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História Changes of Destiny - Capítulo 25


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Notas do Autor


*POV DO FREDDIE!!!*

oi amores da minha vida!!! voltei! como vocês estão?

acreditam que esse eu demorei MUITO pra terminar? sou uma negação em primeira pessoa, socorro!

boa leitura!

Capítulo 25 - Lugar certo, hora certa


Parecia tortura espanhola ter que assistir a Sam conversando com esse idiota pelos corredores. Eu queria assumir para mim mesmo que era apenas ciúmes, mas isso seria uma mentira. Tem algo nesse Nicholas que não me deixa confiar nele. Os olhares de cima a baixo que lançava a Sam, a postura de bad-boy tentando ser bonzinho, o jeito que arrumava o cabelo mantendo uma postura soberba. Não sei, nada nesse moleque parecia simplesmente certo.

Já não bastava estar quebrado em cada pedaço interno por ter perdido essa mulher, eu ainda era obrigado a vê-la caindo na lábia de um cara desses. Como ele me enojava. Como um ódio descomunal me consumia toda vez que passava na minha mente que ele a chamou de Sammy. Me reduziu a mauricinho, dificultou meus passos com ela e ainda conseguiu que minha Sammy ficasse ao seu lado. Eu esperava poder sair da cidade nesse momento, mas não podia continuar fugindo todas as vezes que surgia um obstáculo. Por mais que me machucasse profundamente que ela não tenha pronunciado nenhuma palavra depois que entreguei aquela carta, eu não podia simplesmente sumir. Talvez, vê-la nessa loucura seja melhor que não vê-la. Eu te amo tanto, Samantha, você não faz ideia.

Você é tão cabeça dura que eu sabia que deveria deixar algo por escrito para que você entendesse com plenitude o que eu sinto toda vez que te olho. Eu sabia que não iria me escutar, mas eu espero que, de verdade, o sentimento que coloquei naquele papel tenha te tocado de alguma forma. Eu só espero que você consiga me perdoar, pelo menos isso. E é ridículo que eu esteja falando contigo sozinho na minha própria mente, ainda mais no meio do pátio da escola onde você se encontra a menos de 12 metros de mim.

Encostei em meu armário afim de tirá-la do meu campo de visão. Logo avistei Carly e Griffin um pouco afastados conversando sobre algo que não parecia sereno. A relação deles havia estremecido desde a noite do pesadelo e Carly transparecia isso como ninguém. Seus cabelos pareciam sempre opacos, seu rosto acabado e ela nem se preocupava mais em combinar as roupas. Isso era caso grave para Carly Shay. Griffin estava bem desapontado com tudo que tinha rolado. Querendo ou não, ele estava construindo uma relação amistosa bem legal com a Sam. Sei que os dois se entrosavam nos assuntos, nas similaridades e em dividir garrafas de cerveja. Era, de fato, decepcionante ver que tudo isso se desmontou em minutos.

— Mas, você podia ter tido uma ideia menos idiota que essa! - ouvi Carly gritar para meu amigo se aproximando.

— Agora está dizendo que a culpa é minha? - Griffin respondeu - Você concordou com isso também, Shay! Para de jogar sua frustração em cima de mim!

— Frustração? Você chama perder a minha única melhor amiga pra sempre de frustração? - ela falava tão alto e tão fino que eu pensava que meus tímpanos pudessem explodir - Griffin, estou morrendo por dentro. Eu nunca quis magoá-la e você sabe!

— Ah, então, guarda isso aqui: eu também não! Qual é, eu me amarro na loirinha, não era pra isso tudo ter acontecido.

— Se amarra nela? Você está tentando deixar isso melhor ou...

— Tudo bem, chega! - gritei incisivo afim de proteger meus ouvidos - Todo mundo está magoado de alguma forma. São formas diferentes, mas agora não é hora de competir dor.

Observei Carly assentir com a cabeça e Griffin a olhava com certa vitória em seu rosto. 

— Então, quem vai chamar pra ser a testemunha pra sua mãe? - Carly indagou afim de mudar o assunto. 

