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História Ceo - Capítulo 4


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Notas do Autor


Infelizmente quando fui editar o capítulo cortou uma parte.. então apagando, e agora irei repostado. Sorry. Bjinho no coração. ❤💫

Capítulo 4 - Quarto capítulo.


— É hora de acordar, são seis 'horas. É hora de acordar, são seis horas. Maldito despertador! Só não quebrei ainda esse troço barulhento porque é nada menos que meu celular, mas eu juro que mudo esse toque hoje sem falta. Levanto com os olhos ardendo pela péssima noite de sono na qual um tal CEO dominador não saiu da minha cabeça nem em sonhos. Com certeza isso é falta de sexo, certo? Eu só preciso de um pouco de diversão e estará tudo resolvido. Faço minha higiene matinal e vou para a mesa tomar café, já encontrando Tae lá sentada. Normal meus caros, ele quase mora aqui em comigo. Seus olhos de um tom castanhos estão com uma animação de dar inveja e já pressinto uma chuva de perguntas.

— Ei, Cloud, senti sua falta ontem amigão. Onde você estava que não veio me receber quando cheguei?

Meu cachorro vem ao meu encontro, abanando o rabo em resposta, e baixa o olhar como se estivesse se desculpando comigo. Malandro! Ele sabe que não resisto a essa carinha manhosa. Eu encontrei Cloud ainda filhote, perdido pela rua e foi paixão à primeira vista. Seu olhar doce e carente não me deu qualquer escolha senão levá-lo para casa quando quase o atropelei. Ele é um vira-lata amarelo com pintas brancas e já está comigo há cerca de três anos.

– Tudo bem, querido, está perdoado. Papai chegou tarde ontem e sei que você dorme cedo como o bom garoto que é. Tio Tae já deu seu café?

É incrível como ele parece me entender. Quando cito o nome de meu amigo, ele olha pra ele em reconhecimento. Às vezes tenho a impressão de que os animais pensam muito mais do que determinados seres humanos. Eles pensam com o coração.

– Deu uma esticadinha ontem?  - Hope pergunta, enquanto dou uma migalha de pão a Cluod. — Quando cheguei aqui você ainda não estava.. fui para cama você ainda não havia chegado.  - Como havi dito Hope praticamente mora aqui. 

– Dei uma esticadinha sim, mas não foi em qualquer lugar que esteja pensando. Fiquei até tarde na editora. O bam bam-bam da empresa apareceu lá e pediu para que eu ficasse até mais tarde. Ele faz biquinho, segurandobalguns fios de cabelos acobreados, quando percebe que suas expectativas não foram alcançadas.

– Ah, entendi. E eu aqui pensando que você tinha decidido dar um up em sua vida e se divertir. Esses homens velhos geralmente tem uma mulher que não os satisfaz em casa, então só pensam em ganhar dinheiro, por isso gostam tanto de prender funcionários na empresa. Bando de mal-amados. Lembro dele ter sido muito evasivo quando perguntei sobre sua noiva. Ela seria esposa? Não, provavelmente não, já que a aliança estava na mão direita.

– Ele não é velho – falo naturalmente, enquanto derramo um pouco de suco no meu copo. 

Ele para de mastigar o pão e fixa seus olhos em mim como sebtivesse acabado de dizer que fodi loucamente sobre a mesa com meu chefe.

— Quer dizer que ele não é velho do tipo gordo e careca, que tem esposa e amantes na rua? - Reviro os olhos, achando graça do modo estereotipado como todos veem os grandes executivos.

– Definitivamente ele não é velho, muito menos gordo e careca, Hope.

– E esse mesmo executivo jovem, magro e cabeludo a prendeu na empresa até tarde? Porra, me diga que outros funcionários foram obrigados a ficar lá também.

– É... parece que não. Acho que apenas eu. Hope me surpreende quando levanta da mesa. Logo ele senta novamente.

– Se você está enfatizando tanto essas palavras, é sinal de que ele é feio, não é? Eu não lhe dou qualquer resposta. Enquanto mexo o suco com o dedo, minha mente vai de encontro à imagem de um rosto sério, mas com cada traço milimetricamente perfeito e másculo. Posso afirmar que não há nada de feio naquele homem. Ele me tira do transe, quase me ensurdecendo, aos gritos.

