História Catastrophe - Capítulo 8


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Categorias Arrow, Legends of Tomorrow, Supergirl, The Flash
Personagens Alex Danvers, Barry Allen (Flash), Cisco Ramon (Vibro), Detetive Joe West, Dr. Harrison Wells, Dr. Martin Stein (Nuclear / Firestorm), Dra. Caitlin Snow (Nevasca / Killer Frost), Eobard Thawne (Flash Reverso), Felicity Smoak, Iris West, Jay Garrick, John Diggle, Laurel Lance, Leonard Snart (Capitão Frio), Malcolm Merlyn, Mick Rory (Onda Térmica), Moira Queen, Oliver Queen (Arqueiro Verde), Personagens Originais, Raymond "Ray" Palmer (Átomo), Roy Harper (Arsenal), Sara Lance (Canário Branco), Thea Queen, Wally West (Kid Flash), Winslow "Winn" Schott Jr.
Tags Canaryatom, Família, Karamel, Olicity, Sanvers, Snowbarry, Westhawne
Visualizações 171
Palavras 3.406
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Home of the forgotten


Fanfic / Fanfiction Catastrophe - Capítulo 8 - Home of the forgotten

Era inverno. O frio havia se instaurado como nunca antes. As árvores com seus galhos secos e vazios. O céu acinzentado, e a grama seca. O vento cortante e o sol que não aparecia entre as densas nuvens. É, apenas mais um dia qualquer.

Entre a densa floresta que ainda tomava conta da pequena cidade de Keystone, se encontrava um velho casarão. Era um antigo reformatório para jovens problemáticos, que fora abandonado muitos anos antes...Daquilo.

Tinha três andares, era muito extenso e silencioso. Feito de pedras, mais parecia um daqueles castelos medievais antigos. Quase todas as janelas tinham grades. Tinha um quintal enorme, cercado por muros de quase cinco metros de altura.

Era o lar dos remanescentes.

Daqueles que, milagrosamente, sobreviveram ao massacre que extinguiu os super heróis da face do planeta Terra. Heróis que os jovens que ali habitavam, chamavam de “pais”.

Aquele local esquecido por todos, onde ninguém jamais cogitou procurar, era onde eles tentavam viver. Sobreviver.

Sobreviver a seu jeito. Como fantasmas. Sem serem vistos, sem que ninguém soubesse que estavam vivos. Esses eram eles.

O mundo já não era o mesmo. O mal imperava. Com seus “governantes” mais que cruéis e desumanos: Flash Reverso, Prometheus, Damian Dark e Vandal Savage. A união deles,, foi impossível de conter, até mesmo para os maiores heróis do planeta. Sua parceria tomou uma proporção incalculável. Além deles, todos os demais criminosos, meta-humanos ou simplesmente malucos com armas de fogo, se aliaram a eles, e formaram um exército.

A batalha foi cruel, e eles foram pegos desprevenidos. Então não adiantou a luta, e nem a resistência. Todos morreram nas mãos deles. Exceto aqueles que conseguiram fugir. Joe e Íris West, Cecile Horton, Laurel Lance, Thea Queen, Harry Weels, Felicity Queen, Winn e todos os filhos daqueles que pereceram, fugiram.

O mundo se tornou seu grande império. Miséria, caos e morte definiram os anos que se seguiram. As cidades foram se tornando todas cidades fantasmas. Aparentemente. Pessoas que puderam se esconder, o fizeram.

A comida era escassa, e o dinheiro mais ainda. Os exércitos da Liga de Vilões, rondavam todo o planeta. Os cinco continentes estavam em seu poder. Mas eles ainda não aceitavam aquilo como vitória. Porque ainda existiam aqueles com o sangue dos heróis. Eles precisavam matá-los, para a esperança ser extinguida de vez.

Eles concentraram suas buscas neles. Mas jamais encontraram. Haviam desaparecido.

