História Chasing the Future - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Katekyo Hitman Reborn!
Personagens Giotto Vongola, Tsunayoshi "Tsuna" Sawada
Tags Belle, Giotto, Tsuna, Viagem No Tempo
Visualizações 7
Palavras 3.860
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Chasing friends


Giotto não pode evitar a surpresa quando o homem entrou em sua sala de reuniões. Seus guardiões imediatamente se levantaram, preparados para defendê-lo de uma possível ameaça.

-Quem é você? - pergunta ao homem. Ele observou aos outros com cautela, os olhos castanhos movendo-se pelas armas dos guardiões, antes de voltar a encará-lo

-Alguém que veio ajudar. - ele responde, sem um pingo de sotaque no italiano apesar dos traços asiáticos - Gostaria de falar com você Giotto.

-Como passou pela segurança? Nossos melhores homens estão lá fora. 

Ele pareceu surpreso e abriu a boca num ‘oh’ olhando brevemente para trás, antes de franzir o cenho e murmurar alguma coisa para si mesmo que não foi capaz de entender. Ele observou novamente seus guardiões.

-Não vim fazer mal a nenhum de vocês. - ele ergue as mãos, mostrando as palmas - Mas preciso falar com você. Disseram lá fora que eu levaria alguns dias até conseguir marcar uma reunião oficial então tive que me adiantar um pouco.

-Alaude. - fala em voz baixa, seu guardião da nuvem já estava próximo ao homem - Prenda ele. 

-Isso é mesmo necessário? - ele suspira mas estende as mãos para o loiro sem oferecer resistência a ser algemado. Alaude usa um pouco mais de força que o necessário para fazer com que ele coloque as mãos nas costas para algemá-lo.

-Qualquer que consiga passar por nossa segurança sem qualquer aviso prévio é tratado como inimigo. - fala, os olhos castanhos do rapaz fixam-se no loiro novamente. Havia algo de estranhamente familiar e ao mesmo tempo perturbador na forma que ele o olhava. Só conheceu uma outra pessoa que tinha aqueles olhos tão profundos.

-Não me importo de ficar algemado desde que consiga falar.

-Estamos ouvindo. - concede mesmo com o olhar de protesto de seus guardiões. Ele encolhe de leve os ombros.

-Seria melhor se fosse em particular.

-Não tenho nenhum motivo para confiar em você. - fala apertando as mãos em punho, aquilo estava se prolongando demais e tinha coisas mais importantes que resolver - O que tiver de falar, pode falar em frente a meus amigos.

-É sobre Belle. 

O nome fez com que o loiro travasse no lugar, encarando o desconhecido com olhos arregalados. Como… ninguém devia saber, havia destruído tudo relacionado a vida dela. O homem implorava com os olhos para que acreditasse nele. Era impossível qualquer um saber a não ser… 

-Poderiam nos dar licença? - fala em voz baixa. Seus guardiões protestaram, mas mal conseguia ouvir enquanto encarava os olhos castanhos 

-Mas Giotto... - esse era G, como esperado o que falava mais alto em meio aos protestos

-Por favor. Eu serei breve. Retornaremos a nossa reunião em 10 minutos.

Lançando-lhe olhares desconfiados, seus guardiões saíram. Daemon lançou um olhar entre interesse e desconfiança para o desconhecido, que nem se deu ao trabalho de olhar de volta para ele.

Ainda esperou cerca de um minuto para ter certeza que havia uma distância entre seus guardiões e eles.

-Onde ouviu esse nome?

-De você. - ele se senta na cadeira mais próxima, onde Alaude estivera antes - Eu sei que vai parecer loucura mas preciso que me escute com atenção. 

Ele inspirou uma vez, fechando os olhos como se reunisse coragem para falar.

-Eu sou do futuro. - teria rido se não fosse o olhar tão intenso - Daqui a 130 anos para ser exato. Alguém do futuro foi mandado para cá antes que eu para matá-lo, então eu vim para um dia antes da chegada dele para protegê-lo.

-Está mentindo.

-Olhe em meus olhos e diga se estou mentindo. - ele tinha convicção demais - Sei que possui uma grande intuição.

