História Ceo - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Segundo capítulo.


Bato na porta e aguardo que autorizem a minha entrada. Enquanto isso não acontece, decido observar o ambiente ao meu lado, já que nunca tive acesso a essa parte da editora antes. Poucos já foram autorizados a vir até aqui. Dou asas à curiosidade, percebendo o quanto esse andar é diferente dos demais em cada detalhe. Onde trabalho, há fotográfias espalhadas por todos os ados, gente andando pra lá e pra cá, grandes quadros por todos os lados. Se eu pudesse opinar, diria que não gosto da impessoalidade deste escritório. Falta gente, faltam fotografias, na verdade falta vida, embora seja imponente, sofisticado como o próprio CEO aparenta ser. Humpf! Não é tão difícil imaginar como seja a mulher desse cara. Com certeza linda de morrer e tão nariz em pé que pisa em qualquer um sem olhar duas vezes. Se ele tiver mulher? Claro que ele tem. Um homem como ele jamais estaria disponível no mercado.

– Jeon, que bom que você veio. Entre. Estávamos justamente falando sobre você. 

Meu chefe imediato é quem abre a porta com o enorme sorriso amarelado ainda preso em seu rosto como uma máscara que ele precisa manter durante todo o dia. Me pergunto se o maxilar dele não está doendo. Talvez tenha que fazer alguns exercícios na boca quando chegar em casa. Espera, mudando de assunto, ele disse que estavam falando sobre mim? De que forma eu poderia interessar a um homem como Park?

– Eu espero que não tenha feito nenhuma besteira para me tornar o assunto entre vocês. Pelo menos nada que me faça sair dessa sala algemado. Brinco, tentando acabar com meu próprio nervoso, mas vejo que não vai adiantar, principalmente porque o poderoso chefão está me dando um olhar estreito, sério, quase concentrado demais para o meu gosto. Engulo em seco, quando me dou conta de que já comecei cometendo uma gafe.

Minha nossa, por que eu simplesmente não fico com minha boca fechada? E o pior de tudo é que não paro de pensar o quanto ele fica ainda mais lindo com sua testa franzida e olhar inescrutável, determinado, me fazendo alvo contínuo de sua inspeção, quando eu deveria estar totalmente no modo profissional.


    - Você não fez qualquer besteira, garoto. Pelo contrário. O Sr. Park elogiou muito seu trabalho o que é bom, já que estamos fechando um importante contrato neste setor, você terá grandes oportunidades.. quando lhe contratei você havia comentado sobre a faculdade de fotógrafo. Park, achou muito interessante suas fotos apresentada para mim no seu primeiro dia na empresa. Tirando o fato de sempre está disponível para qualquer trabalho na empresa. Sr. Yoongi parece bastante orgulhoso ao falar. Me deixando aliviada por saber que pelo menos minha vida profissional está indo por um bom caminho.


         – O que é isso, Sr. Yoongi, todos aqui fazem um grande trabalho — volto minha atenção para Park, que ainda não disse uma palavra, aumentando minha aflição. – Espero contribuir para que não se arrependa de ter se mudado pra cá. - Ele se move, passando sua mão grossa e branquinhas sobre a mesa, sem nunca tirar os olhos de mim. — Tenho certeza de que não me arrependerei e que você poderá contribuir bastante para isso.

Oh, Deus, por que sinto meu corpo pegar fogo repentinamente?

— Eu quis dizer, Sr. Park, que espero que não se arrependa de ter mudado a sede da empresa para a nossa cidade – tento trocar minhas palavras, fazendo uma nota mental de ter cuidado com elas
no futuro.

- Faremos o possível para que isso não aconteça. Você tem grandes chances de crescer na editora, Jeon. Eu estava justamente falando ao Sr. Park o quanto você é estudioso e esforçado. Já está concluindo o ensino-médio, não é mesmo? - Meu chefe continua cheio de uma animação nada contagiante, alheio à atmosfera pesada na sala que certamente apenas Park e eu estamos sentindo. Fico incomodado, de certa forma.

– Sim, estou no último ano. — Que maravilha! Nós a queremos em período integral aqui na empresa. Aceno positivamente mesmo que meu desejo seja gritar mostrando minha felicidade aos demais presentes. 

      Quero viver e respirar o mundo photo.

