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História Casamento Arranjado - Capítulo 16


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Notas do Autor


Vou me esforçar para postar o próximo capítulo logo. Espero que gostem. ^_^

Capítulo 16 - Capítulo 16


Ana acordou cedo, fitou o forro de madeira por alguns minutos até que a luz do amanhecer invadiu as cortinas brancas de seu quarto, podia sentir o cheiro do café sendo feito na cozinha. Por mais confortável que sua cama box fosse ela parecia errada nos últimos três dias, grande demais, fria demais e ainda que dormisse vestida com uma camisa de Miguel inalando o perfume amadeirado enquanto abraçava os travesseiros a saudade ainda apertava o seu peito. 

Lembrava com carinho da noite que tiveram, de como ele a fez se sentir única, como se importou com ela e ainda demonstrava se importar, chegava a passar um dia inteiro mandando mensagens apenas para saber como ela estava. Se recordou do dia seguinte, dos seus corpos nus abraçados, acordar ao lado dele naquela manhã foi muito mais especial que em qualquer outra, ele foi carinhoso, gentil e fizeram amor mais uma vez, sentia o corpo inteiro arrepiar só de lembrar. E quando se deixaram vencer pela consciência de que o mundo continuava girando fora daquele quarto ao se levantar e arrumar os lençóis, se deparando com a mancha de sangue entre eles, Miguel a encheu de mimos e perguntas a respeito de como ela estava, não descansava por mais que Ana dissesse que estava tudo bem, até que perdeu a paciência e ralhou com ele. Antes de partir seu marido a levou ao hospital e deixou uma bolsa com coisas que ela precisaria na casa de Rogério e Rosana, aquele era o terceiro dia que Miguel estava fora. Ouviu o celular tocar e tateou pela cama as pressas até encontrá-lo.


    -Bom dia, princesa. Te acordei? - Miguel disse do outro lado da linha parecendo bem acordado.


    -Bom dia, eu já estava acordada pensando em você, estou com saudades.


    -Eu também estou. O que você vai fazer hoje?


    -Vou sair com as meninas a noite, a Dani vai viajar amanhã. Como estão as coisas aí?


    -Tudo bem, falo melhor sobre isso quando nos vermos. Toma cuidado, você e as meninas, me liga quando voltar para casa.


    -Sim, senhor - ela brincou com um sorriso no rosto - Você volta amanhã?


    -Se der tudo certo sim. Vou ter que desligar agora.


    -Ah… Tudo bem. Toma cuidado também… Te amo.


    -Eu também te amo, princesa.


O restante do dia parecia se arrastar, passou a manhã no hospital já pensando que a tarde seria bem pior, pois não teria nada para fazer. Almoçou com os irmãos, ajudou Laura a comprar algumas coisas para a viagem de intercâmbio que faria no mês seguinte para a França e passou o resto da tarde jogando vídeo game com Lucas às 19:00 ela começou a se arrumar para sair com as amigas. Colocou um macaquinho florido de alças finas, sandálias baixinhas, prendeu os cabelos em uma trança frouxa, delineou os olhos e passou um batom leve. Às 19:45 saiu de casa em seu carro, dirigiu até o karaokê que sempre iam juntas, quando chegou lá todas já haviam chegado e pedido bebidas, inclusive a dela, desde que começaram a frequentar o lugar nada havia mudado muito, um palco médio no centro onde as pessoas subiam para cantar, a maioria jovens ou bêbados, o bar na parte de trás, as mesas de madeira escura com sofás de couro pintados de vermelho ao lado das janelas de vidro, o balcão à direita onde pediam as refeições. Sofia cantava “Enseñame” do RBD animada junto a Dani, aquilo era tão bom e nostálgico, por mais que sempre estivessem juntas, ali se passaram várias fases da vida das cinco, estava muito feliz por Dani, mas não deixaria de sentir falta da amiga. Sentou-se à mesa junto a Karen e Júlia, cumprimentando-as e acenando para as outras duas enquanto sorria, deu pequenos goles na sua bebida e encheu as mãos com batatinhas, ela amava batatinhas.


    -Como você está? - Júlia se virou perguntando para ela. Sua prima estava constantemente preocupada desde que lhe contou o que aconteceu com Henrique uns dias atrás.


Ana apenas sorriu dizendo que estava bem.


    -Com saudades do seu homem? - Karen provocou a fazendo revirar os olhos.


    -É claro que estou e não me provoque, o Miguel está fora a três dias, você não aguenta nem um plantão do Hugo sem reclamar.


Elas riram enquanto as outras duas se juntavam a elas na mesa.


    -A próxima é você - Dani disse abraçando Analu e depois batendo palminhas - Já escolhemos a sua música.


    -O que? - a garota guinchou ao ver seu nome escrito no telão ao lado do nome da música.


    -Vai logo, a gente sabe que você ainda lembra de tudo - Sofia disse rindo e lhe estendendo o microfone headset (estilo Sandy e Júnior).


