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História Chamas da Paixão - Taekook - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Então povinho, eu voltei hehe

Essa história é uma adaptação de um livro da Chantelle Shaw, a obra original é intitulada "Paixão Perigosa" e retrata originalmente um casal hetéro, portanto, se você já leu o livro e notar algumas diferenças da obra original, é por que eu tive que adaptar às coisas para fazer um casal Gay

Mas uma coisa, se for pra aparecer aqui, só pra xingar o shipp, ou algo do gênero, pode meter o pé, que eu não vou tolerar nenhum tipo de grosseria nos comentários ou algo do tipo. Críticas construtivas, correções, sugestões e afins, são muito bem vindos

Boa leitura! 😊

Capítulo 1 - Nevasca


Fanfic / Fanfiction Chamas da Paixão - Taekook - Capítulo 1 - Nevasca



Durante todo o dia nevou na região de Nortúmbria, o que deixou a paisagem sob uma manta branca, cobrindo os cumes de Cheviot Hills com uma crosta de gelo. Esse cenário podia ser pitoresco, mas não era divertido dirigir pelas estradas escorregadias e Taehyung fez bem em reduzir a velocidade ao fazer uma curva acentuada. Com o cair da noite, a temperatura mergulhou para bem abaixo do zero e a maioria das pistas secundárias do país não havia recebido saibro pra ajudar a derreter o gelo, tornando os trajetos ainda mais perigosos.

No Nordeste da Inglaterra não era comum que nevasse até o final de março. Felizmente seu velho carro 4x4, que no passado serviu aos pais de Taehyung na fazenda que tinham na Coreia, funcionava bem nessas condições. Podia não ser o modelo mais moderno, mas era prático e robusto – assim como ele, reconheceu o Kim, dando uma olhada no casaco de esqui acolchoado que estava usando sobre seu uniforme de enfermeiro. Não era bonito, mas pelo menos o mantia aquecido, e as botas de solado grosso eram resistentes e confortáveis.

A estrada seguia, limitada nos dois lados por paredes. Nunstead Hall não ficava tão perto e Taehyung receava não conseguir chegar à casa isolada e ainda correr o risco de precisar ficar por lá. Por um instante pensou na possibilidade de voltar, mas não visitava Sandara Park há dois dias e estava ansioso para descobrir como se encontrava aquela senhora idosa que morava sozinha. Ergueu a sobrancelha ao pensar em sua cliente. Embora Sandara Jeon Park tivesse quase 80 anos, era bastante independente. Mas há seis meses caíra e quebrara o quadril. Há alguns dias tivera um acidente na cozinha e queimou boa parte da mão. Dara – apelido carinhoso da senhora, estava cada vez mais frágil e já não era mais seguro viver sozinha em Nunstead, mas a senhora se recusava a pensar em uma mudança pra uma casa menor, mais próxima da cidade.

Era uma pena que o neto de Sandara não fizesse mais para ajudar a avó, pensou Taehyung. Mas morava no exterior, e sempre parecia muito ocupado com sua carreira bem-sucedida para ter tempo para visitar a região. O ômega percebia o orgulho e a afeição na voz de Dara nas várias vezes em que falou do neto. Mas infelizmente, a senhora idosa parecia ter sido abandonada por seu único parente vivo. 

Não era o certo, pensava Taehyung. A necessidade de cuidados com os idosos era um assunto que estava perto de seu coração – principalmente depois do terrível episódio que aconteceu no início do ano, quando foi visitar um senhor de 90 anos e descobriu que ele havia morrido em sua cadeira, numa casa gelada. A família dele viajou no Natal, e não se organizou para que alguém lhe fizesse companhia. O pensando do pobre homem morrendo sozinho ainda assombrava a mente do enfermeiro.

Lembrando do Sr. Jeffries, Taehyung sabia que não permitiria que a situação de Sandara tivesse o mesmo fim. Talvez pudesse contatar o neto dela de alguma forma e convencê-lo a assumir a responsabilidade pela avó.