– Não, ele não é feio! Seu chefe é bonito? Estou vendo em seu rosto que ele é. Diz pra mim, Jungkookie, você vai investir nele, não vai? Se ele for solteiro e você der mole, tenho certeza de que vai te querer. Você é tão lindo e precisa ter alguém ao seu lado.

Ele quase não respira e está me deixando sem fôlego também.

– Deixa de falar besteiras, Hope. Você sabe que não tenho tempo nem para me coçar, quanto mais para me envolver com um cara tão complicado quanto Jimin.

– Chamando o chefe pelo primeiro nome? Minha nossa, prevejo dias agitados nesta casa. 

– Ele carrega uma aliança enorme no dedo, sinal de que é comprometido, está bem? Ainda que não fosse, você sabe como minha vida é corrida, ele também não olharia assim para mim.

– Onde está a diversão em sua vida? Deus, se você não tivesse a mim para te alegrar um pouco, provavelmente estaria frequentando um convento, garoto.

– Ra, ra, ra! Completamente exagerado.

— Ei, falando em diversão, vou ao cinema com Tae hoje. Quer vir conosco?Ouço a voz de Hope um tanto longe porque estou indo para o quarto pegar minha mochila. Ele e Tae namoram há aproximadamente um ano desde que se conheceram, graças a mim. 

— Imagina se vou atrapalhar vocês. Além disso, meu novo chefe não está contente com minha saída da empresa no horário. Ele me quer trabalhando como um relógio até tarde.

— Você precisa entender que nunca seria um inconveniente pra nós, Kookzinho. Tae te adora e não é como se ficássemos nos agarrando em público o tempo inteiro.

— Hum-rum. Sei.

— Mas foi impressão minha, ou ouvi você sussurrar que seu chefe te quer?

— Você ouviu o resto da frase, Hope? Ele me quer até tarde.

A expectativa de reencontrar Park Jimin na editora já está me deixando nervoso. Não sei exatamente lidar com o imprevisível e chego à conclusão de que ele é exatamente assim. Deus, isso me deixa assustado demais. Depois de chegar mais uma vez atrasado à editora, passo toda a tarde fazendo meu trabalho incrivelmente sem ser incomodado por ninguém. Minha expectativa era de que seria convocado qualquer momento para voltar à sala do chefe, mas não é o que acontece. Não sei dizer se o sentimento que me domina é de alívio por não ter que lidar com a presença esmagadora de Jimin ou se seria uma ponta de tristeza por não ter que encarar aqueles lindos olhos misteriosos. Só sei dizer que algo me incomoda enquanto me concentro para não deixar uma palavra passar despercebida e atrapalhar meu trabalho.

— Ele não te quis hoje? Levanto o olhar apenas para me deparar com um par de seios duros e grandes inclinados sobre o meu rosto. O decote que Lisa está usando deveria serconsiderado um atentado ao pudor pelas leis do país. 

Tudo isso é para chamar a atenção do CEO da editora?

– Nem hoje nem ontem nem dia nenhum, Lisa. Se você está se referindo ao Sr. Park, já falamos tudo que era necessário no que diz respeito ao trabalho. Não há motivos para que ele me chame hoje.  Muito bem, Jeon. Continue dizendo isso para convencer a si mesmo.

— Não sei se foi impressão minha, mas senti que você estava esperando por mais um convite hoje. Em seu lugar, eu estaria. Oh, Deus, estou sendo tão óbvio assim?

– É impressão sua — digo em um só fôlego, parecendo mais ansioso do que deveria. Respiro fundo antes de continuar. 

– Olha, Liss, se ele nos encontrar batendo papo, pode implicar porque estou com o cronograma apertado. Que tal deixarmos essa conversa para depois?

— Preciso que me ajude, Jeon.

— Oi? Mil vezes oi?

— Fale sobre mim para ele. Comente sobre minha eficiência e beleza como quem não quer nada. Tente colocar os holofotes sobre mim.

– Por... por que eu faria isso? - controle-se! Você consegue.

Ela joga os cabelos para o lado, coloca uma caneta na boca como se acabasse de descobrir a teoria que vai lhe dar o Prêmio Nobel de Física.

