História Chat Noir - O Ladrão de Corações - Capítulo 28


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Categorias Miraculous: Tales of Ladybug & Cat Noir (Miraculous Ladybug)
Personagens Adrien Agreste (Cat Noir), Félix, Marinette Dupain-Cheng (Ladybug)
Tags Adrichat, Adrienxchatnoir, Chatrien, Fantasy, Hard Lemon, Mistery
Visualizações 146
Palavras 2.342
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fantasia, Fluffy, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 28 - Só Mais Um Dia


Por um longo e desconhecido tempo, Adrien ficou sentado sob a copa vermelha de uma árvore em algum lugar do Champs de Mars. Seu olhar estava vazio e perdido no horizonte, onde cada vez mais o singelo Sol de outono ia se preparando para partir para o outro lado do mundo e iluminá-lo.

Ainda eram 16h da tarde e logo iria anoitecer. O tempo tem ficado mais frio do que o normal e as folhas vermelhas iam ficando cada vez mais amarelas e caindo dos galhos das árvores – o que indicava que o inverno estava chegando à França. Mas, nessas alturas, Adrien já estava perdido no seu inverno emocional há muito tempo. As cores desbotaram e nada mais tinham sabor, ou perfume.

Chat Noir era quem trazia tudo isso à sua vida. Ele trazia confusão, alegria, amizade, sexo, conforto, carinho, diversão e, sobretudo, amor. Adrien não queria ser como aquelas pessoas que passam o dia inteiro num lugar específico e especial esperando pelo seu amor perdido que jamais voltaria para vê-lo. Estava espantado demais que, em tão pouco tempo, pudera sentir uma dor emocional tão profunda.

Sentia que Chat Noir não lhe pertencia mais. Agora ele estava livre para o mundo todo. Todos o leriam, o amariam e torceriam por ele, mas ninguém jamais poderia conhecer o gato negro que seduzia homens belos e roubava tesouros na noite como Adrien, um dia, conheceu.

Era uma lembrança que poderia se orgulhar, mas que nunca mais poderia revivê-la.

Perto dali, Marinette e Félix estavam andando juntos lado a lado em um profundo debate:

-Será que ele não está usando magia?-Marinette perguntou curiosamente.

-Marinette, você não veria a verdade nem que ela te atropelasse na rua.-Félix rolou os olhos azul-acinzentados.-Que magia seria capaz de fazer coisa tão mirabolante assim. Adrien tem algum poder que não podemos compreender.

-Tá. Ele tem poderes... Paranormais?-Marinette sugeriu.

-Eu já estudei parapsicologia.-Félix está dizendo.-Já li sobre coisas assim.

-Então, será que, além de ter dado vida à um personagem literário...-Marinette refletiu por um momento.-Adrien teria outros poderes?

Um vento misterioso e forte soprou do nada a dupla. Eles se assustaram e olharam para o lado. O vento seguiu direto para a árvore, onde Adrien estava sentado com um olhar de peixe morto. Eles se entreolharam e rapidamente foram atrás de seu amigo.

Marinette e Félix se sentaram na relva bem perto de Adrien e o olharam. Ele parecia bem pensativo como se ainda não tivesse percebido a presença deles ali ao seu lado.

-Adrien?-Marinette sussurrou delicadamente.-Está... Tudo bem?

-Eu entreguei...-Adrien respondeu de supetão.

-Entregou...-Marinette olhou para Félix em confusão.-Entregou o quê?

-Eu entreguei o romance para a editora.-Adrien respondeu novamente.

-O quê?-Félix espantou-se de verdade.-Você terminou mesmo aquele livro?

-Eles amaram o que eu escrevi.-Adrien contou.-Já estão preparando toda a edição e vão começar a imprimir os primeiros exemplares... Ganharei o primeiro que sair da impressora... Já encadernado. Daqui há duas semanas, “Chat Noir – O Ladrão de Corações” estará em todas as livrarias de Paris e logo na França inteira... E ainda tem a noite de lançamento...

