História Cê parece um anjo... - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Suga
Tags Hope, J-hope, Jung Hoseok, Min, Min Suga, Min Yoongi, Seok, Sobi, Suga, Yoonseok
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Palavras 8.896
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Yaoi (Gay)
Avisos: Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi gente!

Essa OS está atrasada há uns dois feriados kkkkkkkkkkkk mas está aqui ♥
E como amanhã é meu aniversário e quem ganha é vocês, eis aqui a OS desse ano *-*

Beijão e espero que gostem!!!

Boa leitura, fui!

Capítulo 1 - Único


YOONGI

— Vamos vai... diz que sim!!! Você sabe que se não disser... vou ficar te perturbando até dizer.

Como um ultimato, meu amigo Namjoon me jogou esta bendita frase, e bem, ele é tão chato que eu realmente acredito que ele me perturbaria até que eu dissesse sim de verdade! O fato é que já estamos há alguns minutos do nosso almoço nessa discussão, ele tentando me convencer de ir acampar com ele em um lugar no meio do mato para entrar em contato com a natureza e renovar as energias (palavras dele), e eu no meu canto dizendo que tenho mais o que fazer.

Ué, e tenho mesmo!

— Anda Yoongi, aceita logo... vai ser feriado, o que é que você tem de tão importante pra fazer a não ser ficar de bunda pra cima dormindo o dia todo?!

Ele me questionou alarmado, quando lhe fiz a maior e mais engraçada cara de obviedade que consigo fazer, porque afinal de contas ele mesmo respondeu a própria pergunta, melhor até do que eu mesmo poderia responder (risos).

— Cara sério, ser teu amigo é muito complicado.

— Por isso mesmo que eu sempre digo que você precisa de novos amigos, para me deixar em paz!

Ele me fez uma cara de ofendido e eu logo me levantei com a minha carteira em mãos, já pegando o cartão e indo direto ao caixa para efetuar o pagamento do meu almoço. Atrás de mim ele me seguia com uma cara emburrada, quando enquanto eu digitava a minha senha na maquininha, ele jogou:

— Vai ser legal, juro! Terão tantas pessoas diferentes, e a natureza! Paz é o que não vai te faltar lá!!! – ele me jogou e a única coisa que eu fiz foi fechar os olhos e orar para Deus me mostrar uma frase que se eu dissesse, faria ele desistir dessa ideia idiota.

Nós dois trabalhamos em um banco de investimentos multinacional e claro que como devem imaginar, nossas rotinas são bem atarefadas e inevitavelmente atribuladas e estressantes, ainda mais para mim, que sou da área de Risco. Todos os dias, todas as horas e todos os minutos eu recebo ligações desesperadas dos mais diversos clientes (desde os que tem maior número de investimentos, até os que tem os menores números), me questionando sobre os riscos de suas ações e me pedindo para fazer coisas tão mirabolantes, que eu teria que aprender a ser Deus, literalmente!!!

Mas apesar de eu levar uma vida assim... isso não significa que eu possa enlouquecer de um minuto para o outro e topar uma porcaria de rolê desses.

— Se me chamar para ir acampar de novo, te proíbo de falar comigo!

Foi a única coisa que pensei, por mais ignorante que soe. Assim que disse minhas palavras enquanto virávamos a esquina e aguardavamos o semáforo, o ouvi bufar e dizer:

— Tudo com você é um processo. Se eu já consegui plantar a ideia hoje, amanhã ou semana que vem eu a colho. – e então sorriu piscando apenas um olho para mim, tendo a coragem de me dar um maldito tchauzinho. Ironicamente eu sorri, pois infelizmente era exatamente assim que eu funcionava, mas ele não precisava jogar na minha cara desse jeito né!!!

Atravessei a rua em um ritmo muito mais lento que meu amigo que já estava dentro do prédio do Banco, e parei ainda nas escadas, pegando um cigarro que já estava solto no meu bolso e o acendendo, curtindo meus últimos minutos de almoço, e já pensando na minha casa, sim... minha amada e bela casa. Eu moro sozinho em um apartamento mediano um pouco afastado do centro, e vivo tão independente, tão independente, que até minhas roupas não sou eu que lavo (risos). Deixando a ironia de lado, a vida que levo de fato é bastante mórbida e solitária nos feriados e finais de semana, como o Namjoon acabou de citar. A verdade é que acabo ficando tão exausto que ahh, a única coisa que quero quando esses dias abençoados chegam é dormir!!!

E dormir pra caramba!!!

E óbvio que isso não condiz em nada com ele. De fato, ele é meu melhor amigo no meu local de trabalho e na minha vida num geral, todo o resto eu classifico como colegas, mas devo dizer que não sei como somos amigos pois somos totalmente contrários ao outro! Ele adora sair e encher a cara, já eu adoro comer frango assado no sofá enquanto dou risada assistindo meus filmes de terror preferido.

Sim, eu dou risada assistindo filmes de terror.

E isso não é nada estranho...

 

 

 

É?

 

 

 

O Namjoon sempre diz que eu sou estranho e que meus hábitos são como filtros que o ajudam a classificar o meu nível de excentricidade. Aliás ele sempre pontua que o dia que ele chegar na minha casa e me ver colando a Marisa (nome carinhoso do meu drone) nas hélices do ventilador do teto  e ligando o mesmo, filmando tudo girando, de novo, que ele vai pedir para os meus pais me interditarem. Eu não entendo isso... sinceramente, para mim isso é inveja dele pois as imagens ficaram muito engraçadas e únicas, muito mesmo!!!

— Boa tarde Min.

— Boa tarde Park.

— E aí, o Nam já parou de te encher o saco?

— Ué, ele te chamou também?

Perguntei surpreso para o meu "amigo" Park Jimin, que acabou de chegar do almoço e me cumprimentou enquanto eu já termino meu cigarro. Claro... eu já deveria imaginar... o Namjoon chama todo mundo quando dá essas ideias loucas na cabeça dele, e se ninguém aceita, eu sou a última pessoa para a qual ele pede e insiste, geralmente até ter uma resposta positiva.

— Ah cara, eu acho essas ideias de acampar uma babaquice. Nunca que troco o conforto da minha cama pelo de uma barraca. Para.

— E não é? Ele é louco! Ainda mais no feriado!

Meu amigo ligeiramente mais baixinho que eu (ele que nunca leia este texto) estalou a língua e balançou a cabeça negativamente, como que me compreendendo e negando a ideia absurda do Nam. Eu o disse uma vez, que se ele quisesse me chamar pra algum “evento” “idiota” que primeiro chamasse todas as pessoas que ele conhece, e que por último pedisse à mim.

Bem, ele fez exatamente isso.

E me sinto levemente tentado a aceitar.

