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História Charmant - Capítulo 27


Escrita por: ArmyTiaDosGatos e pjmwires

Capítulo 27 - Pai?!


Jungkook

— Kookie, minha mãe e eu precisamos ir direto para a empresa. Quer voltar para Daegu ou ficar no meu apartamento aqui em Seul? — Tae pergunta assim saímos do avião. — Prefiro ficar pelo menos na mesma cidade que você, se não for te atrapalhar. — Não atrapalha. O senhor Hyo vai te levar até meu apartamento. Vou te enviar a senha da porta. — Ele diz, em seguida me dá um beijinho. — Te vejo mais tarde. 

— Tudo bem. Boa sorte. —Dou um beijinho rápido. — Até mais Sunny.

— Até, querido. — Minha sogra me abraça rapidamente.

Os dois entram em um carro e o senhor Hyo me guia até o outro. Ele é um muito gentil e me ajuda levar as malas até o carro, até porque são muitas. Tae é sempre exagerado. Na metade do caminho, recebo uma mensagem com a senha da porta.


Oi amor. A senha é 134340. Fique à vontade para fazer o que quiser. A geladeira está vazia, se quiser pedir algo, os menus de restaurante estão na cozinha.

Te amo.


Não se preocupe comigo. Vou ficar bem aqui. Boa sorte. Te amo.


— Chegamos senhor Jeon. — Senhor Hyo anuncia quando paramos diante de um enorme condomínio vertical.

O estacionamento é gigantesco, mas são os carros esporte que me chamam atenção. É um tapa na cara quando paramos na vaga de Tae. Uma coisa é saber que ele tem mais dinheiro que eu, outra totalmente diferente é ver isso de fato. Apesar de saber que Tae não se importa com isso quando está comigo, me sinto mal quando comparo meu carro com aqueles parados em suas vagas.

— Senhor Jeon? Vamos? Vou acompanhá-lo até o apartamento, para levar as malas. — Senhor Hyo me tira do meu devaneio.

— Sim! Claro. Eu levo duas e você duas, pode ser?

— Certo.

Subimos com as malas e eu digito a senha liberando nossa entrada no apartamento. Até mesmo a entrada do lugar tem a cara do Tae. Senhor Hyo desce para pegar as últimas malas, o que me dá tempo de conhecer tudo superficialmente. O apartamento grita o bom gosto de seu proprietário em cada detalhe. Abro a geladeira, está totalmente vazia. Então tenho uma ideia. Assim que a porta se abre novamente, abordo o senhor Hyo.

— O senhor pode me levar a uma confeitaria, por favor? — Peço.

— Claro.

Imagino que Tae vá precisar de algo para deixá-lo mais feliz depois de um dia estressante, pensando nisso opto por doces. Fico chocado com a quantidade de opções disponíveis. Depois de mais ou menos meia hora, estou de volta ao apartamento, dessa vez sozinho. Senhor Hyo foi para a Charmant, ficar à disposição de Tae.

Tiro da mala o essencial, produtos de higiene e algumas roupas. Sigo para o quarto de Tae, parando alguns minutos para observar o closet e a quantidade absurda de roupas que ainda ficaram por aqui. Tomo um bom banho e visto algo confortável. Passo um bom tempo procurando os menus de restaurantes, não os encontro, até desconfiar de algo. O tablet sobre a bancada.

— Bem debaixo do meu nariz. — Murmuro rindo.

Escolho algo saboroso e que Tae vá gostar. Aproveito para enviar uma mensagem.


Oi Amor. Espero que a reunião esteja correndo bem. Todos sabem que você é a melhor opção para a Charmant. Vai dar tudo certo. Pedi o jantar, vou te esperar. Te amo.


Aproveito para observar os detalhes do apartamento enquanto espero o jantar e Tae. Há fotos de Tae com a mãe, com o irmão e também com Jimin e Yoongi em toda a casa. No quarto há uma foto de Tae, apenas sua silhueta, mas eu reconheceria em qualquer lugar seu corpo maravilhoso e principalmente o rosto tão delineado e os cabelos meio bagunçados.

— Tão lindo. — Admiro.

Há pequenos enfeites vindos de todos os lugares do mundo. Desde uma mini Muralha da China à uma versão miniatura da Estátua da Liberdade. Algo me chama a atenção na sala, um toca discos de verdade, o mais impressionante é a quantidade de discos que Tae possui. Torço para que ele não fique nervoso, mas preciso ouvir algumas dessas obras de arte. O primeiro é o álbum do grande Sinatra. Me distraio ouvindo a música, dançando com uma almofada do sofá.

— Estou interrompendo algo? — Tae pergunta me pegando desprevenido. — Posso voltar mais tarde, quando você e a almofada tiverem terminado sua dança. O jantar pode esperar. — Ele ergue uma sacola de papel com o nome do restaurante onde fiz o pedido.

— Tae! Eu... Me desculpe, não resisti. Olhei para os discos, eles olharam para mim.

— Tudo bem, mas o que acha de jantar agora? Estou faminto.

— Como você apareceu com o jantar?

— Encontrei o entregador no lobby.

Tae parece exausto. A mesa já está posta, então apenas nos servimos. Ele abre uma garrafa de vinho e serve uma taça para cada um.

— Deu tudo certo? — Pergunto curioso, mas me sinto mal, ele parece cansado. — Desculpe. Não precisa falar sobre isso agora.

— Está tudo bem. — Ele segura minha mão livre. — Meu pai é um crápula arrogante. Tudo que ele conseguiu foi irritar o Conselho e mais ainda a mim. Convocar uma reunião logo depois do feriado com "provas" de que eu desvio dinheiro da empresa. Provas essas que eu provei serem falsas. Ele não conhece limites para ser ridículo.

— Ficou tudo bem?

— Por enquanto sim, mas a empresa vai passar por uma auditoria para averiguar tudo. Vou ter que ficar por aqui até o ano novo. Sinto muito por isso, Kookie. Prometi a França e estou te dando alguns dias em outro apartamento.

— Está tudo bem. Nós podemos conhecer o restante da França na nossa Lua de Mel. — Digo com um sorriso e sou correspondido.

— Humm. Boa ideia.

— Em Seul também há lugares que nunca vi. Desde que eu esteja com você, mesmo que apenas algumas horas por dia, já é mais que o suficiente. O lugar não importa muito, você sim. — Digo e lhe roubo um beijo.

— Jungkook, você é o noivo dos sonhos.

— Claro que sou. Para ser seu par, é um pré requisito. — Digo sorrindo.

Jantamos tranquilamente e depois ajudo Tae com seu banho. Seguido por uma massagem relaxante e uma boa noite de sono. O observo por alguns minutos antes de cair no sono também. Acordo com o barulho de Tae no banho.