– Se o foco estiver em mim, ele vai parar de pegar em seu pé e você se livra de um chefe inconveniente lhe dando ordens. Prometo deixá-lo bastante ocupado. Eu quero me livrar dele? E mais, eu gostaria de vê-lo ocupado? Ah, merda! Não entendo o motivo de estar fazendo esse tipo de perguntas a mim mesmo. Talvez eu tenha gostado daquele jogo de gato e rato em seu escritório ontem, talvez eu tenha me excitado com sua mensagem sobre a vontade de me algemar, talvez eu tenha que dar um jeito de escapar mais cedo e correr para um sex shop para acabar com minha tortura.

– Está bem – ela bate palmas e dá pulinhos como uma foca fazendo sua apresentação.

— Eu sabia que podia contar com você, lindinho.

— Mas tem uma condição. Pare de atrapalhar meu trabalho e me encher de perguntas sobre ele. Vou fazer minha parte e o resto é com você, combinado?

- Combinadíssimo! É uma pena que você não possa começar imediatamente com nosso plano. Ele não está na editora e ouvi Yoongi dizer que ele não vem hoje. Nada melho que um dia após o outro. Park Jimin ainda não sabe, mas será meu.

– Já viu o tamanho da aliança em seu dedo?

– Ah, Jeon, ninguém é páreo pra mim. Será uma questão de tempo até que aquela aliança saia de lá ou não me chamo Lisa.

Então hoje eu não o verei poraqui. Melhor assim, não é mesmo? Agora nada mais pode me distrair e ainda terei o bônus de sair em meu horário. Eu poderia ter mais sorte do que isso? Minha mente diz que não, mas não entendo por que meu coração está começando a dizer que sim.


.

Saio da editora às cinco em ponto grato por não ter que ficar até mais tarde como fiquei no dia anterior. Nenhum dos meus chefes estava na casa e nem deixou qualquer determinação para me manter lá, então não estou cometendo nenhum crime em sair mais cedo. O vento forte bate no meu rosto e fecho os olhos para sentir o ar fresco do fim da tarde tocar a minha pele, trazendo um aroma delicioso, próprio do outono. Decido andar um pouco. O lugar onde pretendo ir não fica tão distante da editora e esticar as pernas é tudo o que preciso depois de passar a tarde inteira sentado numa cadeira. Olho para um lado e para o outro. Eu sei que sou quase um adulto e que não há nada demais em comprar um brinquedo sexual, mas não é algo que se queira compartilhar caso encontre um conhecido na rua, não é mesmo? Queria que Hope estivesse aqui. Ele é mais resolvido nesse tipo de coisa e com certeza me ajudaria a obter o que quero e dar no pé.

— Boa tarde. Como posso te ajudar, garoto?

Uma vendedora simpática me atende, vestida em um espartilho e uma saia justíssima que deve chamar mais atenção dos clientes do que os produtos que está vendendo. Sabe aquelas mulheres que aparecem em comerciais de cerveja na televisão? A garota em minha frente é um exímio exemplar. É incrível como o mercado abusa da imagem feminina relacionada ao sexo.

— Estou procurando um...uh... brinquedo sexual — minha voz sai em um sussurro.

– Ah, queridinho, brinquedo sexual é o que mais tem aqui. Nós temos vibradores de todas as cores e tamanhos, alguns até parecem de verdade. Temos bolas, anéis penianos, algemas, chicotes, alguns objetos eletrônicos, outros manuais, tem para todos os gostos. Experimente esse. Deus, eu entro na loja como um espião disfarçado de James Bond e a garota está praticamente proclamando aos quatro ventos a minha opção sexual.  Ela toma a minha mão e posiciona sobre um pênis de borracha grande e grosso coberto por um material que imita a pele humana. Puxo-a de volta como se tivesse acabado de tomar um choque. A sem vergonha começa a rir da minha cara.

— Está bem. Você realmente precisa de ajuda. Olha, serei mais discreta, ok? Vejo que você não se relaciona com um homem há algum tempo e está precisando de um pouco de diversão. Eu não sou homofóbica nem nada e sei o quanto um garotinho como você só quer ser preenchido de vez em quando. 

— Ei, vamos com calma por favor. -Falo um tanto já constrangido. 

— Oh, não fique com vergonha garoto é normal. 

   É normal? 

