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História Chamados de Amor e Medo (e o Impossível Possível) - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


tw: descrição de rosto monstruoso; sexo. Boa leitura!

Capítulo 1 - Apenas Você (e a Preciosidade do Respirar)


Com tinta preta sobre o chão de seu quarto, ela fez o último risco.

Já conhecia a forma como seguiam os fatos: Primeiro, o quarto parecia emitir um ruído agudo e fino como fio de nylon, era como se os ouvidos de Seungwan ficassem surdos por alguns segundos. Depois, uma névoa lilás começava a subir dos traços de linha preta, dissipando-se e misturando-se ao ar de seu quarto com um odor intoxicante de lavanda. Então, a névoa caía sobre sua pele em um farelo fino, quase arenoso, de tom roxo profundo. O farelo se umedecia em contato com o seu corpo, expandindo-se pela superfície de sua pele como uma capa gélida, úmida, quase gelatinosa. No entanto, mesmo beirando a solidez, a substância penetrava sua pele como água infiltrando uma superfície, tomando posse de tudo que toca. Aquela era a parte dolorosa, mas ela estava acostumada com a forma como a matéria tomava sua corrente sanguínea como uma onda de veneno lancinante, criando uma trilha sólida até o seu coração.

Seungwan sentiu a sensação de aperto crescer, e levou a mão ao peito, agarrando o tecido grosso já amarrotado do pijama de flanela. Conseguiu se manter sentada apenas por conta da outra mão, que apoiava contra o chão grande parte do peso do corpo trêmulo sobre o pulso fino. Como se um punho fechado esticasse os dedos dentro de seu coração, o órgão pareceu se contorcer até atingir uma pausa. Ela abriu a boca buscando por ar, gritando de dor sem que som algum deixasse sua garganta, tão muda quanto o cômodo. Na primeira vez, aquilo havia a assustado; Seungwan realmente achou que iria morrer. Agora, ela sabia que era parte do processo. Ela sabia o valor de sua dor.

A mulher aguentou alguns segundos antes de seus ouvidos explodirem nos sons da cidade, como se duas rolhas tivessem sido retiradas de garrafas recheadas de pressão. De repente, as luzes amareladas do teto do cômodo pequeno piscaram, e o som do fim do silêncio atingiu-a como uma onda de melodias do barulho rebobinadas: a buzina casual dos motoristas que madrugavam junto à ela, o som dos morcegos cantando sua canção noturna, os gritos confusos de medo ou prazer da vizinha do apartamento de cima, a água passando pelos canos velhos como o gemido de uma assombração, os batimentos acerelados de seu coração reanimado. Sua familiarização com a orquestra noturna novamente foi selada pelo som de uma gota pingando sobre o chão de madeira, onde uma mancha escura maior ia se tornando cada vez menos carmesim e cada vez mais cor de piche, como um fungo sobre o chão de madeira.

Ela soltou o punho cerrado da gola amassada e tateou a área das narinas, onde logo sentiu o escorrer molhado e quente, que tingiu seus dedos em escarlate. Limpou o excesso de sangue com o dorso da mão, sujo com vermelho grosseiro como tinta espalhada sobre a pele. Apoiou as mãos sobre o chão onde não havia mais desenho, não havia mais círculos, havia apenas a mancha de todas as noites em que tudo se deu como já estava acostumada e em que o sangue correu de seu nariz em pingos encorpados. Seu coração palpitava como o de quem havia corrido quilômetros além do limite de seu costume, e ela arfava de cansaço encarando o espelho de pé do outro lado do quarto.

Seungwan encarou sua imagem como quem encara um oponente em batalha, esperando por um golpe por vir. De trás de sua forma, mãos pretas e ondulantes como rabiscos agudos deslizaram pela totalidade de sua silhueta até os ombros, onde se posicionaram com a calma diabólica de quem é dono de algo. Ou, nesse caso, alguém. No entanto, sobre sua pele, a sensação era díspar do que o reflexo mostrava. As mãos que a tocava eram delicadas e macias contra seus ombros e, apesar de gélidas, ela estava acostumada a temperatura da criatura que a atendia.

