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História Catfights and Cocktails - Capítulo 1


Escrita por: e RainbowTU


Notas do Autor


Olá! Bom dia! Boa tarde! Boa noite!

Mais uma ABO minha em que o Joonie é ômega, quem aguenta? haha Dessa vez, num universo fantasioso onde todos os humanos são híbridos de felinos, com orelhas e rabinhos =D

Enjoy the journey!

Capítulo 1 - Briga de "gato"


Fanfic / Fanfiction Catfights and Cocktails - Capítulo 1 - Briga de "gato"

Era dia dos namorados, e Namjoon não poderia estar mais furioso. Todos os anos, naquela época, era um inferno na Terra. E não porque ele não tivesse ninguém, bem pelo contrário. Há quase sete anos ele tinha um relacionamento bastante estável e muito gratificante com alguém. Apesar de muitos invalidarem a sua relação porque ela “não seguia os parâmetros”, para ele e Seokjin estava tudo perfeito, e somente a opinião deles dois importava. O problema, pensava, não estava nele em si, e sim na sociedade em que ele estava inserido.  

Era tanta padronização, tantas regras a serem seguidas, tantas restrições sendo impostas a certos tipos de pessoas para o favorecimento de outras que mal dava para respirar sem ser afetado pela radiação moral que conceitos enraizados assim exalavam. E, para alguém socialmente inconformado como Namjoon, era impossível não se irritar nessas condições, ainda mais em datas do tipo que estava vivendo naquele dia.  

— Se você não relaxar vai acabar machucando alguém com essa cauda. Quase me acerta. 

Jungkook disse em algum momento durante o experiente no banco, ao passar por Namjoon e quase ser atingido na barriga (imensa, por sinal, com dois pequenos em gestação) pelo longo rabo marrom e felpudo do colega de trabalho. 

— Sinto muito.  

Namjoon respondeu, procurando se acalmar. Ficou realmente sentido por quase ter lesionado o jovem de orelhas tricolor que se sentava todos os dias à sua frente. Jungkook era um dos únicos que, mesmo tendo um estilo de vida considerado padrão, não ficavam fazendo piadas ou insinuações pelo fato de que Namjoon não tinha até hoje, mesmo com todos os anos de relacionamento, uma marca de mordida estampada no pescoço, ou uma prole vasta para ostentar nas festas de fim de ano da firma ao lado do maridinho.  

Não importava quantas vezes Namjoon dissesse que não ter uma marca era uma escolha consciente dele e de Seokjin, e que não tinha nada a ver com o fato de o alfa o estar usando ou algo do tipo. Não interessava, tampouco, que ele afirmasse que o longo namoro de anos também era um acerto feito em dupla com seu parceiro, e não porque Seokjin se recusava a assumi-lo como soulmate. Pelo simples fato de ser ômega, as pessoas sempre presumiam que seu sonho era ser marcado e ter muitos filhos, como alguém um dia tinha decidido num passado bem distante que era o único jeito certo de um ômega viver. Qualquer coisa o mínimo diferente disso que fosse já era encarado como absurdo pela maioria, e o entristecia demais saber que até mesmo outros ômegas faziam tal tipo de julgamento.  

Entretanto, essa era a vida, e Namjoon dava o seu melhor para lidar da melhor forma possível, gerando pequenas mudanças com suas atitudes e tentando elucidar outros ômegas que ainda se deixavam levar pela maneira opressora de ver o mundo. Ainda que isso lhe custasse muitos surtos e irritações, Namjoon seguia buscando essa linha. Contudo, em determinadas ocasiões bancar o pleno era impossível, e isso incluía ter que aguentar “piadinhas” sem graça do seu chefe, um típico alfa elitista, que em ocasiões como o dia dos namorados não perdia a chance de incomodar pessoas do tipo de Namjoon — algo que conseguia sempre, sem exceção.  