— Você está bem com isso, Jeon? -Park Jimin me tira do devaneio quando sua pergunta à queima-roupa me faz questionar se ele é algum tipo de vidente que lê pensamentos ou algo do tipo, ou se eu sou tão óbvio assim, mesmo que não tenha dito uma só palavra.

– Cla-claro – respondo instintivamente. Ele se levanta, dando a volta na mesa até que para diante de mim, ainda recostado sobre ela, e seu olhar corre para meu chefe ao mesmo tempo que aponta a porta do escritório.

– Você pode ir, Yoongi. Jeon e eu temos muito o que conversar esta tarde. Yoongi pisca várias vezes, antes de responder.

— Mas... eu pensei que... essa
reunião seria entre nós três.

– Pensou errado. O que eu tinha a tratar com você já foi dito, agora o assunto só interessa a mim e a ele. Você certamente tem muito trabalho a fazer para colocar os prazos em dia. Pode se retirar.  - 

Sabe aquele momento que você sente vergonha alheia? É o que estou sentindo agora. Ele está sendo prepotente e autoritário demais quando poderia conversar de uma forma mais amena. Eu não gostaria de ser tratada assim se fosse eu a chefe. Não permitiria que tirassem minha autoridade na frente de um subordinado. Por favor, Deus, não permita me que ele aja como um ogro comigo e eu acabe botando tudo a perder.

Eu preciso tanto desse emprego

— Eu... eu estarei lá embaixo, se precisar. Yoongi me olha, completamente confuso, e sai com o rabinho entre as pernas, ressabiado. Park acompanha seus passos, até que a porta se fecha atrás de nós. Eu começo a ficar apavorado agora que estamos sozinhos nesta sala e não há ninguém para amenizar o peso que a presença dele exerce sobre mim. Ele leva seu tempo apenas me encarando com as mãos cruzadas sob o queixo e o corpo recostado na mesa. Se ele soubesse que não funciono bem sob pressão, acabaria logo com essa merda em vez de fazer tanto suspense. Respiro fundo, soltando de vez todo ar dos meus pulmões e ele toma isso como uma deixa para começar finalmente a tal reunião.

— Tranque a porta, por favor – apesar do "por favor”, seu tom de voz deixa claro que não está pedindo. Está ordenando. Tranco a porta confuso já que ninguém ousaria entrar em sua sala sem ser convidado. Ele prossegue.

— Para começo de conversa, quero que me chame de Jimin  assim como o chamo por seu primeiro nome. Junkook... – ele testa. — É um lindo nome, por sinal.

— Obrigado. O seu também é muito bonito. - De onde vem isso? Não estamos exatamente num boteco, trocando apresentações. Intimidador seria a palavra certa para um nome e sobrenome tão fortes.

–  Você sabe que está trabalhando com o fotografo e editor mais importante desta editora, não é mesmo? As fotografias assim como todas revista do eixo são às mais importantes da cidade. Não há espaço para erros nesse material.  

– Talvez você deva perguntar os critérios ao Sr. Yoongi. O que eu posso afirmar é que levo muito a sério meu trabalho, independente do que seja, e por mais novo que eu também possa ser. 

— Você chega atrasado todos os dias, sai sempre no horário sem disponibilidade para se estender até tarde, trabalha somente um turno, já está com o prazo apertado. O quão sério você está levando isso? Agora é minha vez de lhe dar um olhar desafiador. Não gosto de ter minha competência questionada, uma vez que me doo de corpo e alma quando estou na editora.

– Talvez o seu informante tenha esquecido de dizer que eventualmente levo trabalho para casa, que estou num período importante da escola em que preciso me concentrar por estar chegando o fim de ano, que deixo de almoçar quase todos os dias para chegar o mais rápido possível e que rendo muito mais do que dois ou três funcionários que param a todo momento para tomar cafezinho e bater papo. Então, Jimn, parece que estou levando isso muito, muito a sério. Solto tudo como um desabafo, sem pausa para respirar. Ele bate uma caneta sobre a mesa, voltando a avaliar meus traços com um olhar penetrante. um sorriso que não enche seu rosto, mas é suficiente para mostrar o quão sexy pode ser com apenas pequenos gestos. Gente do céu! Minha mão está coçando para traçar sua boca como um mapa e me certificar que sua pele seja tão macia quanto minha intuição está dizendo. Um homem desses pode ter a mulher ou homem que quiser. Não é como se você tivesse qualquer chance de ser visto por ele, Jeon.

