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História Casamento Arranjado - Capítulo 21


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Notas do Autor


Um capítulo curtinho, mas ainda assim espero que gostem :)

Capítulo 21 - Capítulo 21


Ana odiava ter que passar tantos dias longe de Miguel, nem era muito tempo para falar a verdade. Ele estava fora há quase uma semana, mas quase não se falavam. Por outro lado ela estava feliz de passar um tempo na casa dos pais, principalmente depois que Laura havia voltado depois dos cursos de verão que fez nos últimos três meses, as duas passaram uma madrugada inteira acordadas comendo brigadeiro de colher e batatinhas fritas enquanto Laura narrava suas aventuras pela Europa.

Os dias seguintes pareciam passar lentamente, era também nostálgico estar no seu antigo lar, poderia até parecer que ela nunca havia saído de lá, mas sentia falta também da vida atual, do marido e de sua própria casa. Até mesmo o trabalho no hospital parecia transcorrer demoradamente mesmo com toda a ação que tinham no dia a dia, a parte boa era que com as contas equilibradas Verônica organizava tudo para devolver as parcelas do empréstimo que o Coronel lhes havia feito, depois de muitos protestos Analu conseguiu convencê-lo a aceitar o dinheiro de volta.

A noite antes de dormir sempre esperava as ligações de Miguel, principalmente quando ele não falava com ela durante o dia, que era o caso, mas aquela noite ela esperou, adormeceu e nenhuma ligação a despertou na madrugada.

Ana Luiza acordou antes do despertador sentindo a claridade invadir o seu quarto através das cortinas azul bebê que cobriam a janela, encarou o forro de madeira inalando o leve cheiro de café sendo passado na cozinha até que se cansou e rolou na cama ridiculamente grande suspirando em protesto até encontrar o celular sobre o criado mudo, o relógio marcava 05:50. Desligou o despertador e verificou as mensagens, nem sinal de Miguel, as mensagens que ela tinha lhe enviado ainda nem haviam chegado até ele também, tentou discar o número de Miguel três vezes, mas caia direto na caixa postal aquilo já havia acontecido antes, Ana estava consciente de que talvez ficassem um tempo sem se falar, mas daquela vez ela estava inquieta, tinham uma sensação estranha no seu estômago. Acabou desistindo, a contra gosto, de tentar se comunicar com ele e se dirigiu ao banheiro para fazer sua higiene. Era sete de setembro e extraordinariamente todos haviam dado um jeito de ter uma folga naquele dia para passar um tempo em família, coisa que não acontecia com muita frequência e ah, todos menos Miguel, é claro, a garota suspirou resignada deixando a água fria lavar a sua cabeça e quem sabe levar embora aqueles pensamentos, quando saiu do banho vestiu shorts jeans e uma camiseta rosa, calçou chinelas e arrumou uma bolsa com outros pare de roupa, biquíni, filtro solar, repelente, desodorante, escova de cabelo, escova de dentes e se espantou ao ver Laura entrar subitamente em seu quarto, a privacidade era uma coisa que ela gostava na sua vida nova, mesmo que amasse os irmãos.

 

    -Você já levou os seus All Star vermelhos? - indagou Laura enquanto vasculhava o antigo closet de Luiza.

 

A garota revirou os olhos e pegou o par de sapatos em um canto ao lado da cama e os estendeu em direção a irmã.

 

    -Pode ficar com eles, você usa mais que eu mesmo - disse rindo da expressão da loira que pegou os sapatos de suas mãos rapidamente e saiu do quarto como um foguete antes que Analu pudesse mudar de idéia.

 

Analu colocou o carregador do celular dentro da bolsa, mesmo sabendo que o sinal no sítio da família era péssimo e a fechou saindo do quarto e antes de descer para tomar um rápido desjejum mandou uma mensagem para Miguel, avisando que provavelmente ficaria sem sinal no telefone também.

 

***

 

O dia estava ensolarado, o céu estava muito azul e quase não tinha nuvens, as brisas frequentes e suaves afastavam o calor excessivo. Lucas, André, Laura e Camila passaram a manhã inteira na piscina enquanto Júlia e Analu ouviam as histórias de dona Maria Flor sentadas na varanda, Verônica e Rosana arrumavam a enorme mesa que tinha na lateral da casa para o almoço enquanto Rogério, Guilherme e Vicente, pai de Júlia, assavam carne, bebiam e conversavam,  Victor e Yasmin chegaram por último o que lhes rendeu uma boa bronca de Rosa, a irmã mais nova de Rogério, que era mãe de Victor. Yasmin já era tão parte da família quanto Guilherme e Miguel, ela e Victor já namoravam há três anos e praticamente não desgrudavam um do outro.

Estar com todos ali com risos, conversas e brincadeiras a transportava para um mundo distante, nostálgico e mais simples, onde suas preocupações antigas lhe pareciam tão bobas agora, assim como os seus problemas. Ana sabia que tinha uma vida boa apesar de tudo as coisas haviam se acertado, apenas se sentia triste por não poder compartilhar aquele momento, aquelas histórias com quem fazia tudo valer a pena, checou o celular pela décima vez naquela manhã, mas de nada adiantava pois ainda continuava sem sinal.

A garota ainda olhava a tela do aparelho decepcionada quando sentiu alguém lhe cutucar o braço, ergueu os olhos e viu dona Flor a encarando com um sorriso maroto e indicando com o queixo o Jeep prateado estacionando ao lado dos outros carros, Analu sorriu de volta para a avó e pulou da cadeira correndo em direção ao veículo, mal esperou Miguel sair de lá para pular em seus braços quase derrubando os dois, inalou profundamente o perfume amadeirado. Ele ainda usava o uniforme, a garota sentia as patentes de metal frio sob as palmas das mãos.