Não que eu queira, óbvio que não. Ele quer acampar em uma chácara no litoral, que cede parte do seu terreno para as pessoas levarem suas barracas e pagarem um aluguel simbólico pelos dias que ficarem. Lá você pode usar os banheiros da chácara e a cozinha, além do salão de jogos que deve ter o que... sinuca e pimbolim? Ok... só pelo pimbolim eu já iria... MAS!!! Será feriado... FERIADO!!! E eu não gosto de praia, nem de areia, nem de lugares pequenos e fechados (barracas), nem de grama, nem de terra, nem de sinuca, nem de muita gente junta em um mesmo lugar (sim porque se será feriado, certamente o lugar vai lotar de desocupados que com certeza não têm uma boa cama como a minha para dormir), nem de reggae, nem de maconha (vocês acham que as pessoas vão até lá fazer o que? Tirar fotos das barracas e fazer churrasco? Hum inocentes, óbvio que não), nem de gente que não toma banho direito, nem de não ter um local adequado para eu mesmo tomar banho (ele disse que tem o mar e uma cachoeira... mas por favor, eu, EU não vou tomar banho peladão em uma cachoeira né?!), nem de não poder comer o que eu quero a hora que quero, nem de ... enfim...

Eu não gosto de um monte de coisas.

E isso chega a ser um defeito bastante sério em mim. Não é porque eu não tenho um namorado (oi? fala sério eu nem ligo para isso...), e sim porque sou acostumado com uma vida boa e leve demais na minha casa, e em consequência, adoro meu sedentarismo. Há anos não viajo, há anos não faço absolutamente nada de diferente na minha vida, simplesmente porque não tenho energia para fazê-lo, então me parece bastante razoável que as pessoas compreendam que a minha morbidez é o meu refúgio e sério... me sinto bastante bem nela. Claro que também eu não sou o tipo ideal para ninguém... sou branco demais, sedentário demais, baixo e gay... sim, gay.

Pois é, gay.

E se vocês já escutam as suas amiguinhas dizerem o quanto está difícil arrumar homens para elas, imagina para nós arrumarmos para nós mesmos. Meu destino é ficar só, e sério, eu já o aceitei e me amo por isso.

— Yoongi, já jogou Cuphead?! Eu vi no seu Steam que você logou... e aí, o que achou?!

— Cara, o melhor jogo que já joguei na minha vida.

Agora, adivinhem por que eu aceitei esse meu destino solitário e me amo por isso?! Sim meus caros, porque eu ocupo meu tempo jogando, e sim... jogando pra caramba (risos). É, eu sei que na minha idade eu deveria ser mais sociável e conhecer novas pessoas (27 anos... é uma idade difícil pra isso, mas tudo bem), praticar esportes, beber água, passar protetor solar, lavar o arroz antes de fazer, limpar meu quarto e ter uma cor saudável e uma vida mais ativa, mas não... infelizmente não consigo fazer absolutamente NADA disso. Que pena não? Pois é, peninha mesmo.

 

 

Agora já são 17:30, a hora que eu considero a melhor do dia: hora de ir para casa. E só de saber que amanhã e depois são feriados, tenho vontade de pular e gritar bem alto que eu estou livre e outras coisas, tamanha a alegria. Eu vou poder jogar até morrer (como minha mãe dizia com raiva quando eu era adolescente), literalmente. Não que isso seja uma coisa muito boa... cá entre nós, não estou interessado em morrer, não ainda. Mas confesso que concordo com o Namjoon... sabem... eu preciso encontrar outras formas para me divertir que não sejam jogando ou dormindo, mas acampar com certeza não é uma delas.

— Yoongi!

— Poxa vida, já estava me sentindo feliz demais por não te ver mais hoje. – confessei para o Nam que me apanhara de surpresa no estacionamento do banco, enquanto eu caminhava até o meu carro.

— Qual é, assim você me deixa chateado. – ele soltou e eu o olhei desconfiado, fazendo-o sorrir sonso e levar a mão até o próprio peito e completar vitimizado — Que foi? Você sabe que sou sensível.

— Você é um idiota mesmo. – ele riu e então destravei meu carro distraído, abrindo a porta de trás e jogando minha mochila nela, quando de repente, sinto algo escuro sendo posto na minha cabeça e minhas costas serem empurradas para dentro do carro.

Completamente assustado e amedrontado, tento gritar o nome do meu amigo e percebo que alguém também entrou no meu carro e se sentou ao meu lado atrás. Com o coração na mão ouvi a ignição do meu carro ser ligada e ao tentar me debater, a pessoa do meu lado fechou meu pescoço com o braço e aos poucos eu sentia o ar indo embora e minha garganta completamente fechada, tornando-me incapaz de puxar algum ar para respirar. Momentos antes de perder a consciência, pude ouvir ao longe:

— Vai enforcar ele desse jeito Parkdiota!

— Opa! Desculpa!

E então senti o aperto diminuir e minha consciência me abandonar completamente.

 

 

Um pouco enjoado, sinto meu corpo balançando e ao tentar abrir meus olhos, minha visão embaçada em nada consegue me ajudar. Aos poucos minha memória começa a me situar do último acontecimento que me lembro, e de repente meu coração começa a acelerar pelo mais puro sentimento que existe: o medo. No momento estou deitado no que identifiquei pelo tato ser o banco de trás do meu carro, e pelo espaço que estou ocupando, completamente sozinho. Com coragem, mentalizei na minha mente uma ideia que seria um tanto idiota e que poderia matar não apenas o imbecil que está dirigindo meu carro como eu mesmo, e respirei fundo tomando minha decisão.

Em um pulo ergui meu corpo e levei minhas duas mãos diretamente ao encosto do banco do motorista, alcançando o pescoço do vagabundo que dirigia meu carro e o apertando com todas as minhas poucas forças que consegui juntar devido ao medo e ao susto. Então escuto:

— Hyung pelo amor de Deus!!! – olho para o lado e dou de cara com o Jimin. Abri a boca em surpresa e gritei:

— Ele também te fez de refém?! Me ajuda logo e faz ele parar o carro!!! – os olhos pequeninos do meu amigo estavam quase esbugalhados, e sua garganta gritava o mais alto que conseguia pois enquanto eu tentava apertar o pescoço do vadio que estava roubando meu carro, este balançava e trocava de faixas, enquanto ele tentava afastar as minhas mãos. Eu também estava morrendo de medo, mas ninguém toca no meu carro!!! Pelo amor de Deus, ainda preciso parar 36 prestações dele!!! E não estou nem na metade...

— Yoongi para com isso caralho!!! Vai nos matar!!!

— Namjoon seu filho da pu-

...

Namjoon?