Acalme-se!

– Gostei de sua resposta. Daria um excelente advogado.  Diga-me outra coisa. Costuma vir sempre com roupas tão provocantes quanto essa?  -  Oi? Eu não estou dizendo que esse homem tem algum poder sobrenatural de ler pensamentos? Mas, será que escutei bem? Ele está dizendo que meu coletinho, fora de moda, que ninguém usaria na São Paulo Fashion Week é provocante??

— Desculpe? Ele passa a andar pelo escritório, me deixando ainda mais nervoso.

       – Vou lhe fazer entender melhor. Você vem sempre com roupas que lhe deixam como se fosse um garotinho indefeso?

Tão adorável. 

Ei, como essa conversa saiu de fotografias e veio parar na minha roupa?

– Foi para isso que me chamou em sua sala? Será que não temos assuntos mais importantes para tratar do que minha roupa? Se você acha que estou vestindo algo inadequado, por que não adere ao uso de uniformes para os funcionários? Eu não acho que esteja descumprindo qualquer regra da empresa, mas comentários como o seu tenho certeza que sim.

Ele levanta as mãos, em sinal de rendição, claramente se divertindo por me tirar do sério. Eu preciso muito desse
emprego, mas não vou permitir que qualquer um pense que tem direito a me assediar e que eu aceite calado. Mesmo que ele seja um homem inquietante como este à minha frente. Desculpe se fiz soar como uma crítica.

- Foi apenas uma observação, mas você tem razão. Acho que eu consigo me concentrar assim como seus colegas precisam fazer todos os dias, embora eu deva confessar que será uma tarefa difícil, gosto de garotinhos indefesos. Ele ri com vontade agora e... uau... é simplesmente o sorriso mais fantástico que já vi, mostrando levemente duas covinhas nas bochechas. Será que aquela história de que existem anjos na terra é verdade? Se bem que talvez ele estivesse mais para um belo demônio. Ah, meu paizinho querido. Nunca em mil anos eu esperaria que um homem como ele me desse um segundo olhar. Por que não Lisa? Logo eu. Espera.. mas afinal esse papo de garotinhos indefesos, o meu deus será que ele é gay? 

– Mas a princípio, tenho que lhe fazer uma pergunta.  Você tem namorada ou namorado, qualquer tipo de compromisso com alguém? 

 xeque-mate, morri.


Céus, será que bati a cabeça em algum lugar e estou sob efeito do tombo? Eu não consigo entender aonde ele quer chegar com essa pergunta. Sim, eu tenho um grande compromisso, querido. Você não sabe o quanto ele consome do meu
tempo.


    — Tenho apenas cloud que é meu..

– Entendo – ele parece irritado.

— E que tipo de relação você tem com ele? Esse homem está começando a me dar medo. Ele não estaria indo com sede demais ao pote? Ao mesmo tempo que questiono seu comportamento, sensações começam a se manifestar. Eu sei que ele está se mostrando autoritário, 
arrogante. Mas não entendo porque sinto ondas de calor só em estar próxima a ele e o clima do ambiente começa a ficar pesado.
         

Controle-se, Jeon, você não é assim.

– O tipo de relação mais verdadeira que possa haver entre um cachorro e seu dono. Ele demonstra alívio.

– Ótimo. Então, Cloud não vai se importar se seu dono tiver que chegar um pouco mais tarde algumas vezes na semana, não é?

– Se for realmente necessário, não, mas estou conseguindo cumprir o cronograma em um turno.

– Não é o suficiente. Eu preciso de você... por mais tempo na empresa.

– Acontece que... o meu contrato com a editora estabelece o meu horário até as dezessete horas.

– Esse é o problema? Nós pagaremos hora extra. O fato é que o panorama da empresa mudou e sua presença será indispensável nessa fase de ampliação. Posso contar com você, Junkook? Levo alguns segundos para pensar e me vejo sem saída. Sonho em ser fotógrafo universitário, porém enquanto estudo para isso, tenho que manter meu emprego atual. Ficar até mais tarde perto dele será uma tortura, pois só nesse pouco tempo que estamos juntos já me sinto um tanto asfixiada, imagine a convivência por mais dias. Esse homem é de tirar o fôlego.

— Claro — solto, com ar de vencido. — Pode contar comigo.