“Confesso que estou intrigada com o espelho. Essa é nova.” Seungwan sentiu o hálito quente perto de sua orelha, com a voz baixa e próxima de um tom sedutor. O cheiro de lavanda invadia suas narinas pela proximidade. Era fragrante, ainda que quase sufocante tal era sua intensidade. Sobre o seu peito, caíam as mechas escuras de onde o odor exalava mais forte. No espelho, raízes repletas de espinhos por todo seu comprimento tomavam seu dorso, agarradas forte ao calor de seu corpo e acompanhando os movimentos de sua respiração em deleite conjunto pela constância de poder o fazer.

“Estou tentando umas coisas novas.” Sorriu, provocativa. Ela sabia que a mulher agarrada a ela podia vê-la pelo reflexo.

“Nunca imaginaria que você era uma exibicionista.” A mulher riu suavemente, e encostou a cabeça sobre o ombro dela. Seungwan desviou o olhar e, quando olhou o espelho novamente, uma teia de rachaduras desfigurou por completo o local onde estaria refletido o rosto da entidade. Não era possível visualizar nada de compreensível da imagem, apenas via alguns brilhos vermelhos reluzindo, espalhados pelos vidros quebrados tortos em um mar de cor preta inesgotável. “Acho charmoso como testa novas coisas, mas há sempre o que permanece. Afinal, eu estou aqui, de novo.”

“Sim, acho que sim.” Seu sorriso permaneceu, mas mutou-se para um conformado com a derrota – ainda que fosse uma derrota com todas as outras vantagens que já teria, de qualquer modo.

“Foi uma ótima tentativa, de verdade. Nunca haviam tentado isso comigo antes.” Ela moveu as mãos para baixo, os dedos finos se encontrando ao redor da barriga de Seungwan, envolvendo-a em um abraço agradável. “Estou curiosa. De onde tirou a ideia?”

Seungwan pôs as mãos sobre as dela, acariciando os dedos da mulher com a ponta dos dela. As digitais corriam pela pele macia em uma carícia habitual, prometida de toda vez, dançavam pelos dedos em círculos ternos e em linhas longas que, vistas de longe, talvez formassem símbolos. Afagando de um dedo a outro, de um dorso da mão a outro, recebia respostas contentes, o balançar dos dedos da outra para frente como uma comunicação entre suas mãos. Talvez estivessem tentando passar uma mensagem, mas ela não conseguia compreender muito bem – ou, ao menos, sempre se convencia de que não. Seguia apenas o que era natural para ela, desde a primeira vez que invocou aquele demônio.

“Da última vez que estávamos juntas, peguei um reflexo nosso de relance no espelho do banheiro. Achei curioso o que eu quase vi, então decidi tentar. Espero que não tenha se sentido magoada por isso.” Ela se virou para poder encarar, finalmente, o rosto da entidade.

“De forma alguma.” Os olhos da mulher se encontraram aos dela no trajeto, vivos e delicados como sempre. Seungwan sempre se perguntava como algo que parava o seu coração poderia ter olhos tão bonitos. Eles pareciam carregar um céu estrelado inteiro dentro de suas írises. Não conseguiu evitar de esboçar um sorriso quando viu que o da mulher demônio aflorava em afeto. “Vejo como sinal de que pensa muito em mim, com esse tanto de curiosidade e o mesmo tanto de planejamentos.”

“Eu estaria mentindo se dissesse que não penso, Joohyun.” Virou-se o suficiente para que seus lábios pudessem encontrar os da outra em um beijo, de começo suave e final transbordando na saudade e na vontade que alguns dias separadas a deixava construir dentro de si. Ela nunca perdia o vício pelo gosto de baunilha tão característico da mulher que ocupava seus pensamentos.

“Bem, vai ter que tentar melhor do que isso.” Joohyun colocou algumas mechas bagunçadas do cabelo descolorido de Seungwan atrás da orelha repleta de piercings, e levou os dedos até a bochecha macia de pele quente, onde a acariciou. Atrás da humana, o espelho já rachado trincou por inteiro, e se estilhaçou ao chão em milhares de pedaços.