Assim que me dei conta da pessoa que era, parei completamente meus movimentos com os olhos e a boca abertas, pasmo e espantado, tenho certeza que fiquei 10x mais branco do que já sou. Com sabedoria, meu amigo se utilizou desse pequeno lapso de tempo que o deixei livre para parar o carro no acostamento e ligar o pisca alerta. Assim que o veículo parou, o xinguei:

— Seu filho da puta!!! Que porra tá’ fazendo com meu carro?!?! E comigo?!?! E com o Jimin?! – o estapeei sem pensar e o vi tentar se defender:

— Eu posso explicar... jur- antes mesmo que ele dissesse alguma coisa abri a porta do carro e saí depressa, indo até a dele e a abrindo também, o puxando com toda a força pela gola da camisa social que usava. Notando o céu começando a escurecer, o intimidei com ainda mais medo:

— Pra onde estava nos levando?! Olha só o céu, já está escurecendo e eu nem sei onde estou!!! Que porra Namjoon, quero te matar!!!

— Hyung fica calmo pelo amor de Deus!!! Tá’ td bem... eu e o Nam combinamos tudo, a gente- enquanto eu apertava o colarinho da camisa do meu amigo, observando a cara de temor dele pois tenho certeza que ele nunca me vira assim antes, prestei atenção nas palavras do Jimin, observando ele mesmo se interromper quando o encarei com raiva.

— Era para ser uma brincadeira Yoongi... estava dirigindo até o lugar que vamos acampar. Teríamos um feriado diferente, principalmente você! – o Namjoon disse como se não fosse nada, fazendo-me soltá-lo e levar as minhas duas mãos até o rosto, o tampando e esticando com raiva, o dizendo:

— Com o meu carro? Com a porra do MEU carro?! Namjoon!!! – dessa vez antes mesmo de eu avançar no pescoço do Nam, o Jimin se posicionou na frente, tentando me acalmar:

— Desculpa hyung, não foi de propósito! Quer dizer... foi! Mas não para o mal, entende?! Planejamos tudo porque queríamos que você fosse conosco.

— Seu traíra!!! Você disse que achava uma babaquice!!!

— Nossa Jimin-ah, você disse?

— Eu- eu! Aish, eu disse!!! Mas disse para convencer o hyung a continuar mantendo sua opinião, só assim ele não desconfiaria de nada e nosso plano daria certo!

— Ah...

— “Ah...”?! Então eu sou o único que foi feito de idiota por aqui?!

— Sim! Quer dizer... não!!! Hyung... claro que não... por favor desculpa isso, agora não tem mais volta, já passamos da metade, você dormiu bastante.

— Você apertou o meu pescoço!!! Você ia me enforcar Jimin!!! – diante de toda a discussão idiota que começamos, foquei no Jimin e tentei levar minhas mãos até seu pescoço, sendo facilmente bloqueado por um de seus movimentos aprendidos com 100 anos de aulas de Jiu-jitsu. Sentindo meu braço virar, o gritei por socorro:

— Aaai!!! Meu braço, você vai quebrar!!! – no mesmo segundo fui solto, cambaleando um pouco e me endireitando novamente. Suado, vermelho de raiva e puto da vida, os empurrei da minha frente e entrei no meu carro, fechando e travando as portas.

Do lado de fora eu os via gritar, e apesar de não ouvir, abaixei o vidro só um pouco e falei:

— Agora vão pensar duas vezes antes de tentar uma idiotice dessas comigo de novo!!! Adiós! – me despedi ironicamente e comecei a dirigir o carro com um sorriso largo e sádico no rosto, os fazendo correr atrás de mim, acelerando de leve apenas para fazê-los correrem mais.

Achando divertido, também dei seta para a esquerda, tendo a absoluta certeza que no momento que eles viram, seus corações devem ter vacilado no mínimo umas três batidas, os fazendo beirar um infarto de tanto medo que eu pegasse a rodovia e os deixasse completamente sozinhos de noite, na beira de uma rodovia de alta velocidade. Notando a exaustão dos meus amigos, respirei fundo e resolvi parar o carro, esperando alguns segundos para que eles me alcançassem. Assim que o fizeram, destravei as portas do carro e os vi entrando, completamente ofegantes e quase sem ar.

— Acho que aprenderam né? Vejam só como sou bonzinho, eu realmente ia deixa-los aqui, e voltaria só amanhã de tarde por misericórdia.

— Pelo... amor de Deus... hyung... seria muita... mancada...

— Então saiba que se você apertar meu pescoço mais uma vez, e se você Namjoon planejar alguma coisa que me envolva pelas minhas costas, farei algo bem pior!!! – ressaltei com a voz alta e grossa (ou uma tentativa disso, pois estava morrendo de vontade de dar risada), os ouvindo desculparem-se e concordarem de forma engraçada, pois pelo cansaço nem conseguiam falar direito.

Segui a rodovia e pedi direções ao Nam pois pelo jeito... eu não teria como fugir desse maldito acampamento.

 

 

Agora se passaram exatamente 1 hora e meia do meu último relato, e praticamente chegamos à tal chácara que vamos acampar. A estrada é de terra, e eu só consigo dar graças à mim mesmo por ter escolhido um carro alto e 4x4 quando fui comprar este, ainda que se não fosse por essa loucura do Namjoon, essas rodas jamais veriam terra enquanto este veículo estivesse nas minhas mãos. Com as direções certas do meu amigo, após virar a última estrada completamente escura pela noite, iluminada apenas pelos faróis do carro, chegamos ao local que deixam montar as barracas. Levantei o olhar e vi uma enorme casa na parte de cima e distante do terreno, aceitando os fatos. É... eu teria que acampar de verdade e não trouxe roupas nem nada para isto.

— Ahh... finalmente chegamos. Olha só como o ar é puro!!! – Jimin exclamou animado assim que saiu do carro, inspirando uma grande quantidade de ar e espirando em seguida, sorrindo feliz. Olhou para mim ainda com um sorriso no rosto e eu franzi o cenho, fazendo-o fechar a cara no mesmo instante. Fui para o outro lado e dei uma boa olhada no local que estava, constatando que não era de todo ruim.

Ao contrário, não era pequena e as barracas não estão todas amontoadas como tinha imaginado. O terreno é gramado e bastante amplo, e a casa da chácara não fica tão distante assim. Encarei as pessoas e vi até famílias por ali, constatando que realmente... não seria tão ruim assim.

— Poxa hyung... já pedi desculpas... – escutei meu amigo se desculpar e sem olhar para ele, passei meu braço por seus ombros, o abraçando de lado como um aceite às suas desculpas. Eu deveria ver o que ele e o Namjoon fizeram de uma forma diferente... talvez eles não sejam apenas amigos/colegas de trabalho, pois se fossem jamais se preocupariam com a minha diversão. O maior problema de toda essa amizade é querer mante-los longe de mim, de quem realmente sou... por coisas que me aconteceram no passado... ou por simplesmente não saber olhar para frente. Há muito que preciso superar.

