História Cascata de desculpas - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Park Jimin (Jimin)
Visualizações 349
Palavras 7.174
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Meias verdades, meias mentiras


          Pedir ao porteiro que autorizasse minha ida até aquele andar foi o mesmo que pedir para descer ao inferno. E, pelo olhar de confusão dele enquanto movia as mãos para o interfone, talvez tenham sido essas as minhas palavras. Eu simplesmente não lembrava. Minha cabeça estava em branco desde que meu corpo havia deixado o banco do carro e meus pés tocaram o solo do estacionamento. Eu não lembrava como havia chegado até a recepção, não lembrava se tinha sido autorizada e lembrava menos ainda de ter pego o elevador. O caminho era tão costumeiro que meus movimentos eram todos automáticos. Por isso me assustei ao dar de cara com a porta. Me assustei porque estava procurando minhas chaves em meus bolsos.

Mas aquele não era mais meu lugar. Não haviam chaves minhas para aquela maçaneta... O choque de realidade me desorientou o suficiente para me fazer olhar para todos os lados em busca de uma saída. Por um segundo me esqueci de meu objetivo ali, e tive vontade de sair correndo. Contudo, eu sabia que ele estava me esperando do outro lado. Ele já sabia que eu estava chegando. Ir embora me faria parecer abalada, isso era tudo o que eu não queria... Eu não queria que ele me visse fragilizada e entristecida, não. Mesmo que fosse doloroso apertar aquele pequeno botão ao lado da porta e ter de esperar por Park Jimin para poder vê-la ser aberta depois de ouvir a campainha ecoar pelo apartamento, fiz de tudo para manter meu rosto inexpressivo.

Só que foi ainda mais doloroso ver o rapaz sem aquele seu largo sorriso ao me cumprimentar, e é um milhão de vezes mais complicado impedir a saída das lágrimas de raiva e tristeza.

— Oi — ele sussurra ao me dar espaço. — Entre, por favor.

Aceno rapidamente com a cabeça e passo para o lado de dentro do apartamento dele. Fico deslocada quando tenho de esperá-lo perto da entrada ao invés de ir direto pelos cômodos. Afinal, quantas vezes Park abriu aquela porta, me recebeu com um abraço apertado, palavras carinhosas e beijos, nos arrastando com pressa pelos espaços amplos? Quantas vezes eu entrei ali usando minha própria chave? Quantas vezes nós chegamos juntos e partimos para o sofá, abraçados, sorrindo e gargalhando alto? Céus, que difícil estar ali sem poder fazer todas as coisas de antes...

Que difícil ser uma estranha dentro do lar que costumava ser o meu...

— Quer beber alguma coisa? — Park indaga ao terminar de trancar a porta e se virar para mim. — Ah, desculpe a bagunça... — Seu sorriso envergonhado quase me faz sorrir. — E-eu teria arrumado melhor, mas não me avisou que viria... Não que eu não te queira aqui! — Ele se apressa em corrigir-se. — Não é isso! Na verdade, eu quis tanto te ver desde...

— Tudo bem — abraçando meu próprio corpo, corto as palavras dele. Meus olhos seguem para o piso, mas ainda vejo-o puxando uma boa quantidade de ar pelos lábios.

Minha raiva parece fazer meu sangue ferver. Minhas mãos apertam abaixo de minhas costelas, com minhas unhas quase perfurando-me. Porque Park continua igualmente belo. Embora seu rosto esteja marcado sob os olhos, os cabelos estejam desalinhados e suas roupas passem o ar de desleixado por terem tantos vincos, ele realmente continua perfeito. E pensar nisso só me traz mais raiva e desgosto. Uma parte dentro de mim gostaria de encontrá-lo destruído, morto de saudades. Mas aparentemente ele não está tão mal.

Aparentemente ele me superou sem nenhum problema...

— Não se incomode com nada, Park. Prometo não demorar. — Minha voz sai num sopro, perdendo-se em um suspiro agoniado.

De repente me pego encarando-o. Era incapaz de recordar como havia passado a olhá-lo nos olhos, assim como era incapaz de desviar para outro lugar. Sempre foi assim, sempre que estive com ele não conseguia ver nada ao meu redor. Sempre era ele quem tomava toda minha atenção. Não é difícil ter minha mente invadida por nossos momentos mais íntimos e felizes, momentos em que Park dominou-me de tantas formas, de todas as maneiras possíveis. Sim, minha mente, meu corpo, alma e coração eram todos dele. E poderíamos estar abraçados agora... Poderíamos estar gargalhando como antes! Mas... Por que?

Por que ele tinha que ir atrás daquela mulher?

O que o fez ir até ela e me trair...?

— Não tem de ir embora tão depressa, não quero que vá, eu preciso conversar com você sobre...

— Onde estão minhas coisas? — novamente não permito que sua frase chegue ao fim. Seus argumentos, as desculpas que ouvi quando o peguei com aquela mulher só vão me deixar mais zangada, abalada.

Fui até aquele apartamento com o intuito de pegar cada pequeno pertence meu, não queria deixar nada para trás, exceto por nossa relação. E decidi, ainda em meu carro, que não iria deixar Park Jimin me contornar, não iria ouvir mais nenhuma de suas mentiras. Era somente isso: só queria pegar minhas coisas. Não havia um pedaço de mim que esperava ouvir uma ótima explicação para o que meus olhos viram naquele bar.

Ao menos era nisso que eu me apegava firmemente.