— Eu não sei. Estava pensando na Sam, mas agora vai ser impossível. Imagina se ela acha que eu só estou procurando por ela pra falar disso.

— Ela se sentiria usada de novo.

Após Griffin disparar essa, eu e Shay o olhamos com extremo tédio. Não era para ser explicado, afinal. Já estava exausto de relembrar esse acontecimento horrível. Só queria fazer tudo diferente, queria que ter a tirado daquela bancada quase nua e tê-la beijado de uma vez por todas. Certeza que me apaixonaria ainda mais rápido e teria a chance de passar muito mais tempo com ela em meus braços.

— Eu posso ser sua testemunha, cara. - soltou Griffin um pouco hesitante - O que você acha? 

— Não sei, Griff. Meu pai já tem uma carta na manga pra te ferrar, não seria muito arriscado?

— Espera, ele não vai sair da cidade hoje a noite? - Carly lembrou - O Griffin me disse que você andou espiando as câmeras da sua casa durante as aulas nesses últimos dois dias. Eles se encontraram de novo, né? Sua mãe concordou que ele desse uma espairecida com a Elle em Clyde Hill até se decidir se quer continuar com a relação casual deles. Não é isso? Bem, o Griffin me contou em partes e sua mãe estava me dando um pouco de nojo também pra que eu deixasse ele continuar falando. 

Carly Shay estava se saindo como uma bela fofoqueira. E, bem, o Griffin já era a vizinha futriqueira do condomínio. Seria assim a partir de agora? Contar algo para meu melhor amigo era também contar a Carly? Ok, isso era novidade. Teria que tomar bem mais cuidado a partir de agora.

Tudo que minha mãe não era minha pessoa favorita no momento, porém ouvir que causava asco em alguém era forte. Era realmente uma cena inacreditável, de qualquer jeito. Eu mesmo não pude acreditar quando a vi. Minha mãe estava sendo a amante do meu pai. Que sentido fazia isso? Eu preferia viver qualquer outra merda a tomar conhecimento dessa loucura. Minha família não parece mais estar em estado de completa sanidade. Como ela deixava ser usada assim? Ainda dando carta branca para ele ir foder com a esposa em um lugar distante só para pensar nela? Nojento. Nojento demais. 

Ainda não entendia como ela implorava para voltar a ter contato comigo, aparecia no meu quarto a noite querendo conversar enquanto dormia com o asqueroso do meu pai. Realmente duvidava se eu ainda era mesmo a pessoa mais importante de sua vida. 

— Eu contei por desespero, foi mal. - explicou meu amigo - Mas, se ele vai mesmo embora, a gente pode roubar essas provas que ele tem contra mim e junto a gente ainda pega as da Sam.

— Você fala isso com uma naturalidade... - ponderei - Acha que a gente é o que? Os três mosqueteiros? Sai dessa, Andrews.

— Dois. Me inclui fora dessa. - disse Carly - E os três mosqueteiros atuam a favor do rei Luís e não contra.

— Meu pai não é nenhum rei.

— Beleza, esquisitos. - interrompeu Griffin com uma feição confusa - Esse é o único jeito, Benson. Quanto tempo mais vai esperar pra ver o Leonard na cadeia?

Ele tinha sua razão. Estava ficando tarde demais para adiar isso. Meus pais poderiam voltar a ser casados a qualquer momento e isso me causava ânsias de vômito seguidas. Minha mãe estava em uma completa ilusão horrorosa e eu não conseguia arranjar um jeito de tirá-la disso. Não posso suportar viver com um cafajeste como Leonard e posso menos ainda aguentar que minha mãe esteja ao seu redor esbanjando olhares apaixonados a ele.

— Podemos tentar... Mas, e se ele tiver outras cópias? É a cara dele ter reserva dessas coisas.

— Pode ter, irmão, mas a gente invadindo o cofre já pode desestabilizar o cara. - Griffin externou - Precisamos mexer no psicológico pra enfraquecer.

— Está me assustando. - Carly disse contendo o riso.

