História Caso Encerrado - Capítulo 4


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Categorias EXO
Personagens Sehun, Suho
Tags Agente, Hunho, Lemon, Longfic, Policial, Seho, Sehun!bottom, Slow Burn, Suho!top, Suhun, Yaoi
Visualizações 283
Palavras 6.882
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Policial, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hi, hello, annyeong!

Cheguei pra tentar animar a quarta-feira de vocês!
Primeiro quero me desculpar pela demora em atualizar... Andei tendo uns bloqueios péssimos e uma onda horrível de insegurança sobre todo o plot, mas acredito que tenha passado? E, por isso, estou aqui com mais um capítulo quentinho pra vocês!
Depois quero agradecer à todo mundo que tem comentado e me dado apoio no twitter. Sério, vocês são I-N-C-R-Í-V-E-I-S! E não sabem como qualquer palavra positiva [ou até mesmo críticas positivas] deixam o dia dessa autora sofrida melhor. Obrigada de coração!
Não posso deixar de mandar aquele obrigada especialíssimo pra @jonnie, que tem tido tanto trabalho me aguentando e, como se não bastasse, ainda beta a história e me dá várias sugestões... A MAIOR FÃ DE ROMANCE POLICIAL SIM AUHSIAUHD Obrigada, de verdade! Esse plot nem teria ido pra frente se não fosse pelo seu apoio!
Vamos ao capítulo?

Sem mais delongas, espero que gostem ♥

Capítulo 4 - Arranhando a superfície


O suor quente escorria pelas laterais do pescoço de Junmyeon, encharcando a fronha recém trocada de seu travesseiro. Talvez tivesse sido isso que o havia acordado. Talvez tivesse sido o calor que sentia em cada pedacinho do seu corpo, mesmo estando coberto apenas com um lençol fino, já que a coberta estava jogada no chão, ao lado da cama. Talvez tivesse sido a respiração ofegante, levemente desconfortável, que fazia com que seu peito subisse e descesse mais rápido do que gostaria. E a última opção, talvez a mais provável, fosse que Junmyeon havia acordado devido à ereção dolorida que pulsava, suplicante por alívio, e lhe incomodava em seu baixo-ventre. Não bastasse isso, também sentia o tecido de sua cueca molhado, muito mais do considerava “normal”.

Queria poder dizer a si mesmo que aquela era apenas mais uma ereção noturna, o que é comum para os homens, em qualquer idade. No entanto, sabia que não era apenas por isso e sim porque havia tido um sonho deliciosamente picante com o maldito Oh Sehun. Cacete, aquilo sim era uma novidade na sua vida metódica! Nunca havia tido um sonho tão claro e real como o que acabara de ter, fora os pesadelos que costumavam assolar suas noites e que eram responsáveis pelas severas noites mal dormidas.

Mesmo agora, encarando estarrecido o teto branco de seu quarto, era como se sentisse as mãos do miserável percorrendo cada centímetro da extensão da sua pele, deixando um rastro de eletricidade e pelos arrepiados por onde passava. A sensação do hálito quente e dos lábios macios do mais novo, enterrados em seu pescoço, umedecendo toda aquela região conforme a língua hábil traçava um caminho perigoso até o lóbulo de sua orelha. O quadril ágil movimentando-se contra o seu, sentindo aquela fricção – que lhe deixava com um tesão do caralho – do membro ereto do outro contra o seu. Talvez, se descesse uma das mãos e acariciasse aquela ereção dolorida só um pouquinho, não demoraria muito para gozar e precisava demais daquilo…

“NÃO!”, uma voz ecoou em sua cabeça, uma voz que o acompanhava há muito, provavelmente era sua própria consciência, impedindo-o de fazer o que considerava uma loucura. Sonhar com o cara, tudo bem. Sonhar que estava enterrando o pau na bundinha gostosa do cara, até aceitável. Mas bater uma punheta pensando no desgraçado, aí já era demais.

Junmyeon levantou-se rapidamente e quase correu para o banheiro. Ligou o chuveiro e deixou que a água morna, quase fria, escorresse pelo seu corpo, na tentativa de levar pelo ralo o sonho idiota e desnecessário que havia tido e, junto com ele, aquele tesão que parecia não passar. Não podia gostar de Sehun, não podia apegar-se a ele. Sabia exatamente o que acontecia com as pessoas que se aproximavam de si… E não gostaria que mais ninguém fosse machucado por sua culpa.

Não demorou muito para que se acalmasse, já que os pensamentos promíscuos com um certo agente elegante e terrivelmente sedutor, foram substituídos pelos pensamentos diários de culpa e ódio. Desligou o chuveiro, enxugou-se e enrolou a toalha na cintura. Limpou o espelho embaçado com uma das mãos, num gesto rápido, e encarou seu reflexo desfocado, que lhe encarava de volta, a expressão séria, porém cansada.

– Quando é que isso tudo vai acabar, Junmyeon? – O outro lado não lhe respondeu de volta. Estranho seria se respondesse. – O que é que nós precisamos fazer pra que tudo seja normal, pelo menos uma vez na vida?

Depois de um suspiro sofrido, abriu a porta do banheiro e caminhou até uma das mesinhas de cabeceira, que ajudavam a mobiliar o quarto relativamente grande. Alcançou o celular da agência e desconectou-o do carregador, trazendo o aparelho próximo à si. Sabia que tinha pelo menos uma nova mensagem, mas a droga do seu problema de visão não o deixava enxergar muita coisa. Apanhou o par de óculos que descansava ao lado do abajur e colocou-os no rosto, agora sim, enxergando perfeitamente.

A mensagem era de um número desconhecido. Sentiu a espinha gelar, pois sabia muito bem o que se seguiu da última vez que um número que não conhecia mandou-lhe uma mensagem. Engoliu em seco antes de tocar na notificação.