E assim eles foram crescendo. Cada um lidando de uma forma com o acontecido e aos poucos superando de sua maneira. Era só o que podiam fazer.

Suas habilidades extraordinárias, não ajudavam em muita coisa. Eram somente um passatempo. Treinar, era um hobby.

E agora todos estavam crescidos. Todos já estavam formados. Com aquele trauma que os acompanhava diariamente.

No interior da casa, naquela manhã fria, Felicity Queen, acompanhada de Íris West, vagavam pelos corredores sem fim, entrando em cada quarto para despertá-los.

- Connor, Willian! – Felicity disse ao abrir lentamente a porta enorme e pesada de madeira do quarto dos dois – De pé!

Os dois se moveram pouco e resmungaram, o que era típico deles.

- Tá daqui a pouco eu levanto – Connor murmurou.

- Quero vocês dois lá em baixo pro café da manhã em quinze minutos! – a loira disse autoritária antes de fechar a porta novamente.

Íris caminhou até a porta onde havia uma pequena placa, pintada a mão com o nome “Arabella”, em cores vibrantes, com alguns desenhos de raios e flocos de neve. Íris sorriu. O dom artístico da garota impressionava todos. Ela abriu a porta lentamente e colocou a cabeça para dentro, vendo a garota adormecida, com o braço tocando o chão onde havia um lápis caído, e sobre a cama ao lado da cabeça dela, um caderno de desenhos.

- Bella – Íris chamou – Acorde.

A garota abriu os olhos lentamente e os esfregou, em seguida olhou para a tia.

- Que horas são? – perguntou ela bocejando e se espreguiçando.

- Seis e meia – Íris disse – Hoje é dia de ir ao mercado.

A ruiva acentiu.

- Desce em quinze minutos – Íris disse e ela acentiu. A morena fechou a porta e seguiu para a próxima.

Felicity abriu a porta lentamente, e como já era de se esperar, o garoto já estava de pé, sentado em uma cadeira, olhando pela janela, enquanto segurava um livro aberto, distraído. Ele ouviu a porta ranger e se virou.

- Café da manhã em quinze minutos, Zach – Felicity disse. Ele apenas lhe mirou com indiferença e acentiu minimamente com a cabeça. Felicity sorriu e fechou a porta.

Íris abriu a próxima porta, e entrou respirando fundo.

- Audrey – ela chamou – Acorde, vamos.

A garota se virou e olhou para ela, em seguida voltou-se para a parede novamente.

- Não estou com fome – ela murmurou. Íris respirou fundo. Era realmente difícil convencê-la.

- Hoje é dia de ir ao mercado – Íris disse – Todos devem estar bem alimentados. Pode ser que você vá hoje.

A garota bufou se dando por vencida.

- Tudo bem, já vou descer – ela disse. Íris acentiu e saiu.

Felicity adentrou o próximo quarto. Mesmo iluminado somente com a pouca luz que entrava da janela, ela já percebeu que estava vazio. Suspirou. Era típico dele.

- Tudo bem – ela disse para si mesma – JJ já acordou.

Íris forçou a maçaneta da porta, mas estava trancada. Ela estranhou e tentou novamente, sem sucesso. Ela bufou e bateu na porta.

- Charlotte! – ela disse – Já está de pé?

- JÁ! – a garota gritou lá de dentro. Íris suspirou – JÁ VOU DESCER!

Finalmente, a última. Felicity suspirou aliviada quando girou a maçaneta e viu Valerie diante do guarda roupa.

- Café da manhã já está pronto? – Valerie perguntou já sabendo que era Felicity ou Íris.

- Sim – Felicity disse. Valerie se virou e sorriu.

- Tudo bem, estou quase pronta – ela disse.

Felicity acentiu e fechou a porta. Íris já vinha do quarto de Charlotte e as duas se encontraram no caminho para a escadaria. Elas começaram a descer degrau a degrau lado a lado.

