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História Chances - Capítulo 23


Escrita por: MissJohnerfield

Notas do Autor


Hey! Tudo bom?
Esse capítulo é uma continuação direta do outro. Devia ter deixado tudo junto? Devia, mas ia ficar gigante. Espero que gostem!

Música citada no capítulo: shorturl.at/aqvA8

Capítulo 23 - Twenty-three


“Eu só consigo imaginar como
Me sentiria se te tocasse
Mas se eu tivesse a chance nesse momento
Amanhã você ainda iria me querer?
Então eu devo guardar isso pra mim mesma
E nunca te deixar saber”

(I Could Fall In Love – Selena)

 

Quando terminei meu relato já estava chorando feito uma criança. Reviver aquela cena fez com que eu não conseguisse mais parar de chorar e eu me sentia completamente ridícula. Howard suspirou e me puxou para si, passando as mãos pelos meus cabelos e beijando minha testa. Abracei-o e encostei minha cabeça em seu ombro, soluçando tanto que achei que iria morrer.

— Eu me sinto tão idiota! – disse quando consegui me acalmar, fungando um pouco.

— Não se sinta. A culpa não foi sua, Anna, pelo amor de Deus – respondeu ele enquanto fazia carinho em minhas costas.

— Não consigo evitar. Ele me fez de idiota outra vez e eu fui burra o bastante pra acreditar – respondi, ainda chorando um pouco.

 — Para com isso – disse Howard afastando-se e me observando. Estava tão envergonhada que mal conseguia olhar para ele.

— Anna, olha aqui pra mim – chamou-me ele, segurando meu rosto em suas mãos e secando minhas lágrimas com as pontas dos dedos. – Você não é burra, estúpida, nem nada disso. Ele agiu como um filho da puta, não você. A culpa não é sua, ouviu bem?

Respirei fundo e concordei com um aceno de cabeça, tentando parar de chorar.

— Ótimo – respondeu Howard sorrindo torto, ainda secando minhas lágrimas.

— Obrigada – agradeci enquanto tentava controlar o choro.

— Não precisa me agradecer, eu ainda nem fui até a Night Visions quebrar a cara dele – rebateu meu amigo referindo-se a uma das casas noturnas que Alex tinha com Nick.

— E nem precisa – respondi, rindo um pouco. – Não vale a pena.

— Por você vale sim. Ele é grande, mas não é dois, eu dou conta – respondeu ele dando de ombros.

— É, diz isso pro hematoma no seu rosto – comentei olhando para ele quando finalmente consegui parar de chorar.

— Ele me pegou desprevenido – rebateu Howard.

— Sei – respondi rindo enquanto olhava-o de soslaio. – Obrigada outra vez, Howard.

— Você tirou o dia para me agradecer, é? – indagou meu amigo cruzando os braços e franzindo o cenho ao me analisar.

— É que você é a única pessoa além da sua irmã capaz de me fazer sorrir numa hora dessas. Eu aprecio isso, de verdade.

Howard sorriu torto e fez uma reverência exagerada. Em seguida, acrescentou:

— O que você quer fazer?

— Como assim? Agora? – perguntei para saber a que ele se referia.

— É, agora – respondeu meu amigo.

— Bom, além de querer matar o Alex eu queria comer alguma coisa, se você não se importa – respondi dando de ombros.

— Ok, então vamos almoçar primeiro, depois eu te ajudo a colocar fogo na casa dele – rebateu ele levantando-se do sofá e indo em direção à cozinha.

— Almoçar? Mas eu ainda nem tomei café – lembrei a ele enquanto o acompanhava, me sentindo muito mais leve depois da nossa conversa.

— Anna, já passa das duas da tarde – disse ele enquanto abria a geladeira.

De repente lembrei-me daquilo que Selena me contara semanas antes sobre as idas dele até aquele apartamento e um nó se formou em minha garganta.

— Howie... – chamá-lo assim fez com que ele olhasse para mim no mesmo instante. – Meu Deus, você parece um suricato olhando para mim desse jeito.

Howard fez uma careta e fingiu estar me imitando. Revirei os olhos para ele antes de continuar.

— Você vem sempre aqui? – perguntei enquanto sentava-me em uma das banquetas junto à da ilha.

— Que cantada ridícula é essa? – perguntou ele, rindo.

— Você é muito idiota. Não é isso – respondi na defensiva. – Eu quero saber se você vem com bastante frequência aqui, ao seu apartamento.

— Não, fazia um tempo que eu não vinha. Quer dizer, vim esses dias. Por quê? – indagou ele de maneira distraída enquanto colocava os itens que pegou na geladeira sobre a bancada na minha frente.

— Selena me contou – respondi sem pensar e me arrependi logo em seguida.

— Deixa eu adivinhar, ela te disse que venho aqui quando quero transar com alguém. É isso o que você quer saber? Se eu te trouxe aqui porque quero fazer sexo com você?

Senti vontade de cavar um buraco e enfiar minha cabeça dentro. O jeito direto dele de falar as coisas às vezes me constrangia demais.

— Não foi isso o que perguntei – respondi morta de vergonha.

— Mas é isso o que quer saber – afirmou ele.

— Mais ou menos – confessei. – Sei lá, eu só não consigo te imaginar desse jeito.

— Não consegue me imaginar desse jeito com outras mulheres ou com você? – rebateu Howard.

— Ah, meu Deus, agora eu quero morrer! Esquece que eu te perguntei isso – respondi escondendo meu rosto em minhas mãos.

Howard suspirou e se aproximou mais de onde eu estava, apoiando-se na bancada e segurando minha mão.

— Anna, eu não vou mentir. Eu nunca fui santo. Estou solteiro, mas não estou morto. Há quanto tempo você me conhece? Uns dez anos?

