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História Chama acesa ((Castiel)) - Capítulo 36


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Notas do Autor


Minhas boas vindas aos novos favoritos <33

Capítulo 36 - Tarde demais?


Eu fiquei de me encontrar com a Priya no Shopping perto da Anteros, e estava duas horas adianta, por sinal. Era por volta das cinco e meia da tarde, e minha amiga, Adèle, ainda não havia chegado do trabalho, o que seria estranho caso isso não tivesse se tornado habitual para ela, desde há duas semanas atrás. Contudo, quando a campainha tocou, fiquei ponderando se ela havia se dado folga das suas saídas casuais após o trabalho. 

— Você voltou ced... Nath? 

O rapaz estava parado na minha porta com um largo sorriso nos lábios, os dentes brilhando feito porcelanas. 

— Olív... 

Interrompi-o indo para cima dele, e o empurrei com brusquidão. 

— Qual é a porra do seu problema? — o indaguei, segurando o rapaz pela sua jaqueta. 

— O que...?

— O que merda você tem na cabeça? Resolveu ser o babaca que estava preso em você?

— Mas, o qu... 

Cortei-o mais uma vez. 

— Cala a boca!

Eu não estava me sentindo bem o suficiente para discutir. Sentia uma sensação calorosa de que ia explodir se continuasse ali, por isso, me esforcei à manter a calma.

— Por que... contou para o... Castiel que tivemos um... caso? — o questionei, mal conseguindo pronunciar a frase por completo. Soltei um suspiro para liberar o ar que prendia.

— E-ele... E-eu... Olívia, ele...! Aquele cara é um idiota que adora se exibir!

Larguei ele.

— E você não é diferente dele. Conta logo, Nathaniel.

— Ele ficou se exibindo porque vocês se pegaram na floresta, e disse que, com isso, você estava caída de amores por ele. 

— E deixa eu adivinhar o resto; você não quis perder essa competição de quem me tem e disse para ele que conseguiu me foder primeiro? Ótimo! Você é um babaca! — bati palmas. 

— Não é isso...! Eu só... não queria que ele achasse que te tem quando sou eu que tenho! Além do mais, você mal o suporta, então, por que está preocupada com isso? É o Castiel, Olívia! O babaca que te decepcionou. Acha mesmo que não vai ser diferente caso você sinta algo por ele?

— E se eu sentir? — eu o questionei, sem medir minhas palavras. —  O que você tem a ver com isso?

Nathaniel ficou boquiaberto.

— Você sente? — ele quis saber, e eu não soube o que responder. 

Passei a mão pelos cabelos de maneira impaciente, deixando os fios, que eu havia passado horas arrumando, todo embaralhados, enquanto engolia em seco. Eu sentia? Sim? Não? Talvez? Claro? Ou não sei? Não sei!

Eu não sabia, mas, e aquele sonho que tive a tarde onde eu confessava o que sentia, não era para ser uma verdade que eu não admitia para mim mesma? 

Merda. O que eu sentia de fato pelo Castiel? 

Esmaguei meus lábios, ignorando completamente o piercing que havia entre eles. Aquilo era tão confuso para mim, e era algo que deveria ser tão fácil de saber, caso eu não fosse aquela pessoa que esconde o que sentia. Merda! Merda!

Olhei para o rapaz, parado feito estátua na minha frente, e o que vi foi algo que me fez sobressaltar para trás.

— Olívia? Está tudo bem?

Entreabri a boca, meus lábios tremia. Eu mal sabia o que falar, tampouco tinha noção do que fazer. Era ele?

O rapaz sorriu para mim. Aquele sorriso tão descarado e cheio de malícia, que se desenhava tão perfeitamente em sua face patética, e de um Deus grego, ou até mesmo, um Deus do Rock. Merda! Como ele conseguia ser tão... tão lindo?

— Olívia? Você vai sair para algum lugar vestida desse jeito?

Meus olhos marejaram de água com tanta beleza que eu via na minha frente. Era como olhar para uma pintura renascentista, pintada e esboçada com toda cautela e compaixão. Ou como admirar os girassóis de Van Gogh, ou enquanto o próprio pintava seus quadros na calada da noite, sob um céu escuro e cheio de constelações. Castiel era tão perfeito que fazia minhas emoções se esborrarem de dentro de mim. Como naquele momento ali...

