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História Chapeuzinho Vermelho - A Verdade Sobre o Lobo - Capítulo 10


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Notas do Autor


Boa leitura 💕

Capítulo 10 - Culpa e Remorso


Capítulo 10: Culpa e Remorso

❛❛ Equivoquei-me ao presumir que ela retornaria tão facilmente. Sinto-me culpado e mais debilitado pela saudade do que pela própria doença. ❜❜

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Hiram deleitava-se com o vinho dado pela garota do capuz vermelho. Encontrava-se sentado no enorme sofá de couro, o qual era mais velho que o próprio lobo.

Estava no aguardo de seu irmão que havia ido caçar. Enquanto isso, o moreno apreciava a bebida, ponderando sobre seus sentimentos e a intensidade deles em relação a Chapeuzinho.

Não poderia negar a si mesmo o quanto estava enfeitiçado pela menina e a magia que Anne tinha sobre ele. Por mais que durante as noites de lua cheia eles perdessem toda lucidez, Hiram sabia que foi por conta daquela garota que o instinto de animal o fez atravessar a barreira.

O sentimento surgiu em seu coração desde o dia em que ela retornou para buscar o colar. Nunca havia acontecido isso antes com outra mulher, portanto, o lobo negro considerava que havia algo em Annelies que a tornava peculiar e gostaria de compreender o mistério da moça.

A porta rangente da entrada do casarão antigo, fez o lobo direcionar a visão para lá, avistando seu irmão carregando um cervo morto.

— Passou quase um dia inteiro para caçar apenas um cervo? — Hiram o questionou, frisando o sobrecenho. — Esperava um boi para o jantar. — criticou e bebericou mais do vinho saboroso.

— Não sei do que está reclamando. Eu sempre faço tudo sozinho e você fica de pernas para o alto, relaxando há quase um século! — bradou, se enfurecendo com a capacidade que seu irmão tinha de ser um cretino.

— Sabia que precisa respeitar os mais velhos? — se levantou. — Nossa... Quem será o mais velho aqui? — se questionou, realizando uma feição pensativa. — Acho que sou eu, irmãozinho.

— Você é inacreditável! — resmungou, adentrando de vez e se direcionando para a cozinha.

Hiram o seguiu, apenas para provocá-lo um pouco e também precisava conversar sobre o que havia ocorrido mais cedo.

— Hm... Gostei disso! — esfregou os dedos no queixo. — Hiram, o inacreditável.

— Ridículo. — Khal rolou os olhos dourados, meneando a cabeça.

— Não seja tão duro comigo, estou à beira da morte. — pôs a mão no peito, enfatizando seu drama. — É assim que você me trata?

— Você não está à beira da morte! — emitiu, colocando o cervo sangrento sobre a bancada de madeira.

— Claro que estou. Não ouviu o que Anne disse ao ler aquele livro?

— Ouvi, mas isso não significa nada. — Khal deu de ombros. — Você sabe que é um livro feito por bruxos e eles adoram enigmas e piadinhas. Pode ser mentira.

— Não é um enigma. — expirou frustrado pela teimosia do irmão. — O que sinto é muito real e você não entende o quanto a dor é insuportável. Eu vou morrer, acabou para mim!

— Você não vai morrer! — vociferou, lançando as orbes vermelhas ao irmão. — Não vou deixá-lo morrer.

— Está nervoso? — Hiram soltou um sorriso ao notar a preocupação do mais novo.

— Não! É que você me retira do sério. — bufou, procurando o cutelo nas gavetas. — Daremos um jeito nessa situação. Iremos procurar nos livros, faremos uma busca, chamaremos a Anne e...

— Eu não tenho todo esse tempo, Khal. Hoje tive um novo sintoma.

— Que sintoma? — questionou com apreensão.

— Quero dizer, não sei se era realmente um sintoma ou como devo denominar isso... — fechou a garrafa e a pôs sobre o balcão. — Mas avistei um vulto me rondando na floresta, logo após ter deixado a Anne na barreira. Presumi que fosse você, mas não era...

— Como assim? Espera... — crispou o cenho. — A Anne esteve aqui?

Hiram revirou os olhos, percebendo que a maior preocupação do irmão é com a moça.

— Esteve. — sacudiu os ombros. — Mas isso é irrelevante. O que importa é um novo sintoma que apareceu. Eu comecei a delirar e isso é péssimo!

