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História .changes - 2jin - Capítulo 1


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Notas do Autor


O título bem nada haver pq eu tava sem ideia kjjj eu torrei meu cérebro escrevendo isso aqui, bom dia

Capítulo 1 - Single


Hyunjin nunca fora uma garota muito enturmada. Nas reuniões de família, procurava um cantinho escondido para ficar, em casa, sentava na última cadeira, a mais distante de todas, na hora do jantar. E no colégio, caso tentasse se enturmar, receberia diversos xingamentos, insultos e deboches.

Não era ruim para a morena ficar sozinha. Não se sentia encaixada na sociedade, nunca se sentiu. Sequer ficava confortável ao lado de sua família.

Sempre mantinha a mesma frase em sua mente; antes sozinha do que mal acompanhada.

Repetia isso sempre. Afinal ficar sozinha não era algo ruim, era prazeroso e reconfortante. Podia fazer tudo o que lhe entendesse sem ser julgada.

Mas acontece que nem sempre foi assim. Hyunjin já foi uma pessoa, diga-se de passagem, "famosinha" em seu colégio, e também já foi mais presente em reuniões de família. Porém, depois de vazarem boatos de que Hyunjin foi pega beijando uma garota no cantinho mais escuro de uma festa, a vida desta passou a ser um inferno.

Não esperava que fosse haver tantos comentários negativos, tantas críticas sobre algo que era diretamente sua escolha e não afetava a ninguém, até mesmo da parte de sua família.

Se abalou por muito tempo, mas quando superou, se viu em uma ótima oportunidade para ser feliz, infelizmente sozinha. Já tinha seus amigos na internet mesmo. Trabalhava durante o período noturno como segurança de uma antiga fábrica e apenas conseguia dormir de verdade durante a tarde. Era algo corrido, mas tudo estava dando a entender que melhoraria com o tempo.

Ou seja, tinha sua vida perfeita. Na verdade quase, vendo que seu maior desejo era ir embora da casa dos pais e morar sozinha. Aquele lugar não podia ser chamado de casa, não era harmonioso, não era reconfortante e raramente conseguia extrair o que chamam de lazer. Apenas estava feliz com seus amigos, na internet.

Houvera um belo dia, em uma manhã fria e ensolarada, que receberam a notícia de que uma nova aluna havia entrado. Ninguém deu bola, todos ignoraram a existência da pobre garota, ainda mais depois de descobrirem que ela supostamente necessitada de tratamentos especiais.

Hyunjin estava sentada em sua mesa isolada das demais, no fundo da sala bem ao canto direito, marcando um chiclete que já não tinha mais gosto enquanto deixava a música de seus fones lhe acalmar os músculos e soltar um manhoso bocejo, indicando também o seu sono.

Quando a porta de abriu, fora revelada uma garota extremamente linda. Ela não era tão alta, seus cabelos tinham uma cor avelã e pareciam ser bem macios. Sua pele lisa livre de impurezas e imperfeições era semelhante à pele de um bebê. As maçãs do rosto coradas, por conta da timidez criada através de tantos olhares em sua direção. Seu olhar era profundo e intenso, seus orbes brilhavam como nunca, curiosos enquanto vagavam por toda a sala. E, para finalizar, seus belos lábios carnudos e desenhados destacados por uma fina camada de gloss, chamativos e atraentes.

Mas algo também lhe chamava muito atenção, e também lhe deixava um tanto intrigada. Haviam espécies de tubos bem finos em suas narinas, e, atrás de si, um enorme tanque de oxigênio com rodinhas em baixo. Algo curioso.

Hyunjin sentiu o coração falhar, estremeceu da cabeça aos pés e piscou repetidas vezes, se perguntando se aquilo era algum tipo de miragem por conta do sono. Parecia que haviam até mesmo luzes reluzentes atrás da garota, lhe dando certo destaque.

Porém, uma carranca se formou ao rosto da Kim ao receber um choque de realidade com os assovios e elogios nada discretos de alguns garotos nos quais considerava nojentos.

Revirou os olhos e se aconchegou em seus braços, estes que estavam apoiados na mesa toda rabiscada e acabada por conta de outros alunos. Sentiu aquele cheiro forte de produtos químicos nos quais as faxineiras sempre usam afim de tirar marcas e desenhos, e em seguida uma forte dor de cabeça veio a lhe incomodar.

Não prestou mais atenção em nada depois de tudo o que aconteceu. Apenas se permitiu fechar os olhos, por conta de suas pálpebras estarem pesando, e nem se deu conta de que a garota nova havia se sentado praticamente ao seu lado, já que não havia mais espaço nos outros lugares.

A princípio, a de cabelos acastanhados se sentiu extremamente desconfortável, porque naquele fundo estava rodeada de garotos que lhe encaravam como se fosse um pedaço de carne. Por isso começou a procurar por algum lugar livre nas partes mais a frente do lugar, porém não o encontrou.

Soltou um suspiro, seria um longo e chato primeiro dia na escola nova. Gostaria de conhecer melhor o lugar, mas ninguém se ofereceu a lhe apresentá-lo, apenas os garotos nos qual jurou serem as últimas pessoas no mundo que iria ter algum tipo de contato.

De repente, quando olhou para o seu lado direito, encontrou uma garota de cabelos negros dormindo. Seu visual era estiloso, estava dormindo com os fones no ouvido em um som ensurdecedor. Se perguntou como alguém conseguiria dormir assim, mas deu de ombros.

Um pouco hesitante, esticou sua mão na direção da garota, pronta para lhe tocar o ombro com o indicador, mas foi impedida por uma voz masculina atrás de si.

— Você vai logo tentar se enturmar com a sapatão excluída?! Eu não faria isso se fosse você.— comentou debochado e risonho, arrancando risadas baixas de seus colegas. — Vai por mim, acho que você não gostaria de ter uma sapatão te secando pro resto da vida, huh?

A acastanhada revirou os olhos, tocando Hyunjin de uma vez. Sussurrando baixinho algo como um "Com licença." bem suave e em um tom educado.

— Ela encostou na sapatão!!— alguém gritou fingindo espanto. — Se for contagiante, nós estamos ferrados!— de repente a sala toda começou a rir. Aquilo era um pesadelo.

Os olhos da garota foram na direção do professor que estava a dar aula, o mesmo ignorou. Aquele tipo de brincadeira parecia ser bastante comum, vendo que até mesmo um professor a ignorou.