-Só porque acredita que algo seja verdade não quer dizer que seja. 

-Mas é a verdade. - ele estava praticamente implorando para que acreditasse - Você mantém um diário, foi por meio dele que soube como passar pela segurança e que soube que estaria aqui. É por causa dele que sei quem o aguarda no porto de Nápoles.

Se possível seus olhos se arregalaram ainda mais. Nem mesmo seus guardiões sabiam, era um plano alternativo que esperava não ter de usar.

-O que temia acontece amanhã. - ele continua e gesticula para a cadeira onde estava Daemon - E você já sabe porque e por quem. 

Sentou-se, sentindo suas pernas subitamente bambas. 

-Digamos… - começa o loiro sentindo a garganta subitamente seca - Digamos que isso seja verdade e que você veio do futuro. Porque alguém de lá se daria ao trabalho de voltar no tempo para me matar?

-A Vongola vai mudar drasticamente depois que você sair. Vai se tornar um grupo de mafiosos com uma história sangrenta. Mas isso vai mudar, ou ao menos, no futuro estamos tentando mudar. Fazer a Vongola voltar a ser um grupo que protege os inocentes quando a lei corrupta não consegue. Mas parece que alguns grupos não aceitaram isso e se uniram para destruir a nova geração.

Ele balançou levemente a cabeça, os cabelos castanhos curtos movendo-se com o movimento. 

-Mas a Vongola é poderosa demais nessa geração, eles nunca conseguiriam atingir o céu ou seus guardiões. Então ele pegaram nosso projeto de máquina do tempo e alteraram, usando para voltar no tempo o suficiente para matar você. O líder atual é seu único descendente direto, matando você não haveria ninguém da linhagem do Vongola Primo e a Vongola continuaria como uma família mafiosi. - ele suspira - Tudo isso é minha culpa, na verdade. Por isso eu vim para proteger você. 

-E quem é você?

-Sawada Tsunayoshi. 

-Sawada… - arregala os olhos - Não sabia que teve ele um filho. Eu não imaginava que...

-É uma história bem longa, acredite. - ele puxa as mãos para a frente, a algema pendurada num dos dedos - Eu queria poder falar mais, mas não posso. - ele gesticula para a porta e paredes - Ao menos, não agora. Sei que é pedir muito, mas confie.

-Tsunayoshi.

-Pode me chamar de Tsuna. - ele o interrompe com um sorriso

-Tsuna. - corrige-se esfregando as têmporas com os dedos - E como planeja fazer isso? Encontrar essa pessoa que quer me matar?

-Bom, eu ficarei com você. - ele fala como se fosse óbvio e então fica com a expressão levemente desconcertada - Sei que isso poderia causar um problema com seus guardiões, então eu o encontrarei no porto. 

Acena confirmando. Ele se levanta e coloca a algema a sua frente na mesa. Deu um pequeno sorriso em sua direção e virou-se para sair.

-Espere. - ele parou e virou-se com curiosidade - Belle. Você sabe?

-Sim. - ele coça a bochecha, e desvia o rosto levemente envergonhado - Li seus diários no futuro, para saber como poderia te convencer. Foi uma surpresa, mas já que nem seus guardiões sabiam… Imaginei que seria uma boa forma de convencer. Só Sawada-san sabe não é?

Acenou confirmando. Ele deu um sorriso e abriu a porta, dando espaço para Lambo que acabava de levantar-se fingindo que não estava ouvindo atrás da porta. Pediu que um empregado da mansão acompanhasse ele para fora.

-O que ele queria Gio? - perguntou Asari preocupado ao ver que mesmo depois que todos haviam entrado e sentado, seu céu não havia falado uma palavra sequer. 

-Avisar que um velho amigo foi ameaçado e pode estar em perigo. - coça novamente a cabeça num gesto nervoso - Espero que seja mentira.