Número desconhecido 23/09/2017 06:52h

“Agente Suho, bom dia. A autópsia do corpo da senhorita Cho foi concluída. Te encontro no IML às 08h?”

Junmyeon soltou o ar que nem havia percebido segurar. Aquela sensação de alívio que lhe percorria agora era maravilhosa e não era sempre que a sentia. Sentou-se na beirada da cama e deixou que o tronco caísse para trás, fechando os olhos e relaxando os músculos. Odiava aquilo, toda aquela tensão acumulada, todo aquele medo que sentia a cada ligação ou mensagem desconhecida, a cada vez que alguém que gostava sumia, mesmo que por um curto período de tempo. Gostaria de dizer que a casca grossa que vestia para lidar com muitas pessoas era seu verdadeiro “eu”, mas não conseguia enganar a si mesmo. E sabia que parecia ignorante, grosso e mal-educado para quase todo mundo, no entanto, aquela era a forma mais eficaz que havia descoberto para manter as pessoas emocionalmente afastadas de si.

Abriu os olhos e voltou a ler a próxima mensagem.

Número desconhecido 23/09/2017 06:55h

“Hm, aqui é o Sehun… Agente Oh. Não sei se você tem esse número, que é do telefone da agência, então… Se não tem, pode salvar nos seus contatos. Se quiser, claro.”

Aquela mensagem desajeitada colocou um sorrisinho ínfimo nos lábios de Junmyeon. Era no mínimo engraçado como, às vezes, algumas coisas que Sehun dizia ou fazia podiam quebrar totalmente a expectativa que se tem dele, devido à sua altura e a forma como se porta e se veste. Sabia que o agente Oh não era uma má pessoa e era exatamente por isso que precisava continuar tratando-o friamente.

Podia jurar que aquele elevador era o mais lento dentre todos os elevadores existentes em Seul, quiçá, em toda a Coreia. Achava inaceitável como subir do térreo para o sexto andar poderia demorar mais que um minuto. Os suspiros do agente Oh, que estava ao seu lado, chamaram sua atenção.

Olhou rapidamente para o colega, vestido impecavelmente com um blazer azul-marinho e uma camisa branca. Não pôde deixar de sentir um leve formigamento em suas partes íntimas, quando o movimento do pomo de Adão de Sehun ao engolir, quase em câmera lenta, lembrou-o do sonho que havia tido. A sensação tão logo passou quando notou que Sehun balançava uma das pernas e tamborilava os dedos da mão direita contra o dorso da mão esquerda, sinais claros de ansiedade.

– Algum problema, agente Oh? – Não que aquilo fosse da sua conta, no entanto, aquela faísca mínima de curiosidade para saber o que estava quase fazendo o outro perder a postura foi maior do que sua vontade de permanecer calado.

– Ah, não sou muito fã de elevadores. Ou de qualquer outro lugar fechado.

Junmyeon limitou-se a murmurar um “Hm”, já que se dissesse “Nós logo vamos chegar” poderia soar legal demais. Ouviu o som que indicava que estavam no andar desejado e logo as portas abriram-se, Sehun sendo o primeiro a sair da caixa de metal, provavelmente agradecido por, finalmente, terem chegado. Segurou um sorrisinho, que logo foi reprimido, diante da voz que ecoava em sua cabeça, dizendo-lhe para tomar cuidado.

Sehun não sabia exatamente o que esperar quando leu a placa “Dr. Byun, Médico Legista” que adornava a porta da sala, onde agora encontrava-se. Talvez esperasse um velho ranzinza, já cansado pelos vários anos de profissão, ou talvez um gordo careca, que levava comida para dentro da sala de autópsia. Contudo, definitivamente, não esperava que o médico fosse um jovem de excelente aparência, diga-se de passagem, de corpo esbelto – o que dava pra perceber, mesmo com o jaleco –, sorriso vibrante e cabelos coloridos.

– Ah, vocês chegaram! – O médico apressou-se em recebê-los com cumprimentos, indicando com o braço esticado para que entrassem e sentissem-se à vontade. – Junmyeon, não consigo nem me lembrar da última vez que nos vimos! – O de cabelos vermelhos segurou o outro pelo ombro, parecendo animado com o reencontro.

– É, já faz um tempo… Andei meio ocupado, você sabe. – O agente mexeu os ombros, desconfortavelmente, livrando-se do toque que lhe incomodava.

– Claro, sei… – O desapontamento era quase palpável na voz do outro, que se virou para encarar Sehun. – Vejo que temos um novo agente na área! Sou o doutor Byun Baekhyun, é um prazer conhecê-lo. – A animação estava de volta no ambiente e Sehun sentiu que o médico analisava-o dos pés à cabeça.

– Agente Oh... Oh Sehun, e o prazer é todo meu. – Sehun balançou a mão que lhe era estendida e curvou-se brevemente, sendo imitado pelo outro.

– Bom, então vamos ao que interessa. – Cumprimentos ditos, Baekhyun juntou as mãos em uma palma e dirigiu-se a uma mesa, onde um corpo coberto por um lençol branco estava, sendo seguido pelos dois agentes. O médico calçou um par de luvas e retirou o lençol, deixando à mostra o corpo quase nu da atriz, não fosse duas pequenas toalhas que cobriam os seios e o quadril da jovem. – Cho Changsoo, 23 anos, encontrada morta em casa por terceiros. A causa da morte foi asfixia por enforcamento, às 22h do dia 20 de setembro de 2017.

Sehun balançou a cabeça negativamente. Olhando para a jovem deitada na mesa fria, imaginou brevemente quantos sonhos e oportunidades foram tirados dela juntamente com sua vida. Aquilo só o preenchia mais ainda de vontade de encontrar o assassino.