— Ahm... Me desculpe, eu... É...— murmurava enquanto tocava no ombro da Kim, nervosa, querendo que a mesma lhe desse logo uma resposta.

Repentinamente, Hyunjin se levantou, parecia estar nervosa. Tirou seus fones de ouvidos já começando a falar em uma entonação grossa e irritada.

— Cara, não me faça ter que te bater de novo! Eu já disse que não vo-

Foi então que o rosto de Hyunjin começou a pegar fogo. Não era o idiota do Kyungsoo lhe irritando, era a aluna nova, esta que parecia ter ficado em uma posição recuada, com medo de ter feito algo errado.

— Digo, perdão.— murmurou a Kim, um tanto sem graça, o que arrancou risadinhas vindas de pessoas sentadas mais a sua frente. — Você precisa de alguma coisa?

— Bom eu... É que... Ninguém me apresentou a escola ainda.— respondeu um tanto amedrontada. — Mas a esse ponto, nem sei se quero conhecer o resto.— dissera sem esperanças, um pouco cabisbaixa. — Desculpe por te incomodar.

Hyunjin sentiu seu coração partir em dois com a cena da aluna nova triste. Odiava ver os outros naquele estado, ainda mais quando a culpa era de seus amáveis colegas de classe.

Também se sentiu surpresa, já tinha noção de que a garota provavelmente sabia de seu suposto "segredo" que todos faziam questão de expor e zoar sem piedade. Estava surpresa porque ela não se dirigiu a si com feição de nojo, medo ou deboche.

— Seria um prazer te apresentar a escola.— dissera com firmeza no tom de voz, esboçando um sorriso de cantinho. — Lhe garanto que, apesar de alguns alunos tóxicos, é um lugar agradável.

— Obrigada!— exclamou empolgada e sorridente. De repente, esperança cresceu em si, talvez aquele lugar não fosse tão ruim quanto aparentava ser. — Eu sou Heejin. Jeon Heejin.

— Kim Hyunjin.— respondeu formal. — É um prazer lhe conhecer. Talvez possamos conversar mais livremente no intervalo, enquanto você conhece a escola.

— Combinado!

E então Hyunjin voltou à sua posição inicial, deitada. Não estava disposta a copiar as matérias passadas na lousa, portanto concluiu que poderia apenas tirar uma foto do quadro e copiar tudo em sua casa.

Passou o resto das aulas pensando em tamanha gentileza que Heejin possuía naturalmente. Aquele olhar repleto de purezas lhe aqueceu o coração, por isso ficava se lembrando do mesmo a todo momento.

Nunca passou por sua mente que depois de muito tempo sendo excluída daquele jeito alguém lhe direcionaria alguma palavra de forma gentil.

Era como se pela primeira vez depois de meses, uma simples conversa fazia-lhe se sentir em casa.

Quando o terceiro sinal soou pelo colégio, indicando o intervalo das aulas. Hyunjin se levantou nervosa, sendo acompanhada por uma Heejin empolgada e alegre.

Jogaram conversa fora enquanto Hyunjin lhe apresentava todos os cantinhos do lugar. Desde a quadra, até a piscina, os vestiários, a cantina, e as diversas salas.

Estava se divertindo e se entretendo, apesar de ter uma pequena paranoia lhe incomodando. Algo lhe dizia que Heejin não estava de fato gostando de sua presença, e que estava apenas lhe aturando porque foi a única pessoa que restou para conversar. Isso fez Hyunjin se sentir triste e insegura, e a Jeon logo percebeu, o que a fez puxar a Kim até um banco para que pudessem se sentar e aproveitar o resto do intervalo.

— Você não parece muito bem.— comentou a Jeon como quem não queria nada, observando o enorme jardim da escola, onde haviam os alunos do ensino fundamental correndo pelo gramado, ou fazendo um piquenique, como se alí fosse um parque.

— Que nada! Eu estou ótima.— dissera, lançando um sorriso torto nada convincente para Heejin. — Eu só... Sei lá. Não é todo dia que alguém é gentil comigo. Na verdade isso nunca mais aconteceu depois de descobrirem que eu... Gosto de garotas.— desabafou ao que soltava um suspiro aliviado pela fala que estava presa em sua garganta. — Você realmente quer continuar conversando comigo?! Eu entendo se quiser procurar outras pessoas para se enturmar, eu também procuraria se fosse você. Eu não sei se pareci ser meio chata ou se eu-

— Hyunjin!— exclamou, interrompendo a fala desesperada da garota. — Não é sua sexualidade que vai fazer eu me afastar e te odiar.— falou. — Eu adorei conversar com você, você é gentil, carinhosa com as palavras e tem um senso de humor muito bom! Sua sexualidade não anula nada disso. Nada!— dissera afim de transmitir confiança para a Kim, esta que pareceu ficar um pouco emocionada. — Admito que fiquei com um pouquinho de medo, porque seu estilo e jeito dão a entender que você é uma durona que soca todo mundo que fica no seu caminho e apaga um cigarro na garganta das pessoas.— riu, sendo acompanhada por gargalhadas de Hyunjin. — Mas o pouco que eu conversei com você já fez eu perceber que minhas primeiras impressões estavam completamente erradas, você é um doce de pessoa!

Hyunjin corou. Esboçara um sorriso de soslaio para a Jeon, que lhe encarava com aqueles olhos encantadoramente brilhantes. — Posso te fazer uma pergunta..?— indagou, mudando totalmente de assunto.

— É sobre o tanque de oxigênio?— perguntara, já recebendo um aceno surpreso vindo da Kim. — Imaginei. Estava demorando para alguém me perguntar isso.— comentou ao que soltava uma risada nasal. — Eu tenho uma doença rara chamada fibrose cística.— dissera. — É uma doença bem complexa, mas isso resumidamente afeta meus pulmões.— esclareceu.

— E isso tem cura?— indagou agora um tanto preocupada com a garota, vendo que parecia ser algo de caso extremo, e totalmente desagradável.

— Infelizmente não. Mas meus pais marcaram de fazer um transplante de pulmão, estou na fila já tem um tempo, e um médico disse que eu precisaria fazer isso o quanto antes, caso contrário eu... Bom... Eu não duraria muito tempo.— dissera, um tanto amedrontada, com a voz trêmula.

Hyunjin soltara um suspiro nervoso, era uma situação muito tensa, não sabia o que dizer para consolar a Jeon, por isso optou por tentar mudar o rumo do assunto de forma delicada.

