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História Caso 666 - Capítulo 4


Escrita por: , Fran_Cys e Buttercupp


Notas do Autor


Boa noite!
Primeiramente gostaria de pedir desculpas pela demora, sofremos um bloqueio gigantesco, enfim, estamos de volta e com uma pessoa maravilhosa a Fran (minha prima) que antes era beta e agora está escrevendo esta estoria junto com a gente, e sem ela esse capitulo não sairia.

Ah, perdoem-nos pelos possíveis erros encontrados, estamos sem beta agora.

Um beijo e vamos a leitura!
PriiUchiha
Fran_Cys
Buttercupp

Kah_9uchiha, amiga é todo dedicado à vc, um beijo!

Capítulo 4 - Conexão


“O grande dragão foi lançado fora. Ele é a antiga serpente chamada Diabo ou Satanás, que engana o mundo todo. Ele e os seus anjos foram lançados à terra”

Apocalipse 12.9

Conexão

O reflexo que o espelho exibia era de um homem de aparência completamente cansada e era exatamente assim que Sasuke Uchiha se sentia. As olheiras estavam gritantes, grandes bolsas sob os olhos demonstravam o quão pouco ele estava dormindo ultimamente. O cabelo bagunçado mostrava também o quão rápido ele saíra de casa aquela manhã já que o seu maldito despertador decidira não funcionar e seu celular estava completamente morto por ter esquecido de colocar no carregador.

O som da água que escorria da torneira do simples banheiro da delegacia era extremamente calmante para seus nervos, inspirando profundamente o moreno levou as mãos até a pia, esperando que juntasse água suficiente para jogar no rosto no intuito, inútil ele sabia, de espantar o cansaço. Levando as mãos úmidas aos fios negros, ele arrumou o máximo que pôde, dando uma aparência levemente desgrenhada, mas aceitável.

O caso no qual ele era o principal responsável, era o mais complicado entre todos de sua carreira e com certeza seria o mais emocionante quando fosse resolvido. Aquele desgraçado seria encontrado e ele teria o prazer de olhar nos olhos e dizer que ele finalmente não iria escapar da justiça, mas enquanto não acontecia, ele iria até o inferno para fazer isso acontecer.

Lavando o rosto mais uma vez, o moreno desligou a torneira, ajeitou os cabelos mais uma vez e seguiu para a sua sala através do corredor movimentado da delegacia mesmo que o dia tenha acabado de amanhecer. A porta de madeira com uma placa que continha o seu nome no final do corredor se aproximava a cada passo dado, era completamente gratificante fazer aquela caminhada, pois mostrava que o seu esforço foi recompensado e o orgulho que ele sentia ao ver seu nome naquela porta era algo indescritível. Deixando um leve sorriso aparecer em seus lábios finos, o investigador tirou a chave do bolso para destrancar a porta. Lá dentro, seus pertences permaneceram da mesma forma que ele havia deixado, um leve caos se encontrava sobre a mesa, seu MacBook  permanecia no centro, rodeado de papéis, todos casos do mesmo cara de locais diferentes, França, Japão, México, Brasil, Índia, Grécia... Ou esse cara excepcionalmente inteligente ou os responsáveis pelo caso eram extremamente burros. Não era realmente certo julgar seus colegas de profissão já que eles também estavam tendo dificuldades para descobrir o próximo passo do cara, mas ele descobriria tudo e o pegaria, ou ele não era Sasuke Uchiha.

 

- Parece que você está realmente dentro desse caso, hum? – O moreno ergueu os olhos dos papéis, que ele analisava pela quinta vez só essa semana, ao ouvir a voz suave de sua superior. – Encontrou algo a mais?

- Não. – Recostou-se na cadeira tirando os óculos de leitura do rosto. – Ainda não. – Suspirou analisando a mulher com seus espertos olhos ônix. Mesmo sempre impecável em seus terninhos, saltos altos e maquiagem no rosto, era perceptível que aquele caso também estava tomando um pedágio grande da mulher. Ela sofria mais pressão que qualquer um alí, ele sabia. – Então, o que temos para hoje?

- Aparentemente foi um crime doméstico. – Falou colocando uma pasta nova sobre a pilha de papéis que ele estava lendo. – Feminicídio. Já temos alguns depoimentos.

- Algum realmente confiável? – Perguntou abrindo a pasta tendo as primeiras informações da vítima.

- Foram depoimentos de vizinhos. Duas delas são realmente importantes. – Cruzou os braços recostando-se na cadeira em frente à mesa, aumentando assim o decote generoso. 

- E quem são?

- Senhor e senhora Heley. – Descruzou os braços e sentou-se na cadeira desconfortável que alí existia. Não sabia o que era pior, ficar em pé naqueles saltos enquanto a única coisa que seu corpo queria em passar horas em seu colchão macio, ou ficar naquela cadeira de baixa qualidade. Suspirou sentindo uma dor de cabeça chegando. – Joseph e Lucinda Heley disseram que ouviram barulho e gritos vindos do corredor 17 – Curvou levemente o corpo alcançando o documento nas mãos do investigador avançando algumas folhas para mostrar a parte das testemunhas. – Afirmam que um homem arrastou Amber Conway até o elevador e foi lá que se iniciaram as agressões físicas, mas de acordo com o que conseguimos, isso não é necessariamente verdade.

- Então não temos realmente nada concreto. – Os olhos inteligentes analisavam as informações a sua frente. – Deixe-me adivinhar. – Suspirou. Ele precisava de sua cafeína . – Todos acham que o suposto homem era o marido que fez tudo isso. – Voltou algumas páginas onde haviam os registros fotográficos do corpo espancado da mulher dentro do elevador.

- É o mais provável. – Recostou-se à cadeira cruzando os braços. – E o mais conveniente.

