História CasteloBruxo: O Relógio de Ouro (Interativa) - Capítulo 5


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Palavras 3.732
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Finalmente chegamos com o primeiro capitulo— um pouco mais tarde do que imaginei.
Estamos oficialmente iniciando a historia, eu não poderia estar mais animada!
Espero que gostem do capitulo, pois foi escrito com muito carinho para vossas senhorias que estão a ler. Lembrando que a historia tem um grupo, onde nós constantemente conversamos com vocês, compartilhamos teorias e soltamos diversos spoilers e conteúdo exclusivo para quem participa do grupo.

Este capítulo foi Idealizado pela @Jac_Mustard e foi Escrito em conjunto por @Jac_Mustard e @Gabe_Potterhead

Capítulo 5 - 1.0 - Salve-se Quem Puder


Fanfic / Fanfiction CasteloBruxo: O Relógio de Ouro (Interativa) - Capítulo 5 - 1.0 - Salve-se Quem Puder

TAC TAC TAC TAC TAC….

O barulho emitido pelas unhas de uma das estudantes confinadas a detenção era a única coisa que se podia ouvir pela sala. O constante ruído já estava irritando Guilherme quando a porta foi aberta e, pela mesma, passou Margarida de Souza, a professora de Herbologia.

A professora parou assim que se fez presente dentro da estrutura, analisando os estudantes que jaziam espalhados em sua estufa. Carregava uma feição séria, o canto dos lábios finos torcido em sinal de completo desgosto e olhos esverdeados semicerrados. 

Guilherme engoliu em seco quando os ameaçadores olhos da mulher passaram por si. Mesmo com sua baixa estatura, a professora Souza ainda era incrivelmente intimidadora.

A mulher ajeitou seus cabelos completamente brancos e arrumados antes de desfilar até sua mesa. Seu sobretudo negro varrendo o chão atrás de seus pés. Até alcançar a mesa de madeira polida a frente da sala, seus saltos grunhiam a colidir contra o chão.

A mulher parou em frente a mesa única para a mesma e ficou observando seu relógio de pulso por longos segundos. Ao passar quase dois minutos, apenas visando a professora, Guilherme imaginou se a detenção inteira seria assim, um completo silêncio enquanto o mesmo se dissolve em tédio completo. Quando o mesmo iria deitar a cabeça na mesa para tirar um cochilo um som de batida viajou por toda a sala.

— A partir de agora, sua detenção começou.— Margarida havia chocado seu grosso livro de herbologia sobre a mesa.— São exatamente 8:30 da manhã e vocês estarão liberados apenas as 15:30, ou seja, vocês tem exatas oito horas para arrumar a bagunça que os alunos do primeiro ano fizeram na aula de ontem e preparar as Beladonas e Algas Calcárias para a aula de Segunda-feira.— A mulher apontou para toda a enorme estufa que os rodeava.— Estarei nas estufas Omega e Beta, ou seja, qualquer barulho eu irei ouvir.

A mulher pôs-se a andar em direção a saída da estrutura quando pareceu ter se tocado de algo. 

— A propósito…. quase esqueci de parabenizá-los. Acho que temos uma novo recorde, aqui em CasteloBruxo. Já que vocês são os primeiros a estarem na detenção, logo no segundo mês de aulas. Aviso que se não estiver tudo preparado até às 15:30, todos voltarão aqui amanhã, para terminar o trabalho.

E então sumiu da vista dos adolescentes presentes na estufa alfa.

 

Consideravelmente longe daquele local, longe demais para os jovens terem noção da reunião que se passava, em uma das vilas bruxas mais isoladas de todo Chile. Quatro homens e uma mulher jaziam no cômodo mal iluminado. Todos espalhados pelo local.

— O que descobriu? — A voz suave de Javier ecoou pelo cômodo.

O mais jovem entre todos, e também um dos líderes do movimento, tinham um elástico em suas mãos, o qual dobrava e desdobrava entre seus dedos longos. Sua feição era serena, carregada com olhos sonhadores. 

