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História Castelobruxo - Interativa - Capítulo 9


Escrita por: e Atrivico


Notas do Autor


Uiuiui amigooos!! Coloquem as fantasias, seu abadá e soltem as serpentinas pois É HORA DO CARNAVAAAAL!!! Mais uma vez quero agradecer por todos os comentários, visualizações, favoritos e todo carinho que eu venho recebendo de vocês!!! Obrigada por iluminarem meus dias de autora!! E chegamos em Agostooo! Mês dos queridíssimos Tonico e Elena!!

Capítulo 9 - Bamboleio que faz gingar


Castelobruxo – Amazônia, 13 de fevereiro de 1945.

 

O carnaval era um dos eventos mais esperados pela jovem de cabelos negros ondulados e de pele dourada, oriunda da poção que havia usado, assim como a maioria dos alunos mais velhos da Casa do Fogo, que deixava sua tez reluzindo como ouro. No entanto, mesmo amando o samba, as decorações e a alegria que sentia naquele evento, não podia negar o quão estressante era montar tudo aquilo. 

Corria de um lado a para outro ajudando os alunos mais novos com os toques finais. O desfile de carnaval era a primeira competição oficial para a Taça das Casas, portanto, a Casa que ganhasse àquela tarde ficaria com a sua flâmula no topo, o que significava certas regalias dentro da escola.

Todos os alunos da Casa do Fogo aguardavam ansiosamente pelo momento de suas apresentações cujas ordens foram decididas por meio de sorteios: primeiro, a Casa da Terra que há algumas horas atrás mostrou tudo o que a incrível flora sul-americana tinha a oferecer numa explosão de flores, e agora era a vez do desfile da Casa do Ar . 

Esgueirando-se entre a muvuca de alunos na base da Pirâmide da Onça-Pintada, Elena conseguiu assistir ao show. Sentiu como se seu coração estivesse batendo no ritmo do batuque alto, mas sua atenção estava nas nuvens cinzas que reluziam com feitiços que lembravam relâmpagos, ciente de que haviam sido feitas com a poção Festa no Céu

— Você acha que conseguiremos vencer? — perguntou Yuri segurando duas vassouras ao seu lado. O menino olhava nervosamente para a apresentação lá fora, mais precisamente para os alunos que voavam sincronizadamente, cobertos de penas cinzas como um bando de Rondolos; lindos, tinha que admitir, mas ainda assim, Elena estava confiante. 

— Claro que sim! — respondeu-lhe tocando levemente seu ombro, tentando transmitir um pouco de confiança. 

— Você sabe que eles estão na Praça do Nome dançando e soltando passarinhos de verdade, certo? — perguntou Yuri, fazendo com que Elena buscasse o lugar com os próprios olhos. Não só na Praça do Nome, onde ficavam os jurados, mas em todos os quintais no meio do canal havia grupos de alunos vestidos com leves tecidos brancos flutuantes que dançavam junto aos pássaros coloridos. 

— Isso não é nada. Vamos, passe essa vassoura para cá, porque daqui a pouco é a nossa vez. — disse, sacando a varinha e começando a silenciosamente conjurar os feitiços de proteção anti-pirética na vassoura que Yuri a entregara. 

Terminou exatamente na hora que o alto grito de Jacinto, líder da Casa do Fogo, foi ouvido pelo local. Sempre achou engraçado o quão difícil era identificar os líderes de outras casas, mas em contrapartida o quão simples era reconhecer o da sua: era o aluno que gritava mais alto que todos. 

— Acendam as vassouras, vamos, vamos! — ordenou o garoto enquanto montava em cima da sua, assim como Elena. 

Incendio! — disseram vários alunos direcionando suas varinhas às suas vassouras, que foram tomadas pelas labaredas que não os afetava, bem como os próprios alunos, graças aos feitiços de proteção aplicados anteriormente. 

Organizaram-se como um enorme V, com Jacinto liderando a equipe antes de darem impulso para saírem do chão. Elena estava atrás de Yuri, tomando cuidado para manter distância. Segurou a base da vassoura com uma mão, sentindo as chamas fazerem cócegas inofensivas em seu braço enquanto direcionava sua varinha à nuvem cinzenta da Casa do Ar. 

Murmurou o feitiço Ignus, concentrando-se o máximo que podia para mudar a cor da nuvem, afinal, quanto mais viva era a cor da nuvem, mais competente e forte eram os alunos daquela casa. Sorriu satisfeita ao ver que o cinza se tornara um laranja vivo, em seguida posicionou-se junto a Yuri acima da Pirâmide do Irara. Olhou para o lado, observou pequenos grupos de alunos parados no alto de cada pirâmide com suas vassouras em chamas antes de trocarem suas posições, movendo-se em seguida como cometas pelo céu. 

Sua tarefa era bem simples: tinha que se manter voando acima do terreno da escola, pois o verdadeiro espetáculo estava nas mãos dos alunos que estavam em terra firme.

