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História Cavalo das almas perdidas - Capítulo 1


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Notas do Autor


Tenha uma boa leitura 🍀

Capítulo 1 - Em um lugar sombrio


Eu estou deitado e não sei onde estou. Acho que isso não importa. Dês que cheguei aqui, só sinto medo. Meu corpo... Eu ainda tenho um corpo? Me sinto aliviado em sentir minhas mãos se apertando. Estou agindo como não me reconhecesse, como se não estivesse vivo. Isso é estranho. Consigo sentir arrepios do vento frio que batem sobre mim.

Eu não me lembro de nada. O quê eu estava fazendo antes de chegar aqui? Será que eu existi? Essas perguntas só surgem sem nem uma resposta. Parece que se eu gritar, ninguém vai me escutar. Só vejo escuridão. Eu tenho horas! Meu relógio... Não está no meu pulso.

Eu não sei onde estou e estou com medo, duas coisas que não são muito boas juntas. Resolvo procurar por aí. Finalmente me levando do tal chão - essa coisa onde eu posso permanecer em pé. Contínuo a ver á escuridão. Cadê as pessoas. Alguém! Por favor, alguém me escuta!

O que é essa escuridão? Porquê não consigo ver nada. Será que estou no limbo? Ou algo assim, mas, então, como eu morri? Eu devo ter esse direito, saber os motivos da minha morte. Esse lugar é vazio, será que existem regras ou leis aqui?

O vento bate mais forte. Parece que estou despido. O frio é tão intenso e nem tenho onde me proteger ou muito menos fazer uma fogueira... Meus 3 anos nos escoteiros mirins não me ajudam em nada! Mesmo assim sinto que já vim aqui antes. Decido ir em direção a esse vento. Corro, corro, mas não chego em lugar nem um. Se ao menos eu pudesse ver por onde ando...

Paro para recuperar o fôlego. Por um momento senti que o vento cessou quando tentei me aproximar. Aquele medo que senti no início, está diminuindo. Estou muito cansado para correr, minha irmã estava certa, eu deveria ir a academia... Acho que é tarde demais pra isso.

Ouço pisadas em minha direção. Quem será? É um ser humano. Meu coração se acelera.

- Eu vi sua correria. - Às pisadas cessam, com poucos minutos essa voz grossa fala. Uma voz de quem já viveu muito. Provavelmente um idoso.

- Onde eu estou? Por favor, me tire daqui! - Deixo minha impaciência controlar. Eu quero sair daqui. Quero ver á luz do Sol novamente!

- Desculpe. Uma coisa que você nunca mais poderá vez a essa estrela. - Como assim? Ele leu meu pensamento? Eu não disse isso...

- Sim, jovem. Vamos falar de coisas que importam agora, você tem um caminho á seguir, e por ordens eu devo lhe guiar. Durante a caminhada, poderá me fazer perguntas. - Eu só vejo escuridão. Não tem caminho e como você saber se ele não é uma voz da minha cabeça.

- Primeiro, você está sem cabeça. Segundo, esse local se chama Lugar Dos Impuros. Terceiro, toque em seus olhos e quarto, você foi algum psicólogo?

Tantas informações jogadas em apenas 49 segundos. Como eu posso estar sem cabeça! Isso é louca. Que caralho! Lugar dos Impuros? Isso é trolagem. Com minha mente cheia, eu decido fazer o que o velho me disse. 

E sim, eu tentei entrar na universidade de psicologia porém não fui aceito. Meus olhos... Eu não sinto nada. Parece que eu passei pelo lugar onde estava minha pupila... Eu tenho buracos ao invés dos olhos... Sinto tocar em uma textura áspera nesse buraco.

- Sua morte foi terrível. No momento é só isso que eu posso lhe dizer. Como eu disse, posso ajudar você.

- Como você pode me ajudar? Me diga por quê eu consigo falar e pensar nem cabeça? - Eu não estou gostando nada do que está acontecendo. Com certeza isso é só uma brincadeira de mal gosto.