— Não muito mais do que já sabíamos.— Alistair confirmou as suspeitas de Javier, o livro que achara tinha sido inútil.

— Não se preocupe, nós ainda temos tempo.— O jovem sorriu calmo. No momento, última coisa que precisava era Alistair estressado.

— Não, nós não temos. — O homem, que até o momento se mantivera calado observando o movimento pela fresta das cortinas, se manifestou.— Estamos perdendo seguidores. O movimento está desacelerando. Se esperarmos mais sem dar algo para essas pessoas acreditarem… 

O clima ficou abruptamente tenso. O grisalho não precisou terminar sua frase, todos ali sabiam o que aconteceria. Estariam condenados a Canotte… 

 

CasteloBruxo contava com três estufas: Alfa, Beta e Omega. A primeira era a maior, onde ocorriam as aulas de Herbologia. Já as duas últimas é onde a professora Margarida cultiva todos os tipo de plantas e ervas que possuem propriedades mágicas.

Os estudantes se viam presos na Alfa, retirando musgo do local onde os alunos buscavam água, arrumando os fertilizantes, retirando espinhos das ervas que seriam utilizadas pelos alunos do segundo ano e, alguns, apenas matando o tempo.

Guilherme acabou soltando um palavrão, quando acidentalmente espetou o seu dedo, enquanto retirava alguns espinhos de uma enorme erva daninha, que tinha um aspecto um tanto quanto assustador. O garoto olhava de forma discreta ao redor da estufa, observando os demais alunos, espalhados pela estufa. 

Podia-se ver à distância, a mesma garota de cabelos ruivos que teve de ser literalmente arrastada para dentro da sala. A ruiva estava arrancando, violentamente, os espinhos da erva sobre sua mesa. 

Ela estava visivelmente furiosa. 

Ela estava tão furiosa, que nem se importava com o fato, de que poderia acabar se machucando. Guilherme queria conversar com a garota, mas não estava com a menor vontade em levar um soco no meio da cara.

Alguns metros longe do mesmo, estava uma garota de longos cabelos castanhos e tinturas pelo rosto. A jovem indígena retirava habilmente todos os espinhos, de forma rápida e eficaz.

Ele a reconhecia de algum lugar, só não lembrava de onde. Sabia que era alguém de sua tribo, graças ao lenço avermelhado, com seu brasão bordado, que estava amarrado em seu antebraço esquerdo. Guilherme respirava aliviado, em saber que não era o único de sua tribo, que havia se metido em confusão.

Passos adentrando a estufa chamaram a atenção de Guilherme. Pedro, uma das únicas pessoas que ele lembrava de conhecer naquela sala, entrou carregando alguns sacos de fertilizante em seus braços. Sua testa estava franzida, como se estivesse com um pouco de dificuldade de carregar os sacos.

Logo atrás de si, vinha uma jovem loira que Guilherme também nunca tinha visto em sua vida, ou se vira, não se lembra. A mesma parecia ter exagerado, já que estava tendo clara dificuldade de carregar os três grandes sacos em seus braços, e mau conseguia ver o caminha à sua frente.

Em uma das mesas mais afastadas, no canto da sala, estava um garoto de cabelo castanhos, que possuía uma expressão serena e inocente. Assim, como todos os demais, o garoto enfrentava a incrivelmente chata e entediante tarefa, que lhes foi dada por Margarida. O garoto retirava musgo da parte inferior da mesa. Olhava para os lados completamente distraído, e podia-se ver claramente o quanto estava chateado e indignado com a situação. Obviamente, o garoto estava tentando entender, como veio parar na detenção, em uma sala repleta de pessoas, que muito provavelmente, nunca havia visto na vida.

Alguns momentos depois, a ruiva estressada deixou os espinhos para trás e se dirigiu até onde estava um jovem de cabelos loiros sentado sobre a mesa enquanto brincava com sua varinha. Murmurava algumas palavras, fazendo com que a ponta brilhasse em cores diferentes. Estava entediado e não demonstrava qualquer interesse, em retirar o musgo, ou qualquer coisa que seja, das mesas. Incomodado com o fato de estar desperdiçando o seu tempo preso, naquela estufa, quando tinha coisas muito mais importantes para fazer. 