Enquanto o samba escolhido pela casa do Ar era leve, os alunos da Casa do Fogo tocavam um ritmo pesado, misturando o pandeiro com as fortes batidas de tambor, da mesma forma que tradicionalmente uma tribo indicava estar se preparando para uma guerra, cujas batalhas estavam sendo representadas pelos pequenos grupos espalhados pelos quintais.

Assistir aos desfiles de outras casas poderia parecer mais demorado do que realmente apresentar, por isso Elena sentiu que os trinta minutos de show em que passou voando pelo terreno da escola e conjurando fogos de artifício não passaram de poucos segundos.

Como de costume, alunos vestindo azul-claro montados em vassouras mudaram a cor das nuvens outrora laranja para um anil vibrante antes mesmo do alto sino indicar o fim do tempo de sua Casa, fazendo todos apagarem suas vassouras e se juntarem na base da Pirâmide da Onça-Pintada mais uma vez. 

— Foi incrível! – disse Jacinto abraçando Yuri pelos ombros – Muito bom, time!

— Engraçado, ele fala como se não tivesse fé em nós. — resmungou Yuri. Elena riu antes de ser silenciada pelo som do pandeiro. 

Elena avistou muitos companheiros do Clube de Artes — pois tinha quase certeza de que metade do clube era composto por pessoas daquela Casa — se posicionando na borda do canal, apontando as varinhas para as águas cristalinas, fazendo surgir uma enorme serpente, grossa, ocupando quase toda a largura do canal. Seus movimentos eram suaves e mesmo sabendo que se tratava de uma simples ilusão feita por feitiços de arte tridimensionais, isso não impedia o arrepio de subir pela espinha de Elena. Afastou-se pelo susto, esbarrando no corpo alto de Yuri.

— Meu pé, Elena! — ouviu o garoto exclamar, desculpou-se rapidamente antes de todas as pirâmides escurecerem. O brilho dourado foi gradativamente substituído pelo negro antes de começarem a brilhar com a cor de cada casa, uma de cada vez, no ritmo do bandoleiro. 

Muitos alunos saíram de suas pirâmides para observar melhor o espetáculo de luzes que deixou até mesmo a diretora Benedita Dourado com olhos brilhando. Abruptamente, o som dos pandeiros pararam, dando lugar ao cavaquinho. 

— As lendas contam que Tupã — soou a voz de Caliandra Abílio ao mesmo tempo em que da base da Pirâmide da Garça-Real, um homem caminhava até o centro, tocando uma flauta, que se transformara em um cajado branco quando este parou, em seguida bateu o cajado no chão, fazendo com que raios fluorescentes saíssem do chão ao topo da pirâmide — foi aquele quem deu o sopro de vida, cuja magia era tão poderosa que originou duas serpentes: Boiúna e Boitatá.  

— A Boiúna foi a grande cobra da criação, ela protegia as árvores e criou os rios para que esses levassem água para o centro da floresta. — disse Judy Blau, sua voz foi facilmente reconhecida por Elena. Enquanto outra pirâmide acendia, a Pirâmide do Irara era serpenteada do topo à base por uma cobra verde brilhante, deixando um rastro de folhas por onde passava. 

— O Boitatá era a destruição, a serpente de fogo que trazia o caos e a entropia à floresta e àqueles que desejavam atacá-la. — a voz suave de um aluno mais novo cujo nome Elena desconhecia, trouxe a atenção para a Pirâmide da Onça, que se iluminou em vermelho, fazendo a garota se virar para observar a serpente de fogo que circundava o lugar. 

— Enquanto era vivo, Tupã fazia o equilíbrio reinar na Terra, mas quando sua missão aqui acabou, decidiu partir. — continuou Caliandra enquanto o desenho do índio caminhava entre as pirâmides, parando no centro, onde deitou-se – Entristecida, Boiúna se transformou numa árvore, protegendo para sempre o seu criador entre suas raízes e caule. – a imagem da serpente verde se contorceu acima do corpo do indígena, transformando-se em uma enorme árvore – Enquanto Boitatá desapareceu, dizem que se escondera nos mais profundos rios e só retornaria quando aqueles que são seus amigos precisassem de ajuda.

O som suave do cavaquinho foi interrompido assim que a jovem terminou de falar, sendo substituído pelos pesados toques de tambor, que lembravam passos de gigante, estremecendo a terra. 

— Nossa, mas como eles irão sambar com essa música? — perguntou Yuri, percebendo o movimento que os alunos de capas azuis-escuras faziam nos quintais. De cara, Elena já sabia a resposta. 

— Eles não irão sambar. — teve seu pensamento confirmado quando os alunos retiraram suas capas, jogando-as longe, mostrando seus corpos desnudos, cobertos apenas com folhas e marcas de tinta vermelha, eles se posicionaram em círculos antes de começarem a balançar os chocalhos. 