- Quando digo que precisamos de alguns despertadores – Felicity disse – Ninguém me escuta!

☀☀☀

A mesa estava sendo posta por Winn e Laurel, enquanto Joe e Cecile terminavam as penquecas. Todos eles buscavam fazer o máximo para tornar aquela casa, um lar para os jovens. Fosse ao recebê-los com panquecas e café fresco pela manhã, ou passando um filme no projetor para eles todas as noites, eles faziam o possível para agradá-los e tornar aquilo menos difícil.

Todos desceram praticamente juntos, mas em silêncio absoluto. Ao entrarem na cozinha, sorriram involuntariamente ao sentir o cheiro do que os aguardava.

- Bom dia! – Laurel cumprimentou.

- Bom dia – todos disseram.

- Sentem-se – Winn disse – Joe já vai trazer as coisas.

Todos eles se acomodaram em seus lugares de costume na extensa mesa de madeira. A sala de jantar ficou no mais absoluto silêncio, até Joe, Cecile, Harry e Thea adentrarem o local com os pratos e começarem a distribuir a comida.

- Espero que gostem – Joe disse enquanto colocava uma panqueca no prato de Zach.

- Quem vai hoje? – Charlye perguntou depois de engolir a primeira mordida da panqueca. Todos se olharam diante da pergunta. A despensa estava quase vazia, e eles precisavam reabastecer.

Ir ao pequeno mercado no centro de Keystone, era algo que eles faziam duas vezes no mês, e se revezando. Não era segredo que todos temiam sair de casa, mas era necessário.

- Da última vez, Valerie e eu fomos – Charlye disse – Quem são os próximos?

- Voto em” A” de “Arabella” – Joe disse sorrindo. A menina arregalou os olhos deixando o garfo cair no prato chamar toda atenção para ela com o barulho. Ela engoliu seco e se endireitou na cadeira.

- Eu?! – ela perguntou.

- Até hoje só me lembro de quatro vezes que você foi – ele disse se sentando para comer – Uma vez com a Charlye, outra com o JJ, uma com Zach e na outra foi com Audrey. E a muito tempo, está na sua vez de novo pequenina.

- Vovô! – ela choramingou.

- Connor vai com você, querida, não se preocupe – Felicity disse com um sorriso doce. Connor levantou os olhos com o garfo parado no prato e olhou para a mãe arqueando a sombrancelha.

- Vou?! – ele perguntou.

- Vai! – Felicity disse com firmeza olhando para ele com cara séria. Connor desviou os olhos para Arabella. A garota podia ser poderosa, mas seria horrível caminhar quilômetros por estradas fechadas, com alguém que não dizia um “aí”. Ele bufou e acentiu.

- Eu vou – disse contra gosto. Todos os demais suspiraram aliviados.

☀☀☀

Ela colocou uma calça bege, botas de cano alto marrons sem salto. Uma camisa branca de botão e capa marrom escura, colocando o capuz sobre a cabeça. O frio, não era o problema. Mas ela não podia ser reconhecida.

Ele por sua vez, colocou roupas quentes, pois o frio era o problema. Uma calça preta, duas blusas e uma jaqueta de couro. Um sapato preto e a capa esverdeada. Assim que estava pronto, ele saiu do quarto, ao mesmo tempo que Bella. Ela se aproximou dele e suspirou.

- Pronta? – ele perguntou. Ela acentiu, enquanto mordia ferozmente o lábio inferior. Ele bufou e começou a caminhar ao lado dela, na direção das escadas. Desceram, com a cabeça trabalhando a mil. O medo de sair dominava todos que ali habitavam.

Então chegaram ao primeiro andar, onde Laurel, Thea, Felicity e Íris aguardavam, com um carrinho de metal grande e um cesto grande. Eles se aproximaram e Íris entregou o cesto a Bella e Felicity a pequena alça do carrinho a Connor.

