História Cat Ears - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Got7
Personagens BamBam, Jackson, JB, Jinyoung, Mark, Youngjae, Yugyeom
Tags 2jae, Fluffy, Híbrido, Lemon, Markson, Romance, Yugbam
Visualizações 106
Palavras 4.588
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Fantasia, Fluffy, Romance e Novela, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Voltei com um capítulo maior em forma de agradecimento pelos favoritos e comentários! Muito obrigada mesmo! ❤❤❤
Boa leitura! 🐱📚
Obs: Gente eu não sei vocês, mas é mais ou menos assim que imagino o Mark híbrido kkkkk

Capítulo 5 - 5


Fanfic / Fanfiction Cat Ears - Capítulo 5 - 5

- O que aconteceu, hyung? - Mark arregalou os olhos, encarando um ponto fixo na sala.

- Estou na delegacia.

- Então... Pegaram vocês?

- Sim, Mark. - O chinês suspirou do outro lado da linha. - Eu não sei como, mas de repente apareceram policiais dizendo que receberam uma denúncia anônima de que alguém estaria usando identidades falsas. Nos mandaram fazer uma fila e acabaram me pegando junto com o BamBam.

- Ah meu Deus. - Mark estava arrasado. O quê faria se Jackson e BamBam fossem presos por sua causa? - Hyung, vão prender vocês?

- O quê? Não! - Jackson riu, e Mark pôde  sentir a tensão se esvair ao menos um pouco. - Vamos receber uma multa, no máximo. Mas vamos ficar bem.

- Hyung, por favor me perdoe. - Sem nem ao menos perceber, Mark estava se curvando sem ninguém ao redor, como se Jackson pudesse vê-lo pedindo desculpas. - Eu vou embo...

- Ei! Mas e o nosso passeio?

- Você ainda quer ir, hyung?

- Eu quero sim, Mark-ah. Prometi pra você!

- Mas, JaeBum hyung disse que o BamBam não iria gostar disso. Então ele falou que vai me levar com ele, e saiu agora há pouco pra comprar ingressos antes mesmo de eu responder.

- Droga, JaeBum. - Jackson parecia ter se irritado com a revelação do mais novo. Não queria acreditar que JaeBum estava mesmo com ciúmes da relação entre ele e Mark. Isso era ridículo, tão infantil que Wang lembrou-se de BamBam. - Não se preocupe Mark, nós vamos sim! Até porque precisamos conversar sobre você.

- Como? Seu namorado vai ficar bravo, e JaeBum hyung também.

- Me responda uma coisa, Mark. JaeBum já chegou em casa?

- Ainda não. - Respondeu, certificando-se de que não havia mesmo ninguém além dele e os gatos. Às vezes Mark se focava tanto em algo que esquecia de prestar atenção ao seu redor, por isso precisou checar. - Por quê?

- Vou deixar o BamBam em casa e passo aí pra te buscar, ok? Estou saindo da delegacia.

- Mas hyung, eu não tenho uma roupa boa. - Mark respondeu envergonhado, observando as roupas emprestadas de JaeBum que acabaram por ficar demasiadamente grandes.

- Você não precisa de uma roupa boa pra se divertir. - Ele disse, fazendo o gatinho sorrir tímido. - Mas se isso realmente te incomoda posso conseguir algo. Agora tenho que ir, até daqui a pouco!

- Até hyung! - Mark encerrou a ligação com um sorriso no rosto. Jackson era tão legal. Mal se conheciam e o garoto já havia feito tanto por Mark, ou ao menos tentado.

Ele estava feliz por finalmente ter encontrado alguém de confiança depois de tantas experiências frustrantes com outros humanos. Ou melhor, com outro humano.

O híbrido agora tentava se distrair, de joelhos no sofá olhando o céu pela janela da sala.  Estava azul, mas o sol não brilhava à ponto de fazer daquele um dia ensolarado. Uma pena, porque Mark sempre amou dias de sol, principalmente se envolvessem sorvete e um passeio no parque. Aliás, jazia muito tempo desde que o pequeno havia saído para se divertir. Desde a última vez  em que o fizera, jamais quis sair com alguém de novo. Claro que Jackson era uma exceção, afinal seus instintos insitiam em lhe relembrar de que o jovem era sim confiável, ao contrário dele...