— Sua parceira não se importa que dedique tanto tempo à empresa? Que diabos de pergunta foi essa? Desde quando deixei de ter papas na língua, pelo amor de Deus?

– Essa é uma forma de retribuir a pergunta que te fiz? Não me rotule por favor. Mas por acaso está querendo saber se sou um homem comprometido?  Seu olhar corre para a aliança brilhando no dedo anelar, em seguida volta para o meu rosto, com uma ponta de diversão nele.

— Não... na verdade, eu não sei por que fiz essa pergunta. Me desculpe, isso não é da minha conta. Esqueça o que perguntei, está bem?

– Você precisa saber que meu coração está na minha empresa, Sr. Jeon. Não foi fácil ganhar o mercado e nem é fácil mantê-la. Ninguém conseguiria permanecer ao meu lado se quisesse ocupar um lugar maior que o complexo editorial em minha vida. Ele me chamou de Sr. Jeon? Onde foi parar aquela história de chamar pelo primeiro nome? 

– Eu não aceitaria nada menos do que ocupar um lugar maior do que o trabalho no coração de alguém.  

Alguém costura minha boca, por favor. Eu estou falando tudo que me vem à cabeça, justamente para o cara que paga as minhas contas. Por que ele tem esse poder de me tirar do sério? Ele me olha atravessado, mas ainda percebo aquele ar divertido de outrora.

— Claro. Você ainda é um garotinho românticos e ingênuo que precisa apenas da primeira queda para entender que a vida não se trata de um conto de fadas.  Ah, não. Agora ele vai ouvir. Não quero saber se é o dono dessa porra toda, se paga meu salário ou quem quer que seja. Ele não pode me dizer esse tipo de coisa e me manter calado.

Não mesmo.

– E você é um dos tipos arrogantes que acha que todos são como fantoches e é você quem detém as cordas. No mínimo pensa que a sua verdade é a única a ser considerada e o resto do mundo que se exploda se não pensar com a mesma frieza que você.

— Você chegou bem perto de me desvendar, Jungkook, mas qual é a graça de saber tudo sobre mim de uma só vez se isso tira o prazer de descobrir ao poucos?

– O quê? Eu não tenho interesse em descobrir nada sobre você.

Mentira, mentira, mentira. 

– Traga seus livros. Vamos trabalhar juntos — ele diz, secamente. Sua voz grossa faz com que meu corpo se esforce para obedecer como se fosse um convite sensual e me dou conta naquele momento que se acaso esse homem tentasse algo mais, seria muito difícil resistir.

Saio do escritório sem olhar para trás, me perguntando como conseguirei achar concentração com ele circulando à minha volta. Sua presença é marcante, intimidadora a ponto de me deixar confuso, quase sem encontrar raciocínio lógico no pouco tempo que estive ao seu
lado.

Park  Jimin.

Definitivamente é do tipo que passa por cima de tudo e de todos como um trator desgovernado para conseguir o que quer. Eu não quero ser atropelada por sua sedução barata e seu olhar intenso. Não quero e não vou. Por mais tentador que seja, a última coisa de que preciso é uma foda rápida com meu lindo chefe e encontrar minha carta de demissão alguns dias depois pela situação constrangedora que ficaria entre nós. Deixe de delírio, Jeon, você deve ser a único aqui que está pensando em sexo. Ele é um cara arrogante e autoritário, a intenção foi te constranger falando do quanto você se veste inadequadamente para o trabalho, sonha com contos de fadas e deve se dedicar mais ao trabalho, sem contar que ele não olharia de outra forma para um garoto de 17 anos. 

Se enxergue!