- Para uma sociedade que tem na cabeça que todos os maridos são culpados por esse tipo de coisa quando se é inexplicável... – Fechou o documento um pouco irritado. Era fácil ver tudo e colocar a culpa no pobre homem quando não se tinha nenhuma prova concreta. Era uma conclusão fácil e preguiçosa. – Não haviam câmeras no elevador? Corredores?

- Elas estavam desligadas.  Segundo a síndica, houve um curto circuito na noite passada. – A mulher coçou levemente os fios curtos demonstrando claramente que aquelas explicações lhe incomodavam. – Algumas delas foram danificadas além do reparo, outras tiveram que ser desligadas para não danificarem ainda mais até a chegada do eletricista.

- Isso é muito conveniente. – Suspirou colocando os óculos que ainda segurava sobre a pilha de papéis. – E talvez o senhor Philippe Conway tenha sabotado-as para que pudesse agir nessa manhã, levando todo o departamento envolvido a crer que foi tudo premeditado.

- Todo mundo tem problema familiar. – Konan comentou notando o sarcasmo completo nas palavras do seu melhor agente. – Isso não pode ser negado.

- Ah, vamos lá Konan. – Ele resmungou revirando os olhos. Tratar a sua superior pelo primeiro nome era completamente anti-profissional, mas ela não se importava. Até parecia gostar. – Até você acha que está tudo fácil demais.

- Não realmente fácil porque o marido está desaparecido, mas sim. – Olhou para a janela que existia no lado direito da sala. – Amber era uma mulher forte e determinada, entretanto, não sabemos o que ela se vinha guardando todos esses anos. – Murmurou. – A morte dela significa uma enorme perda para justiça americana. – Voltou seus olhos amendoados para o investigador a frente. – Gostaria de ter tratado alguns assuntos com ela.

- Sobre um caso semelhante ao 666? – Perguntou olhando fixamente a mulher a sua frente. – Quem nomeou o meu caso assim afinal?

- Foram os recrutas. – Falou achando graça na lógica deles. Eram novatos, o que poderia fazer? – Segundo eles, o assassino é como alguém vindo do próprio inferno. – Soltou um riso curto. – Na cabeça deles faz sentido.

- Não estão realmente errados. – O moreno riu de forma amarga. – Eu lembro vagamente desse caso, eu era apenas um novato na época, não havia muita informação para novatos. – Cruzou os dedos com os cotovelos apoiados nos braços da cadeira. – Ela foi a delegada a frente do caso, certo?

- Exato. – Esticou o corpo um pouco, preparando-se para levantar e voltar ao trabalho. – Não me aprofundei muito nesse caso, mas farei algumas pesquisas e ligações a respeito. – Ele acenou vagamente abrindo a pasta do caso Conway na página das testemunhas mais uma vez. Tudo aquilo era muito vago e ele não iria confiar apenas em um casal de idosos como as testemunhas principais. Não o entendam mal, ele os respeitava e acreditava que eles ouviram alguma coisa, mas eram idosos, ele se lembrava bem de como sua avó confundia as coisas que ouvia quase cem por cento das vezes.

- Acho que deveríamos seguir para o interrogatório, tenho quase certeza que tudo isso. – Ergueu a pasta do seu novo caso. – Tem ligação com aquele filho da puta.

- Hoje é o dia que o Naruto começa o serviço de campo, certo? – Perguntou erguendo-se e observando Sasuke fazer o mesmo.

- Sim. – Passou a resmungar. – Aquele idiota fica anos na necropsia para, de uma hora para outra, querer ir a campo. – Juntou todos documentos sobre a mesa e seguiu porta a fora. – Não sei como a Hinata aceitou essa decisão estúpida. – Abriu a porta e segurou-a para que Konan passasse. Ele era um cavalheiro em primeiro lugar. – Ele pode danificar alguma coisa.

- Você está apenas nervoso pelo seu melhor amigo. – Konan achava graça daquela situação e não conseguiu segurar o riso curto ao ver e ouvir o homem resmungar enquanto trancava a sala. – Leve-o que eu irei procurar mais sobre os casos que Amber se envolveu nos últimos anos.

- Diretora. – Temari, que vinha se aproximando pelo corredor cumprimentou a mulher pouco antes dela sair. – Sasuke, Shikamaru está esperando por você.

 

Ter Shikamaru em sua equipe foi uma grande conquista para Sasuke, afinal aquele preguiçoso tinha uma mente brilhante e eles dois pensava bem juntos.

 

- Você viu o Naruto? – Perguntou caminhando com a loira ao lado.

- Está com a Hinata no necrotério.

- Você poderia buscá-los, Temari, por favor? – Pediu pouco antes de abrir a porta da sala de interrogatório. Ele sorriu levemente em agradecimento quando a loira mudou a direção. – Shikamaru. – O homem balançou a cabeça em reconhecimento, não movendo-se da posição, apoiado à mesa. Aquela sala era intimidadora até mesmo para ele. Um quarto espaçoso de paredes completamente brancas, uma luminária no meio do local, acima de uma mesa metálica com um como e uma jarra de água no centro dela, de uma lado haviam duas cadeiras também metálicas, do outro havia uma solitária onde abaixo da mesa tinha um metal envergado no chão com uma corrente unida a ela, claramente para prender os suspeitos e no lado esquerdo, a meio metro do chão, um espelho que tomava a parede de uma ponta a outra onde ele sabia que seus colegas estariam olhando e ouvindo tudo do outro lado, na parte de trás da sala, podiam-se ver uma câmera branca como as paredes, gravando tudo o que alí acontecia. Não era visto e quem não trabalhava naquele prédio não saberia, mas haviam microfones embutidos, escondidos nos quatro cantos da parede e um grudado sob a mesa metálica, eles conseguiam escutar e gravar tudo.

- Vamos começar? – Shikamaru perguntou. – Elisabeth Ourm mora no apartamento ao lado do casal Conway ,ela é a nossa primeira testemunha e já está esperando.

- Um momento, pedi para a Temari chamar a Hinata e o Naruto.  – Colocou os documentos em mão sobre a mesa.