— Fazer a varinha brilhar não me parece exatamente divertido.

A ruiva se encostou na longa mesa.

— Luca, se você tiver uma ideia melhor, sou todo ouvidos.— Murmurou continuando a brincar com o artefato mágico.

— Nah, estou tão sem ideias quanto você.— Suspirou a ruiva.

— Por que a gente não brinca com alguém?

Perguntou já procurando algum alvo para suas pegadinhas. Não seria difícil, já que a maioria estava concentrada em suas tarefas. A índia seria muitos problemas para essa hora da manhã. Os dois garotos quietos seria sem graça...

— Tem certeza que quer causar problemas na detenção? O proximo passo é expulsão.

— Não fale como se fosse um anjo...— Retrucou e a ruiva concordou dando de ombros.

A ruiva viu o exato momento em que os olhos do loiro se encontraram com os pés de uma menina desajeitada que carregava diversos sacos de fertilizante. Seus olhos azuis tinham aquele brilho de entendimento que a ruiva já vira algumas vezes.

— Não.— Disse grave, censurando a ação do jovem.

Foi o simples “não” de Luca que causou ainda mais vontade de fazer em Diego. Se a jovem não tivesse falado nada, talvez ele apenas desistisse. Mas o simples fato dela tentar o controlar fez com que fosse impossível não simplesmente fazer um leve movimento com a varinha.

Leracinez! — Com o conjurar do feitiço, raízes finas se enrolaram em seus tornozelos. 

Assim que a mesma deu um passo para perto da pilha de sacos, seus pés acabaram presos e seu corpo caiu para frente, sobre diversos vasos e dando de cara com uma das portas, até o momento, fechadas.

— Não tem amor à vida, Salles? — A ruiva agarrou sua camiseta com força, estava a ponto de socar o menino e começar uma briga ali mesmo, porém o gemido de dor que ecoou por toda a estufa a chamou atenção.

— Ei! — Chamou o loiro quando Luca apenas o empurrou para longe e foi em direção a toda aquela bagunça.

Quando chegou apenas conseguiu ver Pandora coberta de terra e fertilizante, com a mão pressionando a testa. A garota estava deitada sobre um monte de terra, pedaços de cerâmica e diversas ervas.

— Por que eu sempre tenho que limpar a bagunça? — Perguntou a ruiva, para si mesma, enquanto retirava a varinha do suporte em sua perna. — Targeo! 

 Assim que pronunciado, toda a sujeira foi aspirada pela varinha. Deixando apenas uma loira caída  sobre pedaços cortantes de cerâmica.

— Obrigada. — A loira agradeceu, quando Luca ajudou a mesma a levantar. — Eu não sei o que aconteceu. Quando percebi, já estava caída no chão.— A mesma falava levemente, com a mão ainda pressionada sobre sua testa.

— O que é isso? — Perguntou Guilherme, apontando para trás da garota, onde estava a porta aberta para uma sala escura.

O garoto, não tinha percebido sobre a existência daquela porta. Será que agora, as portas aparecem por magia também? Isso era novo.

— Uma sala, não tem isso de onde você veio?— A ruiva respondeu rude, estava muito ocupada para sequer notar o que estava falando.

— Não seja tão rude! — A loira disse, a censurando. Não era possível que Luca sempre fosse sempre um cacto, sempre cheia de espinhos.

— Não seja tão desastrada, Pandora.— Retrucou.

Guilherme apenas revirou os olhos passando pelas duas e entrando na sala, sendo seguido pela garota índia e Pedro. Dentro não era tão escuro quanto parecia pelo lado de fora, já que tinha pequenas luzes invadindo por pedaços faltando no teto.

Eles tinham entrado a pouco tempo, mas tudo já tinha ficado chato no lado de fora, então Diego preferiu entrar do que ficar recebendo a cada segundo um olhar fulminante de Luca. Logo, todos estavam dentro na tal sala, menos Luca e Pandora.