— Podem ser as alucinações iniciando... — suspirou, fechando brevemente os olhos, pensando em algo para ajudá-lo. — Começaremos a estudar os livros, procurar respostas... Quando a Anne aparecer novamente, pediremos aju...

— Isso não vai rolar. — Hiram meneou a cabeça.

— Por quê?

— Porque... Suponho que ela não retornará por tão cedo. Provavelmente nunca mais volte. — desviou o olhar para não assistir a expressão furiosa do Khal.

— Que merda você fez com a garota? — esbravejou, segurando o cabo do cutelo com uma força exagerada.

— Tivemos uma discussão e acabei a mandando embora... — apenas por aquilo, Khal já apresentava-se bravo.

— Tenho a impressão que você tem mais alguma coisa para contar.

— Bom... — Hiram coçou a nuca. — Talvez eu tenha dito que... Não queria vê-la nunca mais. — pressionou os lábios, se dando conta da burrada que fez.

— Eu não estou acreditando nisso! — esbravejou, acertando a lâmina afiada no cervo morto.

Hiram arregalou os olhos e deu um passo para trás, se distanciando do Khal, que sentia uma desmedida raiva das insânias do irmão. A irresponsabilidade e a forma impulsiva que o mais velho agia, enerva o dono dos cabelos castanhos.

— Eu sei que falei besteira dessa vez. — assumiu e engoliu à seco. Aquela era uma grande novidade, visto que não admitia seus erros habitualmente.

— Não me diga! — sorriu irônico, pondo as mãos no quadril. — O que faremos sem ela? Como iremos ler as páginas que não podemos enxergar, Hiram? Você não raciocina? Ou pensa que qualquer outra pessoa aguentaria passar horas olhando nossas caras de monstros e agir como se fôssemos normais?

— Eu sei, aquela menina só pode ser atribulada. Não é possível que aja tão normalmente encarando minha beleza o tempo inteiro, sem enlouquecer de vontade de transar comigo...

Khal avistou uma faca próxima e a pegou, lançando-a no músculo do braço do irmão. Hiram o encarou incrédulo e puxou o objeto perfurante que atravessou sua carne facilmente.

— Você é um idiota! — o rapaz espalmou a bancada. — Não tem limite, não mede o que fala.

— Eu sei que você gosta dela, mas não precisava enfiar uma faca em mim! — enficou a ponta do objeto no balcão. — Eu gostava dessa camisa de linho... — reclamou e olhou para o ferimento em seu antebraço, percebendo o líquido vermelho manchar o tecido.

— Desculpa, eu não quis... — soltou o ar dos pulmões e se aproximou do irmão. — Lançar uma faca em você...

— Com essa pontaria, poderia ter pego mais que um cervo na caçada. — sugou o ar entredentes, sentindo uma ardência fora do comum.

— Retire a camisa. — segurou a barra da camisa do moreno e suspendeu, mesmo com relutância da parte dele.

— Não fique com inveja do meu peitoral... — Hiram deu um sorrisinho de canto e mexeu as sobrancelhas, se exibindo.

— Estou morrendo de inveja. — Khal segurou o antebraço do lobo e analisou o que fez. — Não foi muito profundo e por sorte não acertou uma artéria... Eu faço um curativo.

— Claro que fará! Já que foi você que tentou antecipar minha morte.

— Perdoe-me... Você me estressa de uma maneira incalculável. — Khal se afastou. — Não gosto que fale da Anne como se ela fosse qualquer coisa.

— Eu não faço isso. — Hiram frisou o nariz e o irmão o encarou. — Às vezes exagero, mas não a trato como qualquer coisa. Isso é calúnia!

— Não quero mais discutir. — bufou, rolando os olhos. — Quero apenas saber como iremos vê-la outra vez, já que você decidiu expulsá-la.

— Ela sempre volta. É só esperar até amanhã. — deu de ombros, se convencendo disso.

                    •══•⊰❂⊱•══•

Sete dias passaram-se demoradamente na visão dos irmãos, especialmente pelo fato da ausência duradoura da garota da capa vermelha.

Viver tornou-se enfadonho como antes. Era a presença da moça que aprimorava o ambiente e trazia um mínimo de luz em meio àquela escuridão. Sem ela, era como se tudo perdesse o sentindo outra vez.

Era depreciativo os semblantes dos lobos naquele casarão arcaico e puído. Ambos trocando poucas palavras e unicamente focados em procurar respostas para algo que nem sabiam a pergunta.

Mas, há dois dias a situação degradou quando Hiram adoeceu por uma infecção no braço, ocasionada pela facada que recebeu do irmão.

