História Centuries - Capítulo 6


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Book I, Bts, Centuries, Época
Visualizações 118
Palavras 4.474
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Fluffy, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Self Inserction, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Editado em 29.04.2018

Capítulo 6 - V. Sussurros


— Me desculpe... — O príncipe imediatamente falou.

— Não foi sua culpa, vossa alteza — Haneul não o olhou, apenas fez uma reverência e saiu da enorme sala de jantar em passos rápidos e um pouco desajeitados — se é que poderia chamar aquele imenso cômodo de sala de jantar —.

Taehyung era sem um pingo de dúvidas muito desastrado, essa não seria a primeira e nem última vez que derramara bebida em uma das criadas ou criados, era algo comum de se acontecer.

A respiração de Haneul começou a ficar descompassada e várias lembranças daquela noite vieram em sua mente, não queria que a história se repetisse nesse mundo alternativo em que se encontrava. Voltou para a cozinha e encostou-se em uma das várias mesas a espera de que sua respiração voltasse ao normal. Ela teria que tomar alguma atitude com essa situação, simplesmente não podia se deixar levar pelos seus sentimentos pelo príncipe — ou pela pessoa no qual ele parecia —.

Não podia se aproximar do príncipe ou deixar que ele se aproximasse de si, não queria sofrer duas vezes.

Saiu da cozinha e foi a procura de seu quarto naquele imenso palácio, tentou lembrar-se do caminho percorrido por ela e pela princesa e não demorou muito para que o achasse, agradeceu mentalmente por não ter demorado muito. Deitou-se na cama e logo começou a chorar quando as lembranças inundaram a sua mente mais uma vez.

Ouviu um barulho do lado de fora e ao abrir os olhos notou uma pequena garoa caindo naquela noite, as gotas batiam levemente nas folhas das plantas que ficavam em sua varanda e Haneul sentiu a necessidade de fechar a janela. Levantou-se em passos lentos da cama e caminhou até a janela para fechá-la, mas antes que o fizesse pôde ver o céu se abrindo em uma pequena parte onde havia uma estrela, a estrela que mais brilhava entre as que começaram a aparecer conforme o céu ia abrindo. Por um momento viu a estrela brilhar mais forte e uma forte dor de cabeça tomou conta de si, contraiu seu corpo para trás e procurou a cama para apoiar-se. A dor apenas se intensificava e Haneul tentou chamar por ajuda mas não conseguiu. Começou a ouvir barulhos, barulhos que tinha certeza que não eram dali e isso a deixou aflita.

Ouvia vozes de várias pessoas ao mesmo tempo e também algo como rodinhas arrastando pelo chão, fechou os olhos e viu flashs de luzes passarem por seus olhos, porém o que mais chamou sua atenção foi quando sentiu um toque repentino em sua mão, como se alguém estivesse tocando-a.

Aquilo estava a deixando com medo, mas seu coração pareceu acalmar-se quando uma voz em específica se fez presente.

Vai ficar tudo bem, meu amor. Eu juro que você vai ficar bem!

Aquela voz era de Taehyung.

— Taehyung? — Pronunciou, mesmo sabendo que não seria escutada.

Eu não devia ter te deixado... — A voz do garoto era chorosa e Haneul o imaginou. Conseguia ver Taehyung apertando a sua pequena mão enquanto acariciava seus cabelos lentamente. — Eu fui um tolo! Me perdoa por favor, eu não mereço o seu amor mas ao menos me dê o seu perdão!

— Taehyung...

Era uma tentativa falha chamá-lo, mas aquilo parecia real demais para que Haneul simplesmente ignorasse.

Eu te amo.

E depois disso o quarto ficou escuro.

[ . . . ]

A manhã estava nublada e fria, não houve muita movimentação nos jardins do palácio por causa da grande probabilidade de chuva. Estava escuro por causa do tempo nublado e a princesa Jisoo passou o dia na companhia de Haneul lhe contando sobre o palácio e a família real.