Ah, ele era bonito. E Mark, tão encantado com sua beleza e falsa benevolência, ignorava sua intuição involuntária, lhe avisando para que tomasse cuidado. Por isso, se arrependimento matasse, o pequeno com certeza estaria agora à sete palmos debaixo da terra. Afinal suas decisões ingênuas acabaram se desencadeando em consequências negativas e irreversíveis tanto para ele quanto para aqueles ao seu redor. O problema foi ele ter se entregado à ele, achando que poderia ser diferente dos outros. E quando pensava nisso o loirinho não conseguia conter algumas lágrimas, como acontecia agora.

Ele segurou a manga da grande blusa de JaeBum que cobria suas mãos e as secou sob seu rosto vermelhinho. Se passaram alguns instantes e ele ouviu o barulho de motor do lado de fora. JaeBum havia chegado e Jackson não.

Sem pensar demais, Mark saiu correndo pela casa e subiu as escadas numa velocidade que nem ele sabia de onde havia saído. Chegou no corredor do segundo andar e correu até o quarto de hóspedes, o qual estava ocupando no momento.

- Markiiieee, cheguei! - JaeBum gritou da sala, e o híbrido se apressou para esconder-se debaixo da cama. - Onde você está? Vamos sair, comprei os ingressos!

O gatinho continuou em silêncio, torcendo para que o moreno não o encontrasse. Afinal, como ele se explicaria caso fosse descoberto?

- Mark, você sabia que o Jackson me disse que não quer mais ir ao parque com você? Ele me ligou assim que saí daqui. Vamos lá, sei que está se escondendo, gatinho!

Mark agora estava confuso. Por que JaeBum estava mentindo sendo que Jackson há poucos instantes lhe disse que estava vindo? Seria uma estratégia besta para fazê-lo aparecer e sair consigo para o parque de diversão?

Foi então que o híbrido se perguntou se JaeBum era realmente um rapaz em que poderia confiar. E de repente, ele estava assustado.

Graças à sua audição aguçada, foi possível ouvir os passos do mais velho nas escadas de carvalho, e logo este estava andando pelo corredor. O som de seus pés cada vez mais próximos fez o gato estremecer, com seu coração acelerado e a respiração descompassada. Ele recuou até onde pôde, chegando a ficar encostado na parede. Seria mais difícil vê-lo ali, afinal era escuro e a cama era bastante próxima ao chão - tanto que Mark apenas coube ali graças à seu corpo esguio e pequeno -. Mas por outro lado demoraria mais para sair.

- Mark, eu não 'tô gostando disso! Onde você está?

Mark pensava no que fazer quando JaeBum entrou no quarto. Olhou detrás da porta e abriu o armário. Depois, abriu a janela e olhou para as telhas, onde era fácil parar em pé. O loiro percebeu que o próximo local a se checar seria a cama, e por isso teve de pensar rápido.

Por sorte ele encontrou uma pequena pedrinha embaixo da cama, e torceu para que fizesse barulho o suficiente antes de jogá-la em direção ao corredor.

JaeBum parou no lugar por alguns instantes após o "clack" ter lhe chamado a atenção. Logo após saiu até o corredor e Mark não tardou à aproveitar a oportunidade. Se esgueirou para fora dali às pressas, enquanto JaeBum parecia estar revirando o quarto no outro lado do andar por conta do barulho que fazia.

Mark foi até a janela e pôde finalmente ver o carro de Jackson recém estacionando em frente à casa. Ele olhava para trás à todo instante, torcendo para que JaeBum não voltasse antes de ele sair dali. Até porque não haveria tempo para se esconder de novo.

Jackson saiu do carro e Mark balançou os braços na janela de forma que o garoto lá embaixo lhe enxergasse sem demora. O híbrido apontava para trás e em seus  lábios Wang pôde ler com dificuldade algo como "JaeBum hyung está aqui".

O mais velho agora pensava num plano para tirar Mark dali. Aquela situação era frustrante em todos os sentidos possíveis, além de evitável. Por quê JaeBum não podia simplesmente deixar de ser tão infantil? Se ele não fosse assim seu amigo poderia muito bem entrar pela porta da frente e buscar Mark. Mas não, Im tinha de ser ciumento e querer a atenção do pequeno totalmente focada em si. E o pior era que se JaeBum visse Jackson e Mark saindo juntos, contaria tudo para BamBam apenas para que o tailandês exigisse um afastamento imediato entre seu namorado e o garoto. Sendo assim o melhor a fazer era mesmo sair às escondidas, visando evitar intrigas desnecessárias. 