- Ah, sim. – Murmurou o Nara em claro tédio. – Ele começa a ir à campo e você tem medo de que ele estrague tudo. – Revirou os olhos. – Ele é incrivelmente inteligente, apesar das brincadeiras e comentários idiotas. Me  surpreendi com as notas dele.

 

Antes de o Uchiha falar alguma coisa, três batidas na porta foram ouvidas pouco antes de uma cabeça loira aparecer. Naruto Uzumaki havia deixado sua expressão brincalhona em casa dessa vez, ao que parecia. Ele vestia calças jeans pretas, tênis também escuros e camisa social branca, seus cabelos ainda continuavam bagunçados, mas já não existia o olhar risonho, os olhos azuis carregavam uma sombra de inconformidade, os lábios em uma linha fina e os punhos cerrados mostravam o quão irritado ele estava. Atrás dele, Hinata parecia ter uma expressão semelhante ao marido, com as mãos nos bolsos do jaleco tentando mantê-las quietas.

 

- Vocês não estão com uma cara boa. – O Nara apontou o óbvio.

- As agressões no corpo da Amber foram de um nível que eu nunca vi. – Naruto comentou desfazendo os punhos e colocando uma mão reconfortante nas costas da esposa, sentindo-a recostar-se levemente e suspirar. Eles estavam no local de trabalho, sabia que afeto físico não era permitido, mas fodam-se todos. Ela era a esposa dele, ela sofreu abusos físicos e mentais na infância e começo da adolescência, os abusos que aquela mulher sofrera desencadearam lembranças que ela havia a tanto tempo conseguido enterrar no fundo da sua mente, então ela ficou completamente agitada quando isso aconteceu. Virou-se para a mulher segurando o rosto delicado entre suas mãos grandes. – Hey. – Chamou-a, ignorando os colegas na sala e os outros que estavam vendo e ouvindo atrás daquele espelho, fazendo com que os olhos perolados fitassem os seus azuis. – Você está segura. – Beijou-a na testa, deixando os lábios ainda lá sobre a franja. – Nós vamos encontrá-lo. – Separou-se e olhou-a novamente ao sentir a respiração baixa e trêmula sair dela. – Você está segura. Eu nunca vou deixar nada acontecer com você, Hina. – Colocou uma mecha do longo cabelo preto-azulado atrás da orelha. – Nem que eu arrisque a minha vida, entendeu? – Ela segurava as lágrimas, ele podia ver. – Entendeu?

- Ok. – Murmurou fechando os olhos e respirando fundo, obrigando seu corpo e seu cérebro a funcionar direito. – Obrigada.

- Eu te amo. – Juntou as testas enquanto acariciava as bochechas claras com o polegar. – E vou proteger você.

- Eu sei e eu te amo. – Um sorriso apareceu nos lábios rosados, fazendo os olhos azuis do loiro brilharem de felicidade, mas logo uma careta tomou sua feição quando a mulher se afastou pigarreando pouco antes de olhar para os dois homens que permaneciam calados próximos a mesa metálica. – Me desculpem.

- Você está bem? – Sasuke perguntou genuinamente preocupado. Ele conhecia a história dela, sabia sobre os terrores noturnos que ela tinha e o quanto Naruto lutou para ajudá-la a superar tudo. – Tem certeza que quer continuar nesse caso conosco?

- Sim. – Respondeu quando Naruto afastou-se, mas ainda deixando a mão descansar em suas costas, trazendo um conforto que ela era agradecida. – Você nos chamou. – Aproximou-se fazendo o marido seguir junto. – O Naruto eu posso entender.

- Você está bem com isso? – Perguntou o Uchiha. Ele não precisava explicar, ela sabia sobre o que era e por isso ela lhe sorriu ao ouvir a pergunta. – Corremos perigo constante.

- Corremos perigo constante até mesmo tomando banho, Sasuke. – Ela respondeu divertida, fazendo Naruto rir enquanto colocava a mão esquerda no bolso da calça e rodeava a sua cintura com a direita. – É o sonho dele. Sempre foi. – Olhou para o loiro ao seu lado, vendo-o olhar para ela com carinho. – Ele deixou de lado por mim, para eu me sentir segura e eu o amo a cada dia mais por isso. – Olhou para o amigo novamente. – Mas eu não posso ficar no caminho dele mais.

- Hinata, você não...

- Eu sei que você não acha isso. – Respondeu ela interrompendo o loiro, ainda sem tirar os olhos do Sasuke. – Conversamos muito sobre isso, antes de ele falar com vocês, antes mesmo dele fazer todos aqueles testes novamente e eu estou bem com isso. – De repente a expressão de esposa doce e apoiadora mudou completamente, dando lugar a uma expressão sombria. – E eu tenho plena certeza que vocês sempre protegem uns aos outros, certo?

- Sim, claro. – Os três homens na sala responderam ao mesmo tempo, todos sentindo um frio subir pela espinha. Era até engraçado, três homens altos e fortes, temendo uma mulher baixinha e de corpo delicado.

- Ótimo. – Respondeu sorrindo levemente, voltando a ter aquele olhar doce no rosto, fazendo um suspiro sair dos lábios másculos. – Vou deixar vocês trabalharem, tenho que esperar os resultados da autópsia de Amber.

- Não hesite em me ligar, está bem? – Naruto virou-se, encarando os olhos claros, falando pelos seus próprios que ele largaria tudo por ela sem pensar duas vezes e, pelo sorriso que ela lhe apresentou, entendia e apreciava isso. – Qualquer coisa.

- Eu estou bem, prometo. – Beijou-o no rosto e virou-se para os outros dois. – Estarei no laboratório se precisarem de mim.

- Ela está mesmo bem? – Shikamaru perguntou assim que Hinata fechou a porta ao sair. Ele não sabia tão bem quanto Sasuke o que a mulher havia passado, mas sabia o suficiente.