– Não sei se conseguem perceber a diferença, mas o hematoma no pescoço dela é muito mais aparente do que o comum em vítimas de enforcamento, o que indica que o suspeito continuou segurando seu pescoço, mesmo quando ela já se encontrava morta. – O médico aproximou-se do pescoço da vítima e foi imitado pelos outros dois.

– Aquilo é uma… digital? – Sehun questionou, franzindo o cenho e apertando os olhos, na tentativa de confirmar se aquilo que via era realmente real. Apontou para o local que possuía algumas linhas esbranquiçadas, mais visível do que imaginaria que a marca de uma digital na pele seria.

– Exato. – Doutor Byun voltou à posição ereta, alcançando a prancheta com detalhes da autópsia logo atrás de si, num balcão que possuía dezenas de frascos e aparelhos, que Sehun já havia visto em outras salas de autópsias, porém não fazia a menor ideia para que serviam. – Foram encontradas duas digitais completas nas laterais do pescoço da vítima e outras seis parciais, entalhadas no hematoma. O suspeito a enforcou com tanta força, que acabou deixando mais do que desejava na pele dela. Já mandei as digitais para o setor de análise, mas não costumam me passar as informações encontradas.

– Acho que agora não há dúvidas de que realmente esse crime foi passional. – Junmyeon reiterou a ideia que Sehun havia exposto, dois dias atrás, quando analisavam a cena do crime.

– O que mais você encontrou, doutor Byun? – Sehun averiguava cuidadosamente a pele limpa do corpo que repousava à sua frente e, além do hematoma no pescoço, não parecia haver ali mais nenhum ferimento recente.

– Hm… – O médico murmurou, procurando informações válidas para o caso no relatório que segurava. – Nada anormal no conteúdo gástrico, nenhum tipo de droga no sangue… Ah, certo. Encontrei secreção do tipo esperma no canal vaginal da vítima, o que indica que ela teve relações sexuais no máximo 48 horas antes da sua morte. O sexo foi consensual, já que não existem sinais de penetração forçada. Também encontrei resquícios de pele sob as unhas da vítima. Os DNAs encontrados também já foram enviados para análise. – Baekhyun percorreu os olhos pelo restante de folhas antes de pronunciar-se, sorridente. – E acredito que isso seja tudo.

– Parece que nosso suspeito queria um último orgasmo antes de matá-la. – Junmyeon alcançou o celular no bolso e digitou algumas informações, enviando-as para o agente Kai.

– Se me dão licença, vou tentar encontrar informações sobre as digitais e o DNA. – Sehun curvou-se rapidamente e deixou a sala, o celular já em mãos, discando o número do laboratório de análises, não dando tempo ao agente Suho para reclamar de como era ele quem estava à frente do caso e que Sehun apenas deveria observar, esses “blá blá blás” de sempre. No entanto, sentia, mesmo que lá no fundo, que seu relacionamento com Junmyeon estava progredindo. Em passos lentíssimos, porém isso era melhor do que nada.

– Você encontrou um belo de um parceiro, hein? – Baekhyun reconheceu assim que a porta fechou-se, logo após ter analisado a silhueta traseira de Oh Sehun, arrancando uma bufada e um revirar de olhos de Junmyeon. – O quê? Não me diga que esse tipo de homem, que emana sexualidade e sensualidade, não faz seu tipo… Quero dizer, já reparou na forma que ele anda? Na voz grossa dele? – O legista encostou-se no balcão atrás de si, cruzando os braços e aguardando a resposta de Junmyeon.

Mas, sim. Já havia reparado em tudo isso. Também já havia reparado no queixo levemente torto de Sehun, o que lhe dava um ar ainda mais sexy. Já havia reparado no perfume de notas frutais que emanava de seu corpo, que fazia o Kim enlouquecer-se ao tentar controlar o impulso de afundar o rosto daquele pescoço, cuja pele parecia convidar-lhe para um passeio. Já havia reparado tanto no outro, que chegou ao ponto de sonhar com a mão grande e talentosa de Sehun deslizando para dentro de sua cueca e… Uma fisgada no meio de suas pernas o fez balançar a cabeça e voltar à realidade.

– Eu não acho que seu marido vá achar interessante você elogiar outro homem dessa forma. – Junmyeon deu de ombros, tentando ignorar o coração que batia aceleradamente em seu peito e as mãos que começavam a suar. Droga.

– O quê, o Chanyeol? – A risada marota de Baekhyun inundou o ambiente. – Aposto que ele deve ter feito algum tipo de comentário parecido quando o conheceu.

– Eles ainda não se encontraram.

– Então eu aposto 50 mil wons que ele irá fazer um comentário sobre a beleza ou o porte físico dele. – Baekhyun esticou a mão e Junmyeon virou-se para encará-lo, apertando a mão que lhe era estendida e selando a aposta.

– Já pode anotar minha conta bancária, Chanyeol tem medo demais de mim pra fazer um comentário desse tipo sobre meu… – A palavra “parceiro” quase saiu da boca do agente, porém a voz já considerada como companheira, guiou-o para o caminho que considerava correto. – … afiliado.

– Ele não tem medo de você. Ele sente sua falta, sente falta da amizade de vocês, de todos nós juntos. Mas essa carranca que você insiste em usar e que eu sei que é a maior mentira do universo, o tornou apenas um conhecido pra você. – Havia tanto que Baekhyun gostaria de falar, no entanto, conteve-se ao notar o desconforto estampado no rosto de Junmyeon. – Mas maior que isso é aquela língua grande e incontrolável dele. Fico feliz em saber que sou um homem 50 mil wons mais rico. – O médico riu fraco, meio sem graça, sendo interrompido por um ruído vindo do celular de Junmyeon.

