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História Casual Affair - Capítulo 13


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Capítulo 13 - Always Remember Us This Way


"When the sun goes down

And the band won't play

I'll always remember us this way

When you look at me

And the whole world fades

I'll always remember us this way"

— Lady Gaga, "Always Remember Us This Way"

 

 

☸☸☸☸

 

Parece ter virado tradição nessa turnê ser acordado às oito da manhã por batidas incessantes em cada porta de quarto que chamo de minha, em cada cidade que paramos.

Toda a paz da turnê de dez anos de carreira foi compensada com a agonia dessa aqui. Só pode.

"Abre logo!" Felicity. Porra.

Levanto do colchão em um pulo extremamente prático e abro a porta sem pestanejar, deixando que minha empresária me veja vestido apenas com um short de pijama.

Ela já viu antes. Nada de novo por aqui.

"O que pode ser tão importante que você precisa me acordar tão cedo assim?" Resmungo.

"Posso entrar?"

"Vai me ouvir se eu disser que não?"

E Felicity Smoak me empurra para o lado, adentrando o cômodo e já se virando para mim novamente.

"Duas coisas. A primeira: a gravadora quer um single novo do Kingdom Come. Campanha para ser indicado aos Grammys em dezembro."

"Eu odeio essa parte", eu reviro os olhos, "mas You and I não está se mantendo nas rádios ainda?"

"Mas já saiu do top 50 das plataformas de streaming. Claro, eles ainda te devem o certificado de platina dupla por uma música cuja única divulgação foi, literalmente, o videoclipe que eu filmei, mas eles querem mais, Ollie. E precisa ser agora, porque se for mais perto do anúncio dos indicados, vai ficar muito na cara que você só quer agradar a Academia", ela argumenta, gesticulando com as mãos a cada três segundos para me manter atento ao que ela diz.

Em assunto de negócios eu costumo "viajar" mentalmente. Às vezes. Quando eu já não ligo mais para divulgar um disco — ou seja, depois que eu já entrei em turnê. Gosto de participar dos primeiros estágios do processo de uma "era", e quando tudo está feito, gosto da ideia de dar tempo ao tempo até chegar a hora de preparar um novo conteúdo.

Mais ou menos o que estou pensando agora, na verdade.

"Não me diga que eles já escolheram a música e só querem que eu grave um clipe."

"Eles deram duas opções. Ficou a seu cargo decidir qual será o single final."

"Uau. Chocado que eles me deram esse poder", eu ironizo.

"Mentiroso. Você taca um processo neles se não fizerem o que você quer, nem venha com esse cinismo", Felicity responde, quase que de forma ríspida. "Quer conversar com eles por conta própria ou vai me usar de novo?"

"A opção mais fácil", dou de ombros.

"Friends ou I Wish I Was Sober. Você é quem sabe."

"Misericórdia. São duas das minhas favoritas."

"Então você terá uma dura batalha interna. Por 24 horas até que eles comecem a encher o meu saco e aí eu encho o seu saco em retaliação."

"Tá. Qual a outra coisa?"

"Que outra coisa?" Ela franze o cenho.

"Você chegou dizendo 'duas coisas'. Estou esperando a segunda."

"Ah", suspira, passando as mãos levemente pelo tecido de sua calça jeans, "Clark quer falar com você. Ele me pediu para que você o encontrasse antes de irmos para a França."

Estranho. Penso que ele poderia ter me mandado uma mensagem querendo conversar; é o tipo de coisa que sempre fazemos nessas horas. Mas não deixo minhas suspeitas saírem em voz alta; em vez disso, apenas concordo com um movimento de cabeça.

"A que horas vamos mesmo?"

"Depois do almoço, Queen. Não se atrase."

"Eu nunca me atraso", arregalo os olhos da forma mais cínica que consigo.

"É claro que não. Claro que não."

 

☸☸☸☸

 

Bato à porta quatro vezes. Barry Allen a abre num rompante, ainda vestido com seu típico pijama — uma calça moletom e uma camiseta branca. Uma visão celestial, se me permitem o comentário.

"Bom dia, Ollie."

Inclino meu corpo para a frente, colando seus lábios aos meus logo em seguida, e fazendo questão de nos manter juntos até a respiração faltar.

Só foi uma noite dormida sem ele, Oliver. Pare. Você é muito emocionado.

"Bom dia, Barry", eu finalmente o respondo.

"Eu estou com bafo?"

"Não finja que você não escovou os dentes quando eu avisei que viria."

Ele dá espaço para que eu adentre seu quarto, onde o café da manhã já está pronto em cima da cama. Outra visão celestial para a lista do dia — e ainda pode aumentar.

Sentamo-nos lado a lado, Barry afastando os lençóis para não recebermos um carão dos funcionários por conta de uma possível sujeira. Eu rio alto quando ele explica isso, e no fim das contas eu sei que ele está certo e que nós dois somos educados demais com literalmente qualquer pessoa.

"Por que você ri de tudo que eu falo?" O fotógrafo pergunta, enquanto estou digerindo um pedaço de croissant. Engulo a comida antes de respondê-lo.

