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História Chances - Capítulo 6


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Notas do Autor


Música citada no capítulo: shorturl.at/rwMW4 ❤️

Capítulo 6 - Six


“E estou sem palavras
Olhando para você, ali de pé naquele vestido
O que está fazendo comigo, não é um segredo (...)

Você já sabe que você é minha fraqueza”

(Speechless - Dan + Shay)

 

— Alex? O que faz aqui? – indaguei sem conseguir esconder minha surpresa. – Achei que tínhamos combinado de almoçar. Eu ainda nem tomei café da manhã.

— Me desculpe aparecer assim sem avisar. Meus compromissos terminaram mais cedo e eu não quis voltar para casa porque achei que demoraria muito para chegar aqui na hora combinada.

— Estava regando as plantas do jardim da frente quando o vi dentro do carro. Imagina que ia deixá-lo esperando lá por duas horas! – exclamou Nari ainda alegre e eufórica com a presença dele.

— É justo – disse eu concordando com seu raciocínio. – Me desculpe pela grosseria. Quer tomar café da manhã comigo?

— Claro – respondeu ele sorrindo de canto. Deus, aquele sorriso... Confesso que mesmo tendo sentido raiva dele por muito tempo depois que terminamos – até hoje me sinto um pouco ressentida, aliás – achava incrível como qualquer gesto vindo dele mexia comigo. Aquele dia que nos encontramos na boate eu agi feito uma boba, porque era esse o efeito que ele ainda tinha sobre mim.

Sentamo-nos à mesa e depois de muita insistência de nossa parte, Nari se juntou a nós. Conversamos sobre frivolidades de nossas rotinas enquanto relembrávamos algumas coisas também. Depois de algum tempo, Nari levantou-se dizendo que tinha que começar a organizar as coisas para o almoço dos funcionários – mamãe almoçaria com algumas amigas e papai raramente vinha almoçar em casa. E Alex e eu, claro, almoçaríamos fora. Quando terminamos o café, uma de nossas funcionárias veio retirar a mesa e Alex se prontificou a ajudá-la – e eu fiquei maravilhada com a cena.

— Imagina! – exclamou ela – Você é convidado da senhorita Anna. Se Nari vir que estou te deixando fazer meu trabalho ela me mata!

— Mas não me custa nada – respondeu ele dando de ombros.

— Mesmo assim! Eu agradeço a gentileza, mas é melhor o senhor ficar onde está. Com licença – disse ela retirando-se e indo em direção à cozinha.

— Obrigada, Agnes – agradeci enquanto me levantava. Ela sorriu para mim por sobre o ombro e continuou seu caminho.

— Isso é muito surreal para mim – comentou Alex.

— Infelizmente a gente se acostuma. Bom, eu vou subir para me trocar. Aonde vamos?

— Se eu contar não tem graça – disse ele todo misterioso.

— Mas eu preciso saber o que vestir! Eu não posso usar longo se nós iremos comer em algum food truck, por exemplo.

Alex riu e eu comecei a rir também. Não sabia o que era tão engraçado, mas sua risada era contagiante.

— Você acha que eu teria coragem de te levar para almoçar em um food truck depois de ficarmos quinze anos sem nos ver?

— Não sei, oras. Algumas coisas mudam, outras não – disse eu sorrindo ao me lembrar da vez em que tivemos nosso primeiro encontro. Alex sorriu também.

— Isso com certeza mudou – comentou ele percebendo a que eu me referia. – As únicas coisas que posso te dizer é que eu espero que você goste do lugar e que... Bom, você fica linda até com esse pijama cor-de-rosa.

Senti meu rosto queimar feito uma brasa e fiquei totalmente sem jeito. Se ele sonhasse em saber o efeito que causava em mim, faríamos amor aqui e agora em cima do piano da sala de jantar.

— Eu já volto – disse eu deixando-o e subindo as escadas rumo ao meu quarto.

- - - - - ◈ - - - - -

Enxuguei as lágrimas que teimavam em escapar e parei de andar. Acho que já estava caminhando há uns vinte minutos debaixo daquele sol quente, mas não me importava mais. Me sentia tão humilhada e sozinha que nem tive coragem de ligar para o motorista me buscar. Eu tinha certeza que assim que pusesse os pés em casa o interrogatório começaria, então resolvi ir andando para tentar esfriar a cabeça.

