História Castelobruxo - n.s. - Capítulo 25


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Categorias Animais Fantásticos e Onde Habitam, Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Credence Barebone, Gellert Grindelwald, Jacob Kowalski, Newt Scamander, Percival Graves, Porpetina "Tina" Goldstein, Queenie Goldstein
Visualizações 47
Palavras 1.747
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 25 - Castigada


Um clima estranho pairou sobre o casal de magizoologistas naquela manhã. Aurora parecia ter absorvido a aura introvertida do homem, já que encarava qualquer lugar senão o rosto alheio à todo o tempo e não abria a boca nem para falar o necessário.

Então não era de se estranhar passarem toda a manhã sem trocar uma palavra enquanto comiam mangas que a professora havia achado lá perto. Claro, tivera de usar um encantamento para obter-las visto o fato de não estarem nem perto da época certa em que as mangueiras enchiam-se das saborosas frutas.

Newt passara a noite praticamente em claro logo após aquela cena um tanto quanto animadora e desconfortável ao mesmo tempo. Um lado dele se arrependia, já que não falava mais com Aurora desde então.

O outro se amaldiçoava por não ter roubado os lábios da mulher logo quando pôde.

Ambas as partes ansiavam saber o que ela tinha visto quando suas testas se encontraram, afinal; o que o magizoologista poderia ter feito de tão ruim que a fizera mudar de ideia sobre ele?

Seria pela história que havia o expulsado de Hogwarts? Ela o culpava pelo fato mesmo não sendo de todo culpa dele?

Newt sentia-se enjoado só de pensar que a mulher achava algo errado sobre ele, tentava conversar, mas estava ou fingia-se concentrada demais em suas visões para ouvir ou apertava o passo.

Aurora encontrava-se uma confusão por dentro. Nada fazia sentido para ela mais, nem o fato de Newt ter realmente tentado beija-lá ou a visão que ela tivera dias antes, quando beijara Augusto.

E agora sentia-se seu estômago embrulhar só de pensar nas palavras de seu amigo.

Ele a disse que sentia que Aurora estava prestes a seguir em frente.

Mas seria aquilo mesmo? Estaria ela realmente pronta para seguir em frente após ter perdido o amor de sua vida da forma mais trágica possível?

Não, não estaria. Não poderia e não iria.

Não quando mesmo sentindo algo por Augusto durante os sete anos que se seguiram, Raoni sempre fora o único pra ela. Não era a chegada de um britânico excêntrico que mudaria seus sentimentos.

Ela era fiel ao seu marido e sempre seria.

Sempre.

A mulher estava quase se convencendo daquilo no segundo dia em que passaram sem se falar quando sentaram-se ao pôr do sol.

Em um súbito inconsciente consciente, ambos prendiam o olhar no horizonte.

Às vezes seus olhos caíam para a mão alheia - algo bem comum desde que pararam de se falar. - antes de voltar para um ponto fixo por entre aquela bela paisagem que era a cachoeira refletindo o pôr-do-sol por entre a água e criando arco-íris, algo tão estonteante que arrancaria suspiros de qualquer um.

Se Newt não estivesse apaixonado pela pessoa ao seu lado.

Eles estavam cientes daquilo, claro, cientes de que suas mãos estavam a milímetros de distância uma da outra e que esta diminuía mais e mais a cada instante, cientes de que em pouco segundos acabariam se encontrando.

Mas ao mesmo tempo, não deixavam transparecer sua ciência. Mesmo sabendo que o outro sabia, continuavam a fingir que aquilo era apenas acaso, que a vista deslumbrante era muito mais interessante que o fato de que já podiam praticamente sentir o calor irradiado do corpo alheio. Era algo bobo da parte dos dois, mas aquele ato estranho de um sentimento escondido era mais comum do que parecia.

Uma perfeita demonstração da natureza mesquinha humana que não permite-nos dar-mos como entregues à outra pessoa tão facilmente, prefere tentar deixar em entrelinhas o que está em negrito.

Era como um grito no vácuo de corações inseguros e apaixonados, pintavam as faces de vermelho e faziam seus peitos palpitaram.

Naquela hora, não havia mais Augusto, Raoni ou Tina. Havia Newt e Aurora e suas mãos e uma cachoeira multicolorida.

Então a fina camada de seda roçou a lateral do seu dedo mindinho da mão esquerda, sentiu todo o ar escapar-lhe e logo aproximou-a mais, deixando-a em cima da mão coberta pela luva da professora.

Poderia jurar que elas se encaixavam perfeitamente, como se tivessem sido feitas para isso. Era algo idiota de um homem apaixonado, Newt via isso. Ele buscava prestar atenção em todos os detalhes das sensações em seu corpo como numa pesquisa científica minuciosa sobre algo que nunca entenderia; o comportamento humano quando sentimentos eram envolvidos sobretudo.

Passeou o polegar pelas costas da mão da mulher em movimentos circulares, uma leve porém notável carícia. Aurora não pôde conter o sorriso que não foi percebido pelo homem.

Queria poder ser normal. Tirar a luva e sentir a pele do magizoologista tocar diretamente na dela.

Virou-se e pôde ver perfeitamente, os últimos raios do sol do verão que deixavam os cabelos do homem vermelhos-fogo, deixavam suas sardas destacadas e olhos brilhantes, quase refletindo os tons de dourado que chocavam-se contra estes.

Talvez fosse pelo belo sorriso de canto que o homem sustentava, talvez fosse seu cabelo desarrumadamente arrumado, talvez fosse sua cabeça que não estava mais inclinada para frente em paralelo com o chão, mas sim para o lado, quase como se repousasse.

Talvez fossem as pequenas rugas de expressão, talvez fosse o modo que a camisa dele estava; desarrumada, gravada desfeita, mangas dobradas até os cotovelos.

