História Catcher - Capítulo 13


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Sehun
Tags Baita_novelão_mexicano, Colegial, Esporte, Exo, Não_é_só_putaria, O_lemon_demora, Sebaek, Yaoi
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Palavras 4.895
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Esporte, Ficção Adolescente, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Sim, eu estou viva e nem eu consigo acreditar nisso!

Eu primeiramente peço desculpas pela minha ausência, mas entrei numa onde de vestibulares e eu queria me dedicar a uma última revisão nas coisas e tudo, não queria ficar absorvida em outra coisa que pudesse tirar minha atenção. Não sei se deu muito certo isso porque UMA LÁSTIMA FOI MEU DESEMPENHO ONTEM MIGUES, CHOREI HORRORES, MAS A VIDA CONTINUA NÃO É MESMO!

É por isso que decidi vir hoje e agraciar os meus queridos, que também enfrentaram essa prova arrombada do enem, com esse prêmio de consolação! E avisar que quarta-feira tenho meu último vestibular (se passar na primeira-fase ainda tenho mais dezembro com a segunda) e que vou ficar ligeiramente mais folgadinha! MASSS, como não tive tempo de escrever, vão ter que ficar mais um tempinho (não muito longo) pra eu conseguir escrever mais capítulos e deixar bem adiantado tudo!

ENFIM FALEI DEMAIS, BOA LEITURA ♥

(Assim que eu tiver tempo responderei a todoooos os comentários dos capítulos anteriores e retribuir todo o carinho de vocês)

Capítulo 13 - Conversas, escorregões e... heartbeats?!


 

 

Ao ouvir o sinal, Sehun espreguiçou-se e bocejou ruidosamente. Ajeitou suas coisas rapidamente, porém continuou sentado a sua carteira. Na noite anterior o arremessador havia lhe prometido que iriam juntos até o refeitório para o almoço. E apenas com esse pensamento algo parecia borbulhar dentro de Sehun, fazendo-o sentir-se extremamente leve e feliz.

– Ei, alguma coisa boa aconteceu? – Kyungsoo indagou, sentando-se a frente do receptor.

– Por quê?

– Sei lá... A manhã inteira você passou com um sorriso preso aí na boca. – O garoto respondeu rindo enquanto apontava para o amigo.

– Sério? – Sehun perguntou, as sobrancelhas levantando em certa surpresa. – Eu não percebi. – Completou, escondendo a boca e sorrindo ainda mais.

– Aí! Você não para! Parece que tem uns fios puxando os cantos da sua boca o tempo inteiro. – Kyungsoo disse rindo e continuou a apontar para o mais alto.

– Para com isso! – Sehun bateu contra a mão do amigo, acompanhando-o na risada.

Naquele momento, em meio a uma infantil briguinha de tapas com Kyungsoo, Sehun percebeu algo que parecia ocorrer com grande frequência. Apenas ao pensar em Baekhyun o seu dia parecia se tornar incrivelmente mais interessante, a simples ação de sorrir parecia se tornar imprescindível.

– Vem, vamos. – Chamou Kyungsoo ao se levantar e jogar a mochila sobre seu ombro.

– Pra onde?

– Pra sala do segundo ano. Você quer encontrar Baekhyun, não é? – Kyungsoo indagou como se fosse a coisa mais óbvia, de fato era.

– Vamos então. – Sehun respondeu, novamente seu sorriso abrindo ainda mais.

Os dois garotos jogaram as mochilas sobre os ombros e deixaram a sala, atrevassando corredores abarrotados de alunos e rumaram até o andar do segundo ano.

Sehun e Kyungsoo trocavam algumas ideias, opiniões sobre o jogo do dia anterior, suposições sobre o que viria no seguinte. Sentiam-se extremamente eufóricos apenas com a ideia de estarem avançando rumo ao sonho de recuperar o prestígio do Colegial Miyusawa.

Estavam tão entretidos no assunto que nem perceberam quando já estavam diante da sala dos companheiros de equipe. Kyungsoo olhou para o interior da sala e acenou sorrindo, chamando Sehun para acompanhá-lo. Ao finalmente ter visão completa do lugar, o apanhador encontrou Baekhyun sendo cercado por Jongin e outros colegas de classe.

Todos pareciam rodear ao garoto, ouviam com atenção e riam de algo, Jongin se pendurava ao arremessador e recebia intensos empurrões mau-humorados como resposta. Mas Sehun notou que algo parecia diferente.