– Bom mas você está procurando algo para brincar a dois, certo? 

– Não. Estou em busca de um brinquedo para ser usado na intimidade do meu quarto.

– Aha! Acho que entendi. Você gosta mais do estilo... grupal hein, safadinho? – diz ao pé do meu ouvido com quem conta algum segredo. Ah, minha paciência... nunca pensei que poderia ser tão difícil assim.

– Não, porra! - estou praticamente gritando e já chamo a atenção de alguns poucos clientes que estão na loja. — Eu preciso de um vibrador para usar sozinho. So-zi-nho! Ela levanta a sobrancelha e abre um sorriso de lado. 

— Por que não disse antes, garoto? Eu sei exatamente do que precisa. Ela abre uma gaveta e tira de dentro um vibrador tamanho médio, em um tom rosado com um formato um tanto estranho, fico curioso.

— Por que ele tem essa ponta virada para cima? — pergunto, tendo certeza de que meu rosto está da mesma cor do objeto em minha mão.

— Essa pontinha é o grande segredo fara maravilhas em você. Sorrio. Já estou começando a gostar dessa maluquinha. 

— E esse outro aqui? Aponto para algo pequeno que daria para levar na bolsa.

Ela pega na bancada e coloca sobre a palma da minha mão. Tomo um susto quando o troço começa a vibrar forte.

– É um bullet, queridinho. Ótimo para aquele momento que você está no trabalho e se depara com um homem delicioso sabendo que ele está inacessível. O que você faz? Corre para o banheiro e dá um jeito rápido de baixar o fogo entre suas pernas. A imagem de Park se personifica em minha cabeça, cabendo milimetricamente na descrição que essa doidinha está fazendo. Senti ondas de calor com o jogo de palavras que ele fez ontem, com seu olhar intenso, apenas com sua presença. Os argumentos da vendedora são muito convincentes.

– Acho que vou levar os dois.. – digo num impulso, provavelmente são hormônios sexuais de um adolecente falando mais alto do que qualquer fio de consciência que eu ainda tinha. 

— Maravilha! Você não vai se arrepender. Eu tenho alguns deles e costumo brincar sozinha, acompanhada, às vezes até mesmo com uma amiga ou amigos e... Argh! Não lembro do momento que perguntei sobre a vida sexual movimentada dela.

– Ok, – leio seu crachá. — Rose. Vou levar esses dois. Entrego meu cartão de crédito a ela na esperança de que faça todo o processo ligeiramente para que eu dê o fora dali o mais rápido possível. Ela faz, contudo acho que a sorte resolve me abandonar nesse momento. Uma voz rouca, masculina e familiar faz com que todos os pelos do meu corpo se arrepiem da cabeça aos pés. Não... Isso não pode estar acontecendo comigo.

– Eu gostaria de fazer algumas encomendas. Quem poderia me ajudar? É ele. Eu não preciso me virar para saber que Park Jimin está no mesmo lugar que eu. E o pior, esse lugar é um sexy shop. Dá pra imaginar a cena? Eu estou em um sexy shop com o meu chefe lindo de morrer que me deixou com tesão ontem e é o principal motivo pelo qual estou aqui. Oh, Deus, não permita que ele me reconheça. Rose me entrega o cartão e corre para atender Jimin. Antes, eu sussurro para ela.

– Acho que vou experimentar algumas cuecas, ok? Pode atender o cliente sem pressa enquanto estarei no provador.

Ela sacode a cabeça sem tirar a atenção do homem à sua frente. Pego uma tonelada de peças íntimas empilhadas em um cesto grande e corro para o provador, rezando para que ele suma rápido daqui. Pensando bem, até que a ideia de comprar algumas peças não é tão ruim. 

— Eu quero um pug, duas canetas comestíveis de cores diferentes, lubrificantes, preservativos com aroma e gostaria de saber se esta loja aceita encomenda de braceletes de ouro 22 quilates. Senhor, não é possível que além de lindo, esse homem seja um verdadeiro profissional no sexo. Ele fala de cada produto com a habilidade de quem compra pão numa padaria.

– Sim, senhor. Fazemos peças lindíssimas.

– Aqui está o modelo e os nomes que devem estar impressos. 