Aquele fora um dos melhores dias da vida de Hyunjin. Tanto que, quando estava indo para casa, caminhando em meio a uma chuva forte, sequer se importou se suas coisas iriam se molhar ou não. Seu sorriso enorme e radiante não ousou murchar, nem mesmo quando entrou e cumprimentou seus pais, recebendo nada mais que acenos.

Havia pego o número de Heejin para conversar, então estava mais feliz ainda. Teria chance de conversar com a acastanhada fora da escola.

Logo contou sobre tudo o que aconteceu para seus amigos, empolgada e alegre.

Passou a tarde conversando com a Jeon e, quando se arrumou para trabalhar, fez questão de colocar créditos no seu celular, para continuar conversando durante o serviço, apesar de ser algo arriscado.

Ambas tiveram a oportunidade de se conhecerem mais e, apesar de terem gostos diferentes, também tinham muito em comum. Algumas vezes, saíam durante a tarde para se encontrar em pontos turísticos da cidade, sempre conversando alegremente com sorrisos que eram capazes de expressar tudo o que sentiam.

Hyunjin sentia seu coração falhar quando dizia algo e a Jeon completava com tanta sincronia, era um evento que acontecia com bastante frequência, mas que não deixava de ser único e especial para a Kim. Era como se suas mentes estivessem conectadas.

Houve um dia em que Heejin convidou a morena para visitar sua casa, tal convite que fora aceito sem hesitação.

Hyunjin teve a oportunidade de conhecer os pais da Jeon, estes que disseram o quanto Heejin falava de si o dia todo, e se empolgava sempre que o assunto era Kim Hyunjin.

A mais nova notou também que os pais da garota, que já eram de idade, também tinham uma feição entristecida e preocupada quando encaravam a acastanhada, algo que preocupou o coração de Hyunjin. Ainda não haviam recebido notícias do transplante.

Mas fora isso, havia achado o casal extremamente simpático e alegre, assim como a filha tão preciosa e gentil.

Sentiu-se triste. Gostaria de ter pais assim também.

Acordou de seus devaneios quando sentiu os dedos da Jeon se entrelaçando nos seus, lhe puxando pela escadaria até chegar em seu quarto. Fez questão de ajudar a acastanhada a levar seu tanque de oxigênio consigo, arrancando uma risadinha sem graça da mesma por conta de estar quase levantando-o e levando sozinha pelas escadas.

Era um lugar lindo, as paredes tinham um tom rosa pastel, sua cama era repleta de enormes pelúcias, no criado mudo estava seu celular carregando junto de alguns papéis.

Havia uma cortina enorme que, ao ser aberta levava para uma bela sacada na qual proporcionava uma bela vista da rua, e também havia uma escrivaninha, com um notebook, e uma garrafa de café, provavelmente frio.

Sem contar que o lugar tinha um cheiro extremamente agradável, era o cheirinho único de Heejin, aquele aroma doce, com uma pontinha de lavanda no final, era totalmente inconfundível.

Heejin sentiu seu coração palpitar quando fechou a porta, ainda sem soltar a mão da mais nova. Deixou um sorriso ansioso desabrochar em seus lábios e levou a Kim até sua cama.

— Você dorme com tudo isso?!— indagou a Kim, de fato impressionada, observando a garota arrumar os tubos ligados em seu nariz. 

— Bom, eram travesseiros e almofadas antes, porque eu gosto de dormir abraçada com algo, ou simplesmente ficar entre coisas macias.— explicou simplista, pegando uma pelúcia de gato que havia entre as várias e acariciando-a como se fosse de fato um animal.

— Então suponho que se um dia eu vier dormir aqui, eu possa substituir essas pelúcias.— sussurrou mais como um pensamento em voz alta, sentindo o rosto queimar quando encarou Heejin no fundo dos olhos e viu seu rosto ganhando um tom avermelhado.

Suas mãos, que curiosamente ainda estavam entrelaçadas, se apertaram, e Hyunjin sentiu como se sua alma fosse sair do corpo quando fitou as próprias coxas e sentida o nariz quente da Jeon roçando em sua bochecha.

— Eu acho que seria uma ótima ideia.— murmurou por um fio de voz, sentindo seu coração palpitar cada vez mais rápido e sua respiração falhar. 

Levou sua canhota até a outra bochecha da Kim, acariciando a mesma com o indicador enquanto seu polegar deslizava suavemente pelos lábios desenhados da Kim.

Fez uma leve pressão ali, virando lentamente e cautelosamente o rosto de Hyunjin, até que seus lábios estivessem rentes um ao outro, com os narizes roçando e os olhos se fechando automaticamente.

Logo, os doces lábios de Heejin tomara o lugar de seu polegar, e depois de semanas andando ao lado de Hyunjin, finalmente pôde provar do gosto que tanto lhe despertava curiosidade.

Aproveitou muito daquela singela troca, aprofundou-se de forma intensa, fazendo os lábios se encaixarem mais precisamente um no outro, o que arrancou arfares de ambas.

Suas mãos se encontraram e, em seguida, Heejin separou os lábios por um breve momento para que pudesse se deitar calmamente, sendo acompanhada pela Kim, que ficou em cima de seu corpo frágil.

Após isso, voltaram a se beijar calorosamente, conhecendo um pouco mais intensamente uma a outra.

Gostariam de ficar alí para sempre, naquele mundo que as duas haviam acabado de criar. Onde tinham paz, e podiam ser felizes sozinhas, sem precisar de mais ninguém.

Quando se separaram minimamente, apenas para poder respirar, seus lábios continuaram roçando um no outro. Era possível sentir o sorrisinho mínimo que crescia nos lábios de Hyunjin enquanto esta tentava acalmar seu coração ao que sua destra preenchia a bochecha da Jeon com um carinho viciante e prazeroso.

Depois de passarem mais um tempo ali, trocando carícias a beijos. Heejin fez menção em se levantar, logo sendo acompanhada pela mais nova.

Segurou sua mão e lhe levou para a varanda. O sol estava se pondo. Era uma visão privilegiada incrivelmente bela.

Mas Hyunjin preferia outra visão privilegiada, preferia ter a atenção dos olhos de Heejin só para si.

Sua paixão era tão grande, estava tomada por este sentimento que parecia crescer cada vez mais em uma chama enorme.