Baekhyun parecia mais leve, se fosse antigamente provavelmente toda aquela atenção recebida faria o camisa 1 se acuar, fechar-se em um casulo recoberto por sua cara ranzinza e manteria todos afastados com sua energia de “não se aproxime”. Mas naquele momento Sehun notou que tudo estava diferente. Baekhyun, ainda que levemente irritado com o excessivo skinship de Jongin, cada vez que o afastava carregava em seu rosto um mínimo sorriso de diversão, suas feições pareciam incrivelmente relaxadas quando falava seja lá sobre o que fosse o assunto para com seus colegas.

Naquele momento, por mais que Sehun não ousasse tomar conhecimento ou sequer admitir, sentiu algo dentro de si. Uma espécie de pontada esquisita, não dolorosa, mas desagradavelmente incômoda. Uma sensação que parecia gritar em seu interior que queria ser o único ali próximo ao arremessador que o estaria fazendo se sentir daquela forma.

Parado a porta da sala, pensando em todas essas esquisitices, finalmente foi notado pelo garoto. Baekhyun em meio a um empurrão no moreno de sorriso fácil, virou-se na direção em que os dois primeiranistas estavam. Primeiro viu Kyungsoo se aproximando, sorriu minimamente e acenou para o garoto, depois seus olhos rumaram diretamente até Sehun.

E ainda que o receptor – imerso em suas divagações sobre suas confusões internas – não tenha percebido, todos que presenciaram aquela cena haviam notado e observavam a Baekhyun com demasiada atenção e interesse, afinal o arremessador pela primeira vez no dia (praticamente na vida, se considerasse pela perspectiva dos presentes telespectadores) havia sorrido com todos os seus dentes a mostra. Um sorriso retangular e olhos animados.

Aquele sorriso, muitos pensaram, parecia ser extremamente fácil de se tirar do garoto se Oh Sehun estivesse por perto.

O sorriso feito para Oh Sehun.

– Ei! – Baekhyun rumou até o companheiro de bateria. – Eu já estava indo te chamar. – Completou, parando diante do mais alto.

– Você parecia estar se divertindo. – Sehun comentou sorrindo sem graça, não entendia o que era aquilo que sentia naquele momento, só sabia que estava desconfortável com a ideia de Baekhyun parecer se divertir com outras pessoas e se condenava imensamente por isso.

“Só posso estar idiota, você não tem direito de pensar isso, Oh Sehun seu idiota!”

– Parecia? – Baekhyun indagou confuso, voltando seu olhar para o grupo que há poucos segundos conversava animadamente e agora se entretiam em observar a conversa entre Kyungsoo e Jongin. – Só estava tentando me livrar do Jongin. – Completou rindo discretamente. – E eles haviam me perguntado sobre meu pai, Junhoe, a época que ele ainda jogava.

– Ah. – Sehun bagunçou os cabelos sentindo-se envergonhado por ter soltado aquele comentário. – Eles... Sabem sobre seus pais? – Indagou curioso, não queria deixar de ser o único a saber mais sobre Baekhyun.

– Não. – O arremessador respondeu rindo. – Eu já te disse, você é o único que sabe e que os conheceu.

– Me sinto melhor... – Sussurrou apenas para si mesmo.

– O que disse?

– Nada, vamos almoçar? – Perguntou sorrindo e passando rapidamente as mãos nos cabelos do mais baixo, bagunçando-os.

Baekhyun apenas acenou e voltou para pegar seus pertences. Logo os quatro garotos seguiam pelo caminho de terra batida que levava até o centro de treinamento de baseball.

O refeitório já estava consideravelmente lotado e os garotos decidiram pegar suas respectivas bandejas para depois pensarem em procurar algum lugar vago. Por sorte Chanyeol já se encontrava no meio de seu almoço, acompanhado de Jongdae e Minseok, os quais haviam guardado os lugares restantes daquela mesa para os garotos recém-chegados.

Todos se ajeitaram devidamente e começaram a comer, vez ou outra um dos garotos fazia um comentário que iniciava uma rápida conversa que logo depois morria. O único tópico que parecia ser realmente eficiente em manter um longo e produtivo diálogo era o baseball. Os meninos se entretiam consideravelmente no assunto, expunham suas opiniões, falavam eufóricos ainda de boca cheia.

Naquela tarde teria um treino mais leve se comparado ao habitual, não poderiam se esgotar ou correr o risco de adquirirem lesões a véspera do segundo jogo da corrida pela vitória no Golden Lion. Seria um treino quase de fundamentos, o treinador queria apenas aquecê-los antecipadamente para o jogo seguinte, iriam treinar recepções rápidas, rebatidas e até mesmo um pouco de corrida.