-Anotou tudo? - Reborn aproximou-se do aluno. O arcobaleno havia crescido nos últimos anos e parecia um adolescente de treze ou quatorze anos. Ainda mais baixo que Tsuna, com seus vinte e cinco, mas apenas vinte centímetros seriam superados rapidamente quando ele ficasse do tamanho de um adulto novamente

-Sim. - Tsuna guardou a caderneta no bolso de dentro da roupa - Me sinto péssimo por simplesmente vasculhar no meio do diário de alguém assim.

-Mas Giotto está morto.

-Não vai estar quando eu voltar. - suspira quando Reborn dá a ele uma mochila com algumas roupas e poucos suprimentos - Já está tudo pronto?

-Claro. Acha que eu viria se não estivesse? - ele usa a mochila para bater na sua cabeça. Adolescente ou não, Reborn ainda era um demônio - Você não pode esquecer de nenhum evento marcante da vida de Giotto. Se qualquer deles não acontecer…

-Eu não vou nascer, a Vongola vai ser destruída e todos estarão em perigo. Eu sei. - coloca a mochila nas costas indo para o laboratório. Estava tudo pronto, os técnicos já haviam analisado e reanalisado tudo várias vezes.

-Lembre-se da data e local do ponto de retorno. - o tutor falou novamente, apesar de haver anotado toda aquela informação - Se não estiver lá, vai ser muito problemático fazer outra. Só vão ter passados algumas horas aqui, então vou enrolar seus amigos o quanto puder.

-Obrigado Reborn. - fala com um sorriso. Num raro momento de intimidade, dá um abraço no tutor - Lembre do que me prometeu. - sussurra - Se algo der errado…

-Se você se atrever a ficar preso no passado eu mesmo volto para chutar essa sua bunda molenga de volta pra casa. - fala ele dando-lhe um tapa na nuca e afastam-se, tinha um sorriso apesar da agressão. Reborn não era tão violento quanto antes e sabia que ele cumpriria sua parte. - Vá logo, seu bebê chorão.

Riu, entrando na máquina. Dando uma última olhada no futuro, ainda conseguiu dar um aceno para o tutor. 


Não esperava que Tsuna estivesse certo sobre o golpe. Imaginava que Daemon esperaria mais antes de destroná-lo da Vongola, mas seu guardião pareceu especialmente impaciente depois da visita de Tsuna. Deve ter desconfiado e adiantado tudo. 

-Giotto. - Daemon tinha um sorriso jocoso - Eles irão acompanhar você até o porto. - os homens que o cercavam usavam máscaras então nem tinha como dizer se eram do grupo de Ricardo ou traidores dentro da Vongola.

-Entendo. - fala resignado. 

Viu a revolta, o desejo de agir nos outros. Mas sabia que seria improvável que vencessem. Daemon trouxe muito mais com ele. Alaude que trabalhava na inteligência francesa não podia ser descoberto ligado a máfia. Lampo não podia ser descoberto por sua família, que era da nobreza, o mesmo valia para Knuckle devido a igreja. Os únicos que não tinham nada a perder seriam ele mesmo, G e Asari 

-Então acho que isso é um adeus. 

Daemon sorriu, encantado, seu plano havia dado certo. Foi separado dos amigos e levado por um grupo de mascarados. Eles haviam amarrado seus pulsos com cordas para garantir que não resistiria e colocaram-no numa carruagem, vendando seus olhos. Os cavalos puxavam a toda velocidade e sacolejava bastante. E então pararam. Ouviu algumas exclamações de surpresa e então sua visão foi liberada novamente.

-Oi. - Tsuna sorriu e então desamarrou seus pulsos - Melhor sairmos daqui.

O moreno puxou-o para fora da carruagem. Viu o grupo de homens desacordados, pequenos dardos em seus pescoço. 

-Um cavalo. - fala tentando ir em direção aos animais

-Eles seguiriam nossos rastros. - o moreno puxa-o em direção a floresta - Por aqui.

Correram por muito tempo mata adentro. Quando pararam para recuperar o fôlego, ambos apoiando-se nos joelhos para manter-se de pé. Observou o moreno, vendo que ele usava roupas diferentes. Uma calça cujo tecido não reconhecia, um tipo de casaco branco e laranja mas de um modelo que nunca vira e uma camisa com o número 27 escrito em vermelho por baixo, com um calçado que nunca vira também, não era uma bota apesar de ter cadarços e era branco e azul.