Jisoo contou-lhe que há um tempo havia uma segunda rainha. Na verdade, a rainha Nayeon era a segunda esposa do rei Minseok. Ela se chamava Jiwoo e foi o primeiro amor do rei, ele tinha um enorme carinho pela mulher que havia morrido muito nova. A rainha Jiwoo havia lhe dado somente três filhos, entre eles estava o príncipe herdeiro. Haneul não soube muito sobre os outros dois, mas Jisso contou-lhe que a rainha adoeceu na sua gravidez e morreu no parto de seu filho mais novo, após isso a rainha Nayeon cuidou dos filhos de Jiwoo como se fossem seus.

Não havia rivalidade entre as duas mulheres, elas eram amigas e confidentes pessoais. Mesmo que disputassem a atenção do rei e o seu amor as duas nunca se desentenderam, até mesmo cochichavam entre si sobre o marido. Quando Jiwoo morreu Nayeon ficou inconsolável, e demorou para que ela aceitasse a morte da melhor amiga.

Haneul comoveu-se com a história e pensou nos príncipes que ficaram sem mãe, ao menos eles tinham a rainha Nayeon para poder cuidá-los e ela era uma boa mulher, eles tinham muita sorte.

Quando a princesa disse-lhe que iria passear com o noivo pelo palácio Haneul os deu privacidade mesmo que não fosse adequado a princesa estar sozinha com o príncipe, mas mesmo assim eles desejavam um pouco de privacidade.

Já estava se acostumando com os diversos corredores do palácio e até decorou alguns para não se perder. Gostava de ficar na companhia de Eunjin e lhe ajudar na cozinha e seguiu aquele rumo enquanto ouvia passos apressados atrás de si e virou-se para ver quem era, ato que arrependeu-se imediatamente.

— Boa tarde — O príncipe Taehyung aproximou-se de Haneul e ela logo começou a pensar em algo para dispensá-lo, não queria ser rude com ele e o mesmo mandá-la para a forca.

— Não deveria ficar a sós comigo.

— Por quê?

— As pessoas irão comentar se me virem a sós com o príncipe.

Taehyung riu.

— Isso se aplica mais para as princesas, é meio que comum algumas criadas irem para os quartos dos príncipes à noite e satisfazer-lhe os seus desejos.

Haneul sentiu-se envergonhada por causa daquele tipo de conversa que estava tendo com Taehyung, mas agiu de modo impulsivo ao fazer-lhe uma pergunta íntima demais.

— Elas vão muitas vezes ao seu quarto?

Não conseguiu evitar a pontinha de ciúmes que sentiu do príncipe. Querendo ou não, aquele era o cara no qual namorava até alguns dias atrás.

Taehyung deu um riso nervoso e continuou a andar enquanto era acompanhado por Haneul.

— Dispensei todas.

— Todas? — Haneul arregalou os olhos. — Como assim?

— Não tenho interesses em me envolver intimamente com alguém agora, gosto de ficar por aí brincando e apreciando a paisagem. E você?

Haneul sentiu suas bochechas queimarem pela pergunta repentina, aquilo estava a fazendo ficar envergonhada. Em sua outra vida ela não era virgem, mas se perguntou se além de ter sido transportada para uma outra época algumas características físicas também não tenha mudado. Tinha uma marca no peito, uma marca de nascença, sua avó materna dizia que marcas de nascença são cicatrizes da sua morte na vida passada, ela acreditava que Haneul havia sido baleada no peito. Nunca acreditou nisso, mas depois dos acontecimentos anteriores passou a aceitar a teoria de sua avó, teria que verificar a marca mais tarde.

— O quê?

— Alguém vai ao seu quarto à noite? — Taehyung foi direto.

O rosto de Haneul enrubesceu imediatamente com a pergunta do príncipe que se divertia com a reação dela.

— Isso é algo que se pergunte?

— Você me perguntou — Deu de ombros. — Que rápido. Já estamos na fase de contarmos nossas intimidades na amizade que estamos construindo.

E novamente uma lembrança veio em sua mente.