Seguimos para fora da escola e resolvemos ir a casa do Griffin cada um em seu veículo. Eu ainda achava cômico como Carly morria de medo da Softail, parecia que poderia atacá-la ou coisa assim. Griffin podia ser tudo, mas não era um motoqueiro ruim. Isso, com certeza, não. Mas, essa menina sempre esteve amedrontada sobre muitas coisas, eu conseguia compreender porque se sentia assim sobre motocicletas.

Ela pareceu exausta mentalmente depois de três horas na casa de Griffin. Realmente não estava na melhor das condições e nem conseguia disfarçar. Essa história com a Sam causou o maior baque visível nela. Eu estava totalmente destruído por dentro, mas era apenas possível de perceber se eu contasse a alguém. Com Shay não. O rosto dela aparentava desânimo e uma profunda tristeza. Só espero que eu não tenha acabado com uma amizade quase fraternal de tantos anos. Esse plano foi a maior das burrices que me meti na vida.

Após ter ido embora, eu e Griffin começamos a discutir como faríamos para entrar na casa de Leonard essa noite. Ele já tinha experiência com arrombamento de portas, afinal invadiu uma grande filial da Harley Davidson atrás de uma moto. Eu sentia receio que ele estivesse se arriscando tanto, mas ao mesmo tempo, estava certo. Pelo menos, eu deveria agir com ousadia para conseguir algo. Com um homem perigoso como meu pai era estupidez permanecer no esperado. Precisava de uma virada.

— Acho que eu tenho que fazer isso sozinho. É muita loucura te envolver nisso quando você é um dos alvos principais do meu pai.

— Para, Freddie. - disse rapidamente - Você também é alvo dele, mesmo achando que não.

— Eu sei que eu sou, espertão. Mas, o objetivo todo é proteger vocês dessas ameaças, é meio burro entregar tão fácil mais um motivo pro Leonard te colocar na cadeia.

Griffin olhava para cima parecendo pensar nas milhões de possibilidades. Seu rosto tinha uma feição convencida. Eu realmente torcia para que ele entendesse meu ponto, era o mais sensato a se fazer. Além do mais, eu precisava tomar um ato de coragem grande para lembrar-me que não sou tão medroso assim.

— Vem, vou te ensinar a arrombar uma porta. - ele andava até a entrada de sua casa - Toma cuidado, Freddie. Sei que você não é nenhum idiota, mas todo cuidado é pouco.

Sua expressão era séria e parecia empática até demais. Era ótimo ter um melhor amigo por perto e Griffin parecia um irmão para mim na maioria das vezes. Essa postura que ele carregava de conselheiro experiente era extremamente afetiva. Sempre odiei ser filho único e tudo que eu desejava era dividir as mesmas dificuldades e dores com alguém semelhante. Alguém que me entendesse. E isso o Griffin conseguia ser em muitos momentos, felizmente. Todo o pesadelo de ter uma família desestruturada era pesado de carregar sozinho.

Passamos, então, os passos um zilhão de vezes. Eu não sabia se estava preparado para fazer uma coisa assim, eu não era como o Griffin e muito menos como a Sam. Na verdade, queria que ela estivesse aqui comigo. Inacreditável como qualquer pensamento me leva a ela. Sempre. Sammy, eu não menti quando disse que você estava impregnada em mim.

Griffin foi para a casa de Carly assim que a noite deixou a rua mais deserta. Me pus a tomar um banho longo e gelado tentando racionalizar tudo que estava prestes a fazer. Era insano, mas eu precisava lembrar o tempo todo que era mais que necessário. Sem uma testemunha potente, nunca poderia dar ao Leonard o que ele merece. Minha família precisa se livrar desse encosto. Minha mãe precisa se livrar desse encosto. Só espero que ela me agradeça por tudo depois. 

Claro que suas ações no casamento não foram as melhores e eu nunca esperaria que minha mãe fosse esse tipo de pessoa. Mas, de verdade, tudo seria melhor se ela estivesse do meu lado nessa história. Como que deixou se encantar por um venenoso como meu pai? É insanidade, ainda não compreendo.