Ao dar uma última garfada em sua comida, Sehun notou a falta de uma pessoa naquela mesa, pessoa essa que sempre tinha Jongdae colado consigo.

– Onde está o capitão? – Perguntou confuso, olhando para as mesas mais próximas, buscando encontrar o garoto.

– Ali. – Chanyeol respondeu com um acenar de cabeça para uma mesa bem distante das demais.

Junmyeon estava sentado, sozinho e parecia apenas brincar com a comida em seu prato praticamente intocado. O garoto apenas olhava para o conteúdo a sua frente e parecia estar incrivelmente longe.

– Aconteceu alguma coisa? – Baekhyun peguntou enquanto observava ao mais velho.

– O maior defeito de Junmyeon provavelmente é a imensa transparência dele. – Jongdae comentou com um mínimo sorriso preocupado. – As vezes não parece, mas ele é um cara cheio de receios e sem muita coragem de fazer as coisas por si próprio. A única vez que me lembro de ele ter seguido os próprios desejos foi quando resolveu vir ao Miyusawa e entrar no time de baseball, foi uma grande surpresa até pra mim a desenvoltura dele como um capitão.

– Quando ele começa a falar de Junmyeon não tem mais como parar. – Jongin comentou revirando os olhos com certo deboche em relação aos momentos babões do irmão pelo capitão. – Mas isso é bem verdade sobre ele...

– A relação de Junmyeon com o pai dele não é nada boa. – Jongdae finalmente explicou. – E hoje ele veio até aqui para conversarem, provavelmente não foi uma conversa agradável.

– Aquele velho é um lixão. – Jongin completou, seu tom de voz carregado de uma aparente raiva. – E por que você não está lá sentado com ele? Nessas horas que você devia ficar grudado em Junmyeon.

– Porque ele precisa desse tempo só pra ele, quando se sentir confortável e bem o suficiente para conversar, então nessa hora eu vou estar com ele. – Jongdae respondeu sorrindo ternamente.

– Uou... Você é realmente um babão apaixonado. – Jongin debochou, tomando um tapa de seu irmão.

Lançaram mais um rápido olhar para o garoto ao longe e decidiram que já era hora de cortar aquele assunto em respeito ao capitão.

Sehun então sentiu um vibrar no bolso lateral de sua calça, disfarçadamente escorregou a mão para o interior do tecido e puxou o aparelho. A notificação de duas mensagens destacava-se no centro da tela. Desbloqueou rapidamente e selecionou a primeira, um embrulhão em seu estômago surgindo, a certeza de que iria botar para fora todo seu almoço recém-ingerido, tudo isso ao ler aquele nome.

 

Sunhee

Ei garoto, eles estão mais próximos do que você imagina. Acho melhor ficar experto.

 

Respirou fundo e tentou disfarçar ainda mais o seu incômodo, tinha certeza que já estava aparentando em todas as suas ações. Isso era um fato, afinal Baekhyun – que estava sentado a sua frente – já começava a observá-lo com mais atenção e preocupação. Sehun apenas sorriu amarelo para o garoto e voltou sua atenção para o aparelho, tocando na segunda mensagem.

 

XXX-XXXX (Desconhecido)

Eu sei onde te encontrar, você vai me pagar pelo que fez e da melhor forma possível. Espero que esteja preparado para se encontrar com seu amigo. Ainda consigo ouvir ele caindo como um imenso e inútil saco de batatas. Como consegue dormir todas as noites, Sehun?

 

Sehun começou a tossir, suas mãos estavam tremendo e ele já não conseguia mais sequer pensar em qualquer coisa. Levantou os olhos para Baekhyun, sabia que o garoto estava preocupado, podia imaginar a palidez que havia se instalado em seu rosto. Bloqueou o aparelho rapidamente e levantou-se, pedindo licença aos outros garotos. Precisava sair daquele lugar, a qualquer segundo começaria a hiperventilar e isso chamaria atenção demais.

Ao alcançar o exterior sentiu certo alívio ao receber uma leve brisa em seu rosto, parecendo acalmá-lo levemente. Não demorou muito para que Baekhyun surgisse logo atrás de si, preocupado.

– O que aconteceu? – O mais baixo indagou, aproximando-se de Sehun e segurando-lhe delicadamente o rosto.