 

Aquela era a primeira vez que eu ia na casa de Areum e o seu irmão estava presente, ele sempre estava fora com os amigos ou perambulando por aí até que eu fosse embora, de acordo com a minha melhor amiga ele não gostava de visitas em casa e sempre as evitava, principalmente quando se tratava das amigas “mimadas” de Areum.

Era uma noite de sexta-feira e havíamos combinado de fazer uma festa do pijama, essa seria a primeira vez que dormiríamos sob o mesmo teto e estava Areum, Jisoo e eu. Sempre tentamos fazer algo assim, mas minha mãe nunca deixou que eu dormisse na casa de alguma das minhas amigas. Foi difícil convencê-la mas depois de muito insistir ela finalmente cedeu, me senti realizada.

Ficaríamos na casa de Areum até o domingo à tarde e Taehyung teria que aguentar a nossa presença, querendo ele ou não. Mesmo ele tendo me comprado um vestido maravilhoso com o dinheiro de Jiseok, eu me fodi quando cheguei em casa depois daquela festa.

Mamãe e papai sentiram o cheiro de bebida no meu vestido e me deixaram de castigo durante uma semana crendo que eu estava bebendo — talvez eu tenha experimentado algumas doses de vodka —, expliquei que um cara derramou bebida em meu vestido e só piorei a situação pois uma garota de dezesseis anos não deveria estar em uma festa com bebidas alcoólicas.

Muito obrigada Kim Taehyung.

Fui muito recebida pelos pais dos dois e eles nos fizeram um jantar magnífico. Nunca havia comido tanto em minha vida e ainda tive a oportunidade de pegar um pouco do prato de Areum e Jisoo. Durante o jantar Taehyung fazia questão de fazer alguma brincadeira sem graça conosco, perdi a conta de quantas vezes ele jogou uma ervilha em mim e fingiu que nada tinha acontecido.

Idiota e infantil. Isso o que ele era.

O plano era dormir só depois das três da manhã, ficamos assistindo alguns episódios de Once Upon A Time e quando deu onze da noite Areum já estava dormindo como um bebê, restando apenas Jisoo e eu que paramos de assistir e ficamos conversando sobre como a escola estava estressante e chata. Quando deu meia noite eu fiquei falando sozinha enquanto as minhas duas amigas roncavam.

Eu tinha alguns problemas com insônia, dormia pouco por causa do horário que finalmente pegava no sono e teria que acordar cedo na manhã seguinte, mas quando era pra dormir mesmo eu passava quase vinte horas em sono profundo. Ganhei o apelido de Suga versão feminina já que era esse o apelido de Yoongi, namorado de Areum.

Tentei de todas as maneiras dormir mas não consegui. Era uma da manhã quando senti meu estômago começar a pedir por comida — novamente — e decidi que não faria mal eu roubar alguma coisa da cozinha. Me levantei do colchão inflável em que estávamos, tomando todo o cuidado para que minhas amigas não acordassem, isso era fácil pois ambas tinham sono pesado e nem notariam caso eu sumisse durante a noite inteira e nem desse satisfações. Abri a porta do quarto e fui para o andar de baixo, rumo a cozinha. Da escada eu pude ver a luz do cômodo acesa e imaginei quem estaria acordado numa hora dessas além de mim.

Adentrei na cozinha e quase tive um infarto ao ver Taehyung tomando água de costas para mim e SEM CAMISA. Eu não queria mentir para mim mesma, mas ele tinha costas muito bonitas.

Fingi ignorar a sua presença e fui em direção ao armário na esperança de encontrar ao menos um biscoito, abri uma das portinhas e me senti frustrada quando vi um salgadinho na prateleira de cima, justamente a que eu não alcançava. Fiquei na pontinha dos pés mas foi em vão, não cheguei nem a tocar. Ouvi uma risada ao meu lado e revirei os olhos mas os arregalei quando senti um corpo atrás do meu e pegando o salgadinho que eu tanto desejava.

Taehyung estava MUITO próximo a mim.