Coloquei um casaco pesado que estava guardado em minha mochila e vesti o capuz. Eu sei que sou um nerd um pouco desajeitado e é praticamente entregar que estou fazendo uma coisa errada usando isso, mas qual é, está meio frio também. Pelo menos, tenho essa desculpa. Apanhei o grampo grande que Griffin havia me arranjado e o guardei cuidadosamente no bolso do agasalho. Agora, era respirar fundo e ir de uma vez sem pensar.

Quando peguei o carro, o caminho nem tão longo me fez refletir sobre variadas coisas. Inclusive que conseguir essa prisão provaria meu amor pela Sam. Me dá arrepios pelo corpo inteiro só de lembrar que aquele homem ameaçou machucá-la, colocá-la na cadeia. Eu sei que a única coisa que eu não suportaria é que algum dano fosse causado a ela. Poderia estar longe da minha loira, apanhar até sangrar, mas nada doeria mais do que isso. Vem desse lugar meu ímpeto incontrolável de protegê-la. Sei que não é nenhuma princesa em apuros e que sabe se defender muito bem, mas sua força física não compensa a fragilidade que existe dentro dela. Eu posso sentir e conheço os pontos fracos que a Sam possui mesmo que ela não admita. 

Estacionei na garagem do meu condomínio para não levantar suspeitas. Saí em direção a casa dele ainda respirando pesado. Definitivamente, não era minha praia ser um criminoso por um dia. O portão podia ficar envergonhado de tanto que eu encarava. Nenhuma análise podia ser pouca, afinal. Ainda estava pensando em como colocar de maneira certeira aquele grampo dentro da fechadura, Griffin me ensinou como fazer funcionar em qualquer porta, então teria que dar certo aqui. 

Me surpreendi ao conseguir, relativamente rápido, entrar no vão anterior a porta principal. Meu pai só podia ser mesmo um psicopata ridículo para aceitar morar nessa espelunca apenas para nos vigiar. As paredes manchadas, o chão rachado e o estilo mal cuidado eram de assustar. Até que na extrema escuridão que aquela aparência refletia, era possível encontrar a identificação do Leonard.

Ao finalmente passar pelo desafio da porta principal, subi as escadas em busca de um escritório. Seria quase impossível ele não ter um porque tudo que pensa é em dinheiro e trabalho. Adentrei e tudo era menos luxuoso do que eu pensei. Uma única mesa de maneira média no centro, uma cadeira não tão confortável e armários velhos embutidos ao redor. O breu fazia tudo ser ainda mais apavorante e incerto e a lanterna do meu celular não amenizava esse fato.

Vasculhei por todos os cantos afim de pelo menos perceber uma pista de onde estaria o cofre. Era de seu feitio esconder em algum fundo falso ou em uma brecha inesperada. Puxei a maior gaveta que existia em um dos armários e estava ali, bem no fundo. Foi mais fácil do que imaginei. O cofre era branco amarelado e seus botões para senha pareciam sujos e empoeirados. Tomara que ele realmente guarde as provas aqui.

Tentei uma combinação de números que poderia fazer sentido. Meu pai sempre foi supersticioso e colocava a mesma sequência de números e letras em tudo que fazia. A senha do seu banco foi descoberta rapidamente quando o escândalo de corrupção estourou, ele não sabia arquitetar essas coisas. Bom, pelo menos até agora. A senha estava errada, não era essa. Eu precisava descobrir, mas não sabia como.

Pelas informações do site da DownElle, é possível constatar com facilidade o dia de seu aniversário. Eu já havia memorizado isso de tantas vezes que reli a política do site. Tinha que ser essa a combinação, por favor cofre dos infernos, abre logo.

Errada. Um desespero avassalador gritava na minha própria cabeça. Eu só tinha mais uma chance. Os cofres desse tipo se trancam por uma hora depois de três tentativas. Bom, quem meu pai ama? Isso é quase impossível de saber. Quando criamos coisas assim, sempre pensamos em um certo alguém, numa data, num acontecimento. Leonard é tão frio que não acho que ele tenha esse pensamento.