“Sempre tão delicada.” Caçoou, revirando os olhos, ainda que o sorriso abobado não deixasse seu rosto. Achava sexy a forma como a mulher usava as próprias habilidades de forma tão caótica às vezes.

“Vamos, não desanima. Eu te ajudo a limpar os cacos depois.” Disse, e beijou-a com gosto. A intenção era apenas uma beijoca, mas Seungwan a puxou para perto com os braços ao redor de seu pescoço, e roubou beijos mais demorados, mais intensos. Joohyun perguntou, animada, entre beijos, “Que tal a gente matar as saudades?”

Ela trouxe os dedos aos lábios da mulher que a evocou, correndo o polegar pela maciez úmida de sua boca favorita. Já estava avermelhada de beijar, naquele tom bonito que combinava com o aconchego em forma de gente que era Seungwan. Com o indicador, traçou a pele de seu queixo até a pouca pele exposta de seu peito, e parou sobre o primeiro botão do pijama. Fitou Seungwan novamente enquanto alisava a superfície lisa do botão, e o desabotoou sem tirar os olhos dos da mulher, apreciando o querer palpável que nublava sua visão. Joohyun achava um deleite a forma como ela a encarava borbulhando em expectativas entre um inspirar ofegante e outro, mas paciente, como quem sabe que boas coisas vêm para aqueles que aguardam.

Joohyun encostou os lábios sobre a bochecha da outra em um beijo, apreciando o calor tão vivo que emanava delas, e que nela faltava em excesso. Cobriu-a de beijos em um caminho úmido e, de vez em quando, roxo como o pó de onde ela veio, até os ossos delicados da clavícula.

Por fim, impaciente, Seungwan mesma ajudou a desabotoar os próprios botões, e não implorou por coisa alguma, mas beijou Joohyun como se fizesse uma centena de pedidos. Aqueles eram os únicos que ela podia atender sem grande cerimônia e, para ela, era um prazer atendê-los a noite inteira.


*


Ainda estava escuro do lado de fora, mas não permaneceria assim por muito tempo. As duas estavam sobre o sofá, mescladas no aconchego de um abraço no espaço pequeno demais para duas pessoas. Seungwan tinha certeza de que Joohyun gostava mais assim. Ficavam tão coladas que pareciam moldar-se eternamente à forma uma da outra, dividindo o mesmo calor e a mesma respiração. Era o único momento em que a mulher demônio realmente conseguia se aquecer, e deitou apoiando a cabeça sobre o peito de Seungwan porque, assim, podia ouvir as batidas do seu coração.

Esse coração que havia parado só por ela diversas vezes.

Joohyun tinha os dedos entre o emaranhado de cabelos loiros bagunçados, e acariciava a cabeça da outra com ternura que ia do cerne de sua essência até a ponta dos dedos.

“E aí, o que você me conta de novidade do trabalho essa semana?” Perguntou, com a voz vibrando em interesse genuíno. Seungwan acariciava suas costas por baixo da blusa larga que ela havia emprestado para Joohyun, novamente com os mesmos círculos e símbolos desenhados sobre a pele fria temporariamente aquecida. Ela amava usar as roupas de Seungwan, dizia que tinham um cheiro bom de humano e, especialmente, de Seungwan.

“Nada muito entusiasmante.” Riu baixo da mesmice de sua vida. “Me livrei daquele arquivo estressante, finalmente.”

“Puxa, fico feliz! Ele estava te deixando maluca.”

“Acho que nunca dei um suspiro de alívio tão grande. Nem ao menos fiz uma segunda revisão. Só enviei, para me livrar daquele inferno particular logo de uma vez. Sinceramente, foi como se tirassem um peso enorme dos meus ombros quando eu apertei enviar.” Joohyun a ouvia com atenção, os olhos concentrados observando-a contar sobre sua semana com um sorriso afável. “Ah, e eu finalmente consegui trocar algumas palavras com a garota nova!”

“Puxa, que bom ouvir isso!” Suas palavras eram sinceras, mas o sorriso havia diminuído um pouco. Seungwan não percebeu, como de costume. “Conseguiu o telefone dela?”