Ele continua explicando o que deseja a uma vendedora mais que disposta a ajudá-lo a ponto de ela ter me esquecido no provador. Não sei explicar, mas sinto uma ponta de tristeza por saber que ele está comprando tudo aquilo para usar com alguém por aí. É claro que esse sentimento não é normal. Eu acabei de conhecê-lo e não houve nada além de uma tensão sexual momentânea entre nós, mas é algo que eu não estou conseguindo controlar. Tudo isso deve acabar assim que eu começar a usar minhas novas aquisições. Preciso acreditar nisso.

— Quero discrição, por favor – Jimin continua. - E urgência nos braceletes. Passo aqui semana que vem para buscar. Claro, senhor... Park. A voz de Rose é trêmula e nervosa, comprovando que esse homem não exerce seu poder de dominação apenas sobre mim. Alguns cabides caem da minha mão, fazendo um barulho alto no provador. Droga, espero que ele já tenha ido ou terei que fazer a caminhada da vergonha na frente dele.

– Está tudo bem aí? – Rose pergunta, abrindo a cortina, me flagrando com uma cueca na mão com formato de elefante e uma tromba bizarra na frente. Ela abre um sorriso sugestivo e eu apenas dou de ombros. 

– Tirando a bagunça que acabei de fazer, está tudo certo. Seu cliente já foi embora? Ela suspira alto, perdida em pensamentos.

— Você precisava ver o tipo de homem. Garoto, o cara que saiu daqui exala feromônios pelos poros. Duvido que uma mulher ou homem, precise de qualquer brinquedo sexual se estiver na cama com ele. Eu gozaria apenas de olhar seu corpo nu. Engulo em seco, fingindo que desconheço sobre quem ela esteja falando, ainda que minha cabeça compartilhe da mesma opinião que ela. Meu chefe definitivamente não é do tipo que passa despercebido por qualquer lugar.

– É uma pena não ter visto esse deus do sexo. Vou levar algumas peças. Pode embalar rapidamente? Preciso me apressar. 

Ela faz tudo com a mesma eficiência de antes e saio da loja com grandes expectativas de acabar com esses hormônios infernais no meu corpo antes que eles acabem comigo. A noite já desponta no céu escurecido e as ruas estão um pouco mais vazias que antes. Apenas alguns pedestres caminham e carros transitam com tranquilidade. Dou passos longos em direção ao metrô perto da editora. Provavelmente nesse horário não tenha mais ninguém lá, contudo não me importo porque há seguranças durante vinte e quatro horas cuidando do local. Me assusto quando alguns adolescentes saem de uma via escura, rindo alto uns para os outros. Talvez eles sejam adolescentes normais com seus amigos, saindo para festas e bebemdo até tarde.  E eu que tipo de adolescente sou que saí comprando vibradores? Ando ainda mais rápido em busca do metrô, mas penso que meu coração vai sair pela boca no momento que meu braço é puxado sem dó para uma parte escurecida da via. Um milhão de cenas se passam por minha cabeça, menos aquela que está prestes a acontecer.

— Você perdeu o juízo, Jeon? Por que está caminhando sozinho pela rua? Não sabe que esse trajeto é perigoso? O toque forte em meu braço começa a abrandar e, por um instante, tenho receio de que minhas pernas falhem e eu desabe em seus braços ali mesmo. Seu perfume almiscarado invade minhas narinas acompanhando sua respiração quente e ofegante muito próxima a mim. Tenho vontade de envolver meus braços em seu pescoço e sentir a segurança que sua simples presença transmite. Não entendo como posso me sentir segura quando ele é o único homem capaz de me despertar medo.

Medo de querer o que eu não posso ter.

– Hum... desculpa, eu preciso ir ao metrô.. e já está quase na hora.  

Seu rosto está muito, muito próximo ao meu, então passo a língua nos lábios, me preparando para um beijo arrebatador mesmo que algo dentro do meu peito diga que isso seria completamente errado. Meu coração bate forte, me levando a sentir seu pulsar em outras partes do corpo que já imploram por atenção. Jimin alisa meus braços como se me ofertasse segurança e estou prestes a suplicar que me dê mais. Para minha frustração, ele apenas escova seus lábios nos meus, segura meus pulsos e deposita um beijo suave em cada um deles, jogando a cabeça para trás como se juntasse forças para resistir.