Batendo seus pés pesadamente contra o chão no ritmo dos tambores e dos chocalhos, entoavam uma melodia um tanto diferente enquanto giravam pelo círculo. Alguns alunos mais velhos entraram no meio, formando duas rodas que gingavam em direções contrárias. 

— Maldição! — exclamou Jacinto. Sua voz indignada fez com que Elena desviasse sua atenção para aquilo que o líder apontava no céu. 

Castelobruxo tinha seus limites carregados de feitiços, para a proteção e também para o clima, já que as constantes chuvas da região tornariam a vida dos bruxos muito complicada, por isso nunca chovia dentro do terreno da escola, nunca. Por vezes conseguiam ver as nuvens cobrindo o local, mas nenhuma gota sequer tocava o solo, já que o feitiço funcionava como uma espécie de cúpula bloqueadora de todo e qualquer líquido vindo dos céus.

Entretanto, daquela vez nuvens cinzentas preenchiam todo o céu dentro do domo invisível. Não como as nuvens suaves, coloridas e espaçadas da poção Festa no Céu, aquelas eram nuvens densas, carregadas de chuva. 

— Não acredito que eles vão fazer chover! — disse Yuri, mas Elena só conseguia balançar a cabeça, tão impressionada quanto o amigo e pior, tão surpresa quanto os próprios professores e jurados que não sabiam se olhavam para o céu ou para as danças nos quintais. 

Num suspiro, Elena sabia que sua Casa havia perdido a competição assim que sentiu as primeiras gotas de chuva colidirem contra a sua pele. Junto às palmas e os gritos entusiasmados dos alunos da Casa da Água, que correram para se amontoar nos quintais, vieram comemorar contíguos aos alunos que dançaram. Enquanto isso, os professores se juntaram embaixo da Árvore do Nome para contabilizarem os pontos e escolherem o vencedor.

— Muito bem, alunos – a voz grave de Benedita Dourado chamou a atenção de todos, fazendo o silêncio recair sobre o lugar – Tivemos incríveis apresentações hoje. Vocês fizeram nascer árvores e pássaros, pegaram fogo como verdadeiros cometas ao céu e por fim, fizeram chover no deserto. Um verdadeiro espetáculo que mostra a qualidade dos alunos de cada Casa e que por mim, todos estariam em primeiro lugar. – Elena riu com os murmúrios negativos dos alunos – Todavia, obviamente devemos classificá-los: o quarto lugar vai para a Casa do Fogo. 

— Relaxem, pois ainda haverá outras competições. — rebateu rapidamente Jacinto para o grupo de alunos. 

— Em terceiro lugar, temos a Casa da Terra. – essa que aplaudiu e gritou fortemente antes da diretora continuar – Em segundo lugar…. Casa do Ar — os gritos que seguiram vieram dos alunos vestidos de azul, que levantaram suas varinhas para o céu e explodiram as nuvens de Festa no Céu, fazendo chover glitter azul em cima de todos – E claro, a Casa da Água ganhou a primeira prova das competições das Casas. 

O alto ruído de felicidade não podia se tornar uma distração para os alunos mais velhos. Jacinto chamou atenção do grupo mais uma vez, depois de deixar as crianças se divertirem brevemente antes de guiar todos os alunos de volta para o salão comunal. 

Passaram pela estátua sem grandes dificuldades, e após o breve discurso motivacional, os alunos até do quarto ano foram dispensados para seus quartos. Era sempre assim, desde que Elena tinha entrado em Castelobruxo depois do desfile de carnaval, o líder convidava todos a partir do quinto ano a se juntarem ao “baile” que haveria na Casa da Terra junto às demais casas.

Apesar de não ser exatamente algo ilegal, tratavam de ser os mais discretos possível em um enorme esquema onde todos colaboravam com algo, desde os monitores aos líderes de cada casa. Poucos alunos de suas respectivas Casas recusavam uma boa festa e por isso a agitação era grande.

— Vamos levar a jukebox! — gritou alguém cuja voz Elena não reconheceu, enquanto corria para o banheiro para limpar-se da poção e se arrumar para a festa. 

— Elena! – gritou a jovem Naia que entrava correndo no banheiro – Vamos, vamos, eu já estava quase pronta embaixo daquela fantasia, mas você precisa tirar essa poção agora mesmo!

Com a ajuda da magia, elas se livraram do dourado de sua pele, que voltou ao tom moreno normal. Transfigurou sua fantasia cheia de penas num vestido vermelho e calçou os saltos que Naia havia trazido para si, maquiando-se com a ajuda da amiga. 

— Pronta. — afirmou Naia enquanto Elena terminava de passar o batom vermelho, saindo do banheiro e em seguida encontrando a sala comunal quase vazia. Os instrumentos que normalmente ficavam nas paredes em chamas — meras ilusões — haviam desaparecido, assim como a grande jukebox mágica que havia sido levada à Pirâmide do Irara para a festa.