Namjoon sabia que era o alvo constante da covardia do homem justamente porque deixava claro que se importava, porém, não iria mudar sua postura por causa daquele sujeito. Cedo ou tarde ele pagaria por ser tão estúpido, nem que fosse financeiramente, depois de um processo por assédio moral ou equivalente. O velho embuste do seu chefe não perdia por esperar... 

Mas, aquilo ainda não iria acontecer naquele dia dos namorados em questão. Por isso, Namjoon se esforçou em triplo para chegar no fim do expediente com alguma sanidade, para enfim retornar para casa com o amor da sua vida e comemorar aquela data com um jantar especial comprado na esquina da sua rua, regado a vinho barato e regido por músicas de girl groups de kpop. Tinha planejado tudo no decorrer do dia, até ligou para Jimin, o dono do restaurante, e pediu que preparasse o prato mais caro que ele tivesse numa porção que servisse dois. As velas decorativas e o vinho de baixa qualidade já tinham sido comprados, e estavam bem guardados no “quartinho da bagunça” de seu apartamento. Tudo estava esquematizado, e mentalizar as horas de descontração e muitos beijos na boca que teria ao lado de Seokjin naquela noite era o que o mantinha são. Pena não ser o suficiente para, também, o manter zen. Se não fosse o medo de perder o réu primário, já teria cortado fora o rabo pelado daquele alfa insuportável que tinha como chefe. 

Foi um alívio quando, finalmente, o relógio mostrou que já eram dezoito horas, e que seus momentos de puro tormento e estresse tinham passado. Suas orelhas chegaram a balançar de leve com o tamanho da sensação boa que o acometeu ao, enfim, poder ir embora dali e fingir que seu chefe e todos os que concordavam com ele, ainda que silentes, poderiam ficar no passado e Namjoon teria seus merecidos prazer e descanso.  

— Parece que tem ótimos planos para hoje, hum? — Jungkook comentou ao vê-lo se levantar, todo arrumado para partir. 

— Mesmo que não tivesse, só poder ir embora daqui e não aturar mais as idiotices do sunbaenim já seria motivo de glória por si só. 

— Pare de dar importância, e ele para também — afirmou o óbvio, alisando a barriga protuberante. 

— Como se fosse possível. Vai querer carona hoje? 

— Não. Yoongi hyung vem me pegar, vai chegar já, já. Nós também temos planos, sabe? 

— Bom saber. 

Jungkook riu baixo, avisando com o olhar que se Namjoon não corresse, seria alcançado pelo chefe e com toda a certeza seria forçado a ouvir mais algum "gracejo" antes de ir. Com todo o desejo de evitar o transtorno, Namjoon se despediu com um sinal de mão e saiu quase correndo da mesa, cuidando para não passar próximo à sala do chefe ao ir direto para as escadas ao invés dos elevadores. Enquanto descia os degraus, aproveitou para mandar uma mensagem para Seokjin, para o avisar de que já estava livre, e que ele poderia ir pegá-lo naquele exato momento, caso quisesse. 

"Eu adoraria ir agora mesmo, Joonie, mas ainda tenho umas coisinhas para resolver aqui. Coisa de meia hora, quarenta minutos, pode ser?" 

Para ser bem sincero, Namjoon quis responder algo como "não, tem que ser agora mesmo, larga tudo e vem". Todavia, não podia agir como um irresponsável; não era novidade Seokjin ficar mais tempo que o habitual na loja, afinal, era comum que a pessoa responsável pelo estoque demorasse mais um tempo depois que a loja fechava. Não poucas pessoas já tinham vindo dizer a Namjoon que, certamente, não havia nada de precisar ficar mais um pouco, e que era certo que Seokjin tinha algum ou alguma amante. “É por isso que ele não marca você, para poder ficar livre para agarrar quantos ômegas ele quiser”, sempre acabavam falando no final. Mas Namjoon confiava em Seokjin, e até o presente instante não havia razão para o colocar em dúvida. Tudo não passava de má vontade das pessoas em entenderem que nem todo casal precisava da força de uma marca para ter estabilidade e respeito numa relação. Não esperava que as pessoas entendessem as nuances de sua relação e de seus pensamentos, porém contava com, ao menos, o respeito alheio, mas nem isso lhe davam. Era praticamente um milagre quando podia passar um único dia sem uma intromissão do gênero. 