Mas aquilo aqueceu o coração e congelou o estômago da brasileira de uma forma inimaginável, de uma forma inexplicável.

Naquele momento, ela soube com toda a certeza de seu ser que o queria. Mesmo que ele fosse embora para sempre, como achava que iria, mesmo se nunca mais o visse afinal.

Mesmo que sua visão de duas noites antes fosse cumprida.

Amaldiçoou-se por demorar tanto para chegar naquela conclusão.

Às vezes estamos tão acostumados em um único tipo de amor que esquecemos que as pessoas são diferentes, viveram de formas diferentes, pensam de formas diferentes e se portam de modo diferente portanto demonstram seu amor único, seja ele excêntrico ou não. Ela sabia que não se sentiria assim nunca mais, que nunca teria uma história de amor tão bela e fugaz quanto aquela. E, por Iemanjá, queria aproveitar aquilo! Queria olhar pra trás quando estivesse imersa em seu passado e não se arrepender por nada que não fez.

Por nada que não foi.

Mas ao mesmo tempo era castigada.

Castigada com os olhares de Augusto, castigada com toda a sua história com Raoni.

Castigada pela visão de duas noites antes.

Fechou os olhos e respirou fundo, afastando sua mão do homem.

Newt pareceu confuso e murcho, como se a mulher tivesse certamente reconfirmado sua falta de interesse por ele com uma autenticidade a mais. Ela suspirou, virando o olhar para ele.

– Está tudo bem. – disse-a derrotado, como se toda a alegria do mundo tivesse desaparecido. Sentia um bolo em sua garganta e teve dificuldade de engoli-la junto com saliva. Pigarreou para ser melhor entendido. – Eu entendo.

– Você sabe o que significa. – ela suspirou. – É melhor assim... Quer dizer, nos conhecemos há uma semana e... – os olhos da morena se preencheram com lágrimas. – E há tanto que não sei...

– Eu não me importo. – a interrompeu, o coração falhando uma batida. – Eu quero te contar tudo. – envolveu a mão da mulher novamente, sem hesitar o olhar sobre o dela, algo raro.

Uma solitária lágrima lavou o rosto da magizoologista.

– E há tanto que não sabe. Há tanta coisa ruim, você... Você nem imagina, Newt.

– Você confia em mim? – aquela simples pergunta fez com que todo o mundo de Aurora virasse de cabeça para baixo.

Ela o fazia?

Estava prestes a jogar no ar toda a promessa de eternidade que fez no altar com Raoni, estava prestes a magoar novamente um excêntrico português que reafirmava que continuaria a esperando até que não tivesse mais jeito.

Estava em um dos lugares mais perigosos do planeta, uma vegetação que a castigava com memórias boas de um passado que fora tirado dela só para poder ajudar o homem em sua louca missão para salvar seu filho adotivo.

Ela não precisaria nem responder, e não o fez. Não com palavras.

Apenas aproximou-se, acariciando a bochecha dele com o polegar e com os olhos bem abertos afim de poder memorizar cada detalhe do que estava prestes a acontecer. Havia um arco-íris no rosto de Newt, refletido por conta da luz que batia na água corrente e sofria refração.

– Não tem problema se não quiser. – ele a disse. – Eu entendo perfeitamente.

Aurora apenas inclinou-se e tomou os lábios dele.

Enquanto seus lábios se encontravam, os olhos de ambos mudavam de cor para o azul elétrico.

Aurora pôde ver um pôr-do-sol como aquele atrás de uma pirâmide egípcia, havia um grande pássaro-trovão ao seu lado que parecia bem ferido, mas calmo.

– Eu vou te levar pra casa, Frank. – disse Aurora.

Então voltava-se para realidade e ainda tinha os lábios pressionados contra os do autor que acariciava seus cacheados cabelos enquanto beijava-a calmamente.

– Me deixa em paz! – a garota gritava, parecia estar em pânico enquanto um garoto que era familiar para Newt aproximava-se dela. Vestia a camisa de botões de mangas curtas negra, uniforme da Instituição de Aprendizado em Magia. – Ferreira, por favor! – então lembrou-se de onde o vira.

Era um dos professores do Castelobruxo.

– Você os contou! Vai pagar por isso! – ele respondeu, empurrando-a.

Aurora segurou a nuca dele e intensificou a troca de afeto. O contato com sua pele a proporcionou a visão que o mesmo estava tendo.

Rapidamente afastou-se.

– A-Aurora... – ele chamou desconcertado pelo súbito afastamento.

Ela o encarava quase assustada enquanto seu peito subia e descia rapidamente.

Newt deu-lhe um sorriso doce, como se tentasse a transmitir confiança. O que era ridículo.

– Não tem que ter vergonha disso, já te disse... – então colocou uma mecha do cabelo da mulher para detrás de sua orelha, roçando sua pele exposta com a ponta dos dedos.

Aurora pôde ver então uns garotos com vestes bruxas negras e gravatas verdes. Estavam dispostos em forma de circunferência e empurravam com força o corpo dela.

– E então, Salamander? Achou mesmo que deixaríamos você sair nem com tudo aquilo?! – era a voz dura de um garoto loiro e olhar cruel.

– Abraxas, eu...!

– Podem acabar com a raça dele! – o loiro declarou.

E então Aurora encarava os olhos de Newt novamente.

– Vem. Vamos entrar na maleta... Está esfriando.

– Não. – ela disse rapidamente, se pondo de pé. – Não dá. Não... – parou e então engoliu em seco, estava nervosa e sentia suas mãos tremerem. – A-Até amanhã, senhor Scamander.

– Aurora...

Mas a professora já tinha entrado em sua própria cabana previamente montada



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