pai do...–Empurra a cabeça direcionando-a para o Hatake cavalgando na frente de todos. –Sakumo informou que encontrou o menino perambulando sozinho e achou correto leva-lo ao castelo, pois desconfiou que fosse filho de meu pai...Naruto era tão parecido comigo. –Sorrir. –Eu queria tê-lo visto assim que ele chegou ao castelo, mas minha mãe não me permitiu estar presente. Ela não escondia os ciúmes de Naruto, mesmo se responsabilizando para recomendar alguém que fosse responsável por educá-lo.  Era o único defeito dela, ser ciumenta, eu tentava compreendê-la, mas ela me feria cada vez que me afastava de Naruto, me senti sufocado com a segurança que ela redobrava sobre mim só para eu não ter que me aproximar dele.


-*--*-

 

Menma acredita que a mãe seja apenas ciumenta. Como ele poderia saber de Sara se desconhecia o que acontecia dentro da própria família? 

Nas suposições foge da possibilidade do Namikaze ocultar a verdade completa. 

Se vira pondo-se de ladinho, coloca a palma direita no lado da barriga e dobra o braço esquerdo na altura da cabeça descansando a lateral do rosto na mão aberta.

Pensativa, se repassa os relatos lidos.

–Sakumo descobriu sobre Sara ao seguir Naruto em Roran. 

Na cidade, Sakumo tentava encontrar-se com o filho sem levantar suspeitas dos guardas. Qualquer fofoca sobre o alfaiate, amigo do rei Minato, estando de conversinha com o bastardo daria um problema, pois chegaria aos ouvidos da rainha. Os encontros em público entre o senhor Hatake e Naruto deveriam ser raros, e quando raramente acontecidos, precisavam ser casuais, ou o mais casuais possíveis. 

Certo dia, Sakumo aproveitou uma chance e foi atrás do Uzumaki quem se embrenhara na floresta, e de longe avistou o casal. Descreveu medo intenso de ver Naruto sendo condenado caso o romance fosse descoberto, pensou em como tentaria convencê-lo a desistir da lady de Roran, contudo vendo o sentimento mútuo expandido do casal, soube que era tarde demais. 

Permanecendo deitada de lado, Hinata estica o braço esquerdo pelo colchão, procura uma das cartas, vai pegando cada folha, dando verificações rápidas, leva dois minutos para encontrar a que queria. 

Pretende reler algumas partes, só para confirmar. Talvez tenha deixado escapulir algum detalhe.

Ser amado é algo quase inexistente na vida de meu filho, perdi a coragem de tirar isso dele. Naruto estaria disposto a lutar pelo amor de Sara e ela por ele, a lady se arriscava tanto para vê-lo, comentava-se nas ruas o quão feliz Sara Hayami se mostrava quando passeava em Roran com sua dama de companhia.

O coração da Senhora espreme-se, Sakumo chegou a crer que Sara amava verdadeiramente Naruto. Se o próprio homem quem o criou fora enganado, imagine o Uzumaki quem vivenciava esse romance, todo esperançoso, feliz, acreditando que uma pessoa estaria preenchendo os vazios que o constituíram no perdurar de vários anos.

Pobre Naruto! Com o passar de inúmeros dias se enganando naquele sentimento teve de lidar com o rompimento através de uma gélida mensagem.

Não é atoa ter sido pra ele tão dificultoso aceitar novamente o amor de uma mulher. 

Quando vi a imagem do meu filho irado, eu soube que o que existia entre ele e Sara se fora, ou talvez sequer tenha existido, tudo poderia ter sido ilusão. Me culpei por ter permitido, bobo acreditei em Sara, culpa de eu desejar desesperadamente que Naruto fosse amado mesmo em um relacionamento arriscado. Deixei-me iludir ao confiar que a lady o amava, no entanto, terminou com ele por meio de uma aniquiladora mensagem.

Letras trêmulas, seguidas dos relatos de como Sakumo via o Uzumaki de longe, a vontade imensa de se aproximar e dizer que ficaria tudo bem. Conseguira se juntar a ele durante uma madrugada, em um dos lugares da floresta onde os encontros do ex-casal ocorreram.

Hinata fecha os olhos e os mantém assim, não é sua parte favorita da leitura, no entanto, assim como na primeira vez lida, a vontade de Sakumo lhe era repassada, o que ele sentia a cada trecho lhe era transmitido, poderia dizer que ele estava ali ao seu lado. 