Entretanto, após ver Jimin... sentir seu perfume, ouvir sua voz... Bom, pude ver que meu plano possuía falhas. Estar na presença dele torna tudo mais complicado. Principalmente lutar contra a saudade... Eu jamais admitiria em voz alta, mas a verdade é que eu sentia falta daquele filho da mãe... Contudo, como poderia eu perdoar aquele beijo avassalador que ele deu nela? Relembrar aquele momento me ajuda a manter a raiva que estivera comigo até meu retorno à aquele apartamento. E quando volto a olhar para Park, não consigo sentir nada mais que essa raiva que chacoalhava meus ossos.

— Por favor, me ouça — com um passo à frente, o cara que me traiu se aproxima.

— Não tenho nada para falar ou ouvir. — Respondo ao cruzar os braços mais em frente ao peito e recuar um passo. — Me deixe apenas pegar o que é meu. Não vou levar muito tempo.

Meus olhos se afastam para bem longe do rosto de Park, pois estou quase explodindo em palavras tortas e sujas. Estamos na entrada da sala e, de onde estou, posso ver a estante que fica em um dos cantos, perto da televisão. Vejo-a abarrotada de livros, livros que Psrk me deu de presente, livros que compramos em nossos muitos encontros, livros que tinham mais lembranças do que eu mesma... A própria estante era uma escultura de lembranças. Cada vão que suportava os exemplares de inúmeras obras possuía um significado particular. "Que inferno..." penso ao dar de cara com nossa primeira foto juntos, coisa que Park fez questão de emoldurar e exibir naquela nossa estante.

Naquela época, quando cheguei tarde em casa e o encontrei dormindo no sofá com um embrulho em papel azul claro e fita de cetim em forma de laço preso num abraço junto ao peito, eu achei que aquilo significava algo para ele. Sim, quando ele me entregou aquela foto e disse que deveríamos deixá-la exposta para todos verem nosso amor, eu acreditei que eu era uma das coisas mais importantes na vida dele. Mas... Agora eu sabia a verdade.

Eu sabia o graaande espaço que ocupava na vida dele.

— Se não se importa — com a voz levemente rouca, digo —, vou pegar minhas coisas. — Solto meus braços para apontar para o interior do apartamento.

— Não faça assim — Jimin se aproveita de meu movimento e segura meu pulso.

Seu toque gelado me arrepia. Como senti falta de seus dedos em contato com minha pele! Sua palma pode estar molhada e fria, provavelmente porque Park está nervoso, só que ainda era bom poder senti-lo. Meu corpo ainda achava maravilhoso poder sentir seu toque. Eu tenho certeza de que realmente queria poder abraça-lo uma última vez... Mas minha mente maldita faz questão de jogar um questionamento doloroso: "Será que ela também gostava de sentir a pele dele?"

— Como quer que eu faça? — Me viro de forma brusca. Toda a raiva que lutei para controlar e esconder começa a sair. — Como eu deveria agir, Park? — Puxo meu braço e me liberto de seu aperto, ficando apenas com a sensação fria de seu suor, fazendo questão de esfregar aquela parte de meu corpo contra minha camisa na intenção de limpá-la.

E eu gostaria de me livrar dos sentimentos que tenho por ele da mesma forma rápida e fácil que me livrei de seu agarre...

— Vamos conversar, meu amor...

Não me chame assim. — Usando uma voz que eu nem mesmo sabia que tinha, ergo meu indicador e aponto para ele. — Você não tem esse direito.

— Gatinha... — Park sussurra o apelido que me deu uma semana antes de me convidar para morar em seu apartamento. Isso me quebra. — Minha gatinha...

Meu coração dói, se aperta. Uma enxurrada de doces coisas que vivemos juntos me invade. Relembro da primeira vez em que Park usou aquele apelidinho, quando nos encontramos no meio da tarde num parque mais afastado do centro. Já tínhamos um bom nível de intimidade e ele brincou ao me ver fascinada com uma borboleta colorida. Será que só achei aquele pequeno bichinho tão incrível porque ele estava comigo? Não sei, apenas recordo-me de ter agido como uma criança, de ter fotografado todas aquelas cores nas asas enormes da borboleta e de ter ouvido ele fazer a piada que me trouxe aquele chamado carinhoso: "Você parece uma gato, correndo atrás dessas coisinhas. Mas é fofo! Você é como uma gatinha, isso é fofo...". Na época, tão apaixonada e inocente, cega e perdida naquelas pequenas mãos dele, não fiz mais do que ficar vermelha, achar aquilo meigo e aceitar de bom grado.

Sacudi a cabeça para espantar todas aquelas cenas. Eu não queria me mostrar abalada, não queria demonstrar o quanto sentia falta dele, o quanto o queria de volta, mesmo que estivesse absolutamente puta com tudo o que havia acontecido. Só que me dei conta de que já era tarde. As lágrimas já corriam por minha face, formavam gotas em meu queixo e se atiravam contra minha roupa. Ali estava aquela que tanto quis esconder. Ali estava o meu lado mais frágil...

— Não diga mais isso. — Ordeno. Jimin se remexe, inquieto, como se tivesse sido acertado no rosto por algo pesado. Minhas mãos passam por minhas bochechas com força suficiente para rasgar minha pele. Eu levo meus olhos para o teto, fazendo de tudo para controlar o choro. E depois de puxar o ar pelo  nariz e soltá-lo pela boca, digo: — Nunca mais.

