História C'est La Vie - Capítulo 8


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Categorias Histórias Originais
Tags Romance
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Palavras 2.252
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oiiii minha gente,
Voltei, com mais um capítulo.
E espero muito que vocês gostem.
Beijos e Boa leitura!

Capítulo 8 - I think I saw a ghost


Fanfic / Fanfiction C'est La Vie - Capítulo 8 - I think I saw a ghost

Entramos no bar da rua 21, eu com o coração um pouco acelerado, Fernanda com um sorriso exibido, e o batom vermelho recém passado na boca que a deixava mais atraente do que já era possível a garota morena ser. 

- Fê! Paula! - olho em direção á voz e vejo o rosto sorridente de Marcos, com os cabelos loiros bagunçados e uma garrafa de cerveja em sua mão direita. 

Ele está sentado do lado de Bernardo numa mesa e nós vamos até eles .

- Achei que vocês não viriam.. 

- Se achou é porquê não nos conhece - eu digo dando uma piscadinha.

Era engraçado como conseguia agir com perfeita naturalidade enquanto sentia as mãos suarem e o coração bater á mil em meu peito. 

Olho ao redor procurando-o, eu sabia que ele estava ali, mas onde?

Provavelmente em algum canto pegando uma garota qualquer, ou vomitando no banheiro, ou..

- Olha quem resolveu aparecer. - ouço sua voz alterada e o cheiro de seu perfume e viro o rosto, vendo-o abraçar Fernanda e seus olhos se encontram com os meus. 

Castanhos, um pouco avermelhados, e frios. 

Sinto como se uma corrente elétrica possuísse minhas veias, até que ele volta seu olhar para Fê, diz algo em seu ouvido e sai andando para algum canto do bar.

- E a Laura? - Fê pergunta 

- Está atrasada, como sempre - Marcos responde rindo

Laura SEMPRE atrasava, isso era fato. 

- Vou pegar uma bebida, você vêm Paula?

- Óbvio. 

.

.

.

- Mas você tem certeza que foi isso que aconteceu? - Bernardo pergunta rindo

- Claro que tenho! - uma Fernanda levemente alcoolizada responde - Eu lembro de TU-DO Bê!

Os dois estavam engatados em uma conversa sem nexos enquanto eu observava duas pessoas sentindo minha garganta arder a cada gole da bebida que eu segurava com força nas mãos.

Laura havia chegado fazia uma hora mais ou menos e estava tendo uma conversa bem íntima com Michael, que em dias normais não me incomodaria nem um pouco, mas hoje? 

Sentia o sangue ferver a cada sorrisinho mal intencionado que o garoto lançava para ela, e a única solução que encontrava era beber mais e mais goles das várias bebidas que eu pedia ao barman.

A música tocava abafada em meus ouvidos, enquanto sentia o efeito da bebida aumentar cada vez, a visão já um pouco nublada e os olhos marejados, com lágrimas que me esforçava para segurar.

O pior eram os pensamentos, que giravam em torno de Michael, Laura e o garoto que eu tentava tão forte apagar da memória, Felipe.

Ele não parou de enviar mensagens até que eu o bloqueei das redes sociais, em busca de realmente esquecer o que havia acontecido no sábado passado. E no Domingo. E na segunda.

Eu começei a imaginar o que aconteceria se a minha vida fosse uma história, e os leitores ficariam pensando: ’’Nossa que menina indecisa, uma hora diz que ama um cara e na outro fica triste por quê o melhor amigo disse que ela não tem chance com ele’’.. eu dei uma risada quando pensei nisso e bebi mais um gole da bebida que descia rasgando.

O problema era a esperança. Maldita esperança.

Eu pensei por um mísero momento que a tristeza e a dor de ser rejeitada pelo homem que amava poderia se transformar em algo bom, em uma história de vida. 

Idiota.

Achei que ia acontecer igual aqueles filmes americanos em que a garota leva um fora e o melhor amigo se mostra a real pessoa que ela estava destinada a amar e viver com. 

Mas a vida não é um filme americano de Hollywood.

A vida é.. a vida.

E a gente sofre, e a gente chora, e a gente bebe. 

E eu sei que um dia a gente supera. Mas ainda não era esse dia. 

Eu dei o último gole da bebida em minhas mãos e bati a garrafa na mesa, com a maior força que eu tinha naquele momento. 

Fernanda e Bernardo que estavam há horas numa conversa que cheirava segundas intenções olharam pra mim assustados.

- Paula? 

-Tá tudo bem amiga?

Eu levantei, sentindo o bar girar um pouco e segurei na mesa para sustentar o peso do meu corpo.