Por isso, levou as mãos até o rosto delicado da Jeon, encarando-a nos olhos enquanto os seus sentiam o prazer de poder observa-la tão de perto.

Heejin sentiu as bochechas queimando mais uma vez, foi então que soltou um sorrisinho sem jeito, ato este tão simples que fizera o coração da Kim disparar com tanta facilidade.

Seus lábios foram tomados em um beijo estimulante. Novamente as duas se sentiram isoladas do mundo todo, focando toda a atenção naquele ato singelo e doce, que faziam seus corações se acelerarem.

O ósculo foi curto, mas longo para as duas. Após se separarem, a Jeon abraçou fortemente Hyunjin, afundando o rosto em seu pescoço. Sentiu uma pontinha de tristeza e algumas lágrimas se acumulando ao ter curtos flashbacks de quando estava no hospital, mas os ignorou.

"Eu ainda preciso contar pra ela." pensou nervosa, soltando um suspiro trêmulo e apertando o abraço.

Hyunjin pôde sentir que Heejin não parecia se sentir confortável, tudo isso apenas pelo jeito que a mesma lhe abraçava.

Por isso, fez questão de levar sua destra até os fios acastanhados e os pentear calmamente, inalando o cheirinho do shampoo de seu cabelo após deixar um beijo no topo de sua cabeça.

Sempre foi muito envergonhada e hesitante, por isso optou ficar quieta e apenas proporcionar conforto com seus atos.

Infelizmente, lembrou-se de que, apesar de ser sábado, ainda precisava trabalhar.

Com um semblante triste, sussurrou que já estava de saída no ouvido de Heejin, ouvindo murmúrios manhosos e tristes vindos da mesma.

Seu trabalho era cansativo, por conta dele, seu sono era totalmente desregulado, já que seu turno acabava quase duas horas antes de suas aulas começarem.

Era corrido, mas valia a pena. Estava juntando seu dinheiro e procurando por outro lugar para trabalhar, apesar de gostar de passar a noite rodeando a empresa com seu uniforme.

Falando em seu humilde cargo de segurança, houvera certa madrugada em que, enquanto Hyunjin caminhava com sua pequena lanterna, decidiu colocar seus fones e ouvir uma música para se distrair. Gostaria que o tempo passasse mais rápido.

Rodeava todos os cantos daquele lugar ouvindo melodias calmas, algumas que faziam-na se lembrar de Heejin. Repentinamente começara a sorrir, almejando ter os lábios da Jeon grudados aos seus. Sequer parecia uma vigia naquele momento, estava perdidamente apaixonada e abobada.

Um barulho um tanto quanto estranho fez a Kim tirar os fones desconfiada e assustada. Era um portão se abrindo. Estranhou, talvez alguém houvesse deixado de trancar, ou algo do tipo.

Ficou preocupada, seu coração disparou. Queria gritar e perguntar quem estava ali, mas não o fez. Suas pernas estavam tremendo.

De imediato se preocupou, tentou tomar uma posição ofensiva e intimidadora enquanto seguia até onde vinha os ruídos.

Soltara um suspiro fundo, inalando o ar intenso da madrugada, e então começou a procurar por algo com sua lanterna.

A primeira coisa que a luz focou fora um enorme tanque de oxigênio enorme, logo após isso, seu coração pareceu se acalmar.

— Heejin?— indagou curiosa. Encontrou o portão aberto, e um pouco mais escondida, de forma tímida, havia uma silhueta.

— Oi, Jinnie.— murmurou em um suspiro leve, esboçando um sorrisinho de canto ao que seu corpo se estremecia por conta da brisa fria.

Se sentia fraca, sua respiração estava falhando, o ar lhe faltava vagamente, mesmo com o auxílio dos tubos em seu nariz. Parecia arrastar silenciosamente aquele tanque enorme que sempre estava ao seu lado, tudo para não ser percebida por ninguém.

— O que está faz aqui?! Devia estar dormindo, tem noção de que horas são?!— perguntava preocupada, correndo até a garota de forma mais afobada. — Precisa de ajuda? Não consegue dormir? Se você quiser, eu posso te ajudar com tudo, é só me falar.

— Jin! Se acalma!— exclamou risonha, segurando as mãos da morena ao que seus corpos se aproximavam e as ambas fechavam os olhos.

Sentiram um breve arrepio percorrer por todo o corpo quando seus narizes se roçaram em uma forma de carinho.

— Eu só vim aqui porque eu queria te ver.— sussurrou a Jeon, lhe depositando um selar demorado em seus lábios.

Tossiu brevemente, parecendo estar com falta de ar, algo que preocupou muito a Kim.

—Aconteceu alguma coisa?! Você não parece bem, princesa...—  deixando sua lanterna de lado, levou sua destra até a bochecha macia e avermelhada da mais velha, acariciando o local. — Você veio aqui por algum motivo a mais, não?!

— Bom, uh... Sobre isso...— respondera um tanto nervosa. — Acho que, apesar de termos mais um mês de aula, vou precisar ficar ausente. Mas pelo menos vamos poder nos conversar por mensagens..

— Como está se sentindo?! E o transplante?!— seu coração fora preenchido rapidamente por preocupação, estava se segurando para não entrar em pânico.

— Os médicos ainda não disseram nada.— dissera tristonha, sua feição dava a entender que já não tinha mais esperanças. — Eu estou piorando a cada dia que passa e... Não vou poder sair de casa por um tempo. Talvez eu vá para algum hospital.— explicou.

Os olhos de Hyunjin se encheram de lágrimas, seus braços cercaram o corpo pequeno e frágil da Jeon de forma protetora.

Conseguira ouvir e sentir as tosses de Heejin piorando aos poucos.

— Espera, como você entrou?!— indagou  um tanto curiosa, arqueando as sobrancelhas ao que seus olhos ganhavam certo brilho de indignação. Seu coração ainda palpitava preocupado, mas ainda sim se deixou levar pelo pingo de curiosidade.

— Algum bobão deixou um dos portões abertos.— riu baixinho, sem jeito. — Eu já estava planejando vir aqui antes, só não sabia que invadir esse lugar seria mais fácil que o normal. Ainda mais para uma garota como eu.— dito isso, começou a tossir de maneira mais seca e desesperada.

— Eu vou ligar para os seus pais agora!— exclamou, sacando o telefone quase de imediato ao que discava o número da mãe de Heejin.