— A sua sorte é que eu estou aqui para te salvar — Zombou.

— Não pedi a sua ajuda.

— Oh, então quer ficar com fome? Ok então — Tae deu de ombros e abriu o pacotinho enquanto saia da cozinha com um sorriso zombeteiro estampado na face.

— Ei, ei! Eu queria esse salgadinho! — Segurei o seu braço.

Queria, não quer mais.

— Aish! — Reclamei. — Por que você é assim?

— Assim como?

— Chato.

— As pessoas costumam me achar legal, você é a primeira que diz que sou chato — Taehyung esticou a mão que estava o salgadinho e me entregou. — Só irei dividir com você pois é bonita.

Minhas bochechas coraram imediatamente, eu não estava nenhum pouquinho acostumada com esses elogios e isso me deixava bem sem graça.

— Quer dizer que se eu fosse feia você não dividiria comigo?

— Dividiria se você ainda fosse legal.

Enchi a boca de salgados e o coloquei em cima do balcão me apoiando em seguida para que eu pudesse me sentar, coisa que fez Taehyung rir.

— Aigoo! — Aproximou-se e bagunçou meus cabelos. — Por que tão fofa?

— Você não sabe o quão difícil é deixar esses fios organizados, então por favor, não mexe!

— Quantos anos você tem? — Taehyung perguntou de repente. O olhei com a boca cheia e arqueei as sobrancelhas, ele tinha um leve sorriso no rosto e eu achei aquela expressão tão fofinha que cedi a ideia de dividir os salgadinhos e lhe entreguei. Engoli o que estava na minha boca e pensei se lhe respondia ou o ignorava.

— Dezesseis.

— Que novinha! — Entregou-me o pacote novamente. — Tenho dezenove, farei vinte no final do ano.

— Usarei essa informação para mudar o mundo.

Ele deu uma risada e logo em seguida um silêncio se instalou pelo lugar. Não era um silêncio ruim, mas me deixou um pouco constrangida pois enquanto comíamos ficávamos olhando um para o outro. Taehyung dava alguns sorrisos quando eu desviava o olhar e em seguida o olhava novamente, minhas bochechas até doíam tamanha era a minha vergonha.

Nessa troca de olhares pude analisar melhor o seu rosto. Taehyung tinha uma pele bronzeada naturalmente, era alto e os seus cabelos insistiam em ficar na frente de seus olhos, ambos bem escuros e bonitos. Na ponta de seu nariz estava uma pintinha, era uma das coisas mais fofas que eu tinha visto e as maçãs das suas bochechas ficavam “altas” quando eles estava com a boca cheia. Eu poderia ficar admirando ele por séculos, mas isso seria estranho já que nos conhecemos somente há alguns dias e não era natural alguém ficar lhe admirando para sempre. Mas Taehyung era bonito e isso eu não poderia negar.

— Você me fez perder a oportunidade de ficar com alguém naquela noite da festa — Ele disse depois de vários minutos em silêncio. — Eu poderia ter te pegado naquele banheiro, mas você estava tão puta comigo que fiquei preocupado com a ideia de você me matar por causa de um vestido.

O olhei incrédula.

— Não pedi para que ficasse comigo enquanto eu tentava limpar a merda que você fez em mim.

— Eu realmente estava muito a fim de ficar com você naquela noite — Sorriu. — Quem sabe não rolava mais alguma coisa além de beijinhos.

Meu rosto deve ter ficado em uns cinquenta tons de vermelho e eu lhe dei um tapa no braço, Taehyung reclamou e depois começou a rir enquanto tentava se defender dos meus tapas.

— Eu estava falando de beijo de língua, sua safada! — E ele ria. — Você tem cara de que só dá selinhos.

— E desde quando passou pela sua cabeça que eu queria pegar você?

— No momento em que você entrou na cozinha e ficou olhando para as minhas belas costas eu saquei que você queria me pegar de jeito e usar meu pobre corpinho para satisfazer seus desejos sexuais neste balcão.

Taehyung deu um sorriso malicioso e eu apenas senti vergonha das besteiras que ele estava falando.