- Acho que ela bebeu demais Fê, é melhor a gente levar ela pra sua casa..

Fernanda levanta e vem até mim, colocando sua mão por cima da minha que estava apoiada na bancada.

- Vamos pra casa Pau? 

Respiro fundo e olho pra ela um pouco irritada,

- Pau é a merda que esses meninos tem entre as pernas, meu nome é PAULA!

Ela me olha assustada e eu continuo brava,

- Meu nome é uma merda, minha vida é uma merda e meus amigos são merdas. Então tira a merda da mão de cima da minha e me deixa beber até morrer nessa merda de bar. - me solto dela e sinto uma pontada de consciência invadir minha mente, fui uma babaca desnecessariamente.

Ignoro a pontada e ando em direção a pista de dança, em busca do casal do ano que provavelmente estava rindo e piscando, e sussurrando, e aí eu esbarro em alguma coisa e caio no chão gelado do bar.

- Desculpa, eu não vi você andando aí.. - o rapaz começa a falar sem graça

- Não sei como não me viu, uma baleia gigante e brava que tem o nome do seu orgão sexual disfarçado de nome normal - eu digo emburrada ainda deitada no chão

Ele ri. Ele RI. 

Eu tento olhar pra ele indignada mas minha cabeça dói um pouco no movimento, e eu volto a encostá-la no chão e fechar o olho.

Ele continua rindo e eu começo a sentir uma familiaridade na risada do rapaz.

- Você está bêbada mesmo né, deixa eu te ajudar a levantar.

Ele começa a me levantar e sinto o perfume dele invadir minhas narinas, e novamente é algo familiar.

Abro os olhos tentando ver quem é o rapaz mas minha visão continua nublada e marejada por conta do álcool. Ele me ajuda a levantar devagar e eu esfrego os olhos com as mãos pra tentar enxergar melhor o rosto do homem, mas quando abro o olho ele não está mais ali. 

- Moço? 

Eu olho ao redor pro bar cheio de pessoas, mas nenhum sinal do rapaz que estava ali havia poucos segundos.

-Paula!

Ouço a voz de Fernanda atrás de mim e olho pra ela um pouco atordoada.

- Eu acho que eu vi um fantasma Fê..

Ela dá um sorrisinho triste e estende a mão pra mim que logo seguro.

- Vamos pra casa Paula, você precisa dormir.

.

.

.

- Eu juro que era um fantasma, ele tinha pinta de fantasma Fê.

Estávamos tomando café da manhã, e eu continuava tentando explicar pra ela que o rapaz que eu havia esbarrado no bar na verdade era um fantasma, mas ela não queria acreditar.

- Paula, você só esbarrou em um cara qualquer no bar, ele saiu antes de você abrir o olho de novo, - ela revira os olhos e come mais um biscoito

- Não faria sentido ele sumir daquele jeito, e tinha algo de estranho nele, como se eu o conhecesse sei lá, em outra vida.

Fernanda me observa com os olhos acirrados, e de repente começa a rir

- Você é uma figura Paula. 

Reviro os olhos e deixo o assunto pra lá.

Hoje ia ser um dia tranquilo pelo menos, eu ia dormir na casa da Fernanda de novo, e a gente ia ficar em casa fazendo vários nadas..

Mas eu sentia um frio na barriga só de pensar no dia seguinte. Ia ter que ver o Felipe, eu já sabia que uma hora ou outra ia vê-lo já que éramos da mesma igreja, mas ainda assim o nervosismo era real. 

O celular de Fernanda vibra pela milionésima vez só naquela manhã e eu já sei quem é pelo sorriso estampado na cara de minha amiga. 

As horas de conversa com Bernardo no bar, pelo visto tinham sido um grande up na relação dos dois, e ele e ela estavam trocando mensagens desde que eu acordei, sem sinal de que iriam parar em algum momento.

Eu pensei nisso, e cogitei ir dormir porque claramente ela estava muito mais interessada nas mensagens do Senhor B. do que nas minhas superstições de ter visto um fantasma. 

- Fê, eu vou dar uma caminhada.

Ela levanta o olho da telinha e franze a testa,

- Você nunca faz caminhada.

- Eu sei, e por isso mesmo quero fazer.

- Okay.. Eu vou só trocar de roupa e a gente vai - ela sorri e volta a mecher os dedinhos na tela do celular

- Não moça, eu vou sozinha mesmo, só pra dar uma pensada. - levanto e esbanjo o melhor sorriso falso que consigo 

- Tem certeza?

- Absoluta.

- Okay então, mas leva seu celular pra me ligar qualquer coisa - ela sorri pra mim e volta a dar sua atenção para a telinha.