— Aqui sua mochila Yoongi. – ouvi o Nam dizer e assim que olhei para trás, ele a jogou para mim e eu a peguei no ar.

— Minha? – perguntei meio sem entender, abrindo e constatando que tinham três mudas de roupas e umas camisetas a mais, além de umas cuecas boxers e uma bermuda de banho. Ergui uma sobrancelha para ele e logo a pergunta que o fiz pelo ar foi respondida:

— Sua mãe me adorou sabia? – fechei e apertei meus olhos dentro do meu crânio de raiva, escutando uma risada alta do meu amigo. Minha mãe é foda, meu Deus!!! Ela sempre vai às quintas dar um tapa na limpeza da minha casa, mas como amanhã será feriado ela foi hoje... mas...

— Que horas você foi na minha casa?! Se estava trabalhando... – falei baixo, travando o carro e o seguindo com o Jimin ao meu lado, escutando sua resposta:

— Não trabalhei a tarde. Depois do almoço eu dei uma enrolada de uns minutos e depois saí, fui na sua casa, bati um papo com a sua mãe e quando voltei, já estava na hora da saída. Só deu tempo de combinar com o Jimin e de te encontrar no estacionamento no horário de sempre. Sua mãe foi um amor, mas quase me atrasou completamente. – demos risadas e concordei com ele, pois de fato minha mãe é uma mulher doce, mas tem o defeito de falar muito e muitas coisas ao mesmo tempo.

Assim que alcançamos a casa da chácara, meu amigo tomou a nossa frente e entrou, pois a porta já estava entreaberta e o movimento era grande dentro dela. Várias pessoas na sala (que era gigante por sinal, com dois ambientes, um de estar e outro de jantar), nos corredores e no que eu vi ser a cozinha.

— Com licença, a Sra. Jung está por aqui?

— Ora! Sou eu mesma querido! Você é o Namjoon não é?! – avistamos uma senhora que estava à frente do fogão respondendo o Nam, com um sorriso alegre e saudoso no rosto, como se já tivesse o visto antes.

— Sou eu sim, tudo bem com a senhora? Fiz uma reserva pra área de fora pelo AirHub, te liguei hoje a tarde está lembrada? – meu amigo respondeu educado e então ela tirou as luvas e o avental, andando na direção dele e o cumprimentando com a mão, afirmando:

— Claro, claro! Me lembro sim! Como foi a viagem? Trouxe dois amigos conforme me disse, onde está sua barraca? – a senhora o questionou e ele logo respondeu:

— Foi ótima! Sem intempéries... – ele disse quando o encarei com os olhos afinados de raiva, fazendo-o se corrigir – Talvez uma ou duas, mas chegamos bem e inteiros, é o que importa não é?! Haha!

— Nossa barraca está no carro Sra Jung. – o Jimin completou tentando disfarçar o clima estranho que criei, e se apresentou em seguida: — Me chamo Park Jimin, um prazer conhece-la. – e então sorriu agradável, tornando os olhos pequenos em linhas e me fazendo bufar em descontentamento. Aiai... quem vê esse rostinho agradável nem sabe que ele é capaz de apertar pescoços por aí, e de amigos!

— Jung Yumi, o prazer é todo meu querido. E esse bonitão quem é? – fiquei uns segundos olhando o azulejo da parte de cima da parede da cozinha, que formavam arabescos coloridos e harmoniosos, muito bonitos por sinal, completamente distraído. Então sinto uma cotovelada na minha costela, me virando já puto e preparado para xingar o Namjoon, quando no caminho meus olhos reparam diretamente em uma mão estendida na minha frente e um sorriso curioso. Um pouco desconcertado, chutei meu nome:

— Min Yoongi, satisfação. – a mulher fez um “ahh” e sorriu leve, afastando-se em seguida. Olhei para o outro lado e vi um amontoado de gente e logo a Sra. Jung foi até a porta da cozinha e berrou:

— RAPAZES!!! Já falei mil vezes que não quero ninguém entrando molhado aqui dentro de casa!!! Façam o favor de secarem pelo menos os pés antes de entrarem sim?! – o grupo de marmanjos assentiram e voltaram para o lado de fora, no entanto um foi alvo de mais uma advertência: — Hoseok!!! Venha já aqui rapaz. – a voz da senhora Jung tornou-se séria de repente e um pouco inseguro, vi o tal Hoseok virar-se e vir molhado mesmo na nossa direção.

O cara usava apenas uma bermuda e estava completamente molhado, mas não foi bem isso que chamou a minha atenção. Já fazia um tempo... bastante tempo... que eu não me sentia meio assim ao ver alguém vindo na minha direção. E por assim eu quero dizer receoso, inseguro e levemente transtornado pois o único corpo que vejo com poucas roupas e molhado é o meu próprio e como eu disse, há bastante tempo. O tal Hoseok parecia ter a minha idade, talvez um pouco menos, tem o rosto em um formato oval bem diferente do que sempre vemos, os olhos pequenos e o nariz arrebitado, somando com os lábios finos e os ombros não muito largos... exatamente o meu tipo. A pele é da cor das pessoas normais (e não de fantasmas como a minha) e o corpo de maneira geral, bastante atraente por não ser forte e nem magro demais, exatamente o meio termo.

E eu adoro meios termos.

— O que que é mãe... – ele falou para a senhora Jung, que agora sei ser mãe dele, com uma voz desanimada, como quem já sabia o que ela diria e já estava se sentindo de saco cheio antes mesmo que ela dissesse.

— Já falei que não te quero andando com esses seus “amigos”. Onde estava até essa hora da noite? – ela o questionou preocupada, o fazendo sorrir leve e passar a mão nos fios lisos molhados, a respondendo:

— Estávamos jogando conversa fora na cachoeira. – a senhora o encarou meio contrariada e então o questionou com a voz um pouco mais baixa, de forma preocupada:

— Não estava fumando aquelas coisas erradas né meu filho? – na mesma hora que ouvi a pergunta, encolhi os lábios para dentro da boca e levei a mão até a mesma, me segurando ao infinito para não dar risada, inclusive virando o corpo para o lado para tentar me disfarçar. Então percebi que o Nam e o Jimin faziam o mesmo, esse último na verdade teve que virar de costas para não ser indiscreto e gargalhar ali mesmo. No momento em que virava, vi o Jung olhar para mim e repreender a mãe:

— Meu Deus do céu mãe... dá licença!

— Sabe que não gosto!!!