Só de relembrar isso, e de todas as indiretas que recebeu ao longo do dia, Namjoon já ficou um tanto mais estressado, e estar nesse estado quando Seokjin chegasse era a última coisa que desejava. 

Impulsionado pela força da raiva e pela vontade de se livrar dela, intensificou os passos nas escadas, de modo que em tempo mais ligeiro que o comum se encontrava no piso térreo do banco, pronto para atravessar o grande salão e ir embora. Na saída cumprimentou Taehyung, o simpático alfa de orelhas vermelhas e rabo quebrado que sempre o recepcionava com um imenso sorriso retangular estampado no rosto. Namjoon gostava dele, parecia ser um alfa com bastante consciência de classe, um desses raros, tal qual Seokjin. Ainda iria terminar de amadurecer a ideia de o convidar para um chope e uns pasteizinhos depois do serviço, para conversarem e se conhecerem melhor. Só precisava dar mais tempo ao tempo, para ter certeza de que seus instintos não estavam enganados e Taehyung era mesmo um alfa confiável, e não mais um idiota que iria achar que só porque Namjoon não estava marcado, estava se insinuando para ele. Já tinha acontecdo tantas vezes que era melhor nem tentar contar.  

“Eu vou ficar esperando por você aqui na cafeteria.” 

Namjoon mandou para Seokjin enquanto aguardava o sinal dos pedestres abrir para atravessar a rua, o que aconteceu tão logo ele retornou o aparelho celular para o bolso. Assim que atravessou a calçada, sentiu o perfume gostoso do café que era feito naquele estabelecimento, um dos seus lugares preferidos no mundo. As donas, um casal de duas ômegas, eram extremamente educadas e competentes, e o fato de terem vários tipos de gatinhos dominando o local era um toque especial e muito oportuno. Namjoon amava interagir com gatinhos, sendo para ele como uma espécie de híbridos em miniatura, só que muito mais fofos e bem menos difíceis de lidar. Gatos só queriam um lugar na penumbra, um leitinho morno e um carinho nas orelhinhas para viverem bem, diferente dos híbridos humanos, que precisavam criar regras para tudo e se meter onde não eram chamados.  

Não teria sido muito melhor simplesmente ter nascido um gato completo, em vez de híbrido de gato e gente? 

— Como vai, querido? — Aehjin, uma das donas, se aproximou com um bloquinho em mãos assim que ele entrou, a postos para anotar o pedido, com suas orelhas diminutas balançando. — Quer o de sempre, ou vai inovar um pouquinho? 

— Só um chocolate quente pequeno dessa vez, noona, por favor — respondeu tirando o casaco e o pendurando no cabideiro, indo em direção à sua mesa preferida. — Preciso guardar a fome para depois.  

— Jantar especial de dia dos namorados? — A mulher questionou, sorrindo.  

— Com sorte, sim. E se tudo der certo, vai ser o jantar e muito mais.  

— Ora... — A senhora corou, baixando as orelhas branquinhas. — Feliz dia dos namorados, querido, para você e seu amadinho.  

— Grato, noona. Para a senhora e Hyejun noona também.  

— Querido, já passamos dessa fase, mas muito obrigada.  

A senhorinha piscou, se afastando, e Namjoon deu um sorriso de ponta a ponta para ela, contente de estar ali. No momento em que puxou de volta o celular do bolso para checar a resposta de Seokjin, um dos seus gatos prediletos, Mr. Fluffy, pulou sobre a mesa, se sentando bem de frente para Namjoon.  