O carro deslizou pela estrada e o Kim se concentrou em dirigir, com a nevasca cada vez mais forte. Estava sendo um dia longo e difícil, principalmente por causa do mau tempo. Só mais essa última visita e poderia buscar Jennie na creche, ir pra casa e acender a lareira antes de começar a preparar o jantar.

Lembrou-se de como a filha estava tossindo quando a deixou na creche pela manhã. Sua gripe estava muito forte e o longo inverno não ajudava a menininha a se recuperar. A primavera estava custando muito a chegar. O calor do sol e a chance de brincar ao ar livre no Jardim seriam maravilhosos para Jennie e devolveram cor às suas bochechas.

Virando a próxima esquina, Taehyung deu um grito quando os faróis de um carro brilharam a sua frente. Parou de imediato e deixou escapar uma respiração descompassada quando percebeu que o outro carro não se movia. Um rápido olhar pela cena fazia parecer com que o veículo tinha deslizado no gelo, girado e batido no banco de neve que estava ao redor da estrada. A traseira do carro estava parcialmente caída na vala.

Parecia haver só uma pessoa no carro, um homem alfa, que abriu a porta do motorista e não parecia estar ferido. Parando o automóvel ao lado do dele, Taehyung se inclinou e abriu a janela.

— Você está bem?

— Eu estou, mas não posso dizer o mesmo do carro – respondeu, com os olhos no esportivo enterrado sob uma montanha de neve.

A voz dele era grave e tinha um sotaque que Taehyung não conseguia identificar. Era uma voz muito sexy. O Kim estranhou a inesperada mudança de seus pensamentos, sendo ele uma pessoa pratica e decidida, não costumava voar em fantasias.

O alfa estava parado ao lado do carro, longe da luz dos faróis, então não conseguia distinguir suas feições. Mas notou que era alto. O casaco de pele de carneiro enfatizava seus ombros largos. Apesar de não conseguir vê-lo claramente, podia sentir o ar de riqueza e sofisticação, e Taehyung se perguntava o que um homem como aquele estaria fazendo em uma área tão remota. O vilarejo mais próximo ficava a quilômetros de distância seguindo a estrada enquanto mais adiante estavam os vastos pastos de Northumberland. O Kim reparou nos sapatos de couro dele, cobertos de neve, e descartou a ideia de que ele poderia ser um alpinista, seus pés deviam estar congelando.

Ele tirou o celular do bolso.

— Está sem sinal — reclamou. — Não consigo entender por alguém escolheria viver em um lugar tão abandonado como esse.

— A região de Nortúmbria é famosa por sua beleza inexplorada. — O ômega sentiu o impulso de dizer, ao perceber o tom de irritação do outro.

Na opinião dele, qualquer pessoa que escolhesse dirigir pela região numa tempestade de neve precisa ter o discernimento de trazer uma pá e outros equipamentos de emergência. Pessoalmente, Taehyung adorava a paisagem dramática de Northumberland. Enquanto esteve casado com Hoseok, alugaram um apartamento em Newcastle, mas ele não gostou de morar em uma cidade movimentada. Sentia saudade da vida no campo.

— Acho que o meu celular não funciona aqui, poucas redes funcionam – disse. — Precisará ir à cidade e telefonar para uma oficina mas duvido que alguém mande um guincho para buscar o seu carro ainda hoje. – Ele hesitou. Seu instinto indicava que deveria ser cauteloso ao oferecer sua ajuda a um estranho, mas sua consciência não deixava Taehyung simplesmente o largar ali. — Tenho que fazer mais uma visita e, então, voltarei a Little Copton. Se quiser, pode vir comigo.

O alfa sabia que a única opção era aceitar a oferta do ômega. Mesmo que conseguisse retirar a grande quantidade de neve que caiu sobre o teto do carro, seria impossível tirá-lo da vala; as rodas giravam no gelo. Não havia o que fazer, a não ser procurar um hotel para passar a noite e providenciar que seu carro fosse resgatado amanhã, concluiu ele, buscando uma uma bolsa no banco de trás.