Enquanto o agente lia a mensagem recebida, Sehun entrou na sala como um furacão gracioso – o que o Kim achava impossível de se existir –, segurando o celular em uma das mãos. Antes que pudesse falar qualquer coisa sobre a conversa que havia acabado de ter com o responsável pela análise dos dados, Junmyeon disparou.

– Parece que encontraram o tal Seo Kangjoon, que estava saindo com a vítima. Colocaram ele numa sala de interrogatório da delegacia e pediram que fôssemos até lá. – Guardou o celular no bolso do paletó escuro e despediu-se brevemente de Baekhyun, sendo respondido com um sorriso largo.

– Até mais, agente Oh! Foi um prazer enorme conhecê-lo e tenho certeza que trabalhar com você será maravilhoso. – Byun pousou a mão em um dos ombros de Sehun, sorrindo, e acompanhou os agentes até a porta.

– Espero encontrá-lo novamente, doutor Byun, e em melhores circunstâncias. – Sehun correspondeu o sorriso e curvou-se brevemente, despedindo-se, antes de caminhar lado a lado com o agente Suho até o maldito elevador.

Assim que a porta abriu-se e os dois se acomodaram dentro do elevador, Junmyeon disparou a perguntar sobre o que Sehun tinha descoberto com a ligação para o Setor de Análises. Claro que a vozinha que ressoava em sua cabeça jamais permitiria que admitisse estar tentando distrair Sehun da “longa” viagem de volta ao térreo.

– Então… O que o pessoal do laboratório disse?

– Eles me mandaram um arquivo no e-mail contendo o laudo completo da análise do DNA e digitais da cena do crime e os que foram encontrados pelo doutor Byun durante a autópsia e ouve só isso… – Sehun suspirou, revirando os olhos, enquanto alcançava novamente o celular que havia acabado de guardar no bolso do paletó. Pigarreou, limpando a garganta, antes de iniciar a leitura do laudo técnico. – “De acordo com o exposto acima, conclui-se que as digitais encontradas na cena do crime e as encontradas no corpo da vítima são compatíveis. O DNA encontrado na cena do crime é compatível com o encontrado sob as unhas da vítima. O DNA encontrado na cena do crime é incompatível com o encontrado no canal vaginal da vítima. A análise conclui, então, que existem dois tipos diferentes de DNA relacionados ao crime e que ambos são de indivíduos do sexo masculino”.

– Acho que a senhorita Cho não era tão santinha quanto a amiga a fez parecer, já que ela estava saindo com dois homens ao mesmo tempo… – Junmyeon bufou em uma risada levemente sarcástica, balançando a cabeça positivamente. – Isso tá ficando cada vez melhor.

– E mais difícil. – Sehun complementou.

O aviso sonoro de que chegaram ao térreo foi ouvido mais uma vez e Sehun, que mal havia percebido a demora no caminho de volta, já preparava-se para pisar em terra firme, quando foi impedido pelo braço do agente Suho, que não o segurava, apenas cruzava seu caminho, apoiada firmemente na porta de metal aberta.

– Sehun, você não me conhece, então não sabe o quanto eu odeio ter que ficar repetindo as coisas. Então, eu odeio ter que ficar repetindo as coisas. E você está testando os limites da minha paciência. Você parece um cara inteligente, mas não sei se está se fazendo de burro de propósito ou se isso é algum tipo de estratégia. Pensei que havia sido claro como a água quando disse que a frente deste caso é minha. Esse é meu último aviso, você não quer me ver explodir, quer? – Junmyeon tentou manter o tom de voz firme e sem hesitações, mas sentiu o coração apertar-se ao ver a expressão assustada e confusa de Sehun. No entanto, percebia que a conexão entre os dois estava acontecendo e não podia deixar que aquilo acontecesse. Era para o bem de Sehun. – Coloque-se no seu lugar, novato. – Mais brusco que o necessário, Junmyeon recolheu o braço que impedia a passagem do outro e, sem esperar uma resposta de volta, disparou rumo à porta de saída, deixando para trás um Sehun pensativo, cujo coração pulsava rápido em seu peito.

Justo quando pensava que as coisas entre os dois estavam prestes a melhorar.

Junmyeon segurava a maçaneta da porta que levava a uma das salas de interrogatório da delegacia do distrito, logo após conversar com o policial Lee sobre os detalhes da intimação do suspeito. No entanto, ainda não havia girado-a. Parou por um segundo para encarar Sehun, que expectava a entrada no ambiente, posicionado atrás de si. Deu seu melhor para colocar no rosto uma carranca de aviso, algo como “Se você abrir a boca, eu te mato” e esperava que Sehun entendesse. Quanto mais cedo ele compreendesse que seria melhor pedir transferência de departamento, que estar com o Kim não seria nada fácil, melhor. Viu o outro apenas acenar e abriu a porta, ouvindo Sehun fechá-la quando os dois já encontravam-se dentro do recinto.

O cômodo era um velho conhecido de Junmyeon e, assim como as outras salas da delegacia, era pequeno, pintado em cores claras. Não possuía janelas, apenas o vidro blindado que, do lado de dentro apenas refletia o interior e, do lado de fora, permitia que os expectadores vissem o que quer que acontecesse ali. Uma câmera instalada num dos cantos superiores da sala possuía a luz acesa ligada, que indicava que aquele encontro estava sendo gravado.

Junmyeon aproximou-se da mesa que ornamentava o centro do cômodo e que possuía duas cadeiras; de um lado, o assento estava ocupado por quem acreditava ser Seo Kangjoon. Arrastou a cadeira vazia e sentou-se, observando, com a visão periférica, Sehun cruzar os braços e encostar-se na parede à sua direita.