Só me restava uma alternativa. Se ele estava com a minha mãe e sua sede de vingança era impulsionada por algo que ela mesma fez com ele há anos, algum sentimento ele deve nutrir quando pensa nela. Aqui vai a combinação do aniversário da minha mãe. 

Não. Isso não pode estar acontecendo. Um barulho estrondoso e insuportável começou a ecoar pela casa inteira. Era como um alarme. Uma sirene alta e capaz de acordar qualquer um da vizinhança. Porra, pai, você colocou a merda de um alarme de segurança na sua casa. Logo você, o próprio diabo. 

Eu teria que correr. Mesmo que minha ficha criminal estivesse completamente limpa até esse momento eu não podia me arriscar desafiando a polícia. Precisava chegar totalmente inocente no tribunal. As coisas já estavam difíceis demais para serem pioradas.

Torcia para que aquele troço parasse logo de tocar enquanto descia freneticamente as escadas. Era sumir dali ou nada feito. Corri mais de três quarteirões e me enfiei em um bar de esquina qualquer tentando acalmar os ânimos. Olhei em volta ainda respirando ofegante e foi estranho notar que apenas umas luzes de led roxas iluminavam o local. Era plena quinta-feira, qual bar fica animado assim em um dia de semana? Ainda mais vazio.

Sentei-me perto do balcão de drinks e decidi que hoje eu esqueceria que fui tão inútil a ponto de não acertar uma sequência de seis números. Pedi uma dose de whisky com gelo de coco e esperei pacientemente para que trouxessem.

Que merda de vida era essa? Por que eu merecia passar por isso? Vim para Seattle afim de me reconectar com minhas origens, com os momentos bons que passei aqui. Era difícil de acreditar que esse retorno só estava me aproximando das desgraças e do pior lado da vida. Desejaria nunca ter vindo e também nunca ter influenciado o Griffin a fazer o mesmo. Queria não ter ido aquela festa e ter trocado de colégio. Sam, eu considerava nosso reencontro o motivo principal da minha permanência, mas agora sem você, eu não vejo sentido nisso tudo.

As lágrimas não puderam resistir de escapar dos meus olhos quando virei o último gole do quinto copo de whisky que eu bebia. Tive vontade de comprar um Malboro em qualquer posto de gasolina só para estragar ainda mais a minha vida. Qual era o objetivo disso tudo, afinal? Não falo com a minha mãe há semanas, meu pai é um escroto e a Sam deve estar se entregando àquele Nick numa hora dessas.

Levantei rapidamente repousando o copo vazio com força em cima da bancada. Deixei uns dólares a mais junto para agradar o barman, já que o esforço era muito, mas o retorno parecia pouco. Senti minha visão girar e minhas pernas desencontrarem um equilíbrio completo. Não queria ir para casa e encarar essa derrota. Eu preciso da minha vida de volta, da minha felicidade de volta. Sammy, eu preciso de você.

Segui rumo a casa da loira porque uma olhada no seu mar azul escuro me salvaria daquela tristeza. Apenas uma.

Andava pelas ruas pouco iluminadas e deixava meu cérebro me guiar sozinho. Eu estava um pouco ilusório, mas não a ponto de cair em qualquer canto. Continuava firme focado em meu caminho mesmo que não fosse tão perto apenas para encarar Samantha. Eu queria deixar Seattle e nunca mais retornar, mas não podia fazer isso sem antes olhá-la no fundo da alma.

Acelerei um pouco mais meus passos quando finalmente avistei sua casa no final da rua. Espero que ela esteja. Eu necessito vê-la urgentemente, nem que seja por um segundo.

Cheguei perto do portão e gritei seu nome múltiplas vezes. Abri porque percebi estar sem o cadeado que sempre se pendurava ali. Bati na porta principal com certa brutalidade e parecia não ter retorno. Por favor, Sammy, esteja em casa. Por favor, me atende. 

Parei de quase socar o vidro da porta quando ouvi um grito fino. Parecia ela, parecia a Sam de fato. Prestei mais atenção afim de entender o que estava acontecendo lá dentro. O som ainda parecia um pouco indecifrável para mim, mas uma feição de preocupação com certeza tomou conta do meu rosto.