Então Mark suspirou ao notar que Jackson não teria muito o que fazer. Pôs primeiro um pé para fora da janela, e Jackson arregalou os olhos apavorado enquanto balançava os braços e acenava negativamente com a cabeça. O menor apenas riu. Estava acostumado com aquele tipo de coisa, e seus reflexos felinos também eram de grande ajuda. Depois, o outro pé e por fim seu corpo inteiro encima das telhas em frente à janela. Nas pontas dos pés ele caminhou lentamente até a árvore ali perto. Se agarrou num dos galhos na mesma altura do andar e pegou impulso para subir. Enquanto isso Jackson estava boquiaberto com toda a habilidade do mais novo. Se fosse Wang tentando fazer aquilo, já estariam chamando a ambulância depois de ele ter caído e de quebra ter tomado uma telha na cabeça.

Mark aos poucos foi descendo pela árvore, cada vez mais rápido à medida que se aproximava do solo. E quando finalmente estava lá embaixo, limpou suas roupas - uma longa blusa bordô e calças jeans pretas -, e bateu seus pés para tirar o excesso de poeira dos tênis. Olhou para trás e pôde ouvir mais um chamado de JaeBum no quarto antes de caminhar até Jackson que o esperava na calçada.

- Hyung! Como você está? - Mark foi recebido sem demora pelos braços abertos de Jackson.

- Estou bem, Mark-ah. E você? - Perguntou ao fim do abraço, analisando o gatinho de cima a baixo, querendo ter certeza de que não haviam machucados decorrentes de sua descida.

- Está tudo bem. Mas acho que JaeBum hyung vai ficar bravo comigo. - Ele resmungou enquanto andavam até o carro. - Muito bravo.

- Nós podemos conversar com ele depois. - Jackson disse, abrindo a porta do passageiro e fazendo sinal para que Mark entrasse.

Durante o trajeto, o híbrido não parava de fazer perguntas sobre a experiência fracassada de Jackson na Park Beauty. Queria mesmo saber se estava tudo bem, e além disso não conseguia parar de pedir desculpas. Além disso não queria nem pensar no que BamBam seria capaz de fazer consigo caso o visse novamente.

- Jackson hyung, eu estou achando que é hora de eu ir embora. Fiz você ter problemas e também fiz seu namorado me odiar assim como JaeBum hyung vai me odiar quando eu voltar pra casa dele. - Mark dizia num tom de voz carregado de tristeza. Não conseguia nem mesmo encarar o rapaz dirigindo ao seu lado tamanha era sua vergonha.

Jackson parou ao sinal vermelho e olhou para o híbrido, cabisbaixo brincando com seus dedos suados. O que Mark estava pensando afinal? Ele não tinha culpa por nada do que aconteceu. Se Jackson e BamBam tentaram salvar seus pais foi porque quiseram, e Mark não é obrigado a ceder às vontades de JaeBum. Então por que continuava se culpando?

Foi exatamente sobre isso que Jackson falou, e por fim Mark estava mais calmo, apesar de ainda ter uma parte dentro de si lhe dizendo para ir embora.

Chegando no parque, Jackson comprou ingressos na bilheteria rodeada por lâmpadas coloridas cuja luz já começava a ganhar destaque no fim de tarde à medida que o sol ia se pondo. Mark estava maravilhado com tudo, tanto que saiu distraído caminhando sozinho enquanto Jackson pagava pelas entradas, apenas para observar aquele pequeno mundo cintilante e colorido à sua volta que lhe enchia os olhos.

- Mark, me espera! - Jackson correu entre os demais visitantes, agradecendo pelo gatinho não ter ido longe. Inclusive o menor estava tão distraído que pulou de susto ao ter seu ombro tocado. - Então, onde você quer ir?

- Naquele! - Mark sorria enquanto apontava em direção ao carrossel. - Não, naquele! - Corrigiu ao indicar os carrinhos bate-bate. - Não, não! Aquele lá!

- A roda gigante? - O chinês perguntou e Mark assentiu. - Vamos lá então! Mas você não algo pra comer?

- A pluma colorida!

- Algodão doce? - Jackson riu, assistindo à Mark arrumar seus cabelos por debaixo de uma touca preta que havia lhe emprestado.

- Isso!