– Seo Kangjoon, certo? – Junmyeon evitou contato visual de início, o que era basicamente sua marca registrada, mantendo toda sua atenção na pasta com os arquivos do suspeito, que descansava sobre a mesa.

– Correto. E o senhor seria quem? – Kangjoon mantinha uma postura ereta, porém aparentemente despreocupada, dada a situação em que se encontrava. Sehun imaginou se aquilo era apenas fachada e decidiu continuar estudando o comportamento do suspeito, já que estava longe de querer irritar o agente Suho mais uma vez.

– Agente Suho, do Departamento de Homicídios. – Levantou o olhar, cravando seus olhos escuros nos que o observavam atentamente. – Imagino que tenha ficado sabendo do que aconteceu com a senhorita Cho. – Viu o outro abaixar rapidamente a cabeça, num ato de respeito, a tristeza quase imperceptível em seu semblante, porém, estava lá.

– Sim, eu soube… Naeun me contou por telefone, já que eu não estava na cidade. Nem acredito que isso aconteceu. – Kangjoon massageou a têmpora direita levemente, antes de erguer a cabeça e encarar novamente o agente à sua frente. – Eu sei porque estou aqui e sei o que vai perguntar e a resposta é não. Não tenho nenhum envolvimento com a morte da Changsoo.

Sehun pendeu quase imperceptivelmente a cabeça para o lado, analisando a cena que presenciava. Já havia visto um filme no qual Kangjoon interpretava um príncipe rebelde da Dinastia Joseon e, para ser honesto, não achava que ele atuava tão bem assim. Até o momento, não havia conseguido captar nenhum indício de nervosismo além do comum, nada que indicasse que pudesse estar mentindo. E Sehun quase nunca se enganava sobre isso, porém precisava averiguar melhor o comportamento do suspeito.

– Diga-me, senhor Kang, qual era seu relacionamento com a vítima? – Junmyeon apoiou as costas no encosto da cadeira, observando atentamente o jovem de lábios bem definidos.

– Não éramos namorados. Porém, também não éramos só amigos. Saíamos de vez em quando, quando não tínhamos nada melhor pra fazer. Bebíamos juntos, dormíamos juntos. Era bom pra nós dois, então decidimos continuar dessa forma. Nada de exclusividade.

– Quando foi a última vez que viu a vítima? – Viu Kangjoon estreitar os olhos, como se estivesse concentrando-se para lembrar a data.

– Na terça-feira, dia 19.

– Vocês tiveram relações sexuais?

– Sim. – Junmyeon rabiscou algumas palavras no bloco de anotações, tornando a questionar o suspeito.

– O senhor disse que quando soube da morte da senhorita Cho, não estava na cidade.

– Correto. Estava em Gwangju, gravando um comercial.

– Quando e como o senhor se deslocou até Gwangju?

– Fui em meu jato pessoal, decolamos às 05h do dia 21, quinta-feira.

Junmyeon colocou um sorriso singelamente sarcástico no rosto e, após rabiscar mais algumas palavras sublinhadas no bloco, apoiou os cotovelos na mesa, cruzando os dedos das mãos e lançando um olhar perfurante na direção de Seo Kangjoon.

Sehun sabia exatamente qual seria o próximo passo do agente Suho, não por conhecê-lo e à sua forma de interrogar, porém por ser o que ele também faria, apesar de ainda acreditar que aquele jovem não era o responsável pela morte da atriz.

– Então, deixe-me ver se entendi direito. Você e Changsoo tinham um affair, uma coisa combinada para não ser exclusiva. Mas ela cansou disso e, durante um jantar, te pressionou a assumi-la publicamente ou ela exporia o caso de vocês para a imprensa. Mas isso acabaria com sua imagem, você não poderia deixar que isso acontecesse! E você é jovem demais para assumir um relacionamento sério com alguém, ainda precisa levar muitas mulheres para a cama… Sem pensar muito, você a agarrou pelo pescoço e apertou ali, apertou com toda força que tinha, pensando que Changsoo não iria estragar sua vida e sua carreira por conta de uma bobagem como namoro! E quando caiu em si, ela estava morta em seus braços. Você pode ter se desesperado por um segundo, no entanto, se te ligassem àquele crime de qualquer forma que fosse, mesmo como testemunha, isso poderia ter um efeito negativo na sua carreira, então você fugiu e seguiu para Gwangju como planejado. Cheguei perto? – Junmyeon mantinha uma sobrancelha arqueada, aguardando a resposta do suspeito, que portava uma expressão de horror, os lábios semiabertos e a respiração levemente descompassada, como se realmente tivesse vivido tudo que o agente havia acabado de descrever.

– Você é completamente insano! – Foi tudo que Kangjoon conseguiu responder, balançando a cabeça negativamente.

– Não tão insano quanto seus companheiros de cela serão. – Junmyeon fechou a pasta, antes aberta sobre a mesa e fez menção de levantar-se, quando a voz quase em grito do outro chamou-lhe a atenção.

– EU NÃO A MATEI! – Kangjoon acertou a superfície da mesa com força, a mão fechada em punho, produzindo um som que ecoou no recinto.

– Existe uma forma extremamente eficaz de se provar isso. – Junmyeon entendeu o silêncio que se seguiu como uma deixa para que continuasse. – Apenas nos forneça de boa vontade uma amostra de DNA e de suas digitais para que o Departamento Forense os compare com os achados na cena do crime e pronto. Não haverá problema algum, caso sua inocência for mesmo verdade.