- Ela vai ficar. – Respondeu o loiro colocando as mãos de volta aos bolsos da calça. – É melhor para ela estar trabalhando do que sozinha em casa. – Suspirou. – E eu prefiro que ela esteja aqui, de qualquer maneira, próxima de pessoas que se importam com ela.

- Então vamos esquecer e ignorar o fato de que uma mulher de um metro e meio assustou três homens de mais de um metro e sessenta apenas com o olhar. – Nara continuou, aliviando o clima sombrio, coisa que não era do feitio dele. – Que irritante.

- Então você tem certeza? – Sasuke mudou de assunto, olhando para o loiro e tendo um aceno positivo. – Ótimo, esteja preparado porque você irá comigo assim que sairmos.

- Não irão precisar de mim agora, eu imagino? – Perguntou o loiro.

- Não por enquanto. – O Uchiha respondeu sentando-se em uma das cadeiras.

- Ficarei de olho em tudo através do espelho enquanto isso. – Virou-se para sair, mas parou ao ouvir o Nara.

- Pode pedir para a senhora Ourm entrar?

 

Enquanto Naruto seguia para trazer a primeira testemunha, os investigadores voltaram a olhar as pastas que continham, especificamente as fotos da vítima . Eram cenas grotescas e Sasuke não ficara admirado por Hinata ter tido aquela reação. Alí continham 10 fotos e cada uma era pior que a outra.

Na primeira foto se via o elevador aberto, o piso outrora limpo, estava com uma enorme poça de sangue. Marcas de mãos ensanguentadas nas paredes mostravam claramente que a vítima tinha lutado muito com o seu agressor, mas de nada havia adiantado, já que a mulher não sobrevivera. A segunda foto, mostrava o corredor, marcas de pés sangrentos por todo o chão, rastros, pegadas, gotas de sangue de um lado a outro.

A terceira já começava a mostrar as cenas grotescas, mostrava o corpo quebrado de Amber contorcido contra a parede do elevador, o olho castanho fitava o teto sem realmente ver nada, o rosto ensanguentado mostrava o horrível corte da têmpora esquerda até o queixo, parecia fundo o suficiente para chegar ao osso, mas não podiam saber com exatidão de acordo com aquela foto. O nariz estava torto, claramente quebrado, o olho direito estava fechado de tão inchado, uma massa de carne avermelhada do tamanho de uma bola de golfe escondia uma parte da sobrancelha. A mandíbula um pouco frouxa, mostrava dois dentes quebrados, ela estava deslocada com certeza. No pescoço fino mostrava marcas de dedos levemente enrugadas, demonstrando que o canalha havia usado luvas. Isso só focando no rosto dela.

A próxima foto, a que mostrava o corpo, fazia o sangue do Uchiha ferver. Aquele desgraçado... Ele iria encontrá-lo, com certeza. Aquela quarta foto mostrava o corpo contorcido. Os pulsos tinham marcas roxas, onde as amarras tinham ficado quando os pulsos ainda estavam inteiros. Agora mostrava um corte entre o dedo indicador e o pulso, onde o sangue tinha jorrado em abundância.  O outro pulso não dava para ver, estava atrás das costas da pobre mulher, mostrando o ombro também deslocado, mas tinham a sensação de que o estado estava o mesmo. Três unhas da mão que estava amostra aparente haviam sido rudemente arrancadas, assim como as dos pés, sendo que em um dos pés faltava um dos dedos, o que estava torto em um ângulo que não era humanamente possível. As roupas rasgadas, especialmente a saia, dava a entender que ela havia sido estuprada também, mas a certeza só quando Hinata trouxesse os exames da biópsia, mas isso era quase óbvio, mesmo ela não sendo realmente o tipo que ele escolhia para isso, segundo os casos anteriores.

 

- Esse filho da puta! – Sasuke olhou para o lado ao ouvir a exclamação, seu colega, o sempre calmo e racional Shikamaru, estava rangendo os dentes na intenção de se acalmar.

- Vamos pegá-lo. – Sasuke falou fechando a pasta. Não queria ver o restante das fotos. Ele sabia que duas eram do apartamento da vítima e o restante era do corpo dela de forma mais detalhada. – Precisamos nos acalmar. – Falou pouco antes de ouvir o som de batidas na porta pouco antes de a cabeça da Temari aparecer.

- Posso mandá-la entrar? – Perguntou após ver as expressões dos dois. – Ou precisam de um minuto?

- Quantas pessoas têm lá, Temari? – Perguntou antes de responder a pergunta da colega.

- Três. – Respondeu olhando para trás dela e falando algo, provavelmente para a senhora que a acompanhava. – A senhora Ourm, uma camareira e o porteiro.

- Shikamaru? – Perguntou ao jovem a seu lado, vendo-o respirar fundo três vezes antes de acenar com a cabeça. – Pode trazê-la, Temari. Obrigado. – Afastando os documentos para o canto da mesa, Sasuke olhou uma senhora lentamente entrar na sala, ele colocou um leve sorriso nos lábios para trazer um pouco de leveza para aquele interrogatório. Ela era uma senhorinha de mais de 70 anos, tinha olhos verdes gentis. Ela não precisaria da dureza que ele normalmente usava. – Bom dia, Senhora Ourm. – Ergueu-se, foi para o outro lado e puxou a cadeira ajudando a mulher a se sentar. – Sinto muito por tirá-la de casa.

- Oh, tudo bem, meu filho. – Respondeu a senhora aceitando a mão estendida para ajudar a se sentar. – Não é o meu programa preferido, mas prefiro estar aqui enquanto o corredor em frente a minha casa é uma cena de crime.

- A senhora está bem para conversarmos? – Shikamaru se fez presente enchendo um copo com água e oferecendo a mulher idosa enquanto Sasuke voltava a sentar-se ao seu lado.