Irritada, chorosa e envergonhada, sigo marchando em direção ao que, um dia, foi nosso quarto. Um soluço me escapa quando faço a curva do corredor. Talvez pelo silêncio que havia se instalado no apartamento, o som se propaga por todos os lados. Tenho de me segurar no batente da porta por um segundo, respirar fundo para engolir os outros soluços e só então girar a maçaneta e entrar no cômodo. Ainda que tivesse buscado controle, acabei cobrindo meus lábios com a mão direita ao levar meu pé para o interior. A cama continuava da maneira que eu me lembrava, os mesmo lençóis, o mesmo jeitinho de arrumar os travesseiros... Não estava tão arrumado, na verdade. Mas ainda era como costumava ser. Ignoro aquela parte do cômodo, tentando esquecer os momentos que tivemos ali, desde as longas conversas sobre bobagens, as promessas que foram feitas em sussurros, até os momentos em que ele me colocava sob seu corpo e me levava ao céu. Cheguei a lembrar, infelizmente com riqueza de detalhes, as vezes em que aquele cara me acomodava sobre sua cintura e me conduzia no ritmo que queria.

E foi doloroso pensar que ele poderia muito bem ter colocado outra na mesma posição, nesta mesma cama, sobre os mesmos lençóis enquanto eu não estava por perto...

— Por favor — Park entra no quarto quando estou jogando algumas de minhas roupas que ficaram para trás dentro de uma das minhas malas.

— Cale a boca — com a voz embargada, sussurro.

— Me escute — ele insiste, suspirando cansado. — Você não sabe o que aconteceu naquela noite e...

Park para de falar ao ser atingido no peito por um sapato meu. Suas mãos são rápidas o suficiente para pegarem o calçado no ar e se erguerem para protegê-lo como os antebraços.

— Ai! — ele resmunga, assustado.

— Não sei o que aconteceu? — Repito ao enfiar a mão no roupeiro e me armar com jeans e outras peças que não me importo em reconhecer. — Seu filho da puta! Eu te digo o que aconteceu! — Grito ao jogar uma das camisas sociais dele, camisa que eu gostava de pegar para passar o dia... — Você me traiu! Você... Você apenas... Como você tem coragem de...? — Minha voz se perde por conta do esforço, da emoção, mas continuo atirando tudo o que tenho em minhas mãos.

— Pare com isso — tentando desviar de meus ataques, Park pede. — Você enlouqueceu?

— É, Park! Eu enlouqueci! — Abro os braços ao gritar o mais alto que posso. Logo persisto em arremessar o que está ao meu alcance. Não consigo controlar a fúria que havia reprimido por tanto tempo. — Fui uma idiota, a maior idiota! — Dessa vez é uma saia que é jogada na direção do rosto de Park. Ele se esquiva, fazendo com que o tecido encontre a parede. — Muito idiota em achar que você, logo você, Park... — Lágrimas embaçam minha visão. Meus braços parecem cada vez mais pesados e a dor que os percorrem é quase paralisante. Estou apertando tecidos macios em ambas as mãos, só que não consigo atira-los contra o homem parado ali perto. Tudo em mim é um fardo, tudo pesa e tudo me deixa cansada. Eu só queria poder ficar quieta... — Como pude ser tão boba em achar que você poderia se sentir atraído por qualquer coisa sobre mim...? — Meu sussurro é tão arrastado que duvido que o rapaz tenha ouvido alguma palavra. Aproveito a sensação de peso e me permito escorregar para o chão, sentando sobre o calcanhares.

Meu estômago revira. O coração parece ser apertado, esmagado... É difícil respirar, pois parece que minhas costelas estão pressionando meus pulmões e os perfurando. E toda vez que fecho os olhos... minha mente é invadida pela lembrança daquela mulher inclinada sobre ele... Seus finos lábios pintados de vermelho colados aos dele, as mãos enfiadas nos fios curtos de sua nuca enquanto seu olhar se fixava ao de Park. É eles tinham uma bela conexão visual, eu me lembro... Pareciam se conhecer há tempos! Que tola eu fui... 

Nunca houve outra pessoa. — O tom de sua voz chama minha atenção e sou arrancada de meus pensamentos. Uma nova porção de mágoa é injetada em minhas veias e isso me faz travar a mandíbula. Meus dentes rangem, doem, mas não consigo parar de aperta-los. — Eu te amo. Amo você, apenas você. Não posso olhar para outra porque só vejo você.

— Cala a boca! — Volto a gritar, apertando minhas orelhas ao me encolher. Minha rouca voz sai forçosamente, arranhando minha garganta por dentro. — Pare com essas mentiras! — Tomo impulso para cima e fico de pé, apoiando minha mão no guarda roupa atrás de mim. — Você não vê que está me machucando?

Toda minha raiva escoa para longe quando abro meus olhos e encontro os olhos de Park Jimin.

— Eu te amo. — Ele repete, ignorando toda e qualquer palavra minha. — Amo você.

Seus vermelhos olhos marejados despejam as lágrimas que ele pareceu segurar por muito tempo. Suas bochechas rosadas e molhadas tremem quando o lábio inferior dele se sacode sutilmente. A pontinha de seu nariz também está vermelha, bem como seu queixo e suas sobrancelhas. Vejo Park desviar o rosto para longe, tentando esconder-se e disfarçar seu choro. As unhas de seus dedos da mão direita arranham seu nariz, e, em seguida, seu indicador gordinho desliza entre seu lábio superior e o mesmo narizinho vermelho.

— Não beijei aquela estranha. Ela quem me agarrou. Eu jamais faria isso contigo, jamais.