Entro no elevador sozinho e encontro um enorme espelho me olhando. Decido tirar os óculos, que uso para leitura e para manter um ar profissional, e encaro aquela imagem masculina ali refletida. Apesar de estar um pouco mais cheinho do que eu gostaria, o que vejo diante de mim me agrada. Meu amigo Tae e mais outros colegas de escola cansam de dizer que tenho uma grande bunda junto com uma bela cintura. Tenho pequenos olhos negros, puxados em suas extremidades, minha pele e bem clara, junto com meus cabelos escuros meio desajeitado, eles são a parte que mais gosto em mim. O elevador se abre no andar de baixo, me trazendo de volta à vida real. Corro para a "minha sala", pegando o livro sobre a mesa, ciente de que alguns olhares interrogativos buscam encontrar respostas nas minhas feições. Eu os ignoro. Passo por Lisa que, claro, pensa em vir em minha direção, mas eu levanto a mão a impedindo de se aproximar e, para meu alívio, ela entende meu recado. Sei que o quiz das cinquenta perguntas vai começar assim que ela tiver outra oportunidade, mas pelo menos estou livre dela por algum tempo. Pego o livro sobre minha mesa e volto para o melhor modo revisora de livro, alcançando o andar executivo da empresa. Entro novamente na sala do CEO, mas engulo em seco, surpreendido com o que vejo. Sem levantar o olhar em minha direção, ele brinca de enfiar e puxar um lápis do apontador, de forma concentrada, séria, como se estivesse fazendo uma atividade muito importante. Deus, que dia eu comecei a ver maldade em tudo à minha volta? Por que qualquer movimento desse homem parece que tem um tom sexual para mim? Isso é o que dá ficar tão concentrado no trabalho, escola e esquecer de satisfazer suas próprias necessidades. Acho que vou comprar um daqueles brinquedinhos quando sair da editora hoje.

Coço a garganta, mas ele não me olha. Apenas aponta a cadeira em sua frente, me convidando a sentar.

– Vamos almoçar antes do trabalho. Eu sempre acho que garotinhos satisfeitos são mais produtivos, afinal não faz tanto tempo que chegou de sua escola, deve estar faminto. 

Está vendo que não é coisa da minha cabeça? A culpa é dele por ser tão... ambíguo. Uma mesa cheia de opções de carnes e saladas se estende diante de nós. Escolho um pouco de cada e tento engolir a comida mesmo sendo tão difícil já que estou sob o peso de um olhar que parece também bastante faminto, se é que você me entende. Depois de fazer do almoço quase uma missão, abro o livro que estou revisando no lugar onde havia parado, mas sua atenção de forma para em mim.  Ele logo levanta as vistas e passa a me encarar, mantendo seus olhos grudados em mim por um longo, longo tempo em um silêncio incômodo. Sei que meus olhos estão ainda maiores, assustados com seu escrutinio que parece me desnudar. Sem mudar um traço da sua expressão, ele começa a fazer perguntas, me deixando descobrir onde vou encontrar fôlego para responder a cada uma dela. 

Malditos hormônios de um adolescente.

Eu preciso de um brinquedinho, eu preciso de um brinquedinho...

— Está revisando um livro de Ciências, certo? - pergunta e se inclina sobre a mesa, diminuindo cada vez mais distância entre nós.

– Ciências, claro respondo, confuso. 

– Estou revisando um livro de ciências.

– Qual a temática principal do livro - sua voz é suave, mas carregada de sensualidade.

- O corpo humano.

– Hum... que interessante. Será que ele trata sobre a atração que dois corpos sentem quando ambos se desejam? - Ele já está tão perto de mim que me obriga a afastar o corpo para trás, mesmo que não possa fazê-lo tanto por conta do livro sobre a mesa. Seu rosto para diante do meu a ponto de me fazer sentir sua respiração quente e profunda.

– Não, ele não trata.- Respondo, ofegante.

- Que pena. Talvez porque seja algo impossível de explicar com palavras. É necessário sentir para entender. - Sua boca já está próxima da minha, então fecho os olhos me preparando para sentir seus lábios quentes encostados aos meus, mas o que eu espero não vem. Uma sensação de abandono me toma quando sinto uma passagem de ar entre nós. Abro os olhos, percebendo que ele está se afastando. 

Merda! Você tem que ser tão tolo!?

— Como é possível que um garotinho como você esteja solteiro, Jeon? - Minha mente é um poço de confusão nesse momento. Ele se recusa a me beijar e continua fazendo perguntas pessoais.

– Um garoto como eu? Sobre o que está falando?

— Sem falsa modéstia. Você é lindo e deve ser disputada por muitas mulheres, ou seria por homens? - Logo surge um sorriso um tanto sarcásticos em suas palaras. — Mas diz que tem apenas um cachorro. Por que não tem alguém? o que me deixa mais perturbado é que ele está me bombardeando de perguntas com uma aparência profissional inabalável. Quem entrar naquela sala pode apostar o dedo mindinho que estamos falando sobre livros e não sobre mim.