- Sim, eu já vi e ouvi muita coisa nessa minha vida, mas nada como aquilo. – Murmurou a senhora aceitando a água e bebericando um pouco. Mesmo não demonstrando exatamente, eles sabiam que ela estava nervosa. – Eu sei o que todos estão pensando. – Ela colocou o copo sobre a mesa, mas sem largá-lo. Os dedos enrugados apertavam o vidro firmemente. – Estão errados.

- Sobre o que exatamente, Senhora Ourm? – Sasuke perguntou, seus olhos negros brilhando.

- Todos pensam que o Philippe a machucou. – Ela ergueu os olhos claros. – Eu os ouvi. Os jovens policiais, quero dizer. – Shikamaru analisava atentamente a mulher, na intenção de encontrar alguma falha, algo que demonstrasse que mentia. – Todos estão errados. Ele beijava o chão que ela pisava. Ele era o homem mais gentil que eu tive o prazer de conhecer. – Sorriu levemente. – Bem, depois do meu querido Arthur.

- Quem seria Arthur? – O Nara perguntou.

- Meu falecido marido. – Suspirou pouco antes de franzir as sobrancelhas alvas. – Não pensem que eles não tinham brigas, pois eles tinham. E às vezes eram realmente ruins porque quando passávamos pela porta conseguíamos ouvir e eram horríveis, mas eles sempre conseguiam se acertar. – Sorriu mais uma vez. – Eles conseguiam encontrar o caminho de volta um para o outro. – Fez uma careta, mostrando sua insatisfação. – Ele nunca seria capaz de levantar um dedo para machucá-la.

- E como a senhora pode ter certeza disso? – Sasuke perguntou, recostando da cadeira e cruzando os braços. Talvez aquela senhora lhe dê mais informações do que ele imagina.

 

 [......]

Ele estava naquele cômodo pequeno que existia atrás do espelho da sala de interrogatório há exatamente quatro horas e meia. Logo quando chegou haviam 5 pessoas nas quais ele disse um “olá” educado postando-se próximo a parede de vidro. Ao lado dele, um rapaz com fones de ouvido, policial John Smith se ele lembrava corretamente, um gravador sobre uma pequena mesa, um bloco de notas e caneta em mãos, provavelmente ouvindo mais atentamente a conversa que se passava na sala para anotar os fatos importantes. Havia um de seus colegas lá, o Chouji que estranhamente não estava com o seu fiel saco de batatinha, com os olhos fixos na sala. Os outros... Bem, os outros eram recrutas que ele não dava realmente importância para conhecer, não agora ao menos.

O loiro ouvia tudo atentamente, o depoimento da senhora Ourm e como ela defendeu bravamente a inocência de Philippe Conway apenas reforçava a sua teoria de que o marido da delegada não era o responsável pela atrocidade do caso que eles tinham em mãos.

A camareira tremia um pouco, olhando para os lados a cada segundo. Para quem era inexperiente, diria que ela tinha algum envolvimento, mas ele sabia que ela só estava assustada. Ele lembrava muito bem de como Hinata ficava assustada com poucas coisas logo quando se conheceram. A camareira talvez tenha tido algum tipo de trauma na infância ou presenciou alguém sofrendo abuso, o caso é que eles realmente não saberiam e ele não estava muito a fim de se aprofundar nisso.

O Uzumaki lembrava muito bem do medo que se apossou do seu coração quando aquele caso chegou ao departamento. O medo de que Hinata desencadeasse as lembranças da sua vida, eles tentaram deixar ela afastada, oh, como ele tentou, mas aquela mulher era teimosa como uma mula e recusou-se a ser deixada de fora. Ela não demonstrava realmente o quanto sentia ao ler os relatórios das autópsias dos casos passados, ao analisar os corpos que chegavam a sua sala, porém ele sabia, por isso fazia coisas idiotas para ela rir e tirar aquele olhar sombrio do rosto, então sempre se surpreendia ao notar o quanto sua esposa era forte, lidando com tudo com extremo profissionalismo e analisando tudo com aquele cérebro incrível dela. Entretanto, algo no caso a Amber a afetou. Talvez foi ver que haviam 4 costelas esquerdas quebradas sob um grande hematoma roxo no corpo da mulher ou o corte profundo que ela tinha próximo ao rim ou então as marcas de dedos ao redor do pescoço inchado.

Ele havia notado uma cicatriz fina e muito clara próxima ao seio direito na primeira vez que dormiram juntos, mas ele teve o tato de não perguntar. Naruto não havia presenciado exatamente as agressões que a esposa sofrera, mas em um ataque de pânico que ela teve quando haviam completado pouco mais de um ano de namoro, ela lhe contou tudo. Ele sentiu tanta raiva que pegou um vaso mais próximo e jogou-o contra a parede, assustando-a no processo. O loiro ainda não sabe o que realmente o trouxe de volta da raiva assassina que ele sentira ao imaginar o que a delicada mulher sofrera. Talvez foi o gemido assustado que vinha dela ou a maneira que seu corpo tremia, ele pedira desculpas diversas vezes ao se aproximar dela e abraçá-la. Garantindo que estavam bem. Naquela noite, foi a primeira vez que ele havia prometido protegê-la, naquela noite, com ela dormindo calmamente sobre o peito dele, o loiro havia decidido mudar seu foco profissional. Foi por ela e sempre seria por ela.

 

- Estão demorando. – Àquela voz conhecida se fez soar, fazendo com que ele saísse de suas lembranças. Olhando ao redor, notara que agora só haviam ele e o policial Smith. O jovem investigador estava tão absorto no interrogatório a sua frente e também em suas lembranças passadas que não notou os outros saírem. – Quantos já foram?

- Esse é o último. – Respondeu sentindo a mulher se aproximar após fechar a porta de vidro. – A senhora Ourm nos falou muito sobre a natureza pacífica de Philippe. – Olhou para a esposa ao lado e deu um sorriso divertido. – Eu acho que ela assustou o Shikamaru um pouco lá. É bem enérgica para uma senhoria de mais de setenta anos. – Voltou seu olhar para a sala após ouvir o riso curto da mulher. – A camareira, Rin Nohara estava claramente assustada com tudo, então acredito que ela está em choque pelo que viu no apartamento. – Olhou para a esposa pelo canto do olho, só por garantia.