— Shh. Volte a dormir. O jet leg vai começar a mexer com seu sono. Está muito cedo ainda. — Ele diz fazendo um carinho em meus cabelos.

— Ok. Te amo. Tenha um bom dia. — Digo dando um beijinho em sua bochecha.

— Também te amo. Bom dia.

Volto a dormir em seguida. Quando acordo novamente, Tae já se foi. Aproveito para cuidar da bagunça que deixamos na cozinha ontem. Com tudo arrumado, me sinto inquieto, mas sem nada para fazer. Ao mexer no celular, me dou conta de que faltam dois dias para o aniversário de Tae. Acabo empolgado imaginando o que farei para ele nesse dia. Porém me lembro da conversa que ouvi entre Tae e sua mãe. Sunny tinha planos, achei melhor verificar como ficaram os planos. Envio uma mensagem para Tae.


Oi noivo lindo! Queria o número da sua mãe, por favor.


Eu sabia! Minha mãe está te roubando de mim. Que absurdo!

Ela também me pediu seu número.


Junto da resposta bem humorada, vem o contato de Sunny. Antes que eu envie uma mensagem para ela, chega outra de Tae.


Ela troca de número constantemente, mas geralmente já manda mensagem com o número novo quando o faz.

Como foi seu dia até agora?


Acordei sozinho em uma cama fria, com saudades do meu amor.

E o seu?


Tive que deixar a cama quentinha ao lado do meu amor para aguentar velhos chatos e sua auditoria sem sentido.


Que triste. T_T

Quer almoçar comigo?


Claro! Vou pedir para Hyo te buscar. Conheço um ótimo lugar.


Tudo bem. Nos vemos no almoço.


Sorrio ainda encarando o telefone. Lembro que ainda não falei com Sunny, então o faço.


Bom dia Sunny. É o Jungkook. Espero que esteja tudo bem.


Envio mesmo sabendo que a resposta pode demorar. Aproveito para tentar compor mais um pouco. Algumas partes parecem boas, mas não o suficiente. Vou pedir ajuda para Yoongi quando ele puder. Talvez eu deva escrever uma música para Tae como presente de aniversário? Não. Eu não sou tão bom nisso. Um dia, vou escrever algo para Tae. Talvez para o nosso casamento. Meu telefone vibra me tirando dos meus devaneios.


Jungkook! Que bom que Tae te passou meu número.

Tudo bem até agora?


Tudo bem sim. Achei que fosse sentir muito mais os efeitos do jet leg.

O aniversário de Tae é em dois dias. Não pude deixar de ouvir vocês conversando naquele dia. Então quis verificar seus planos, antes de iniciar os meus.


Eu pensei em reunir meus filhos no apartamento que mantenho aqui em Seul e cozinhar algo saboroso para o jantar.


Certo. Vou me planejar para depois do jantar. Busco Tae em seu apartamento e levo para casa.


Querido, você também é como meu filho. Logo, também estará no jantar.


Eu acho que devia ser algo entre vocês três.


Bobagem. Jin não se incomoda e sei que Taehyung ia adorar.


Nesse caso, agradeço o convite.


Nos vemos em minha casa.


Até lá!


Resolvo me arrumar para o almoço com Tae. Lembro que Seul terá muito mais fotógrafos e repórteres do que Daegu. Passo um bom tempo procurando a roupa certa. Nada parece bom o suficiente. Decido que quando voltar para Daegu vou pedir ajuda para Hobi. Com muito custo acho um bom conjunto, mas o casaco não parece tão bom. Meu celular anuncia uma mensagem de Tae.


Amor, está muito frio. Pegue algum dos meus casacos se achar que o seu não será o suficiente.


Você está me vigiando?

Talvez...


Olho em volta à procura de câmeras, mas não encontro nenhuma. Tenho uma ideia.


Aproveite o show.

??


Tiro minhas roupas e começo a me tocar gemendo o nome de Tae. Atento ao telefone. Paro no meio do processo e sigo para o banheiro. Se Tae estava de fato me observando, vai protestar em breve. Aproveito para tomar um banho e cuidar de mim. Quando saio do banheiro, verifico o telefone.


Amor? Tem uma câmera no closet, só eu tenho acesso à ela.

Volta, quero te ver.


Só à noite.


Tudo bem. Senhor Hyo vai te buscar em meia hora.


Ok.


Deixo o telefone de lado e visto minha roupa. Hobi me ensinou a passar um pouquinho de maquiagem, então o faço, para ninguém dizer que Tae namora um homem feio. Passo pelo closet e pego um casaco escuro que parece combinar muito bem com o restante da roupa. É tempo mais que suficiente para o senhor Hyo chegar.

O cumprimento assim que entro no carro. O caminho para a Charmant é demorado, por conta do trânsito e também da neve que cai sobre toda a cidade. Felizmente, chegamos no horário certo para buscar Tae.

— Oi amor. — Ele sorri e deixa um beijo em minha bochecha quando entra no carro.

— Olá bisbilhoteiro. — Digo fingindo estar bravo.

— Eu vi por acaso, não foi planejado. Estava conferindo se um casaco xadrez que eu detesto ainda estava no meu closet. Você estava lá revirando suas malas, então pensei em ajudar. Não fica bravo.

— Eu não estou bravo.

— Você está lindo.

— Obrigado. — Respondo sorrindo. — Você também não está nada mal.

— Depois vou te cobrar a continuação do que vi mais cedo no closet. — Ele diz me roubando um beijo.

O restaurante onde almoçamos é tranquilo, as pessoas não fazem alarde em nos ver. Provavelmente porque Tae deve aparecer por aqui várias vezes. Estranhamente um homem de meia idade para ao lado de Tae e coloca uma mão em seu ombro, o assustando.

— O restaurante para pérfidos fica do outro lado da cidade. — Tae diz seriamente assim que olha para o homem.

— Taehyung, mais respeito com seu pai. — O homem retruca.

— Pai? Não sei quem é. Nunca tive pai. Agora, se nos der licença. — Tae aponta para a saída.

— O restaurante não é seu, garoto. Ficarei para almoçar.

— Na verdade... — Tae acena levemente e um dos garçons aparece. — Por favor, informe a segurança que este senhor deve ser escoltado até a saída sem alarde. Muito obrigado. — Ele sorri para o rapaz, que sai em seguida. — Eu sou um dos sócios do restaurante, portanto, vou pedir que saia imediatamente. Rápido, antes que eu perca a fome.

— Você e essa sua aberração — ele aponta para mim — é que deveriam sair. Isso não é natural, Taehyung. Sabe bem disso.

Antes que eu diga algo ou mesmo tenha tempo de esboçar alguma reação, um segurança aparece e guia o homem para fora. Tae tem as mãos trêmulas, as seguro tentando lhe passar um pouco de conforto.