— Para a sua informação eu não fico com as pessoas desse jeito — Taehyung riu.

— Me sentirei honrado em ser o primeiro — Aquilo foi demais. Pulei do balcão e joguei o pacote de salgadinhos no lixo enquanto tentava evitar que minhas bochechas ficassem mais quente do que já estavam. — Que rápido. Já estamos na fase de contarmos nossas intimidades na amizade que estamos construindo.

— Eu não sou sua amiga — Cruzei os braços e o encarei, Taehyung ainda tinha um sorriso divertido no rosto, sorriso esse que me fez querer arrancar todos os seus dentes e depois pedir desculpas pois ele era muito lindo.

— Ainda não — E saiu da cozinha.

 

— Criada? — O sexto príncipe cutucou a bochecha de Haneul que até então estava absorta em suas lembranças. Balançou a cabeça ao sentir o toque do príncipe e o olhou ainda confusa com o que havia acabado de acontecer. Ele era igualzinho ao seu Taehyung.

— Eu não sou sua amiga — Respondeu-lhe a mesma coisa e logo em seguida arrependeu-se já imaginando o que viria em seguida. O príncipe lhe deu um sorriso divertido e ela sentiu a mesma vontade de lhe dar um soco e depois pedir desculpas. Era incrível como ele lhe fazia ter as mesmas sensações que sentia quando estava em sua outra vida, Haneul iria fazer de tudo para que não se apaixonasse novamente, não queria sofrer uma segunda vez.

— Ainda não.

E após dizer isso o príncipe deixou Haneul sozinha perdida em seus próprios pensamentos.

[ . . . ]

No anoitecer a família real serviu outro banquete para comemorar a chegada da noiva de Hoseok. Desde a noite anterior Hye Soo não saiu de seu quarto e levou várias broncas de sua mãe quando as criadas do palácio não estavam presentes. Haneul sem querer acabou ouvindo a discussão enquanto passava pelo corredor e sentiu dó de Hye Soo, deveria ser horrível estar sendo obrigada a casar-se com alguém que claramente não ama.

Ficou pensando nisso enquanto ajudava Eunjin a preparar o prato de entrada do banquete, Jisoo a dispensou durante a noite e disse que antes de dormir passaria em seu quarto para que pudessem conversar um pouco, ela estava disposta a ser bem mais do que a sua princesa e futura rainha.

Sua presença na cozinha já era constante e lá conheceu algumas pessoas que podia considerar amigas e outras inimigas. Não fazia nem uma semana direito que havia aparecido ali e algumas das empregadas do palácio já a odiavam após a verem conversando com o sexto príncipe. Acabou por descobrir que mesmo sendo gentil e brincalhão era extremamente difícil uma criada ter trocado mais do que cinco palavras com Taehyung, ele era alguém que não costuma conversar muito com as criadas, principalmente as que se exibiam para ele no qual Haneul fora encaixada por algumas das garotas que trabalhavam na cozinha. Revirava os olhos sempre que ouvia os cochichos e sentia vontade de soltar um palavrão, mas não seria nada adequado.

Haneul havia aprendido a gostar de cozinhar recentemente, Seokjin a havia ensinado quando começaram a desenvolver uma amizade, foi muita paciência até que a garota cozinhasse bem. Não era tão boa quanto o namorado de Jisoo, mas ainda assim fazia comidas boas o suficiente para que não precisasse mais depender de comida congelada ou das poucas coisas que Taehyung fazia. O que era quase nada.

Deu um suspiro com essa lembrança e balançou a cabeça para espantá-la antes que aqueles flashs de memória voltassem. Não podia pensar na sua vida passada, não enquanto ela tentasse arrumar um jeito de voltar para casa.

Foi até uma panela que estava no fogo e experimentou um pouco do molho que seria colocado em cima da carne, faltava um pouquinho de sal, mas ela poderia resolver isso. Viu um movimento na entrada da cozinha e pensou ser o príncipe Taehyung, mas não era ele. Um homem muito bonito entrava e conversava com algumas pessoas, o reconheceu por ser o filho do general e por ser Kim Hongki, um de seus amigos.