O vazio que me domina subitamente contribui para que suas palavras fiquem ecoando em meu interior. Tento estudar suas expressões e entonação em busca de algum sinal de que ele está mentindo, mas...

Ele está chorando... Jiminie está... chorando...

— Por favor, me escute, pelo menos desta vez — rápido, parecendo não querer me dar chance para escapar, Park se aproxima. — Me deixe dizer a única verdade sobre aquele maldito dia! — Ele começa a falar pausadamente, enquanto agita os braços erguidos no mesmo ritmo. — Eu não a beijei.

— Cala a boca — peço pela milésima vez. Porém, é apenas um sussurro fraco.

No fundo sei que não quero que ele se cale. De fato... há uma maldita parte de mim quer ser convencida por ele. É meu coração que implora por uma boa explicação, que discute com meu cérebro e me pede para dar-lhe ao menos uma única pequena chance. Até mesmo meu próprio corpo deseja seu retorno, seus carinhos...

Porque eu o amo demais para aceitar ficar distante... Eu jamais ficaria bem com sua falta.

E isso é o que mais odeio em mim mesma. Isso é o que tento esconder com meus insultos e ataques físicos. Eu deveria esquecer aquele cara. Depois de tudo o que aconteceu, tudo o que vi, toda o sentimento esmagador de humilhação que me consumiu... Certamente que continuar amando-o era a maior idiotice que eu poderia fazer. Entretanto, justamente por ser tão boba, apenas era capaz de sentir sua falta. Estar ali, vê-lo de tão perto só reafirmou o que eu já sabia: Eu estava com saudades dele, não havia como negar!

— Acredite — seus dedos alcançam minhas bochechas, com os polegares macios se arrastando por minha pele molhada. Percebo que meu monólogo interno lhe deu tempo suficiente para permitir sua chegada até mim. E o que restava das barreiras que criei acabaram por ruir ao notar que, de perto, Park Jimin estava visivelmente quebrado. Tão abalado e entristecido quanto eu... — Acredite em mim... Eu te amo. — Park me puxa e envolve-me com seus braços.

Tudo sobre ele, tudo o que senti falta nele me invade. Seu natural perfume, seu calor... O som de seu frenético coração contra minha bochecha... A sensação de sua pele roçando na minha... Logo minha respiração passa a ser mais lenta, meus olhos pesam e tenho a impressão de que estou prestes a adormecer... É tão reconfortante, é tudo o que eu queria sentir desde que fiquei longe dele... É como estar em casa...

É tão bom que chega a ser assustador! Como pode...? Como pode o cheiro e o calor de Park me deixar tão entorpecida...? Parece que nunca houve um problema entre nós, é como se nunca tivesse estado irritada de maneira alguma com ele. Tanto que eu poderia facilmente devolver aquele abraço... Era só... mover minhas mãos até suas costas, envolve-lo com meus braços e aperta-lo contra mim, nunca mais partir e nunca mais soltá-lo. Eu poderia até mesmo morrer ali, sim, ficar em seus braços pela eternidade, ser apenas dele para sempre...

Mas...

Ele seria meu como eu seria dele?

— Me solte, Jimin — tento empurrá-lo para longe, novamente pega naquele sentimento doloroso adquirido após uma traição, o mais puro medo de estar sendo enganada. Não que eu realmente estivesse usando minha força para afastá-lo...

— Oh, céus... — O animado sussurro chega a me assustar. A alegria em sua voz parece fora de hora e acabo imóvel, esperando por uma explicação. — Senti tanta falta de ouvir sua voz chamando-me pelo nome... — Sou pressionada contra seu peito, apertada com gosto, tendo minhas costas acariciadas por suas pequenas e gentis mãos. — Não me chame de Park. Eu não gosto, não quando é você quem me chama assim.

— Me larga! — Tento sair do breve torpor que está quase me dominando por completo. Tento sair dele. Se continuar ali, sei que vou vacilar.

Jamais. — Park sussurra contra o topo de minha cabeça. — Não vou solta-la. Não posso fazer isso. Como podes me pedir para deixar minha vida partir?

— Não minta, por favor — suplico ao deixar mais lágrimas rolarem. — Isso dói, dói tanto... Dói porque você não vai estar ao meu lado depois. Você vai me deixar, eu sei, vai correr para aquela...

Inesperadamente, meu rosto é erguido pelo queixo. Um milésimo de segundo é o suficiente para que nossos olhos se encontrem e eu perceba a intenção dele. Quando nossos lábios se conectam com calmaria inexplicável, meus olhos arregalados expressam minha confusão interna. Meu lábio inferior preso entre os lábios dele é tudo em que consigo me concentrar... É molhado e quente. E quando ele se move devagar, também levando seus dedos por entre os fios de cabelo de minha nuca, é doce... Silencioso. É um beijo diferente de todos os que trocamos anteriormente. E, que inferno, a boca dele é tão gostosa! Sua língua passando para tocar a minha, seus suspiros baixos e seus toques possessivos e gentis me puxando para perto pela cintura... Tudo isso é... É tão... Park Jimin é meu vício! É outra coisa que não posso negar, eu senti falta de seus beijos, e eu quero mais. Eu o quero por inteiro...

Eu preciso dele.

Não.

O que eu preciso é me afastar aquele mentiroso... Preciso tirar ele de... perto...

Eu...

Preciso...