-E isso...-Marinette fez uma breve pausa.-Seria uma coisa boa?

O loiro suspirou, abaixou a cabeça e olhou para seus dois amigos que pareciam realmente preocupados.

-Eu não sei mais...-Adrien explicou.-Eu tinha medo de que quando terminasse o romance, seria o fim de Chat Noir. Que de alguma forma ele desaparecesse para sempre nas páginas e se tornasse apenas um mundo de livros sendo vendidos por aí. Que ele deixasse de existir tanto incorpórea quanto fisicamente, assim que eu desse um fim em sua história!

-É. Não deixa de ser uma teoria aceitável, eu acho.-Félix assentiu, pensando.

-Se ele não aparecer essa noite, eu terei a certeza de que ele só existirá na minha mente...-Adrien murmurou e abaixou a cabeça.

Marinette e Félix se entreolharam. Podiam imaginar, talvez, como o loiro estava se sentindo. Aquele fora o seu primeiro amor em toda a sua vida. Sabiam que Adrien nunca se apaixonara nem quando criança, nem quando adolescente. Ele sempre foi muito seletivo com suas amizades, tanto que só tinha Marinette e Félix como os seus melhores amigos, então ambos podiam imaginar como ele seria no amor.

Chat Noir fora um amor inusitado que não se encontraria florescendo em árvores, caindo do céu, ou surgindo em cada esquina.

-Eu gostaria de companhia essa noite...-Adrien pediu bem baixinho.-Se ele não aparecer...

-Claro, Adrien.-Marinette sorriu compassivamente.-Vou cancelar todas as consultas de hoje.

-Vou trazer o meu colchão inflável gigante.-Félix disse-lhe gentilmente.

Mesmo assim, Adrien conseguiu abrir um pequeno sorriso ainda que tristonho. Ele ainda não estava sozinho.

:

Anoiteceu.

Chat Noir não apareceu. Já passava das 21h da noite. Paris estava toda iluminada na janela do quarto, junto da Torre Eiffel.

Adrien chegou à pensar que Chat Noir deve ter se materializado na Univers Poche quando anoiteceu. Mas se fosse esse o caso, ele teria se materializado através do notebook de Adrien até porque ele ainda tinha todo o romance salvo ali dentro.

Mas nada disso aconteceu.

O garoto loiro estava sentado no meio de sua cama bagunçada todo abraçado à seus joelhos. Ele revezava em olhar para o notebook fechado e desligado sobre o colchão à sua frente e para a janela de seu quarto, onde se via a Torre Eiffel brilhando como uma torre de estrelas lindas e cintilantes. E junto dali, estava o porta-retrato com a última mensagem de Chat Noir escrita no papel.

Ao longe, podia ouvir Marinette e Félix enchendo o colchão inflável para ambos com uma bomba de ar lá na sala de estar. Eles trouxeram umas mudas de roupas e algumas outras coisas suas para passar a noite no apartamento de Adrien. Mas depois que anoiteceu e a terrível verdade inescapável se concretizou, Adrien pediu para ficar sozinho.

Pela primeira vez, ele começava uma noite sem ter um gato negro e sensual desfilando por aí em seus trajes feitos da noite, tilintando o seu guizo dourado no pescoço, ou todo desnudo e brincando de amor e malícia ao mesmo tempo.

Adrien se abraçou mais os seus joelhos e escondeu a boca no braço para tentar ocultar um gemido de tristeza. Mas era tarde demais. Já haviam lágrimas querendo escapar de seus olhos verdes que agora pareciam tão sem vida como um espelho frio e neutro que só reflete luz e imagens do mundo.

Podia ouvir Marinette e Félix brigando sobre qual era a melhor forma para se encher o colchão inflável com a bomba de ar. Ele sempre ria quando os dois brigavam por coisas diminutas – mas agora não havia a menor vontade de rir de nada. De fato, nem O Fabuloso Destino de Amélie Poulain o faria se sentir melhor.