“Ei, ei, vamos com calma... Ela é linda demais. E eu sou apenas uma grande lésbica. Nervosa e facilmente impressionável pela beleza das mulheres.” As duas riram. “Só descobri o nome dela. Seulgi.”

“É um bom nome. Soa como uma pessoa muito gentil.”

“Ela é. Foi um amorzinho comigo mesmo que eu estivesse gaguejando e suando feito uma porquinha.”

“Caramba! Tão bonita assim?”

“Linda, elegante, absurdamente proporcional.”

“Mais bonita que eu?” Joohyun pôs um beicinho triste nos lábios, e Seungwan revirou os olhos. Beijou sua testa, seu nariz, suas duas bochechas e sua boca.

“Uma comparação dessas é injusta. Você tem literalmente uma beleza sobre-humana.” Bateu levemente os dedos na pele das costas de Joohyun de forma divertida e ritmada, e a puxou ainda mais para perto, se é que aquilo era possível.

“Essa foi uma boa resposta.” Sorriu de forma presunçosa, e a beijou. “O demônio está satisfeito. Por agora.”

“Felizmente, eu sei muito bem como agradar esse demônio.”

“Se dissesse que não, estaria mentindo.” Voltou a recostar a cabeça sobre o peito de Seungwan, escutando aquela melodia pulsante agradável. A outra tirou as mãos de debaixo da sua blusa e as trouxe para os cabelos escuros de Joohyun, marcando a sua vez de fazer o cafuné que a demônio tanto gostava.

Nesse encaixe de existências, Seungwan pegou no sono, e murmurou sobre amor em seus sonhos – sonhos que ela acordaria sem a mínima lembrança sobre. E Joohyun, que não dormia, escutou cada palavra resmungada transbordar de lábios partidos em um sono profundo que deixava a humana livre das preocupações lógicas e terrenas. Sua memória era infinita. E, como toda vez, gravou as palavras no fundo de sua mente, onde podia escutá-las rebobinadas toda vez que Seungwan compartilhasse sobre o seu possível e o seu lógico.


*


Apesar dos protestos de Seungwan, a mulher demônio amava deixar o máximo de marcas possível no corpo da humana.

Com a boca colada ao pescoço dela, gostava de sentir o calor da pele clara contra sua língua, sentir o sangue fluindo por debaixo dela entre suas mordiscadas e sucções que deixavam beijos roxos por toda a extensão do pescoço longo. Enquanto uma de suas mãos a mantinha equilibrada sobre a mulher deitada, a demônio tinha a mão livre sobre o seio direito de Seungwan, que apertava enquanto seu dedão acariciava o mamilo rijo de um lado a outro, de cima a baixo. Os corpos nus estavam colados um no outro, quente e frio, e Joohyun se deleitava com os murmúrios de prazer da amante enquanto ela traçava, com a língua, um caminho úmido até os ossos da clavícula de Seungwan que ela julgava charmosos. Ela os mordeu, provocativa, e a humana suspirou com a dor leve e aprazível.

Seungwan colocou a mão entre as mechas de Joohyun, emaranhando os dedos sobre os cabelos pretos. A demônio levantou o rosto, encarou-a e sorriu, com os lábios pendendo para o lado daquela forma desavergonhada tão típica dela. A humana sorriu de volta, com as bochechas ruborizadas, a franja loira grudada à testa por conta do suor e o peito subindo e descendo visivelmente com a respiração ofegante. Joohyun levantou o corpo levemente, para que seus lábios encontrassem os dela, e a beijou.

“Você é tão linda, Wan. A humana mais linda que eu já tive o prazer de atender.” Disse, com a voz mais grave e rouca em um quase-sussurro, e beijou-a novamente. Poderia fazer aquilo pelos próximos cem anos sem nunca se cansar daquele gosto. “Essa é uma das suas expressões que eu mais gosto. Quando você está assim, ofegante e cheia de expectativa... Dá para ver no seu rostinho o quanto sentiu minha falta durante a semana. Estou errada?”