— Eu te amo — Jimin murmura ao se afastar sem precisar ser empurrado. A falta de maior contato entre nós me incomoda, algo que tento disfarçar ao passar as costas de minha mão por minha boca. — Não existe outra pessoa, não existe nada mais importante. Você é minha garota, meu tudo, meu mundo. Aquela pessoa que você viu faz parte de um pequeno grupo entre nossas fãs. Pessoas que querem nos separar. Foi tudo uma armação, meu amor... Você sabe. Isso aqui — ele pega minha mão esquerda e a coloca no centro de seu peito —, está sentindo meu coração bater? Ele é seu, ele bate apenas por você. Por que eu te amo. Eu te amo tanto...

Sua voz e suas doces palavras se perdem quando ele me beija outra vez. Um encostar delicado de lábios, um selinho breve. Seu nariz, porém, se arrasta pelo meu, o que faz parecer que ele não queria nenhum tipo de distância entre nós. Seu hálito quente corre por mim, acertando meu pescoço, fazendo com que um arrepio se propague lentamente por meu corpo. Meus olhos procuram os dele mas os encontram fechados, como se Park estivesse se concentrando nas sensações proporcionadas por nossas peles unidas e nossa proximidade.

— Eu te amo, pequena. — Jimini vem sussurrando. Seus pés e corpo vão delicadamente me conduzindo para trás, empurrando-me de uma maneira tão sutil que só percebo quando minhas costas encontram o guarda roupa. — Quase morri de saudades... Ficar longe de você é uma tortura.

Mochi... — o apelidinho escapa por meus lábios antes mesmo que eu o tenha conhecimento.

Não... Eu não tinha ido ali para isso. Eu não tinha ido fazer as pazes com àquele que me enganou... Eu não podia perdoá-lo!

— Meu amor — a arrastada voz delicada me preenche suavemente, ganhando toda minha atenção. — Volte para nossa casa. Volte para mim. Não vá mais. Não vá para lugar algum... Nunca mais me deixe. Eu não te quero longe, não gosto de não te ter por perto...

Aproveitando-se do lugar onde estávamos, comigo pressionada suavemente contra o armário e presa entre seu corpo, Park abre uma das portas em que não mexi, uma das portas em que estavam os objetos pessoais dele. Ele não me deu espaço para fugir, não me largou ao enfiar a pequena mão lá e alcançar uma caixinha de veludo colocada sobre a segunda prateleira interna, perto de onde estavam seus cordões e anéis. Novamente estou tentando olhá-lo nos olhos. Não consigo saber o que se passa em sua cabeça pois seus olhos estão fixos na pequena caixa que ele segura.

— Lembra que a chamei para um encontro naquele bar? Eu disse para ir preparada porque eu tinha uma surpresa para você, não disse? — Um sorrisinho agita o corpo do mais velho, mas vejo que não passa de um reflexo de seu nervosismo. — Isso era o que eu ia lhe dar. — Park começa a abrir o objeto que parece um mini baú aveludado. — Essa era minha surpresa, meu presente.

— O que você...? — o sopro escapa por meus lábios entre-abertos. A tampa da caixa não me permite ver seu conteúdo, contudo, através dos olhos de Park, posso ver seu brilho.

E eu não posso acreditar...

— Tentei lhe contar, tentei me explicar, eu tentei tantas coisas... Mas você me bloqueou em todos os meios de comunicação que tínhamos! E não aceitava me encontrar de nenhuma maneira... — Jimin sorri minimamente (dessa vez um pouco mais naturalmente) enquanto se ajoelha. — Não há outra pessoa, meu amor. Essa é toda a verdade. Até meus hyungs podem confirmar o que estou dizendo, nós temos provas, você pode ver que aquilo foi um plano estúpido para nos separar. Se me deixar explicar, se me ouvir... Você saberá que é só você. — Ele vira a pequena caixa para mim e, finalmente, posso ver claramente o brilhante anel prateado e sua pequena pedra solitária em azul. — É só você que pode estar comigo, é só você quem eu quero que esteja comigo. É só você que é a dona de meu coração...

Park diz mais algumas coisas, mas não sou capaz de ouvir uma única palavra. Tudo parece turvo e sem nexo, como se uma camada fina de uma leitosa névoa cobrisse tudo que me cerca. E essa mesma névoa invade meus pulmões, congelando-os e me incapacitando, deixando-me zonza, fazendo com que o simples ato de respirar se torne uma luta.

— Você é a única que quero ao meu lado. E não quero apenas por algumas horas, muito menos por alguns anos. Quero para sempre, pela eternidade. Eu quero você ao meu lado até meu último suspiro, até a última batida de meu coração. Quero dividir momentos bobos contigo, quero as coisas mais sérias e as mais...

— Park... — Digo rouca, acabando por interrompe-lo sem querer. Contudo, não sou capaz de dizer mais nada.

Ele espera que eu continue minha fala, mas mal consigo raciocinar. Nossos olhos estão indo e vindo, se encontrando continuamente sem que haja um único desviar, um esperando pela ação do outro. Acabo ouvindo nossas respirações descontroladas, assistindo o rápido movimento do peito dele, subindo e descendo sem interrupções... E meu pé direito se apressa, meu corpo se impulsiona uma vez para frente, comigo arfando baixinho. Eu quase posso me ver sentada sobre as coxas dele, quase posso sentir os toques que estou prestes a receber. Entretanto, após gaguejar uma qualquer coisa, acabo congelada. Meus pensamentos são tão rápidos e tão conflitantes que não consigo me concentrar em nenhum deles.