Cada vez mais, Adrien pensava em Chat Noir. Pensava na comida deliciosa que ele fazia com tanta habilidade. Pensava nas suas conversas safadas, no seu jeitinho atrevido de tirar a roupa e se masturbar na sua frente. Pensava nas orelhinhas de gato que ele usava na cabeça e como seus olhos verdes eram lindos demais como vastos campos verdejantes de alguma região rural da França.

Adrien ansiava para ter Chat Noir perto de si. Queria tocá-lo, queria senti-lo, beijá-lo, abraçá-lo, transar com ele. Adrien o queria de novo, não suportava a idéia de nunca mais o vê-lo diante de si com aquela máscara negra nos olhos verdes e mostrando o seu sorriso mais sensual e sapeca.

A angústia o dominava de uma maneira assustadora. Suas emoções tão negativas naquele momento o faziam sentir que seu coração se tornara um buraco negro vazio e agora este estava dando descarga em todo o seu ser para o mais completo nada. Estava se sentindo vazio, oco, sem nada para se agarrar. Parecia estar caindo de uma altura grandiosa como se estivesse à beira de um precipício sem ninguém para lhe salvar.

Adrien não queria ficar sozinho de novo. Queria Chat Noir. Agora. Agora.

Subitamente, uma caneta na bancada do quarto começou a se elevar da sua superfície. A caneta estava simplesmente flutuando no ar.

Adrien deixou suas lágrimas rolarem pelas maçãs do rosto e soltou um gemido agoniado.

Ao mesmo tempo, um porta-lápis cheio de coisas na bancada se ergueu no ar tão logo um bloco de anotações também começou a levitar, junto de todas as coisas que estavam ali em cima desde ornatos até livros.

Não demorou muito até que as coisas no chão do quarto como tapete, botas, tiracolo e cadeira da bancada se erguessem no ar também. O relógio-digital na mesa de cabeceira passou a levitar e até a própria mesa de cabeceira também saiu do chão. Foi aí que os móveis começaram a sair do quarto do quarto.

Enquanto Adrien chorava e encarava a noite pela sua janela, sua bancada, seu enorme guarda-roupa, sua chaise longue e sua poltrona macia estavam levitando em pleno ar, cada um em alturas diferentes.

Logo o notebook e o porta-retrato se ergueram dos lençóis da cama seguido pelos próprios lençóis e travesseiro. Em seguida, a cama toda se ergueu do chão e as cortinas da janela eram sopradas por um vento misterioso. Adrien se agarrou com força aos próprios joelhos e soltou um gemido choroso e sofrido ainda mais alto.

De repente, o corpo de Adrien se elevou da cama e agora ele levitava em pleno ar como se não tivesse peso. Tudo em seu quarto estava fora do chão e ele nem parecia perceber isso pela tamanha tristeza que esfaqueava repetidas vezes seu coração.

-O que é isso?!-Marinette gritou lá da sala.

-Está tudo saindo do chão!!!-Félix também berrou em pânico.

Adrien precisava de Chat Noir, precisava muito mais do que o próprio ar em seus pulmões.

E, então, ele concluiu que não poderia viver sem Chat Noir.

Neste instante, Adrien gritou. Gritou com todo o seu sofrimento, tristeza e solidão. E ao fazer isso, todas as coisas de seu apartamento despencaram com brutalidade no chão antes de uma onda invisível poderosíssima sair varrendo tudo por lá.

Simplesmente, todas as luzes do apartamento se apagarão e tudo o que era elétrico parou de funcionar.

A onda de poder sair do prédio e saiu varrendo toda a cidade de Paris. Primeiro, o 15º arrondissement sofreu um grande apagão. Logo em seguida, o 14º e o 7º arrondissements sofreram o mesmo apagão.

Então, as trevas foram cobrindo todos os arredores até ultrapassar as duas margens do rio Sena.