— E aí, cara? — Namjoon sorriu para o felino, o vendo se comunicar com o balançar suave de sua cauda cinza. — Veio me fazer companhia? 

Mr. Fluffy ronronou, balançando ainda mais o rabinho e sacudindo as orelhinhas, dando a plena certeza de que compreendia muito bem a linguagem daquele que, para ele, poderia ser como um “gato gigante”. Após, se deitou na beira da mesa, com a barriguinha para cima, num sinal inequívoco de confiança. Sem poder conter um sorriso imenso, Namjoon passou a alisar devagar a barriga do bichano, com cuidado para não ser invasivo, usando apenas as pontas dos dedos para tanto. Quando a senhora Aehjin regressou com o chocolate quente, o Mr. Fluffy sequer se mexeu.  

— A senhora tem certeza de que não quer me dar esse neném, noona? — Pegou a xícara e deu um gole na bebida fumegante. — Eu juro que Seokjin hyung e eu vamos cuidar muito bem dele. 

— Não duvido, meu anjo, mas para levar um filho meu daqui, só por cima do meu cadáver. 

— A senhora é tão má... — Subiu a mão para o pescoço do gato, que seguia rendido aos carinhos. — O que custava me dar só esse... 

A mulher se afastou, rindo, sem dar uma resposta à colocação. Namjoon sempre insistiria em levar o gato, e ela sempre negaria, era uma brincadeira saudável entre eles, e todos estavam cientes do joguinho. Não era intenção fazer ninguém mudar de ideia, era só uma forma de brincar, realmente.  

Durante todo o tempo em que tomou de seu chocolate e brincou com o gatinho se esqueceu de, efetivamente, verificar se Seokjin tinha respondido a mensagem que enviara. Se tivesse se recordado de checar, teria notado que o companheiro informou ter conseguido uma liberação mais cedo e que já estava a caminho. Talvez por isso tenha se espantado quando alguém se sentou à sua mesa, ruidosamente. Não esperava Seokjin tão rápido, e ser surpreendido com seu adiantamento fora uma grata surpresa. Assim, nesta animação levantou o olhar, contente, pronto para sorrir para o homem que mais amava no universo inteiro. 

Exceto que a pessoa à sua frente era sim um alfa, porém, não o seu alfa. 

— Oi, gracinha. — O sujeito de orelhas laranjas sorriu de forma afetada, pondo os dois cotovelos na mesa. — O que um ômega tão bonito faz aqui sozinho? 

— Ah, não... — Namjoon revirou os olhos. “Gracinha?” “Tão bonito e sozinho?”. — Eu não estou sozinho. — Apontou para o gato, falando de forma ríspida.  

— Ah, isso...  — O alfa seguia sorrindo, chegando com a cadeira ainda mais perto. — Eu me refiro a uma companhia de verdade, docinho...  

— Ah, não, docinho não! Pelo amor! — Namjoon falou alto, chamando a atenção das duas senhoras que estavam por perto, uma delas pronta para ir até um cliente novo.  

— Qual é? Não gosta de elogios? 

— Isso na sua cabeça é elogio? 

— Eu ‘tô dizendo que você é bonito, um ômega muito, muito bonito... — Puxou a cadeira para ainda mais próximo, ficando quase ao lado de Namjoon. — Como não seria um elogio? 

— Você ‘tá de brincadeira... — Bufou, puxando a própria cadeira para mais longe. — Quer dar licença, por favor? 

— Por quê? Por acaso é tímido? — Voltou a aproximar o seu assento, ficando quase colado ao ômega. — Você é mesmo muito bonito... 

Sem pedir permissão ou demonstrar algum respeito o alfa se encostou em Namjoon e fungou em seu pescoço, sentindo seu cheiro adocicado de perto. O ômega se levantou no mesmo instante, derrubando a cadeira na qual estava sentado e espantando Mr. Fluffy, que saiu correndo dali.  