— Eu só fumei cigarro mãe, só cigarro!!! Se quiser pode me cheirar, que saco! – o ouvi exclamar e puta que pariu, tive que virar de costas como o Jimin e me afastar um pouco, rindo sozinho de frente à parede que ficava um pouco distante da situação toda. De repente o Jimin me surpreende e me fala:

— Hyung, socorro! O cara já é adulto e a mãe controla desse jeito! – olhei para ele e coloquei as duas mãos em cada um de seus ombros e respondi:

— Isso é normal, completamente normal Jimin... todas as mães do mundo são assim... – tentei acabar com aquilo normalizando os fatos, falhando miseravelmente quando ele respondeu:

— Oxe a minha não é assim não!!!

— Caramba ela vai cheirar o suvaco dele? – ouvi o Namjoon perguntar a si mesmo ao constatar que a senhora Jung estava mesmo cheirando o filho, mas quando ela subiu o rosto e levantou o braço do cara... meu Deus...

 

Não foi só o Jimin que deu A Gargalhada.

 

Eu também dei.

 

E o Namjoon também.

 

E todo o resto da galera que estava na cozinha também.

— Porra mãe para com isso!!! Assim você me mata de vergonha!!!

— Mas meu filho...

— Tchau!

— Preciso que você leve os rapazes para conhecerem a chácara!!!

— Ah não mãe, depois dessa merda que a senhora fez eu deveria sumir isso sim.

— Para de bobagem meu filho, ninguém liga para isso. Eles dão risada porque não tem uma mãe tão boa quanto eu para cuidar deles, só você tem.

— Agora é sério. Tchau mãe. – minha barriga começava a doer de leve pela risada que dei, quando me usei de toda a minha maturidade para parar de rir de uma bobagem como aquelas e dizer:

— Jung Hoseok, sou Min Yoongi, como vai? – estendi minha mão na direção dele e surpreso, ele me olhou de volta nos olhos e a apertou um pouco desconfiado, me fazendo continuar — Se não for muito incômodo gostaria que nos levasse pra dar uma volta, só pra conhecer os lugares principais da chácara mesmo. Chegamos há pouco e foi eu que dirigi, estou muito cansado e só consigo pensar em dormir logo. – assim que terminei de falar, as pessoas pareceram parar de rir e voltaram à seus afazeres, e Jimin e Namjoon se entreolhavam bastante surpresos.

Ué... o que eles queriam? Que ficássemos ali rindo do cara a noite toda? Eu tô é com sono isso sim, e meus planos não mudaram em nada com essa ideia louca de acampar, eu continuo querendo dormir, e dormir pra caramba!!! De preferência só ser acordado no último dia pra voltar pra casa. Que sonho maravilhoso seria isso.

— Ahh... claro... por aqui... – o Hoseok disse mostrando a direção da saída e eu endireitei minha mochila nos ombros, olhando de lado para os meus amigos e acenando com a cabeça para seguirmos em frente.

— Boa noite senhora Jung. – me despedi da senhora que me olhava um pouco atônita e antes de dar o primeiro passo, disse: — E evite chamar a atenção do seu filho na frente das pessoas, é bastante constrangedor pra ele e pra quem presencia. – a vi assentir sem expressão e então rumei até a saída da enorme casa. É... a noite demoraria um pouco para acabar.

 

 

Passados alguns minutos do pequeno rolê que estávamos dando, Jung Hoseok finalmente terminou de dizer onde ficava os lugares principais da chácara como a cozinha e os banheiros coletivos, e os da casa que qualquer um poderia usar, se pagasse 5 reais. Já fiz as contas e concluí que realmente, serão 20 reais os 4 dias porque eu não vou tomar banho no banheiro coletivo... mas não vou mesmo. Nos mostrou o início de algumas curtas trilhas que tinham por ali, inclusive a da tal cachoeira que ele disse, e nos mostrou para qual direção ficava a praia, esta que parecia ser guardada por algumas árvores no mínimo centenárias que ali estavam.

Resolvi entrar no carro com todos e dirigir até a parte mais próxima da areia da praia, para que pudesse escutar o mar a noite quando dormisse. Não sei porque... não me perguntem já que não menti no começo, realmente detesto praia e areia e cheiro de mar... mas nada disse sobre o som (risos). O som que as ondas fazem quando quebram me parece ser um calmante natural quando ouvi de longe. No local escolhido, montamos a nossa barraca com a ajuda do Jung (já que nem olhando os desenhos de passo a passo do manual nem eu, nem o Nam e nem o Jimin acertamos) e ficamos um tempo conversando, sobre amenidades da vida e como o lugar estava cheio hoje a noite e fazendo estimativas do quanto encheria amanhã e sexta.

Algumas piadas foram ditas, e outros olhares foram trocados quando dois amigos do Jung, chamados Jeon Jungkook e Kim Seokjin se aproximaram da nossa rodinha, se apresentando e se incluindo na nossa conversa no mesmo segundo que chegaram. Dado momento eu decidi levantar e ir tomar meu banho no banheiro da enorme casa, e ah... admito, foi um dos melhores banhos que já tomei na minha vida. Assim que terminei e voltei pra barraca, apenas o Jimin dormia pesado e acreditem, eu não quero nem imaginar onde o Namjoon está, e o que ele deve estar fazendo, sério. Então me ajeitei no meu saco de dormir e literalmente, desmaiei. 

 

 

Ainda não amanheceu completamente mas eu já despertei, e eu preciso confessar que mal percebi que não estava na minha cama. De verdade... quando eu ver o Namjoon preciso premiá-lo por ter escolhido o saco de dormir mais confortável que deveria existir na tal loja que ele deve ter ido. Acordei até que rápido, e levantei sem enrolar muito, me espreguiçando até o céu fora da barraca, e com os olhos ainda semi-abertos, já que ainda devem ser umas 5 da manhã e ainda está escuro. Assim que saí da frente da barraca, decidi ir até a casa principal da chácara, notando com tristeza que a mesma ainda estava trancada... ué... tinha certeza que o Hoseok disse que davam café da manhã logo cedo... que ótimo, vou ter que ficar com fome esperando a boa vontade de outras pessoas porque não existe uma conveniência sequer a pelo menos 1 hora daqui. Foda.

— Ué. Já de pé? - ouvi uma voz familiar e virei para trás, dando de cara com o tal Hoseok. Devido ao meu mal humor repentino pela manhã, apenas acenei com a cabeça e continuei meu caminho até a barraca, quando ele me parou e continuou — Não quer dar uma volta? Acho que ambos temos o costume de acordar, mas hoje nos superamos não é? - e então riu minimamente, obtendo a mesma reação de mim. 