    -Eu não vou fazer isso sozinha - a garota suspirou tomando três grandes goles de sua ice antes de agarrar o objeto das mãos da amiga, elas riram e voltaram para o palco com ela.


Colocaram os microfones e se prepararam para começar a coreografia enquanto colocavam "Baba" da Kelly Key para tocar. Ficou mais difícil cantar e dançar aquilo depois de tanto tempo, mas elas ainda lembravam da letra e de cada passo, faziam aquilo sempre que iam ao karaokê, depois se tornou menos frequente. Karen e Júlia riam na mesa e aplaudiam a performance das três, não demorou para que subissem no palco também e se rendessem ao ritmo ragatanga. No fim da noite Sofia e Dani haviam bebido mais do que deviam, Karen levou Dani para casa e Ana levaria Sofia, Júlia insistiu para chamar Guilherme e acompanhá-las até a casa da loira, mesmo que sua prima insistisse que não era necessário. Depois de deixar Sofia sob os lençóis macios de sua cama Analu se encaminhou para a saída da casa que estava escura e silenciosa, já se passava das onze da noite, Rita devia estar no hospital com o Coronel e os outros deviam estar dormindo. Estava quase alcançando a porta quando uma voz a interceptou.


    -Você veio deixar a Sof? - Fernanda vestia uma camisola e tinha os olhos cheios de olheiras, carregava a mamadeira de Alice nas mãos.


    -Sim, desculpe, eu acordei vocês?


    -Que isso, pais de bebês não dormem, você ainda vai descobrir - ela brincou passando a mão livre pelos cabelos longos e escuros que estavam desarrumados, a pele que já foi bronzeada havia ficado pálida nos últimos tempos - Está tarde, por que você não fica aqui essa noite?


    -A Júlia e o Guilherme estão me esperando lá fora. O Miguel também pediu para você me vigiar? - brincou fazendo a morena rir.


    -Não, mas o Anderson comentou que ele estava preocupado e queria você segura. Sei que no início parece exagero, mas a gente percebe com o tempo que ser esposa de militar não é fácil.


Ana sorriu e balançou a cabeça em concordância, Fernanda suspirou ouvindo Alice chorar no andar de cima, se despediu e subiu as escadas deixando a garota sozinha novamente.



***


Miguel estava parado há um tempo em frente a casa de porta vermelha, ainda nem eram sete da manhã apesar de saber que o dia das pessoas ali podia começar antes ou muito depois daquele horário ainda se detinha do lado de fora recostado em seu Jeep. A cidade onde Henrique passava a maior parte do tempo ficava há três horas da deles, em um interior ele ficava na casa da irmã, Angélica que era casada com um fazendeiro rico, além disso eles tinham muitas posses na cidadezinha, era fácil intimidar as pessoas de lá com uma posição como a deles. Ainda assim ele e o Tenente Almeida conseguiram encontrar duas garotas que contaram o que Henrique havia feito, uma delas tinha o cabelo castanho claro e ondulado, quase lembrava o de sua esposa, mas era mais alta e tinha a pele bronzeada e os olhos muito escuros, o formato do rosto era parecido, mas o nariz era mais afilado e os lábios muito carnudos, não devia ter mais de dezessete anos. A outra era mais baixa, tinha quinze anos, os seios eram mais fartos e os quadris mais estreitos, os cabelos eram escuros e lisos, todas duas perderam a virgindade no dia que foram aliciadas por Henrique, falaram que haviam outras também nas redondezas e algumas já eram mais velhas agora, até casadas, ele procurava garotas inocentes as seduzia e atacava, quando ficou mais difícil fazer aquilo na cidade ele passou a procurar garotas nas propriedades do interior. Pensar em como aquele imbecil era doente lhe causava nojo, raiva e repulsa e com tantas testemunhas nem mesmo um esnobe rico como ele ficaria sem sofrer uma penalidade, mas convencer aquelas pessoas de que aquilo era o certo a se fazer estava praticamente impossível, ninguém acreditava mais em justiça.

Olhou para o relógio mais uma vez e respirou fundo 07:15, se encaminhou até a porta, antes que batesse Laura abriu e se assustou com ele ali parado. Miguel riu e se desculpou.


-Tá bem, eu estou atrasada, entra logo. A Ana tá lá em cima, nem sei se ela já levantou, chama ela e tomem café, todo mundo já saiu. Tchau - Laura falava apressada enquanto corria até a garagem.


Ainda ria da cunhada quando entrou na casa, atravessou a sala e se dirigiu às escadas, o quarto de Ana era o último, girou a maçaneta e se deparou com uma visão perfeita, ela estava entre os lençóis azul bebê aconchegada em vários travesseiros, sua respiração era lenta e profunda os olhos estavam fechados e o rosto sereno, mas o que o deixou mais feliz foi vê-la vestindo uma camisa preta que era dele. Tinha um sorriso largo no rosto enquanto se aproximava da cama box, se acomodou na cadeira da escrivaninha que ficava ali ao lado e vigiou o sono da esposa por alguns minutos até que não resistiu e sentou ao lado dela na cama brincando com as mechas do cabelo loiro escuro. Analu abriu os olhos e sorriu.