— Vamos para a editora, pequeno garotinho. para pegar meu carro e levá-lo  para cara, afinal preciso zelar mais por sua segurança já que poderia ser algum psicopata em meu lugar hoje. Não me perdoaria se perdesse meu futuro fotógrafo. Definitivamente, ele é bipolar. Eu ainda sou um manteiga derretida tentando me recompor enquanto ele consegue vestir sua maldita máscara de CEO de um segundo para o outro quando há pouco estava quase me beijando. 

É mole?

Jimin me leva até em casa e, assim como na noite anterior, sou surpreendido por uma mensagem que vai me dar o que pensar por mais uma madrugada inteira.


          ...


Espero que tenha feito boas compras no sexy shop. Estou curioso para testar cada uma delas com você, meu garotinho traveso.  


  ...


Sem ler mais uma palavra, eu pego vibrador rosa que acabo de comprar e me jogo sobre a cama. Park Jimin não sabe, mas estará compartilhando os brinquedos comigo nesse instante. Nem que seja apenas em pensamento.






....


Nv day ° 


Chego ao salão e, quando entrego o cartão que Jimin me deu e me apresento, fico chocado com o modo que passo a ser tratado por todos. Os funcionários começam a se movimentar como se estivessem em um dia agitado da Bolsa de Valores, loucos para me dar atenção, revezando entre meus cabelos, unhas, rosto. Sinto-me como um príncipe de filmes encantados. Há vários profissionais em cima de mim em questão de segundos dizendo o quanto sou bonito e como vou ficar ainda mais. Bem, o que dinheiro não faz com as pessoas? Em algum momento, enquanto estou sendo moldado como um vaso, um dos funcionários faz um comentário despretensioso.

– Sr. Park já mandou muitas meninas e meninos, de boa aparecia para as nossas filiais ao redor do país. Eu mesmo cuidei pessoalmente de algumas, mas como você ainda nenhum. Garoto, você seria um grande modelo fotográfico com esse corpo e esse rostinho de bebê. Então é hábito dele adequar as pessoas ao seu gosto antes de sair desfilando com o sí. A quem estou enganando? Eu sou apenas mais um enfeite em seu braço esta noite. Estou me dando conta de que ele é o tipo de cara que gosta de se exibir com uma pessoa diferente a cada dia. Ah, mas comigo será diferente. Vou deixar claro para todos no evento que sou apenas seu funcionário. Nada mais.

– Já recebi convites, contudo nunca me interessei por esse tipo de trabalho. Com certeza não me encaixo na mesma situação das tantas pessoas que são enviadas a este tipo de salão. O Sr. Park precisa de alguém que trabalhe com edições e fotografias para acompanhá-lo e acabou me convidando. 

Sou apenas seu funcionário.

Ele ergue uma sobrancelha, totalmente incrédulo.

— Apenas funcionário? Sei... - Não vai adiantar usar todo o meu latim para tentar convencê-lo do contrário. Não mesmo. Resolvo que nesta tarde eu irei relaxar sem dar mais importância às fofocas de salão. Depois deste dia não pretendo ver mais essas pessoas, então por que me dignar a lhes dar satisfações Passo a tarde inteira olhando fotografias de cabelo, unha, e todo tipo de conteúdo posto em salões de beleza, pra variar. 

No fim do dia, vou sair dali especialista em estética. Não que eu seja de outro mundo e não tenha uma curiosidade natural, mas definitivamente meu mundo não gira em torno disso. O fim da tarde chega depois de muito estica daqui, alisa de lá. Não deixaram que me olhasse no espelho até que estivesse pronto. Confesso que estou curioso para ver como ficou. Não lembro da última vez que coloquei meus pés em um salão de beleza. 

— Pode virar a cadeira, maravilhoso — um dos funcionários diz, cheio de mãos e bocas, enquanto gira a cadeira para que eu fique de frente  ao espelho. Eu quase não reconheço aquele Homem diante de mim. Oh, meu Deus, uau estou... uau... como um daqueles super modelos sensuais estampados nas capas das revistas que eu folheava agora há pouco. Meu olhar está levemente contornado com delineador de modo tão perfeito que não me deixou com aparência vulgar. Eles escuresseram ainda mais meu cabelo assim como cortaram minha franja deixando apenas meus óculos escondendo meus olhos. Acho que esse tom de black realçou minha pele branca, transparece pureza. Até diria ser imaculado.  