- Vou levar.

Saio da cozinha e vou pro quarto dela, abrindo minha mochila e vendo as opções de roupa que eu tinha trago.

Coloco um short jeans e uma blusa masculina confortável, que eu tinha trago pra ficar atoa em casa. 

Como os planos tinham mudado, e eu não tinha nenhuma outro roupa a não ser essa e a que eu iria usar pra igreja na manhã seguinte, era o que ia ser.

Me vesti, dei uma arrumada de leve na cara e no cabelo, que prendi num rabo de cavalo, peguei meu celular, coloquei no bolso e sai da casa, respirando o ar fresco do bairro de Fernanda.

Eu morava mais próxima do centro da cidade, onde tinha muito mais barulho, trânsito e poluição, e Fê morava do outro lado da cidade, numa vizinhança quieta e cheia de mato. 

Eu amava esse lado da cidade, e lembro que quando era bem pequena insistia com meus pais pra gente se mudar pra cá. Mas né, nem tudo que a gente quer acontece.

Começo a andar sem rumo e penso que talvez ia ser uma boa ideia ir pro parque ecológico que ficava á algumas quadras da casa dela, e começo a andar em direção dele.

.

.

.

Depois de chegar no parque, vi algumas famílias passeando, algumas pessoas fitness correndo e caminhando, amigos jogando bola, conversando, velhinhos passeando com seus cachorros.

Começei a pensar no que eles deviam estar pensando, cada um deles, se eles vinham pra cá com frequênciae quem recebia um salário bom e ruim..

E nisso o tempo foi passando, e eu lá sentada num banco qualquer, observando a vida que acontecia naquele lugar.

Quando meu celular começou a vibrar, foi como se alguém estivesse me acordando pra minha própria vida.

Olho a tela, e era ninguém mais ninguém menos que Fernanda.

- Alô?

- Paula minha filha, cadê você?

- Te falei que ia fazer uma caminhada menina..

- Não uma caminhada de 3 horas, achei que tu ia só dar uma voltinha no quarteirão sei lá 

- Nossa, nem vi que já tinha passado isso tudo, daqui a pouco tô aí 

Desligo a chamada e dou uma risada comigo mesma, ‘’daqui a pouco’’.

Volto a olhar pro nada e respiro fundo. 

Ás vezes era disso que eu precisava, ar livre, nada pra fazer e ficar sozinha. 

Estava pensando tanto e cheguei a tantas conclusões naquelas 3 horas, que naquele momento eu senti que verdadeiramente dava pra seguir em frente. 

Depois de uma semana no fundo do poço com a Samara, eu finalmente vi uma escapatória. 

Eu precisava viver. 

E era isso que eu ia fazer.

Levantei depois de esperar mais um pouco e fui andando em direção a saída do parque, e foi aí que eu senti o cheiro, parei de andar na mesma hora e olhei ao redor. Não tinha ninguém que eu conhecia ali, só tinha aquele cheiro.

O mesmo cheiro do fantasma da noite anterior, eu sabia que não era normal, sabia que tinha algo de estranho naquele rapaz. 

Podia sentir só pela voz dele, o toque e o cheiro. 

E agora ele estava ali.

Eu sabia disso. 

Eu não iria confundir aquele cheiro com ninguém..

Foi aí que eu o vi. 

Ele estava na quadra do lado, jogando basquete com alguns outros meninos. Ele era o mais baixinho do grupo, mas ele jogava numa destreza sensacional. 

Eu sabia que ele era bom jogador, mas não fazia ideia do quão bom ele realmente era.

E foi aí que eu liguei os pontos.

Não era um fantasma na noite passada. 

Era ele.

- MICHAEL! - um dos garotos grita irritado - Tu ta acabando com minha reputação mano! 

O japonês ri e dá uma piscadinha para o cara gigante do lado dele.

- Como se a minha já não fosse melhor.

- Vá pra merda Japa! - ele ri e vai beber água - Pausa galera!

Todos começam a se dispersar e eu percebo que estou parada feito uma esquisita olhando pra todos aqueles meninos suados e bombados, e sinto a bochecha corar. 

Começo a andar rapidamente em direção a saída e quando alcanço o portão dou uma risada de leve, ofegando por causa do meu sedentarismo.

Paro um pouco pra respirar e lembro de novo da minha descoberta.

O fantasma era Michael. 

E eu era muito burra de não ter percebido antes.

 


Notas Finais


PS: Espero que vocês gostem das novas capas dos capítulos, achei que ficou bem melhor assim, mas me deêm a opinião de vocês, que eu quero saber ;)
Beijos!


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