-Que está vestindo? - pergunta entre os fôlegos. Ele olha para si mesmo antes de passar uma mão na testa para afastar o suor

-Roupas do futuro. Jeans e tênis são realmente úteis. - fala o moreno - Você se machucou? - balançou a cabeça e ele apenas olhou ao redor - É melhor continuarmos.

-Sawada…

-Porto de Nápoles. Sim, eu sei. - ele tirou um papel do bolso do casaco - De onde estamos vamos levar talvez um dia a pé. 

Confirma com um aceno. Era por isso que ele queria um cavalo, com o animal poderiam economizar algumas horas. Sawada estaria no porto esperando e poderia esconder-se na casa dele no Japão até a poeira baixar antes de tentar entrar em contato com seus guardiões. Tsuna guardou o mapa e pegou uma caixinha.

-O que é isso? - pergunta vendo-o colocar duas bolinhas azuis na mão, pouco maiores que os comprimidos normais.

-Uma carona. - não entendeu e fez menos sentido ainda quando ele colocou ambas na boca, engolindo com uma careta. Era a primeira vez que via um anel nas mãos de Tsuna, uma chama do céu surgiu nas mãos e na testa dele, os olhos castanhos tornaram-se alaranjados como as folhas do outono - Eu posso nos levar metade do caminho antes de ficar esgotado e precisar descansar. 

-Posso nos levar na outra metade. - fala com um aceno. Dessa forma levariam apenas minutos, as chamas davam a eles grande velocidade.

Tsuna ajeitou a mochila nas costas e abriu os braços. Foi levemente envergonhado que passou os braços ao redor do moreno para segurar-se, o rosto dele mantinha-se extremamente calmo. Tsuna impulsionou-os para cima, tão alto quanto podia para passar despercebido por quem estivesse embaixo e então acelerou na direção que deviam ir. Escondeu o rosto na camisa do moreno, o vento fustigava seus cabelos e gelava suas mãos, mas fez o máximo para segurar-se. 

-Eu só aguento até aqui. - fala ele parando no ar. Não havia nenhuma diferença na expressão do moreno ou nas chamas que denunciasse isso - É melhor continuarmos a pé, seria mais prudente você estar capacitado a lutar já que eu não estarei.

Eles desceram na orla de uma floresta, mas conseguiu ver antes de descerem uma fina linha azul a distância que seria o oceano e que estavam perto de uma cidade . Quando tocaram o chão, Tsuna tropeçou um pouco e foi sorte que ainda o segurava ou ele poderia ter caído. 

-Seria melhor continuarmos direto até Nápoles. Sawada é de confiança, vai nos dar abrigo.

-Não é isso. - o moreno tinha a respiração difícil - Tem algo errado.

Tsuna respirava com dificuldade e sentia a pele dele gelada demais. Podia não conhecer o moreno por muito tempo, mas ele já salvara sua vida e tinha com ele uma dívida. Ativando a chama do céu em suas mãos, Giotto alçou voo novamente segurando firmemente o moreno que parecia ficar a cada segundo mais próximo de desmaiar. 

Ver a cidade de Nápoles no horizonte trouxe um grande alívio ao loiro. Indo direto para o prédio em que sabia que seu amigo se encontrava, aproveitou-se da movimentação natural da cidade e da falta de interesse das pessoas em olhar para além das vitrines para entrar por uma sacada aberta. Sawada sempre deixava as janelas abertas porque achava o local absurdamente quente durante o verão. 

-Sawa… - impediu-se de continuar vendo o local completamente revirado. Colocando um braço de Tsuna sobre seus ombros, anda ajudando o moreno a caminhar apesar dos passos dele estarem trôpegos - Sawada!

Numa poça de sangue, seu amigo de infância estava caído com a garganta dilacerada. Sentiu suas pernas subitamente fracas, mas Tsuna foi quem caiu de joelhos.

-Oh não. - fala o moreno olhando para as próprias mãos - Eu consegui impedir que chegassem perto de você, mas eu me esqueci dele.