- Você não está mais em seu mundo. Se você não vem com "esse defeito de fabrica", provavelmente já estaria escondido na primeira toca que visse. Aqui é um pouco diferente do seu mundo, mas seguimos ordens. Deus está vendo.

Deus está vendo? Esse senhor fala de uma forma tão natural, parece que não sou o primeiro que ele encontra neste estado. Isso me arrepia. Tenho muitas mais perguntas para fazer...

- Você vê tudo escuro porque não tem olhos. Digo isso com certeza, no seu subconsciente você se vê inteiro, mas na realidade de agora, você está desmembrado. Então, você esse "limbo" que disse no começo. Preso no própria mente. Eu sou uma criatura mágica que guia desconhecidos por nestas bandas. Olha, espero dizer isso pela última vez. Foi até engraçado ver você correndo sem sair do lugar. Como você está nesse transe, seu corpo recebe os comandos. - Eu não consigo entender nada do que ele disse.

- Eu só quero ver. Por favor, me dê a visão.

Eu sinto uma mão sobre minha cabeça. Só quero minha visão de volta. Depois de um tempo, sinto um novo toque mas agora sobre meus olhos. Ele retira as mãos do meu rosto, agora eu posso fugir de perto desse louco! E... E? Eu ainda não consigo ver!

- Você não ajudou em nada. Obrigado.

- Agora você vai sentir ardência. Alguns desmaiam de dor, outros não sentem nada. Depende de cada pessoa.

Eu sinto a ardência de qual ele fala. Parece que minha cabeça está em chamas. Agora me lembro das palavras que esse velho disse, ele consegue ler pensamentos. Tenho que medir minhas palavras... Não demorou muito. Vi á escuridão novamente, mas agora com faíscas de cores correndo e nascendo na minha frente, da mais clara, a mais escura foram se misturando. Parecia um quadro eu um pintor renomado com cores vivas e jogadas de uma forma expressiva. Agora eu vejo.

Há uma mata. só vejo verde para todo o lugar. Não tem flores, ou variações. Só árvores. Toco nos meus olhos e os sinto. Com alegria, eu toco no meu cabelo. Eu tenho roupas! parece uma espécie se manto. Agora consigo colocar minhas ideias do lugar. Podendo ver, meu medo desceu 30%. Não é um número alto, mas no momento é um salto. Agora cadê o tal ajudante? Ele me abandonou sem nem ao menos se despedir!

Quando eu olho para todos os lados, eu o vejo. Estava na minha esquerda. É um jovem. Seus cabelos são dourados, quando a luz vinda do céu caia sobre seus cachos fazem seu cabelo ser divino. Olhos azuis igual ao mar mais lindo, ao mais claro de todos. Ele também vestia um manto, diferente do meu. Uma vestimenta branca sobre uma pele morena. Sua corpo exageradamente definido de dar inveja.

- Você vai ficar parado olhando para mim? - Sua voz não combina nada com sua aparência. Eu o julguei de velho, mas sua aparência é genuína.

Dou um sinal negativo com a cabeça. Ele se vira dando as costas pra mim. Sinto a necessidade em segui-lo. Passamos por várias árvores e palmeiras. Um lugar totalmente tropical, só faltava uma praia. Não faço ideia para onde ele me leva, ele só se intitula como meu guia.

Ele para de andar, e eu que estou logo atrás também paro. Estamos em uma montanha. Distante nos vemos um castelo. Um grande castelo e mato. O caminho até lá era passar por árvores. Até agora parece fácil.

- Está vendo aquele castelo? - Um vento bate sobre nós. Eu olho para ele e vejo seus cachos dourados balançando ao vento, junto com seu manto. Ele olha fixo ao castelo. Devo parar com essas olhadas, não quero levar uma bronca de novo não.

- Aquele castel- 

- Pois nós vamos pra lá.

- Por quê?

- Como eu disse, nós também seguimos regras. Você participará de um torneio, de quem é capaz de subir no cavalo mais temido desse distrito.

- E... se eu não quiser participar?

- Você não tem escolha. Aliás, se conseguir. Poderá ganhar um prêmio; a reencarnação.

- Eu não entendo.

- Você pode fazer perguntas quando andamos. Vamos.