- Eu não vou quebrar, você sabe. – Ela murmurou sem nem ao menos tirar os olhos claros dos amigos com a última testemunha. – E esse quem é? – Mudou de assunto ao ver Sasuke erguer-se a bater na mesa levemente em um óbvio ato de assustar o homem sentado para tirar mais informações. – Sasuke está sendo um pouco duro demais, não?

- Esse é o porteiro, Asuma Sarutobi. – Naruto estreitou os olhos, analisando bem o comportamento do homem em questão. – Ele está agitado desde que apareceu aqui. – Colocou ambas as mãos no pequeno corrimão que havia próximo ao espelho. – Ele está escondendo alguma coisa.

- Claramente ele não é o assassino. – Hinata falou cruzando os braços. – Pode saber alguma coisa, mas não tem ligação alguma com o caso da delegada Amber, caso contrário ele não teria vindo aqui.

- Talvez ele queira fazer com que pensemos exatamente isso.

- Tendo essa atitude? - Olhou para o marido ao seu lado. – Eu duvido. Ele não é responsável assim como o Philippe também não é o culpado.

- O que? – Naruto olhou para a esposa atordoado. – O que você descobriu?

- Você vai se surpreender. – Hinata suspirou descruzando os braços, colocando as mãos nos bolsos do jaleco virando-se de frente para o loiro. – Na verdade eu queria falar com vocês antes de saírem, assim que eles acabarem. – Indicou rapidamente os investigadores na outra sala com um movimento rápido de cabeça. – Venham até o laboratório 7 e preparem-se para algo chocante.

[...]

Sasuke estava com a mente fervendo. Ele não tivera realmente muita informação sobre o assassinato em si, mas tinha reforçado a teoria de que o senhor Conway era inocente. A camareira Nohara falou, em meio a uma voz trêmula, o que ela tinha visto ou pensado que havia visto, alguém em choque era difícil de decifrar toda a enxurrada de palavras. Entretanto aquele porteiro, Asuma Sarutobi, ele sabia de alguma coisa, sabia de alguma coisa e não queria falar. Se ele havia sido pago ou apenas estava se protegendo, não saberia dizer. Agora, para dificultar, ele tinha esse pressentimento, Hinata queria falar com eles antes de saírem.

- O que exatamente a Hinata falou, Naruto? – Perguntou esticando o pescoço fazendo-o estalar, aliviando a tensão que ele sentia. Não era ainda meio dia e ele precisava de mais cafeína em seu sistema.

- Ela não falou muito. – O investigador respondeu, observando o pequeno caos daquele departamento enquanto seguiam pelo corredor até a sala designada. – Disse que Philippe Conway é inocente e que Asuma Sarutobi não tem nada a ver com o caso, não como imaginamos, ao menos. – Bagunçou levemente os fios loiros. – Disse que tem algo chocante para nós.

- Mais um assunto complicado dentro de um caso complicado que faz parte de um caso ainda mais complicado. – Shikamaru resmungou colocando as mãos nos bolsos. – Eu constantemente me arrependo desse trabalho.

 

Ignorando completamente o colega ao lado, Sasuke tentava imaginar o que Hinata havia descoberto. Alguma pista sobre o assassino? Alguma coisa nos casos antigos que ninguém havia notado? Só esperava que fosse algo que levassem a conclusão desse caso, não algo que o deixasse ainda mais complicado.

Virando a esquina, notaram Konan já na sala, através da porta de vidro aberta. Se a superior deles estava lá haviam duas opções. Um, a situação havia se complicado ou dois, ela havia encontrado algo relevante sobre o caso que a delegada trabalhara antes. Ele esperava muito que fosse o último.

O laboratório 7 era relativamente grande para caber a série de computadores e telas grandes dentro dele. A parede no fundo da sala era revestida por fios e tomadas que conectam aos computadores, gravadores e telefones. Haviam alí 4 computadores diferentes, um deles podia ver números verdes passando rapidamente pela tela preta, provavelmente decodificando alguma coisa. No outro havia imagens de DNA, eles não tinham nenhum do assassino então ele sabia que aquilo era só um plano de fundo, indicando que naquele computador apareceriam os das vítimas que eles tiveram até agora, um relatório completo sobre elas. No terceiro computador, mostrava imagens do casal Conway chegando em casa duas noites antes do acontecido, imagens das câmeras de segurança antes de darem defeito. E por último, o quarto computador mostrava imagens do estado que se encontrava o apartamento da vítima. Em frente aos computadores, sentado em uma cadeira preta, estava Neji Hyuga. O que todo o departamento não conseguia fazer naquelas máquinas, o rapaz fazia em segundos e de olhos vendados, era fascinante vê-lo trabalhar, invadindo sistemas altamente protegidos, decodificando imagens impossíveis de decifrar. Ele era um gênio da tecnologia.

Na parede do lado direito, havia um grande mural. Nele continha todos os casos ligados ao 666. No centro do mural, havia uma folha impressa com uma silhueta negra com uma interrogação branca bem no centro, indicando que alí seria a foto do assassino. Várias setas seguiam daquela imagem impressa para as fotos de vítimas ao redor, as fotos das vítimas tinham setas levando até imagens de locais e relatório médico com pequenas observações escritas aqui e alí também em vermelho. Aquele painel era um pequeno caos, mas ajudava muito aos investigadores do caso a ter novas informações e novas possibilidades de sucesso.