— Sam? - gritei com esperança de que ouvisse - Sam, você está aí?

Grudei um de meus ouvidos na porta e pude identificar algumas palavras. 

— Me solta, por favor! - escutei com clareza Sam dizer em um tom choroso.

Berrei em desespero mais uma vez seu nome. Nada parecia adiantar. Céus, o que estava acontecendo? Eu não podia nem imaginar se estivesse sendo machucada, eu não aguentaria ver isso em minha frente. Puxei em urgência o grampo do meu bolso ainda guardado e me pus a arrombar a porta. Mais uma para conta, Freddie. Minha mão tremia e eu não tinha muita certeza dos meus movimentos, mas de uma forma esquisita, havia funcionado.

Avistei a cena bem no sofá da sala. Nicholas estava em cima de Sam segurando seus braços com muita força. Eu podia ver por uma brecha que ela estava chorando e sua expressão era amedrontada. Ele beijava o seu pescoço a força e prensava seu corpo em cima dela. Meu punho cerrou-se com extrema fúria e eu estava pronto para acabar com a raça desse desgraçado.

Puxei-o pela cintura em um ímpeto de vigor afim de afastá-lo. Ele parecia aéreo e muito mais bêbado que eu. Seu corpo cambaleou para trás de imediato, seu equilíbrio estava péssimo. Me encarou com ódio e se preparava para falar, mas eu acertei um soco no meio de sua face como um furacão. Nem eu sabia que tinha toda essa força, mas acho que meu instinto protetor agiu por mim. Uma raiva consumiu todo o meu ser e cegou um palmo a minha frente. Porra, por que isso tinha que acontecer? 

Nocauteado, ele repousava totalmente derrotado no tapete da sala. Sam sentou-se com dificuldade e chorou copiosamente até soluçar. Seu corpo estava frágil, o roxo em seus pulsos quebrou meu coração em sete mil pedaços e sua cabeça parecia sem forças ao repousar em meu peito. Caralho, eu não sei o que aconteceria com ela se ninguém tivesse chegado, eu não suportaria que nada pior que isso acontecesse com ela.

Suas lágrimas molhando minha camisa trouxeram a melancolia que faltava àquele dia. Queria evitar todas as merdas desse mundo para resguardá-la. Juro que Sam não merecia a mínima maldade que essa vida a oferece. É injusto, imprevisível e completamente filho da puta que todos os nossos esforços resultem em tragédias. Eu estou cansado disso. Cansado de desgraças acontecendo com as pessoas que mais amo.

— Quero morrer. - ela disparou embolado entre um soluço e outro.

Segurei seu rosto e a olhei. Seus olhos não pareciam querer se manter abertos e ela parecia totalmente perdida. Pude concluir que havia bebido demais pela postura que carregava. Sua expressão não mentia e a quentura de seu rosto ajudava mais ainda a evidenciar esse fato. Retirei todos os cabelos emaranhados que colavam perto de seus cílios e coloquei todos os fios para trás. Ela quase caía em um sono profundo, então a segurei pelo colo rumo ao banheiro.

Subi as escadas com dificuldade porque também não estava no melhor dos estados. Repousei-a em cima do vaso sanitário e procurei um prendedor de cabelo. Ela tendia a cair para trás, mas não tirei minhas mãos dela afim de evitar que se machucasse. Prendi seus cachos em um coque mal feito e ajoelhei em sua frente querendo retirar sua roupa. Sam recuou um pouco com meu toque e me perguntei se ela tinha consciência de que era eu ali.

Mantinha um semblante de dor horrível no rosto espremendo os olhos para não visualização daquilo. Consegui retirar sua blusa e seu sutiã e a ergui um pouco afim de retirar as partes de baixo. Ela grunhia um pouco insatisfeita, mas não tinha nenhuma força para impedir minhas ações. A segurei de pé enquanto tirava meu tênis para adentrar o box junto a ela.