Os dois então foram até o carrinho de algodão doce, e Mark escolheu o rosa, sua cor favorita. Jackson comprou churros, balas, refrigerante e pipocas com caramelo e então os dois foram até a roda gigante. O mais velho perdeu a conta de quantos "uau" ouviu desde chegara no parque, e ficou impressionado com todo aquele fascínio do híbrido.

Estavam na fila do brinquedo, e Mark contava sobre o quanto queria vir à um parque de diversões porque ficava curioso quando os via nos desenhos animados, quando uma voz familiar o chamou logo atrás, o fazendo interromper a própria fala.

- Mark hyung, é você? - Um garoto de cabelos acastanhados perguntou, olhando para Mark desde os pés até a cabeça. Era apenas um pouco mais alto, usava um capuz de um grande moletom azul por cima de calças pretas e apesar de sua abordagem nada amistosa, não parecia intimidador - pelo contrário, o rapazinho era na verdade muito fofo -.

- Claro que é ele, YoungJae-Ah! - Um garoto mais alto e também encapuzado ao seu lado sussurrou, mas tanto Jackson quanto Mark puderam ouví-lo. Alem disso só então perceberam que os dois estranhos estavam de braços dados um com o outro.

- Jinyoung hyung? YoungJae-ah? - Mark engoliu um chumaço de algodão doce antes de abrir um enorme sorriso. Jackson apenas observava a situação, tornando-se completamente alheio.

- Somos nós, Markie! - O mais alto não hesitou em abraçar o gatinho no mesmo instante, e assim fez o outro menino. - Você está vivo!

- Como eles não te pegaram, Mark? - O castanho indagou-lhe, e só então Wang viu o quão perdido estava no assunto. - Ah, é tão bom ver você bem!

- Mark-ah, quem é seu amigo? - O moreno perguntou, e o gatinho limpou a garganta antes de falar.

- Esse é o Jackson hyung. Ele me ajudou depois que... Vocês sabem. - Ele olhou para os pés antes de morder seu algodão. Um claro sinal de que não queria falar sobre aquilo, o qual seus amigos captaram sem demora.

- Muito prazer, me chamo Jinyoung. - O rapaz sorridente de cabelos pretos estendeu a mão, cumprimentando Jackson num aperto. - Mark, ele sabe? - Jinyoung discretamente apontou para a cabeça do mais novo.

- Sabe sim, hyung. Só estou usando touca por causa dos outros. E acho que  vocês também. - Respondeu com a boca coberta pela mão, tomando cuidado para que não lhes ouvissem. Afinal o risco de haverem espiões era constante, especialmente em áreas como aquela.

- Sim. Mas enfim, eu sou YoungJae! - O castanho saiu detrás de Jinyoung assim que sentiu-se mais seguro e cumprimentou o chinês com um sorriso simpático.

- Jackson Wang.

- Mark, temos tantas coisas pra te contar. Pensamos que você foi pêgo, que tinha sido morto!

- YoungJae-Ah, não diga essas coisas! - Jinyoung deu um tapinha de leve no braço do amigo. - Mark, pra onde você foi? Poderia ter ficado com a gente depois do que aconteceu!

À medida que a fila andava, os três iam conversando e Jackson tentava captar o máximo de informações possível. Afinal se queria ajudar Mark deveria entender bem o que aconteceu com seus pais.

- Fiquei mal depois que puseram fogo na nossa casa e levaram omma e appa. Não quis incomodar vocês então fui pra rua.

- Conheceu Jackson assim? - Perguntou, e Mark assentiu logo após.

- Ele até tentou salvar meus pais entrando na Park Beauty, mas não deu certo.

- O quê? Você tá louco? - O moreno pôs as mãos no quadril e lançou à Jackson um olhar de reprovação. - Entrar numa empresa no nível da Park Beauty como quem entra num mercadinho? Agradeça aos céus por você não ser um híbrido. Eles arrancariam suas tripas duma vez só.

- Ei! Eu tinha um plano, ok? - Wang rebateu antes de notar que já era sua vez de entrar no brinquedo. - Querem subir na mesma cabine com nós?

- Obrigado. - Jinyoung assentiu. - Vamos Jae.