— O que diabos você pensa que está fazendo? — Namjoon falou ainda mais alto, dando uns bons passos para trás e limpando o pescoço.  

— Eu ‘tô sentindo a sua vibe, anjo... — O alfa não parava de sorrir, como se tudo estivesse normal ali. — E vendo se alguém mais sortudo já tinha pegado você... Mas ninguém te marcou ainda, não é? 

— E no que isso te dá o direito de agir assim comigo? 

— Calma, amorzinho... Por que esse nervoso todo? 

O que se sucedeu depois disso foi uma cena complicada. O alfa se levantou e foi na direção de Namjoon, no intuito de agarrar o braço do rapaz e o fazer se sentar novamente à mesa. Namjoon, porém, deu mais passos para trás, e o alfa acabou tropeçando, quase indo ao chão, ficando levemente irritado com a situação. Em meio a tudo isso, dois clientes apenas assistiam de seus ligares, atentos, enquanto as senhoras donas do lugar tentavam raciocinar se teriam condições de resolver aquilo sozinhas, ou se precisariam chamar ajuda.  

A confusão toda só terminou com a chegada de Seokjin, que depois de uma bela discussão com o alfa arruaceiro e a ameaça de lhe dar uma surra daquelas, acabou saindo dali, resmungando baixo tão logo Seokjin lhe deu as costas. 

— O que foi que aconteceu aqui? — O alfa de cabelos, orelhas e longo rabo amarelos escuros questionou, indo até Namjoon logo após checar se as duas senhoras estavam bem.  

— O que você acha? — Namjoon bufou, abraçando a si mesmo. — Um alfa sendo escroto, o que mais seria? 

— O que exatamente ele fez? — Deu um abraço de leve em Namjoon, ajeitando seus cabelos e deslizando os dedos em suas orelhinhas castanhas.  

— E ainda pergunta? Veio chegando em cima de mim com segundas intenções, claro!  

— Merda, sinto muito... — Voltou a abraçar Namjoon, dessa vez mais forte, deixando um beijo ligeiro em sua testa ao soltá-lo. — Se eu tivesse conseguido liberação mais cedo nada disso teria acontecido. 

— Ah, claro, porque você é um deus capaz de evitar todos os males. 

— Não por isso, Joonie... — Arregalou os olhos, percebendo o humor do parceiro, sentindo os pelos da nuca se eriçarem. — É só que se ele tivesse visto um alfa com você, não teria sido desagradável.  

— Porque o que dita se eu estou disponível ou não é ter um alfa a tiracolo não é, e não o fato de eu ter pedido para ele me dar licença. 

— Não, Joonie, mas você sabe que sem... — Ia seguir falando, mas acabou segurando as palavras. Era tarde demais, porém 

— Sem o que, hyung? Continua. 

— Ai Namjoon... — Arfou, sentindo uma espécie de derrota se apossar dele. — Você sabe que isso sempre vai acontecer com você, não é? 

— Não deveria. 

— Não deveria, mas vai, Joonie. — Aproximou-se, colocando a mão no ombro do parceiro. — Enquanto você não for um ômega marcado, alguns alfas vão se sentir no direito de lhe assediar quando o virem sozinho.  

— Agora isso! — Afastou-se do toque, dando dois passos para a frente. — Quer dizer que eu sou assediado e a culpa é minha por não ter uma porra de uma mordida no pescoço? 

— Não foi isso que eu quis dizer, Joonie... — Seokjin baixou as orelhas e passou a mão no rosto, já prevendo o que poderia vir a partir daquilo. 

— E o que foi que você quis dizer? 

— Eu quis dizer que, infelizmente, alguns alfas pensam assim. Eles acham que os instintos justificam tudo e que tem direito de fazer o que bem entendem. Muitas vezes nem é culpa deles, é algo que se aprende e se vai reproduzindo, e se eles pudessem... 