- Aqui está a lista do que devem trazer – Laurel disse - Não esqueçam de nada, ouviram? E aqui está o dinheiro, não comprem nada desnecessário, só vamos poder trabalhar de novo no mês que vem.

Eles acentiram pegando a pequena bolsinha de tecido, e Bella amarrou na cintura, escondendo com a capa.

- Sim – eles disseram desanimados.

Thea estendeu a aljava para Connor. Ele bufou antes de segurá-la e colocar nas costas, em seguida pegou o arco das mãos dela.

- Fiquem atentos, não respondam perguntas, não sejam vistos por muita gente – Íris instruía – E se cuidem...Por favor.

Eles acentiram.

- Não exite em usar seus poderes se precisar, Bella – Thea disse. A ruiva acentiu, somente para não contrariar.

- Fazendo três paradas pelo caminho – Felicity disse – Devem estar de volta até às nove da noite, se passarem disso...

- Alguém vem atrás de nós – Connor completou – Nós sabemos mãe.

Felicity o puxou para um abraço mais que apertado. Enterrou a cabeça no ombro do filho e ele a abraçou com força também. Felicity sorriu e se afastou. Se aproximou de Bella e lhe deu um beijo na testa. Íris fez o mesmo com os dois, Laurel e Thea também.

- Vamos – ele disse indo na frente. Abriu a porta e já sentiu o vento forte e frio. Estremeceu. Connor saiu arrastando o carrinho com uma mão e segurando o arco na outra. Atrás dele, veio Bella com o cesto.

Eles atravessaram o extenso quintal e chegaram ao enorme portão. Em uma das pontas dele, havia uma pequena porta, que Connor abriu. Esperou Bella passar e a seguiu, fechando em seguida.

Eles deram uma olhada para a estrada que se estendia interminável, tanto para a esquerda, como para a direita. Tinha centenas de árvores, todas agora sem folhas, o que causava arrepios. A estrada de terra levaria a pequena cidade mal habitada. Não podiam usar super velocidade ou brechas para chegar mais rápido. Chamaria muita atenção. Então iam a pé. Dois a dois. Bella olhou para Connor, os dois parados sem coragem de dar o primeiro passo.

- Você está com medo? – ela perguntou. Ele olhou nos olhos dela. Viu que a garota estava apavorada. Não podia dizer que estava com tanto medo quanto ela. Tinha que passar segurança a ela. Ele suspirou e inflou o peito, em seguida abriu um de seus sorrisos radiantes.

- Não – ele disse – Vai ser moleza.

☀☀☀

Felicity entrou na grande biblioteca, onde os demais adultos já haviam acendido a lareira. Estavam sentados nos sofás e poltronas, quando a loira se sentou na poltrona mais próxima da lareira e levou a mão a cabeça em silêncio.

- Ele vai ficar bem, Fel – Thea confortou vendo a angústia dela. Felicity olhou para cada rosto ali.

-Sei que vai – ela disse com um longo suspiro – Mas mesmo assim. Sempre tenho medo quando ele sai.

- Eles precisam aprender – Joe disse – Afinal, não vamos viver pra sempre.

- Eles precisam aprender a ser independentes – Cecile disse.

Harry bufou.

- Às vezes eles se comportam como crianças mal criadas – ele disse.

- Esperava que eles fossem normais? – Felicity perguntou.

- Não normais, mas...menos difíceis – Íris disse.

Felicity se inclinou para a frente, puxando ar antes de falar.

- Menos difíceis? – perguntou quase irritada – Eles passaram por muita coisa, Íris.

- Todos nós passamos – Laurel justificou – Mas não é por isso que tornamos a vida uns dos outros impossível!

Felicity riu com sarcasmo.

- Eles eram crianças – Felicity disse – Tiveram que dar um jeito de lidar com isso...Escondendo a dor por trás de um sorriso, se isolando em seu mundo particular, tentando salvar o que se perdeu a muito tempo, agindo como se não importasse, aderindo a frieza para não se ferir novamente, não aceitando a verdade, se tornando mais forte pelos outros...Mas todos estão quebrados da mesma forma.