                              ღ

- Hyung, é tão bonito! Olha! - Mark estava agarrado ao braço de Jackson, admirando a paisagem de fim de tarde com um sorriso no rosto e os olhos brilhando assim como os raios de sol que aos poucos iam se escondendo no horizonte. Uma brisa fria batia em seus rostos, tanto que se Mark estivesse sem touca suas orelhinhas estariam com os pêlos eriçados.

- É mesmo muito bonito, Mark. Gosto de olhar as paisagens de cima, por isso adoro andar de avião.

- Avião dá medo! - Mark deu uma risadinha e tornou à olhar para seu hyung. YoungJae e Jinyoung estavam sentados no banco à sua frente, até então quietos enquanto comiam pipocas do pacote oferecido por Jackson - afinal adimitiram estar sem dinheiro para doces depois de comprar os ingressos - e olhavam os pontos da cidade.

- Como você sabe? Já andou em um? - Jackson usou sua mão livre para arrumar com cuidado os lados da touca do mais novo, que permanecia com o braço enlaçado ao seu. BamBam com certeza estaria soltando fogo pelas ventas com essa cena.

- Não. Nem quero. - Mark fez careta, e Wang se permitiu rir. - Eu tenho medo de altura.

- Mas você está nas alturas agora, Mark! Não está com medo?

- Não, porque você está aqui hyung.

Não demorou muito até que o loiro tomasse consciência do que recém havia dito, e então suas bochechas esquentaram rapidamente, denunciando sua timidez por conta das maçãs rosadas de seu rosto. Ele tentou escondê-las com as palmas das mãos, fazendo Wang rir sem jeito.

- Mark. - Jinyoung chamou. - Vamos embora.

- O quê? - O mencionado parou de rir como bobo e encarou o amigo à sua frente. - Mas, hyung...

- Vai ser melhor se você vir conosco para Incheon. Agradeço ao Jackson por estar te oferecendo um teto, mas precisa de um lugar fixo pra ficar. Nossa casa é segura, você sabe. Tanto que conseguimos nos esconder durante as invasões.

- Não! - Mark bateu pé, fechando a cara numa falha tentativa de intimidação guiada por seu instinto felino. - Eu não quero ir embora antes de encontrar meus pais! Não vou embora daqui sem omma e appa!

- Mas, Mark... - YoungJae tentou intervir.

- Eu disse não!

Jackson pensou em dizer algo, mas de certa forma compreendia o ponto de vista do mais novo. Era quase óbvio que ele não iria concordar em ir para outra cidade sabendo que seus pais sofriam nas mãos de cientistas ali, em Seul.

- Jackson... - Jinyoung suspirou por fim, enquanto a roda dava sua volta final. - Me fale sobre seu plano.

Wang então explicou os detalhes planejados entre ele e BamBam. Jinyoung reprovou sua atitudes, dando ênfase ao risco que o jovem tomou ao se infiltrar na empresa daquela maneira tão irresponsável.

- E o que você pretende fazer então, sabe-tudo? - Ele questionou quando saíram do brinquedo. Estava levemente irritado pela maneira como o híbrido moreno lhe repreendeu.

- Daqui a alguns dias vão fazer a troca.

- Troca?

- Híbridos são muito sensíveis às substâncias fortes que testam neles. Então depois de uma semana eles acabam ficando doentes, porque o organismo já não está mais apto pros testes. Quando isso acontece são todos postos dentro de caminhões e levados pro abate, onde são mortos com injeções letais pra depois serem incinerados.

- O QUÊ? - Jackson quase se engasgou com o refrigerante que bebia. Arregalou os olhos e ficou quieto por alguns instantes, sem saber como reagir diante à revelação de Jinyoung.

- Não sabia? É óbvio que não. - Ele riu sem humor, chutando uma pedrinha no caminho. - A mídia faz de tudo pra esconder isso dos humanos, porque acredite, muitos de vocês são contra toda essa discriminação e revelar essas coisas apenas criaria mais polêmica. Além disso, digamos que "silenciam" os híbridos atrevidos sempre que ameaçam revelar a realidade do destino que a maioria de nós vai ter. A verdade é que nossa raça foi desenvolvida apenas pra servir de cobaia para testes em laboratórios, mas jamais esperaram que pudéssemos desenvolver tanta inteligência à ponto de nos revoltarmos contra isso.

- Mark sabe sobre o abate? - Jackson perguntou, observando o garoto mencionado que caminhava junto à YoungJae à poucos metros de distância. Ambos brincavam entre si e apontavam para pontos chamativos do parque, como as luzes coloridas no carrossel.