— Sinto muito por isso, Kookie. — Ele tenta esboçar um sorriso, mas uma lágrima solitária corre por seu rosto. — Ele nunca vai aceitar quem eu sou.

— Amor, vai ficar tudo bem.

— Você conheceu minha mãe e agora meu pai. Ou o projeto de um pai.

— Nada vai fazer com que eu te ame menos. — Deixo um beijo em sua mão.

— Também te amo. Agora vamos comer, estou faminto.

O almoço é tranquilo. Sem interferências como a do homem cruel. Mesmo assim, sinto que Tae está triste, irritado, com toda razão. Resolvo tentar melhorar a situação.

— O que quer comer no seu café da manhã de aniversário? — Pergunto atraindo sua atenção.

— Você vai cozinhar para mim? — Ele me encara com um sorriso.

— Se não for algo muito difícil. Eu cozinho, se for elaborado, peço em algum lugar com todo amor e carinho.

— O que acha de cozinharmos juntos? Relembrar um pouco nossos primeiros dias como namorados. — Ele desenha pequenos círculos imaginários sobre a minha mão.

— Aqueles em que você cozinhava e eu ficava parado te encarando como um idiota? — Pergunto e ele ri.

— Você não me encarava como um idiota. Era bonitinho, eu me sentia incrivelmente amado. — Ele diz baixinho.

— Eu ainda sou e sempre serei louco por você, Tae. Só sei disfarçar um pouco melhor hoje em dia. Combinamos de fazer um café da manhã em conjunto. E o almoço? Você vai ter que ir trabalhar? — Faço um bico pensando nessa ideia.

— Eu sempre tiro um dia de folga, porém, dada a situação atual, creio que vou ter que trabalhar. O senhor Kim vai tentar me derrubar de qualquer forma, então preciso ser o mais cauteloso possível. Nós podemos ficar juntos durante o jantar na minha mãe. Prometo ficar o dia todo com você, depois de amanhã. — Ele sorri.

— Promete?

— Prometo.

Nos despedimos na porta da Charmant. Tae sobe para continuar seu trabalho. Senhor Hyo me deixa no apartamento.

— De volta à solidão. — Digo amargamente.

Estranhamente, a porta se abre no meio da tarde. Jimin passa por ela feito um furacão.

— Ah! Você está aqui. — Ele diz, mas passa por mim indo para o quarto de Tae.

— E você? O que faz aqui?

— Vim me atualizar sobre as compras que meu melhor amigo fez em Paris. Você sabe. Para não dar algo que ele já tenha. — Ele revira o closet e as malas de Tae e então sorri. — Já sei! — Então sai sem dizer mais nada.

— O PRESENTE! Não sei o que dar para Tae! — Ando de um lado para outro tentando pensar em algo. — Hobi! Ele sempre foi melhor nisso.

Pego meu telefone, digitando rapidamente o número do meu melhor amigo. Ele demora para atender.

Jungkook! Soube do problema da Charmant. Não se fala em outra coisa. Como Tae está?

— Está bem. E nossa segunda mãe?

Senhora Park, futura senhora Jung, porque faço questão de trocar o sobrenome da minha futura esposa, não teve melhora, mas não teve piora também. O médico disse que há boas chances.

— Ótimo! Bom saber que ela vai ficar bem. Hobi, preciso de sua ajuda com algo.

Diga.

— Preciso comprar um presente para Tae. Não sei o que dar.

Certo. Tem algumas opções ou temos que começar do zero?

— Do zero.

Ok. Tae é uma pessoa simples apesar de todo o poder. É o primeiro aniversário de um de vocês como um casal. Lembre sempre disso. A sala dele na empresa tem alguns detalhes dessa parte da sua personalidade. E se ao invés de comprar algo, você proporcionar uma boa lembrança para ele?

— Você acha? — Pergunto ainda receoso.

Claro. Preciso ir, nos falamos mais tarde?

— Pode ser. Obrigado.

Não por isso.

Hobi desliga e eu continuo um pouco perdido. Uma boa lembrança... Reflito nisso por um bom tempo. Observo as fotos em sua sala mais uma vez. Há fotos de sua infância segurando bolos de aniversário com o passar dos anos, mas não muitas. Me lembro de nossa conversa sobre seu pai promover festas enormes com pessoas esnobes para fechar negócios. Deve ser por isso que os bolos pararam. Uma ideia louca me passa pela cabeça.

— Vou fazer um bolo para Tae. Não deve ser tão difícil. — Digo convicto.

Pesquiso algumas receitas e descubro que pode ser difícil sim. Oh, droga. Me arrependo de nunca ter aprendido a cozinhar além do básico. Felizmente, existem confeitarias no mundo. Logo tenho o telefone de algumas. Resolvo ligar para fazer a encomenda, assim não haverão erros. Buscarei o bolo na tarde de amanhã.

Recheio de pêssego? — A atendente pergunta.

— Isso. Você pode escrever "Happy Birthday Tae"? — Pergunto para a moça.

Claro, senhor. Sem problemas.

— Certo. Muito obrigado.

Pensei em pedir que colocassem a frase em coreano, mas quis impressionar Tae um pouco. Tenho aperfeiçoado meu inglês nos últimos tempos. Yoongi já havia me mandado começar a estudar uns quatro anos atrás, graças a ele não passei vergonha quando fomos aos Estados Unidos. Apenas o bolo não parece o suficiente para essa situação, mesmo querendo comprar até a Lua para Tae, me lembro do que Hobi disse e mantenho as coisas simples. Afinal, ao longo da vida do meu amado, seu pai já fez espetáculo mais que suficiente com seus aniversários. Compro online, um par de brincos que ficarão muito bonitos em suas orelhas, marco a retirada para amanhã à tarde.

Tae chegou tão cansado que quase tive que obrigá-lo a comer antes de ajudá-lo a tomar banho e se deitar. Nesse momento, encaro seu rosto tão sereno, dormindo tranquilamente. Acabo sorrindo e roubando um beijinho dele, o que faz com que solte um suspiro baixinho.

— Você é tão incrível, Tae. Lindo, gentil, bondoso, fofo, mas também é voraz e muito sexy. — Sussurro deixando um carinho em seus cabelos. — Te amo.

Me deito ao seu lado e adormeço observando a mais bela obra de arte do mundo, meu lindo Taehyung. Acordo no dia seguinte, um pouco antes do horário habitual. Passo pelo banheiro, garantindo que ficarei lindo e cheiroso para desejar feliz aniversário para o meu amado. Termino a tempo para acordar Tae. Vi que ele colocou um alarme para sete horas. Quando dá o horário, começo o processo para acordá-lo. Primeiro fazendo um carinho suave em seus cabelos, em seguida deixando um beijinho em sua testa.