Sehun apenas ficou encarando o garoto, aos poucos sua respiração voltando ao normal e a tremedeira deixando-o. Baekhyun parecia ter o dom de acalmá-lo. O apanhador entregou o celular ao garoto, preferindo que o companheiro de bateria visse com seus próprios olhos.

Baekhyun passou os olhos rapidamente pela mensagem e arregalou os olhos.

– Você precisa ir até a polícia, Sehun! – Exclamou em comleta indignação.

– É melhor não deixar que isso tome proporções maiores, chamar a polícia vai só o atiçar ainda mais. – Sehun respondeu, respirando fundo.

– Você espera resolver isso como então? Sozinho?! – Baekhyun já começava a falar um décimo mais alto.

– Foi como eu resolvi tudo a minha vida inteira! – Respondeu com certa hostilidade. Mordeu os lábios e fechou os olhos, precisava se acalmar, não tinha direito de jogar para cima de Baekhyun suas frustrações e nervoso.  – Eu vou dar um jeito, confia em mim. – Sehun completou, um sorriso nervoso despontando de seus lábios.

– Avise Yang Mi pelo menos. – O mais baixo pediu, voltando seu olhar para o celular do apanhador, notando que havia mensagem de outra pessoa. – Você devia trocar seu número. – Completou, esticando o aparelho para o dono.

– É... Eu sei. – Sehun respondeu, pegando e guardando-o novamente no bolso. – Talvez eu faça isso.

Mas Baekhyun sabia que ele não o faria. Porque no fundo, mesmo que Sehun não admitisse, aquela ainda seria uma ponte que o conectaria à sua mãe. Mesmo que fingisse não sentir isso, o garoto ainda tinha esperança de um dia aquela relação se tornar algo parecido com mãe e filho.

No fundo, Sehun ainda continuava a ser aquele garoto sentado no chão da sala, observando as costas de sua mãe deixando a casa, chorando e implorando para que não fosse deixado sozinho mais uma vez.

 

 

 

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Como era de se esperar, o treino daquela tarde fora mais leve se comparado aos da rotina que estavam acostumados. O treinador como sempre havia tomado sua posição como rebatedor e com o auxilio de um dos garotos, rebatia alguns arremessos, enquanto em duplas os garotos exercitavam a força e agilidade em recepções de rebatidas.

A ideia do treino era o foco na disciplina da respiração e no conhecimento do próprio corpo. Até onde aguantariam correr, se jogar, rolar, abaixar, levantar e correr de novo. Tudo isso exigia demais de todos os músculos do corpo, principalmente das pernas. Além de tudo o que mais contava naquele treinamento era a percepção aguçada em relação à bola e a rebatida.

No baseball não é fácil redirecionar a bola ao rebatê-la. Em arremessos curtos há certa possibilidade, em arremessos longos se torna praticamente impossível. O rebatedor normalmente possui três intenções ao se posicionar: ele pretende rebater de forma a permitir que a bola fique em jogo, permitindo que outro companheiro possa correr pelas bases; novamente pode pretender fazer o mesmo, mas dessa vez a intenção é colocar a si próprio no jogo; e terceiro, o rebatedor pode entrar em campo e anotar um home run.

A percepção de o que vai acontecer em seguida dependerá de cada jogador em campo. Apanhador, arremessador, rebatedor, campistas. Não existe receita efetiva para prever o tipo de lançamento que será executado ou que tipo de rebatida acontecerá. Cada jogador em campo segue sua própria intuição.

E era exatamente isso que o treinador exigia de seus garotos naquele momento. A completa entrega aos seus instintos. Pensamentos diversos deviam cruzar suas mentes.

Que tipo de arremesso ele seria capaz de rebater?

Qual seria a força de sua rebatida?

Qual será a trajetória?

Para onde devo ir?

O esporte das táticas e técnicas diversas, das estatísticas infinitas e da busca pelo instinto mais apurado.

Mas naquele dia, o melhor e mais apurado jogador do Miyusawa não parecia estar imerso em tais pensamentos.

Já era a terceira rebatida que Junmyeon perdia em recepcionar. Seus movimentos pareciam pesados e sua concentração parecia ter sido largada do lado de fora do campo A. Em meio a chamadas de atenção, o capitão repetia inúmeras vezes a palavra “desculpa”. Nenhuma sequer fazia efeito, pois o garoto continuava desatento.

– Junmyeon, vai para o banco. – As palavras do treinador deram um basta naquele momento angustiante que estava sendo observar ao capitão.