Hongki veio na direção de Eunjin e a abraçou, a senhora lhe disse algo e apontou na direção de Haneul que deu um sorriso tímido quando este a olhou e deu um aceno. Ele parecia ser tão nobre quanto os príncipes e a ideia de que ele poderia ser igual ao pai lhe fez sentir arrepios. Não conhecia o general Kim, mas os boatos que corriam pelo palácio não eram nada agradáveis. O homem aproximou-se de Haneul que afastou-se quando este chegou próximo a da panela.

— Deixe-me ajudá-la — Hongki disse com um sorriso. Haneul lembrava de achar o sorriso de Hongki absurdamente bonito, algo que permanecia o mesmo nesta vida. Ele usava algumas roupas do treinamento, certamente ele não tinha nenhum pouquinho de descanso. — Eu sei sobre você.

Haneul arregalou os olhos e soltou a colher da madeira que segurava. Hongki deu uma risada.

— Jiseok falou-me que veio para ser dama de companhia da princesa e que costuma passar bastante tempo na cozinha — Haneul não conseguiu evitar o alívio que passou pelo seu corpo. — Bem-vinda ao palácio! — Ele estendeu a mão para a garota. — Sou Kim Hongki e filho do general Kim.

Eu sei. Haneul pensou dizer.

— Um prazer conhecê-lo — Curvou-se. — Sou Haneul.

— Eu sei.

Hongki sentiu liberdade para experimentar o molho e sorriu ao sentir o sabor, estava gostoso. Ajudou Haneul com as outras panelas e logo começaram uma conversa sobre culinária, quando não estava treinando ou em expedições dadas por seu pai Hongki ajudava os empregados do palácio. Ele não era como o seu pai, era simpático e gostava de conversar, ao menos isso era uma boa notícia para Haneul.

Não era tão próxima de Hongki, apenas eram colegas de faculdade e bebiam juntos nos finais de semanas, algo que era constante antes de toda a confusão com seu relacionamento. Ele namorava uma garota chamada Choi Minah, mas até agora não havia sinais de que ela também pudesse estar aqui.

 — Jiseok contou-me sobre o acidente na estrada, sinto muito por isso — O assunto logo voltou para o dia em que Haneul chegou. Não sabia o que responder, temia dizer algo que comprometesse o seu disfarce e fosse levada para a forca. Talvez fosse um pouco exagerada, só um pouco mesmo.

— Não sei bem o que aconteceu, ainda é um momento em branco.

Hongki assentiu.

— Acho que precisa descansar, deixe que eu termino as coisas aqui na cozinha, pode passear por aí ou ir para seus aposentos.

— Tem certeza? Não é muito... — Procurou uma palavra certa para dizer. — Incomum um homem da realeza ficar na cozinha.

— Não sou da realeza — Ele sorriu. — Sou apenas filho do braço direito do rei.

— Mas ainda assim, não... — Hongki a interrompeu.

— Só descanse!

Sabia que argumentar alguma coisa não adiantaria de nada, o futuro general era insistente e não desistia fácil, Haneul o conhecia por ser teimoso e já criava a teoria de que nesta vida ele não seria diferente. Assentiu com a cabeça e despediu-se com uma reverência, logo indo em passos rápidos até o jardim onde gostava de ficar à noite enquanto a família real jantava. Aquele lugar lhe dava uma paz e fazia esquecer por um momento que estava longe de casa.

Passou por um corredor iluminado por algumas tochas e sem querer acabou por esbarrar em alguém e ao notar de quem se tratava desejou que tivesse saído da cozinha uns minutos mais tarde.

— Oh, você está bem? — Hye Soo a perguntou, sua expressão era de preocupação enquanto Haneul mantinha uma expressão séria e assustada. — Você se machucou?

Negou.

— Me desculpe, eu deveria ter sido mais cuidadosa.