E o que antes era a cidade das luzes agora era a cidade das trevas. Adrien apagara tudo de uma vez.

Na escuridão, todos estavam em pânico, inclusive no apartamento:

-Eu preciso de uma vela!-Marinette gritava.-Cadê os fósforos?!

-O celular não funciona!-Félix berrava.-Eu não estou enxergando nada!!!

E na escuridão, Adrien permaneceu sozinho chorando sua solidão sem Chat Noir.

:

Uma centelha se acendeu umas duas vezes até que se tornou uma chama que foi acendendo os cinco pavios das velas vermelhas de um candelabro dourado sobre a mesa da cozinha.

Todos estavam reunidos em volta da mesa como se fossem fazer parte de algum tipo de ritual místico em plena noite. Agora, Paris inteira e até cidades ao redor como Provins, Chartres e Giverny em trevas tão profundas que nada elétrico funcionava, nem mesmo celulares de qualquer tipo.

Olhando pela janela lá fora, mal dava para ver o Champs de Mars e a Torre Eiffel desaparecia no céu noturno. Nem os prédios dava para ver direito à não ser vultos de lanternas e velas nas janelas. Aquele devia ser o maior apagão que se tinha conhecimento na França que, talvez, poderia ser visto do espaço como a Coréia do Norte mergulhada nas trevas do oceano, fazendo com que a Coréia do Sul radiante de luz parecesse uma ilha apenas.

Marinette e Félix já tinham uma idéia do que acabara de acontecer, mas preferiram ficar quietos. Fizeram um chá de melissa com camomila na penumbra da cozinha e serviram para Adrien – ele estava sentado à mesa agarrando sua caneca quente e encarando o nada.

O silêncio era profundo, ninguém queria dar uma palavra. Talvez, fosse melhor assim.

-Você passa a vida toda procurando a pessoa certa...-Adrien se pronunciou, do nada.

Marinette e Félix o olharam na hora como se tivessem levado um susto.

-Quando você a encontra... Tudo parece tão mágico... Como um conto de fadas...-Adrien está dizendo.-Eu devia ter aproveitado melhor... Eu pensei que estava ficando louco, tanto que me acostumara com essa suposta loucura, mas era real... Era de verdade...

Seus amigos ficaram pensativos enquanto ouviam suas palavras. Só podiam lamentar a sua perda.

-Eu queria ser mais do que eu já era, mas não era capaz...-Adrien continuou sussurrando.-Então, sonhei com alguém que fosse capaz de todas as loucuras e atrevimentos... Que fosse capaz de seduzir, de dar um prazer tão forte e louco que ninguém iria esquecer... E que tivesse várias habilidades fantásticas que só vemos em filmes... Ele existia mesmo.

Nessas alturas, os olhos verdes do garoto loiro já estava brilhando em lágrimas pela luz bruxuleante das chamas das velas no candelabro.

-Eu me apaixonei pela face negra da minha Lua...-Adrien esfregou as costas da mão nos olhos lacrimosos.-Eu encontrei alguém que podia dar cores à minha vida, que podia me fazer sentir vivo de novo e feliz... Mas daí... Eu o perdi... Foi tudo tão maravilhoso, tão... Onírico que quando tudo isso foi embora, eu fiquei sem chão e me questionando se essa perda foi real, se não foi um pesadelo horrível em que ficamos sem voz e não conseguimos correr...

Seus dedos se apertaram mais na caneca enquanto o chá quente aquecia suas mãos geladas pela atual falta de aquecimento no apartamento.

-Acho que eu... Daria a minha vida...-Adrien murmurou mais uma vez.-Só para ter mais um dia ao lado de Chat Noir... Só mais um dia...

Naquela noite, todos foram dormir mais cedo em meio às trevas do radical apagão. Marinette e Félix dormiram no colchão inflável carregando em seus sonhos a preocupação com seu melhor amigo. Mas Adrien teve de tomar remédios para poder dormir.

Tudo o que ele queria agora era esquecer essa dor – e dormir.



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