— Vamos. — disse Elena liderando o caminho. 

Andaram a passos rápidos, junto a outros alunos que faziam o mesmo trajeto. Dizem que os bailes de Carnaval eram tradicionalmente dados pela Casa do Fogo, mas devido a muitos incidentes envolvendo uma estátua muito nervosa, a Casa da Terra se propôs a hospedar o evento para a alegria de todos.

— Você acha que ele vai estar lá? — perguntou Naia parecendo estranhamente apreensiva. Conhecendo a amiga, sabia que aquilo era puro drama.

— Quem, o Tonico? – perguntou ganhando um aceno positivo – Claro que sim, ele não perde uma! 

— Essa pode ser a minha chance. — comentou ao mostrarem suas marcas para o simpático Irara de pedra. 

— Pode ser sua chance… — repetiu enquanto o arco se abria, revelando o alto volume musical que saía dali. Almofadas estavam empilhadas nos cantos, deixando o centro livre para acomodar os alunos que ali dançavam e conversavam. Bem no centro, girando em uma roda de samba, estava o garoto que mencionaram: Tonico da Silva, a mais recente paixonite de Naia – Ou não. – ponderou ao ver como ele sorria para a jovem morena com quem dançava. 

— Acho que tentar não vai machucar ninguém, não é mesmo? — disse Naia indo diretamente para a mesa encostada à parede da sala, cheia de comida e o mais especial: bebidas alcoólicas contrabandeadas pelos alunos para dentro da escola.

Apoiado ao lado da mesa estava um jovem alto e magro, seu cabelo escuro estava arrumado para trás, o que deixava à mostra seus olhos puxados.

— Luís! – gritou Naia, abraçando brevemente o menino, que corou – Eu não sabia que você viria, aliás, parabéns pelo desfile. 

— Realmente, não lembro de ter visto você aqui ano passado. — comentou Elena suspeitando da presença do garoto, que normalmente recusava festas.

Não podia negar que a ideia de ter que socializar, dançar e muito provavelmente passar vergonha era aterrorizante, mas Luís tinha um motivo nobre para estar ali naquela noite — pelo menos era disso que tentava se convencer. 

Sabia que mesmo que sua ideia inicial fosse puxar Naia para dançar e se divertir, sua timidez não o deixaria fazê-lo, mas estava se esforçando para seguir o que Rafael havia dito há algumas noites: tinha que arriscar. 

— Eu não tinha nada melhor para fazer. — mentiu, coçando sua nuca. Mesmo que Elena e Naia tenham trocado olhares suspeitos, nenhuma insistiu. 

— Olhe, ele parou de dançar! — disse Naia. Seu cabelo castanho estava solto e seus olhos esverdeados brilhavam. Luís demorou-se, prestando atenção na moça, na pele morena dos ombros desnudos pelo vestido, o que seria considerado inapropriado se algum monitor estivesse interessado em tirar pontos de sua casa, e a garota sabia muito bem que hoje não era um dia em que eles estavam muito empenhados em suas funções. 

— Essa é a sua chance Naia, vai lá! — encorajou Elena, empurrando levemente a amiga na direção do dono dos atuais apertos que sentia no coração. O jovem era mais baixo que Luís, mas tinha quase a mesma altura de Naia. A pele negra não tinha nenhuma imperfeição aparente e apenas destacava o sorriso charmoso, além de ser claramente mais forte, mais simpático e hábil na dança. A lista de “Coisas em que Tonico é melhor que Luís” era enorme. 

Tudo o que podia fazer era ficar parado, observando Naia tocar levemente nos braços de Tonico, sorrindo abertamente enquanto tentava conversar sobre algo que Luís não conseguia ouvir pela distância, mas conhecia as habilidades de socialização de Naia e sabia que seria apenas uma questão de tempo para que conseguisse conquistar a atenção de Tonico. 

— E você vai ficar parado aqui? – perguntou Elena – Vamos dançar! 

— Eu não danço… — comentou, olhando para as pessoas que “dançavam” ao seu redor, o que na sua opinião, eram poucos, já que a maioria estava ébria, fazendo movimentos estranhos chocando seus corpos naquele lugar lotado.

— Bem, se você quiser, pode se juntar a mim. — disse antes de ir em direção ao centro abarrotado de estudantes de várias casas, estes que dançavam como se não houvesse amanhã.

— Vamos Malai, é a primeira vez que nos deixam ficar! — disse um jovem alto fazendo manha para a garota baixinha e franzina escorada na parede, seus cabelos encaracolados escondiam-lhe o rosto, mas Luís não precisava vê-lo para reconhecer Malaika dos Anjos. 

— Primeira e última, não acredito que eu deixei você me trazer para cá! Olha como isso aqui está cheio! – disse olhando ao redor, pouco antes de suspirar – Eu poderia usar esse tempo para estudar Poções!

