História Chave da Porta Vermelha - Capítulo 26


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Categorias Ian Somerhalder
Personagens Ian Somerhalder, Personagens Originais
Tags Depressão, Ficção Erótica, Ninfomania, Romance
Visualizações 9
Palavras 4.339
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Hentai, Lírica, Luta, Mistério, Poesias, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Perdão pelo capítulo...

Capítulo 26 - A Morte de Lilith


Fanfic / Fanfiction Chave da Porta Vermelha - Capítulo 26 - A Morte de Lilith

 

Não sei bem ao certo como cheguei aqui, tampouco sei exatamente onde estou, mas entendo que estou num bar. Não é mais organizado que o baile e não chega nem perto de estar tão confortável quanto lá, entretanto eu jamais me sentiria melhor se saísse desse lugar desconhecido e partisse novamente em direção ao colégio, onde estão todos os meus amigos, ao contrário desse bar onde eu não encontro nenhum rosto que ouse ameaçar me ser familiar. 

Meus pés doem, minhas pernas estão cansadas e minha respiração ofegante; o conjunto perfeito de indicadores sobre o quanto eu devo ter caminhado para encontrar este lugar. Fui incapaz de medi-lo enquanto caminhava cega pelos sentimentos que me inundavam por dentro, transbordavam pelos olhos e cobriam minha visão. Eles ainda me atingem com intensidade, mas a luz que se chocou contra meus olhos ao alcançar este estabelecimento foi tão forte que me possibilitou de enfim acordar e, então me dar conta onde eu pude chegar sendo guiada por minha raiva. Infelizmente, ela não me aparenta ser uma guia certamente agradável.

Felizmente o pequeno quadrado de paredes com mesas e bebidas dentro não se encontra nem um pouco vazio, o que me dá uma esperança maior da conquista do meu objetivo esta noite, caso minha sorte se limite a tão pouco, mais opções de homens vão ser existentes para fazer o serviço dos que forem como James.

Olho em volta numa busca rápida por um espaço vazio no qual eu possa me sentar e não posso deixar de notar o quão desorganizado é o ambiente. Tudo parece ser feito de madeira, o chão, as mesas, o teto e o balcão onde se concentra a maior parte das pessoas, e a luz não é tão presente aqui dentro quanto me pareceu lá fora, quase beira o escuro. Todas as mesas estão ocupadas por grupos próximos que brincam e riem alto; todos parecem se conhecer, o que me faz questionar, “onde eu vim parar?”. Noto que um dos bancos próximos ao balcão fica vazio quando um homem bem velho se levanta e sai cambaleando com uma garrafa de cerveja na mão. Então, antes que alguém chegue primeiro, eu me apresso em caminhar rápido na direção do banco recentemente vago.

Só me lembro da timidez quando finalmente me sento e esqueço o desespero por um espaço livre para mim. Prefiro evitar olhar para os lados e ignorar os rostos desconhecidos, enquanto aproveito esse tempo para recuperar minha coragem e esperar até que algo aconteça – torcendo com todas as minhas forças para que isso não dependa de mim.

- O que vai querer? - uma voz grave em tom casual me chama a atenção durante o tempo em que eu me concentrava em manter a naturalidade e não sair correndo daqui, com a cabeça baixa aproveitando do fato de que meu cabelo cobre as laterais do meu rosto e bloqueiam toda a visão de ambos os lados, impedindo que eu precise enfrentar os possíveis olhares de indiferença das pessoas que me cercam.

Levanto olhar depressa e busco na minha mente algo que eu possa pedir, mas nada me vem em mente e, eu apenas fico olhando por trás do bartender e analisando todas as garrafas de bebidas que estão ali numa busca desesperada de ideia, sem sucesso.

- Aqui – um dedo no meu ombro me faz virar o pescoço novamente, desta vez para a direita onde um homem de cabelos curtos e negros me olha com um sorriso de simpatia que me deixa um pouco mais aliviada perante esse ambiente.

Retribuo ao sorriso e percebo que ele me oferece um copo e, sem saída diante da minha falta evidente de habilidade na escolha de bebidas, eu aceito com um aceno minúsculo de cabeça, não deixando de perceber o quanto sua inspeção ao meu corpo é intensiva e na forma como seus olhos escuros brilham de algo que eu não costumo encontrar nas pessoas, um tipo diferente de admiração como… desejo.

- Mais uma – ele avisa ao homem que antes aguardava a minha escolha, e quando o bartender sai para buscar a bebida do homem que me ofereceu a sua, eu dou um gole excessivo na intenção de colher os últimos rastros de coragem que foram me escapando conquanto eu fui chegando até aqui, mas, ao contrário disso, tudo o que eu consegui colher foi uma forte dor na garganta com o líquido ardente.

- Vai com calma – ele indica rindo da careta que eu fiz devolvendo o copo já vazio a bancada.