Sehun observava como as mãos de Kangjoon tremiam ligeiramente e, de acordo com as teorias que havia lido durante o treinamento, aquilo poderia significar, principalmente, duas coisas. A primeira, que o suspeito era apenas alguém inocente que acabara de ser acusado de um crime que não cometeu e, a segunda, que o suspeito era culpado e inexperiente e agora apresentava sinais de nervosismo devido à possibilidade de ter sido descoberto. Geralmente, aqueles que realmente são culpados, mas possuem um currículo mais experiente, não se deixam abalar por uma simples acusação informal.

– E… e se eu disser que não? – O suspeito mordia o canto interno da bochecha, a tensão emanando de seu corpo.

– Oh, tudo bem. Não podemos obrigá-lo à nada. – Junmyeon quase sentiu-se mal por brincar daquela forma com o jovem, quando este soltou um suspiro aliviado. No entanto, infelizmente, tratava-se de um suspeito de assassinato, como todos os outros aos quais já havia interrogado. – Pelo menos, não agora. Se o senhor se negar, teremos que solicitar um mandato para a coleta a um juiz, o que não será difícil. Em duas horas, no máximo, nós voltaremos com ele e o senhor terá, de toda forma, que fornecer o DNA e as digitais. No entanto, se escolher esse caminho, sua ficha criminal, que no momento não possui nenhum tipo de delito, será manchada para sempre como suspeito de assassinato, mesmo que o senhor seja inocente, afinal.

Os olhos arregalados do Seo indicaram que Junmyeon atingiu precisamente o ponto que precisava atingir. O suspeito sabia que uma ficha criminal “suja” poderia afetar e muito sua carreira. Afinal de contas, quem contrataria um suspeito de assassinato para fazer o papel principal de um filme? Ou pior, quem assistiria a esse filme? Kangjoon engoliu em seco, sua mente nublada pelas mil possibilidades de perder o emprego que o fazia realizado.

– T-tudo bem… Não precisam de um mandato, só… peguem o que precisar. Sangue, cabelo, unha… Tudo que precisarem pra provar que eu não encostei um dedo na Changsoo, não pra machucá-la.

Junmyeon exibiu um sorriso vencedor.

– Alguém da Forense já vem fazer a coleta. Nos vemos em algumas horas. – Junmyeon recolheu a pasta e deixou a sala, seguido por Sehun, deixando para trás um suspeito cabisbaixo.

– Então, o que acha? – A pergunta de Junmyeon pegou Sehun de surpresa.

Para ser honesto, ele estava longe de entender o agente Suho. Ele estava mesmo pedindo sua opinião? Ou seria aquela pergunta algum tipo de pegadinha para saber se Sehun havia aprendido qual seu lugar naquela investigação? Se ele respondesse, levaria mais uma bronca? Uma nuvem de perguntas rodeava a mente de Sehun, quase ao ponto de deixá-lo zonzo. Dentre todas as opções possíveis, optou por apenas ficar ali em pé, encarando Junmyeon, não conseguindo deixar que a expressão de confusão ficasse fora de seu rosto.

– Agente Oh, fico feliz que, finalmente, tenha entendido que deve apenas observar este caso. – Junmyeon levou a mão livre ao ombro de Sehun, apertando o local amigavelmente. Amigavelmente… “Que diabos está fazendo?”, a voz da consciência já advertia-o novamente. Aquilo já estava ficando chato. – No entanto, quando eu te faço uma pergunta, você me responde, ok? – A postura rígida do agente Suho já estava de volta.

Sehun suspirou, pouco se importando se aquilo seria percebido pelo outro agente ou não. Começava a questionar-se se era aquilo que queria para sua vida, toda essa montanha-russa de emoções, um parceiro instável. A ideia de solicitar a troca de parceiro estava a um passo de parecer-lhe a melhor opção. Quase a única opção. Já que achar uma brecha naquela armadura que Junmyeon vestia, aparentava ser uma missão impossível.

– Eu não acho que ele tenha feito isso. E creio que você também. – Sehun caminhava lado a lado com o agente Suho, em direção à sala de espera.

Junmyeon estava com o celular em mãos, já digitando o número do Departamento Forense. Levou o aparelho à orelha, tão logo apertou o ícone para chamar. Ergueu o indicador para Sehun, em um pedido mudo que o aguardasse realizar aquela ligação, para que pudessem retornar à discussão.

– Aqui é o agente Suho, do Departamento de Homicídios… Isso, preciso de alguém para coletar amostras de DNA e digitais de um suspeito… Justamente… Não, na delegacia do distrito de Gwangjin… Não, ainda não assinou o termo de consentimento… Em quanto tempo a análise fica pronta?... Preciso que diminua esse tempo para uma hora, no máximo... Tudo bem, obrigado. – Junmyeon desligou o celular e colocou-o novamente no bolso do paletó. Abriu a porta da sala de espera privativa e indicou para que Sehun entrasse primeiro, um gesto que fez o coração de Sehun pular uma batida.

Talvez ele tenha feito inconscientemente, mas aquela era a primeira vez que Junmyeon permitiu que Sehun fizesse algo primeiro, mesmo que fosse apenas entrar em uma sala. Sehun, em toda sua positividade, via aquilo como um progresso. Talvez uma brecha na barreira que o agente colocava ao redor de si?

Ambos dirigiram-se às poltronas que consideraram mais confortáveis, estavam exaustos e pelo mesmo motivo: privação do sono. Enquanto Junmyeon sofria com seu problema de insônia e, mesmo quando conseguia dormir, cansava-se devido a seus pesadelos e – o mais recente – aquele maldito sonho erótico, Sehun havia ficado boa parte da noite acordado, estudando o aspecto do caso, buscando casos semelhantes, na tentativa de que algo o ajudasse a resolver mais rapidamente aquele assassinato.