— Desde quando tem o telefone da minha mãe anotado?— perguntou ao que se deixava levar pelo desejo de abraçar Hyunjin, sentindo os cantinhos de seus olhos se encherem de água só de pensar  que talvez aquele fosse um de seus últimos contatos com a morena.

Depois desta deplorável madrugada, após ligar para a senhora Jeon, Hyunjin soltara um suspiro triste. A mulher alegou que não sabia que sua filha havia saído de casa a essa hora, e logo após isso, levou-a de imediato para o hospital.

Foi então que Hyunjin desabou. Estava em desespero e infelizmente não havia nada que pudesse curar a doença da Heejin, não havia nada a fazer, apenas torcia para que conseguissem encontrar um pulmão para a mesma fazer um transplante o mais rápido possível.

Quando seu turno acabou, não conseguira dormir direito. Se sentiu mais preocupada que o normal, gostaria de estar ao lado de Heejin. Precisava vê-la, queria estar ao lado dela até saber que já estava cem por cento melhor.

Infelizmente, quando o dia amanheceu, enquanto se arrumava para a aula, ouviu seu pai abrindo a porta. Um "Você podia bater antes de entrar." se entalou em sua garganta, e seu olhar foi parar em sua janela, focando nos raios de sol que passavam direto pelo vidro.

— Precisa de alguma coisa?!— indagou um tanto seca, seus pais nunca lhe incomodavam pela manhã, e quando procuravam por sua pessoa, era para dizer algo desnecessário.

— Sei que já está ficando velha, e que a atitude que eu vou tomar com você é a atitude que um pai tomaria com uma criança de doze anos, mas... Eu quero o seu celular.— dissera, arrancando um olhar indignado da mais nova.

— O que?! Eu não vou te dar o meu celular, isso é invasão de privacidade.— retrucou, ignorando a fala do mais velho para amarrar seus tênis. — O que quer com ele?

— Não é nada demais, apenas ouvi boatos sobre você e uma garota.

— Ah, e pra isso você precisa do meu celular? Não acha mais bonito perguntar diretamente para mim?— indagou ao que uma risada amarga abandonara seus lábios. — Pois é, pai. Eu namoro uma garota. Isso é tão chocante e surpreendete, não? Ninguém nunca pensou que Hyunjin, a lésbica, iria namorar uma mulher um dia.— um pingo de sarcasmo era adicionado a cada mísera palavra que seus lábios proferiam de forma tão fria.

— Pois eu exijo o seu celular agora.— grunhiu agora mais irritado. — Eu sou o seu pai, e enquanto você estiver morando nesta casa, você vai me obedecer e obedecer minhas ordens!— exclamou furioso, caminhando em passos pesados até a Kim enquanto segurava fortemente os seus pulsos e olhava-a no fundo dos olhos. — Você se diz lésbica por ter sido influenciada, essa coisa não te faz bem.— apontou para o celular da garota, o tomando rudemente. Seu tom de voz começara a ficar cada vez mais alto, parecia estar explodindo. — Com o tempo, você vai perceber o que é certo, nem que eu tenha que fazer você perceber.— ameaçou, fazendo Hyunjin estremecer por inteiro. — A partir de hoje, você só sai para ir a escola e ao seu trabalho medíocre, está me entendendo?!

Sem coragem para falar, a morena apenas assentiu calada, desejando que seu progenitor saísse de seu quarto agora.

Já estava ciente de que ficaria um bom tempo sem se comunicar virtualmente com as pessoas, e isso lhe deixava aflita. Gostaria de conversar com os pais de Heejin para saber se está tudo bem, queria se manter atualizada em relação a sua amada, mas estava sem opção. A única coisa que lhe restava era seguir sua rotina monótona, e aguardar desesperadamente por notícias sobre a acastanhada.

O primeiro dia sem ver a mais velha fora um verdadeiro sacrifício, pela primeira vez em semanas, se sentiu sozinha novamente. Mas dessa vez, diferente de antigamente, se sentia triste. Era horrível estar sem ninguém para conversar, trocar carícias e olhares, e se distrair. Foram longas horas de solidão. Só de imaginar que passaria por isso durante um bom tempo, se sentia aflita.

Quando chegou em casa, não viu outra opção além de se isolar em seu quarto e desabar em lágrimas preocupadas novamente. E após o choro, a pequena dor de cabeça fez Hyunjin sentir certa tontura, seus olhos estavam inchados, logo apagou por conta do cansaço psicológico e pelo sono.

Foi a pior semana da sua vida. Desejava que tudo voltasse a ser como era antes logo, também sentia-se ansiosa para o seu aniversário, que estava próximo. Completaria seus dezoito anos e poderia finalmente ter sua própria casa, já que juntava dinheiro já havia muito tempo, a Kim supôs que teria o suficiente para dar entrada em um apartamento simples. Apesar de saber que não seria tão fácil como imaginava, ainda sim gostaria de tentar o quanto antes.

Com o passar dos dias, Hyunjin planejou tentar pegar seu celular de volta. Tentou o procurar por todos os cantos da casa, e acabara por ser descoberta por sua mãe enquanto buscava no quarto de seus pais.

Levou um sermão enorme, se sentiu uma verdadeira criança naquela situação, bufou e permaneceu calada, voltando para o seu quarto.

Era incrível o jeito que os dias se passavam de forma tão torturante e sua preocupação aumentava tão violentamente. Seu coração não aguentava ficar em uma situação como aquela. Precisava encontrar sua amada e garantir que tudo estava bem.

Um mês havia se passado, e a morena não aguentava mais aquela tortura, e daria um fim nisso hoje. Procuraria saber como está sua Heejin independente das punições.

Iria para a casa da Jeon durante a madrugada, durante seu turno no trabalho. Seria algo extremamente arriscado e, caso algo acontecesse com a fábrica na qual vigiava, não estaria lá para servir e ajudar, e isso poderia até mesmo lhe causar uma demissão, mas estaria disposta a correr esse risco.

Quando estava prestes a sair de casa, soltou um suspiro nervoso, seguido de um sorrisinho ansioso. Colocou seus fones e colocou-se a caminhar com calma. A casa dos Jeon era um pouco longe, por isso pensava em se apressar.

Se chegasse cedo, as chances de ter alguém acordado seriam mais altas. Tentara calcular quanto tempo levaria para chegar na casa, tendo ideia de que chegaria pelo menos antes de dar uma e meia da manhã.