-Se eu ainda estiver sonhando não me diga - ela sussurrou.


-Bom, você não está.


Ela não ligou para nada, apenas pulou no seu colo e o abraçou bem apertado e ele retribuiu o gesto.


-Sabia que você fica muito sexy vestida assim? - ele sussurrou enterrando o rosto em seu pescoço e inalando o perfume de lavanda.


   


Ela sorriu e corou, Miguel capturou os lábios macios em um beijo rápido.


-Eu vou me arrumar, você chegou agora? - Analu disse se levantando do colo de Miguel o fazendo resmungar por isso, passou pelas poucas caixas com o resto de suas coisas até chegar ao banheiro.


-Cheguei, você vai para o hospital hoje?


-Apenas no fim da tarde, para uma reunião - respondeu antes de fechar a porta do banheiro.


Ele se recostou na cabeceira da cama enquanto a esperava, olhando alguns livros, porta retratos e objetos que ainda tinham no quarto, pensava em como o acaso ou o destino eram engraçados, sempre estiveram tão perto um do outro e ao mesmo tempo tão distantes. No início odiou o que seu pai tinha feito, agora confessava que devia agradecê-lo nunca antes se sentiu tão sortudo e feliz ao lado de uma pessoa.

Tomaram café da manhã e foram até o hospital visitar o Coronel, depois de muita conversa ele decidiu fazer a cirurgia que aconteceria ainda naquela tarde, Rita parecia feliz e esperançosa e Anderson conversava com Miguel sobre algumas coisas que ele teria que fazer no lugar dele, pois na semana seguinte teria que se apresentar na marinha, Fernanda ficaria na cidade por mais uns dias com os pais dela e as crianças, mais uma vez seu marido a deixou sozinha com os sogros e não muito tempo depois Rita saiu para assinar uns termos da cirurgia do Coronel.


    -Vocês parecem estar bem - Carlos comentou, ainda estava abatido devido o intenso tratamento para o câncer.


    -Estamos - ela respondeu com um pequeno sorriso fazendo o sogro rir.


    -Que bom.


    -Posso lhe fazer uma pergunta? - o homem assentiu levemente em confirmação - Esse casamento tinha alguma coisa haver com a sua doença ou só era mesmo para que o Miguel conseguisse uma boa promoção no trabalho?


    -Ah, você é esperta - ele respondeu com outro riso - Talvez um pouco das duas coisas, eu não me importaria se vocês fizessem a família aumentar um pouco também enquanto eu ainda estiver aqui.


    -Acho que o senhor ainda vai continuar aqui por algum tempo.


Carlos de repente havia ficado mais sério, observava o teto branco como se fosse a coisa mais interessante do mundo.


-Posso lhe perguntar mais uma  coisa? - Analu interrompeu os pensamentos, sejam  quais fossem, do sogro o fazendo assentir para ela mais uma vez  - Por que eu? Como o senhor sabia que dariamos certo?


    -Eu lhe disse que tinha bons instintos, não disse? - respondeu com um sorriso cansado - O meu filho se tornou um bom homem, mesmo com toda a teimosia e rebeldia e acredite, eu duvidei de que ele conseguisse ser bom o suficiente para você, mas você despertou o melhor dele.


Ela queria dizer que aquilo não era bem verdade, era exatamente o contrário, Miguel havia a tornado uma pessoa melhor, com toda a sua teimosia e insistência foi ele que não desistiu dos dois. No entanto teve que guardar as palavras para si, pois logo os dois  irmãos estavam de volta no quarto.



***


-Você pensou sobre o que eu te disse? - Miguel por fim tomou coragem para perguntar.


    -O que você disse? - Ana perguntou confusa, já era noite e ela havia levado hambúrgueres para comerem enquanto assistiam juntos Harry Potter e o Enigma do Príncipe.


    -Sobre denunciar o Henrique - se virou para Ana observando sua expressão endurecer.


    -Nós já conversamos sobre isso, você concorda que não daria em nada.


    -É eu concordei com isso, mas e se houverem outras garotas que passaram pelo que você passou com ele? Já parou para pensar nisso?


    -Não, Miguel! Eu evito pensar nisso! … Não quero lembrar, nem contar para as pessoas sobre… Sobre aquelas coisas. Sei que pensando assim pode parecer egoísmo, mas… Acho que se houvessem mais garotas nós ao menos saberíamos, alguém ia falar.


A puxou para perto sacudindo a cabeça pensando em como ela estava equivocada com aquela história toda. Se perguntava o que faria a seguir, o que aquele idiota tinha para conseguir se safar tão bem das merdas que fazia?


-Por favor, eu não quero mais falar disso - Analu disse em seu colo.


Miguel não prometeu nada, apenas continuou fazendo carinho nas costas da esposa, não conseguiria prometer deixar aquilo de lado. Se ele voltou a procurá-la depois de tanto tempo tinha a intenção de voltar e fazer alguma coisa, Henrique não faria algo por nada, podia ser doente, mas não era burro. 



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