— Você realmente deveria tomar mais cuidado.— A ruiva murmurou quando todos já estavam fora de vista.— Vai acabar se machucando feio.

— Eu sei, não se preocupe. — Respondeu sentindo uma leve dor na perna.

— Não me preocupo. — Mesmo dizendo isso, a ruiva ainda a ajudava a se manter em pé. Ao contestar esse fato, Pandora riu levemente, tendo seu mundo todo girando por um momento. Sua testa doía como o inferno.

— Ei, calma aí. Você acabou de dar um beijo na porta. — Brincou a segurando mais forte e indo até uma das cadeiras.

— O que é esse lugar? — Pedro se questionou, enquanto olhava em todas as direções possíveis, tentando procurar por alguma pista, que ajudasse à identificar aonde estavam.

— Eu não tenho ideia — Diz Guilherme, que estava tão curioso quanto Pedro — Em todos os meus anos em CasteloBruxo, eu nunca havia visto ou ouvido falar de uma sala, parecida com essa. 

— Provavelmente é apenas um armazém. — Disse uma sexta voz. Era uma garota de cabelos castanhos jogados no rosto. Ninguém tinha a visto até o momento.

— Merlin! — Exclamou a índia, era a que estava mais perto da garota e não tinha lhe notado.

— Não, Ariel.— Respondeu analisando uma mesa completamente coberta por poeira.

— O que é você, um fantasma?

— O que? Não, CasteloBruxo só tem 7 fantasmas. — Respondeu passando o dedo pela espessa camada de pó.

— Ha, eu sei quem ela é. Você não é a garota que ficou chapada na aula de História da Magia? — Diego perguntou chegando mais perto do grupo.

— Eu mesma. — Respondeu sem olhar para o grupo.

Pandora estava rindo, quando um filete de sangue desceu por entre sua testa e mão. Luca acompanhou com os olhos, momentos antes de Pandora notar o caminho quente que se fazia por entre seus olhos. Luca rapidamente pegou seu pulso, afastando sua mão.

— É por isso que não me deixou ver sua testa? — Questionou vendo o pequeno corte em sua testa.

— Estava esperando você ir com os outros para poder utilizar Episkey. — Respondeu desconcertada.

— Sabe que não pode utilizar feitiços em si mesma, principalmente aqueles que acabou de aprender. — Respondeu, alcançando sua varinha e conjurando o feitiço. — Episkey!

O corte foi fechado quase que imediatamente, juntamente de alguns arranhões que tinham em suas bochechas. Pandora passou a mão pelo rosto, agradecendo quando não sentiu nada de anormal em sua pele.

— Acho melhor nos juntarmos aos outros.— A loira apontou para a porta, ganhando um balançar de ombros de Luca.

O lugar não parecia com nada que tinham visto da estufa Alfa até agora. Em vez de permitir que a luz entrasse pelo vidro, a mata parecia ter tomado conta do lugar, além das várias toras de madeira impedindo a passagem de luz.

— Não consigo decidir se esse lugar é mais sinistro ou estranho.— A índia comentou, tossindo levemente ao mexer em algumas caixas.

— Acho que velho é a melhor forma de descrever.— Respondeu Guilherme, tendo uma antiga tapeçaria em suas mãos. 

Haviam diversos símbolos que o garoto nunca tinha visto em todos os seus 15 anos. Talvez fosse algo totalmente novo e que ninguém nunca tenha visto antes, ou apenas sua ignorância criada graças a falta de Dialetos Antigos em sua grade escolar.

— Esse lugar está só...— A índia é interrompida.

— Olhem isso aqui!— Pedro exclamou alto, tendo a atenção de todos sobre si. Mesmo levemente nervoso com a repentina atenção, o garoto continuou.— Acho que é o retrato de alguém.— Terminou levantando um grande pedaço de pano que cobria um objeto.