 

    -Eu estava preocupada, não nos falamos ontem e você disse que não conseguiria vir - ela despejou as palavras rapidamente o fazendo rir.

 

    -Não tinha certeza se conseguiria chegar a tempo e não queria te decepcionar - disse antes de capturar os lábios dela num beijo rápido e gentil - Senti saudades.

 

Um sorriso bobo crescia nos lábios de Ana e ele não diminuiu ou se desfez com os comentários brincalhões que a sua família fazia a alguns metros de onde estavam. Miguel lhe deu uma piscadela e a colocou no chão, entrelaçou as mãos dos dois e se dirigiu a varanda onde algumas pessoas de sua nova família estavam cumprimentou todos e foi calorosamente recebido, havia algo nos Dias que o fazia se sentir sempre querido e bem vindo, eram ótimas pessoas e geralmente não estava acostumado de ser tratado daquela forma, sua família era ótima, eles se amavam a sua maneira, só não eram tão calorosos e bons em demonstrar aquilo um com o outro, não tanto quanto os Dias.

 

O sol já estava quase se pondo quando o rapaz conseguiu ficar um pouco a sós com Analu, havia trocado as suas roupas para algo mais casual e confortável e se dirigiu a parte de trás do casarão, ela estava sentada em uma cadeira de balanço com as pernas encolhidas, olhava para o nada, parecia ter os pensamentos muito distantes, os cabelos estavam presos em um coque frouxo. Miguel se aproximou depositando um beijo carinhoso no topo da cabeça de sua esposa que sorriu ao vê-lo.

 

    -Tão linda - ele sussurrou em seu ouvido acariciando o rosto dela com a ponta dos dedos até parar nos lábios macios - O que eu não daria para ler os seus pensamentos.

 

    -O quê, vai me dizer que não tem nenhum palpite? Esse lugar não te lembra nada?

 

É claro que lembrava, não haviam mais os arranjos florais, as luzes e toda a decoração, mas ele nunca esqueceria do dia de seu casamento. Se acomodou na cadeira ao lado de Ana e segurou as mãos dela nas suas observando os olhos castanhos avermelhados vagarem pelas árvores depois da pequena campina.

 

    -Dá para acreditar que já fazem quase quatro meses? - ela perguntou ainda distante sentindo-o acariciar as costas de suas mãos com pequenos círculos desenhados pelos polegares de Miguel - Eu praticamente estraguei aquele dia, fui tão tonta… Estava com tanta raiva de você naquela época…

 

    -Eu agradeço todos os dias por você não ter me deixado - ele a interrompeu conduzindo-a pelo queixo para encará-lo - Não sei o que eu faria sem você na minha vida.

 

Ana sorriu e deixou o rosto descansar nas mãos quentes de Miguel e ali depositou um beijo carinhoso.

 

    -Podemos casar de novo, o que acha?  - ele disse num sobressalto.

 

    -Não seja bobo - ela riu de sua empolgação - Já casamos e recentemente. As pessoas não fazem esse tipo de coisa.

 

    -Quem liga para o que as outras pessoas fazem?! - Miguel disse com um ar de divertimento e um sorriso crescendo nos lábios bem desenhados.

 

    -Você é doido - Ana disse entre risos.

 

    -Sou doido por você - Miguel disparou se aproximando perigosamente do rosto da garota - O que me diz, Ana? Você se casaria comigo? Outra vez?

 

    -Quantas vezes você quiser.

 

***

O restante dos dias de setembro seguiram aquele mesmo ritmo, Miguel passava muito tempo no quartel resolvendo coisas e compensando o tempo que estaria fora na lua de mel, estavam sendo muito exigentes e rígidos com ele depois que Carlos foi dispensado e depois das coisas que aconteceram entre ele e Henrique. Depois que toda a pressão que o antigo Coronel lhe colocava saiu de suas costas, Miguel passou inesperadamente a gostar mais do que fazia, ele tinha uma promoção em vista, mas acabou não conseguindo como penalidade por ter atacado Henrique, que por sua vez ainda continuava preso, mas eles não esperavam que aquilo continuasse daquele jeito, mesmo com todo o trabalho duro e com toda a influência não havia nada mais corruptível e injusto que a justiça. Ainda assim Ana estava melhor, mais leve, ainda ia, mesmo que não tão frequentemente, à psicóloga se entregava com afinco ao trabalho e a vida a dois que tinha com o marido, continuava vendo e saindo com seus amigos, com a família e começaria uma pós-graduação em novembro daquele ano, estava empolgada com a lua de mel, Miguel havia deixado o itinerário da viagem bem longe dela lhe causando enorme curiosidade e frustração.

Nos últimos dias ela se sentia muito ansiosa longe do marido e muito eufórica quando estava ao seu lado, mais que em qualquer momento daqueles quatro meses Ana sentia-se como as pessoas rotulam um recém casado, apaixonada, entusiasmada e extremamente feliz. Não haviam comentado com ninguém sobre a história de renovar os votos de casamento ainda, principalmente porque parecia loucura querer fazer algo assim em tão pouco tempo, conseguiu convencer Miguel daquilo, mesmo assim gostava da ideia de poder reescrever aquele dia e preenchê-lo com as melhores lembranças que podia, com todo o amor e carinho que sentia por Miguel.

 



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