Olhou a figura do ômega no seu utilitário e imaginou que morasse em uma das fazendas. Talvez tivesse saído para olhar o gado; não conseguia imaginar outro motivo para ele estar dirigindo por aquele caminho na neve. Tinha um corpo bonito, mas sua touca de lá estava na altura das sobrancelhas e um cachecol cobria mais da metade do rosto. Assim, era impossível adivinhar sua idade.

— Obrigado – disse ao entrar no carro, e sentiu uma onda de calor vinda do aquecedor. Só agora começava a perceber como teve sorte de não ter se machucado com a batida e que poderia ter enfrentado uma longa caminhada no frio até encontrar civilização. — Tive sorte de você estar dirigindo por esse caminho.

Taehyung soltou o freio de mão e deu a partida com cuidado, segurando firme no volante ao sentir o carro deslizar. Puxou as duas alavancas de embreagem e a mão ficou tensa ao esbarrar na coxa do Alfa. Dentro do veículo podia perceber ainda melhor o seu tamanho. Notou de relance que a cabeça dele quase batia no teto do carro. A gola do casaco levantando ao redor do rosto escondia seu rosto, de forma que tudo que Taehyung podia ver era o seu cabelo escuro que caía sobre a sobre a sombrancelha.

No calor do carro, uma nota mais picante do perfume do alfa ativou seus sentidos. Uma fragrância forte que trazia espontaneamente a lembrança de Hoseok. Apertou os lábios quando veio à sua mente a imagem do rosto bonito do marido, seu cabelo moreno e sorriso contagiante. Hoseok foi charmoso des de que nasceu e amou as melhores coisas da vida. Taehyung comprou seu creme pós barba preferido no último Natal em que passaram juntos sem saber que o presente deve ter sido usado quando ele foi dormir com outra ômega.

O Kim freou seus pensamentos e se deu conta de que o estranho o encarava.

— O que quis dizer quando falou que precisava fazer mais uma última visita? Não é uma boa noite para sair de casa – Disse o alfa, olhando pelo para brisa a pista coberta de neve iluminada pelos faróis do carro.

A área era familiar para o Alfa. Sabia que só havia mais uma casa a frente antes que a estrada terminasse no caminho para os pântanos. Era uma grande sorte ver que seu salvador seguia para o seu destino, mas ainda não sabia para onde estava indo.

Mais uma vez, Taehyung sentiu um pequeno arrepio ao olhá-lo, com seu sotaque sensual. Definitivamente não era francês, talvez espanhol ou italiano. Estava curioso para saber por que ele dirigia pela região remota da Nortúmbria durante uma tempestade de neve. De onde teria vindo e para onde estava indo? Mas a educação e a insegurança o impediam de perguntar.

— Sou um enfermeiro da região – o ômega explicou. — Tenho uma paciente que mora aqui perto.

Taehyung sentiu o estranho endurecer. Virou-se para ele e pareceu querer dizer algo, mas um portal de pedra apareceu na escuridão naquele instante.

— Aqui é Nunstead Hall – disse o Kim, aliviado por ter chegado. — Ernome não é? Os jardins são lindos e tem até um lago privativo.

Ele se virou para a calça e avistou a antiga casa imponente, toda às escuras. Só havia uma luz em uma única janela. E, então, olhou o estranho, tentando entender o que tirava a sua tranquilidade. Estava tenso, com sombrancelhas erguidas — Sua paciente mora aqui? – perguntou.

Estava muito escuro pra que Taehyung pudesse ver a expressão em seus olhos, mas algo em seu olhar vidrado o preocupava.

— Sim. Provavelmente você pode ligar daqui para alguma oficina – disse, assumindo que ele estava preocupado com o carro — Tenho uma chave da porta principal. Acho melhor ficar aqui enquanto pergunto a Sra. Jeon Park se pode usar o telefone.

Ele se virou para pegar a maleta na parte de trás do carro e sentiu uma onda de ar frio entrar no carro. 