– Sim, senhor. – O garoto respondeu de cabeça baixa. Retirou o boné e ao invés de ir para o banco, Junmyeon saiu do campo e rumou até a máquina de bebidas mais distante, próxima ao telefone.

Foi até a máquina, selecionando um suco de maçã e não demorou até que a garrafa caísse e pudesse pegá-la. Abriu e deu um primeiro gole, refrescando-se agradavelmente, em seguida caminhou até um dos bancos e se jogou cansado.

Respirou fundo e colocou a garrafa contra seu pescoço, sentindo o geladinho arrepiar-lhe todo o corpo. Sua cabeça parecia pesar mais do que nunca, todo segundo a conversa concisa com seu pai continuava a martelar insistentemente.

– Tudo bem, capitão? – Uma voz retirou o garoto de seus pensamentos.

Junmyeon virou-se surpreso e deu de cara com Sehun caminhando em sua direção, parecendo preocupado.

– Sim... – Respondeu enquanto observava o apanhador sentar-se ao seu lado.

Sehun ficou encarando ao mais velho, buscando qualquer indicação de que Junmyeon não estava passando mal.

– Não parece. – Disse com um pequenino sorriso de canto, como se entendesse que o garoto estava tentando esconder muitas coisas, coisas essas que abalavam seu espírito.

– Pareço tão ruim assim? – Junmyeon perguntou em um riso soprado. – Só muitas coisas na cabeça, quando a cabeça está cheia parece que o resto esvazia. Você se torna um completo inútil até tudo sumir de vez.

– Essa é a chave. – Sehun respondeu. – Você precisa deixar sair e essa é a parte difícil. Porque esse processo pode doer.

– É difícil deixar sair porque parece besteira, parece que não é algo com qualquer relevância para chegar ao ponto de me deixar perdido. – Junmyeon esclareceu, ria de forma sem graça.

– Se o faz se sentir assim, se mexe com você... não é besteira. – Sehun retrucou. – Todos nós temos a sensação de que nossos problemas diante do mundo são pequenos, insignificantes e que não há razão para reagirmos de forma tão negativa e que somos completos montes de inutilidade por agirmos dessa maneira. Algumas vezes eles são sim, mas isso não os torna de menos importância. Eles são grandes para o nosso mundo interior e devem ser tratados com o cuidado especial. Nada que envolva a nós mesmos é besteira.

– Isso faz sentido. – Junmyeon concordou, deu um rápido gole em seu suco, umedeceu os lábios e continuou: – Já se sentiu como se não conseguisse encontrar o seu lugar exato? Como se seguisse sempre em círculos e não fosse capaz de encontrar um caminho real? Como se você estivesse vazio e a sua única vontade fosse de ficar deitado em qualquer lugar, olhando para o teto ou para o nada?

– Eu acredito que essa seja a grande missão da vida... ter coragem de sair do círculo e encontrar o caminho real. – Sehun respondeu pensativo. – Todos que se consideram minimamente humanos acredito que já passaram por isso.

– É sufocante. – Junmyeon riu. – Principalmente quando você sente que encontrou esse caminho, mas não é corajoso o suficiente para pisar fora do círculo, não consegue ter autonomia suficiente de enfrentar seus empecilhos e avançar... me sinto perdido.

– É nessas horas que devemos confiar na mão que nos puxará. – Sehun respondeu, olhando para o capitão e sorrindo de forma insinuante. – É assustador, é angustiante, mas é preciso a coragem para ser o que queremos ser. Siga seus desejos, capitão, mesmo que o mundo esteja contra você, enfrente-o, porque ele não vai ter vez diante da sua própria vontade.

– Você enfrentou o mundo, Sehun? – Junmyeon indagou, olhava diretamente nos olhos de Oh Sehun.

Aqueles olhos. Detentores de um mistério inigualável, esconderijos de uma imensidão a ser desbravada.

– Eu fugi dele. – Sehun respondeu sorrindo. – Porque ele me botou diante de uma luta que eu ainda não me vi capaz de enfrentar.

– Quando você vai enfrentá-lo? – Junmyeon perguntou.

– Quando eu finalmente aceitar quem eu fui e quem desejo ser. Quando eu for capaz de encontrar uma mão que vai me dar força e me puxar desse abismo. – Sehun retrucou com um sorriso relaxado nos lábios. – E você, capitão, quando vai enfrentar o mundo?

– Quando eu aceitar o que quero ser. – Respondeu com um profundo suspiro.

– E o que você quer ser?

– Mais como eu sou e menos como querem que eu seja. – Junmyeon disse sorrindo.