Um pouco tímido e mal humorado, o segui para a tal volta que queria dar comigo... sentindo uma insegurança sem sentido tomar conta de mim completamente, chegando ao ponto de me fazer lembrar aquele menininho sem graça e ressabiado que eu era quando mais novo. Mas quem sabe, eu não possa esquecer essa minha versão nesse feriado?

 

 

Já faz algumas curtas horas que estou completamente sozinho com o Jung Hoseok. No momento estamos sentados na areia de frente ao mar, eu em cima da minha camiseta (porque sou fresco, segundo ele) e ele só com a bermuda mesmo, com o violão ao lado. Tem sido estranho como ele tem se mostrado completamente diferente daquele cara que vi em sua casa ontem a noite, sendo chamado atenção pela sua mãe por fumar coisas erradas. Ele é apenas dois anos mais novo que eu, uma pessoa realmente agradável e incrivelmente fácil de conversar, nada mimado (eu achei que ele era MUITO mimado) e pelas informações que juntei, só saiu dessa cidade pequena do litoral uma vez na sua vida, para estudar, e voltou no mês seguinte por não conseguir se adaptar.

— As pessoas da cidade grande são muito exclusivas... sabe? Excluem quem é diferente não porque não nasceram na mesma cidade que elas, mas porque falam diferente... ridículo não? – assenti, me dando conta de que nesse tempo todo uma das únicas coisas que fiz foi me atentar no sotaque dele.

— É ridículo mesmo. Mas a parte boa é que quando elas vierem pra cá, você pode excluí-las e zoar elas também. – o ouvi gargalhar e segurei a intensidade do meu olhar para não fazê-lo parar, o vendo balançar o rosto positivamente e levar a mão ao bolso, retirando dele um cigarro diferente e um isqueiro, me dizendo enquanto o acendia:

— Espero que não se importe.

— De maneira nenhuma. O pulmão é seu. – respondi da forma que escutei minha vida inteira as pessoas me responderem quando eu falava a mesma frase que ele, visando testar seu humor e satisfazer minha curiosidade quanto a qual resposta ele me daria. Foi com um de seus sorrisos largos, que ele me respondeu:

— Vai me dizer com essa voz rouca que não fuma? – ergueu as sobrancelhas e me encarou curioso, enquanto eu o encarava com os olhos afinados em um olhar um tanto sério e estimulante para ele, quase sorrindo fino com meus lábios. Segundo o Nam, ele classifica esse meu olhar como “o olhar desencaminhador de Min Yoongi” (risos).

Mas, diferente do meu amigo que costumava gargalhar quando me via olhando assim para ele, Hoseok não mostrou nem um pingo de indício de que estava achando engraçado e que riria a qualquer momento.

Ao contrário, parou de me olhar nos olhos e olhou para o mar um pouco sem graça, concentrando-se em tragar bastante daquele cigarro que acabara de acender. Assim que soltara a fumaça, me encarou diferente e com um pequeno sorriso nos lábios. Senti o cheiro do ar que acabara de soltar e constatara de que não se tratava de um cigarro artesanal, daquele que bolamos com o fumo e a seda mesmo, e sim um de maconha, que dançava muito bem embalado em seus dedos, que brincavam com ele aceso em uma combinação um tanto maliciosa com o sorriso que dava.

— Parece que o THC tem o efeito inverso em você. – o fiz saber, quando ele me questionou tranquilo, elevando um pouco o queixo:

— Você acha?

— Acho sim. – respondi simples, me afastando um pouco dele e da direção para onde a fumaça estava indo, o ouvindo rir e me sugerir:

— Traga um pouco. – olhei para os seus dedos que estavam na minha direção e respondi:

— Detesto o cheiro disso.

— Não é pelo cheiro que estou te oferecendo Min Yoongi.

— Também não é pelo cheiro que estou recusando Jung Hoseok.

— Então é porque a maconha também tem o efeito inverso em você?

A pergunta me pegou desprevenido, e alguém como eu que sempre tem a resposta na ponta da língua, me vi sem palavras. Não que a maconha tenha o efeito inverso em mim como tem nele, o deixando levemente animado e o fazendo perder a vergonha (esta que eu acho que já não tinha muito, pois desde o começo ele olhava diferente para mim), mas sim porque o THC me deixa realmente lento e aberto à tudo, ou à quase tudo dependendo do meu nível de estar super a vontade na presença de alguém, ou pouco a vontade.

— Não deveria estar fumando coisas erradas menino Jung. – o provoquei, o fazendo rir e virar-se para mim, colocando o cigarro na minha boca e me dizendo:

— E você não deveria me chamar de menino, caro Min. – traguei uma vez e sorri para ele, me lembrando que quem me chama de “Caro” nos e-mails são os clientes do Banco ou meu chefe. Olhei para o mar e traguei uma segunda vez, soltando a fumaça e o dizendo:

— Esse lugar não é tão ruim quanto eu pensava. – ele me olhou surpreso e respondeu:

— Você deveria achar que esse é o melhor lugar do mundo. Não porque é bonito, mas sim porque estou aqui do seu lado. – gargalhei alto e um pouco lento com a sua resposta, o respondendo:

— Você se acha demais e nem é tudo isso. – o falei lentamente de propósito, enchendo a boca com cada palavra, notando o mesmo fazer uma expressão de ofendido para mim. Então ele me encarou fundo nos olhos e respondeu:

— E você parece um anjo. – franzi o cenho para o mesmo sem realmente compreender aquele “elogio” (?!), e confuso o encarei com estranhamento, fazendo-o bater uma palma alta com as mãos e pegar o violão de forma desajeitada, começando a tocar aquele reggae antiguíssimo: — “Cê parece um aaanjo... só que não tem asa iaiá, ah meu Deus quando asa tiver, passe lá em caaasa...”

— Ah não, pelo amor de Jah!!! Essa música não!!! – exclamei erguendo as mãos para o céu como se buscasse algum socorro e logo ele gargalhou e deixou o violão de lado, pegando o pequeno cigarro da minha mão e tragando uma vez, me respondendo enquanto soltava a fumaça:

— Não existe outro reggae que combine mais com você do que esse.

— Eu não preciso que nenhum reggae combine comigo, preciso que uma pessoa combine.

Pronto, esse é o efeito que a maconha tem em mim. Do nada começo a ficar devagar e falar besteiras, muitas besteiras, e essa é um ótimo exemplo.

— Ahh... qual é cara, você ainda é novo, até os trinta arruma uma namorada bem legal. – passei a mão pelos meus cabelos sentindo que tinha que corrigi-lo em algo que disse, mas como fiquei em silêncio ele continuou — E então vai casar, ter um filho, uma casa e dois cachorros. Bem quadradinho.