— Ei! – Irritou-se ao perceber que o estranho ignorou suas instruções e desceu do 4x4. O alfa já subia as escadas em frente a porta da casa, quando Taehyung deu um pulo e foi atrás dele, tropeçando na neve que havia no chão. — Não escutou o que eu falei? Pedi pra você ficar no carro. Minha paciente é idosa, e pode se assustar ao ver você entrar pela porta.

— Acho que eu não sou uma visão assustadora – Disse, num tom divertido.

— Não tem graça – disse Taehyung. Não gostou do brilho no olhar dele e preferiu, ao invés de salvá-lo a beira da estrada, ter telefonado para Harry na fazenda Yaxley, o vizinho mais próximo a Nunstead Hall, pedindo para rebocar o carro dele. Ofegou assustado quando o alfa tirou as chaves de sua mão e colocou na fechadura. A raiva do ômega se tornou constrangimento. Podia ser um criminoso, um fugitivo, ou um lunático! — Preciso insistir que volte pro carro – disse com firmeza. — Não pode ir entrando como se fosse o dono da casa.

— Mas a casa é minha mesmo – informou ele, ao empurrar a porta. 

Por alguns segundos Taehyung o olhou, atordoado, mas, quando parou no portal ele recuperou a fala:

— O que quer dizer? Quem é você?

Ele fez uma pequena pausa quando a porta do corredor se abriu e a pequena Sra. Sandara Park apareceu. Com a preocupação de que a senhora pudesse ficar preocupada ao encontrar um estranho dentro de casa, o ômega falou rapidamente:

— Dara, me desculpe... esse rapaz estava preso na neve e...

Mas a senhora parecia não escutar. Os olhos fixos no homem e então, um sorriso radiante tomou conta da face enrugada da senhora. 

Jungkook, meu querido. Por que não disse que vinha?

— Quis fazer surpresa. – A voz grave do alfa derrepente suavizou: — meu carro enguiçou na neve, mas felizmente este enfermeiro... – lançou um olhar a Taehyung — ofereceu uma carona.

Sandara não parecia perceber o quanto Taehyung estava confuso.

— Querido, que menino maravilhoso você é por ter salvado o meu neto.

Neto! Taehyung olhou pra ele. Na luz clara do corredor podia ver seu rosto e, agora, o reconhecia. Fotos dele apareciam com frequência nas revistas de fofoca, acompanhadas de discussões frenéticas sobre sua conturbada vida amorosa. Jeon Jungkook era o CEO de uma famosa montadora italiana de carros esportivos, a Eleganza, um playboy multimilionário conhecido por ser um dos solteiros mais cobiçados da Europa. E neto da Sandara.

Por que não tinha notado? Perguntou-se Taehyung, impaciente. Os sinais estavam lá – o carro maravilhoso, o sotaque estrangeiro e o ar indefinido de voir-faire que só os muitos ricos possuem. Não esperava encontrá-lo, é claro. Mas por que não lhe falou quem era?

— Entrem – convidou Dara, rumando para a sala de estar. 

Taehyung a seguiu, mas sua passagem foi impedida pelo estranho – ainda se refazia do choque de saber que era neto de Sandara –, que deu um passo a frente.

— Só um momento, queria dar uma palavrinha com você... Por que exatamente você está aqui? – perguntou com o tom de voz baixo, mantendo a porta da sala entreaberta para que a avó não escutasse a conversa. — Minha avó parece perfeitamente bem, por que precisa que um enfermeiro a visite?

Lá estava outra vez o tom de voz que parecia levemente arrogante. Imagens do pobre Sr. Jeffries, que morreu sozinho, e o sorriso de Dara pela visita inesperada do neto passaram pela cabeça de Taehyung.

— Se você se preocupasse com sua avó, saberia por que eu estou aqui – disse, sentindo um leve brilho de satisfação nos olhos dele. — Não sei se está ciente de que Sandara caiu e quebrou o quadril há alguns meses. Ainda se recupera da cirurgia. 