Assustada, volto a recuar. O chão parece ondular sob meus pés e tenho de buscar algum apoio, não encontrando nenhum e quase indo de encontro ao chão. Nesse meio tempo, a cabeça do garoto se abaixa e Jimin fixa os olhos na pedra do anel. O silêncio que invade o quarto bagunçado não me ajuda a pensar. Tenho a ideia de ir até a sala, ou ir até o saguão para poder respirar ar puro, e por isso saio toda trôpega em direção ao corredor principal do apartamento. Park não me segue, ele me deixa ir silenciosa pelos cômodos. Porém, quando ele ouve o som da maçaneta sendo destrancada por sua chave, sua voz desesperada ecoa até mim.

— Espera, aonde está indo?! — Seus passos pesados martelam o piso, criando um som estranho.

Minhas mãos puxam a porta e, do lado de fora, no corredor, percebo o que estou fazendo. A porta é fechada com força e o impacto do corpo de Jimin contra ela me assusta. Vejo que ele está girando a maçaneta e me preparo para correr para o elevador. Parece covardia minha, mas, em meio ao caos que está minha mente, sei que não posso encarar Park sem ter uma resposta. Eu não sei o que responder e sei que meu silêncio vai ser pior que um não. Eu preciso ficar longe dele, preciso arrumar minha confusão interna...

Eu não entro no elevador, já que o transporte acabou de passar pelo andar em que estou e vai demorar para voltar. Eu me lanço contra as portas duplas que dão acesso aos lances da escadaria de emergência e me escondo ali, segurando um vão entre as portas para que não fizessem barulho ao se fechar. Através daquela pequena abertura vejo Jimin sair desesperado, correndo para as portas metálicas do elevador que estava longe de seu alcance. Ele Leva suas mãos para seus cabelos, enfiando os dedos entre os fios e apertando suas têmporas. Jimin parece desolado ao colocar sua testa contra o metal frio da porta do elevador. Ele espalma sua destra ao lado de sua cabeça e esmurra aquele lugar uma vez. Quando Park se afasta para voltar ao seu apartamento, seus olhos estão vermelhos, suas bochechas ensopadas com lágrimas e seu cabelo está todo desalinhado. Ele parece estar se segurando, ainda que pareça ter chegado ao limite. Então, quando ele entra em seu espaço pessoal e fecha a porta, de onde estou, posso ouvir seu choro alto e sofrido. Deixo que a porta siga seu curso e vou parar nos degraus mais abaixo. Sentada nos primeiros empoeirados pisos de concreto, me permito retomar o fôlego. O que não dura muito, já que ouvir as lamúrias de Park me causam um desconforto enorme. Eu preciso pensar, preciso me permitir ouvir o lado dele da história, preciso saber se estou sendo egoísta...

Eu preciso de tempo...

Finalmente decidida, desço dois andares pelas escadas para poder entrar em um dos pisos mais abaixo e pegar o elevador sem ter o risco de dar de cara com Jimin. Em seguida, vou direto para o estacionamento (recebendo olhares de preocupação e julgamento de todos que por mim passavam, já que minha aparência devia estar deplorável). Quando estou com as mãos no volante do carro, sentindo o acolchoado macio do banco contra minhas coxas e costas, vejo um carro cor de vinho entrar e passar pela minha lateral, estacionando quase de frente comigo. Assim como meu próprio veículo, o carro tem o vidro com película escura. Entretanto, é claro, eu reconheço e sei quem está dirigindo, não preciso nem mesmo ver a placa. Por isso não me surpreendo ao ver um alarmado Taehyung sair pela porta do motorista, tão absorto em seus pensamentos que não viu meu carro parado perto do seu. Obviamente que Jimin o chamaria, os dois são melhores amigos!

Só que eu também pretendia ficar perto dele, eu tinha decidido ir até a casa de Kim Taehyung... Agora ele já tinha chegado até Park e não sairia dali tão cedo.

Então... para onde ir...?

Em quem mais eu poderia confiar para buscar ajuda sobre um momento tão constrangedor e íntimo?

Vendo meus olhos vermelhos pelo retrovisor, lembro-me de uma pessoa que não me negaria ajuda e em quem eu tinha certeza de achar apoio.

A chave conectada ao contato foi girada por minha destra e o carro rugiu. Minha mão foi ao câmbio com força exagerada, bem como meu pé afundou na embreagem de maneira bruta. Com a marcha engatada, acelerei e recebi um solavanco violento. Meu carro havia morrido... Ótimo, eu também estaria morta logo, logo se não botasse a cabeça no lugar. Respirei fundo e busquei autocontrole. Reiniciei o processo, dessa vez tomando nota sobre o freio de estacionamento e minha segurança pessoal. Tentei ir o mais devagar e o mais calma possível, mas tive a impressão de que furei um sinal (ou quatro) e que, muito provavelmente, não sinalizei nenhuma de minhas manobras... Porém, ainda que tenha sido uma experiência quase suicida (e homicida, no caso do ciclista que quase veio pintar a lataria de meu veículo com seu sangue), me vi parando em frente ao prédio de Kim. Procurei meu celular nos compartimentos do carro, até lembrar que ele estava em meu bolso. O peguei, agradecendo aos céus por ver que a pessoa que eu estava procurando havia ficado online, e mandei mensagem para o rapaz.

Está em casa?

Não se passam muitos segundos antes de ver que ele digitava uma resposta. E logo elas chegaram rapidamente.

Joonie Garota, por onde você andou?!

Joonie › Você sumiu por tanto tempo!