É realmente uma vista linda, me dá vontade de ficar aqui. Mas tenho que chegar ao castelo para poder viver novamente. Eu tenho várias perguntas a fazer, estou tentando me organizar primeiro... Eu o sigo, e entramos em um caminho feito de terra entre a grama.

- Por que este castelo?

- Nesse mundo existem 7 distrito. Bom, você já deve ser ouvido falar dos 7 pecados capitais, né? Pois é. E como são 7 distritos, também existem os guardiões dos lugares. Os 7 guardiões dos outros distritos vêem aqui para ver como os humanos brigam entre si para poderem viver em uma miserável vida. Este castelo é um entretenimento para eles. Aqui é o Lugar dos impuros, onde pessoas com capacidade de reviver vem.

- Nossa... O que os entretém?

- Há um cavalo indomável enfurecido no estábulo. Todos os impuros e puros que tiveram a sorte de tentar de novo devem mostrar sua determinação e capacidade. Quem conseguir ficar em cima dele ganha.

- Então existem várias pessoas aqui?

- Sim, existem. São meus irmãos, e pessoas iguais a você. Nos vivemos aqui. Auxiliamos pessoas como você. Por serem poucas pessoas que tiveram essa sorte de estar aqui, não temos conflitos ou aglomerações. Tirando a gente, tem outros humanos também.

- Seus irmãos?

- Sim. Somos muitos, mas os mais importantes são os que cuidam dos distritos. Eu disse que haviam 7 distritos, mas essa aqui não foi incluído porque é um lugar de ressurreição. Meu pai nos ordenou a cuidar daqui.

- Quem é seu pai?

- Lúcifer.

- Como assim! Quê?

- Deus criou todas as regras desse mundo. Inclusive os distritos. O inferno estava com uma pré população, então meu pai foi dizer isso a Deus. E os problemas foram resolvidos.

- Como você pode ser filho dele?

- Que pergunta boba. Meus pais são Lúcifer e Lilith.

- Hum... - É tudo que eu preciso saber no momento.

- Ok. Eu gostei da sua atuação, e para falar a verdade, fiquei até com medo. Muito engraçado isso viu. - Eu fico perto e toco nos cabelos dele. Que cachos macios...

- Aliás, esse cabelo parece bem verdadeiro, mas é bem óbvio que é uma peruca! - Eu puxo a peruca dele!

- O que quê 'tu tá fazendo! - Ele grita comigo.

- Estou tirando seu cabelo falso, ué. Eu já disse que essa piadinha de "você está morto" e caralho a 4, já perdeu a graça!

- Meus cachos são de verdade! - Meu Deus, o quê que eu tô fazendo. Eu os solto rapidamente!

- Eu deveria nem ajuda você mais!

- Ei! Pelo que eu entendi, seu pai te obriga a cuidar de pessoas como eu, né?

- Sim.

- O quê ele pensaria se você não cuidasse de mim?

- Que você é insuportável.

- Quê!

- Mas eu te entendo. Você acabou de chegar. Vamos logo.

Dei uma espreguiçada, essa conversa foi longa. Aqui é tão bonito. Ainda estamos seguindo o caminho pela mat-

- HAHAHA - Ele ri. E paramos de andar.

- Você está rindo de mim?

- Você chegou aqui e nem sabe seu nome! - Ele não consegui terminar a frase sem rir.

- É... Acho que perdi meu nome e memórias quando cheguei aqui. - Tá bom. Chega de rir de mim!

Eu me aproximo dele, ele percebe minha aproximação e corre de mim.

- Prazer, meu nome é Davi. Eu posso chamar você de quê? Sem cabeça?

- Pra onde você está indo! Nem pense em fugir de mim!

Ele está se distanciando. Corri para não perde-lo de vista. O nome dele é Davi... Eu preciso de nome... Mas eu já tive um nome, então por que eu não posso só lembrar? Vou tentar desocupar minha cabeça. Tenho muitas informações, preciso me lembrar de todas. Não posso esquecer nem um detalhe. Já estou ofegante, começo a correr mais rápido para alcançar Davi.



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