— Claro que sei. — Jungkook não gostava da atitude agressiva do enfermeiro. — Mas entendi que sua recuperação estava indo bem.

— Tem mais de oitenta anos e não deveria morar sozinha nessa casa isolada. Seu último acidente, quando queimou a mão, é a prova disso. É uma pena que esteja tão ocupado em sua vida particular para prestar qualquer atenção em Sandara. – Lançou-lhe um olhar severo. — Entendo que é seu único parente vivo. Deveria fazer mais para ajudar sua avó. — Passou por ele. — Agora, por favor, com licença, preciso ver minha paciente.

A sala de estar parecia um forno. Pelo menos Dara não esquecia de aquecer a casa, pensou, observando Jungkook, que a seguiu pela sala tirando imediatamente o casaco. Os olhos do ômega pareciam magneticamente atraídos pelos dele, e teve uma sensação peculiar ao registar que ele era muito atraente. A calça jeans preta combinava bem com seu suéter de lã, ressaltando a simetria perfeita das feições, as maçãs do rosto suaves e o queixo fino, que lhe dava uma beleza suave, ligeiramente severa, que fazia com que o enfermeiro perdesse o fôlego.

Podia ser um artista de cinema, ou um modelo daquelas revistas de moda doadas às vezes para a sala de espera do hospital e que publicavam artigos sobre ricos e famosos abordo dos seus iates em Mônaco, pensou. O alfa o examinou e Taehyung se sentiu envergonhado quando Jungkook percebeu que estava sendo observado. Claramente não considerou que o ômega merecia uma segunda olhada. Mas por quê?, perguntou-se irritado. Não era magro nem usava roupas fascinantes como a modelo famosa Lalisa Manoban, conhecida como sua amante atual. Taehyung aceitara a muito tempo, que mesmo que fizesse uma dieta permanente, o tamanho 36 seria inatingível e sabia que naquele casaco acolchoado ele estava parecendo um urso. 

Jungkook estava irritado. A gratidão que sentiu pelo enfermeiro por salvá-lo na estrada sumiu rapidamente quando ele expressou sua opinião de que ele não cuidava da avó. Não sabia nada do seu relacionamento com Sandara e não tinha direito de julgá-lo, pensou furioso.

Adorava sua nonna, e a afirmação do ômega de que estava tão envolvido com sua vida pessoal que não dava atenção à avó era ridícula. Por mais que estivesse ocupado, sempre telefonava uma vez por semana. Era verdade que não vinha à Inglaterra há algum tempo – dês de sua breve visita no Natal. Sentiu uma pontada de culpa ao perceber que fazia quase três meses que não voltava a Nunstead.

Mas Sandara não morava sozinha. O enfermeiro estava errado sobre isso. Antes de voltar para a Itália, contratou uma governanta para cuidar da casa de Dara.

Aborrecido, olhou para Taehyung, cuja a face ainda estava escondida de baixo do cachecol. Nunca tinha visto um ômega de gorro tão feio. Mas ele não o olhava mais, observava os pés de Sandara.

— Por que há neve em suas pantufas? – O Kim franziu as sombrancelhas — Não me diga que saiu lá fora no Jardim, está gelado e você poderia ter escorregando no gelo!

— Oh, só dei uma voltinha – a idosa tinha a expressão preocupada. — Thomas desapareceu. Não consigo encontrá-lo em lugar nenhum.

— Vou procurá-lo e, depois, farei um chá. Sente-se perto da lareira pra se aquecer — falou mais firme.

Na cozinha, Taehyung encheu a chaleira e abriu a porta dos fundos. O jardim estava branco e iluminado pela luz do luar. Apertou os lábios ao ver pegadas pelo gramado coberto de neve. Graças a deus que Dara não caira; poderia ter rapidamente sofrido uma hipotermia com a temperatura abaixo de zero.

Um par de olhos verdes e brilhantes chamaram sua atenção.

— Thomas, vem para cá, seu pestinha. — Uma bola de pelos correu, mas conseguiu pegá-lo desejando ainda estar de luvas quando o gato passou as unhas afiadas em sua mão. — Teria sido sua culpa se Dara caísse — disse ao bichinho.