-Que? - olha horrorizado da cena para o homem e vê que as mãos dele ficavam transparentes.

-Sem Sawada eu não vou nascer. - o moreno olha desesperado para suas próprias mãos. - Eu falhei.

-Como assim você falhou? - pergunta Giotto aproximando-se, ajoelhou-se em frente a ele e segura-o pelo ombro - Aquele assassino matou Sawada para chegar até mim?

-Não a você, a mim. - ele ergueu os olhos - Sem Sawada, você não vai ter filhos e se não tiver sua família meu pai nunca vai nascer. Sem ele aqui, eu vou desaparecer.

-Que? Mas… Mas tem que ter outro jeito!

Tsuna estava tentando encontrar outro. Sua mente corria acelerada pensando nas possibilidades.

Não pode esquecer nenhum acontecimento importante da vida de Giotto.

Giotto e Sawada fogem para o Japão no mesmo dia em que aconteceu o golpe. Em menos de um ano Giotto inicia sua família, tendo um filho. Sem Sawada…

-Ah merda. - o moreno bateu a testa no chão - Merda, merda, merda.

-O que está errado com…

Giotto não terminou a frase. Tsuna havia se erguido bruscamente e encostado os lábios aos dele. A surpresa fez com que permanecesse estático por um segundo e então afastar-se empurrando o moreno.

-Mas o que? - Tsuna havia caído de lado no chão - Você ficou louco? Numa hora como essas?

Mas o moreno sentou-se e observou as mãos. Estavam sólidas novamente. Ele as encarou antes de olhar para o loiro.

-Então é verdade mesmo. - ele era pura surpresa, mas então tanto ele quanto Giotto jogaram-se no chão quando uma bala passa zunindo por cima deles - Temos que sair daqui! - o moreno olhou para onde a bala havia parado tentando deduzir onde estava o atirador - Por aqui.

Eles saíram do quarto correndo, saindo as pressas do hotel. Pararam apenas quando alcançaram o porto, uma voz gritando que o navio iria zarpar.

-Mas não sabemos pra onde vai! - tentou replicar Giotto, Tsuna subiu mesmo assim. Até o loiro chegar, ele já havia comprado sua viagem e reservado um local para dormirem - Você quer parar de agir assim? 

-Desculpe. - ele deu um sorriso tímido - Tomar decisões sob pressão não é exatamente meu forte.

Apenas balançou a cabeça para ele enquanto iam para o quarto reservado a eles no navio. Observou pela janela o céu ganhando os tons escuros de fim da tarde e suspirou. O dia foi tão corrido que pareciam até ter sido dois. Talvez três. O quarto não era grande coisa, só dois colchões que ficavam largados no chão e uma vidraça que permitia ver o mar agitado na parte posterior do navio. Tsuna deitou-se no colchão, completamente exausto largando a mochila ao seu lado.

-Será que agora você pode me explicar tudo?

-Posso. - ele fala com um suspiro.

Observou o loiro, sentar no colchão. Sempre ouviu falar, naquele livro ridículo de histórias da familia Vongola, que Giotto era tão bonito que fazia homens e mulheres terem inveja dele. Sinceramente, não conseguia ver como o consideravam a cópia de alguém com rosto tão perfeitamente esculpido.

-Tá bem, o que eu não falei ainda… - inspirou fundo - O líder da Vongola que estão tentando matar sou eu. - o loiro encara-o sem acreditar - Sou seu descendente direto, neto do seu neto se não me falha a memória. Estão atrás de você por minha causa por isso fui eu que voltei. 

-Você… - ele esfrega o rosto com as mãos - Você é um chefe da máfia? Quantos anos tem?

-Vinte e cinco. Mas fui escolhido como herdeiro com treze anos e lidero desde os dezoito. 

-Tão novo.

-A maioria dos líderes não dura muito então o treinamento começa bem cedo. - estava ficando com sono, sua energia havia sido muito gasta naquela viagem - Lamento pelo que aconteceu no hotel. 

-Isso é algo bem importante! - ele enrubesceu apontando acusadoramente para ele - Não sei o que as pessoas da sua época pensam, mas aqui você não faz este tipo de indecência.