Joonie › Todos nós ficamos loucos, te procuramos muito, em todo lugar!

Joonie › Fomos até na polícia!!

Está em casa? «

Eu literalmente copio a mensagem e a colo, enviando sem nem olhar o que estava fazendo. Ela é visualizada instantemente e há um momento sem resposta ou digitação. Até que recebo a simples e pequena mensagem:

Joonie › Já autorizei sua entrada.

A maneira como ele entendia meus recados silenciosos era engraçada, tanto que me fez sorrir minimamente. Deixei meu carro e segui para encontrá-lo, mais relaxada por saber que realmente podia contar com ele.

Quando estou em frente ao apartamento dele e meus dedos pressionam a campainha, a dor em meu peito se intensifica. Lembranças das vezes em que estive ali acompanhada de Park invadem minha cabeça. E só de pensar em falar sobre tudo o que aconteceu, um enjôo me faz curvar para a frente. É nessa hora que a porta é aberta e encontro o moreno. Os olhos de Namjoon se abrem mais do que o costumeiro. Ele também abre a boca, mas não fala nada, fitando-me por tempo suficiente para me deixar desconfortável. Eu desvio o olhar para o corredor, passando as mãos pelo rosto com a desculpa de estar limpando-o mas estou é tentando esconder-me de todas as formas. Meus olhos queimam e não consigo conter o novo choro que se inicia silencioso.

— M-me deixa ficar aqui... um pouco... — Peço entre soluços e lágrimas. — P-por favor...

— Claro, claro! — Visivelmente assustado com meu estado, Kim quase me puxa pelos antebraços. — Entre! Por onde esteve? Não sabe como ficamos...

— Sinto muito. — Digo ao ir direto para o sofá. — Não queria deixar ninguém preocupado...

— Preocupado? "Preocupado" é pouco! — Kim Namjoon senta-se ao meu lado, tocando levemente meu ombro — E isso porque você não viu o estado em que Jiminie ficou...

— Acho que ele merecia. Provavelmente não sentiu um terço do que eu senti... — Franzindo o nariz, sussurro.

— Ah, sim... Agora entendi. Quase esqueci do acontecido, faz sentido que tenha ficado assim. — Namjoon suspira.

— "Acontecido" — repito com um sorriso sem nenhum bom humor. — Falando assim, parece uma coisa acidental.

— Já vi que você ainda não está sabendo de nada... Não foi um acidente. — Joonie cruza seus dedos e apoia os cotovelos nos joelhos. — O que você viu naquele bar foi planejado.

— Você também vai querer começar com essa história de que Park foi vítima de um grupo que não gosta de nós ver juntos?

— Na verdade, sim, eu vou. — Namjoon ergue uma de suas sobrancelhas. — E não foi só Jimin a vítima, foi o seu relacionamento com ele, isso envolve vocês dois.

— Ah, por favor — exausta, jogo minhas costas contra o encosto do sofá e ergo meus braços para colocá-los sobre minha cabeça. — Por enquanto, se não se importa, eu quero apenas ficar... sem fazer nada.

— Certo, então não vamos falar sobre isso. Tome.

Afasto meus antebraços da frente de meus olhos e encaro o homem ao meu lado. Sua mão esquerda está voltada para mim, com um retangular aparelho brilhando fracamente sobre sua palma.

— Por que está me dando seu celular? — Questiono.

— Não é pra ficar com ele, é pra assistir isso aqui. — Kim aponta para a tela e reconheço o ícone de vídeo. — Pelo que entendi, palavras não são o suficiente, você tem que ver com seus próprios olhos, então... — O mais alto dá de ombros um vez e volta a me estender o celular. — Jiminie pretendia lhe mostrar depois de fazer seu pedido. Uma cópia ficou no meu celular porque foi Jungkook quem editou e ele me enviou para ver o que eu achava, para perguntar se faltava algo. O vídeo original deve ter muito mais coisa, mas esse, para mim, também está muito bom.

— Não sei se quero ver isso — meu coração apertado me faz hesitar, embora a curiosidade tenha sido plantada.

— Você quer. Mas — puxando seu braço para longe, Namjoon volta a vasculhar seu celular —, para ir se preparando para o que Jungkook fez, é melhor que veja esse... aqui. — Novamente ele me entrega o aparelho, agora com outro vídeo pronto para ser rodado.

Este é mais curto, tem apenas alguns segundos. No ícone, Namjoon aparece sorrindo e um pedaço do ombro de outra pessoa pode ser avistado no canto esquerdo. Não preciso nem mesmo começar a assistir para saber quem é que está com Joonie. Obviamente é Park Jimin.

— Enquanto você assiste, eu vou buscar um copo com água. — Kim diz. — Você vai precisar.

Observo Namjoonie seguir para o outro cômodo, esperando que seu corpo esteja totalmente fora de meu campo de visão para poder iniciar o vídeo. O volume está alto o suficiente para me fazer ter um sobressalto. Quase deixo o celular de Namjoon cair e, por isso, perco os primeiros segundos mostrados. Então volto tudo outra vez e me obrigo a prestar atenção.

Namjoon deixa suas covinhas aparecerem ao sorrir sem exibir seus dentes. É assim que o vídeo se inicia, com o sorriso tímido de Kim Namjoon. O que não dura muito, já que Park praticamente se joga sobre o mais velho. Joonie se assusta, fazendo com que o foco do celular se perca. Sons das risadas dos dois são as únicas coisas perceptíveis. Quando a imagem retorna, Jimin está apoiado em um dos ombros de Namjoon. E é aí que começa.