Sua expressão ficou seria. Essa situação não podia continuar. Para sua segurança, o ômega deveria convencer a senhora a se mudar para mais perto da cidade – ou seu neto deveria ser convencido a se responsabilizar pela frágil avó e, pelo menos arranjar alguém para acompanhá-la durante o dia em Nunstead Hall. 

Jeon Jungkook estava na cozinha quando o ômega entrou. Apesar do cômodo ser grande, tornou-se logo pequeno quando chegou sorrateiro.

— Quem é Thomas? – Perguntou ele. — E por que você está preparando o chá? Certamente a governanta pode fazer isso não?

— Esse é o Thomas – pôs o gato no chão — Apareceu na porta de casa há algumas semanas e Sandara adotou. Achamos que foi abandonado e vivia na floresta, mas buscou abrigo quando o tempo esfriou. É meio selvagem e só costuma ficar no colo da sua avó. – Acressentou ao olhar o arranhão no dorso de sua mão. E ficou aborrecida quando Thomas esfregou o rosto na perna de Jeon e ronronou — E não há uma governanta. Posso garantir – continuou. — Para ser honesto, não sei como permitiu que Dara ficasse aqui sem alguém pra ajudá-la com as compras, a cozinhar e cuidar dela... sei que deve ser muito ocupado, senhor...

— Contratei uma Governanta chamada Choi Hanaeul para cuidar da casa e minha avó da última vez em que estive em Nunstead – interrompeu Jungkook o enfermeiro. Era óbvio que ele se coçava para lhe dar um sermão sobre seus defeitos, mas ele não estava com vontade de escutar.

Como sempre, voltar a Nunstead Hall evocava lembranças de Minhyuk. Fazia 20 anos que o seu irmão mais novo se afogara no lago dos jardins de casa, mas o tempo não apaga as lembranças dos gritos histéricos da mãe nem de que o culpara pela morte de Minnie:

"— Disse pra cuidar dele. Você é tão irresponsável quanto seu maldito pai!"

A imagem do corpo sem vida do irmão ainda o assombrava. Minhyuk tinha apenas 7 anos, enquanto Jungkook 15 – idade suficiente para ser responsável pelo irmão durante algumas horas, acusavá-o a mãe, chorando. Deveria ter cuidado melhor de Minnie, deveria ter o salvado. Mas falhou.

 A culpa que Jungkook sentia por Minhyuk agora estava misturada a outra, em que novamente suas ações resultaram em consequências terríveis – embora não em uma nova morte. Mas fora um aviso. Um ano antes, um jovem ator, Kim Jonghyun, tomara uma overdose de remédios para dormir depois que ele terminara o caso com ele. Por sorte, uma amiga o encontrou e chamou uma ambulância. Jonghyun sobreviveu, mas admitiu ter tentado suicídio por que não suportava viver sem ele.

"— Sempre quis mais que um caso, Jungkook – disse, quando o visitou no hospital — Fingi ser feliz apenas como seu amante, mas sempre tive esperanças de que se apaixonasse por mim."

Para sua surpresa, Os pais de Jonghyun se mostraram compreensíveis quando Jungkook explicou que não conhecia os sentimentos dele, e que nunca prometera um casamento ou outro tipo de compromisso. Eles revelaram que Jonghyun tinha feito algo parecido com o namorado anterior. Sempre fora emocionalmente frágil, e não culpavam Jungkook pela tentativa de suicídio. Mas apesar da confiança dos Kim, ainda se sentia culpado.

Agora, ao olhar para Taehyung, sentiu um peso na consciência. Talvez estivesse certo em se preocupar com sua avó. Não conseguia entender por que Sandara morava em Nunstead Hall, mas estava decido a descobrir o que acontecera.





Notas Finais


Obrigado por ler até aqui, esperam que tenham gostado, qualquer erro me avisem para que eu possa concertar o mais breve possível

Até o próximo capítulo ^^


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