Seungwan riu baixo, entre um suspiro e outro.

“Você nunca erra.” Levou seus lábios aos dela, tentando abafar os sons agudos e baixos que saíam de sua boca enquanto a mão da amante se mantinha ocupada sobre seu seio. A troca quente e úmida fazia com que Seungwan se sentisse derretendo contra o gosto doce da outra, e Joohyun mordeu o lábio inferior dela, intensificando o beijo das duas.

“Mas tem uma carinha sua que eu gosto ainda mais do que essa.”

Antes que Seungwan pudesse responder qualquer coisa balbuciada, inspirou alto e agudo por conta dos dedos de Joohyun, que haviam trocado o seu seio por seu centro. Já familiarizados com as curvas e formas da humana, os dois dígitos deslizaram sobre as dobras dos lábios úmidos de forma provocativa antes de passar para o clitóris, que a mulher demônio acariciou em formas circulares e gentis como sabia que Seungwan gostava mais. A humana semicerrou os olhos com o modo como o prazer aumentava cada vez mais, sentindo a pele do corpo esquentar e o calor se concentrar sobre a parte inferior de seu abdômen em um incômodo delicioso. Ela mordeu o lábio, antes entreaberto, em uma tentativa de conter seus gemidos, e Joohyun riu, com um sorriso atrevido florescendo sobre a boca já avermelhada de tanto beijar.

“Olha aí, essa é a minha carinha favorita.” Beijou sua bochecha, e abaixou o rosto sobre o corpo de Seungwan novamente, dessa vez, com os lábios próximos ao peito da humana. “No entanto, ela sempre pode ficar ainda melhor.”

Joohyun levou a boca ao seio de Seungwan, lambendo e chupando a ponta bege-claro e estimulando o mamilo duro com mordidas leves. A mulher deitada mordeu os lábios com força, falhando na tentativa de suprimir os grunhidos audíveis de excitação. Com as mãos trêmulas, ela cravou as unhas sobre a pele das costas gélidas da demônio, que sorriu com o quanto seu desejo pela humana apenas crescia. Joohyun amava o descontrole de Seungwan, o desespero e a atração transbordando daquele rosto belo, adorável, de sua posse e de mais ninguém, ao menos naquele momento.

Com o riso diabólico ainda estampando em seu rosto, a mulher demônio introduziu os dois dígitos em Seungwan, que finalmente se rendeu ao prazer em um gemido alto. Seus dedos se curvavam contra as paredes quentes e molhadas nos pontos onde Seungwan sentia mais prazer, fazendo com que os suspiros e os sons molhados que as duas faziam juntas fossem acompanhados de uma melodia constante de gemidos da humana. Até mesmo em um momento como aquele, a mulher tinha a voz mais linda que Joohyun já havia escutado.

“Hyun...” Murmurou, finalmente, e a demônio sorriu, pois sabia exatamente o que sua amante queria.

Após uma última mordiscada no seio macio de Seungwan, onde fez questão de deixar algumas marcas como lembrança para o resto da semana, Joohyun beijou a pele quente do topo da barriga até ir de encontro aos próprios dedos. Com os lábios sobre o clitóris, ela sugou a área rapidamente e lambeu o botão rosado, deixando que a sua língua fosse de um lado a outro e fazendo com que a humana se contorcesse com as ondas de prazer, mais próxima de seu ápice a cada minuto.

Seungwan, ofegante e resmungando, levantou a cabeça para observar o quanto Joohyun a chupava bem e a chupava com gosto. Seus olhares se encontraram e, no castanho usual dos olhos da mulher demônio, ela viu se abrirem írises múltiplas, minúsculas e finas, por toda a extensão do tom de marrom que logo se tornou vermelho vivo reluzente. A língua, que se movimentava de um lado a outro seguindo o ritmo dos gemidos frequentes e do remexer desesperado do quadril que o trazia mais e mais próximo de seu rosto, tornou-se bifurcada como a de uma cobra, de forma que conseguia estimular mais de um ponto ao mesmo tempo. Do topo da cabeça de Joohyun saíram chifres cinza-escuro grossos e curvados como os de um carneiro, que giravam em torno do próprio eixo incessantemente, rodeados por chifres menores como dentes. Aquela era a sua parte favorita – havia algo extremamente sensual e irresistível na forma mais concentrada de Joohyun, pela qual transbordavam pequenos vislumbres de sua verdadeira natureza. Assustadora, terrivelmente crua, e tão, tão Joohyun.