O que eu estava sentindo naquele além de alegria em vê-lo? 

Uma alegria que poderia ser facilmente confundida com amor. Então, era isso? Eu estava rejuvenescendo os sentimentos antigos por ele? Eu estava me apaixonando de novo pela primeira e única pessoa que me fez feliz de verdade? 

— Louise? Está me ouvindo? Você está bem? — ouvi seu chamado.

Louise? Mas, o Castiel nunca me chamou assim. Espera...

Pisquei várias vezes.

— Nathaniel? — meu coração se acelerou drasticamente.

Ele levou a mão ao peito para depois soltar um suspiro.

— Ufa! Você me preocupou! Ficou parada aí por tanto tempo que...

Deixei o rapaz falando sozinho para entrar no meu apartamento.

— Olívia, espera!

— Tchau, Nath. — eu me despedi antes de bater a porta na cara dele.

Não era ele.

Elevei a mão a testa, exasperada. Eu me sentia tão nervosa, tão sem chão! Merda! Por que aquilo estava acontecendo? Por que eu estava sentindo aquelas coisas tudo de uma vez só e tão de repente? Não era para ser desse jeito! 

Corri para a cozinha em busca de um copo d'água, e durante esse intervalo, a porta do apartamento se abriu. 

— Nath?

— Não, Adèle. Cruzes credo eu ser loira!

Relaxei os ombros, e soltei um longo suspiro, no tempo em que deixava o copo sobre a mesa.

— Por que chegou tão cedo?

— Esse é o meu horário de chegada. Aliás, por falar no Nathaniel... eu vi ele saindo do prédio... O que fazia aqui? 

Fui até o sofá para me sentar, inclinando minha cabeça para trás para apoiá-la no espaldar. Sentia uma leve tontura que se contemplava com um temor. Isso não era nada bom.

— Eu sou uma idiota. Uma completa idiota! — lastimei, mais trêmula do que nunca. Meu coração batia tão depressa que parecia que ia sair da minha caixa torácica.

Adèle veio sentar perto de mim para tentar me acalmar.

— Conte-me tudo. — ela me incentivou, pousando uma mão no meu ombro.

— Eu dormi com o Nath na noite do dia em que saímos para a floresta.

— Mas, o que...? O que merda você tem na cabeça, Olívia? Como você...? Por que raios fez isso, porra? — ela começou, a voz mais alterada do que nunca e num tom esbanjado de julgamento. Sabia que ela iria reagir daquela maneira.

Espreitei para ela com o semblante franzido.

— Eu... eu estava fora de mim, e agi por impulso.

A garota se ergueu.

— Porra nenhuma! A única impulsiva aqui sou eu! Você... você nem gosta daquele cara! Por que raios fez isso? Por que... Merda, Olívia! Não era para ter chegado tão longe assim. — minha amiga resmungou, soltando um suspiro preocupante. — Você... você gosta dele?

— O quê? Não! Claro que não!

— Então, por que cargas d'água foi para cama com ele?

Arqueei uma sobrancelha de desconfiança.

— Espera aí... Por que está tendo essa reação toda? Não era você quer queria tanto que eu “saísse" com alguém? Principalmente se esse alguém fosse o Nath?

Ela engoliu em seco e começou a gaguejar.

— Era... M-mas...! A-agora eu... eu tenho motivos de sobra para não querer que você se relacione com ele ou com qualquer um!

Cruzei os braços, e lhe lancei um semicerrar de olhos.

— Tipo, quais?

— Vários, mas isso não vem ao caso. Só não quero que fique com qualquer um e ponto.

Eu ri ironicamente 

— Ah, claro! Deixa eu reformular para ficar melhor; você não quer que eu me torne uma versão desbotada de você, não é isso? — a confrontei, prevendo que aquelas minhas palavras causariam uma baita discussão. 

— D-do que você está falando?

Foi a minha vez de me levantar para ficar andando pela casa. Eu precisava me movimentar para não me exaltar de novo.