— TaeTae. — Sussurro. — São sete horas.

Passo a mão em sua bochecha. Ele começa a acordar, mas acho que meus carinhos estão fazendo com que ele durma mais, então o chamo novamente.

— Tae, são sete horas. — Digo próximo ao seu ouvido. — É um dia importante, acorde. — Beijo sua bochecha, então a testa nariz, e lábios. Ele sorri.

— Esse é o melhor despertador que já tive em um aniversário. — Ele diz com a voz rouca.

— O primeiro de muitos. — Digo dando mais um beijinho em seu rosto.

— Deita aqui comigo? — Ele faz um bico. — Está frio.

— Tudo bem.

Me deito na cama e ele me abraça. Não trocaria esse momento por nada. A respiração suave dele batendo em meu pescoço, os dedos longos deixando um carinho em meu braço e principalmente, seu rosto lindo e tranquilo sorrindo para mim.

— Te amo. — Sussurro apaixonado.

— Também te amo.

— Feliz aniversário, amor.

— Esse vai ser o melhor de todos. — Ele sorri. — Vamos pedir nosso café da manhã ao invés de fazer e curtir um pouquinho aqui deitados? Estou tão cansado. — O biquinho que ele faz me derrete.

— O dia é seu. Você escolhe o que fazer, quando, onde e como quiser.

— Nesse caso, vamos pedir o café da manhã e gastar um bom tempo namorando no chuveiro. O que acha?

— Que estou vestindo roupas de mais e você também. — Minha resposta o faz rir.

Tae faz o pedido do café da manhã, então o carrego até o banheiro, já recebendo alguns beijinhos no pescoço. Trocamos carinhos singelos durante o banho. O café é tranquilo, mas logo Tae recebeu uma mensagem da empresa. Ele se foi e eu fiquei no apartamento, sozinho outra vez. Resolvi limpar tudo e verificar nas minhas malas, uma roupa adequada para o jantar de hoje. Aproveitei para cuidar de mim, assim, Taehyung não resistirá a mim esta noite. À tarde fui buscar o bolo e os brincos que comprei para meu amado.

Me sinto nervoso, Tae segura minha mão e sorri. Assim que a porta se abre, vejo o irmão mais velho me encarando.

— Você é o tal namorado? — Jin pergunta.

— Sim. Sou Jeon Jungkook.

— Quais são suas intenções com meu precioso irmão caçula? — Ele pergunta cruzando os braços, mas antes que eu abra a boca para responder, Tae intervém.

— Já chega, Jin. Pare de assustar ele assim. — Tae me guia para entrar.

— TaeTae, só faço isso porque te amo e preciso cuidar de você. — O irmão resmunga.

— Não acredito! Kim Seokjin! — Sunny aparece na sala. — O que eu disse sobre constranger meu menino Jungkook?

— Mãe! Eu só... — Ele começa, mas ela interrompe.

— O que eu disse? — Ela pergunta novamente.

— Que não era para fazer. — Ele responde cabisbaixo.

— Eu deveria deixar você sem sobremesa.

— Mãe, eu não sou criança. — Ele protesta.

— Se comporta como uma, às vezes. — Sunny rebate. — Enfim, vem com a mamãe, Taehyung. — Ela abre os braços para o filho.

Eles se abraçam carinhosamente. É sempre bom ver a cumplicidade entre os dois. Me pego sorrindo encarando ambos. Até que Sunny me abraça também.

— Como tem passado, meu genro? — Ela pergunta afagando meus cabelos.

— Bem. Muito bem, na verdade. — Sorrio.

— Vamos comer! Estamos todos famintos e o jantar está servido. — Sunny diz sorridente.

O jantar é divertido, com comidas saborosas e risadas. Tae parece genuinamente feliz e isso por si, já me deixa satisfeito. Seokjin passou boa parte do tempo fazendo brincadeiras comigo, sinto que seremos bons amigos. Sunny e Seokjin deram roupas desenhadas por eles para Tae. Imagino que seja um hábito deles de longa data. Mal posso esperar para vê-lo vestido com as roupas novas. Ao mesmo tempo me senti mal por não dar algo tão incrível à Ele. Ao contrário do que imaginava, não ficamos muito tempo na casa de Sunny.

— Você não está com uma carinha muito boa. — Tae comenta quando paramos no Sinal.

— Eu comprei algo para você, mas não é tão especial como o que Sunny e Seokjin deram.

— O que vale é que você se lembrou e fez algo pensando em mim, em me fazer feliz, esse é o meu melhor presente. Me sentir amado.

— Certo. Espero que tenha guardado um espaço para comer mais uma coisinha. — Digo sorrindo.

— Do que estamos falando, exatamente? — Ele pergunta sem tirar os olhos do trânsito.

— Bolo.

— Eu amo bolo! Você sabe. Tenho certeza que vou amar.

Conversamos mais um pouco pelo caminho. Assim que chegamos ao apartamento, Tae insiste em abrir seu bolo. Quando ele abre a caixa, a vontade que tenho é de chorar desesperadamente sentado no chão da cozinha. No bolo, bem no centro. Lá está! Happy Birthday Ty. TY! T. Y. Eu quero morrer. Ninguém pode ser tão azarado assim.

— Amor, me perdoa. Eu não sabia que eles entenderiam seu nome errado. — Digo já querendo chorar.

— Kookie, não se preocupe. Olha só! — Tae tira a letra Y. — Viu? Agora temos, "Happy Birthday T".

— Eu...

— Amor! — Ele me interrompe. — O que vale, mais que tudo, é sua intenção. De me fazer feliz, sorrir e me sentir especial. Eu adorei.

Acabo sorrindo quando ele me dá um beijinho.

— Agora vamos comer bolo? — Ele pergunta já pegando pratos e talheres.

— Seu pedido é uma ordem.

Assim que Tae corta o bolo, ele faz uma pequena careta. Algo está errado.

— Qual o recheio do bolo? — Ele pergunta.

— Um tipo de creme de pêssego, mousse, não entendi bem quanto a moça disse. Parecia delicioso quando ela descreveu.

— Eu... — Ele parece receoso. — Kookie, sinto muito. Tenho certeza que o bolo está magnífico, mas não posso comer.

— Você não gosta de pêssegos? — Por essa eu não esperava.

— Não! Não. Eu tenho alergia.

— Você tem alergia de pêssego? — Pergunto tentando confirmar minha falta de sorte.

— Sim. Ah, eu sinto muito. — Ele diz cabisbaixo.

— Sou eu quem sente muito, Tae. Devia ter perguntado, ainda que disfarçadamente, sobre alergias. Me desculpe.