Ela fez uma pausa mirando os rostos envergonhados e depois seguiu.

- Eles são mais incríveis do que imaginamos – ela seguiu – O heroísmo está no sangue deles. Apenas tenham paciência, eles vão se mostrar tão nobres quanto os pais e mães deles eram.

☀☀☀

Audrey entrou no quarto, bem sorrateiramente. Olhou em volta antes de trancar a porta e ligar a luz fraca. Era um pequeno quarto. As paredes com o reboco velho caindo, e as prateleiras cheias de poeira. Algumas caixas que não eram abertas a anos, mas lá no fundo, havia uma gaveta que não só ela, mas quase todos abriam com frequência.

Ela caminhou até lá e a abriu lentamente, se permitindo olhar os diversos álbuns velhos que ali se encontravam. Ela reconhecia de longe aquele que lhe pertencia.

Ela puxou, deixando aquele que estava em cima deslizar e se encaixar no local vazio. Fechou a gaveta e se sentou ao lado dela, escorada na parede. Respirou bem fundo antes de abrir.

A primeira foto que a garota encontrou, era da loira vestida de noiva, com um sorriso radiante ao lado do homem que olhava para ela maravilhado, como se fosse a coisa mais linda do universo. Audrey sorriu automaticamente. Passou o dedo de leve pela fotografia. Ela sempre fazia aquilo. Gostava de comparar e achar coisas em comum entre ela e eles. Tinha o cabelo de sua mãe, os olhos também eram dela, mas sua boca e formato dos olhos eram dele.

Ela virou a página e ali encontrou quatro fotos. Em uma, Kara, Mon-El, Alex e Maggie faziam caretas para a câmera. Audrey riu ao ver a foto. Na segunda, seus pais estavam no laboratório S.T.A.R, ao lado de Barry e Caitlin, enquanto a ruiva erguia a mão para exibir o anel de noivado. Na outra, Kara segurava um teste de gravidez animada enquanto Mon-El a erguia do chão. E na última eles seguravam a pequena menininha que dormia serenamente. Era ela. Ela e seus pais, quando ainda eram uma família.

Ela limpou as lágrimas, que sempre insistiam em cair. Olhou para cima tentando conter o choro antes que tomasse conta dela.

- Não consigo acreditar que vocês se foram.

☀☀☀

Eles já haviam andado cerca de dois quilômetros. Os pés já doíam, e o cansaço os dominava. Mas já haviam feito uma pausa, não podiam parar mais por um tempo. A estrada deserta, fechada pelas árvores, tornava o ambiente sombrio e dava medo. Mas nenhum dos dois dizia.

Eles tinham achado um jeito de passar o tempo. Agora, Bella arrastava o carrinho, onde havia colocado a cesta. Enquanto com a mão livre, se esforçava para fazer o trabalho mais minuciosamente possível.

- A última foi mais perto do que a anterior – Connor disse – Tenta fazer com a ponta mais fina.

Ela bufou.

- Estou tentando! Mas não sou uma expert nesse assunto – ela disse enquanto caminhava ao lado dele. Ela estendeu a mão com a palma para cima, e olhou para a mesma concentrada. Connor tinha de se segurar para não rir da cara dela.

Então, a mão dela esfumaçou e rapidamente o gelo começou a brotar ali, dando formato aos poucos, a uma fina flecha afiada de gelo. Ela entregou para ele que a preparou no arco, mirando na frente.

- Mira naquela árvore! – ela instruiu apontando a árvore que quase invadia a estrada, alguns metros na frente deles. Connor mirou e atirou. A flecha cortou o ar até atingir o tronco da árvore e se estilhaçar em milhares de pedaços. Bella deu uns pulinhos animada.