— Nossa, vocês devem gostar muito de seu cliente para ter caprichado tanto assim.

— Querido, gostamos muito do Sr. Park. Ele é muito generoso, porém não foi difícil deixá-lo como está. Sua beleza natural ajuda muito.

— Obrigado.

— Deixe-me ver um terno para combinar com a cor dos seus olhos. Ah, esse aqui é perfeito! — uma funcionária diz, levantando um terno preto com detalhes cinza. — Vista. Tenho certeza de que vai ficar deslumbrante em você. 

— Não.

- O quê? — a moça de olhos arregalados pergunta.

— Eu disse ao meu chefe que não aceitaria mais nada dele. O salão foi mais que suficiente porque eu não o envergonharia no lançamento com uma aparência ruim.

— Sério, maravilhoso? De que mundo você é? — o cabelereiro inquire. — Qualquer um que frequentam esse tipo de evento vão te comer vivo, sabe o quanto homens mais velhos gostam de garotinhos.  

Engulo em seco. Ser chamado por Jimin de garotinho parecia tão normal, ao contrário de um desconhecido. Qual é desse papo de homens mais velhos gostarem de garotos?

OH, NÃO ..NÃO. Será que estão achando que Park é algum tipo de sugar Daddy, pra mim? 


...



Mas voltando a pensar no terno eu não poderia aceitar.

— Não é como se eu estivesse indo para uma noite de gala por vontade própria. É apenas trabalho. Sendo assim, não preciso parecer com nenhuma das pessoas que porventura estejam lá. O cabelereiro faz biquinho, batendo os dedos delicadamente sobre seu rosto moreno como se estivesse em busca de uma solução para o meu caso. Certamente, ele gostaria de estar em meu lugar acompanhando Park, pela forma como o exalta.– Ah, por que Deus não dá asas à cobra? Você tem algumas opções de Dior ou Versace originalíssimos para vestir e pretende usar uma roupa qualquer, belezinho? Desse jeito não vai valorizar o belo trabalho que fiz em você.

— Foi Park quem mandou os ternos? 

— Minha equipe teve o trabalho de escolher os melhores, mas o homem soube dizer exatamente o número que você veste. Não são todos os espécimes de macho que têm essa percepção.

Mas que merda! Nenhum dos meus argumentos foi suficiente para fazê-lo entender que não estou à venda, que tenho direito a escolhas e que mal o conheço para deixar que dê ordens em meu nome.

— Eu não quero nenhum terno. Agradeço pelo atendimento da equipe, sei que serão muito bem recompensados pelo excelente trabalho, mas preciso tomar um banho e me preparar para esta noite.

E o melodrama começa...

— Pelo menos aceite experimentar o Versace preto. Seria um desperdício não aproveitar essa oportunidade de se sentir um divo nem que seja por quinze minutos. E não é que ele tem razão? Ah, também não sou de ferro e não custa nada fingir que sou outra pessoa por apenas alguns minutos, embora eu não esteja reclamando de quem sou. Sinto muito orgulho de mim, por sinal. Com a ajuda desnecessária de três funcionárias que só faltam ter a varinha de condão das fadas-madrinhas, mais prestativas do que deveriam ser, já estava vestido.

– Obrigado. O terno é realmente formidável.

— Você disse que o Sr. Park é o que seu mesmo? Apenas chefe? Só se ele fosse cego para não tentar ir além. Ignoro as besteiras que ele diz, sabendo que não há qualquer chance disso acontecer, porque eu não vou permitir. É só um evento da editora, certo?
Sorrio e agradeço por tanta atenção, indo para o closet para tirar o terno.

...

Chego em casa me sentindo meio estranho. Eu sei que estou bonito, mas pareço diferente daquela garoto que costumo ver diante do espelho. Todos os olhares se voltaram em minha direção desde o momento que deixei o salão até chegar ao meu apartamento, onde nem mesmo o porteiro me deixou passar despercebido e não resistiu a fazer um comentário.

– A senhor está muito bonito.

– Obrigado, seu Min — digo, confirmando que pelo menos não vou fazer feio diante dos amigos de Park naquele evento.