No centro da sala, havia uma grande mesa de vidro reforçado, mostrando várias fotos impressas da cena do crime, nenhuma do corpo da vítima, mas sim de todo o lugar que ocorrera o crime. Imagens detalhadas, imagens que ele ainda não havia olhado com a devida atenção por dar prioridade às testemunhas que precisava interrogar. Fotos do quarto do casal mostrando a cama bagunçada e coisas caídas ao chão, a sala um completo caos com manchas de sangue até mesmo em alguns locais da parede, imagens do corredor mostrando as pegadas sangrentas de vários ângulos, fotos grandes das pegadas, marcas de mãos pela parede do corredor e por fim, a foto de dentro do elevador.

As cadeiras ao redor da mesa eram muito mais confortáveis que a da sala de interrogatório, até mesmo que a da sua própria sala e isso fazia com que Sasuke só deixasse seu corpo cair sobre uma delas e relaxar por algumas horas, mas deixou a ideia no fundo do seu cérebro ao ver Hinata ligar a tela enorme na parede esquerda da sala.

- Naruto, poderia fechar a porta, por favor? – Hinata pediu pegando o controle e configurando a enorme TV, que tomava metade de uma das paredes da sala, para sincronizar com os computadores. Eles entendiam o pedido dela, estava um barulho enorme lá fora e precisava abafar um pouco o som para que pudessem conversar. – Aconselho todos a se sentarem.

- Isso é mistério demais para um caso já complicado, Hinata. – Shikamaru suspirou sentando-se e sendo seguido pelos demais.

- Conseguiu alguma informação, chefe? – Sasuke perguntou a Konan, observando a mulher afastar a cadeira para sentar-se do outro lado da mesa.

- Não. – A mulher suspirou erguendo as mãos para massagear as têmporas. Estava começando um inferno de uma dor de cabeça. – Liguei para os meus contatos sobre o caso que a Amber tinha acesso, mas estranhamente todo o arquivo era vago. – Apertou os olhos com o polegar e o indicador na tentativa de se concentrar. – Me disseram que não haviam muita informações, o que é realmente um problema para nós, levando em conta de que ele parece ter ligação com o caso 666. – Abriu os olhos, fitando um ponto qualquer da mesa a sua frente. – Para não dizer que não tive absolutamente nada, recebi algumas imagens no meu e-mail e não me pareceu ser o mesmo cara.

- E por que acha isso? – Naruto se pronunciou, tentando fazer seu cérebro trabalhar com as poucas informações que tinham até agora.

- O método que ele usou foi diferente. – Konan ergueu a cabeça para encarar o loiro. – E a vítima não era exatamente inocente. – Antes que um de seus agentes abrisse a boca, ela ergueu um dedo pedindo para que eles ficassem calados. – Não havia relatório de estupro, apenas tortura. A vítima tinha uma ficha na polícia por abuso de menor. A filha dela, pelo que entendi, a acusou de espancá-la e o irmão menor com certa freqüência sempre que estava bêbada. – Cruzou os braços e as pernas, dando ainda mais um ar de superioridade vestida naquele terno. – O assassino apenas... Torturou a mulher até a morte.

 - Uma vingança pessoal, então? –Naruto perguntou.

- Não exatamente. – Konan respondeu. – Olhando as imagens que mandaram e o escasso relatório, lembrei de um caso que um amigo meu havia assumido, entrei em contato com ele e havia me informado de mais 5 outros casos semelhantes a esse. Mesma metodologia, as pessoas torturadas sempre tinham ficha da polícia por agressão, seja sexual ou mental.

- O que esse cara pensa que é? – Sasuke perguntou de forma retórica. – Uma espécie de justiceiro?

- Poderia ser uma mulher? – Hinata perguntou de repente, sentindo os olhos do marido sobre si, mas o ignorando completamente. Ela bem sabia que uma mulher tem mais astúcia para abuso psicológico que um homem.

- Não. – Konan respondeu. Ela, como chefe daquela equipe, também sabia sobre o que a mulher havia sofrido, na verdade todos daquele departamento sabiam, nenhum deles tão profundamente quanto o Naruto, por ser o marido dela ou o Sasuke, por ser amigo de infância, mas ainda assim, sabiam. – Haviam vítimas masculinas que sofreram golpes que deixaram grandes hematomas e uma mulher não teria aquela força.

- Teria se sofresse crises de esquizofrenia. – Naruto comentou.

- A força, sim... – Konan concordou. – Mas não o controle de fazer tudo de forma metódica, sem deixar nenhuma pista. – Suspirou recostando-se na cadeira. – E pessoas esquizofrênicas sofrem alucinações então fazer algo tão organizado não seria exatamente possível.

- Certo, então temos mais um homem na lista. – Sasuke falou no intuito de terminar o assunto. – O que exatamente você descobriu, Hinata?

- Antes de eu falar alguma coisa, quero que olhem com atenção essas imagens. – Hinata olhou para Neji do outro lado da sala e acenou com a cabeça. Em instantes na enorme tela atrás da mulher apareceram quatro imagens de pegadas, duas do pé direito e duas do esquerdo. – Me digam o que vêm aqui.

- Vai nos fazer pensar, hum? – Shikamaru resmungou, mas já olhando atentamente as imagens.

- Você tem um cérebro brilhante, use-o. – Hinata falou divertida, fazendo um leve sorriso aparecer nos lábios de Konan e Naruto. Dando alguns minutos para que eles analisassem as imagens e notassem o que ela notou, seu corpo vibrava de ansiedade. Quem iria descobrir primeiro? Sasuke ou Shikamaru?

- Espera um segundo. – Para a surpresa de todos, Naruto murmurou erguendo-se a aproximando-se da tela. – Essas pegadas são diferentes. – Falou o loiro apontando para as duas pegadas do lado esquerdo. Ele podia ver Hinata pular levemente sem sair do chão. Ela agia como uma criança excitada por doce, às vezes. – Estou certo?

- Sim! – A mulher abriu um sorriso. – Você me surpreende.

- Tenha um pouco mais de fé em mim, mulher! – Ele resmungou fazendo-a rir ao mesmo tempo em que Sasuke revirou os olhos.

- Como as pegadas podem ser diferentes? – Konan perguntou pegando as duas imagens que estavam sobre a mesa para olhar melhor.

