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História Causa sui - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Capítulo 8


Baekhyun procedia com suas atividades do cotidiano sem muitas mudanças além da mais óbvia: Chanyeol estava presente em quase todas elas.

Talvez nem fosse uma mudança de fato, considerando que ele sempre estivera lá, só Baekhyun quem não havia o notado.

O loiro não conseguia acreditar em sua própria ignorância. Nunca pretendera não lhe dar a devida atenção, somente não havia o reparado em seus arredores até então.

Não era uma surpresa tão grande assim.

Baekhyun estava sempre enclausurado em sua própria realidade, composta por livros e poemas, alheio demais à vida para ser capaz de distingui-la. Compreendia a raiva do baterista, e até sentia certo remorso por tê-lo chamado de fraco, não precisava ter sido tão rude assim.

Ainda estava preocupado com as inclinações suicidas do garoto, e agora que sabia um pouco mais sobre suas motivações, queria de alguma forma alterar o direcionamento de suas ideias, nem que minimamente.

Porém, começava a achar que essa seria uma tarefa impossível de ser realizada.


                       

                          >>◇<<



Acabara de adentrar o ambiente que agora estava tão habituado. Naquele dia, só trabalharia pela tarde, então resolvera dar uma passada no clube para espairecer a mente e quem sabe conversar um pouco com seus amigos.

Qual não foi sua surpresa ao se deparar justamente com aquele que não saia de seus pensamentos?

Chanyeol estava sentado em frente a bancada na cozinha juntamente com alguns membros do clube. Estavam todos comendo alguma comida que parecia ter acabado de ser feita e que era muito familiar ao seus olhos e olfato, por sinal.

Baekhyun aproxima-se silenciosamente, temendo uma reação exaltada da parte do de cabelos castanhos.

- "Eai, Baek!" - cumprimenta-o Tao. - "Veio cedo hoje."

- "Senta aqui, Baek! Vem comer um pouco. A comida do Chanyeol é maravilhosa!" - exclama Minseok enquanto o puxa para sentar-se ao seu lado.

Baekhyun procura o olhar do baterista, mas é como se o loiro não existisse para ele.

'Que ironia, não?', pensou amargo.

Resolvera então voltar seu olhar para o prato sobre a mesa. Era uma espécie de massa recheada com molho de tomate, já havia visto essa comida em algum lugar. E foi na primeira garfada que percebera: era a mesma comida das inúmeras marmitas que toda semana surgiam na geladeira de seu apartamento.

Sempre achara que haviam sido feitas por algum dos outros moradores, mas aparentemente estava enganado.

'Em quantos outros aspectos de sua vida ele estava presente sem que tivesse se dado conta?'.

- "Sabe, Chanyeol, Baekhyun estava querendo te convidar pra visitar o clube." - comenta Kyungsoo rindo.

Baekhyun até pensa em repreendê-lo, mas está muito constrangido para sequer levantar a cabeça do prato. Parecia que os outros estavam cientes da situação dos dois, mas por algum motivo nunca resolveram comentar do baterista para Baekhyun ou forçar alguma interação direta entre eles.

- "Ah, é? Decidiu que eu existo agora?" - diz irônico encarando-o pela primeira vez desde que chegara.

Os garotos soltam uma risada, mas todos percebem a tensão que de repente se instalou no ar. Baekhyun conseguira decifrar um tom de mágoa na voz do outro, mas parecia que o buraco era mais fundo.

Surpreendentemente, Baekhyun estava disposto a cavá-lo.

Só esperava que conseguisse voltar a superfície depois.


                           >>◇<<


O resto da manhã se deu com Chanyeol e Baekhyun comportando-se como gato e rato.

O atendente o seguia como se fosse sua sombra. Queria de alguma forma compensar todo seu desprezo não intencional a presença do outro, mas não sabia como. Ao julgar pela decisão de Chanyeol em ignorá-lo veemente, não estava dando certo.

Agora, observava-o pintando uma tela no local onde Sehun normalmente ficava. Percebe incrédulo, mais uma vez, que existiam várias pinturas com sua assinatura dispostas pelo lugar.

Baekhyun estava começando a desconfiar da veracidade de sua vista, ou então só era muito tapado mesmo.

As pinturas eram lindas, quase profissionais, sua maioria retratando paisagens bem simples até, mas as matizes e os contornos davam um ar grandioso à obra.

Diferentemente das de Sehun, suas pinturas lhe transmitiam conforto e paz. Era como um colírio para os olhos.

Chanyeol fingia estar ali sozinho, assim como fingira antes enquanto tocava algumas músicas no violão e depois organizando alguns discos vinis em uma caixa ao lado de vitrola (que Baekhyun descobrira pertencerem a ele).

O atendente o encarava quase que hipnotizado, como um cachorrinho implorando pela atenção do dono. Nem ligava de não estar lendo seus livros ou escrevendo seus poemas como sempre fazia.

No momento, encontrara algo quase tão bonito quanto as poesias que tanto gostava e quase tão interessante quanto suas histórias favoritas.

Decidira não insistir por sua atenção por hora. Apesar de querê-la, achava aceitável que o outro tivesse a sua vingança, mesmo que nem se comparasse aos meses de obliviedade pelos quais Baekhyun inconscientemente fizera o outro passar.