— Doze – corrigi quando finalmente consegui erguer o rosto e olhar para ele.

— E durante esse tempo todo você não aprendeu nada sobre mim? – perguntou ele olhando em meus olhos.

— Não é isso. É que... Sei lá, eu nunca pensei que um dia teríamos esse tipo de conversa.

— Porque você não achava que havia a possibilidade de gostar de mim de um jeito diferente – afirmou Howard me encarando com um semblante sério. Confesso que essa segurança dele me assustava; parecia que ele podia ler minha mente.

— Não precisa ter vergonha. Nós somos amigos, você pode me perguntar o que quiser. Se ainda havia alguma barreira entre nós ela foi ultrapassada ontem, quando você vomitou em mim ou jogou o sutiã na minha cara – comentou ele segurando o riso.

Revirei os olhos para ele e ri um pouco, deixando o constrangimento de lado. Howard tinha razão. Por que eu sempre me sentia envergonhada em relação a ele? Era besteira, nós éramos amigos há tantos anos.

— É sério, pode conversar comigo numa boa. Eu abri meu coração para você e só espero que faça o mesmo por mim. Tudo bem?

Assenti afirmativamente em resposta à sua pergunta e apertei sua mão. Howard começou a brincar com as minhas unhas, passando a ponta dos dedos por cima do meu esmalte.

— Respondendo sua pergunta, eu não te trouxe aqui porque queria me aproveitar de você ou coisa assim. Não vou mentir, foi difícil demais para mim quando dormimos juntos ontem, mas eu jamais faria algo assim com quem quer que seja – disse ele ainda passando os dedos pelas minhas unhas. – Eu te trouxe aqui por medo da reação da sua mãe se te levasse direto para sua casa. Também não quis te levar até à casa dos meus pais porque com certeza minha mãe me daria uma surra se soubesse o que aconteceu e que eu não fiz nada pra te ajudar.

Morri de vergonha ao ouvir o que ele dizia sobre mim, e ao mesmo tempo me senti idiota por pensar mal dele.

— Não foi culpa sua. Nós nem estávamos juntos, você estava trabalhando – respondi.

— É, tenta explicar isso pra minha mãe – rebateu ele revirando os olhos. Depois de um tempo, continuou:

— No outro dia, quando vim para cá, precisava de sossego para trabalhar naquela música que te mostrei quando te chamei lá em casa – confessou Howard. – Mesmo tendo o estúdio lá em casa, eu sabia que minha mãe iria até mim de cinco em cinco minutos e eu precisava trabalhar em paz, então vim até aqui para colocar as ideias no lugar.

— Essa música... É aquela que você se referiu no programa? – perguntei curiosa.

— Sim – respondeu ele, sorrindo.

— Posso ouvir?

— Não – rebateu ele quase ao mesmo tempo.

— Por quê? – perguntei decepcionada.

— Porque eu quero te mostrar quando ela estiver pronta.

— Tudo bem – respondi conformada. – Aquilo que você disse sobre ela... É verdade? – perguntei cautelosa.

— Qual parte? – indagou ele.

— Que você se inspirou na gente para compor a letra – falei um tanto constrangida.

— Sim – confirmou ele. – E quando você ouvir quero que preste atenção em cada palavra, porque é como me sinto em relação a você.

Ignorando o frio que sentia no estômago, assenti afirmativamente e Howard sorriu. Soltando minha mão, ele voltou à cozinha e disse que ia improvisar um brunch, já que eu havia reclamado que não havia sequer tomado café da manhã e que era morta de fome. Ajudei-o a arrumar a mesa e, quando tudo ficou pronto, comi mais do que devia.

— Você cozinha muito bem – respondi enquanto terminava de comer as panquecas com geleia de frutas vermelhas.

— Obrigado. Se eu não fosse cantor, com certeza faria gastronomia – respondeu ele.

— Achei que você seria dançarino de Salsa – provoquei-o. Howard me encarou por alguns segundos, parecendo pensar em sua resposta.

— Você é ridícula – disse ele por fim quando começou a tirar as sobras de cima da mesa. Rindo, levantei-me e ajudei meu amigo a colocar as coisas no lugar enquanto terminava de comer algumas frutas.

Mais tarde, depois de organizarmos a cozinha, sentamo-nos no sofá e resolvemos assistir qualquer coisa que estivesse passando na televisão. Passado poucos minutos, Howard começou a cochilar ao meu lado.

— Você parece meu harabeoji, onde encosta dorme – comentei referindo-se ao meu avô paterno.

— E você parece uma mula quando dorme. Me chutou tanto durante a noite que eu mal consegui descansar – respondeu ele meio sonolento.

Ignorei sua provocação e continuei trocando de canal até achar algo interessante. Durante alguns instantes naquela tarde, Howard me fez esquecer todos os problemas que estavam acima da minha cabeça naquele momento, e mais do que nunca me senti grata a ele por tudo o que havia feito sem que eu ao menos pedisse.

Então era isso o que Nari vivia me contando sobre o amor, desde que eu era menina? Que ele era uma questão de escolha, uma decisão que tomávamos todos os dias em prol da pessoa que a gente escolheu amar? Será que Howard havia decidido me amar, por isso sempre fazia tanto por mim? Sorri ao pensar na possibilidade e, me aproximando dele, passei as mãos por seus cabelos e analisei seu semblante tranquilo por um momento antes de dizer o seguinte:

— Quer saber o porquê demorei tanto para te contar sobre o que Nari me disse? Porque eu sempre te vi como um amigo, e só me dei conta que realmente gosto de você quando pensei que havia te perdido. Ao me contar essa história, ela não me disse que tanto o amigo quanto a pessoa com quem eu gostaria de me casar podiam ser a mesma pessoa. 


Notas Finais


Besitos e até o próximo! ❤️


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