— Eu também. — disse Luís, simpatizando com a dor da jovem, não pela inabilidade em poções, afinal, não era ruim na matéria, mas entendia o lado ruim de estar em um lugar sem realmente querer.

— Olha só, já fizemos até amigos! Meu nome é Benjamin Médici, e você deve ser o Luís Wang. – disse o garoto, tão rápido que Luís ficou um tanto confuso, já ia perguntar de onde o menino sabia seu nome quando foi interrompido – Eu fiquei verdadeiramente preocupado com o que aconteceu no jogo da Casa da Água e da Terra no ano passado, mas eu pensei que talvez seria estranho caso eu perguntasse se você estava bem depois daqueles balaços, até porque nunca tínhamos conversado antes. 

Sua cabeça latejou só de lembrar da situação caótica e dolorosa que foi aquele jogo. Luís era uma pessoa ágil e rápida na vassoura, mas foi impossível desviar dos batedores daquela casa, ganhando quase uma semana na Ala Hospitalar de presente, mas sentia-se quase aliviado em saber que os batedores em questão haviam se formado no ano anterior. 

— Acho que você assustou ele. — cochichou Malaika para o amigo, que abriu a boca para se desculpar, mas que foi interrompido por Luís. 

— Não, não, eu só estou um tanto surpreso, mas agradeço a preocupação. — apressou em explicar-se.

— Certo… — respondeu Benjamin. 

Luís permaneceu em silêncio, observando os demais enquanto a dupla ao seu lado retornou à conversa que ele não estava prestando atenção, seus olhos estavam focados no centro da sala comunal. 

Estava focado em como Naia girava e sorria, em como as mãos de Tonico tocavam-lhe educadamente as costas, como a guiava entre passos rápidos, que deixavam Luís tonto somente por olhar.

As outras pessoas estavam ocupadas se divertindo também. Alguns conversavam em pequenos grupos, enquanto outros cortejavam próximos aos jardins verticais. Reconheceu o capitão do time de quadribol da Casa da Terra, Kaluanã de Souza, que beijava a mão de uma quintanista que também sabia o nome, Aritana Oiticica. Apesar de não conversar com muitas pessoas, Luís era muito bom com nomes. 

Retornou seu olhar para Naia no exato momento em que Tonico deixou a garota para dançar com a jovem negra de longas tranças, Gabriella Hasselbainke, que igualmente sambava no ritmo da música dos sem-feitiços, que Luís também conhecia. A passos frustrados, sua amiga caminhou até a mesa em que estava apoiado, e pelo brilho triste em seus olhos, Luís sabia que aquele era o momento de tirar Naia dali.

Eita, vamos com calma. — disse, retirando delicadamente a garrafa verde de Cachaça Pererê de sua mão. 

— E se eu não quiser ir com calma?! – esbravejou rapidamente, fazendo Luís se afastar da garota, que ao perceber seu tom de voz, fechou os olhos e respirou fundo – Desculpe, eu só estou um pouco... Frustrada.

— Eu sei, – afirmou – mas sinceramente, não acho que seja a melhor coisa a se fazer. 

— Eu só queria dançar mais um pouquinho com ele. – reclamou a jovem, olhando tristemente para onde Tonico dançava, tão rápido quanto a troca de parceiras – Será que eu danço tão mal assim?

— Bom… Acredito que Tonico não esteja realmente prestando atenção em quem dança bem ou mal, ele parece que só quer dançar mesmo. – disse calmamente, como se estivesse pisando em ovos, atentando-se a qualquer reação da amiga, esperando por evidências de que pudesse ter dito algo errado, mas como tudo parecia bem, tomou coragem para sugerir uma mudança de planos – Pois então, o que você quer fazer agora? Quer dançar?

Não acreditava que tinha sugerido aquilo, mas que ideia mais estúpida! Ele nem ao menos sabia dançar uma música lenta, quem dirá um samba, com todos aqueles passos complicados e pequenos saltos! 

— Acho que já deu para mim. — ouvir Naia falando aquilo o fez soltar uma respiração que o fez voltar a perceber o que estava segurando, sentiu-se aliviado que não teria que se constranger daquela forma. 

— Certo. Eu posso te acompanhar até a Pirâmide da Onça se você quiser. 

— Claro, vamos. — disse Naia num sorriso, entrelaçando seu braço fino no de Luís e guiando o caminho entre a muvuca de gente até o arco para sair da sala. 

O ar fresco lhes deu calafrios, o que fez Naia pressionar a lateral de seu corpo contra a de Luís. Caminhavam pelo canal sem se preocuparem se seriam pegos, afinal, a maioria dos monitores estava na festa ou estava cuidando para que nenhum aluno mais novo participasse do baile de carnaval.