Procura por outra carta, a acha mais rápida que a anterior. 

Relê o texto e conforme o devora, compreende que o Hatake sabe que não livrou a dor de Naruto, ainda sim, o consolo do alfaiate foi algo que o filho almejou como nunca. Sakumo se sentiu útil de estar ali, confortando-o, amparando-o. Hinata captou o quão grato, satisfeito o Hatake ficara por Naruto querê-lo perto ainda que se vissem tão pouco, a ligação entre eles jazia forte, prova da grande resistência do laço que os unia, seja em tempos bons ou difíceis. Os difíceis eram mais frequentes.

Naruto poderia estar mais alto e mais forte que eu, entretanto, continuava sendo meu filho, quando o vi fragilizado daquela forma, enxerguei o menino magro e inocente que eu encontrava toda vez que varava pela porta da casa na fazenda.

Você aguentou muito até aqui, a lady Sara não destruirá o grande cavaleiro, o homem forte que se tornou, Naruto, não regredirá agora! Você lembra do que me prometeu?

Hinata cobre o nariz e a boca com a mão, sabendo o que leria foi fácil repreender o choro. Inspira e joga o ar de modo demorado pela boca. 

Quando pai e filho retornaram a se encontrar, o Uzumaki era foragido de Roran, Sakumo pegava água de um poço fora de Roran quando o bastardo surgira-lhe por trás. 

Faziam poucos dias que meu filho fugiu de Roran com um grupo de prisioneiros. Pessoas da cidade planejavam se unir para invadir o castelo, pois se divergia na cidade a notícia de que a rainha havia desvinculado Roran do reino Namikaze.

E como o Senhor e Senhora não davam nenhum pronunciamento a respeito, o povo se agitava.  

Pra longe desse tumulto, do lado de fora dos muros de Roran, eu retirava água do poço quando meu filho chegou, ele disse que viera me buscar. 

Respondi que eu seria um estorvo se fugisse com ele, também não possuía vontade de partir do reino, pretendia voltar para os lugares de minha infância, rever a fazenda de Kushina, ou outro que me traria paz, depois de tudo queria descansar a mente e o corpo. Quando eu olhava para Naruto liberto e com os olhos determinados, senti que havia feito o meu trabalho. Valeu o sacrifício que me foi possível realizar por ele. 

Acho que Naruto sabia que minha hora chegaria, eu não deveria mexer em ferramentas pesadas, seria melhor ter permanecido no ramo de alfaiate, mas não adianta reclamar, eu tive infecção nos meus ferimentos, o tratamento médico tardio não foi eficaz, peguei febre, fiquei vulnerável às outras doenças. Minha aparência denunciava o meu estado, e Naruto apertou com as duas mãos, a minha direita. Depois de me olhar por um silencioso e longo momento, se curvou em agradecimento. Apertou meus dedos com força, existiu um segundo no qual achei que não me soltaria e me levaria a força, mas no fim, respeitou a minha vontade. Entendi ele, também tive um lado que almejou que não nos separássemos.

A última vez que nos vimos.

Não sei qual caminho Naruto traçará, desejo somente que siga em paz. 

O amor causou ao meu filho uma ferida, eu não sei se ela se transformará em cicatriz. Se ele reencontrar esse sentimento em outra pessoa, receberemos a resposta. Acredito que se o amor muito machuca, cura em uma intensidade maior. Depois de Sara, eu deveria ter aprendido a não arriscar, incentivar meu filho a não crer de novo em um amor de mulher. Talvez seja a serenidade, a paz que me encontro, mesmo sabendo do meu fim, deixarei este mundo em uma calma que não lembro se já tive. Essa branda sensação antes de morrer me dá uma ponta de otimismo  a me fazer esperançar que Naruto encontre alguém capaz de amá-lo de modo verdadeiro. 

Hinata interrompe-se, aperta a carta contra o rosto, o amor de Sakumo por Naruto é indescritível. Talvez no início ele o fizesse por amar Kushina, fazer de tudo pelo filho dela foi a forma que o alfaiate encontrou em continuar amando-a. O tempo fez o trabalho para Sakumo amar de verdade o Uzumaki. Por isso ele fez tanto, tanto mesmo por Naruto. Mais ativo que diversos pais que não lutam pelos filhos de sangue. Ou de fato o Hatake era um anjo, um ser genuinamente puro, a bondade dele emocionou Hinata, e ela tende mais a confiar nessa versão, nesse momento Sakumo deveria estar no paraíso.  

