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História Case: Song Lan - Capítulo 10


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Notas do Autor


Capítulo sem uma minuciosa revisão.
Esse sem dúvidas é o capítulo que me deixa mais triste e tem dias que eu me pergunto "por que eu escrevi um passado tão triste para o Song Lan?"

Capítulo 10 - O que aconteceu


02/07/2012

O tempo passava muito depressa, pelo menos era essa a percepção que Zichen tinha, tinha impressão de que piscava e quando olhava para o relógio já havia se passado uma hora.

Estava sentado no sofá, esperando seus pais chegarem de seu jantar fora, se levantou e começou a ajeitar as almofadas mesmo que elas não precisassem realmente ser ajeitadas, o celular apitou sobre a mesinha de centro, imediatamente pegou o aparelho e viu uma mensagem de Xue Yang dizendo que passaria lá mais tarde, iria responder, mas no momento que seus dedos tocaram no teclado seus pais entraram na casa, guardou o celular no bolso de sua calça e caminhou até seus pais em passos rápidos, os dois o abraçaram calorosamente e desejaram uma boa noite ao filho, a mãe olhou para o rosto do jovem Song Lan e notou como ele parecia nervoso.
— Eu preciso conversar uma coisa com vocês — Disse colocando as mãos atrás de seu corpo e apontando com a cabeça para o sofá, indicando que eles deviam se sentar.

Os pais de Zichen se sentaram e olharam para o filho um pouco confusos, não faziam a mínima ideia do que o garoto tinha para dizer, aguardaram por alguma coisa, alguma palavra, mas ele parecia nervoso demais, ele se virou, ficando de costas para os pais e respirou fundo, precisava dizer, precisava contar, não aguentava mais esconder isso.
— Eu sou... Gay — sussurrou ainda nervoso, se virou novamente para encarar os dois e cerrou os punhos de tanto medo que sentia. — Eu sou gay.

Após isso o pai se levantou depressa e saiu caminhando em passos firmes até a cozinha, o pequeno Song olhou para a mãe e procurou algum sinal de quem também ia sair andando para longe, mas não viu nada, ela parecia apenas pensar bastante.

Caminhou com cuidado até ela e a viu virar o rosto bruscamente para encará-lo nos olhos, estava frente a frente com a mãe e só de pensar em alguma reação negativa suas pernas começaram a tremer, os braços dela o envolveram e o abraçaram, Zichen se curvou para corresponder o abraço e começou a chorar. Passaram um tempo assim até o garoto conseguir controlar o choro e resolver ir atrás de seu pai.

Ao entrar na cozinha pode ver o homem de costas para a porta, ele segurava um copo na mão e vez ou outra bebia o líquido que estava ali, Zichen bateu fracamente na porta, chamando a atenção dele e quando ele o encarou que se arrependeu imediatamente de ter ido atrás dele, de ter contado tudo. Ele jogou o copo com tudo no chão, ao lado de Zichen, ele o olhou com medo, mas não recuou.
— Pai... — começou a falar, mas foi interrompido por um grito vindo dele.
— VOCÊ NÃO É MEU FILHO — Ele pegou outro copo e atirou no mesmo lugar. — Você não é meu filho, meu filho não é... Essa coisa — As palavras feriram o garoto, se virou para a porta e olhou para a mãe, que olhava para si confusa e assustada.

Zichen tentava segurar as lágrimas e quando ia voltar a encarar o pai, ele agarrou outro copo e dessa vez o jogou em suas costas, sentiu muita dor e tentou gritar, mas não saiu nenhum som da boca.

Saiu correndo para o quarto, que ficava no andar de cima, sua mãe tentou ir atrás, mas caiu na escada enquanto subia, trancou rapidamente a porta e olhou para o espelho no guarda-roupa, pôde ver um pouco do sangue que cobria sua camisa. Aquela dor era imensa, mas Zichen não se importava, não doía mais do que ser rejeitado pelo próprio pai e ver como ele o encarava com ódio.

Puxou a camisa pra cima, tirando-a de seu corpo, resmungou um pouco com o tecido encostando-se ao corte, encarou a camisa com tristeza e com toda a sua força tentou rasgar a peça, mas não conseguiu, então atirou ela na cama.

O celular apitou novamente aquele dia, pegou o aparelho e viu outra mensagem de Xue Yang, que estava perguntando que barulho era aquele e, dizendo que estava subindo pela porta dos fundos. Ouviu uma batida na porta e correu até ela para destrancá-la e então viu o amigo ali, o puxou para dentro de seu quarto e trancou novamente a porta. Olhou para Xue sem saber o que dizer, com medo da reação do amigo, já havia perdido o pai, não aguentaria perder o amigo também.
— Zichen... Meu Deus, o que aconteceu para você estar assim? — O ouviu dizer ao se virar, imediatamente virou-se novamente, para Xue Yang não olhar para aquilo novamente. Antes que Zichen pudesse dar uma resposta, o Yang destrancou a porta do quarto e a fechou com cuidado, pensou em ir atrás dele, mas estava com medo de dar de cara com seu pai. Em alguns minutos a porta foi aberta de novo. — Sente na cama, eu vou cuidar de você — O obedeceu e se sentou na cama, ficando de costas para Xue, ouviu a porta ser trancada e passos se aproximando.