"Não é verdade. Eu não faço isso."

"Você fica com esse sorriso abobado toda hora e eu me sinto o maior comediante do mundo a cada história ou filosofia de vida que eu conto a você, Ollie."

Sorrio pelo canto da boca.

"Olha! Está fazendo de novo!"

"O quê?" Desmancho o movimento dos lábios. Tarde demais. "Não!"

"Oliver Queen."

"Meu nome."

"Você não vai me explicar tão cedo, não é?"

Nego com um movimento de cabeça e um sorriso cínico no rosto. Barry, então, toma um gole de seu suco de manga, seus olhos ainda focados em retribuir o relance que os meus o dão.

A verdade é que eu estou lentamente, perigosamente, disfarçadamente e perdidamente me apaixonando a cada dia mais pelo homem à minha frente. Posso estar sendo o homem emocionado que ele mesmo me descreveu minutos atrás — mentira. Eu com certeza estou agindo como o bissexual emocionado que ele disse que eu sou. E eu poderia dizer que a culpa é dele por esse sorriso aparentemente inocente, mas que esconde uma genialidade singular para fotografias; poderia afirmar com todas as letras que a culpa é do jeito como ele me trata, não como se eu fosse superior, não como se ele fosse melhor que eu — mas como se ele é quem fosse o cara mais sortudo do mundo por estar se sentindo bem ao lado de alguém que gosta.

Quando eu é que me sinto dessa maneira perto de Barry Allen.

"Acordou cedo hoje", ele volta a tentar puxar assunto comigo, quando meus pensamentos me dominam por longos três ou quatro minutos.

Sei disso porque eu cantei mentalmente alguma canção de três ou quatro minutos enquanto pensava nele.

"Felicity Smoak me acordou cedo hoje", corrijo sua frase. "A gravadora ligou. Querem um novo single para divulgar agora no fim do ano."

"Como você vai divulgar em turnê?"

"Temos só mais três cidades para visitar antes de darmos uma pausa. Voltamos ao batente só depois do American Music Awards. Fui convidado para ir e provavelmente os chefinhos estão mexendo os pauzinhos para eu cantar lá também a uma hora dessas", dou de ombros, terminando de comer o croissant nas minhas mãos pouco depois.

"Isso significa que eu terei uma pausa também, não é?"

O olhar de decepção nele é tão repentino que quase me assusto.

"Pode-se dizer que é meio perigoso se formos vistos tão cedo nessa relação se você for comigo para cima e para baixo nessa pausa. Pode-se dizer que você pode, sim, ter sua folga se quiser. Posso dizer várias coisas que seriam muito provavelmente as coisas certas."

"Deixe de mistério."

"Você pode ficar comigo, se quiser. Eu não vou para casa, de qualquer maneira, então minha família não será um tópico com o qual teremos de lidar nem nada do tipo. E não adianta nem você fingir que tem medo de ser um incômodo, porque não vai ser. Eu gosto de você e quero que me acompanhe." Barry logo exibe um sorriso meio tímido, e é então que eu percebo a magnitude das palavras que falei. "Nossa, esse discurso parecia mais bonito na minha cabeça. Perdão."

Ele ri. Alto.

"Eu estava esperando você perceber isso, Ollie."

 

☸☸☸☸

 

"Queria falar comigo, Clark?" Eu exclamo, no momento em que as portas do elevador se abrem e ele está lá dentro.

Clark Kent apenas acena para mim e aperta o botão para o terraço do hotel assim que entro no cubo de metal.

"É."

"Sabe que podia ter me mandado mensagem como sempre, não é?"

"Não queria que você preocupasse a Lois indo perguntar o que eu queria. Tenho minhas paranoias, desculpe."

"Tudo bem", eu respondo, e ficamos em silêncio até chegarmos ao topo do prédio.

É um lugar bonito. O lado esquerdo é coberto, e várias espreguiçadeiras estão estendidas debaixo do teto improvisado, enquanto um ofurô, do lado exposto ao sol, se encontra vazio. Foi aqui onde combinamos de nos encontrar. Logo estamos apenas vestidos com calções de nylon, munidos de óculos escuros no rosto e os corpos parcialmente mergulhados na água.

"Eu escolhi um lugar bom para a gente ficar para compensar a notícia que tenho para te dar." Ele diz, chamando a minha atenção de ímpeto.

"Como assim?"

"Em primeiro lugar, eu tenho que agradecer pelo último show. Foi uma das melhores surpresas da minha vida ver você e a Lois cantando para mim. Ela comentou comigo depois que você deu a ideia de ela cantar e de como você a ajudou a superar a ansiedade por mim. Te devo muito por isso."

"Ela queria deixar público o seu amor por você de novo. Eu só a fiz acreditar que daria certo. Não precisa me agradecer."

"Continuo grato. Aquela noite me fez refletir sobre várias coisas, Oliver."

Clark se abaixa mais até que a água esteja no nível de seu pescoço e sua cabeça esteja recostada na borda do ofurô. Ele não está olhando para mim — está nervoso. E não o culpo. Deve ser algo bem importante.