Foi uma longa caminhada, parecia que seus passos lhe faziam regredir o percurso, e isso deixava Hyunjin um tanto nervosa.

Procurando se acalmar, respirou fundo ao que sentia a brisa batendo suavemente contra seus cabelos, observando as ruas pouco movimentadas com uma iluminação mediana.

Ouvira um estrondo vindo do céu, e logo em seguida um clarão. Estava prevendo uma chuva próxima, por isso apertou o passo.

Infelizmente, antes que pudesse chegar em seu destino, começara a sentir os pingos de chuva lhe atingindo. Estavam fracos, porém era o suficiente para deixar a garota em desespero.

De repente, a água começara a cair de forma mais violenta. Os pingos de chuva pareciam lâminas afiadas percorrendo por seu rosto e corpo. Porém, felizmente, já estava perto da casa de Heejin, por isso teria a oportunidade de ao menos se proteger da chuva na varanda.

Tocou a campainha algumas vezes. Meio afobada, suas mãos tremiam tanto pelo nervoso quanto pelo frio. Aguardou alguns minutos, perdendo suas esperanças com o passar dos míseros segundos. Cogitou a ideia de tocar a campainha novamente, e quando seu dedo estava próximo ao botão metálico, ouviu o barulho da tranca da porta.

A silhueta de um homem fora revelada de imediato, junto de uma luz forte atrás dele acesa, provavelmente ainda estava acordados, e a luz vinha da cozinha.

O rapaz arqueou as sobrancelhas confuso, perguntando o porquê de Hyunjin estar em frente a sua casa em uma —quase— madrugada chuvosa e fria daquelas, já lhe dando espaço para entrar e se proteger, alegando que ela poderia pegar um resfriado se ficasse lá por muito tempo.

Foi então que Hyunjin encontrou a senhora Jeon. Cumprimentou ambos os mais velhos, sorrindo aliviada enquanto tomava liberdade para abraçá-los, mas seu coração permanecia preocupado e desesperado, não encontrou Heejin com eles. Mas não teve tempo de perguntar, os progenitores da Jeon foram logo fazendo diversas perguntas, admitiram que estavam preocupados por conta de que a morena não respondia as mensagens de Heejin, e que não atendia nenhuma ligação que faziam.

Convidaram a Kim para se sentar na sala, e a mesma logo começou a explicar o que havia acontecido. Depois explicou que planejava sair de casa o mais rápido possível, pediu até mesmo ajuda para os dois que ouviam-na atentamente, como se fossem seus pais.

"Você não precisa se preocupar com isso, pegue seus pertences que mais lhe importam ou que sejam valiosos para ti, e, caso você queira, você pode se alojar aqui conosco por quanto tempo for necessário." fora as palavras que fizeram os olhos da Kim se encherem de lágrimas, conseguia sentir o carinho e amor que os Jeon sentiam pela sua pessoa, algo que nunca recebeu de seus pais depois de se assumir. 

Chorou. Só não soube bem se era de felicidade, alívio, ou tristeza. Recebeu dois calorosos abraços, e alí ficou. Deixou tudo o que sentia escapar por suas lágrimas quentes e cortantes que percorriam por suas bochechas e caíam diretamente em sua roupa.

Quando as lágrimas cessaram, com a voz um pouco embargada e manhosa, perguntou sobre Heejin.

"Nossa pequena está descansando no quarto dela." dissera a senhora Jeon da forma mais amável possível.

Explicaram que na mesma madrugada em que Heejin havia saído para encontrar Hyunjin, foram direto para o hospital e, como se um milagre houvesse acontecido, conseguiram encaixar Heejin em uma cirurgia para fazer o transplante de pulmão. Os médicos além de atenciosos foram super amáveis com os Jeon e tentaram lhe confortar antes e depois do processo.

Heejin precisaria descansar por dois meses, e como já estava praticamente no final do ano, e só havia mais um mês de aula, acharam que não seria problema a garota ficar ausente durante esse período, e mesmo que fosse, deixariam-na descansar por quanto tempo fosse necessário.

— Posso vê-la?— indagou a Kim, sentindo uma breve chama se acender em seu coração.

— Claro que pode! Não precisa nem perguntar!— exclamou o senhor Jeon. — Vai lá dar um oi para a sua amada. Cuide bem dela, e fique a vontade se quiser passar a noite aqui por hoje, temos um quarto de hóspedes, e se quiser pode até mesmo ficar com Heejin.— dissera atencioso, esboçando um sorriso abobado ao rosto. Sabia que a Kim fazia bem até demais para sua filha, e por isso gostaria de fazer a morena se sentir em casa e confortável.

Hyunjin fizera uma reverência assim que se levantou, indo em direção das escadas. Seus passos eram rápidos e curtos, estava ansiosa. Temia de que tropeçaria no próprio pé, ou que cairia da escada. Mas não aconteceu.

Subiu correndo, com o coração acelerado, quase pulando para fora de seu peito.  Ao bater de frente com a porta branca do quarto da Jeon, respirou fundo e pareceu querer arrumar um pouco o cabelo. Seu rosto estava pegando fogo. 

Deu dois toques suaves na madeira branca antes de levar a destra até a maçaneta gélida e abrir a porta com cautela, sem querer provocar barulhos.

Ao adentrar aquele lugar, o cheirinho doce com um toque de lavanda no fundo penetrou suas narinas, era o cheirinho único de Heejin. Esboçara um sorriso abobado enquanto se aproximava da cama e encarava a acastanhada dormir tranquilamente, sem seus tubos ou com um tanque de oxigênio ao lado da cama. Ter aquela visão fora algo privilegiado para seu psicológico. Se sentia mais leve vendo o jeito que a Jeon dormia tranquilamente, gostaria de ficar ali olhando para sempre.

Aproximou-se em passos silenciosos, sentando ao lado da cama. Encarou a feição angelical de Heejin com um brilho apaixonado aos olhos, mas se preocupou ao ver seus olhos com algumas olheiras, e algumas marcas de lágrimas recentes ali. Não se conteve em levar a mão até a bochecha macia e quente da garota, acariciando ali por breves segundos. Notou que o celular da mesma estava na cama, perto de suas mãos, deduzindo que esta havia dormido provavelmente mexendo no celular.

Assustou levemente ao ouvir a garota resmungar algumas coisas desconexas enquanto se remexia na cama. Hyunjin se bateu mentalmente, provavelmente teria acordado a Jeon.