Os dois deixaram que seus corpos fossem largados nas poltronas, pendendo a cabeça para trás e fechando os olhos, ansiosos por aquele mísero momento de descanso, muito mais mental do que físico. Exatamente o que precisavam.

No entanto, Sehun sentia uma fagulha dentro de si, algo que borbulhava e sabia que explodiria se não colocasse aquela curiosidade para fora. Acreditava que não encontraria melhor momento para aquilo, então, reuniu toda sua coragem e, sem abrir os olhos, questionou o agente, mesmo sabendo que haviam altas chances de levar um esporro, dessa vez, nada relacionado ao caso.

– Agente Suho… – Foi respondido apenas com um “Hm?”, sem muito interesse. – Aquela criança que o visitou alguns dias atrás, no departamento, é filho da Hyuna, certo? – Novamente, apenas o som de “Uhum” ressoou no ambiente quase vazio, não fosse pela presença dos dois. – Eu sei que não é da minha conta, mas… ele é seu filho também? – Sehun apertou mais os olhos, esperando uma almofada voar em sua direção ou uma chuva de palavrões caírem sobre si, principalmente depois do som brusco que a poltrona fez, indicando que Junmyeon havia movido-se rispidamente.

Não teve coragem de abrir os olhos para ver se ele havia levantado-se ou apenas remexido-se em seu lugar, desconfortável. Alguns segundos depois, ouviu o agente suspirar profundamente, antes de responder.

– Não, ele não é meu filho, não seja estúpido. – Um momento de pausa tomou conta do ambiente e Sehun acreditou que aquilo era toda a resposta que receberia. Mas estava errado. Junmyeon continuou a sentença e nem ele mesmo sabia o motivo. No entanto, sentia que precisava conversar com alguém que não fosse o doutor Lee, mesmo que a voz que ecoava em sua cabeça dissesse que aquele era o primeiro passo para uma amizade, o que ele queria evitar. – Eu não conheci o pai dele e Hyuna nunca falou muito sobre ele, apenas me disse que ele era um viciado com quem ela se envolveu pouco antes de tomar a decisão de que queria fazer algo de importante pela cidade. – Sehun ainda não havia ousado abrir os olhos e Junmyeon achava que era esse um dos motivos para sentir-se tão confortável quanto possível na presença do outro. Voltou à posição original, recostando a cabeça no encosto da poltrona e também fechou os olhos, antes de continuar. – E, agora que ela também se foi… não restou muito para o pequeno, além de mim e sua avó.

– Então… você meio que se tornou uma figura paterna pra ele?

– É, pode se dizer que sim. Jonghyun é uma criança doce e é quase impossível não gostar dele. Eu prometi que cuidaria dele, mas não é somente por isso que mantenho contato. Ele precisa de mim na vida dele e, de certa forma, eu também preciso dele.

Sehun sentiu um aperto incomodar-lhe em seu peito, algo misturado à uma pontinha de felicidade. Mesmo que fosse um momento único, Junmyeon havia permitido que conhecesse um pouco mais de si e era só isso que Sehun pedia pois sabia que era exatamente com esses pequenos passos que uma conexão entre duas pessoas era criada. Talvez ainda houvesse esperança para Kim Junmyeon, apesar de tudo.

Fechou as mãos em punho, sem muita força, e tentou controlar a respiração. Sempre fora uma pessoa mole, seu pai costumava brincar sobre isso. “Como você pretende ser um agente, ainda mais da Homicídios, com esse coração molenga, meu filho? Não acha melhor escolher outra profissão? Você sabe que te apoio no que quer que você escolha”. E seu pai estava certo, era mesmo um molengão. Sofria muito mais do que qualquer outro agente por envolver-se demais, emocionalmente falando. Não só na vida profissional, como na pessoal também. Era ele quem sempre terminava magoado nos relacionamentos por doar-se demais para seus parceiros. E, naquele momento, não era diferente.

Podia sentir na voz de Junmyeon uma tristeza tão profunda, sentimento que parecia andar acompanhado de uma dose grande de culpa, e tudo que queria fazer era levantar-se, sentar-se no braço da poltrona onde o outro estava e abraçá-lo, correndo os dedos pelos seus cabelos e repetindo que tudo iria ficar bem. Odiava ver pessoas próximas a si sofrendo e odiava mais ainda não ser capaz de fazer algo por isso.

– Junmyeon? – Arriscou chamá-lo pelo primeiro nome e o outro pareceu não perceber ou não se irritar ou simplesmente não se importar com isso, sendo respondido novamente com apenas um “Hm?”. – Eu… sinto muito. Por tudo que você tem passado… Pela morte da Hyuna.

Junmyeon apenas abriu os olhos, lentamente, sem movimentar nenhuma outra parte do seu corpo. Durante alguns segundos, encarou o teto claro, tentando assimilar as palavras de Sehun. “O que é que esse idiota tá fazendo? E por que ele me faz me sentir essa maneira? Recomponha-se, Kim! Grite com ele, responda que isso não é da conta dele e mande essas borboletas que estão na sua barriga voarem em outro lugar!”. A mistura de opiniões que Junmyeon tinha a respeito daquilo era como se possuísse um mini demônio em seu ombro esquerdo e um mini anjo em seu ombro direito, ambos discutindo qual seria a melhor forma de lidar com Sehun e com o sentimento que ele causava em si, em tão pouco tempo. Junmyeon atribuía aquilo à carência, só podia ser.

No entanto, não podia ser grosso com Sehun, não quando estava sendo tão gentil em um assunto que sabia ser tão delicado para o Kim. Se houvesse aberto essa brecha para qualquer um da Dupla Dinâmica, teriam enchido-o de perguntas invasivas. Mas não Sehun. Ele era… diferente e essa não era a primeira vez que Junmyeon percebia isso. Pegou-se desejando, por um breve segundo, conhecer melhor o homem que descansava à sua frente, mas logo a ideia foi varrida para longe pela voz que ecoava em sua mente. “Para de pensar bobagens e aproveita esses minutos de paz pra descansar um pouco, anda”.