"Dói como o inferno esconder dela as coisas que eu faço, as coisas que eu uso quando não estou perto dela. Dói como o inferno ter que me sentir tão vazio e tão entorpecido pelas drogas enquanto tudo o que eu preciso para me sentir bem é Lois Lane e a música. Dói como o inferno fingir para ela que tudo está bem comigo quando claramente eu estou em cacos de vidro, Oliver. Tudo dói como o inferno agora, depois de ver mais uma vez o quanto ela me ama." Respira fundo. Uma. Duas. Três vezes. "Eu pensei muito no que fazer para que as coisas fiquem claras entre nós como no começo da relação. Em como eu posso voltar a ficar bem comigo mesmo."

Silêncio. Sei que ele está de olhos fechados por baixo dos óculos de sol. Conheço meu amigo. Sei quando ele está criando forças para colocar alguma verdade para fora.

"Eu quero entrar em uma reabilitação."

Minha boca abre e fecha tantas vezes que eu perco a conta. Sim, eu me sinto exatamente como ele quando uso meu cigarro, quando esmagamos cocaína na mesinha de centro do camarim ou quando acabamos com uma garrafa de uísque em uma única hora. Eu odeio fazer tudo isso, mas é tudo isso que me distrai do sentimento de vazio.

O mesmo que Clark Kent não aguenta mais ter para si.

A diferença agora é que ele tem coragem de querer consertar o problema.

"Fico muito feliz que você irá sair dessa antes de mim, Clark."

"Como tem tanta certeza disso?" Ele se vira para me encarar.

"Cara... você tem coragem o suficiente agora. Você vai sair dessa. Faça isso. Não se preocupe comigo, apenas fique bem. Se não for pela Lois, que seja por você mesmo. Que seja para esticar seu tempo de vida, que seja para você ver seus filhos nascerem e crescerem, que seja para você ser o melhor pai possível para eles. Porque eu sei que logo, logo, vocês irão começar essa família."

"Não me faça chorar."

"Eu quero muito estar lá quando isso acontecer. Mas, antes de chegarmos lá, temos algumas pendências. E você está livre para resolver a sua. Sempre esteve."

"Muito obrigado, Oliver."

"Quando pretende entrar em uma clínica?"

"Pensei em esperar até entrarmos na pausa", responde, voltando a encarar o nada à sua frente e erguendo a mão para limpar o rosto. "Mas eu tenho medo de algo pior acontecer antes disso."

"Não hesite. Você pode ir quando quiser, cuide de você primeiro."

"Mas você precisa de um instrumentista."

"É. Provavelmente eu preciso", eu solto um riso frouxo. "Mas eu preciso muito mais do meu amigo Clark do que do meu instrumentista Kent."

 

☸☸☸☸

 

"Está entregue", eu digo, assim que Clark e eu chegamos à porta de seu quarto. "Quando pretende contar a ela?"

"Agora." Arregalo meus olhos com sua resposta. "Eu preciso, Oliver."

"Quer apoio?"

"Apenas ore por mim. É tudo o que eu preciso. E você pode voltar para arrumar suas coisas antes que Felicia te esmague com as próprias mãos", o seu uso do meu apelido para ela faz nós dois gargalharmos ao mesmo tempo.

"Vou sentir sua falta, Clark. Só um pouco, porque pelo menos saberei onde você está."

"Eu sei que vai morrer de saudades de mim, idiota", ele revira os olhos, "mas eu volto antes de você e Barry Allen se casarem e terem os filhinhos idiotas que ele provavelmente tanto quer para si."

"Você nem sabe se isso vai durar!"

"Ah, vocês vão durar, sim", Clark sorri de boca aberta, os dentes reluzindo na minha frente. "O suficiente para eu afirmar com todas as letras que todo mundo aqui vai lembrar de vocês dois juntos. Sempre lembre-se de você e Barry dessa maneira, Oliver; dos dias felizes, dos dias médios, dos dias de merda onde, pelo menos, vocês têm um ao outro. O sol pode se por. A banda pode parar de tocar. Mas todo mundo que tem um amor na vida lembra desse amor do mesmíssimo jeito."

"Belas palavras."

"Lady Gaga quem as disse em A Star is Born. Seu filme favorito. Gostasse da referência?"


Notas Finais


E cabe ao Felipe Neto dar remédios antidepressivos para vocês.

Mentira. Ainda não é o momento certo para ele fazer isso. Vou pedir para ele esperar mais uns capítulos.
Espero que tenham gostado desse episódio 12 tanto quanto eu gostei de escrever (sinto um soco na minha cara, quem foi?), e espero que entendam que a saída momentânea do Clark vai, sim, trazer impactos para o Ollie e sua trupe. Não é porque é personagem secundário que ele não afeta a história principal, certo?
Deixem seus comentários de luz (ou de trevas se vocês estiverem tristes com o que rolou hoje, perdão e compartilhem Casual Affair com quem vocês conhecem para chegarmos a novos leitores enquanto as bombas ainda estão no comecinho.


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