Resmungou ao sentir a toalha molhada no corte, Xue Yang ficou fazendo pressão por um tempo, enquanto isso levou a outra mão até os cabelos de Zichen e fez um carinho ali, como forma de confortá-lo. Beijou o ombro dele e pode vê-lo se arrepiar, com isso soltou uma risadinha. O tempo foi se passando e Xue retirou a toalha, vendo que havia ficado bem suja, ainda continuava a sangrar e isso o deixou preocupado.
— Zichen, eu acho que você deveria ir ao hospital, olha só, esse corte não é nada bom, por favor, me deixe te levar até o hospital — Pediu, mas Song Lan se afastou bruscamente do amigo e se virou para encará-lo.
— Não vou ao hospital, eu não preciso disso, eu vou ficar bem — Afirmou, não gostando nem um pouco e temendo a ideia.
— Mas Zichen...
— Eu já disse que não vou ao hospital, não tente me fazer mudar de ideia, não se meta nisso, Xue Yang, isso não é da sua conta — Disse com grosseria, se virando para não olhar para o rapaz.
— É assim que você vai me tratar, sério? — Colocou a mão na testa e suspirou, se sentindo irritado. — Então quer saber, você que fique aqui sozinho, perdi meu tempo tentando te ajudar — Batidas fortes foram ouvidas na porta junto com a voz do pai de Zichen, que gritava pelo garoto.

Xue Yang não entendeu porque ele estava com tanta raiva, mas também estava e não queria mais ficar ali com o amigo, então abriu a janela e pulou, deixando Song Lan sozinho.

 

03/07/2012

Zichen não sabia dizer quando o seu sangramento parou e nem quando havia caído no sono, mas gostaria que tudo fosse somente um sonho ruim, mas tudo indicava que aquilo tudo era a sua realidade, não tinha como escapar, e, mesmo assim decidiu que iria a escola e que iria encarar Xue Yang e pedir desculpas por ter sido um idiota. Com muito custo Song Lan conseguiu se vestir e colocou um casaco por cima.

Não carregou a mochila nas costas como de costume, carregou ela nas mãos. O caminho para a escola havia sido difícil e ver que Xue Yang não estava o esperando na porta de sua casa foi o suficiente para perceber que tinha cometido um erro dos grandes com o amigo.

Ao chegar à escola pode ver Xue no portão, conversando com um rapaz, começou a caminhar até ele, mas ao ser visto o Yang entrou imediatamente na escola, tentou ir atrás dele, mas era difícil com a mochila nas mãos o deixando mais lento.

Xue Yang fugiu muito de Zichen, evitou se sentar ao lado dele na sala de aula e sempre que o rapaz tentava levantar para ir falar consigo, Xue fingia que tinha alguma dúvida e ia falar com os professores.

Quando o intervalo chegou o Yang já havia saído correndo, sem dar tempo de Song Lan ir atrás, percebeu que era uma péssima ideia tentar se desculpar aquele dia, e, para facilitar a vida do amigo e não correr o risco de trombar com ele acabou por se trancar em uma cabine no banheiro, começou a chorar e quanto mais tentava segurar o choro, mais parecia que era difícil parar. O sinal tocou e resolveu sair da cabine, foi até as pias e viu o rosto no espelho, estava inchado e vermelho, ainda havia olheiras, respirou fundo e dessa vez conseguiu segurar o choro, molhou o rosto e se assustou ao ouvir alguém entrar no banheiro.
— Eu já vou sair, por favor, apenas me ignore — Levantou a cabeça para olhar quem tinha entrado e viu que era Xue Yang.
— Zichen... — Analisou a aparência do garoto e ao ver como ele estava péssimo correu para abraçá-lo. — Vai ficar tudo bem, eu estou aqui com você — O apertou e pode ouvir um gemido de dor vindo do amigo. — Me desculpe, esqueci que você estava machucado — Soltou o rapaz e depositou um beijo na bochecha dele.

 

O caminho até a casa dos dois foi em silêncio e eles andaram de mãos dadas, Zichen se sentia nervoso conforme chegava perto de casa, se sentia mais aliviado de não ter que carregar a mochila e não podia negar que estava um pouco amolecido por Xue Yang estar a carregando pra evitar que ele carregasse peso, ao chegarem perto de casa, Song Lan pegou imediatamente a mochila de volta e ia se afastar de Xue, para não o complicar também, mas ele segurou sua mão firmemente, não tendo medo nem quando o pai do rapaz apareceu e viu os dois daquela forma.
— Saia de perto dele agora, Xue Yang, mantenha distância dele — Ele disse com firmeza. — Entre em casa, Zichen, você só está me fazendo passar vergonha — Zichen se encolheu ao ouvir aquelas palavras serem proferidas.
— Você é um sem noção, você está tratando um ser precioso como esse dessa forma e não é como ele merece ser tratado, você é um ser sem alma, eu espero que você morra com seu próprio veneno, não ouse machucar ele novamente, ouviu bem? — Xue começou a dizer aquelas palavras para o mais velho em um alto tom de voz, Song Lan se sentia nervoso com tudo aquilo, mas sua mão continuava a ser segurada pelo amigo. — Te vejo amanhã, Zichen — E como despedida, ele depositou um beijo na bochecha de Zichen.


Notas Finais


A quem leu até aqui eu quero dizer meus parabéns porque eu chorei muito quando escrevi esse capítulo pela primeira vez e quase chorei agora enquanto reescrevia, eu queria um abraço de todos vocês nesse instante.
Vou deixar aqui um spoiler da paz que o próximo capítulo vai ter um momento feliz pra aliviar os nossos corações.


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