Com a última expressão que ele disse eu só consegui rir, e rir pra caramba!!! Caralho, que merda que ele estava falando?! Ouvi que ele também me acompanhava na risada, e senti necessidade de esclarece-lo que não era nada daquilo que eu queria... nem a médio, nem a longo prazo. Aliás, eu nem sei o que quero de verdade para esses prazos, mas a curto prazo... aquele que classificamos como dias ou horas, eu classifico como agora e o incluo... pois é ele que eu quero.

— Um homem gay não pode ter tudo isso, não se não tiver muita garra e coragem, e eu infelizmente não tenho nem um pouquinho. – enquanto dizia o via tragando uma última vez o verdinho que estava sendo o culpado por toda essa situação e me olhando no fundo dos olhos como já vinha fazendo. Como o olho dele é um pouco mais claro que o meu, deu pra perceber que suas pupilas já estavam dilatadas e que o efeito da maconha nele estava bem forte. Provavelmente, nem deve ser comum para ele fumar isso, um ponto positivo para a senhora Jung.

— Então você pode tentar só namorar mesmo, alguém que não te exija muita garra e coragem para conquistar. – identificando a minha deixa, fui rápido em responde-lo:

— Tipo você?

Cheguei a ver seus lábios abrindo e fechando sozinhos, então aproveitei e me aproximei do mesmo, me arrastando de leve sobre a areia e dobrando um dos joelhos, apoiando o cotovelo em um deles e sustentando meu peso na areia com a outra mão. Eu não sabia exatamente como estava o olhando (acho que esse olhar ainda não foi nomeado pelo Nam – risos) mas sabia que estava a causar algum efeito nele, já que ele permanecia me encarando, não meu rosto, mas sim dos meus lábios para baixo, como quem quer avançar mas algum motivo o impede disso.

— Impossível, não sou gay. Mas mesmo se fosse, não namoraria um cara abusivo como você. – franzi o cenho sem entender e então ele continuou: — Onde já se viu me encaixar numa hipótese de que não precisa de garra nem coragem pra me conquistar?! Eu não estou afim de você, mas se estivesse deixaria de estar. – e então eu ri, ri de gargalhar, o vendo se levantar da areia com pressa e estalar a língua nos dentes chateado, me xingando: — Idiota.

— Lindo. – o elogiei quando ele já estava se afastando, porém estranhamente na direção do mar, já que realmente pretendia me deixar sozinho, quando me respondeu quase me magoando:

— Eu vou continuar lindo, mas você vai ser sempre um idiota.

— Um qualquer?

— Dos piores.

— Poderia ser o ‘seu idiota’.

— Hahaha, obrigado mas eu dispenso! – e então desatou a correr na direção das ondas, me deixando completamente sozinho.

Eu poderia ir se quisesse, mas não sou mais um menino e sei bem o que ir até ele significaria.

Jung Hoseok me deixou sozinho na areia com um convite no ar, um nas entrelinhas mais sacanas que existem. Se eu fosse até ele, significaria sem dúvidas de que eu estaria literalmente indo atrás dele, correndo na verdade e isso até o faria mudar de ideia quanto a idiotice na qual o encaixei. Se eu não fosse, continuaria na merda, exatamente como estou agora e tenho estado há muitos anos... orgulhoso e sozinho, incapaz de reconhecer um erro e ir atrás de corrigi-lo. Ele seria apenas mais um que eu perderia... mas, com os poucos minutos que nos conhecemos e totalmente diferente dos caras que já perdi/deixei ir embora, ele realmente me faria falta... eu olharia para este momento e me lembraria “podendo corrigir, deixei de fazê-lo”.

Em um insight me levantei da areia com um pulo e segui correndo até o mar, criando coragem e entrando nele sem realmente pensar no quão frio estava. Hoseok estava um pouco distante, e com as quebras das ondas nem me ouviu me aproximando, o que achei perfeito para o que queria fazer. Silenciosamente, fui mergulhando até ele e enquanto ele estava distraído tirando água do ouvido, o abracei por trás sentindo-o se retesar em meus braços. Antes mesmo que ele me rejeitasse e me escurraçasse dali, o pedi com a boca ao pé de sua orelha:

— Me dá uma chance com um beijo Hoseok. Apenas um.

Ele certamente tinha ouvido a minha proposta, mas por alguns segundos, ele nada esboçou. Nem um sim, e nem um não, absolutamente nada. O vi abaixar a cabeça e ergue-la de novo para o céu, o mar estava calmo e as estrelas ainda brilhavam no céu que se preparava para amanhecer completamente acima de nós. Talvez aquele tempo estivesse sendo tomado por ele para pensar sobre algo, ou decidir algo sobre ele mesmo, algo que nada tinha a ver comigo, mas que impactaria muitíssimo em sua decisão de me corresponder ou não. Eu me mantinha o abraçando por trás, porém se maldade, sem encoxa-lo nem nada disso, quando de repente ele se virou para mim e colocou as duas mãos no meu rosto, falando a centímetros do meu:

— Se me decepcionar também, te afogo nesse mar.

E foi sorrindo um sorriso provocante que alinhei minhas mãos em sua cintura e o puxei devagar para um beijo, já que eu poderia fazer muitas coisas à ele, mas decepcioná-lo certamente não seria uma delas. Num primeiro contato nossos lábios se encaixaram perfeitamente, os lábios macios dele beijavam os meus com intensidade, criando um beijo um tanto apaixonante. Nossas peles molhadas se roçavam e o vento frio que vinha do mar nos arrepiava e instigava ainda mais a permanecer dentro da água.

Me abaixei um pouco e puxei suas pernas, fazendo-o ficar no meu colo e o mantendo assim, aproveitando-me um pouco e apertando sua bunda conforme a intensidade do beijo aumentava. Talvez eu estivesse indo rápido demais, talvez lento demais. Ambos estamos lentos na verdade, e não, não é por culpa do THC; é por culpa da empolgação disfarçada daquele sentimento de querer agradar... e as pessoas costumam gostar não é? Das coisas que acontecem mais devagar... devagar o bastante para que elas tenham tempo de pensar antes de se amarrarem à alguém, ou à um aperto.

Um simples aperto.

— Nossa... - foi o que ele disse quando separamos nossos lábios, após um leve aperto que dei em sua cintura, a partir do qual o colei ainda mais em mim.

Sorri e segui para seu pescoço, o qual me recebeu convidativo estando levemente inclinado para a direita... aquele caminho certo que sempre seguimos nos sonhos. A pele fina com o gosto salgado do mar parecia uma provocação, um convite um tanto sem vergonha da parte dele, que confesso, adorei receber. Deixei um chupão com gosto em seu pescoço enquanto ele começava a ofegar no meu ouvido. Suas pernas ainda estavam dobradas na minha cintura, me fazendo de apoio para ele e me torturando, pois com o balanço da água do mar, o contato entre nossas intimidades sempre diminuía... ele ia um pouco para trás, mas eu sempre, sempre o puxava de volta, reforçando a minha necessidade interna de me manter conectado à ele em um momento tão efêmero... que muito provavelmente terminaria logo, e jamais se repetiria.