— Acha que não sei que as suas chegadas tarde da noite são justificadas por encontros casuais? E que também quando não estou aqui, você costuma trazer suas paqueras para cá?

Ela deu de ombros.

— E daí?

— Você não quer que eu me envolva com qualquer um, mas, é exatamente isso que você faz, portanto, não cabe à você ter essa reação exagerada só pelo fato de eu ter saído com o Nathaniel! Não julgue se não quer ser julgada, Adèle!

— M-mas, Olívia...! Eu não estou te julgando por isso, só acho que... Quer saber de uma coisa? Tudo bem, você é quem decide com quem dorme ou não.

— É, eu decido. — concordei, recordando das minhas estúpidas decisões que estava tomando ultimamente.

Por que é que não estava mais pensando nas consequências dos meus atos agora? 

A garota ensaiou passos de que ia para o seu quarto, mas, eu decidi impedi-la, porque queria falar sobre algo que estava me incomodando.

— Adèle? Por que... por que usa as pessoas dessa maneira, saindo com várias garotas num dia só? Você pode escolher só uma delas.

Ora, isso não era meio hipocrisia, senhorita Olívia? Pois também tu usaste de uma, quando poderia escolher o...

Merda! Eu deveria ter calado a boca!

—  Cala-se vozinha inútil! — sussurrei para mim mesma, e voltei minha atenção para minha amiga.

A garota engoliu em seco, e abaixou os olhos, antes de se deixar desabafar no sofá, se inclinando para frente para cobrir o rosto com as mãos, em seguida. Fui até ela.

— Pode contar para mim. Eu juro que não vou te censurar, seja lá qual for o motivo. — prometi, esforçando um tom confiante.

— É mais complicado de explicar do que aparenta. Não faço isso por diversão. É só que... — ela hesitou, ao sentir minha mão tocar suas costas. A garota afastou as mãos para erguer seu olhar para mim, me encarando por segundos. — Eu só...

— Você só...?

Os meros segundos se estenderam, se tornando agora uma eternidade para o fato de eu ter seus olhos vidrados nos meus. Eu conseguia ver um certo brilho neles, tão indiscretos e intensos, que encadeava minha visão, e antes fosse de lágrimas...

Pareciam dois pares de esmeraldas lapidados, cujo esses continha, em volta, uma bola negra dilatada. Era estranho... Mais estranho ainda era ter um pouco de noção do porquê aquilo ocorria.

Eu não queria tirar conclusões precipitadas, mas, aquele nosso pequeno contato me deixou com a mente conturbada, ainda mais quando a Adèle não deixou nem por um instante de desviar sua atenção de mim. Parecia hipnotizada. Todavia, houve um pequeno intervalo imediato em que seu olhar caiu para o movimento simples e involuntário dos meus lábios entreabertos, que eu não queria saber porque razão, fez com que a garota aproximasse seu rosto do meu, enquanto ia fechando seus olhos.

E então, a campainha tocou. 

— Está esperando alguém? — eu perguntei, me afastando, e ela negou com a cabeça. Seu rosto estava tomado pela vermelhidão.

Segui até a porta para abri-la, e me deparei com uma mulher exageradamente linda e extravagante, trajando um vestido curto florido.

— Priya? — ela sorriu para mim. — Não íamos nos encontrar no Shopping?

— Mudança de plano: vamos para O'Sullivans. Eu preciso beber algo forte.

Eu assenti, embora estive receosa sobre beber.

— O que houve com o seu celular? Te liguei umas cinco vezes e você não atendeu!

— Ah, sinto muito. Eu deixo ele desligado enquanto carrega.

Ela balançou a cabeça e se aproximou.

— Quem está aí? — questionou, tentando olhar por cima da minha cabeça para o ambiente atrás de mim. Eu abri caminho para que ela visse melhor. — Adèle. — ela pronunciou o nome da minha amiga com tanto de desdém.

— Vou pegar minha bolsa para a gente ir. — eu falei, deixando a garota me esperando na porta.

Corri até o meu quarto, e fui rápido até a minha escrivaninha para pegar uma pequena bolsa, que eu costumava sair quando era necessário. Contornei a alça no meu braço direito e saí do quarto.