– Então vá enfrentar o mundo, capitão, você sabe que não está sozinho. – Sehun levantou a mão para o mais velho, fechada em punho que foi prontamente tocada pela de Junmyeon de igual forma.

– Eu sei.

– Ele está só esperando por você, capitão... Jongdae... em relação a você... realmete...?

– Sim. – Junmyeon respondeu rindo. – Jongdae... Realmente me ama, de todas as formas possíveis e imagináveis. Eu nunca duvidei disso.

– Então por quê?

– Porque a resposta que ele procura... eu sei que pra encontrá-la eu preciso ter coragem de sair do círculo e enfrentar meu caminho e ainda tenho medo. Por isso preciso de mais tempo, porque sei que na hora certa eu vou encontrá-la. – Respondeu, sua voz exalando firmeza.

– Eu vou estar torcendo por você, capitão.

– Sabe... você é intrigante, Sehun. – Junmyeon comentou enquanto encarava as feições curiosas do primeiranista.

– Isso é bom? – Sehun indagou rindo.

– A meu ver é sim... você inspira confiança. Eu não sei explicar. – Junmyeon respondeu acompanhando-o no riso. – Você faz as pessoas terem coragem de mostrar mais delas. Isso é algo incrível... entendo agora porque Baekhyun se aproximou tanto de você.

 – Não acho que eu seja dessa forma. – Sehun discordou, um riso escapando-lhe pelo nariz como em um suspiro.

– Você é. – Junmyeon respondeu com firmeza. – Eu não sei sobre você, Sehun, eu não consigo nem sequer desvendar o que você esconde, mas eu sei que seja lá o que você carrega aí dentro, transformou você na pessoa que é hoje e que está nesse exato momento diante de mim. E isso me confunde... Eu sinto como se você estivesse a deriva, ainda que saiba em que direção seguir.

– Eu só escondo a mim mesmo. – Sehun respondeu.

– Só não deixe se perder em si mesmo. – Junmyeon disse, passando a mão pelos cabelos suados do apanhador. – Você um bom garoto, camisa 02. Fico feliz de tê-lo no meu time. Estou ansioso para o dia que vai deixar de se esconder dentro dos seus mistérios.

– Obrigado, capitão.

 

Sehun e Junmyeon continuaram sentados naquele banco, vez ou outra comentavam sobre coisas irrelevantes, mas as maiores partes do tempo aproveitavam a companhia um do outro no mais absoluto silêncio.

E o capitão encontrava-se naquele momento pensando que provavelmente era a segunda pessoa naquele colégio a adentrar um pouco mais no mundo secreto de Oh Sehun. Conhecia um pouco mais da intrigante magia que a presença do apanhador exalava.

Quando Sehun estava por perto o mundo parecia assustadoramente mais leve. Talvez porque o garoto realmente fosse como um corpo celeste, denso e atrativo, qualquer coisa ele parecia sugar e muitas vezes dissipar.

Oh Sehun causava o efeito gravidade zero. As pessoas só precisavam ter a vontade de se aventurar em sua proximidade.

 

 

 

O relógio já marcava 18h quando o treinador finalmente anunciou o fim do treino. Todos os garotos estavam ensopados de suor, respiravam pesadamente e sentiam as pernas tremer em fraqueza. Ainda que tivesse sido algo mais leve, treinador Jordan sempre daria um jeito de tornar o treino o mais tirano possível.

Os garotos rumavam em meio a passos lentos e cansados até os dormitórios, segunda fase do caminho para a morte seria enfrentar a guerra pela disputa aos dois banheiros. Cada banheiro suportava um mínimo de oito pessoas por vez e por isso era sempre um momento de muita tensão para a decisão de quem seriam os primeiros.

A tática conhecida pelos rapazes do terceiro ano era a mais garantida em uma escala de sucesso. Ao invés de irem até os quartos pegarem seus pertences para o banho, os garotos simplesmente rumavam até um dos banheiros, assaltavam um dos armários com inúmeras toalhas limpas e pronto. Simplesmente iam se banhar e na hora da saída apenas enrolariam as toalhas em suas cinturas e desfilariam de volta aos seus quartos cobertos apenas com o tecido.

Naquele dia, como Sehun estava acompanhado do capitão – um teiceiranista –, fora convencido a imitar seus veteranos. Correu para o banheiro juntamente com Junmyeon, Jongdae e Chanyeol.

Os quatro arrancaram apressadamente as roupas sujas e jogaram-nas na sala com os armários e correram se jogar na imensa banheira. A água estava quente, o vapor no banheiro permitia que visse apenas da cintura para cima.