— Naia… – chamou sua atenção, fazendo com que a menina virasse aqueles olhos verdes e assustadoramente brilhantes em sua direção; pigarreou antes e continuar – Sobre o Tonico e os seus sentimentos-

— Sim, vamos analisar. – interrompeu-o, respirando fundo antes de bombardear Luís com tudo o que passava por sua mente. Seus lindos olhos arregalaram-se suavemente com a ideia genial que passara por sua cabeça desmiolada – Eu andei pensando com os meus botões e ele deve ter feito isso para não deixar tão na cara! Sabe, dançar com outras pessoas para parecer mais discreto, porque você sabe, as pessoas esperam que você forme uma família rapidamente e talvez ele só queira dar um tempo para me conhecer melhor, o que eu concordo totalmente. – suspirou – Ele é tão incrível, pensa em tudo mesmo!

— Hum, eu não sei... — comentou baixinho, pois mesmo que a teoria da amiga não parecesse muito tangível, não queria tirar-lhe o ar sonhador. 

— Acho que ele se daria muito bem com o meu pai, porque ele é do Ar, meu pai é do Ar, ambos foram líderes durante seus anos. Perfeito, certo?

— Sim, combinam. – confirmou a contragosto, parando a seguros metros da estátua da Onça Pintada, que quase sempre rugia de forma imprevisível – Pois bem, a senhorita está entregue, espero que seu carnaval não tenha sido tão ruim.

— Obrigada, Luís. – disse sorrindo – Não foi ruim, eu dancei e me diverti bastante, vi coisas lindas hoje, graças ao desfile da Casa da Água, que por sinal foi realmente incrível, mas não se sinta tão seguro, pois vamos ganhar as outras competições. – disse-lhe dando um soco leve no ombro – E também, hoje foi só o início de uma linda história de amor, espere e verás.

— Esse ano nosso conselho tem o Rafa, duvido muito vocês conseguirem ganhar. Já tire quadribol da sua lista, porque essa prova é nossa também. — respondeu, ignorando seu último comentário sobre uma possível história de amor.

— Pode apostar que vamos fazer vocês comerem areia. 

— Vamos? Perdeu o medo da vassoura? — levantou a sobrancelha para a jovem que apenas revirou os olhos. 

— Você entendeu! O time da minha casa vai ganhar no quadribol e em todas as outras provas. – resmungou, corrigindo sua frase, o que cessou os risos de Luís – Boa noite, até amanhã. Durma direito porque eu preciso muito de você acordado para as aulas de História.

— Boa noite, Naia. — desejou enquanto a garota afastava-se dele. Ficou parado observando como as pernas torneadas pela natação não deixavam de parecer delicadas contra o tecido do vestido, enquanto o arco se abria já que a onça de pedra havia deixado Naia entrar facilmente no salão comunal. 

Poderia ter escolhido o caminho mais curto para a Pirâmide da Sucuri, mas o longo era mais bonito, por isso Luís estava novamente acompanhando o canal, confirmando com  total certeza de que Castelobruxo era o melhor lugar para ver o céu. A falta de poluição e da eletricidade faziam com que somente o brilho da lua fosse o suficiente para iluminar tudo. Sorriu, lembrando de como ficou impressionado na primeira vez em que descobriu que a lua podia clarear um lugar daquela forma.

Se pudesse ser um pouco mais corajoso, teria convidado Naia para se sentar na grama e assistir ao luar e às estrelas junto com ele. Talvez se tivesse sido um pouco mais articulado com as palavras, as coisas poderiam ter sido diferentes.. 

Suspirou, aquele ainda não era o momento. Sua mãe, sempre tão supersticiosa, dizia que quando as coisas tinham que acontecer, tudo colaborava, porém hoje não havia sido um dia propenso para uma declaração, portanto, sua declaração não deveria acontecer àquela noite.

Adentrou a sala comunal, encontrando pouco antes a sucuri enroscada no cajado sibilando para o casal ao seu lado; tentou ser silencioso, mas o casal parou sua demonstração pública de afeto e o encarou assim que o menino mostrou a marca da Casa para a estátua, abrindo o arco ao lado da dupla. 

Reconhecia Miguel Escaramuza, seus cabelos castanhos sempre tão arrumados tornaram-se uma bagunça naquele momento, bem como tinha a impressão de que a culpada era a namorada do garoto, Raíra Cujaré. A jovem roliça de pele escura esticava-se para dar mais um beijo de despedida em seu namorado antes de adentrar o salão comunal.

A sala comunal de sua casa estava silenciosa como sempre, havia apenas o leve som da cascata mágica no local. Pelo horário, o recinto estaria vazio, mas graças ao carnaval, alguns alunos que optavam fugir do baile, aproveitavam o tempo para estudar ali já que a biblioteca estava fechada, ou simplesmente para conversar. Entretanto, foi de enorme surpresa quando encontrou seu colega de quarto, Rafael, por ali. 

— Pensei que já estivesse dormindo. — comentou com o jovem de pele clara e cabelos castanhos que se levantava da poltrona próxima à parede de queda d’água.