— Está tudo bem. Sua intenção já valeu mais que qualquer coisa. — Ele me dá um beijinho.

— Isso quer dizer que nunca vamos poder recriar aquela cena de Call Me By Your Name? — Pergunto para quebrar o clima estranho.

Funciona perfeitamente bem, já que Tae dá a risada mais incrível da noite. Ele me encara em seguida.

— Não vamos poder usar o pêssego, mas isso não significa que não podemos fazer o restante. — Tae me rouba um beijo gostoso, com toques de desejo e luxúria. — Eu quero um último presente de aniversário.

— Tudo o que você quiser. — Respondo totalmente entregue.

— Quero que você me foda, bem gostoso nessa bancada. — Ele sussurra, me fazendo arrepiar por completo.

— Seu desejo é uma ordem.

O beijo com desejo, já o ajudando a tirar as próprias roupas. Logo Tae está totalmente e lindamente nu, sentado sobre a bancada. Beijo seus lábios mais uma vez, então desço por seu pescoço, peito, abdômen e então beijo sua glande acompanhando sua pele arrepiar. Minha boca saliva em desejo por esse homem.

— Kookie. — Ele geme meu nome quando o coloco na boca.

Com os estímulos certos, logo o tenho totalmente entregue. Ele se deita sobre a bancada e apoia os pés na beirada da mesma. Isso faz com que ele fique totalmente exposto para mim. Me lembro que temos um potinho com lubrificante na cozinha. O pego, e retorno aos movimentos. Chupar Tae e estimular sua entrada com os dedos. Seus gemidos vão se tornando mais altos e arrastados. Quando tenho certeza de que ele está totalmente preparado, deslizo o preservativo por minha extensão, passando mais um pouco de lubrificante. Entrando aos poucos, dando a oportunidade para que meu amado se acostume. Estar dentro dele é incrivelmente gostoso, apertado, quente, delicioso. Principalmente quando ele começa a rebolar e gemer todo manhoso. Começo me mover lentamente, vendo Tae fechar os olhos e gemer em puro prazer. Seguro sua mão, para lembrá-lo de que estou aqui. Me inclino sobre seu corpo, beijando seus lábios com desejo.

— Te amo, Tae. — Ele abre os olhos e sorri para mim.

— Também te amo, Kookie.

Aos poucos vou aumentando a velocidade, tendo que segurar sua cintura, para mantê-lo no lugar. Os gemidos cortados, as respirações curtas, tudo favorece para que nossos orgasmos se aproximem. Em pouco tempo, Tae alcança sua liberação, sendo seguido por mim. O beijo mais uma vez antes de recuperarmos o fôlego.

— Feliz aniversário. — Digo sorrindo.

— O melhor de todos.

Tomamos um banho regado a carícias e sorrisos. Quando vamos nos deitar, me lembro dos brincos. Me levanto rapidamente e os entrego ao meu amado.

— São lindos, Kookie! — Ele me abraça. — Adorei.

— Fico feliz que tenha gostado.

— Tanto que vou usá-lo amanhã durante a comemoração de fim de ano.

Sorrio amplamente ao ouvir isso. É nosso primeiro ano novo juntos, além de estar tão perto de fazer um ano que nos conhecemos.

Tae me acorda na manhã seguinte com vários beijos. Ele parece eufórico. Provavelmente com o encerramento de mais um ano ou talvez por conseguir uma folga. De qualquer forma, é muito bom vê-lo sorrindo e dançando enquanto faz nosso café. Como prometido, Tae realmente passou o dia todo comigo. Me levou para uma volta às margens do rio Han. Almoçamos tranquilamente em um pequeno restaurante onde uma senhora muito gentil disse conhecer Tae desde a faculdade e que cada dia ele se torna mais bonito. Voltamos para casa, em uma tarde regada de beijos e carinhos. Depois de um cochilo no final da tarde, nos preparamos para a festa de fim de ano organizada por Seokjin. Tae usou os brincos que dei, em conjunto com peças de alfaiataria que o deixaram ainda mais lindo. O que me fez passar boa parte da noite babando na beleza dele.

— Ele é lindo, não é? — Sunny para ao meu lado.

— Perfeito. — Respondo sem tirar os olhos dele.

— Fico feliz que tenham se encontrado e principalmente, tido coragem para dar o braço a torcer e ficarem juntos. Fazia muito tempo que não via meu filho tão feliz. Não existe presente melhor para uma mãe. — A encaro, vendo seu sorriso.

— Sou muito feliz em ter Tae ao meu lado.

— Quero te dar algo. — Ela estende uma caixinha em minha direção.

— Eu... Não posso aceitar.

— Você nem abriu. — Ela diz com uma risada. — Vamos, abra.

Abro a caixa dando de cara com um medalhão de formato circular, simples, porém lindo. Encaro Sunny um pouco surpreso.

— Aqui. — Ela o abre e há uma foto minha com Tae sentado em meu colo. — Tirei essa foto ontem, vocês estavam tão lindos conversando que eu não resisti. Mandei fazer esse relicário ainda na França, após nosso primeiro jantar.

K. T. & J. J. — Digo passando o dedo sobre a parte gravada.

— Ele se abre mais uma vez, para colocar a foto de um futuro neto. — Seu sorriso se torna mais amplo.

— Em algum tempo, lhe daremos um neto, não se preocupe. — Recebo um abraço caloroso. — Obrigado por esse presente tão lindo.

— Vou entregar o de Tae. Aproveite a festa.

Observo Sunny seguir em direção ao filho. Ele sorri para ela assim que se encontram. O sorriso dele se torna ainda mais belo quando vê a caixinha e o relicário. Ele me procura entre as pessoas e sorri. Eu o amo, com todo o meu ser. Ver Tae vindo em minha direção, sorrindo daquela forma, faz meu coração disparar.

— Vejo que já recebeu o seu. — Ele diz apontando para a caixinha.

— Sim. É lindo! Quis esperar para colocarmos juntos.

— Você é sempre maravilhoso. — Ele olha no relógio e então segura minha mão. — Vem comigo.

Subimos as escadas, Tae nos guia até uma porta de vidro no final do corredor. É um tipo de estufa, com várias flores e um pequeno sofá no meio.

— Jin tem seu hobby com plantas, esse lugar é sempre lindo. — Tae diz acendendo uma luz.

Ele estende a mão em minha direção. Lhe entrego a caixinha e ele faz o mesmo. Ajudo Tae com o fecho do seu sendo retribuído em seguida. Quando me viro em sua direção outra vez, ele me rouba um beijo.

— Te amo. — Sussurro ainda abraçado à ele.

— Também te amo. — Ele responde baixinho.

Fogos de artifício iluminam o céu. É mágico. Não há outra forma de descrever esse momento. Beijo Tae de forma amorosa.