— Mamãe?— resmungou Heejin um tanto confusa.

— Me desculpe se eu te acordei.— sussurrou Hyunjin, sentindo-se um pouco culpada. — Eu já... Estava de saída.

— Hyun...— um sorriso desabrochou em seus lábios carnudos e desenhados. — Você não me acordou, eu só não estou conseguindo dormir direito.— respondeu parecendo sonolenta. — Estava tentando te ligar e mandar algumas mensagens, mas.. Já tem um mês que você não me responde.— dissera agora mais tristonha, abrindo os olhos suavemente.

— Me perdoe, Jin.— murmurou, sentindo seu coração se partir em pedaços. 

— Eu fiquei muito preocupada com você.— sussurrou. — Deita aqui comigo, por favor.— pedira um tanto manhosa, com um biquinho aos lábios.

Hyunjin sem dizer uma palavra se deitou ao lado da garota, acariciando seus cabelos e explicando com calma tudo o que havia acontecido. 

A acastanhada sentiu seu coração pesar. Segurou o rosto de sua amada e lhe depositou um beijo demorado aos lábios, tal contato que esperavam já tinha um tempo. Mataram toda a saudade em um ósculo único, sincronizado e de tirar o fôlego.

Seus lábios se encaixavam perfeitamente e se moviam com vagarosidade. Seus dedos se entrelaçaram um no outro, e seus corações batiam em sintonia. Um sentimento repentino de felicidade cresceu rapidamente e se espalhou sem dificuldades, e logo, quando vieram a separar seus lábios, suas testas se grudaram, e seus olhos se permanecerem fechados.

— Eu te amo, Kim Hyunjin.— sussurrou como se fosse um segredo extremamente íntimo, sorrindo largo e abobada ao que sentia os dedos da Kim acariciando sua mão.

— Eu também te amo, Jeon Heejin.— dissera de volta, também sorrindo. 

E pela primeira vez em tempos, ambas as garotas conseguiram dormir tranquilas, sem preocupações, apesar de que Hyunjin ainda precisava se virar para sair de sua casa.

A madrugada chuvosa tornou-se algo relaxante. Heejin não disse, mas estava ansiosa para sair logo de seu repouso que parecia durar uma eternidade. Agora que não estava mais presa a um tanque de oxigênio, poderia fazer muitas coisas ao lado de Hyunjin, e isso lhe deixava deveras empolgada.

No dia seguinte, quando a mais nova acordou, ainda era cedo. Os Jeon estavam acordados, disseram para ela não se preocupar em relação a ir para o colégio, afinal era um dos últimos dias de aula. Disseram para ela que seria apenas uma perda de tempo, já que ela teria que voltar para casa, se arrumar e pegar todo seu material, e tinha certeza de que no final, quando chegasse no colégio, provavelmente não teria nenhum tipo de lição.

Hyunjin agradeceu com uma breve reverência e se uniu aos mais velhos para um café da manhã. Já Heejin continuou dormindo tranquilamente em sua cama. 

A morena dissera que hoje mesmo, talvez mais tarde, voltasse para sua casa. Perguntou se não seria um incômodo passar um tempo alojada com os Jeon, os mesmos negaram e disseram que estavam de braços abertos a todo momento para si, e foi então que, de última hora, Hyunjin decidira apenas pegar seus pertences e voltar para o lugar em que realmente podia chamar de casa, um lugar que lhe dava conforto. Não era fácil encontrar pessoas de bom coração como os pais de Heejin, não tinha nada a perder com isso.

Temia do que seus pais lhe diriam, mas estava disposta a tentar sair daquele lugar horrível que costumava morar.

Contudo, fora mais fácil do que imaginou. Recebeu uma carona do senhor Jeon e, quando chegou em sua casa, apenas sua mãe estava em lá, já que seu pai trabalhava durante a manhã.

A mais velha perguntou onde Hyunjin estava, e mesma não fez questão de ser educada. Dissera logo que já estava de saída, e que não previa voltar.

Sua mãe por outro lado não pareceu reagir como Hyunjin esperava. Não recebeu nenhum sermão, e também não foi impedida.

A mulher, fria e ríspida, dissera logo que não faria diferença a ausência de sua filha. E logo depois de corrigiu, dizendo que seria até mesmo um alívio e menos uma boca para alimentar, estaria tirando um peso morto das costas.

Hyunjin sentiu um nó se formar em sua garganta enquanto ia para o seu quarto e pegava tudo o que mais considerava valioso.

Pediu seu celular de volta, e o recebeu sem questionamentos.

Ficar naquele lugar lhe fazia mal, mesmo que por míseros minutos. Queria sair logo dalí, mas demorou um pouco para isso ocorrer.

Quando caminhava em direção da saída, com duas enormes mochilas e uma bolsa nos braços, cabisbaixa e com um aperto no coração, seus lábios proferiram um "adeus" quase em um sussurro, mas este fora muito bem captado pelos ouvidos de sua progenitora.

"Saiba que será eternamente a decepção da família Kim. Não nos procure novamente." foi o que ouviu em um tom alto e claro, frio e seco como sempre.

Respirou fundo e pisou para fora da casa, correndo em passos desajeitados, por conta das bolsas, até o carro que lhe aguardava. Quando entrou e deixou suas coisas em um canto do banco, se permitiu soltar algumas lágrimas bem baixinho, não querendo ser descoberta, algo que não deu muito certo.

Os mais velhos logo se preocuparam, e foi então que Hyunjin se deixou levar. Desabafou sobre o que estava sentindo. Aquelas palavras pesaram muito em sua consciência, nunca desejou ser a decepção da família, mas infelizmente as coisas não era como queria.

Apesar de ser algo difícil, uma situação de fato triste, a senhora Jeon tentou lhe confortar e dizer algumas palavras motivadoras enquanto iam para casa.

Não foi um de seus melhores dias, mas só de saber que agora estaria vivendo em paz ao lado de Heejin, já se sentia mais aliviada.

Passou a tarde toda ao seu lado, cuidando e lhe ajudando a todo momento, tratando-a como uma verdadeira criança mimada. As coisas não foram assim durante apenas esse dia, mas sim durante mais um longo mês.

Nunca se sentiram tão felizes. Ainda mais com a Jeon se recuperando da cirurgia a cada dia que passava. Ansiava pelo grande dia em que estaria totalmente boa, e passava algumas madrugadas chorando em alívio; ainda não havia caído a ficha de que estava livre daqueles tubos que tanto lhe incomodavam. Não tinha como a situação melhorar.