— Se não é culpa deles, é de quem então? — Namjoon cruzou os braços, interrompendo o outro. — Aliás, ‘tá falando “eles” por quê? Você também é um alfa.  

— Eu sei, eu só queria tentar dizer que nem sempre é maldade, às vezes é só o que o alfa sabe, Joonie... Não que eu ache certo, mas... — Tentou se justificar, mas foi novamente interrompido. 

— Já entendi tudo. No fim do dia, um alfa é sempre um alfa, não é? — Descruzou os braços, suspirando. — Você vai ficar aí defendendo essas atitudes, não vai? Vai defender o babaca que me ofendeu? 

— Claro que não, Namjoon! Me conheceu na caçamba do lixo? Eu não sou assim! 

— ‘Tô vendo que não.  

O ômega não disse mais nada depois disso, e diante da tentativa de Namjoon em continuar falando, fez um sinal severo com o braço, que calou o outro. A passos pesados tirou umas notas da carteira e deixou sobre o balcão da cafeteria, e sem olhar para Seokjin, se despediu das senhoras e foi para a saída, onde pegou o seu casaco e o vestiu. Seokjin questionou aonde ele estava indo, mas a resposta foi um bruto “não é da sua conta” seguido de um “e nem me espera acordado”.  Assim que a porta se fechou, Seokjin não pôde conter um grito de frustração, acompanhado de um palavrão bem cabeludo.  

— Namjoon é tão enfezadinho, não é? — Hyejun, que assistiu a tudo calada, saiu de trás do balcão com uma xícara de chá, conduzindo o híbrido loiro para uma mesa. — No nosso tempo ele não teria durado muito. Na primeira oportunidade um alfa já teria arrebentado com ele inteiro. Ainda bem que os tempos são outros.  

— Aish... — Seokjin sentou, balançando o rabo devagar. — Eu amo esse homem, mas esse gênio que ele tem... 

— Não deve ser fácil para você, não? Enquanto alfa, quero dizer. — A mulher o observava da ponta da mesa, o vendo tomar do chá.  

— Nem tanto, noona. Ele explode fácil, mas é um doce quando ‘tá calmo. E eu também não sou lá cem por cento paciente, então... — Deu um meio sorriso, tomando um novo gole de chá, parecendo exausto. — A gente se completa, no final, e a gente se ama muito. São só os altos e baixos. Aliás... — Encarou a mulher, que o olhava com suavidade. — Perdão pelo espetáculo.   

— Está tudo bem, meu jovem. Tome esse chá devagar, sim? É por nossa conta. 

A ômega fez uma reverência e se distanciou, regressando para trás de seu balcão, onde a esposa a esperava com uma expressão misturada de dó e divertimento.  

— Realmente, os tempos mudaram muito... — Aehjin comentou baixinho quando a companheira chegou perto dela. — Antigamente Seokjin teria dado uma surra em Namjoon aqui mesmo e ninguém acharia ruim.  

— E ainda bem que mudaram. Se tudo tivesse seguido igual, nós ômegas seríamos mais oprimidos ainda, e o pior, nós duas jamais teríamos a chance de estarmos juntas.  

— Eu sei, não estava reclamando, apenas falando sobre como tudo é diferente hoje, felizmente... 

Aehjin sorriu, e Hyejon lhe fez um afago no ombro, também sorrindo. Ainda era possível ver no pescoço de Aehjin uma leve marca de mordida, quase totalmente apagada, fruto do casamento que teve que viver no passado, do qual saiu viúva.  

— Felizmente... — Hyejon sorriu de volta, um sorriso repleto de amor. — Pelo menos para nós duas... Já para eles... 

Apontou com o queixo na direção de Seokjin, que brincava distraidamente com Mr. Fluffy, enquanto mexia no celular com um semblante de dar pena.


Notas Finais


E foi isso! Até o próximo! (E último).


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