— Eu não tenho tempo para namoro. Estudo, trabalho muito e estou focado em alcançar um objetivo, portanto como vê, não há espaço para um alguém em minha vida. Ele me inspeciona a ponto de me intimidar com tanta virilidade, me deixando atordoado e corado por despertar tanto desejo em mim.

O que está acontecendo comigo?

— Eu quero um resumo do livro. Tenho muito trabalho a fazer e você também, quero suas próprias fotografia em relação ao conteúdo posto. Meu tempo é precioso. Como? O cara me bombardeia de perguntas pessoais, deixa no ar seu interesse e sou eu quem está gastando o seu tempo?

– Bem... é... o livro trata, de uma imagem contextualizada através de textos e imagens, como o corpo humano funciona. Ele apresenta imagens interativas... - continuo explicando a um empresário sério que quase não pisca mantendo sua atenção ao que eu digo.
Em determinado momento, ele me para, coloca o notebook entre nós, distanciando nosso contato e passa a teclar no computador como se eu não
estivesse ali.

- Pode continuar trabalhando. Eu preciso checar meus e-mails. Não trocamos mais nem uma palavra sequer pelo resto da tarde e da noite e nem tive o direito a um segundo olhar em minha direção. Esse cara só pode ser bipolar, não há outra explicação, mas é, sem dúvidas, o Ceo mais gostoso deste país. Sua beleza é de encher os olhos. Como diria J-Hope, meu amigo e companheiro de toda hora, “oh, lá em casa!”.. 

— Já são nove da noite e você deve estar cansado. Como te prendi até agora, vou levá-lo para casa. Nove? Como as horas passaram depressa! Não vai dar mais tempo de encontrar um sexy shop aberto para comprar meu acessório tão necessário hoje. Droga! 

– Não precisa. Eu pego o metrô das 9:30. Acho que consegui adiantar bastante, então se eu já estiver liberado, gostaria de ir.

– Deixe de lado, vamos comigo garoto. Está muito tarde e meu dever zelar por sua segurança. 

Uau! Um homem protetor sempre parece tão sexy.

– Se prefere assim, tudo bem, mas realmente não precisava. Já estou acostumadoba me virar sozinho — ele apenas assente, entramos em seu carro
quando chegamos ao estacionamento. Fico olhando pelo retrovisor tento não manter tanto contato visual, deixando de lado o fato de estar dentro de uma Mercedes pela primera vez. Apenas o guio através de gestos. Quando percebe já estava estaciono em frente ao meu prédio. 

- Chegamos. 

- Sim, chegamos.. - Essa seria a parte em que nos beijariamos, caso estivessemos em um filme romântico. 

- Acho melhor você ir, seus pais devem estar preucupados. 

- Não moro com meu pais, senhor. -Pelo sua feição ele havia ficado surpreso.

 - Por favor não me chame de Sr, tenho apenas 26 anos. - Agora era minha vez de ficar surpreso, por mais que sua aparecia mostra-se un jovem, não achei que fosse tanta. Afinal, ele já era milionário. 

- Entendo, preciso ir Jimin, até amanhã! 

- Até amanhã garotinho. Saio de seu carro, logo em seguida o mesmo buzina e segue seu caminho. Ah, finalmente eu cheguei ao fim deste dia. E que dia! Entro em meu quarto e tomo um banho antes de me jogar na cama. Estou torcendo apenas para que esta noite não seja uma daquelas cheias de sonhos eróticos. E já tenho até noção de quem seria o protagonista. Meu celular vibra, mostrando que tem mensagem. Abro o WhatsApp apenas para me deparar com uma mensagem de A.C. que certamente vai apimentar ainda mais meus sonhos.


                              .




 Fiquei tentado a retirá-lo da sala algemado, garotinho Jeon. mas ainda é muito cedo para isso. Tenha uma boa noite pequeno.

Oh, meu Deus! Ele não esqueceu da brincadeira que fiz logo que entrei em sua sala. Fecho os olhos e passeio com a mão pelo meu corpo, em busca do alívio que eu tanto necessito. Eu não tenho um brinquedo sexual, mas as imagens de algemas aprisionando os meus braços enquanto sou subjugado por aquele homem intenso devem ser mais que suficientes por hoje. Ah, Park Jimin, tenho a impressão de que essa noite será longa, muito longa.



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