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História Castelo Bruxo - Newt Scamander - Capítulo 21


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Capítulo 21 - Capítulo 21


Fanfic / Fanfiction Castelo Bruxo - Newt Scamander - Capítulo 21 - Capítulo 21

 Eu havia beijado Newt Scamander.

 Isso continuava se repetindo em minha mente, sentir seus lábios nos meus foi uma das maiores e melhores surpresas da minha vida, ainda mais considerando sua personalidade tímida e extremamente conservadora. Imagino o quanto deve ter sido complicado para ele admitir seus sentimentos, mas estou feliz que o britânico tenha tomado uma atitude.

 A forma inesperada como tudo aconteceu deixou brechas para muitos questionamentos. Há quanto tempo ele vem nutrindo esse tipo de emoção por mim? Devo investir nessa relação ou apenas fingir que nada aconteceu? As coisas irão ficar estranhas e um pouco constrangedoras depois do beijo? Qual será a reação das pessoas quando descobrirem?

 Mordi os lábios diante dos possíveis cenários e tentei conter o nervosismo e a ansiedade, eu preciso urgentemente desabafar com alguém de confiança e pedir conselhos sobre como proceder mediante a situação. Levantei da cama e peguei o primeiro casaco que encontrei pela frente, o clima estava nublado e a temperatura era baixa, algo incomum até mesmo para o Castelo Bruxo.

 Fechei a porta do dormitório e caminhei de forma lenta, calma e pacífica pelos corredores, acenando educadamente e tendo breves diálogos com os inúmeros quadros centenários presos nas paredes. O tráfego de estudantes era quase inexistente devido ao horário tardio e aos preparativos para avaliações, passava da meia noite e o sono continuava bem distante e longínquo.


- Sra. Dourado, podemos conversar um instante? - Perguntei após bater na porta de sua sala e abri-la parcialmente.


- Amélia, claro querida, entre - A senhora sorriu e acenou com as mãos - Desde a chegada de Newt quase não temos conversado - Comentou e aquilo pareceu uma tentativa de provocação.


- É exatamente sobre isso que vim conversar - Afirmei andando até a poltrona posicionada em frente a sua enorme mesa - Nessas últimas semanas tem acontecido tantas coisas - Murmurei não contendo o suspiro de esgotamento e cansaço.


- Conte-me, criança - Pediu se levantando e servindo duas xícaras com chá de hortelã e sementes de erva doce.


 Busquei por maneiras diferentes de contar o que havia acontecido entre o magizoologista e eu, mas nada parecia ser bom ou eficiente o suficiente. Existem muitos detalhes importantes e indispensáveis para um entendimento completo, além do constrangimento em ter esse tipo de conversa com alguém tão influente na sociedade mágica. A diretora com toda certeza deveria ter assuntos mais urgentes a serem resolvidos e estou tomando uma parte útil de seu tempo.


- Eu... - Murmurei observando um brilho de divertimento e compreensão surgir em seus olhos.


- Não se preocupe, Amélia, você não está atrapalhando nada - Respondeu de imediato, ela me assusta quando age dessa maneira tão perspicaz e misteriosa.


- Newt e eu temos desenvolvido uma amizade forte e improvável, sinto que o conheço a anos - Contei após reunir coragem para falar - Mas as coisas mudaram e não sei o que pensar disso - Mordi o lábio inferior com força, sentindo o gosto característico de sangue.


- Algo muito importante deve ter acontecido, não é mesmo? - Questionou de maneira tranquila, embora eu desconfie que ela esteja ciente de tudo.


- Nos beijamos - Respondi e observei com espanto quando a bruxa engasgou com o chá - Pelos cabelos de Tupã - Levantei e corri para prestar auxílio, dando leves tapinhas em suas costas.