Não, eu não tinha levado um fora de um menino, mas fiquei sabendo que as pessoas que eu considerava meus amigos se aproximaram de mim por interesse. Eu sempre fui sozinha, tímida, reservada... Quando aquela cambada de idiotas se aproximou eu sabia que alguma coisa estava errada, mas achei que fosse paranoia minha. Ouvindo todas aquelas atrocidades que eles falavam pelas minhas costas, descobri que eu estava certa e me odiei por ter ignorado o sinal vermelho dentro da minha cabeça.

Sentei-me em um banco em frente à lojinha de produtos coreanos que tinha perto de casa e desabei novamente. Não sei quanto tempo fiquei ali, mas quando percebi que devia estar parecendo patética demais e afastando a freguesia do senhor Choi, juntei minhas coisas e decidi que iria para casa. Quando ergui os olhos, vi um garoto parado na minha frente, me oferecendo uma garrafa de Chilsung Cider. Enxuguei os olhos e vi que era Alex, o “bad boy das entregas” como o apelidei em minha cabeça. Ele não era uma pessoa má, longe disso. Eu o chamava assim pelo estilo dele: sempre usando calças largas, brinco pequeno de argola nas orelhas, às vezes um boné e óculos de sol. Parecia aqueles rappers e membros de boybands dos anos 1990 que sempre faziam o papel do bad boy pelo qual as meninas suspiravam – inclusive as vacas que estudavam comigo. Me sentia mal só de lembrar daquelas idiotas.

— Eu não vou perguntar se está tudo bem porque é óbvio que não está. Mas eu estava saindo para fazer um intervalo e pensei que talvez você precisasse de alguém para desabafar. Eu sei que não somos amigos nem nada, mas minha mãe sempre diz que às vezes as pessoas que estão de fora ajudam mais do que aquelas próximas a nós. - olhei para ele confusa enquanto ele se sentava ao meu lado. – Toma. Isso é para você. Foi o senhor Choi quem me pediu para te entregar.

— Obrigada – agradeci enquanto pegava a garrafa de refrigerante da mão dele. Tomei alguns goles e tentei me acalmar enquanto processava o que tinha acabado de acontecer. As pessoas que eu considerava meus amigos não se importavam comigo, e esse garoto com quem eu mal conversava estava se oferecendo para me ajudar? Realmente, como Nari dizia, Deus sempre coloca as pessoas certas em nosso caminho, só temos que estar atentos aos sinais.

Após alguns minutos de silêncio, ele se levantou e ofereceu sua mão para mim. Aceitei e ele ajudou-me a me levantar, recolhendo meu blazer do uniforme e minha mochila também, colocando-a por sobre um dos ombros.

— Quer comer alguma coisa? Olha, não é nenhuma daquelas comidas chiques que eu sei que você está acostumada a comer, mas eu aposto que você vai se sentir mais alegre.

— E como pode ter tanta certeza? – perguntei a ele um tanto desconfiada.

— Já viu alguém triste enquanto comia pizza? – indagou ele como se perguntasse se dois e dois podiam resultar em cinco.

— Não – ri enquanto o acompanhava pela rua.

— Viu? Já está funcionando! – exclamou ele e sorriu para mim. Fomos conversando o caminho todo até uma pizzaria que tinha há duas quadras dali, e eu nem percebi que ele só soltou minha mão quando abriu a porta do local para que eu passasse.

Depois de contar tudo o que havia acontecido, Alex parecia indignado com o que ouviu e disse que sentia muito. Conversamos por um bom tempo e ele até me contou algumas histórias a que eu custei acreditar serem verdadeiras. Não porque ele fosse um mentiroso. Pelo contrário, me pareceu ser bem sincero; é que ele tinha aquele ar de ser alguém popular, que tinha vários amigos e era muito querido por todos.

— É sério, Anna! – disse ele rindo um pouco. – Quando era pequeno, eu tinha sigmatismo e isso até me fazia gaguejar um pouco. Eu morria de vergonha, então me afastava das outras crianças porque eu nunca queria conversar com ninguém. Aí depois que eu comecei a participar das atividades de artes da escola, passou. Minha mãe me matriculava em tudo quanto era coisa e eu adorava.

— Que tipo de aulas você fazia? – perguntei um tanto curiosa.

— Ah, um pouco de tudo. Aulas de teatro, de canto, jazz, ballet....

— Você? Fazendo ballet? Desculpa, eu não imagino isso – comecei a rir e Alex riu também, corando um pouco.

— Eu também não imagino que esses mauricinhos tiveram coragem de fazer isso com você. Você é muito legal, não merecia isso.