— Estou pron... — fui anunciando no tempo em que regressava para a sala, mas, parei de falar quando vi a Adèle chorando. — Ad, o que houve?

— Ignora, Olívia. São lágrimas falsas. — Priya comentou, em pé no meio da sala.

— O que aconteceu aqui? Por que a Adèle está chorando?

— Ela só está pagando o mal que faz aos outros. 

Fui me aproximando da minha amiga para tentar acalmá-la. 

— Ad, fala comigo. O que houve? — murmurei, ouvindo ela soluçar.

— Nada que uma saída com uma das amantes dela não resolva. — Priya continuou com os comentários nada agradáveis. 

Apesar da sua voz estar carregada de ressentimento, eu não conseguia ver maldade naquilo, e até a compreendia.

— Adèle? Por favor, fala comigo.

— Sai daqui, Olívia! Sai! — ela se exaltou, me lançando um olhar furioso. — Eu não preciso da sua piedade ou ajuda! Eu não preciso de ninguém! Agora, cai fora! Me deixa em paz! — ela vociferou na minha direção, fazendo eu sobressaltar com um susto.

— Mas, Adèle, eu sou sua amiga. Eu estou aqui do seu lado.

— Não está não! Se estivesse não sairia com essa... Essa coisa parada aí. — ela apontou para a Priya, que ergueu uma sobrancelha de deboche, e se levantou. — Ela está certa; eu uso os outros, e inclusive ela mesma, mais do que todas as outras garotas. Porque eu não presto! Porque eu sou uma... uma vaca aproveitadora, que não vale nada! 

— Viu só? Ela se revelou. — a garota de cabelos castanhos esbanjou um sorriso, satisfeita. — Ela adora usar as pessoas para preencher o vazio que há nela, é o típico de alguém sem sentimentos, que não pensa em como a outra pessoa irá se sentir ou para o fato de ocorrer o deslize da outra se apaixonar por ela. Ela ignora tudo, porque gosta de coisas que fazem elevar o seu ego, e sabe o que pessoas assim merecem?

Ouvir a Priya falando aquelas coisas sobre a Adèle foi como levar um soco no estômago. Doía mais em mim do que na garota que se desfazia ao choro. Era difícil ter que admitir, mas, a Priya estava certa, mais difícil ainda era se identificar com aquilo tudo, porque foi exatamente isso que fiz quando saí com o Nath. 

Eu me sentia tão péssima que entendia o porquê da Adèle não querer ser consolada; ela sabia que merecia escutar aquilo, pois, era o que ela era, então... Eu também era assim? Ou estava me tornando isso?

— Você é uma fodida de merda! — minha amiga gritou, indo para cima dela. Eu impedi que ela fizesse algo para a garota, me colocando entre o meio delas duas. — Você também acha isso de mim, não é, Olívia?

— Eu? 

— É, Olívia. Fala para ela que eu tenho razão! — Priya me incentivou, fazendo a Adèle avançar. Empurrei ela com minha mão.

— Adèle, você... Não é certo, sabe. Eu...

— Entendi! — ela deixou as mãos cair, se rendendo. — Eu sou a vadia aqui, mas, não esquece que você, Priya, é quem implora para que eu seja assim, porque hoje mesmo eu tentei terminar com você, e você continuou insistindo para que a gente tivesse mais uma noite. 

Olhei para a garota com as sobrancelhas elevadas em surpresa. Ela ficou vermelha.

— E você, Olívia, é mais vaca ainda por usar o Nathaniel, quando ainda não consegue controlar os hormônios ao ver o desgraçado do Castiel.

— O quê? — eu e Priya dissemos ao mesmo tempo.

— Eu vi vocês na floresta. 

Minha respiração ficou entrecortada. Então, não foi um esquilo?

— Não devia ficar me espiando. — murmurei, num tom ríspido.

— Faço o que eu bem entender. 

O olhar conflituoso e, ao mesmo tempo, julgador, que ela me lançou, me deixou mais irritada do que o fato dela ter me espionado. Além do mais, a Adèle já havia extravasado dos limites em ficar seguindo cada passo que eu dava. Era insuportável ter alguém se intrometendo sempre na sua vida.