"— Pa... papapapapaa...! —" Animado, Park vem trazendo com a mão livre a mesma caixinha que me mostrou em seu apartamento, agora como se fosse uma nave espacial. — "Como vamos dar isso para ela, hyung?" — Ele começa a abrir para exibir o conteúdo, parando ao fazer sua indagação.

"— Você que está planejando tudo, então... Ei! Não era pra ser surpresa?! — Kim soa alarmado."

"— Vai ser, ainda vai ser! — Park volta a fechar a caixinha. — Eu posso pedir para Jungkookie incluir esse no..."

O pequeno vídeo se encerra e corta a frase de Jimin. Vendo que não haveria continuação, encaro Namjoon (que, aparentemente, havia desistido de buscar qualquer coisa na cozinha e apenas estava parado ali perto) como um pedido silencioso para que ele me explique o que eu já entendi.

— Veja a data. Olhe o dia em que gravamos.

Obedeço sua instrução e busco os detalhes do vídeo. Sinto meus olhos se arregalando aos poucos. Minha voz não passa de um sussurro quando volto a buscar por Namjoon.

— É... de quase uma semana antes do que aconteceu no bar...

— Entendeu? — Kim parece satisfeito com minha reação. Há um sorriso pequeno em seu rosto quando ele prossegue: — Jiminie estava preparando para esse momento faz muito tempo. E ele estava tão nervoso, tão preocupado com seus preparativos, você não faz ideia do quão paranóico e energizado ele ficou! Ele queria surpreende-la, queria fazer algo inesquecível... Olha, te garanto que nunca vi Jiminie tão empenhado em algo, chegava a ser assustador! Mas também era perceptível o quanto ele estava feliz com a decisão de lhe propor casamento. Jimin me disse que sabia que você diria sim, ele esperava por isso, porque não consegue imaginar viver sem sua presença. Ele só é verdadeiramente feliz quando está contigo, quando está falando sobre você ou sobre o futuro que deseja compartilhar contigo.

Olhando para o vídeo pronto para ser iniciado outra vez, vejo que Jimin está radiante. Sua carinha tentando esconder o largo sorriso é tão meiga... E forma como sua mão segura o baúzinho que guarda o anel de noivado deixa evidente a importância que aquele objeto tem para ele.

— Ah, esse foi o dia em que fomos escolher o anel. — Namjoon explica. — Acredita que ele me ligou ainda durante a madrugada só para me perguntar se eu poderia acompanhá-lo? Jimin fez isso porque ele tinha medo de escolher um anel que não lhe agradasse. Ele também me disse que confiava no meu bom gosto. — Joonie sorri de maneira tímida. Nós ficamos em silêncio por algum tempo, e, desconfortável, Kim limpa a garganta para chamar minha atenção. — Imagino que deve ser difícil de acreditar... Mas, acabei de lembrar, Hoseok conseguiu falar com algumas pessoas e acabamos encontrando aquela garota. Jimin não a conhecia, ela mesma confirmou isso após algumas perguntas nossas. Nós queríamos entender o que tinha acontecido, e ela acabou se tornando uma tagarela depois de alguns minutos, contou tudo e mais um pouco. Se quiser, podemos procurá-la outra vez! — Com o braço esticado, acenando com veemência, Namjoon parece achar a solução para tudo. — É isso! Ela vai lhe falar toda a verdade.

Kim Namjoon espera por uma resposta minha. Parece que uma posição minha é o que todos ao meu redor esperam. Só que a confusão que me domina me deixa ligeiramente perturbada. Olhando nos olhos do moreno, dou de ombros.

Eu deveria dizer alguma coisa? — Questiono de maneira cansada.

— Talvez essa não seja a pergunta certa. Não sei... Mas... Eu penso que você sabe que não é comigo que tem de conversar. Você sabe o que tem que fazer, não sabe? Ele precisa de uma resposta.

Suspirando, levo meus olhos para o chão e encaro o carpete fixamente.

— Não se preocupe com relação ao tempo que vai precisar para se decidir! — Namjoon toca o alto de minha cabeça e me faz um carinho leve. — Você o esperou por bastante tempo, Jimin pode fazer o mesmo. Ele também vai esperá-la.

— Você fala como se soubesse o final dessa história... — Fungando, resmungo.

— Eu conheço vocês dois. — Kim aumenta o sorriso. — E, sinceramente, qualquer pessoa com um dos dois olhos é capaz de ver. Então, pode se dizer que sim. — Agora a mão de Namjoonie vai parar em meu ombro. — Nós sabemos como vai terminar, não sabemos, mocinha?

O sorriso dele é tão radiante, tão verdadeiro que me é impossível não retribuir. Novamente estou chorando, mas dessa vez não é por mágoa ou ira. É apenas por... Saber.

Sem conseguir esconder uma pequena gargalhada que me agita, abraço Namjoon. Ele retribui e me pede para não chorar.

Mas como não vou me derreter em lágrimas se eu sei que meu destino já está certo?

Como não vou chorar de felicidade ao ter um punhado de esperança?

Se tudo aquilo era verdade, se tudo não havia passado de uma armação... E se ele me perdoasse por ter sido tão inflexível, eu viveria feliz, não?

— Como se sente? — me afastando pelos ombros, Joonie indaga. — Tudo bem?

Eu penso em uma série de coisas para dizer, penso em uma enxurrada de perguntas e até mesmo acusações. Entretanto, a única coisa que sai de minha boca é...

— Obrigada.



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