— Obrigada, Alex. Mas no momento você e Nari são os únicos a acharem isso.

— Olha, vamos fazer um trato. Sempre que você quiser conversar, pode me procurar na lojinha ou ligar para mim, tudo bem?

— Você está dizendo que quer ser meu amigo? – perguntei custando a acreditar. Alguém realmente me achava legal e estava se oferecendo para ser meu amigo. Eu sabia que o mundo dava voltas, mas não que as coisas aconteciam rápido assim.

— Sim. Mas só se você quiser – disse ele erguendo uma das sobrancelhas.

— Tudo bem, oppa – respondi e uma expressão confusa cruzou seu rosto.

— Do que você me chamou? – indagou Alex.

Oppa. É uma palavra coreana que usamos para nos referir a um rapaz mais velho, como um irmão por exemplo.

— E quem te disse que eu sou mais velho? – perguntou ele em um tom de desafio.

— Sei lá, parece – respondi. – Qual a sua idade?

— Fiz dezoito em janeiro. E você?

— Você não deveria cursar o último ano ao invés de trabalhar na lojinha quase o dia todo? – perguntei.

— Sim, mas acontece que terminei ano passado. Minha mãe precisava trabalhar e mentiu minha idade quando entrei no primário, então fiquei adiantado. Você não respondeu minha pergunta.

— Ah, claro. Desculpe. Faço dezesseis daqui a dois meses.

— Precisamos comemorar! Afinal, só se faz dezesseis uma vez na vida – disse ele como se fosse o aniversariante, e não eu.

— As demais idades também, e nem sempre a gente comemora. Essa é a última coisa em que estou pensando, Alex. Mas agradeço o entusiasmo – disse sendo sincera.

— Não se preocupe com isso. Agora você tem alguém além da Nari com quem contar. Eu serei o seu oppa daqui em diante, seja lá o que isso signifique. Ok?

— Ok – respondi agradecida e sorrindo para ele.

- - - - - ◈ - - - - -

— Você está linda – disse Alex quando desci as escadas. Eu usava um vestido simples e um par de sapatilhas porque o dia estava bem quente. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo, mas de nada adiantou, já que senti o suor começar a se acumular em minha nuca.

— Obrigada – sorri e peguei minha bolsa em cima do piano, como de costume.

Fomos até seu carro e ele abriu a porta do passageiro para mim. Me senti lisonjeada e custei a acreditar que todo aquele rancor de dias atrás tinha desaparecido feito pó. Até me assustei com a rapidez que meu cérebro fingia ter esquecido o quanto ele me fez sofrer.

— Aonde vamos? – perguntei.

— Você já vai descobrir.

Após alguns minutos em seu carro, chegamos a um parque que eu conhecia muito bem. No meu aniversário de dezesseis anos, após brigar com minha mãe por querer me forçar a fazer uma festa gigante que eu não queria de jeito algum, saí de casa e liguei para Alex contando o que havia acontecido. Àquela altura estávamos bem próximos um do outro, e ele disse que me buscaria dali à uma hora para uma surpresa que havia preparado para mim. Quando chegamos ao local, ele e Nari haviam preparado um piquenique lindo para comemorar meu aniversário. Aquele dia nós nos divertimos muito, e foi a primeira vez em que desconfiei que talvez pudesse estar enxergando Alex de maneira romântica.

Abrimos o porta-malas do carro e tiramos um cooler, uma sacola com uma toalha xadrez cor-de-rosa e uma cesta de piqueniques.

Sorri ao ver tudo aquilo e me senti aquela menina de dezesseis anos novamente, descobrindo o amor na pessoa do melhor amigo.

— Você teve todo esse trabalho por mim? – indaguei completamente surpresa.

— Sim, mas Nari me deu uma mãozinha quando descobriu. Os créditos não são todos meus.

— Mesmo assim. Eu amei, Alex! – respondi cheia de entusiasmo enquanto caminhávamos pelo gramado procurando uma sombra próxima às árvores. – Muito obrigada!

— Era o mínimo que eu podia fazer por você. Fico feliz que você gostou, de verdade. – disse ele sorrindo.

Eu não sabia o que aconteceria conosco, se aquilo era realmente um encontro ou algo assim, mas a parte de mim que temia se entregar a ele outra vez de repente foi embora. Apesar de ainda ter dúvidas e precisar esclarecer algumas coisas, percebi que se dependesse do meu coração, aquilo seria fichinha perto do que poderíamos viver dali em diante.

 



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