— Feliz ano novo. — Ele deseja.

— Feliz ano novo. O primeiro de muitos juntos.

Tae me empurra para o sofá e se senta em meu colo. Trocamos beijos por mais um tempo, pelo menos até Jin aparecer na porta.

— Vocês estão aí! Mamãe está chamando. Vamos logo. — E tão rápido quanto entrou, saiu.

Descemos arrumando um ao outro, ainda sorridentes e felizes por tudo o que houve. Sunny parece sempre sorridente, é incrível como ela consegue parecer sempre bonita. Talvez seja o sorriso. Ela anunciou aos filhos que pelos próximos meses estará em tempo integral no país e que em breve, haverá um jantar para que conheçam oficialmente seu namorado. Os filhos parecem felizes, então creio que tudo terminou bem.

— Vamos embora? — Tae pergunta dando um beijo em minha bochecha. — Há algo que eu quero fazer, que definitivamente não é de bom tom ser feito fora da nossa casa.

— Vamos.

Nos despedimos de todos e rapidamente vamos para o carro. Sou o motorista da vez, o que é uma missão quase impossível, já que Tae resolveu testar minha concentração com carinhos ousados. Com muito custo chegamos em casa. Assim que paro o carro, Tae desce, faço o mesmo. O encosto contra o carro beijando seus lábios com desejo. Nos controlamos com muito custo no elevador. Assim que a porta se fecha atrás de nós, Tae me ataca. Chegamos na sala descalços, sem camisa e com as calças já abertas. A partir daí tudo é guiado apenas pelo desejo. Ter Tae afundado dentro de mim, dizendo que me ama, é uma das maravilhas do mundo. Nenhum dos dois teve forças para sequer ir para o quarto. Dormimos abraçados no sofá.

O dia amanheceu frio e meu corpo todo dolorido. Tae acordou em seguida e tomamos um banho tranquilo juntos. Voltando a dormir após o café da manhã. Tivemos um dia preguiçoso e improdutivo deitados, assistindo filmes e namorando mais um pouco. Essa é uma tradição de ano novo que eu adoraria manter.

Quatro dias depois, a auditoria da Charmant foi encerrada. Obviamente não havia nada errado e o senhor Kim ficou com cara de tacho. Nos preparamos para voltar para Daegu. Nos despedimos de Sunny e Seokjin, arrumamos nossas malas e pegamos o trem. Chegamos de Seul já tarde da noite. Dormir parecia inevitável. Mal tomamos banho, já estávamos dormindo. 

 — Kookie? Amor? Acorda! — Ouço Tae me chamar. 

— O que houve? Está cedo. Vamos dormir um pouco. 

— Amor! Não! Você precisa ver isso! — Tae parece eufórico. 

Me dou por vencido e abro os olhos. Dou de cara com o sorriso radiante dele. É o suficiente para que eu não fique irritado por ser acordado tão cedo. 

— É você! — Ele coloca o celular à minha frente. Observo a tela. Somos Tae e eu cantando no carro a caminho do hospital para visitar a senhora Park. Não posso acreditar que aquela garota postou isso. 

— Tem mais de meio milhão de visualizações! Kookie! É você ali, cantando One Direction! — Ele dá pequenos pulinhos sobre a cama. 

— Somos nós cantando. Tem certeza? Todas essas visualizações. 

— Tenho! Olha! — Ele pega o telefone da minha mão e mostra os números. 

Não posso acreditar. Observo mas ainda não acredito. Meu telefone toca e o nome de Yoongi brilha na tela. 

Jungkook! Parabéns! Você é viral. A melhor publicidade, é aquela que vem de graça, ainda mais assim, alcançando milhares de pessoas. Vamos dar um jeito de voltar para o estúdio e terminar seu álbum. Temos que aproveitar que seu nome ainda está sendo falado. Vá para Ddaeng, chego lá em breve também. Leve Tae com você, Jimin disse que não quer ficar sozinho lá. Traga seu caderno de composições. — Ele desliga antes que eu possa dizer qualquer coisa. 

— O que houve? — Tae pergunta. 

— Yoongi disse que precisamos gravar e que devo levar você comigo, porque Jimin não quer ficar sozinho. — Digo ao mesmo tempo em que tento assimilar. 

— Amor? Você vai gravar seu álbum! Devia estar feliz. O que houve? — Tae deixa um carinho em minha bochecha enquanto pergunta. 

— Eu não consegui assimilar ainda. Cantar sempre foi algo que eu fazia com meu pai. Ele comprou meu carro quando eu tinha quinze anos. Por dois anos nós trabalhamos nele depois do expediente. Eu saía da escola e ia para a oficina ajudá-lo, era nosso momento para conversar, cantar ou apenas aproveitar a companhia um do outro. Ele dizia que eu tinha um dom, que minha voz era luz para outras pessoas. Seu sonho era que eu fosse para a faculdade e que um dia conseguisse gravar um álbum cantando minhas músicas favoritas. Simplesmente não posso acreditar que tudo que eu sonhava e imaginava enquanto consertava carros até altas horas, junto com aquele que sempre me motivou, está finalmente acontecendo. 

— É real, amor. Você finalmente está realizando seus sonhos. Estou tão feliz por você! Algo que seu pai e você sonharam por tanto tempo e agora está se concretizando. Parabéns meu amor. — Tae diz me dando um beijinho na testa. — Agora vamos nos arrumar, Yoongi deve estar muito empolgado. Quando você tiver gravado todo o álbum nós dois vamos comemorar. — Ele me dá um sorriso sugestivo. 

— Vou cobrar isso. — Digo retribuindo seu sorriso. 

Quando chegamos ao estúdio, Yoongi já está trabalhando em algo. Jimin está todo encolhido no sofá com um moletom que deve ter o dobro do seu tamanho. Tae logo se junta a ele no sofá enquanto Yoongi me manda entrar na cabine e começar o aquecimento vocal. Nós dois trabalhamos juntos nesse álbum desde que me mudei para Daegu. Só que era algo esporádico, até hoje tínhamos apenas algumas ideias e apenas uma música gravada. Ele folheia meu caderno de composições enquanto faço o aquecimento.

 — Vamos precisar de mais nove músicas para completar o álbum, Jungkook. — Yoongi diz com um sorriso. 

— Eu não tenho tudo isso escrito. — Começo a me preocupar. 