Finalmente, Seungwan agarrou os lençóis da cama com força, amassando-os entre os seus dedos, tão trêmulos quanto o resto de seu corpo. Ela jogou a cabeça para trás e, com um gemido alto, atingiu o seu ápice.

A humana suspirou ofegante, lentamente voltando à realidade após os segundos onde tudo que ela conseguia enxergar era um clarão de delicioso alívio. Joohyun riu, já com sua forma humana estabilizada novamente, e se levantou com um sorriso orgulhoso nos lábios reluzentes no gosto de Seungwan, que sorriu para ela de forma afável. Seungwan guardava aquele sorriso para Joohyun, e Joohyun apenas, mas nem ela sabia desse fato – jamais havia se visto sorrindo daquela maneira. A mulher demônio selou os lábios dela aos da amante em um beijo que transbordava em afeto, e então, se acomodou ao lado da mulher ofegante, escutando-a respirar instável e feliz, extasiada com o fato de que todas essas reações mais lindas eram de sua autoria.

As duas passaram minutos apenas olhando nos olhos uma da outra, apreciando o aconchego da presença compartilhada. Joohyun trouxe a mão, um pouco mais quente do que de costume, ao rosto de Seungwan, e acariciou a pele da bochecha macia com seu polegar. Não havia necessidade de que falassem nada naquele momento, os sorrisos no rosto das duas diziam tudo por elas. Contudo, Seungwan decidiu o fazer, mesmo assim.

“Ei, Hyun... Eu fiquei curiosa sobre algo mais cedo.” Disse, passando a ponta do indicador sobre o peito da mulher demônio em uma carícia leve e gentil. Joohyun não demorou a perceber que as bochechas da humana coraram enquanto ela tentava formular sua pergunta. “Quando... Quando você disse antes que eu sou a humana mais linda que você já teve o prazer de atender, e tal... Você, bem... atende muitas pessoas? Acho que nunca te perguntei sobre isso.”

Joohyun sorriu. Seungwan nunca havia visto uma expressão derrotada tão satisfeita e confortável quanto aquela.

“Eu já atendi muitos chamados, pelo mundo todo. Às vezes, simultaneamente. Afinal, tenho mais de oito mil anos em contagens humanas, e a ganância humana é antiga e constante. É evidente que eu já teria feito muitos acordos.” A mulher demônio acomodou os dedos entre os cabelos de Seungwan, fazendo-lhe um cafuné gentil. “Hoje em dia, no entanto, não aceito mais chamado algum.”

“Por quê?” A pergunta deixou seus lábios em um murmurinho curioso.

“Bobinha. Porque só atendo você.”

O silêncio se fez presente novamente. Seungwan não sabia o que fazer com aquela informação, com o coração batendo acelerado em seu peito e o nome profano que cada vez era cravado mais e mais fundo nele sem que ela ao menos se desse conta – ou, ao menos, fingia não se dar conta. No entanto, sabia o que fazer naquele momento. Ela tomou a mão de Joohyun na dela e trouxe para perto dos lábios, beijando a pele moderadamente fria da demônio. A mulher, que observou cada movimento com um misto de paixão e vontade, ambos inesgotáveis quando o assunto era Seungwan, puxou o corpo da outra mais perto e a beijou forte. Seguindo a deixa mais que apreciada, a humana se colocou sobre ela, prendendo sua amante entre as coxas nuas, e segurou a cintura fina com suas mãos.

Joohyun sorriu satisfeita novamente, e Seungwan beijou sua testa de forma afetuosa.

“Minha vez.”


Notas Finais


escolhas peculiares de temas e de rostos mas o que eu posso fazer né... temas e descrições sobrenaturais e monstruosas são TUDO pra mim...


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