— Tem certeza de que quer fazer isso?— indagou Hyunjin ao que alternava olhar entre Heejin, uma bicicleta e o céu. — Parece que hoje vai chover.— aquilo não era uma novidade, já que durante o mês inteiro estava chovendo durante a tarde.

— É claro! Eu sempre quis andar de bicicleta, mas nunca tive oportunidade.— dissera, esboçando um sorriso.

— Mas a gente precisa mesmo ir até o centro da cidade?

— Sim porque eu quero ir no cinema com você.— respondera quase de imediato. — Vai ser divertido!

Dito isso, Hyunjin assentiu um tanto amedrontada e, com cautela, ajudou a Jeon a subir na bicicleta.

O centro da cidade não era tão longe, mas também não era perto, portanto demoraria um pouco para chegarem até o cinema.

De começo, Heejin se sentiu um tanto desesperada. Suas mãos, apesar de firmes, tremiam um pouco. Contudo sentia-se segura já que Hyunjin estava segurando a parte de baixo do banco, juntamente da parte da frente da bicicleta.

A mais alta não soltou-a por nenhum momento, queria lhe manter segura, e sem nenhuma lesão.

— Acho que estou pegando o jeito!— exclamou sorridente e esperançosa, recebendo um sorriso orgulhoso da mais nova.

— Isso é bom, mas não irei lhe soltar agora.— ainda estava preocupada, jamais deixaria a Jeon cair no chão.

Ouviu um resmungo baixo, o que lhe causou uma risadinha. Seu coração pulava de alegria, estava feliz, afinal esse era o efeito de Heejin sobre si.

Quando chegaram no cinema, Hyunjin fizera questão de pagar ambos os ingressos, e Heejin também querendo ajudar comprou a pipoca.

Assistiram a um filme de comédia um tanto quanto divertido, tinha pouco mais de uma hora de duração. Se entreteram e sequer viram o tempo passar. Estava um clima agradável, suas mãos se entrelaçavam hora ou outra, e Hyunjin sempre dizia algo engraçado em relação ao filme, que fazia a Jeon cair perdidamente na risada. Hyunjin sempre teve seu lado bobinho, adorava fazer Heejin rir sem parar, e não deixaria essa ótima oportunidade de o fazer passar.

O filme veio a acabar rápido, quando pararam para realmente prestar atenção, as luzes já estavam se acendendo, a pipoca havia se esgotado há um tempo, e as pessoas se levantavam para ir embora.

Quando saíram do lugar, notaram os pingos de chuva que pintavam calmamente as ruas, carros e qualquer construção da cidade.

Heejin saiu andando na chuva segurando a bicicleta com a canhota, mas Hyunjin logo a repreendeu, segurando levemente seu braço direito, o que fez a Jeon olhar para trás, arqueando as sobrancelhas com um sorriso provocativo.

— Qual foi? 'Tá com medo de uma chuvinha?!— perguntara de forma sapeca, puxando a morena em seguida sem sequer dar tempo da mesma responder.

As duas caminharam —quase correndo— pelas ruas levemente movimentadas da cidade. Hyunjin tentando fazer de tudo para proteger sua amada, e Heejin gargalhando ao que seus dedos se entrelaçavam nos da mais alta.

— Você anda muito rápido.— murmurou a Kim enquanto tomava o fôlego perdido. Havia parado em frente a uma cerca viva de alguma casa aleatória do bairro.

— Você é muito molenga!— exclamou, deixando a bicicleta cuidadosamente encostada na cerca viva, que de fato era muito linda, composta por espécie de arbustos enormes, todos em uma coloração esverdeada bem viva.

— Uma molenga que você ama, tá bom?!— fingiu ofender-se, formando um biquinho aos lábios ao que suas bochechas eram tomadas pelas mãos macias e molhadas da mais velha.

— Tá bom, meu amorzinho.— dissera, copiando o biquinho da Kim ao que sua entonação saía como se estivesse falando com um animalzinho, ou até mesmo um bebê.

Apertara levemente as bochechas da mais nova ao que aproximava levemente seus rostos e roçava seu nariz no semelhante de Hyunjin, esboçando um suave sorriso de canto e deixando com que suas pálpebras rapidamente caíssem sobre seus orbes brilhantes.

A chuva se intensificava cada vez mais, mas não era exatamente um problema para as duas. Aproveitavam cada segundinho daquele momento para saciar o desejo mais intenso de seus corações.

Apesar de estar quase tremendo de frio, Hyunjin abraçou a cintura da Jeon, aquele momento único e perfeito a fazia pensar se não estava tendo um sonho, ou delirando. Mas tinha um pequeno choque de realidade quando sentia os pingos de chuva frios caindo e deslizando suavemente sobre seus cabelos escuros, sua roupa e braços; estava encharcada.

Conseguia sentir o calor do rosto angelical de Heejin, estava rente ao seu. Seu coração ameaçou falhar as batidas, estava perdidamente apaixonada pela garota que tinha em seus braços.

Em um ato singelo, vagaroso e simples, aproximou seus lábios dos de Heejin, até que os teus estivessem o pressionando suavemente, iniciando um ósculo terno e calmo.

Agora sim pensou estar delirando, o jeito que os lábios carnudos da Jeon amaciavam os seus era único e carinhoso, ao mesmo tempo que parte das mãos alheias se posicionavam de forma em que os polegares acariciavam suas bochechas junto das gotas de chuva.

Heejin sentiu seu coração se aquecer, gostaria de ficar alí para sempre. Até mesmo a chuva caindo contra seu corpo estava agradável.

Deslizou suas mãos até cercar a nuca da Kim, abraçando-a com cuidado, sem separar o beijo viciante.

Apenas vieram a finalizar o ósculo com alguns selinhos no momento em que seus pulmões clamaram por ar mais do que suas bocas clamaram uma pela outra.

— Que tal irmos para casa e tomarmos um banho?— indagou a Kim após alguns minutos em silêncio, degustando cada mínimo detalhe daquele momento. Sua paz e felicidade era quase palpável, assim como a de Heejin.

A acastanhada sorriu, lhe dando alguns breves selinhos para, em seguida, se separar e segurar em sua mão.

— Acho uma ótima ideia!


Notas Finais


Psr acabo bem do nada pq eu não sei dar final pras histórias peço perdão por isso


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