-Eu estava falando sobre seu amigo, mas lamento por isso também. - juntando o resto de forças que tinha conseguiu deitar de lado para encarar o loiro - Sinceramente, foi a ideia mais estúpida que tive desde que me lembro. Perdoe-me.

-Só não faça de novo. - o loiro deitou-se no colchão - Foi muito desconcertante. Se houvesse qualquer pessoa lá… Não quero nem imaginar o que poderia ter acontecido.

Reparou que o moreno não falava e achou que ele tivesse perdido para o cansaço, mas ele apenas o observava em silêncio.

-O passado, esta época na verdade, é complicada. Uma sociedade muito masculina e tradicional. - franziu o cenho observando o moreno - No futuro, você não precisaria ter mentido.

-Aqui não é o futuro. - deita, procurando uma posição confortável para a cabeça 

-Ninguém sabe mesmo não é? Que você e Belle… São a mesma pessoa.

-Não. Sawada e eu crescemos no mesmo orfanato e fomos os únicos que sobreviveram ao incêndio então não havia nada sobre meu passado quando comecei a morar nas ruas. 

Tsuna estendeu a mão, pegando algo de sua mochila e estendeu para ele. Usou a roupa dobrada como apoio 

-Mesmo nas ruas as coisas eram difíceis. Uma moça que por algum motivo teve uma briga com um grupo de homens é sempre olhada de cima, como se fosse um objeto que eles podem usar pra se satisfazer e então deixar de lado, mas se um rapaz arrumasse a mesma confusão com os mesmos homens eles no máximo dariam uma surra nele. - fecha os olhos, evitando encarar Tsuna. Os anos na rua pareciam ter sido ontem e ao mesmo tempo a tantos anos - Eu já usava roupas dos meninos porque o orfanato era bem pobre, não fez muita diferença.

-Deve ter sido difícil.

-Agora não mais. - dá um sorriso - Claro, eu tinha que ser muito mais cuidadoso que todos. Não podia ficar com qualquer tipo de ferimento grave porque o médico descobriria. Tinha que manter as janelas e portas bem trancadas quando fosse tomar banho para garantir que ninguém entraria e mesmo assim eu preferia fazer isso bem tarde da noite ou bem cedo enquanto todos dormiam. Foi um sacrifício que escolhi fazer para mudar a vida de tantos que sofriam. É bem pequeno comparado a vida de quantos eu poderia ajudar.

-E sua fama de flertar? - ele tinha um sorriso e viu Giotto rir baixinho

-Fiz para não desconfiarem. E pra provar que os homens não sabem agir decentemente perto de mulheres. Lampo sempre achou que eu estava de armação, mas é muito fácil saber o que falar quando sabe o que quer ouvir. - o sorriso do loiro murchou ao lembrar-se dos amigos - Queria ter conseguido me despedir dos outros.

-Não planeja contar a verdade a eles?

-Não. - Tsuna percebeu que aquela era uma decisão que já estava decidida a muito tempo - Não sei se conseguiria encará-los no olhos depois de uma mentira dessa.

-Isso deve ser de família. - fala o moreno fechando os olhos 

-Que quer dizer?

-Não deveria ser eu a vir. Seria um amigo de confiança, mas conversando com meu tutor… Na verdade, antes disso, eu sabia que não daria certo. Poderia dar tanta coisa errada que não podia esperar que alguém fizesse isso. Eu protejo minha família…

Giotto abriu os olhos sem entender o que ele havia falado, mas viu que ele dormia profundamente. Era a primeira vez que falava com alguém sobre isso. Até mesmo evitava falar com Sawada para que não descobrissem. Mas Tsuna não mostrou qualquer desprezo ou desgosto por suas ações. Sempre ouviu outros dizerem que era gentil, mas achava que Tsuna era muito mais por apenas ouvir parte de sua história sem julgar.


Notas Finais


Porque estou com bloqueio criativo para Caelum, mas criei essa fic de 6 capítulos. Alguém peça a minha imaginação para focar no que tem que termimar por favor :')


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...