- Não. Seus pais não contaram, e eu e YoungJae também não.

- Como não? - Desta vez Jackson era quem parecia desacreditado.

- Ele é muito inocente, Jackson. Têm medo de quase tudo e não têm outros amigos além de mim e do YoungJae. Acho que é assim por causa do tempo que passou no orfanato.

- Ele vêm de um orfanato?

- Sim. Mark é adotado. - Jinyoung explicou. Seus olhos fixos nos garotos à frente deles, temendo que se perdessem naquela multidão que de forma estranha lhe parecia tão ingênua mas também tão perigosa ao mesmo tempo. - Seus pais biológicos morreram no abate depois da troca quando ele ainda era bebê. Deixaram ele num orfanato aqui de Seul onde minha mãe trabalhava na época antes de o pessoal dos laboratórios invadir o vilarejo em que moravam eles e vários outros híbridos. Foi adotado com cinco ou seis anos, e foi junto com seus pais adotivos morar no mesmo vilarejo depois de tudo ser reconstruído. Mas agora as coisas se repetiram de novo, e felizmente ele conseguiu fugir pra cá. Não sei como, mas conseguiu.

- Ele deve estar com medo. - Jackson suspirou, não podendo evitar uma fisgada de mágoa e comoção no peito. Além disso se sentiu inexplicavelmente impotente por não ter conseguido fazer o que prometeu ao pequeno.

- Com certeza. Ele têm medo e se sente culpado por não ter conseguido escapar com eles quando invadiram sua casa. Imagina se ele soubesse do abate.

- Acho melhor não contar.

- Eu também. - O moreno concordou, erguendo as mangas do moletom. - Mas Jackson, eu posso tentar.

- O quê? Mas você é um híbrido!

- Faz anos que venho planejando isso. Desde que... - Ele parou de falar por um tempo. Engoliu em seco e guardou as mãos no casaco. - Desde que mataram minha mãe.

- Eu sinto muito. - Jackson pressionou os lábios, dando dois tapinhas nas costas do garoto.

- Tudo bem. Mas olha, sinto que não tenho nada a perder. Eles levaram minha mãe, e não vou permitir que levem os pais do Mark. Porque ele e YoungJae são como irmãos pra mim, os conheço desde que éramos pequenos. São a única família que tenho agora, Jackson.

- Jinyoung...

- Jackson, eu quero que me ajude, ok? - O rapaz interveio em seu caminho, o fazendo parar no meio do parque. - Você vai me ajudar a entrar na Park Beauty, diretamente na área dos laboratórios. Não se preocupe, tenho tudo planejado. E você não entra comigo. Serei somente eu.

Wang estava estático, ambas as sobrancelhas franzidas indicando sua tamanha aversão à ideia de Jinyoung. Mas não era como se opôr-se fosse fazê-lo desistir, afinal já havia notado que aquele era um híbrido de personalidade forte.

- Mas eu só te peço uma coisa... -  Ele suspirou uma última vez antes de relaxar os ombros em frente à Jackson. - Cuida do Mark, tá? Minha ideia inicial era levar ele comigo e deixá-lo na casa em que moro com YoungJae. Mas ele parece gostar de você, já que não quer ir com a gente. - Jinyoung riu soprado. - E devo dizer que você parece mesmo de confiança. Apenas cuide dele, ok? Não magoe ele, porque isso já aconteceu antes e foi terrível, destruiu o garoto...

- Eu vou te ajudar no que for preciso. - Admirado pela coragem e responsabilidade de Jinyoung, Jackson resolveu lhe oferecer apoio no final das contas. - Mark vai ficar bem, prometo cuidar dele.

- De verdade?

- De verdade. - Confirmou, e por um breve momento pôde ver um sorriso no rosto do mais novo.

                               

                                ღ

- Obrigado pela carona, Jackson. - Jinyoung, sentado no banco traseiro do carro, deu dois tapinhas no ombro do chinês antes de abrir a porta e sair com YoungJae em seu encalço após o mesmo também agradecer. - Vejo você amanhã. - Ele disse com um sorriso leve, se apoiando na janela ao lado de Jackson depois que subiu na calçada.

- Combinado.

- Tchau Mark hyung! Jackson hyung! - YoungJae dava pulinhos na calçada em frente à estação de metrô, onde ele e Jinyoung pegariam o transporte para Busan. O moreno  foi ao seu encontro logo depois de também se despedir de Mark e Jackson.