Pela abertura, minúscula comparada ao tamanho do quadro, era possível ver parte do torso de uma pessoa de pele bronzeada. Diego, que estava tão curioso quanto os outros, acabou por levantar outra parte, mostrando um cotovelo dobrado para cima.

— Realmente parece uma pessoa, mas é muito grande para simplesmente tirar o pano.— Confirmou Luca, vendo Diego largar o tecido. Ainda queria quebrar seu nariz.— Isso tem pelo menos 4 metros e meio.

O quadro era realmente grande, quase tocando o teto da estufa. Ele era grande demais para aquela sala e a jovem ruiva se perguntava se aquilo realmente pertencia a estufa, ou se tinha sido trago de dentro do castelo.

—... Ou talvez, a gente possa simplesmente retirar o pano.— Afirmou Guilherme, parecendo ter uma ideia.— Cada um pega uma parte do pano, aqui no final.— Indicou, enquanto pegava uma das extremidades. 

Quando apenas a índia, Pandora, Pedro e um garoto —que ele esqueceu estar no local— pegaram o pano, Guilherme voltou a falar.

— Vamos lá galera, não querem realmente ver o que tem atrás desse pano? 

— Sinceramente? Não.

Mentira, a ruiva queria sim averiguar o que havia na pintura, mas não estava disposta em voltar atrás no que falou sobre retirar o pano, então apenas se afastou deles, ficando perto da porta.

Diego e Ariel acabaram por ir junto de Guilherme, cedendo à curiosidade. Quando todos, menos Luca, estavam segurando no pano, o loiro começou a se afastar do quadro, sem soltar do tecido, com os outros seguindo-o e fazendo o mesmo.

— Quase lá, não soltem.— Encorajou, mesmo sem necessidade.

O pano começou a sair de trás do quadro, ao tanto que eles puxavam, fazendo Guilherme brilhar de felicidade quando percebeu que seu plano estava funcionando. O que a maioria não percebeu, foi que o quadro estava sendo trazido para frente junto com o pano, pois estava se desencostando da parede.

Não demorou muito para que o tecido fosse completamente retirado. Eles estavam prestes a comemorar quando perceberam o que haviam feito. O quadro enorme começou a cair em sua direção, se chocando com o chão a poucos centímetros de seus pés em um enorme estrondo. Todos ficaram em completo silêncio por alguns segundos, digerindo o que acabara de acontecer.

— Merda...— Murmurou Guilherme ao ver a bagunça que tinham feito.

— Parabéns, gênio! — Exclamou Luca, com um sorriso vitorioso no rosto. Tudo que ela queria dizer era um “eu avisei”, mas se contentou com a expressão desconcertada de Guilherme.

— Será que quebrou? — Perguntou Pandora, temendo a reação da professora ao descobrir que quebraram algo da estufa.

— Se não quebrar com essa queda, é mais forte que celular da Nokia.— Respondeu Ariel, a morena tinha vontade de rir da expressão que a loira fez após seu comentario, mas sua atenção foi tomada pela voz da indígena.

— Só tem uma forma de descobrir.— A índia, com a varinha em mãos, recitou o feitiço.— Wingardium Leviosa! — Apenas uma das extremidades começou a levantar, constatando o que a jovem já imaginava.— Impossível! é muito pesado para levantar sozinha, precisa de no mínimo mais três pessoas.— Seus olhos passaram por todos presentes, contando quantos tinham.

— Bem, estamos em oito, e tenho certeza que todos já aprendemos o Wingardium Leviosa.— Apontou o moreno que se fazia calado até o momento.

— Oh, ele fala! — Alfinetou Diego, fazendo com que o jovem ficasse desconcertado.— Certo, vamos acabar logo com isso.— Disse por fim, pegando sua varinha, assim como os outros. Até Luca, que cedeu a curiosidade, passou a ajudar.

—Cada um se concentra em uma extremidade.— Luca explicou, chamando a atenção. —  Eu fico com a ponta superior da esquerda, Salles com a direita, o espertalhão com a esquerda inferior, a loira certinha com a inferior direita, a índia e a drogada com o meio. Os dois aí...— Apontou para Pedro e o moreno tímido.— Vocês vão impedir que a gente quebre alguma parede, usem Impedimenta, é mais simples de conjurar e não é potente o bastante para jogar o quadro longe. Assim fica mais fácil.