Suspira...

Pensando em Kakashi, tão pouco mencionado nas cartas, isso se deve por que Sakumo havia separado as que era do filho biológico como dita em um dos textos. As do Hatake mais novo deveriam transmitir a ele a mesma sensação intensa, sentimental.

Ou não.

Kakashi não lhe mencionou as cartas dele. Só as que era para entregar a pessoa capaz de mudar Naruto. 

 

-*--*-


 

–Seu pai era atencioso com você? –O que Hinata nota na história é que Sakumo Hatake entregava atenção demasiada aos Uzumakis.

–Não como deveria. –Kakashi vagueia o olhar pela imensidão azulada. –Mas eu nunca fui muito de cobra-lo.
A Lady sente melancolia.

-*--*-

–Kakashi herdou a bondade do pai, não guardou rancor dele, não alimentou ciúmes ou inveja de Naruto.

Esperança que o coração de Naruto se aqueça o suficiente pra perdoar Kakashi. 

–Kakashi...onde estará...

Se concentra se impedindo de imergir no sofrer. Se foca no objetivo de reler algumas partes das cartas para confirmar, reparar se deixara algum importante detalhe escapar. Menma não lhe mencionou sobre a Hayami. Volta a questão inicial que a fez seguir esse objetivo.

Não é relatado o que aconteceu com Sara depois do caso dela com Naruto ser descoberto. Ergue a hipótese de que a Hayami não querendo ser punida terminou com ele do pior modo possível. O que ela sentia não deveria ter sido amor, foi mais uma querendo experimentar o corpo do bastardo, aproveitar da fama que ele espalhava em Roran.

 
-*--*-

–Lerá as cartas de meu pai? –Naruto almeja que ela leia as palavras do Hatake e quando terminasse recebesse a verdade que lhe foi atirada pelo Namikaze. –Considero necessário que as leia primeiro.

Hinata se desvenda odiar plenamente os desvios de perguntas, em contrapartida, o que ele aborda de assunto guia sua surpresa e curiosidade:

–Você ainda não as leu? 

–Li...mais de uma vez, é como se eu escutasse a voz dele novamente pelo jeito da escrita.  –Exibe um raio de sorriso.

–Eu lerei. –Apoia as mãos nos ombros dele. –Mas você me falará mesmo o que o deixou tão mal ontem?

–Juro. –Ele cruzou os braços por trás dela e se jogou de costas no colchão com ela por cima de seu corpo.  

Hinata não se incomodou e deixou que ele a tivesse naquele abraço de urso. Só foi um desafio quando uma serva veio avisá-la que um dos reis já estava desperto, precisava sair do quarto, mas Naruto a manteve presa nos braços dele.

-*--*-

Aguarda com anseio e receio pelo que Naruto tem a dizer-lhe. 

Retorna a questão do Menma. Encucada pela versão contada por ele. Ele investigou a vida de Naruto em Roran, e não descobriu sobre Sara.

– “Calma, eu já disse, se ele não sabe nem da face verdadeira da própria mãe...” –Tenta se convencer de novo. –“...saber de Sara seria difícil.”

-*--*-

–Depois que você chegou em Roran, impediu que Naruto continuasse a sofrer punições? –O misto de esperança veio na pergunta.

O loiro suspira.

–Os castigos ocorriam quando eu estava liderando minha guarnição em missões. Minha mãe estava por trás disso, influenciando a me sobrecarregarem de trabalho para eu não perder tempo com meu irmão, mesmo longe ela dava um jeito de controlar minha vida.

–Menma, sua mãe é uma pessoa má.

–Eu não consigo odiá-la por mais que ela tenha me importunado. –O Namikaze não se dera conta que a Lady dissera como revelação, confirmação e não uma simples opinião. –Ela me amava de forma redobrada, para compensar a ausência que meu pai criava até mesmo quando estava perto de mim...mas os ciúmes que ela sentia por Naruto era de lascar.

–Você acha que tudo foi amor de mãe?

–Era o jeito dela de me amar.

Hinata reprime seu protesto, amargurada.

-*--*-

Lembrando, põe a mão nas feições. Parecia que sofria dor de cabeça, no entanto, era só o peso da lembrança, o peso sentimental de saber o quão enganado era Menma. Deveria ter dito a verdade pra ele, martela na mente.

O príncipe era a peça chave para o reino Namikaze fornecer os lotes de alimento, sendo o pagamento de dívida, se antes de efetivá-lo ele soubesse sobre Mei, poderia se negar a viver com a família, talvez fugisse de novo. 