— Não seja bobo. Você tem umas quatro músicas prontas aqui, eu trabalho outras com você e te dou "Euphoria" de presente, mas vamos acelerar ela. Agora entre vamos começar a gravar. A manhã passou tão rapidamente que fiquei surpreso quando Yoongi anunciou pausa para o almoço. Tae e Jimin parecem ter comprado toda a comida da cidade. Eles relembram histórias ao mesmo tempo em que tentam me incluir em tudo o que é dito. É bom ver Tae tão sorridente e genuinamente feliz. O observo com certo fascínio. O formato peculiar de sua boca ao sorrir, a forma como seus olhos se apertam e suas bochechas parecem tão fofas. Lindo. De todas as formas, sempre lindo. 

— Alguém se apaixonou de novo. — Jimin cantarola olhando para mim. A atenção dos demais é voltada para mim. Sinto minhas bochechas arderem. Tae desliza a mão sobre a minha e entrelaça nossos dedos. 

— Nem preciso lembrar quem ficava horas e horas falando de um certo branquelo enquanto trabalhavamos na sala de moldes... — Tae diz dando um olhar sugestivo para Jimin. 

— Você falava de mim por horas? — Yoongi pergunta ao esposo com um sorriso convencido. 

— Eu não. — Jimin nega veemente. 

— Falava sim! Sobre como seu cabelo era brilhante, como você ficava sexy usando boné, como sua pele era macia e muitos outros detalhes. — Tae ri com o bico que Jimin faz. Yoongi abraça Jimin de lado e deixa um beijo em sua bochecha. Quando ele se levanta, chama Jimin para ir buscar um café consigo. 

— Esses dois não vão voltar tão cedo. — Tae diz ainda segurando minha mão. — Isso me dá tempo para dizer que você fica muito sexy com aqueles fones cantando todo concentrado. 

— De verdade? — É sempre bom ganhar um elogio dele. 

— De verdade. Podemos aproveitar que Jimin e Yoongi vão demorar e... — Tae me rouba um beijo. 

— Eles podem chegar a qualquer momento. — Tae faz um bico. — Vamos para outro lugar. — Completo, vendo seu sorriso amplo. 

— Kookie? — Paro e olho para trás. — Eu também me apaixono por você, todos os dias. 

Sorrio compreendendo que ele está respondendo o que Jimin disse mais cedo. Guio Tae até uma sala que não é usada por ninguém mesmo durante a semana. Ele tranca a porta e me pressiona contra ela. Adoro quando ele traz esse lado dominante. Nos beijamos intensamente, não faço ideia de por quanto tempo, mas foi o suficiente para que Yoongi e Jimin retornassem. 

— Eu até poderia brigar com vocês, mas como essa sala vai ser do Jungkook a partir de hoje, façam o que quiserem, mas fora do horário comercial. — Yoongi diz tranquilamente. 

— Eu... Isso é sério? — Pergunto embasbacado. 

— É sim. Você vai precisar de um lugar apropriado para compor e produzir. A sala é sua. Agora vamos voltar ao trabalho. 

Yoongi sai sendo seguido por Jimin. Tae me dá um último beijinho e me parabeniza pela sala nova. O dia passa rapidamente e logo estou a caminho de casa com Tae já bem sonolento no banco do carro. Assim que estamos chegando, noto uma movimentação estranha na porta do prédio. 

— Tae? Amor? Você tem algum escândalo para lidar no momento? — Pergunto ao ver os repórteres. 

— Não. Está tudo sob controle no momento. Acho que estão aqui por você. São poucos, então vamos conseguir passar com calma. 

Tae estava certo, conseguimos entrar no prédio tranquilamente. Não sem antes ter fotos tiradas sem que pudéssemos impedir. Seguimos nossa rotina de jantar e banho e então nos deitamos para dormir. 

 — Kookie? — Tae me encara sob a penumbra do quarto, vejo apenas seus olhos brilhantes. 

— Sim? 

— Acho que devemos mudar de apartamento. Sei o quanto você gosta daqui, mas você pode não estar mais seguro. — Ele faz carinho em meu peito enquanto expõe seu argumento. — Podemos procurar em um prédio com mais segurança. Talvez um pouquinho mais espaçoso, para que eu não faça tanta bagunça com as minhas roupas. 

— Tae, eu não ganho bem o suficiente para dividir o aluguel de um apartamento maior com você. E também não posso deixar Hobi na mão. 

 — Amor, você continuaria dividindo o aluguel com o Hobi, porém moraria comigo. 

— Não parece certo... 

— Jungkookie, estaríamos colocando em risco todo o prédio. Quando seu álbum sair, você vai passar a ter fãs. Já imaginou como seria arriscado? Para Hobi, você e os demais moradores. 

— Certo. Podemos procurar alguns lugares com calma amanhã. 

— Na verdade... — Ele me dá seu sorriso mais amplo. — Jimin e eu avaliamos os imóveis que Soobin me enviou hoje. Tenho três opções para nós. 

— Seu pequeno manipulador. — Digo fingindo repreende-lo. 

— Também te amo. — Ele pisca para mim. 

— Yoongi disse que acha melhor que eu não vá à aula amanhã, os repórteres podem aparecer por lá. 

— Podemos visitar os apartamentos logo cedo então. — Tae sugere alegremente.

— Tudo bem. Será que o corretor vai permitir uma visita assim tão em cima da hora? 

— Já dizia Ariana Grande, meu amor. I want it, I got it. Nós vamos visitar os três apartamentos amanhã pela manhã. 

De fato, quando paramos em frente ao primeiro prédio, poucos quilômetros do nosso atual, um corretor nos aguardava com um amplo sorriso. 

— Bom dia. É um prazer acompanhá-los nesta manhã. 

Tae é extremamente exigente ao avaliar o primeiro apartamento. Fazendo tantas perguntas ao corretor que se fosse eu no lugar do rapaz, já teria me perdido. O segundo apartamento é um pouco menor que o primeiro, mas parece tão bom quanto. Só que meu exigente namorado anda para todos os lados com um bico nos lábios. É quase hora do almoço quando chegamos ao terceiro e último apartamento. Algo cintila nos olhos de Tae. Não sei se foi a cozinha ampla, as janelas do chão ao teto ou a banheira incrivelmente grande na suíte. Talvez um conjunto de todos esses fatores somados a um closet grande e o fato de permitirem animais. Saímos de lá com o contrato assinado e as chaves balançando no bolso de Tae que tem o mais belo sorriso desde que assinou os papéis. 

— Tenho que ir para Ddaeng agora, quer que eu te deixe na Charmant? — Pergunto enquanto caminhamos até o carro. 

— Estou indo para Ddaeng também, Jimin e eu temos uma reunião à tarde. Podemos almoçar todos juntos. O que acha? 

— Ótimo. 

Encontramos Yoongi e Jimin em um restaurante ao lado da Ddaeng. O almoço é rápido, todos estão atarefados. Yoongi e eu passamos a tarde toda trabalhando em uma das composições que eu já havia iniciado. Quando finalmente volto para casa, há várias malas de Tae na porta. 