Por isso, despedira-se de seus amigos já no fim da manhã e encaminhou-se para a sorveteria junto de Kyungsoo.


                          >>◇<<


Já estava quase dando o horário do fim de seu expediente quando é surpreendido pela chegada de Chanyeol à loja.

Considerando o gelo que estava dando ao atendente, Baekhyun não esperava que o outro fosse dar as caras tão cedo assim por livre e espontânea vontade.

Ele ficava ainda mais bonito em sua jaqueta jeans, e Baekhyun demorou um tempo para situar-se novamente ao ambiente.

- "Boa tarde, do que o senhor gostaria hoje?" - segue o protocolo, deliberadamente acrescentando o "hoje" para tentar causar alguma reação. Ao constatar o olhar inexpressivo do baterista, concluiu que precisaria de um pouco mais de esforço para tal.

- "Eu quero um bola de chocolate com menta." - diz decidido, encarando-o fundo nos olhos.

Baekhyun os arregala minimamente.

- "Parece que alguém está começando a fazer escolhas." - comenta tentando não soar tão grosseiro.

- "É, parece que sim." - responde seco.

Baekhyun perde-se em seu olhar.

Parecia querer lhe dizer tantas coisas, mas difusas demais para que o loiro consiga identificá-las. O garoto agradece, paga e sai, deixando Baekhyun afogando-se em seus pensamentos.



                         >>◇<<



Baekhyun acabara de sair de um merecido banho após uma tarde de trabalho.

Estava a caminho de seu quarto quando percebeu os sons de instrumentos vindos do quarto de Yixing. Já estava acostumado a ouvir os ensaios da banda de seu quarto, que ficava do outro lado do corredor, mas dessa vez resolvera ficar na sala.

Queria confirmar se Chanyeol estava lá e, mais do que isso, queria que aquele joguinho terminasse.

Não aguentava mais ser ignorado pelo outro.

Estava quase adormecendo quando escuta a porta ao lado se abrir. Chanyeol sai de lá e se sobressalta um pouco ao notar sua presença, mas disfarça seguindo em direção a geladeira na cozinha.

Baekhyun vai atrás de si.

- "Até quando pretende ficar me ignorando?" - pergunta o loiro sem rodeios.

Ele não responde.

- "Ok, Chanyeol, eu já entendi que você quer fazer com que eu sinta o que você sentiu por todos esses meses. Mas não acha que está sendo um pouco injusto?" - pergunta encarando as costas do outro.

- "Injusto?" - pergunta Chanyeol virando-se bruscamente. - "Você quer falar de injustiça, Baekhyun? Ok. Que tal começarmos então com o quão injustiçado eu me senti ao descobrir que você nunca fez questão de notar minha existência enquanto tudo o que eu fiz durante todos esses meses foi olhar pra você? Não é injustiça o suficiente?" - dispara com raiva. - "Você provavelmente nem faz ideia do tanto de coisa que eu fiz pra chamar sua atenção, mas parece que você tem um bloqueio a minha pessoa, como se sua mente só filtrasse o que é do seu interesse. Eu não esperava sua admiração e muito menos sua reciprocidade, mas custava muito ao menos reconhecer que eu existo? Pelo amor de Deus, eu frequento esse apartamento e o clube da arte quase todos os dias desde que você chegou, por que foi preciso uma tentativa de suicídio pra que você notasse isso?" - diz Chanyeol com seus olhos marejados.

Baekhyun permanece estático, sua mente em branco.

"Bom, pelos menos agora eu tenho sua atenção, mas não é do jeito que eu queria." - Chanyeol continua, agora com a voz mais baixa. - "Você só está preocupado com a possibilidade de ser um gatilho de um suicídio, você não se importa comigo de verdade. Mas não se preocupe, eu jamais tiraria minha vida por causa de outra pessoa, nem que essa pessoa seja você. "

- "Por que você nunca falou comigo?" - Baekhyun solta as palavras que martelam em sua cabeça.

Chanyeol vacila o olhar e parece ficar sem reação por um momento.

- "Falar com você parecia ser uma escolha decisiva." - diz Chanyeol após algum tempo. - "Não cabe a mim tomá-las, Baekhyun."

Baekhyun é então tomado por uma súbita onda de raiva.

Essa mania de não querer responder por nada do garoto o tirava do sério. Como Chanyeol podia o culpar por sua falta de ações? O baterista ausentava-se de sua responsabilidade de viver, condenava o mundo por sua própria inatividade.

- "Sabe, Chanyeol, agora eu entendo porque você quer morrer." - diz o loiro, tentando controlar sua voz. - "Você tem medo de viver. Você tem medo tomar as escolhas erradas, e por isso não toma nenhuma. Você não acredita em destino, você só quer alguém para culpar pelo seu fracasso." - brada com seus olhos inquisitivos em direção ao outro.

- "Não fale de mim como se me conhecesse. Você nunca fez questão disso, afinal." - retruca ácido o de cabelos castanhos.

- "Deixe-me te conhecer então." - propõe Baekhyun com certo brilho nos olhos.

Chanyeol arregala o olhar, perguntando-se se havia escutado corretamente.

- "Me mostre quem é esse Chanyeol que sempre esteve ao meu lado e só eu que não vi."

O garoto assente timidamente, se dando conta de que essa era uma escolha que sempre o assustara, mas que agora não relutaria em tomá-la.



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