 Aos poucos ela conseguiu reestabelecer sua compostura e retomou ao seu estado de pura elegância e sofisticação, uma de suas marcas registradas e algo que sempre admirei. Retornei para meu acento e aguardei por algum tipo de reação, mas Benedita Dourado exibia um sorriso enorme e assustador, seu olhar ficou perdido durante alguns segundo, porém logo retornaram ao foco e olharam direto para mim, foi como se ela pudesse ver através de minha alma e desvendar os meus segredos.

 Senti calafrios subirem por minha espinha ao perceber a intensidade de suas investidas, o constrangimento aumentou ao imaginar o que sua mente criativa poderia estar idealizando. Ficamos em silêncio enquanto ela continuou bebericando seu chá, a essa altura o líquido esfriou e a fumaça de vapor quente cessou, é encantador observar a coloração esbranquiçada subindo em espirais pelo ar, formando formas, sombras e imagens distorcidas.


- Eu desconfiei de algo assim acabaria acontecendo, só não imaginei que seria tão rápido - Afirmou quebrando o silêncio predominante dentro do cômodo.


- O quê? - Questionei incrédula e sendo pega de surpresa.


- Querida, eu conheço você desde que era apenas um bebezinho e tenho observado seu crescimento dentro dessas paredes - Sorriu zombeteira - Nenhum garoto despertou seu interesse e os candidatos foram muitos, alguns deles eram excelentes pretendentes - Disse.


- Eu realmente não consigo entender... - Insisti, querendo saber onde essa conversa estranha iria levar.


- Newt e você compartilham muitas coisas em comum, embora as diferenças também existam e sejam nítidas - Respondeu se levantando e andando pela sala - Os dois são imprudentes e com uma tendência natural ao problema, mas são gentis e generosos, em resumo, vocês se complementam - Terminou.


- Essa é a sua teoria? Com todo o respeito, mas isso é maluquice - Levantei abruptamente.


- Os trouxas tem um ditado muito famoso para isso: "Os opostos se atraem", Amélia - Insistiu com entusiasmo.


- Os trouxas também acreditam que comer manga e beber leite pode causar mortes - Zombei e senti um tapa ser desferido contra minha nuca - Aí, isso doeu e foi completamente desnecessário - Murmurei massageando a área atingida com uma das mãos.


- Não tente bancar a engraçadinha - Decretou embora houvesse um pequeno sorriso em sua boca.


- Ok, tudo bem - Concordei e ergui as mãos em sinal de rendição.


- Também existe o fato de seus núcleos mágicos serem compatíveis - Informou e franzi o cenho, sem entender o que isso significa.


- E? - Perguntei, admitindo que conversar com uma árvore seria menos problemático e mais calmante.


- É raro acontecer, mas alguns bruxos compartilham um tipo único e extremamente poderoso laço de união - Respondeu Benedita - É um tipo de magia quase inexistente, mas foi predominante em séculos passados, era a forma com que as pessoas encontravam seus parceiros ideais - Comentou parecendo sentir nostalgia.


- Senhora, por favor, foco - Implorei sentindo o desgaste diante de tamanha enrolação.


- Núcleos mágicos compatíveis significa que os bruxos estão destinados a permanecer juntos, é uma forma nada convencional de encontrar o amor - Sorriu e voltou a ocupar sua cadeira, aquilo mais parecia um trono utilizado pela realeza.


- Então, isso quer dizer que... - Congelei ao começar a entender e juntar as peças do quebra-cabeças.


- Sim, minha doce criança, o destino entrelaçou o seu futuro ao do Sr. Scamander - Respondeu e demonstrou mais entusiasmo do que achei ser possível - Não importa o que façam ou por quanto tempo tentem permanecer afastados, a vida encontrará meios de unir suas vidas - Acariciou meu cabelo com carinho.


- Isso deveria ser considerado romantismo? - Questionei e andei até a porta, o oxigênio parecia ter sumido dos meus pulmões.


- Não brinque com algo tão sério, isso é a demonstração mais absoluta de amor e carinho em nosso universo - Benedita me repreendeu, apenas caminhei e segui andando para meu quarto, ainda mais perdida e assustada do que quando iniciei o dia de hoje.



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