Não a respondeu, apenas continuou a encarando seriamente deixando a futura esposa do terceiro príncipe um pouco envergonhada.

— Tem certeza que você está bem? — A analisou bem a procura de algum machucado. — Ou eu me feri? — Olhou para si mesma.

— Não o trate mal.

Foi a única coisa que Haneul conseguiu dizer para Hye Soo.

— Perdão... Do que está falando?

— Me desculpe ser mal educada, a senhorita está numa posição maior que a minha e pode me custar estar falando assim, mas não posso deixar você tratar mal alguém que visivelmente está se esforçando para fazê-la se sentir confortável.

Hye Soo deu uma risada nasalada com a audácia da dama de companhia da princesa Jisoo e arrumou a sua postura para que a respondesse a altura. Não gostava de ser rude com as pessoas, mas precisava ser o mais fria possível se quisesse sobreviver no palácio.

— Quem você pensa que é para estar falando comigo dessa maneira? — Tentou parecer o mais severa possível. — Não pense que não sei quem você é, sei dos sussurros das criadas e sei que você só está aqui por causa da bondade da princesa.

Haneul engoliu em seco.

— Princesa Jisoo só lhe trouxe para cá apenas para ter uma companhia de um familiar, não pense que só por ser uma parente distante da princesa você tem a autoridade para falar comigo dessa maneira. Se ponha em seu lugar da próxima vez que for falar comigo e assim não teremos desentendimentos aqui dentro — Hye Soo deu um sorriso, orgulhosa de si mesma por ter conseguido ser dura o suficiente ao ver a reação da dama de Jisoo, os olhos arregalados e o espanto era evidente. — Tenha uma boa noite.

E após dizer tais palavras Hye Soo continuou seu caminho.

Não conseguia entender tamanha grosseria por parte de Hye Soo, quando a conheceu naquele shopping ela não parecia ser a garota fria como é nessa vida, mas Areum também não era arrogante, talvez um pouco. Deu um suspiro cansado e pensou em como deveria estar sendo difícil para o terceiro príncipe, imaginou como ele estaria reagindo diante disso tudo e fez uma careta. Ele pareceu gentil demais para ser tratado com toda frieza por parte da noiva. Cruzou os braços e encostou-se em uma coluna, precisava pensar um pouco.

Ouviu passos se aproximarem e revirou os olhos ao ver a princesa Areum, não conseguia ir com a cara daquela versão da sua amiga.

— Mal chegaram e já encontramos alguns escândalos, não é mesmo? — A garota deu um leve sorriso enquanto olhava para a mais velha. Areum não estava acompanhada de suas damas esta noite. — A vida no palácio é mais difícil do que aparenta, dama de honra.

Haneul não a respondia, apenas a ouvia e se perguntava como Areum havia se tornado aquela pessoa?

— Se quiser sobreviver tem que saber que as paredes têm ouvidos e que ninguém é digno de confiança, não há bondade e nem misericórdia, a frieza será a sua única companheira.

Mesmo não parecendo, Areum estava a avisando antes que fosse tarde demais, lembrava-se que era exatamente como Haneul quando chegou ao palácio. Gentil e indefesa, foi difícil se tornar o que é hoje.

— Se acha que alguém aqui é seu amigo está completamente enganada, Hye Soo ao que parece já veio com isso em mente, mas você precisa aprender muito se quiser sobreviver aqui, sinto que você não durará muito.

Haneul bufou.

— O que você quer de mim, afinal? — Perguntou a princesa. — Não devia estar no jantar com toda a realeza.

— Abrir seus olhos antes que seja tarde demais — O sorriso irônico com o olhar cheio de desdém voltou aos seus lábios. — Lembre-se de que as paredes têm ouvidos e elas sussurram uma para as outras, seu nome já está sendo bem comentado pela cozinha, pelo que eu fiquei sabendo.

— Não me importo!

— Então tenha uma boa sorte na sua vida no palácio — Sorriu mais largamente. — E novamente, seja muito bem-vinda!


Notas Finais


Capítulo revisado e editado


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