- Hahaa! – ela disse chacoalhando ele, que riu – Acertei, finalmente!

- É – ele falou – Depois da quadragésima sétima...Você acertou.

Ela o olhou com uma expressão de tédio.

- Não estraga minha vibe – ela disse. Connor riu.

O silêncio, dominou. Ao longe eles ouviam o barulho do rio que devia passar ali perto. Ouviam o som do vento batendo nas árvores que ainda tinham folhas. Eles se aproximaram da árvore que havia sido atingida pela flecha de gelo, e Bella se abaixou ao ver o pequeno estilhaço. Ela ergueu e mostrou para ele.

- Olhe – ela disse - A parte debaixo sobreviveu!

- Parabéns...eu acho – ele disse. Ela riu e voltou a caminhar – Quer parar?

- Podemos parar um quilômetro a frente – ela disse – Eu me lembro que tem uma antiga parada de ônibus, podemos nos sentar e comer.

Ele acentiu.

- O que mais você sabe fazer com...seus poderes? – Connor perguntou.

- Sei lá – ela deu de ombros – Eu descubro uma coisa por dia. A lição de hoje foi: para ir mais longe, a flecha precisa ser mais fina e leve.

Ele riu. O silêncio, era o que Connor mais temia. Ele sabia que Bella não era muito de conversar, mas ele não podia deixar o silêncio tomar conta. Ele trazia desconforto e fazia o medo controlá-lo. Precisava estar entretido.

- Você já se imaginou como...o “Arqueiro Verde”? – ela perguntou olhando para ele. Connor pegou o carrinho da mão dela e ajeitou o capuz que estava para cair.

- É – ele disse suspirando – Eu acho que eu ia ficar gato com aquele capuz verde e a calça apertada.

Ela riu e lhe deu um tapa no ombro.

- Tô falando sério! – ela disse chacoalhando a cabeça.

Ele suspirou.

Pensar naquilo não era algo frequente. Pensar nele não era algo frequente. Ainda doía. Ainda mais que ele não conseguia se lembrar dos bons momentos que passou ao lado dele. Mas apenas por medo do silêncio, ele ponderou uma resposta.

- Não acho que nosso mundo tenha lugar para gente como eles – Connor disse.

- Quer dizer “heróis”? – ela perguntou. Ele acentiu.

- Mas e você – ele seguiu querendo desviar o assunto de seu pai – Já se imaginou como Flash....Frost?

Ela gargalhou. Ele gostava do som da risada dela, e era raro ouvir. Por isso aproveitava cada segundo.

- FlashFrost? – ela perguntou ainda achando graça – Gostei!...Mas respondendo sua pergunta: Não.

- Porque?

Ela respirou fundo.

- Eu jamais vou chegar aos pés deles – ela deu de ombros – Porque deveria tentar ser algo que não sou capaz...E como você disse, não existe lugar pra heróis no nosso mundo. Não mais.

- Acha que ainda existe esperança?

- Se existe eu não tenho – ela respondeu com um sorriso fraco – Essas coisas foram instintas a muitos anos. Não existe lugar para coisas boas.

- Ainda pode existir esperança, alegria, felicidade, amor...Só é difícil de achar.

- Poucos ainda sabem o que são essas coisas. Pelo menos tivemos a chance de viver um curto período de tempo em que tudo isso era abundante. Mas ainda pode existir amor.

- E o que é amor? – ele perguntou.

Ela respirou fundo. Pensou sobre aquilo, lembrou das histórias que ouviu e das cenas que presenciou. Ela estava certa que o amor não era o que pertenceu aos heróis, mas sim aos humanos normais por trás deles. Ela abriu um pequeno sorriso antes de responder:

- O que nossos pais tiveram.


Notas Finais


Espero que tenham gostado ❤

Próximo capítulo: Bella e Connor passam por dificuldades no caminho do mercado, enquanto na casa, todos passam por um momento difícil.


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