–Até hoje não chegou nenhuma mensagem do reino Namikaze, se rejeitaram pagar pela liberdade de Menma, Menma será um foragido das terras. Oh Kami! Será que terei chance de revelar pra ele o que a rainha foi capaz de fazer? Além de mim, só o Kakashi sabe a verd...

–Nee-san, a porta. –Hanabi interrompe, bate três vezes na madeira. –Prometeu deixá-la aberta.

A Senhora percebe-se de coração acelerado, aguarda cinco segundos pra falar algo:

–Estou indo. –Cuidadosa senta, colhe as cartas, as organiza fora de ordem e as guarda. Ao abrir a porta haviam se passado oito minutos.

–Puxa demorou. –Hanabi entra no quarto acompanhada de Tenten. As duas estão de vestidos. A Mitsashi escolheu um de camponesa e a Hyuuga, um amarelo escuro sem enfeite algum. 

–Estou grávida, tenho que me mover devagar. Bateu na porta quando eu passava óleo na pele...tive que me recompor. –Mente só para não justificar o que estava fazendo. Se passara um pouco de óleo objetivando ser convincente. –Almoçaram? 

–Eu repeti três vezes, adorei o treco verde. –Tenten respondeu observando o quarto, exibe um sorriso grande admirando o espaço.

–O abacube? –Hanabi pergunta fazendo careta. –Eu detestei.

–É abacate.  –Hinata corrige. –Eu amei, tem que experimentar comê-lo com açúcar. 

Hanabi reforça a careta negando com a cabeça, recusa experimentar. 

A Senhora sorrir pela cara da caçula, senta na cama pondo as mãos na barriga sentindo os movimentos do bebê. 

–Vieram me avisar de algo?

–Não, queremos passar um tempo com você. Tentou ficar com a gente, mas não pôde entrar na água. –Hanabi vai à irmã, engatinha pela cama e a abraça por trás. 

Hinata acha tão fofo, infelizmente se encontrava sobrecarregada por lidar com as conflituosas emoções despertadas pelas leituras das cartas. 

–Não precisam sentir pena de mim, eu queria ficar um tempo sozinha mesmo...

–Por favor nee-san, vamos aproveitar esse dia só pra nós.

Hinata fecha os olhos, acarinha os antebraços da caçula. Muda de ideia, será uma boa relaxar, Tenten e Hanabi lhe seriam ótimas companhia. 

 

-*--*-S2-*--*-

 

Meses atrás

 

Minato caminha sério pelos corredores do último andar do castelo, soa nas laterais da face, se prepara para mais um bate boca com a esposa. 

Avisado de que ela armou um escândalo de manhã cedo, pouco se arrumou para vê-la, saiu apressado do quarto deixando o pequeno Menma sozinho na cama, eles dormiram juntos, as primeiras horas foram as mais difíceis ouvindo os gemidos chorosos do menino, ainda bem que ele adormeceu.

Cessa diante a porta de seu antigo quarto, não dormia mais nele, deixara-o para a esposa. 

Um guarda de cada lado da entrada, ambos permanecem imóveis com a chegada do monarca. 

–Ela quebrou mais alguma coisa?

–Não, vossa majestade. –Respondeu um deles. –Assim que enviamos um guarda para avisá-lo Mei-sama se aquietou. 

O rei assente, destranca a porta e entra no quarto. Avista a esposa ajoelhada ao pé da cama, apoiando os braços no colchão, ao rodear a cena, nota o cansaço no rosto dela. Parecia ter sido maltratada. 

–Mei. –Seu chamado é seco. Se esforça em não querer demonstrar pena. Sua esposa é enlouquecida de ciúmes, inveja. A considera uma pessoa doente de ódio. Nada semelhante a Mei antes de se casarem. 

–É verdade....ou estão querendo me humilhar? –Esconde a face enterrando-a na superfície macia entre os braços. 

–Do que está falando?

A cabeça dela é erguida na velocidade de um raio e os olhos acendem como um vulcão. 

–Sobre o bastardo! Ele se tornou Senhor? 

O rei olha o estado do quarto e vendo os objetos quebrados pela mulher, entende a explosão da rainha. 

–Sim, é incrível. –Minato sorrir e os azuis expressam a alegria nada branda, e sim agitada a fluir naturalmente em si. 