Ele queimava em febre, e nem o cobertor mais quente era capaz de atenuar o frio insuportável que sentia. Também havia a questão emocional envolvida, que apenas piorava tudo. O mais velho sentia falta de Chapeuzinho e a culpa e o remorso por mandá-la embora.

Khal detinha o mesmo sentimento. Caso seu irmão falecesse, a responsabilidade cairia sobre si e teria que carregar o peso da morte de Hiram pelo resto de sua vida maçante.

O rapaz encontrava-se desesperado, sem norte e sem saber como proceder diante daquilo, dado que nada curava a ferida aberta no braço do lobo negro.

As misturas de ervas não funcionavam como deveriam e aquilo era esquisito, os licantropos possuíam a imunidade alta e curavam-se de maneira mais acelerada que os humanos.

Khal velava o sono do irmão, somente para ter certeza que estava respirando e que acordaria. Ele o amava, mesmo com todas as implicâncias e as barganhas de acusações entre ambos.

Possuem o mesmo sangue e nada no mundo poderia destruir definitivamente esse elo, nem o amor de uma mulher.

A lareira queimava a lenha há horas ininterruptas. Ter posto Hiram para descansar próximo a ela, poderia ser considerado uma má ideia, o cobertor que o envolvia, estava repleto de cinzas.

Khal desprendeu um sorriso nasalado, observando a cinza pousar na testa do homem, que começou a despertar aos poucos, assimilando as coisas ao redor, inclusive as orbes douradas que seu irmão fixava sobre ele.

Hiram distinguia a preocupação no rosto do rapaz, mas não gostava de ser assistido daquela maneira, com pena explícita e quase sendo demonstrada.

Não importava o quanto estava péssimo, simplesmente não permitiria que aquilo continuasse. Passou a língua pelos lábios, que antes eram rosados e encantadores, mas naquele momento encontravam-se pálidos, denunciando sua saúde frágil.

Umideceu as cordas vocais, engolindo um pouco de saliva, antes de iniciar a discutir com seu irmão. Hiram sabia que Khal se sentia culpado por aquela situação, no entanto, não queria que ele carregasse o fardo.

— Para de me olhar como se eu estivesse morrendo. — o moreno sorriu de lado, do jeito que sempre fazia. Não importava a circunstância, ele usava o tom irônico.

— Desculpe... — Khal abaixou o olhar, sorrindo com o comentário. — Como está se sentindo?

— Com você encarando-me dessa forma, já posso me considerar um defunto. Até me assustei ao acordar e deparar-me com sua cara feia... Pretendendo me matar no susto?

— Pare com essa conversa fiada, meu irmão! Diga a verdade... Por favor.

— Não se preocupe comigo... — Hiram tentou tranquilizá-lo, mas não funcionou.

Khal repousou o dorso da mão sobre a testa do homem deitado, para averiguar a temperatura dele. Ao sentir a febre quase queimando-o, o medo de vê-lo morrer ali, o dominou.

— Por Deus! Você está quase incendiando... Preciso chamar um curandeiro ou alguém que saiba lidar com isso.

— Como? Acha mesmo que alguém iria nos ajudar? Só se for com uma fogueira para nos queimarem vivos. — suspirou, cerrando brevemente os olhos pela dor. Hiram não queria deixá-lo preocupado, porém a gravidade da infecção era alta e não estava bem. Na verdade, nunca se sentiu tão doente. — Sou um moribundo, irmão... Não irei mentir, mas não se sinta culpado. Não quero morrer sabendo que você irá se martirizar por minha morte.

— Claro que a culpa é minha, Hiram... — sua visão embaçou pelas lágrimas que começaram a se formar na linha d'água dos olhos. — Não acredito que acertei uma faca em você, meu irmão. Eu sou idiota e nunca irei me perdoar por isso.

— Você ser idiota não é novidade... — deslaçou um sorriso, com o semblante cansado, mesmo após dormir por horas. — Só para amenizar um pouco do seu sofrimento, também sinto-me culpado.

— Pelo quê?

— Pela Anne... Me arrependo tanto... Equivoquei-me ao presumir que ela retornaria tão facilmente. Sinto-me culpado e mais debilitado pela saudade do que pela própria doença.

— Também sinto falta dela...

— Eu não sei o que está havendo comigo. Não consigo tirá-la da cabeça e isso me adoece... Tenho que vê-la ao menos uma última vez. — emitiu como numa súplica. 


Notas Finais


❤😊


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