— Você está indo viajar? — Pergunto assim que o vejo sair do quarto com mais uma mala. 

— O que? Não! Estou empacotando minhas roupas para a nossa mudança. 

— Nem compramos os móveis, querido. — Digo rindo da sua empolgação. 

— Na verdade, eu meio que convenci o corretor a incluir os móveis no aluguel. Podemos nos mudar ainda hoje se quisermos. — Ele dá de ombros. 

— Vamos fazer todas as malas hoje e levamos tudo amanhã de manhã, pode ser? 

— Sim! 

Tae contratou uma empresa de mudanças para transportar as malas com nossas roupas e algumas poucas caixas com itens que estavam no meu quarto. Não quisemos levar muita coisa visto que Hobi esporadicamente dorme por aqui. Três dias depois, estamos oficialmente instalados no novo apartamento. Tae parece mais radiante a cada dia que passa. Yoongi tem me ajudado bastante com as composições, arranjos e gravações. Ele é um gênio em vários sentidos. Eu devia ter desconfiado que tanta alegria seria apenas um prelúdio dos tempos sombrios. Os tempos sombrios sempre vem para mim, dessa vez em forma de mensagem. 


Olá Jungkook! Aqui é Cami. Nós dormimos juntos em Las Vegas. 

Eu tenho notícias! 

Estou grávida e o bebê é seu. 


Faz meia hora que estou encarando meu telefone, completamente chocado. Meia hora sentado no sofá do estúdio quatro. Lendo e relendo a mensagem que recebi logo após uma pausa para um café já quase no final do dia. Yoongi parece tão chocado quanto eu. Meus dedos parecem cubos de gelo. Não consigo acreditar. Claro que liguei para ela imediatamente, que parecia bem feliz com a situação. 

 — O que eu faço agora? — Pergunto a mim em um sussurro. 

— Jungkook? — Yoongi me chama. — Tem certeza de que o bebê é seu? O que você se lembra daquela noite? 

Busco em minha mente, lembranças da noite em Las Vegas. Nada sexual vem à respeito de Cami. 

 — Não sei. Juro que não sei. Me lembro de beber com vocês, dela se apresentar para mim. Nós conversamos e ela sorria amplamente. Contei sobre Taehyung e então ela me convidou para um lugar mais reservado. Não me lembro de muito depois disso, sei que bebemos e ela me beijou. A partir daí, tudo é um grande borrão até a manhã anterior. Lembro de acordar nu, confuso e com uma baita dor de cabeça. 

— Droga. Tudo parece muito suspeito. — Ele diz coçando a cabeça. 

— Como eu vou contar isso para o Tae? Yoongi, ele pode terminar comigo por isso? O que eu vou fazer? — Me sinto sufocar em pânico. 

— Calma. Nada é tão simples, vamos por partes. Vocês não estavam juntos na época. E nem temos certeza de que esse bebê é seu. Ela pode estar dando um golpe. — O encaro confuso. — Jungkook, seu vídeo cantando com Tae no carro viralizou. Você tem certa fama. Estamos gravando seu álbum e isso foi noticiado. Não é estranho que ela apareça do nada com essa história de gravidez? Ela demorou três meses, quase quatro para te procurar. Por quê? 

— Não sei o que pensar. Juro que não sei. — Bagunço meus cabelos em agonia. 

— Vamos. Não vai dar para gravar mais nada hoje. Te deixo em casa. Você definitivamente não está em condições de dirigir. 

— Certo. 

Arrumamos nossas coisas e logo estamos no carro de Yoongi. O adesivo da Barbie que me fez reconhecer o antigo carro de Tae, ainda está no painel. Me distraio relembrando do dia em que o conheci. Respiro fundo quando paramos na porta do prédio. 

— Vai dar tudo certo. — Yoongi diz dando um aperto amigável no meu ombro. 

— Certo. Obrigado. 

Saio do carro e caminho nervosamente pela entrada. Cumprimento o porteiro e entro no elevador. Ao abrir a porta, ouço uma música baixinha e tranquila tocando. Sinal de que Tae já está em casa. Tiro os sapatos e caminho até a cozinha vendo meu namorado distraído mexendo algo em uma panela. 

— O cheiro está ótimo. — Digo vendo seu sobressalto com o susto. 

— Está quase pronto. — Ele se vira para mim sorrindo. — Pode ir tomar banho. 

 — Certo. 

Nem o banho me acalma. Sigo a passos desconfiados de volta para a cozinha. A mesa está posta, tudo parece muito bom, mas o nervosismo me tira toda a fome. 

— Você não parece muito bem. — Tae me encara preocupado. — Achei que após o banho fosse melhorar, mas ainda está com essa carinha. — Ele coloca a mão na minha bochecha e me dá um beijinho. — O que houve? 

— Você sabe que eu te amo, certo? Muito. De verdade. Para todo sempre. — Beijo sua mão. 

— Sei. Eu também te amo, Kook. Seja lá o que for, vamos resolver juntos. Me conta o que houve. — Ele pede. 

— Durante a viagem para os Estados Unidos que fiz com Yoongi, resolvemos passar em Las Vegas. Eu conheci uma garota, Cami. Ela me procurou hoje dizendo que está grávida e que sou o pai. — Solto de uma vez. 

Tae me encara atônito. Me encolho esperando sua reação. A aflição me preenche por completo. Mal posso respirar. 

— Não termina comigo, Tae. — Peço quase desesperado. — Foi antes de nos acertarmos. Eu não me lembro de muita coisa daquela noite, mas não quero arriscar negligenciar o bebê se for meu. — Tae continua parado, me encarando sem dizer nada. — Fala alguma coisa, por favor. 

— Eu... — Ele começa, mas então para. — Tem quatro meses desde que vocês foram até Las Vegas. Você fica famoso e ela aparece. Isso parece no mínimo, suspeito. Porém, você está certo. Não é bom correr o risco de negligenciar uma criança. Não há o que dizer, Kookie. — Ele segura minha mão. — Nós não estávamos juntos na época. Você disse que não se lembra da noite que passou com ela, então não dá para saber se há mentiras nessa história ou não até que o bebê nasça. Vou te apoiar no que for necessário, mas preciso de tempo para assimilar tudo, entende? 

— Sim. Isso significa que você não vai terminar comigo, nem me mandar embora? — Pergunto ainda preocupado. 

— Não. Nenhum de nós vai a lugar algum. — Ele se aproxima e me abraça. — Nós vamos passar por isso juntos.


Notas Finais


Que o pai do Tae é um babaca se torna cada dia mais claro.
Sunny é um amor, quero guardar em um potinho.
Como estamos com as revelações do capítulo?
Obrigada por ler! 💜


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