— Eu tenho ronda agora, pensei que seria melhor ficar acordado do que dormir e ter que despertar no meio do sono para isso. — respondeu simplesmente. 

— Claro, a maravilhosa vida de monitor. — disse brincando.

— Tem seus lados bons e ruins. – ponderou – Bem, eu já vou indo, não espere por mim. — disse brincando enquanto saía. Seus passos rápidos não eram muito característicos para alguém que passaria a próxima hora andando por aí tirando pontos de alunos, mas Luís resolveu ignorar. 

Contudo, o olhar estranho que seu amigo trocou quando cruzara com Raíra não lhe passou batido, muito menos o sorriso que viu no rosto de Miguel, que ainda estava parado do lado de fora.

Luís podia pensar que aquilo era incomum, mas não para Miguel. Encostado na parede de pedra, ele pensava em como tudo aquilo era uma rotina insana, porém muito divertida e particularmente, ele não estava nenhum pouco a fim de fazer aquilo parar de acontecer. 

— Que gentil de sua parte levar sua namorada até a Casa dela. — comentou Rafael enquanto se aproximava. 

— Quem disse que eu não vim te buscar? — sugeriu, arqueando as sobrancelhas. Quereria jogar seus braços no ombro do mais alto, assim como fazia com Raíra, mas não podia, não ali. 

— Claro, claro. — disse revirando os olhos, o que fez Miguel rir e observar o rosto do garoto, apreciando o tom de mel em seus olhos emoldurados pelas grossas sobrancelhas, o nariz fino, assim como seus lábios e maxilar. 

Respirou fundo antes de caminhar na direção de sua pirâmide, ouvindo os passos calmos e quase inaudíveis de Rafael atrás de si, repetindo cenas que já viveram outrem. Miguel costumava acompanhar sua namorada até a sala comunal, sendo em seguida, acompanhado por Rafael, que faria seu turno como monitor patrulhando os corredores da Pirâmide da Garça-Real, mas que às vezes o acompanhava até seu quarto para aprenderem mais sobre a arte das mentes, um assunto que interessava ambos, ou era isso que tentava dizer a si mesmo. 

Não que Miguel não amasse Raíra, ele a amava, os pais dele a amavam. Raíra era uma de suas melhores amigas e faria de tudo por ela, mas isso não eliminava o que sentia por Rafael, na verdade apenas o deixava com uma terrível dor de cabeça. 

Caminhavam à distância um do outro, pois assim teriam as desculpas necessárias caso alguém perguntasse, mas isso raramente acontecia, e caso acontecesse, Miguel alegaria que iria rumo ao seu quarto e que Rafael estaria fazendo seu trabalho como monitor, fácil. 

Perfeito? Talvez, mas muitas coisas naquela situação estavam longe de serem perfeitas, mas era o suficiente para a forma como viviam. 

Mostrou sua marca para a Garça de pedra na entrada do seu salão comunal mas não entrou de imediato. Esperou Rafael se aproximar para entrarem juntos, pois a estátua protetora só permitia alunos de outra Casa adentrarem caso estivessem acompanhados por membros do Ar. 

O salão comunal estava vazio, como sempre estava naquele horário. Muitos estavam ocupados no baile de carnaval ou em seus próprios quartos cuidando de suas próprias responsabilidades. Miguel não se importava, na verdade agradecia aqueles momentos de privacidade que favorecia a discrição. 

Andaram lado a lado pelo corredor dos dormitórios individuais dos alunos do sétimo ano. Sentia o corpo de Rafael ao seu lado, estava totalmente consciente de que suas mãos estavam próximas e a sensação do leve formigamento em sua própria desejava segurar. Ao invés disso, as levou aos seus cabelos curtos, tentando arrumá-los da bagunça que Raíra havia deixado há alguns minutos atrás.

Tirou a chave de seu bolso, abriu a porta de seu quarto, que era uma versão menor do seu na Mansão Escaramuza, muito similar ao original graças aos espelhos, à espaçosa cama de casal, às estantes cheias de objetos mágicos interessantes e à pequena coleção de dragões em miniatura, a única grande diferença era a vista das janelas, da qual não conseguia ver a eterna paisagem branca oriunda da incessante neve da Patagônia, e sim o verde escuro da floresta iluminada pelo luar.

Sentou-se na ponta de sua cama, esperando pacientemente Rafael estar à sua frente para que finalmente pudesse tocar seu corpo. Segurou suas mãos primeiro, mãos brancas de dedos longos, muito diferentes da pele avermelhada que tocara há pouco tempo atrás. 

Tentava não comparar, mas era difícil. 

Era muito difícil não comparar quando fazia exatamente os mesmos atos, mas recebia respostas tão diferentes. Puxou Rafael delicadamente pelo pescoço, aproximando seus rostos e sendo entorpecido com o cheiro de baunilha que sempre exalava do garoto, inundando o ar quente que os rodeava. 