O telefone do maior não parou de vibrar no bolso da calça desde que saíram da casa de JaeBum. Mensagens de seu amigo e namorado além de ligações perdidas não paravam de aparecer na tela, mas Wang não quis lhes dar importância. Se realmente confiassem nele não havia razão para desconfianças e toda aquela perseguição.

Por sorte Kunpimook tinha uma viagem à trabalho marcada para a manhã seguinte, o que significava que Jackson poderia ficar com Mark em seu apartamento sem dever explicações à todo momento para BamBam. Mas agora o tailandês estava em casa, e por conhecê-lo bem, Jackson sabia que haveria um interrogatório assim que ele pusesse o pé porta adentro, ainda mais estando com Mark. JaeBum também não parecia ser uma opção viável no momento, pelo menos não até ele se acalmar.

- Mark... - Jackson chamou pelo gatinho que observava as estrelas do céu noturno pela janela. Abraçava um ursinho que Wang lhe deu de presente após ganhá-lo numa barraca do parque de diversões. Seus fios loiros estavam levemente desarrumados, com o frizz resultante da touca que há pouco tempo tirou. Ele voltou à olhar para seu hyung, com seus caninos levemente afiados porém adoráveis à mostra em um lindo sorriso. - Você já ficou num hotel?

- H-Hotel? Mas hyung, isso é coisa de namorado... - Mark chacoalhou as orelhas e suas bochechas vermelhinhas se esconderam junto ao resto do seu rosto atrás do ursinho, deixando apenas seus olhos de fora.

- O quê? Você está confundido com motel, pequeno. - Jackson gargalhou, e não demorou muito para contagiar ao gatinho quando este notou seu erro.- Olha, acho melhor não irmos pra casa do JaeBum nem pra minha hoje. Você entende o porquê, né?

Mark assentiu, fazendo o chinês sorrir. Jackson não sabia por qual razão se sentia tão confortável estando junto ao mais novo. Talvez fosse por sua simplicidade e inocência, que tornavam toda a atmosfera entre os dois mais leve. BamBam e JaeBum não eram assim, por mais que Wang os amasse.

Mark era diferente. E talvez por isso precisasse de proteção e ajuda. Assim como muitos outros híbridos que agora sofriam em laboratórios. Por simplesmente serem diferentes.

- Mark, você vai estar em breve de volta aos seus pais, tá bom?

- Eu sei hyung. Vai dar tudo certo. - Ele respondeu positivo, relembrando do plano sobre o qual Jinyoung e Jackson falaram durante o trajeto. Obviamente evitaram falar sobre o abate na frente de Mark.

- Vai sim. - O mais velho lhe retribuiu o sorriso, dando partida no carro logo após. - Mas, então, você gostou do parque?

- Eu adorei! - Mark gargalhou, abraçando seu ursinho com força. - Obrigado, hyung!

- Mark, não se preocupe com nada ok? - Jackson pediu quando parou ao sinal vermelho. Mark por sua vez o olhava um tanto desentendido. - Seus pais vão ficar bem. Vai dar tudo certo.

Jackson sabia que não podia garantir ao máximo tudo aquilo que dizia, mas precisava emitir segurança ao gatinho. Precisava fazê-lo esquecer o fato de que qualquer deslize naquela nova chance de resgatar o casal de híbridos poderia matar tanto a ele quanto à Jinyoung e os outros envolvidos.

Mas acima de tudo, algo dentro dele lhe dizia à todo momento para proteger Mark. Como se alguém alguma vez tivesse falhado ao fazê-lo.

- Eu vou cuidar de você. Não se preocupe. 


Notas Finais


Acho que vocês perceberam que têm muita coisa a ser esclarecida nessa história, principalmente em relação ao passado do Mark. Enfim, façam suas teorias kkkkkk
Tô pensando seriamente em escrever o próximo capítulo no ponto de vista do Mark ou do Jackson. Ou talvez até dos dois, revezando.
Ah, e eu escrevi uma one shot markson bem curtinha esses dias, se quiserem dar uma olhada eu agradeço! ❤
https://spiritfanfics.com/historia/without-you-10923364
Espero que tenham gostado! Me perdoem por qualquer erro.
Tenham um ótimo feriado! ❤
Bjs! 💕


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