Sehun estava sentado dentro da banheira juntamente com os outros garotos quando ouviram as vozes que se aproximavam do banheiro, mais especificamente no vestiário anterior ao banheiro. Pela porta corrediça e de um plástico opaco era possível ver a sombra de duas pessoas se debatendo.

Não demorou muito para que a porta fosse escancarada e um Jongin completamente nu adentrasse, arrastando um tímido Baekhyun que tentava esconder suas partes íntimas.

– Droga, Jongin! – Baekhyun tentava se desvencilhar do aperto em seu braço, em meio a fortes empurrões. – Eu odeio quando você me arrasta pra fazer isso! Eu odeio sair só de toalha, INFERNO!

– Deixa disso, Baekhyun! – Jongin finalmente o soltou, fazendo o garoto escorregar no chão molhado e cair de bunda contra o piso encharcado, tudo a mostra e chacoalhando. – Todo mundo nesse dormitório carrega a mesma coisa entre as pernas, não é como se nunca tivéssemos visto antes.

– Eu odeio você. – Baekhyun retrucou, sua famosa cara de mau-humorado se retorcendo em raiva.

– Olha só, já estão aqui. – Jongin comentou enquanto entrava na banheira e olhava para os já presente.

– Qualquer dia ele te afoga nessa banheira. – Jongdae disse observando a Baekhyun que, ainda se escondendo, entrava discretamente na água e lançava farpas de ódio com o olhar em direção ao moreno.

– Ele vai me agradecer depois, esse banheiro fica um nojo depois de duas levas de um bando de adolescentes fedidos e tarados. – Respondeu em meio a risadas.

– Tarados? – Sehun indagou, já olhando desconfiado para aquela água em que estava parcialmente submerso.

– O que acha que uns bandos de moleque com os hormônios a flor da pele fazem no meio dessa fumacinha oportuna? – Jongin respondeu devolvendo com a pergunta insinuante enquanto sorria de canto e fazia um suspeito movimento com uma das mãos.

Um silêncio se instalou no banheiro, todos os garotos trocam olhares rapidamente e rumaram o foco para a superfície da água, buscando qualquer alteração visível. Repentinamente todos se levantaram apressadamente, desesperados para saírem da banheira.

O piso estava escorregadio sob a água então enquanto tentava andar na pressa alguns escorregavam e havia o elemento Jongin que ria incontrolavelmente e dava rasteira nos outros garotos.

Em uma dessas rasteiras, Sehun foi atingido e caiu de bunda novamente dentro da banheira, mergulhando um pouco e voltando a superfície – tossindo engasgado – a tempo de ver Jongin empurrar a Baekhyun.

Que caiu.

Naquele momento Sehun podia jurar que tudo estava em câmera lenta, pois viu todos os pequenos momentos e detalhes.

Baekhyun escorregou com categoria e simplesmente caiu sobre Sehun, seus braços apoiando desajeitadamente contra a borda da banheira enquanto o restante de seu corpo... estava completamente colado ao de Sehun.

Os dois garotos ficaram se encarando, os rostos inevitavelmente pertos. Sehun no momento em que vira Baekhyun cair em sua direção esticara suas mãos na intenção de alguma forma impedir o arremessador da queda, então naquele exato instante... suas mãos apertavam a cintura de Baekhyun.

Ambos ficaram longos minutos naquela situação, se encarando, chocados demais para conseguirem ter qualquer reação.

Repentinamente aquele silêncio no mundo particular de ambos foi quebrado por um sussurro do arremessador, o rosto de Baekhyun estava assustadoramente vermelho (as orelhas como sempre pareciam pimentas):

E-Eles... estão... esfregando.

Sehun demorou milésimos de segundos para compreender aquela frase. Instantâneamente a vergonha se apossou de si assim como tomou total conhecimento da posição em que se encontravam naquele momento. De fato...

ELES, >ELES< ESTAVAM ESFREGANDO!!!

Rapidamente os dois tentaram se afastar, mas o piso da banheira continuava escorregadio. Toda vez que Baekhyun tentava se levantar, seus pés escorregavam e voltava a cair sobre Sehun.

– T-Tá cutucando! – Baekhyun disse ligeiramente mais nervoso.

Sehun o encarou igualmente nervoso, mas em algum lugar dentro de si uma vontade imensa de rir crescia. Tentava ajudar ao arremessador, agarrava firmemente a cintura do garoto, mas parecia haver sabão no corpo do mais baixo então todas as vezes suas mãos deslizavam.