– Obrigado, Sehun. – Foi tudo que Junmyeon conseguiu e permitiu-se responder, antes de tentar desligar sua mente, sem muito sucesso.

Junmyeon folheava o relatório forense na pasta em suas mãos, apressando-se para chegar na parte do laudo, já que não entendia nada daqueles traçados de DNA exibidos em comparação nas primeiras folhas. Sehun estava em pé logo atrás de si, olhando por cima de seu ombro, tentando focar a visão o suficiente para conseguir ler o laudo, que Junmyeon parecia folhear furiosamente. A respiração de Sehun deslizava brandamente pela orelha do Kim. Era uma sensação boa, Junmyeon tinha que admitir. Finalmente, alcançou a parte final do relatório e leu-a rapidamente.

– Então, realmente não foi ele. – Sehun endireitou o corpo, que antes estava levemente curvado sobre o ombro do outro agente.

– Não foi, como suspeitávamos. Mas a história sobre tê-la encontrado um dia antes e terem tido relações sexuais é verdadeira, já que o DNA dele é compatível com o esperma encontrado pelo Baekhyun. – Junmyeon suspirou, fechando a pasta em suas mãos e entregando-a ao policial Lee, que curvou-se e deixou o recinto, indo armazenar os dados encontrados.

– Estamos sem pistas agora. – Sehun deu de ombros, tentando relembrar algum detalhe que possa ter passado despercebido e que ajudaria no andamento da investigação.

– Não exatamente. Quando encontramos uma porta fechada, só há uma pessoa que conheço que pode abri-la. – Junmyeon deu uma piscadela para Sehun, já que amava aquele trocadilho, porém arrependeu-se no segundo que percebeu a confusão no olhar do outro. Antes que tivesse que se explicar, abriu a porta da sala de interrogação, encontrando Kangjoon adormecido sobre a mesa. Aproximou-se dele e deu leves tapinhas em seu ombro, esperando que acordasse. Quando percebeu toda a atenção do outro sobre si, indicou a saída com a cabeça. – O senhor é um homem livre e ainda com ficha limpa, senhor Seo. Vamos, nós iremos te acompanhar até a saída.

Sehun caminhava em direção ao carro de Kangjoon, estacionado na porta da delegacia, com o ex-suspeito à sua esquerda e Junmyeon à sua direita, este digitando algo em seu celular, que o Oh conseguiu perceber ser uma mensagem para o agente Kai. Provavelmente era sobre o andamento da investigação, já que ele havia sido bem claro quanto a precisar ser mantido informado a cada nova descoberta.

O trio havia alcançado a calçada, quando um barulho alto, seguido de gritos e correria por todas as partes, alertou os agentes. Sehun poderia identificar esse som em qualquer lugar, pois não há nada que se assemelhe ao barulho de um disparo de arma.

– PROTEJAM-SE! – Sehun gritou.

O agente Oh podia jurar que tudo movia-se em câmera lenta. Naquele momento, ele teria a primeira decisão difícil a fazer. Infelizmente, ele era um homem só. Um homem que possuía duas pessoas ao seu lado que precisavam de sua proteção. Ele sabia muito bem a quem deveria proteger, estava claro como a água cristalina e presente no juramento que proferiu quando finalizou seu treinamento na Academia.

No entanto, como se seu corpo possuísse vida própria, em menos de meio segundo, viu seu corpo ser jogado quase bruscamente sobre o homem à sua direita. Junmyeon.

Ser lançado no chão rispidamente e com outro corpo sobre o seu, definitivamente, era algo que não esperava. Tudo aconteceu tão rápido que mal teve tempo de proteger sua cabeça, que acabou batendo contra o chão com mais força do que desejava. Já podia sentir a dor leve incomodá-lo no local do impacto e um zumbido chato em ambos os ouvidos, mas isso não o impediu de ouvir os novos disparos efetuados, seguidos de um cantar repentino de pneus, em meio a toda gritaria.

As batidas ensandecidas de seu coração misturaram-se ao zumbido em seu ouvido e, se não estivesse deitado, acreditava que teria caído no chão, pois tudo ao seu redor começou a girar. Até que sua visão focou-se no rosto preocupado logo acima do seu, mais próximo do que gostaria. Os lábios finos e delicados movimentavam-se, mas Junmyeon não conseguia ouvir nenhuma palavra que estava sendo proferida.

Oh Sehun. O agente jogou-se sobre si, quando sabia muito bem a quem deveria ter protegido. Sabia que o outro havia agido instintivamente, não racionalmente, e usou seu próprio corpo como escudo para que Junmyeon não fosse ferido. Oh Sehun… O quão idiota você pode ser?


Notas Finais


BOA NOITE, COMO VOCÊS ESTÃO?

Acho que nesse capítulo não teve tanto desenvolvimento emocional das personagens, mas uma coisinha aqui e ali pôde ser vista... Tentei focar um pouquiiiiinho mais no andamento do caso, já que a fic envolve o mundo policial e é de importância pro plot ._.

Enfim, meus amores... Se vocês leram até aqui, meu muuuuuuuuito obrigada! Espero de coração que estejam gostando, tô super aberta a discutir qualquer ponto da história e até aceito críticas construtivas! Podem comentar as teorias de vocês também, é algo que aaaaamo saber hahahahaha

Caso queiram me dar 1 realzinho de atenção no twitter, é softmyeon!

Até o próximo capítulo ♥


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