Mei encara o Namikaze, ali está a alegria dele que a enojava, qualquer coisinha a respeito do Uzumaki desperta nele a felicidade do mundo inteiro. Isso em um piscar de olhos. Se levanta com a cara odiosa, é um vulcão entrando em erupção. 

–Eu desisto de você Minato! EU DESISTO! POR QUE DIABOS TENHO QUE FAZER DAS TRIPAS O CORAÇÃO PARA AGRADÁ-LO? PARA VÊ-LO FELIZ? 

–Eu não sei, tentei amá-la, juro. Pensei que a amava antes de conhecer o verdadeiro amor, com Kushina eu soube o que é amar de verdade, ao seu lado eu sentia algo faltando. Mas juro que me esforcei para preencher essa falta com você. 

Mei nega, sacode a cabeça, odeia ouvir tais palavras. A sinceridade dele era cortante, dilacerante. 

Impulsionada pela ira parte pra cima dele, assim como Menma no outro dia, o rei lhe segura os pulsos. 

–Se comporte! Ou não permitirei que veja Menma. 

–Não pode nos manter separados por muito tempo. Ele não acreditará em você, em nenhum que tente contrariá-lo! Ele quererá a mim, a mim! Só eeeeeeu! 

Balança os braços, quando cansa cede as pernas despencando de joelhos.

–Eu estou destruído Mei, depois de tudo acha que Naruto me perdoará? Nosso primeiro Menma não me enxerga como antes. Você me aniquilou, já venceu. 

Minato a solta, está praticamente implorando para ela o deixar em paz, deixar todo mundo em paz!

–Se você ainda é capaz de sorrir, não está aniquilado. Eu não tenho mais objetivo a não ser exterminar o que ela deixou. 

Com “ela” claro que se refere a Kushina e o “deixou”, Naruto.

O rei se embravece.

–O pequeno Menma sairá afetado no seu plano odioso, não lamenta por ele? 

–Ele é forte como eu. 

Minato se curvou aproximando seu rosto perto da rainha, sem temer um ataque. 

–Eu....poderia me entregar, você ficaria feliz, se pudesse tirar a minha vida? Se pudesse fazer o que quisesse comigo? Em troca...liberte o pequeno Menma de sua mentira, e não faça nada contra Naruto. Serei todo seu. 

Mei joga o cabelo pra frente do rosto, pressiona os fios ruivos contra a cara e gargalha. Se joga de costas no chão e segue rindo feito uma louca varrida. 

Minato endireita a postura e não sabe o que pensar vendo o estado desenfreado da rainha.

–hahahaha você perdeu o valor para mim hahahahah agora que sei o quanto você não quer que eu faça isso, agora sim é que tenho vontade de ir adiante hahahahah Aiai Minato, acredita que eu seria capaz de renunciar meus objetivos depois de chegar tão longe HAHAHAHAH 

Minato calado esperou que as risadas escandalosas acabassem. E quando só a respiração cansada da mulher era escutada, tenta dialogar:

 –Mei...

–Sai do meu quarto. –Mei se levanta e ajeita seu cabelo, o apalpa rapidamente. 

–Por favor me escut...

–SAI! –Esbraveia andando para a região da banheira, vai se livrando de sua roupa de dormir.

Minato suspira, se retira do quarto. O Menma mais velho aparece no caminho.

–Ela surtou? –Pergunta o príncipe. –Quando a vigiei ontem, deixei escapar a novidade. –Ela não acreditou de cara, no entanto, Menma sabia que seria questão de tempo.

–Sim. E está confiante que seguirá tentando destruir Naruto. 

–Ela nunca mais dominará o reino. A única esperança dela é o Menma Júnior. Mas teremos muito tempo pra convencê-lo,  precisamos de calma. –Se libertou da manipulação de Mei, põe fé que o caçula também se libertará. Não importa o método que ela usou sobre Menma Segundo. 

Minato concorda mudo. Seu coração inquieto contradiz a confiança que depositou nas palavras do filho


Notas Finais


Hinata achando que Menma não sabe do lado perverso da mãekkkkkkk

Eu não quis colocar todas as cartas de Sakumo para leitura já que pretendo fazer um especial dos acontecimentos descritos, só não sei quando vou postar. Primeiro quero terminar o torneio, eu não colocarei todas as lutas para não prolongar muito.

Essa rotina de postar depois do horário de dormir pegoukkkkk tenham uma ótima madrugada aqueles que lerem nesse horário, e um ótimo dia pra quem vai ver esse cap quando o céu clarear.

Beijos!


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