– Você tá escorregando! – Sehun exclamou em mais uma tentativa falha.

Os corpos continuavam a deslizar um sobre o outro, até que finalmente Baekhyun conseguiu firmar os pés no chão e impulsionar-se para cima, descolando do corpo do receptor. Sehun apressadamente também se levantou a água escorrendo por seu corpo.

Novamente os dois garotos ficaram se encarando, vermelhos, absurdamente envergonhados e peladinhos.

E naquele momento, Baekhyun desceu o olhar pelo corpo de Sehun. Em poucos meses o garoto seguindo o cronograma de treinos já havia tomado completamente formas contornadas, desfrutando de um corpo já consideravelmente definido.

A vergonha tomou conta ainda mais do arremessador que percebeu estar consciente demais em relação ao corpo do receptor. Baekhyun saiu apressadamente da banheira, quase escorregando pelo piso molhado e alcançando o cômodo de vestiário. Arranjou uma toalha limpa e se enrolou, deixando – quase correndo – o banheiro.

– Por que ele saiu do nada? – Jongin, que durante aquele tempo (que parecia ter sido uma eternidade para a dupla) estivera ocupado em uma guerra contra o irmão e Junmyeon e Chanyeol, indagou curioso.

– A-Acho que ele já terminou. – Sehun respondeu, sua voz saindo fraca.

Então caiu de volta dentro da água, encolhendo-se consideravelmente... estava tendo uma reação?!!

 

"Baekhyun... você tem um corpo legal."

 

 

 

Pelos corredores externos Baekhyun corria pelado – coberto apenas pela toalha amarrada a cintura – desajeitadamente, vez ou outra escorregando afinal seus pés e todo seu corpo estavam molhados. Apenas precisava alcançar seu quarto e se trancar lá, mais tarde pensaria em como resolveria o problema de tomar um banho decente.

Enquanto corria apressadamente, só conseguia sentir seu coração enlouquecido dentro de seu peito. Estava estranhamente nervoso e agitado, tinha certeza que não só seu rosto e orelhas estavam vermelhos, mas todo seu corpo. Estava vermelho e quente.

Minseok caminhava vagarosamente por aquele corredor, toalha jogada sobre os ombros e os fones de ouvido nas orelhas, embalado pela música quando avistou Baekhyun semi-nu apressado passando por si. Retirou os fones a tempo de ouví-lo repetir para si mesmo, quase como um mantra:

– Por que caralhos esse coração idiota tá batendo desse jeito?! Parece que nem to sentindo o chão, INFERNO! Calma, Baekhyun!

Minseok observou o arremessador passar e ficou alguns segundos observando-o, intrigado com aquela situação. Por fim deu de ombros e voltou a botar os fones de ouvido. Naquele instante o refrão da música estranhamente parecia responder às perguntas de Baekhyun.

 

When you love someone your heartbeat beats so loud

When you love someone your feet can’t feel the groud

 

 


Notas Finais


É issoooo, e o Sebaek finalmente começou nas vertentes românticas! Agora vai ser só momentos desses dois enquanto todo o enredo por trás vai se desenrolando e aproximando os dois ainda mais e fazendo eles se envolverem profundamente. Essas confusões do Junmyeon estão ligeiramente implícitas, ele se sente absurdamente pressionado por tudo, a escolha dele pro futuro apesar de ele sentir que é a certa, ainda deixa ele receoso de saber se é REALMENTE o certo e tem a pressão do lixão do pai dele pra piorar e fazer o bichinho ficar perdido. Mas temos Jongdae e nosso ANJOOOO Sehun pra ajudar ele.

Eu sinceramente AMO MUITO esse Sehun que construí, eu não sei se estou sendo presunçosa, mas eu acredito que ele é muito anjo e uma personagem TÃO preciosa :c mesmo sendo um ferrado, ele é tão dedicado por quem sente algum carinho. Eu amo esse meu filho infernooooooo.

Jongin o melhor e mais digno cupido pra fazer esses dois darem uma esfregada com os bilauzinho e perceberem que há algo dentro dos coraçõezinhos.

Ai é isso, espero que eu tenha recompensado um pouco pela demora e que tenham gostado e se divertido um pouco! A vida apesar de ser uma ordinária, ainda é bela :c

Até a próxima ♥

Sempre que quiserem saber algo sobre minhas demoras podem vir aqui que respondo vocês meus tesouros https://curiouscat.me/toshunris


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