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História Ceifador - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Sinopse - A criação


A noção que os seres humanos têm da criação, ou pelo menos aqueles que são religiosos, é que houve um Deus, um Deus poderoso e grandioso que deu a vida a terra, criou animais, plantas, a luz, os dias e 2 mundanos chamados de Adam e Eva. Houve o primeiro pecado da carne e o primeiro castigo de Deus, mas o que poucos sabem é que a criação vem bem antes de tudo isso, antes de qualquer ser vivo na terra.

A milhares e milhares de anos atrás, existia apenas o Divino, um lugar iluminado, cheio de paz e harmonia. Era onde nós, anjos, vivíamos antes do arrebatamento, antes de sermos castigados por escolher o lado da ingratidão, da inveja, da podridão e da injustiça.

O Divido funcionava como uma via láctea, onde a Luz era o centro que coordena tudo ao seu redor, era a lei e a justiça, a criadora de tudo. A Luz, chamada pelos humanos de Deus, não tem uma aparência física, mas tinha vozes, milhares, como se fosse um conjunto de seres celestiais, mas sabíamos que a Luz era um singular. Havia também os anjos, seres criados pela Luz a fim de civilizar o Divino e para ajudá-la caso precisasse, na terra seríamos chamados de secretários de Deus.

Após milénios de existência, a Luz decide fazer novas criações, algo diferente do divino, algo que pudesse errar e ter liberdade, algo sem nenhum teor imaculado, algo que pudesse ser corrompido e desvirtuado, algo que poderia se sentir arrependido, algo que pudesse pensar por si próprio e assim foram criados os mundanos, seres de carne e osso que tinham a liberdade de pecar e receber perdão, algo que nós anjos não tínhamos.

Os mundanos foram a obra que a Luz mais amara naqueles anos, Ela havia dado todo o amor que pudera na criação da terra, não houve um dia se quer que a Luz não olhara para seus filhos mundanos com tanto carinho. Sabíamos que a Luz também nos amava, mas a forma como a Luz tratava os mundanos, seres inferiores a nós, fez com que um anjo cultivasse o sentimento mais podre criado.

Lúcifer, um anjo bonito e iluminado, mas também cheio de inveja contestou a luz, ele estava com o puro ódio em seus olhos, sentimento esse inexistente entre nós.Houve anjos que ficaram ao lado de Lúcifer, houve aqueles que ficaram no centro, indecisos sem saber para que lado seguir e houve os que ficaram ao lado da Luz.

Eu era umas das que ficou no centro, não me lembro de todos os fatos que aconteceram naquele dia, mas lembro que a Luz não perdoou os anjos que haviam escolhido o lado de Lúcifer e muito menos o do centro, pois para Ela, quem ficou no centro já havia feito sua escolha. Lembro de ser empurrada de forma brusca, lembro das palavras da Luz que parecia decepcionada e bastante decidida.

Eu olhava para todos aqueles anjos que pareciam com medo do que se seguiria após o sermão de Deus e as contestações de Lúcifer que não se cansava em gritar que ele poderia ser muito melhor sendo ele o Deus.

O chão do Divino abriu-se diante dos nossos pés e caímos durante incansáveis 7 dias e 7 noites. O vento gélido batia em minhas asas com tanta força que eu não conseguia controlá-las para assim poder voar, para qualquer lugar que eu olhasse havia escuridão e eu podia ouvir gritos de clemência, por fim eu senti o choque do meu corpo contra algo duro e pela primeira vez eu senti dor, medo e o pior de tudo, não havia mais esperança.

Vaguei pela terra por muitos anos, nesse tempo eu vivia como uma mundana, tive diversos empregos diferentes, conheci o sabor de diversas comidas, senti o prazer da carne e senti a dor de um amor não correspondido e tentei me acostumar com a minha nova realidade, por mais difícil que fora. Pensava que naquela época a Luz jamais me assentaria de volta, mas mesmo assim tentei chamá-la por diversos anos, rezava com todo afinco e fé que tinha dentro de mim e por fim Ela me escutou.

Era uma noite chuvosa de 1907, eu estava em um quarto de hotel quando um feixe de luz entrou pela janela e pousou em cima do meu corpo. Era morno e aconchegante, como um abraço de uma mãe, naquele momento eu percebi que havia sido perdoada pela minha criadora, mas que não poderia voltar para casa, então, como presente por meu arrependimento Ela me fez a Guardiã do Limbo, ou como sou conhecida, a Morte.

Os Filhos do Limbo

O Limbo não é como muitos imaginam que ele seja, na verdade era uma floresta sombria revestida por árvores mortas e uma neblina densa e acinzentada, o cheiro era de terra húmida e morte, o ar era gélido e havia uma enorme edificação no centro, como uma praça principal, parecida com uma igreja gótica adornada com gárgulas de rostos medonhos e enegrecidas, as paredes de pedra aparentavam mal cuidadas e revestidas por um musgo pegajoso e verde escuro, as portas de madeira apodrecida sempre estavam abertas e as pontas das torres pareciam perfurar o céu negro.

Dentro da edificação haviam janelas alongadas e finas com vidraças que contavam a história daquele lugar com a arte de vitrais. Haviam bancos de madeira, onde a maioria deles se encontravam quebrados, no centro do altar havia uma grande estátua de um anjo celestial. Em uma das mãos ele segurava uma flecha vermelha como sangue, sua ponta se assemelhava com uma agulha; na outra ele segurava um crucifixo; a expressão dele era de misericórdia, mas sua postura era de luta.

Havia rumores entre os ceifadores que a grande estátua era o símbolo do anjo da morte, mesmo que nenhum deles tenha a visto. A morte era a protetora dos ceifadores, as rezas pelas almas perdidas ou almas de aura branca sempre eram dedicadas a morte, para que guiasse aquelas almas perturbadas até o lugar que pertencia a elas.

O Ceifadores são conhecidos pelo Céu e pelo Submundo como crianças da Morte, antes eram almas que iam para o Limbo sem nenhum propósito, eram almas esquecidas pelo os dois lados, pois não haviam feito nada que as fizessem pertencer a algum lado.

A Morte foi um anjo arrebatado do Céu pela Luz, mas ao conhecer o arrependimento e assim pedir o perdão mais puro que a Mãe da terra pode escutar, a Luz, não podendo trazê-la novamente ao Céu, por misericórdia a deu o Limbo, assim como tudo que havia nele. Deu-lhe o dever de cuidar daquele lugar e dar um sentido e função as almas que ali se encontravam.

 



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