Todas as vezes que eu sentia seu membro encostando no meu, aquela vontade conhecida se apoderava de mim como o mais insistente dos demônios. Com as carícias que trocávamos, sentia aquela necessidade aumentar cada vez mais, não apenas no sentido sexual simplificado, mas naquele carnal. Naquele que é sério demais e desde quando o homem aprendeu a se comunicar, ainda não conseguiu dar um nome. Aquele mesmo, sem letras, mas repleto de sentimentos e vontades absurdas. Hoseok tinha uma suavidade contemplada por uma espécie de euforia somente dele, incompreensível.

— Se me pedir desculpas, te deixo avançar. – ele disse com o tom de voz baixo, enquanto puxava a minha mão toda vez que eu tentava leva-la até seu pênis. Sem realmente entender, mas visualizando uma brecha para obter o que queria, lhe disse:

— Tenho te pedido desculpas durante todo esse tempo. – ele riu e se afastou de mim, ficando em pé na água. Colocou as duas mãos na cintura e me abordou:

— Então seus beijos são como desculpas mudas? Não sei língua de sinais.

— Essa foi péssima.

— Como os teus beijos.

— Jung Hoseok...

O breve diálogo logo foi cortado pela minha curta paciência, que me fez trazê-lo para mim de volta num abraço firme. Enquanto brincávamos com os olhares um do outro há curtos centímetros entre nossos rostos, acariciei a lateral de sua cintura a arranhando da metade para baixo, seguindo até o cós de sua bermuda. Ele estava daquele jeito que as pessoas ficam quando não sabem se riem ou devoram, me olhando como se eu fosse íntimo dele, e tal decisão coubesse somente à mim.

Assim que o toquei, o senti se amolecer no braço que eu estava usando para mantê-lo perto de mim, sentindo ainda um aperto desmedido de suas mãos em meus ombros. Então percebi que ele queria... tanto ou até mais que eu. Seus dedos pontilharam dos meus braços até minhas costas, quando senti cada centímetro de seu corpo grudado no meu em um abraço permissivo e singelo. Com as mãos desci uma pequena porção da sua bermuda, aproveitando-me do momento e prensando sua intimidade contra a minha, para que ele tivesse em mente que o que eu fiz com ele, foi exatamente o que ele fez comigo... e que teríamos do outro apenas e tão somente aquilo que provocássemos... e pelo tempo que quiséssemos... e sim, essa seria a melhor parte: a decisão da duração.

O encarei de soslaio e me afastei um pouco, pegando seu pênis suavemente e o acomodando entre meus dedos, começando a masturba-lo lentamente e tomando a liberdade de ditar ao menos uma parte de tal momento tão especial: o início. O gemido pequeno e fraco que ele murmurou ficaria por meses na minha cabeça, bem como o olhar brilhante que demonstrava todo seu tesão por mim. Nos encaramos concentrados. Como se nada mais existisse.

E fazia tempo... que eu não sentia essa sensação.

Logo eu, que nunca fui muito de observar ninguém... ainda mais em uma situação assim e com um estranho... me vi perdidamente fascinado por Jung Hoseok, tão fascinado, que eu reparei até mesmo no modo como suas sobrancelhas arqueiam e se franzem quando ele esboça sua própria expressão de prazer, levanta seu olhar e o deixa assim para mim... irresistível. Apertei o lábio inferior entre os dentes e tratei de aumentar o ritmo da masturbação que fazia empenhado em seu membro abaixo da água fria e receptiva do mar da manhã. Aliás... se há algo que me lamentaria nesse exato momento, é o fato de não poder ver sua intimidade, mas admito que sentir... foi muito mais do que o suficiente.

— Um pouco mais... – sua voz entrecortada soou no breve espaço de ar que dividíamos, e a única coisa que fui capaz de fazer foi assentir desajeitado, atendendo seu pedido quase que imediatamente.

Ordens são complicadas de acatar, mas como foi eu mesmo que comecei isso e ainda por cima aqui nesse mar, nada tenho a fazer senão concordar. Talvez eu gostaria de estar em um lugar mais privado com ele, mais... confortável? Aish... eu e minha cama, temos um relacionamento tão íntimo que até mesmo com outro, insisto em pensar nela miseravelmente (risos). Mas de fato se nela eu estivesse com ele, poderia provoca-lo de diversas formas, e teria mais segurança de que quando acordássemos depois de dormir aquele sono gostoso pós-sexo, ele ainda estaria ao meu lado.

É... com certeza estaria.

Enquanto mantinha o ritmo da masturbação em seu pênis, sentia em mim mesmo um prazer um tanto devasso em me apossar dele. Suas mãos passam com força pelas minhas costas, enquanto suas unhas me maltratam com os arranhões que faz por onde passa. Os arrepios de frio e dor que sinto quando a água do mar os toca chegam a se equalizarem, como se fossem um, complemento do outro, e desse prazer louco que sinto enquanto ele se aproxima pouco a pouco de seu ápice entre meus dedos que modéstia parte, estão trabalhando muito bem nele.

Muito antes do que eu imaginava, senti seus dedos não muito compridos adentrarem e alinharem-se aos fios do meu cabelo, e seu corpo buscando um contato exageradamente excitante e repentino com o meu, denunciando seu orgasmo. Os múrmurios ininteligíveis que deixou em meu ouvido enquanto sentia aquele prazer tão invejável por mim pareciam ressoar dentro da minha mente, e uma vontade absurda de fazê-lo gemer novamente cresceu com muita força dentro de mim. E foi nesse lapso de pensamento que ele me puxou e me deu um beijo molhado e intenso, com direito a mordidas e toques nada puros pelo meu corpo, visando aproveitar os últimos do prazer que ainda sentia irradiar pelo seu corpo.

— Preciso de você na minha cama. - ele disse quando se distanciou, me fitando com interesse nos olhos. Com cuidado, sustentei aquele olhar insano que ele me dava, e o respondi:

— E eu preciso de você na minha vida... pelo menos durante esse feriado... - sorrindo, ele assentiu enquanto mordia o lábio inferior com uma expressão um tanto pervertida no rosto, me beijando novamente. — Vamos aproveitar que ainda é cedo... te juro que nos trancamos no meu quarto e eu jogo a chave fora. - gargalhei com seu modo de falar e então nos afastamos completamente.

Ainda não estava combinado, mas ele daria mais um mergulho e eu... bem... eu também. 

Literalmente.



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