- Porque não são da mesma pessoa. – Shikamaru falou espantado ao notar o que Hinata havia descoberto. – PORRA!

- Sim. – Hinata confirmou. – Ele tem um cúmplice.

- Como é que é?

- O que?

- Mas que inferno!?

Sasuke, Konan e Naruto falaram ao mesmo tempo, nesta ordem, os três com expressões de descrença em seus rostos.

- Como assim um cúmplice? – Sasuke perguntou exasperado, bagunçando ainda mais os cabelos negros. – Ele trabalha sozinho!

- Bem, não mais. – Hinata suspirou. – Ao menos não é o que as imagens dizem. – Olhem bem. – Apontou as imagens nos pés direitos. Vê como uma imagem tem mais quantidade de sangue que a outra? A profundidade, eu quero dizer. – Eles assentiram em concordância. – Isso significa que um é mais pesado que o outro. Usar a mesma marca de sapato e o mesmo tamanho é genial, mas se seu pé não é do tamanho do sapato que você usa, uma parte dele não vai sofrer pressão. Não tanto quanto as partes que recebem diretamente o seu peso.

- E mesmo se cogitarmos de ele estar carregando um corpo, as pegadas deveriam ter um padrão a ser seguido. – Shikamaru falou olhando fixamente para mais 4 sequências de fotos que Neji jogara a mais na tela. – E neste exato momento, estamos vendo dois padrões de passadas aqui. – Levantou-se para olhar mais de perto. Não iria fazer diferença, mas estranhamente, seu cérebro trabalha melhor quando ele se movia. – Há passadas mais largas... Então isso significa...

- Que um é mais alto que o outro. – Hinata concordou com o colega. – O que me faz pensar que, se o senhor Philippe Conway não apareceu, ele presenciou toda a cena.

- Então se ele ainda não está morto, será em breve. – Konan respondeu largando as imagens bruscamente sobre a mesa. – Estamos correndo contra o relógio.

- Ele estar vivo é pouco provável. - Shikamaru comentou. - Se ele viu alguma coisa, ele é um risco. Já fazem mais de 24 horas, é mais prático para eles se livrarem do corpo em algum lugar do que arriscar.

- Ele está evoluindo. – Sasuke comentou. – Antes eram mulheres, agora homens também.

- Mas nesse caso, - Naruto começou, colocando as mãos nos bolsos da calça. – O senhor Conway foi mais como um efeito colateral. Entretanto eu me pergunto... Por que matar Amber Conway? – Naruto levantou a questão. – Ela não era uma jovem mulher, não se adéqua ao perfil do nosso assassino.

- Eu me fiz a mesma pergunta enquanto esperava os resultados das pegadas. – Hinata começou. – Todas as vítimas do nosso assassino eram mulheres jovens, no início da carreira ou cursando a faculdade. A Amber não era nenhuma dessas coisas, especialmente se levarmos em conta de que ela já estava aposentada, não por opção, mas por ter sido forçada a isso. – Hinata começou a nadar levemente de um lado para o outro. – Entretanto, sabemos que ela ainda fazia trabalhos particulares e se alguém a contratou para um caso?

- E como você chegou a essa conclusão? – Sasuke perguntou fazendo a amiga parar e encará-lo.

- Pedi para Neji invadir o computador dela, especialmente o e-mail. – Hinata apertou alguns botões do controle que ainda tinha em mãos e um anexo apareceu na tela. Nele mostrava lugares como restaurantes, lojas de roupas, calçados... Mas o que chamou a atenção dos habitantes recentes da sala, foi o nome de Ino Yamanaka escrito em negrito no meio disso tudo. – Não só esse anexo, mas algumas conversas mostravam claramente uma de nossas vítimas como assunto. Então acredito que ela estava nesse caso, tenha descoberto algo relevante para a identidade do assassino, mas foi descoberta.

- Isso pode colocá-la com o nosso assassino. – Sasuke falou mais uma vez. – Mas quem seria o cúmplice? Por que agora? – Ele não precisava de mais questionamentos, ele precisava de respostas para os que já existiam. – Onde se encontram?

- A Dark Web é o local óbvio. – Shikamaru respondeu. - Sabemos que lá coexiste todo o tipo de escória.

- Quanto ao “por que”... – Naruto se fez ouvir. – Pelo que sabemos do assassino, ele gosta de mostrar poder, então se tem alguém que faz com que ele se sinta importante, poderoso até, com o que ele faz, irá permitir que lhe acompanhe. Se o elogiam ou, no mínimo, demonstram que gostam do que ele faz, ele vai deixar que se aproxime. – Soltou um som de escárnio. – Um ego de merda bem alto.

- E esse ego pode ser a sua ruína. – Os olhos de Konan brilharam pela primeira vez desde que assumiram aquele caso. – Trabalhar sozinho é fácil. Ele consegue controlar o que faz, como faz, quando faz. Ter um parceiro é ter duas mentes trabalhando de maneira diferente, mesmo com um objetivo em comum.

- Em algum momento o conflito vai acontecer. – Hinata comentou, vendo Sasuke erguer-se da cadeira e seguir para o mural onde haviam pistas fixadas. – Quando existem conflitos, consequentemente existem erros.

- O primeiro nós já temos. – Shikamaru aproximou-se da mesa, mexendo nas fotos das pegadas a mais que alí estavam. – Por ego, mas temos. Haverá outro.

- E é aí que vamos te pegar, desgraçado. – Sasuke falou convicto, batendo a mão na imagem central.

 


Notas Finais


Mais uma vez perdoem-nos pela demora. Tentaremos não ficar tanto tempo desaparecidas.
Comentem o que estão achando.
Quais as teorias até agora? Alguma ideia de quem pode ser o assassino? Acho que não. Muito cedo, né?

Obrigada a todos que nos acompanham e comentam. Amamos ouvir ~ ler ~ a opinião de vocês.
Até breve.


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