Eu odiava hipocrisia, mas, por ora, vi que deveria ser.

— A Priya tem razão. Você é mesmo uma vadia desprezível que não consegue se conter, e sai dando para qualquer uma que elevar seu ego frágil. Aliás, ao invés de ficar na porra do meu pé, porque não tira o tempo para fechar as pernas e focar mais na merda do seu trabalho? Se é que você tem um.

Ela ergueu a mão para acertar meu rosto, mas, hesitou.

— Vá em frente. Não vou revidar. — a encorajei, ousando em deixar o rosto de lado para que ela o preenchesse com sua mão. Ela não fez nada, deixando o silêncio ressoar pelo cômodo por longos segundos, mas, eu resolvi quebrar aquele clima abafado de uma vez. — As coisas se encerram por aqui. Priya, me espera lá fora que vou buscar meu celular para irmos beber.

Dito isso, Priya saiu do apartamento, e eu ignorei a presença da garota que se dizia ser minha amiga, ao me dirigir para o meu quarto. Quando consegui meu telemóvel, a minha parceira de saída e eu, descemos do prédio, num silêncio muito desconfortável, aliás. Entretanto, essa bolha sólida foi estourada ao entramos na boate que eu trabalhava. 

— O que vamos beber?

— Qualquer coisa que me faça esquecer àquela discussão. — eu disse, me apoiando no balcão. 

Priya me deu um sorriso de compreensão, e chamou o primeiro barman que estava no nosso campo de vista. 

— Então... Você gosta do Castiel? — ela foi direta ao ponto ao se voltar para mim. Eu não respondi. Fiquei encarando o drinque colorido exposto na nossa frente. — OK. Eu entendi, você não vai admitir. Mas... é recíproco.

— O quê? 

Priya soltou um risinho antes de levar sua bebida à boca.

— Ele me falou que ainda era apaixonado por você. — ela me respondeu, fazendo careta ao sentir o líquido passar por sua garganta.

Decidi tomar um gole do meu, e a minha reação foi a mesma que a da garota.

— Ele disse é?

Ela assentiu.

— Ele sempre foi louco por você, e continua sendo. Você é tipo um vício para ele, e nem mesmo uma reabilitação poderia fazer ele parar de gostar de você. Castiel te vê como algo que não pode ser substituído nunca, nem saindo com várias garotas.

— E ele saiu com várias garotas enquanto estávamos separados, digo, esses quatros anos? — fiquei curiosa em saber.

— Sim, com a Iris, mas não deu certo, porque você sabe que os dois não tinham nada a ver um com o outro.

Aquilo me deixou estupefata. Iris e Castiel? Como isso era possível? Se bem que eles eram próximos demais... Porém, eu achava que o gosto da garota fosse pelo gênero feminino, afinal, ela não hesitou ou ficou constragida ao beijar a Priya, pelo contrário, ela gostou, tanto que fez de novo...

— Estou... surpresa. É verdade que eles dois eram meio como irmãos. — uma lembrança vasta da época do ensino médio circulou pela minha mente, mas, eu fiz um esforço para apagá-la. 

Quando vi a garota bebericando seu drinque com rapidez, resolvi fazer o mesmo só para não passar por lenta. No tempo em que pedíamos outra dose diferente da primeira, me virei para a garota, com uma curiosidade exagerada me corroendo.

— O que mais sabe sobre o Castiel?

— Sei que ele é uma boa pessoa, e está melhor agora, e eu não me refiro só ao seu físico... — ela me jogou um piscar de um olho. — E se você gosta dele, devia procurá-lo.

— Não é... tão simples assim... Ele está em turnê. Não pode ficar voltando para cá a hora que bem entender ou que querer. 

A aparição indesejada de dois caras com aparência quase semelhante, que se acomodou um a cada lado da gente, me fez tomar um susto e me engasgar com o drinque que descia ainda pela garganta. 

— O que duas gatas, como vocês, fazem sozinhas num bar? — o cara que estava do lado da Priya nos questionou, com um sorriso simpático demais no rosto. 

— Por que? Duas mulheres não podem beber sozinhas? — minha colega jogou outra resposta esperta.

— Não é que seja proibido, só é meio... 