Arrastou-se até lá com a minha ajuda em pleno silêncio. Com o chuveiro já ligado, coloquei-a sem cerimônia ali embaixo. A água envolvia todo o seu corpo e seus cabelos arriaram com a pressão que recebiam. Eu estava quase completamente encharcado, mas não era isso que importava agora. Ensaboei-a em meio a seus grunhidos desconexos desejando tirar todo vestígio de álcool e impureza que existia nela. Porra, esse moleque tinha que sujá-la com seu mau-caratismo. Sabia que não podia confiar nesse merda, eu sabia. 

Enxuguei com cuidado seus fios já soltos enquanto colocava no pulso a xuxinha. Ainda estava em um estado deplorável, mas pelo menos o cheiro de cerveja havia sumido. Vesti as roupas nela com certa dificuldade. Ela relutava ao perceber que eu estava a tocando e isso doía no fundo da minha alma. Havia apenas pegado uma regata molinha e uma calcinha. Por hoje, acho que essa roupa daria conta do recado.

Sam se jogou na cama despejando toda a força de seu corpo. Ajeitei sua cabeça no travesseiro e a cobri com o lençol mais superficial e fino. Ela adormeceu em questão de segundos e seu rosto parecia ter uma expressão angelical pela primeira vez.

— Eu te amo, meu amor. - soltei em irracionalidade sem intenção que ela escutasse.

Me acomodei no tapete que existia no quarto dela e me ajeitei quase confortavelmente em cima de uma almofada pequena que estava em sua cama. Sam não queria mais se envolver comigo, então eu deveria respeitar. Dormir na mesma com ela não seria exatamente o ato mais respeitoso do mundo. Eu ficaria bem dormindo no tapete só por essa noite.

Acordei com o toque alto de meu celular e me perguntei que horas já eram. Pelo relógio de pulso, quase meio dia. Sam ainda não havia nem sequer se mexido da posição a qual caiu no sono. Levantei-me afim de atender o telefone sem perturbá-la com muito barulho. 

Observei o identificador de chamada e era Griffin. Realmente, eu não tinha dado uma satisfação que fosse sobre os planos de ontem, normal que estivesse preocupado.

— Oi. - disse tentando manter um tom baixo para não acordá-la.

— Onde está? - perguntou logo - Conseguiu fazer a parada?

— Longa história. Mas, não, não consegui. - suspirei pesadamente em frustração - Acho que a casa caiu, Griffin. Eu não vou aceitar que seja a testemunha com todas as merdas que meu pai tem de você. Já pensou se esse vídeo cai na internet? Não pode arriscar, mano.

— Eu sei. - senti sua respiração falhar um pouco - Sinto muito, irmão. Queria resolver essas coisas, mas tudo parece estar fora do meu alcance.

— A única que conseguiria me ajudar é a Sam, mas eu nem tenho cara para conversar sobre isso com ela. Sem chance.

— É melhor mesmo. - concordou - Mas, olha. Você sabe que vamos dar um jeito. Confia.

— Obrigado. Espero mesmo que a gente consiga.

Virei-me em direção a cama de Sam e para minha surpresa, ela havia acordado. Estava me encarando com uma cara que transparecia um ponto de interrogação claro. Seus braços estavam cruzados e seus olhos ainda espremidos com dificuldade de aceitar a luz.

— Oi. - disse simplesmente.

— O que você está fazendo aqui, Freddie?

— Você não lembra de nada?

Sua feição mudou rapidamente. Ela balançou a cabeça um pouco atordoada e deixou a cama sem muita facilidade. Suas sobrancelhas mexeram em confusão, seu olhar encarou toda a extensão do quarto como se buscasse respostas. Me encarou seriamente e pendurou esse olhar até conseguir falar uma frase propriamente dita.

— Você abusou de mim ontem? 


Notas Finais


gente... é loucura atrás de loucura, vamo fazer o que?

ps: como vcs chamam prendedor de cabelo? aqui no rj é xuxinha KKKKK mas ja ouvi xuquinha, xuxa e variados

comentem o que estão achando e atéeee mais!!! 💖


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