— Todos juntos no tres. Um...— Iracema, a índia, começou a contagem quando todos já estavam posicionados.— Dois… Agora! 

E com isso pode se ouvir um pequeno coro dentro do cômodo, como uma torcida organizada recitando as mesmas palavras.

Wingardium Leviosa!

Diferente de antes, a grande tela se ergueu, sendo guiada pelos seis estudantes. Pedro e Bernardo, o tal moreno calado, tiveram de interferir alguns pares de vezes, até que o quadro estivesse bem posicionado na parede.

— Ok, acho que é isso. Conseguimos! — Guilherme exclamou animado, fazendo um Hi-Five com Iracema, que estava mais perto do mesmo.

— Você estava certo, é um retrato.— Disse Diego, fazendo com que voltassem a atenção para o quadro.— Mas quem seria esse?

Alguns começaram a buscar em suas gavetas mentais alguma pista de quem seria a mulher na pintura. Já outros passaram a analisar o quadro. 

Ela era linda, isso tinham que admitir. A mulher tinha longos cabelos escuros e olhos cheios de presença. Sua expressão era séria, mas ela não olhava em direção ao pintor, olhava algo além, como se estivesse enxergando através da gravura. Um manto azul escuro cobria parte da sua pele bronzeada, deixando grande parte à mostra. E, em uma de suas mãos, havia um aparato.

Nicté-Ha...— Disse Ariel, lendo algo no final na borda do quadro.— O resto está danificado, não consigo ler.— Suspirou pegando um caderno do bolso.— Alguém mais faz Dialetos Antigos?— Perguntou sem parar de copiar os símbolos.

— Eu faço! — Respondeu Iracema, se agachando ao lado da garota.

— Tem alguma ideia do que possam ser esses? — Questionou, passando os dedos pelas marcas na madeira.

— Não parece nada que eu tenha visto antes, está faltando algo. Veja só, algumas das gravuras estão meio desgastadas. Não dá pra saber o que diz — Iracema apontava para o quadro. Estava claramente muito frustrada. 

As duas ficaram alguns momentos ali tendo Pandora e Pedro, que também faziam as matérias, se juntado as duas. Os outros se dispersaram, alguns procurando por mais símbolos ou runas, e outros apenas admirando a mulher, estupefatos diante de tamanha beleza. Guilherme era um dos que admiravam, tendo uma grande familiaridade com o quadro. Algo lhe fazia sentir como se já tivesse visto alguma das características. Foi quando seus olhos passaram pelo aparato. Sua mente explodiu em entendimento.

— Eu conheço isso! — Ele exclamou alto, tendo a atenção voltada para si.

— Não quer chamar a professora em pessoa não? Por que tenho certeza que ela não te ouviu gritando.— Zombou Luca, enquanto revirava os olhos.

— Isso na mão dela, eu sonhei com isso.— Ele ignorou a garota e continuou a falar.— Ele brilhava e tudo mais.

— Isso… é papo de louco. Tem certeza que foi a loirinha que bateu a cabeça e não ele? Os dois são bem parecidos.— Diego não estava realmente ficando feliz com a volta de seu tédio.

— Deixa ele falar. Tá, e o que mais? — Iracema incentivou e Guilherme voltou a pensar por alguns instantes.

— Não, é só isso mesmo. — Não estava confortável o suficiente para falar sobre a voz que falará consigo.

— Super explicativo.— Resmungou Luca, voltando a vasculhar a sala.

Ficaram mais tempo lá, esquecendo da tarefa que lhes foi designada. Apenas matando o tempo.

— Posso saber o que está acontecendo aqui? — Os pescoços quase se quebraram devido ao súbito e rápido movimento feito para encarar a dona da voz furiosa que lhes encarava pronta para matá-los.

Sua sorte era inacreditável.

 


Notas Finais




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