— Vocês fizeram um desfile excelente hoje. — comentou baixinho, encostando sua testa na do mais alto. 

— Você admitindo que fomos melhores? — perguntou rindo. 

— Um pouco melhores, afinal, eu não fui o líder. — respondeu, fazendo Rafael revirar os olhos. 

— Você precisa superar isso. — disse Rafael, seu tom e olhar eram sérios demais, mas Miguel não gostava daquilo, então tratou de deixar sua expressão mais leve. Levou suas mãos para o rosto do rapaz e beijou a ponta do seu nariz, o que normalmente fazia Raíra sorrir, mas que não mudou em nada a expressão do mais novo. 

Beijou-lhe o rosto, pressionando levemente seus lábios contra a bochecha do jovem, em seguida contra o canto de sua boca e finalmente com o juntar de seus lábios, seu coração batia rápido demais para o seu próprio gosto.

No começo de tudo aquilo, Miguel tentou parar. Asseverou que realmente tentara não se apegar emocionalmente, afinal, tudo aquilo era para ser uma brincadeira. Um treino para que quando se casasse com Raíra, soubesse como satisfazê-la da melhor forma possível, ao mesmo tempo em que não a estava traindo, porque não estava tocando outra mulher. No entanto, isso não o impedia de se sentir impuro, pois todas as regras e barreiras que Miguel havia imposto no começo já tinham sido quebradas há muito tempo. Lembrou-se de como apenas o pensamento de beijar Rafael nos lábios parecia tão pecaminoso em sua mente aos dezesseis anos, mas agora parecia o mais certo possível. 

Se ambos eram como água e ar, Miguel podia sentir-se no meio de uma tempestade. Nuvens carregadas nublavam sua mente durante o toque de Rafael em seus ombros, num movimento suave ao seu colo. Miguel rodeou o corpo do brasileiro como o vento rodeia folhas nas ruas; desejou estar o mais próximo possível dele, ansiando por um mergulho naquela piscina austrífera que eram seus sentimentos. Não gostava daquela turbulência em seu peito, e podia sentir o amargo gosto da culpa por saber que estava fazendo aquilo em corações alheios, mas não podia evitar. 

Acirrou o aperto em sua cintura, adorando o calor tropical intenso vindo das mãos de Rafael e fluindo por seu corpo, os sons do beijos eram abafados pelos murmúrios que o garoto soltava ora antes, ora depois dos amassos. Tomou a oportunidade de deitá-lo, empurrando-o contra o colchão macio da cama, suas mãos deslizavam deliberadamente para suas coxas, distribuídas em impudicos apertos. 

Miguel… — sussurrou o mais alto, sua voz manava rouca contra seu ouvido, dissipando-se enquanto o argentino lhe aplicava beijos no pescoço, mordiscando a pele sensível com cuidado. Estava tão imerso em suas próprias sensações que sequer percebera quando sussurrara.

— Você deveria dormir aqui essa noite.


Notas Finais


- O que acharam? Espero que vocês tenham gostado. Eu queria descrever com detalhes todas as apresentações isso deixaria o capitulo enorme. Mas espero realmente que tenha sido agradável para todos vocês.

- Sobre a Apresentação da Casa da Água que foi inéeeeditah fazendo dança da chuva, projetando histórias nas paredes das piramides: Deixo pra vcs um vídeo curtinho da onde eu tirei a inspiração para uma parte da apresentação da água, recomendo vocês assistirem, é maravilhoso! E tem tipo menos de 2 minutos: https://www.youtube.com/watch?v=yFt0d1p51hk

- Quero avisar vocês sobre as próximas datas: Capitulo 10 será postado no dia 05/08 e o Capitulo 11 (Final do Arco I) será postado no dia 08/08, tomarei uma semana de pausa para que todos consigam colocar em dia suas leituras do primeiro arco e teremos o Arco II iniciando no dia 22/08 mas não se preocupem, vocês não vão ficar totalmente sem Castelobruxo.

- O @SeventhDevil, também conhecido como beta lindíssimo, está escrevendo um spin-off (que faz parte do canon de Castelobruxo). A história se passa em 1944, um aninho antes e terá três capítulos postados aos sábados também, então vão dar uma olhadinha lá: https://www.spiritfanfiction.com/historia/laguna-20080184

- Guia de Criaturas Mágicas:https://docs.google.com/document/d/1kzAt8PWa2iHuHeaWKS3sfwYg2b5P7bdNUFnXBFsPX78/edit?usp=sharing

- Guia de Castelobruxo:https://docs.google.com/document/d/1P-Qfzui4_VQ_WpxExCtrpA3GN6aqob9wJvVSowFy2DQ/edit?usp=sharing

- Grupo no Whatsapp:https://chat.whatsapp.com/KdAJSYB1uHcEpjIqRz2XU8


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