Assim que abro a porta, pego Hope e Tae aos risos no sofá, enquanto assistem a algo na TV. O rosto de meu amigo se transforma quando me vê e ele se levanta, caminhando em minha direção como se um ET acabasse de invedir meu próprio apartamento.

Preciso tirar sua chave reserva. 

— Quem é você e o que fez com meu amigo? Jeon você está simplesmente... sensacional. Ganhou na loteria e não me avisou?

Ele puxa meu braço para cima, e me faz girar sobre meu próprio corpo, soltando um assovio admirado. 

Sorrio com o exagero de Hope.

- Deixe de bobagem, Hop. A empresa bancou esse novo visual porque vou participar de um evento esta noite.

- Uau! Eu preciso trabalhar em uma empresa assim. Não sei por que, mas parece que você está contando essa história pela metade. Quem vai ao evento? Ignoro a pergunta dele e vou até o sofá cumprimentar meu amigo Tae.

- Você está realmente lindo, Jeon. Se eu não fosse louco pelo Hope, ia perguntar se você está aceitando currículo. Conheço meia dúzia de amigos que ficariam aos seus pés se te vissem assim.

— Ah, querido até eu ..— Hope se joga no colo do namorado e lhe dá um beijo rápido. — Tenho certeza de que tem dedo de homem nessa história. Desembucha, Kookzinho.

Ele não vai deixar passar despercebido, vai?

– Nada demais, exagerado. Eu apenas vou a um evento com Jimin esta noite e preciso estar apresentável — digo baixinho, quase para mim mesmo. O quê? ele grita a ponto do meu ouvido doer. Abre seus enormes olhos, enquanto começa a fazer uma dancinha da vitória como um louco na sala. Hope sendo Hope. Fecho os olhos e respiro fundo, sem conseguir segurar o riso por muito tempo já que é impossível quando se está de bom humor.

- Eu vou a um lançamento com meu chefe, Park Jimin esta noite, entendeu?

Digo com todas as letras mesmo sabendo que isso só fará com que ele me encha ainda mais.

- Você está namorando o seu chefe Não, você não está. Quer dizer, outro dia disse que ele era comprometido. Então se tornou amante? Não, você não faria esse papel.

- O bom de conversar com Hope é que ele mesma faz as perguntas e ele mesmo as responde. Isso é uma verdadeira maravilha. — falo, olhando para Tae. 


...


Preciso me arrumar.

- Você vai ficar lindo com aquele terno preto.

Paro de caminhar e me viro com um olhar interrogativo.

— Que terno preto?

— Aquele lindíssimo que entregaram há cerca de cinco minutos. Olha, eu fiquei em dúvida se seria uma Versace original, mas depois que te vi com esse visual todo, aposto meu braço direito que ele é.

Filho da puta! Eu não acredito que Park foi arrogante a ponto de passar por cima da minha vontade. Não posso acreditar que ele tenha mandado o terno ainda que eu tenha dito não uma centena de vezes. Corro para o quarto tomado pela ira. Por que ele continua fazendo esse tipo de joguinho comigo se deixa bem claro que pretende resistir à forte atração que sentimos um pelo outro? Por que não vai aos eventos com sua noiva, se é que tem uma.  Por que está me deixando tão confuso quando está comigo, não consegue manter suas mãos longes, mas atiça meu desejo com pequenos gestos e palavras como fogo na gasolina? Olho para o terno perfeitamente ensacado sobre a minha cama e respiro fundo, ciente de que eu deveria jogá-lo numa caixa e mandar alguém entregar pessoalmente para ele.

Contudo sei que não vou.

— Ah, Park Jimin, você é a frustração em pessoa.

Pego a peça, tirando do saco e coloco diante de mim na frente do espelho. É realmente um desperdício deixar de usá-lo mesmo que isso represente minha submissão aos mandos e desmandos dele. Pensando bem, eu não tenho muita opção em meu guarda-roupa e foi ele quem inventou esse evento em cima da hora. Eu preciso aprender a dizer não a esse homem ou vou acabar criando um monstro, já que algo me diz que esta não será a única vez que ele vai me testar.


Preciso e vou aprender ou não me chamo, Jeon Jungkook. 




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