— Triste. — o outro que estava ao meu lado respondeu, se aproximando mais de mim. — Principalmente para você, Olívia. 

Franzi o sobrolho.

— De onde me conhece?

— Você trabalha aqui, e eu costumo frequentar muito esse lugar, somente para te ver. — ele piscou para mim, e eu revirei os olhos.

— Devia ligar para ele. — Priya murmurou ao me ver pegando o celular para conferir as horas.

— Ele quem? 

— Tem namorado, Olívia? Se tiver é mais triste ainda saber que está aqui sem ele. 

— Ou não. — o outro cara completou, sorrindo.

— Aaron, me serve Whisky. — eu pedi, quando meu colega de trabalho surgiu para a gente. Ele acenou, e se virou para pegar a garrafa que já estava quase esvaziada na estante. Colocou uma quantidade média no copo, e deslizou o objeto para mim. — Obrigada.

Quando uma música irreconhecível começou a tocar altamente naquele instante, eu terminei o meu drinque de uma vez só, e puxei a minha colega para o meio da multidão que havia no salão, mais para me livrar daqueles marmanjos, do que para ficar me remexendo como uma bêbada eufórica. Porém, o que eu não contava era que os dois caras irritantes iriam nos seguir também. 

Nós dançamos umas três músicas, no tempo que os dois seres insolentes nos observava com perversão, até que o suor começou a escorrer pelas nossas testas, e ficarmos zonza com as luzes, com isso, paramos. 

Anunciamos para os dois homens que iriamos ao banheiro, como forma para nos livrar de vez deles, porém, o que fizemos mesmo foi um desvio para outro lugar, que nos permitisse beber mais um pouco e em paz, e foi exatamente no meu sexto drinque que eu comecei a me sentir mais... desinibida e elétrica. Tirei meu celular da bolsa, e fui logo para os contatos, parando no nome “Castiel".

— Vou mandar mensagem para ele. — decidi, um sorriso se desenhava diabolicamente nos meus lábios. — E foda-se se ele está em turnê.

— É melhor ligar, porque é menos chances de ser ignorada de primeira, além de que, você irá escutar a voz dele...

— Tem razão! — bati a palma da mão no balcão, entusiasmada com o raciocínio lógico da Priya. — Vou ao banheiro para poder ouvir melhor.

A garota assentiu, e disse que também iria para ficar me esperando no lado de fora. Nós entramos na cozinha pela porta dos fundos e nos dirigimos até o sítio dos funcionários, onde lá possuía dois banheiros lado a lado. 

— Qualquer coisa, eu estou aqui. — Priya garantiu, me lançando um sorriso de cumplicidade.

Eu dei um sorriso de volta, e adentrei no banheiro. Sentei-me na tampa do vaso, e cliquei no contato do Castiel. Demorou para chamar, mas ele atendeu no mesmo instante.

— Cast? É a Liv...

Ninguém respondeu.

— Vo-você... Você está aí? — eu insisti, mas, o outro lado estava mudo demais para o meu agrado. — Cast, e-eu... Por favor...

—...

— Olha, eu sei que fui uma idiota, mas, eu... Eu... — hesitei, sem saber o que dizer. Até que um suspiro longo e cansativo ressoou do outro lado. — Castiel? Não vai mesmo responder?

Mais uma vez ele não disse nada. Fiquei me perguntando se era mesmo ele ou se o Ben era quem tinha atendido a ligação, mas, pensei também que se fosse o seu produtor, ele teria me reconhecido e me respondido. Portanto, era o Castiel que estava ali mesmo, ele só não queria falar comigo. Merda. 

— Cast, eu... Me desculpa. Por favor, me responde. 

Um abrimento de porta aguçou minha audição. Alguém saiu ou entrou no lugar que ele estava?

— Cast, eu sinto sua falta. — foi a única coisa que consegui dizer antes que a ligação se encerrasse.

 


Notas Finais


Uhu, rolou treta das grandes, e esse final? Vocês ainda odeiam a Olívia ou acham que é tempo dela correr atrás do Castiel?
Espero que tenham gostado e me digam o que acharam... ;)
Qualquer coisa me contastem!
Até mais.


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