- É que eu não costumo beber, sabe? - respondo ajeitando a postura e olhando diretamente no rosto dele, no esforço de parecer mais corajosa do que eu realmente me sinto no momento.

Ele não parece muito novo para mim, mas também não acho que seja velho; deve ter não mais que trinta e cinco e nem menos que vinte e sete. Não possui as características que costumam me chamar atenção num cara, porém não é feio. Possui um queixo quadrado e forte, como as mãos, que estão unidas sobre o balcão, os braços também não são fracos, embora estejam cobertos por uma camisa social branca meio amassada, mas eu não consigo saber se ele é magro, gordo ou se tem a barriga como esses viciados em academia, afinal de que isso tudo importa?; eu só estou procurando alguém pra enfiar uma parte do corpo dele em outra parte do meu, o que está envolta não tem significado nenhum, já que depois de feito o mais provável é que nós nunca mais nos vejamos.

- Eu imaginei – disse zombeteiro, erguendo as sobrancelhas. - Diria até que nunca havia bebido nada alcoólico antes.

- Não é verdade – repliquei imitando a sua postura autoconfiante e erguendo as sobrancelhas como ele, encerrando o assunto discretamente na intenção de ocultar a meia verdade; eu só não quero ter que admitir que o mais próximo que eu cheguei de uma bebida alcoólica foi quando eu experimentei num gole quase insignificante um pouco de vinho, que, na verdade, foi o mesmo que nada. - Você nem me conhece. - Lanço-lhe um olhar desafiador mantendo apenas uma das sobrancelhas levantada e tentado ignorar o quanto é bom e estranho ao mesmo tempo sentir toda essa coragem para jogar este jogo com o desconhecido surgir de repente.

- Não mesmo – sorri de lado movendo um braço para a perna dobrada e apoiando o outro antebraço com mais firmeza no balcão num gesto lento que prende toda a minha intenção, e me faz calcular o quanto eu devo confiar me entregar para esse homem que eu sequer sei o nome. - Mas gostaria.

Dou de ombros tentando ser relaxada e não demonstrar todo o desespero que eu guardo aqui dentro. E isso parece divertir ele, não sei de que maneira, mas pouco me importo com o que ele está pensando de mim nesse momento; desde que seja sobre transar comigo, por mim tudo bem.

- Você não é daqui, é? - pergunta um pouquinho mais sério, mas sem demonstrar real interesse na minha resposta. Acho que consegui o que eu queria.

- Você quer mesmo saber? - começo francamente, ficando enjoada dessa conversa, a fim de ir direto ao ponto, já que me parece que ele não fará isso por mim, uma vez que sua necessidade não é tão grande como a minha. Nenhum de nós quer realmente saber sobre o outro; sequer faz sentido manter essa conversa. - Eu só estou atrás de uma coisa, que eu sei que você já sabe o que é – suas sobrancelhas se levantam mais uma vez, agora surpreso com meu atrevimento repentino. Ignoro isso e prossigo. - E aí, está desposto a me dar o que eu quero?

Ele sorri torto e me olha diretamente nos olhos por um tempo enquanto pensa, mas sei que já fez sua escolha, porém eu ainda assim gostaria de saber no que este homem pensa no momento.

- Vem. - Diz de uma vez, se levantando e andando para fora do bar.

Reparo que ele não deixa nenhum dinheiro pela bebida, mas deixo isso de lado ao notar sua distância e perceber que se eu demorar mais um pouco perco ele de vista. Então o sigo.

Encontro ele a minha espera do lado de fora do estabelecimento, os braços cruzados e um olhar sombrio direto ao meu corpo conquanto eu vou me aproximando dele. Mas minha visão falha bruscamente quando o farol de um carro que passa por nós me atinge dolorosamente nos olhos e torna toda a minha visão vacilante, me tornando cega pelo que pareceu minutos. Um passo meu vacilou para trás como seu eu houvesse recebido um soco, e eu precisei esfregar com força os olhos para voltar a enxergar novamente, porém com pouca coerência; as cores se tornaram mais escurras e as luxes mais fortes a ponto de causar dor nos meus olhos. Tenho que evitar olhar ao redor enquanto sigo o homem pela calcada, calada igualmente a ele, pois ambos sabemos que não precisamos de palavras para a única conexão que existira conosco durante esse curto período – pelo menos eu acho que vai ser.

Permaneço como sua sombra durante toda a caminhada, embora uma insegurança comece a surgir dentro de mim. Não sei o que está acontecendo com o meu corpo; não me sinto bem e, esse mal-estar surgiu da mesma forma que minha coragem repentina, no entanto ocorreu-me uma substituição extremamente desagradável. A vontade de ir adiante no processo de encerramento da minha castidade não termina, apenas é somada ao oposto dela num conflito caótico, fazendo meus sentidos oscilarem constantemente, tornando minha visão contingente e meus ouvidos captarem os sons da mesma forma. Fixo meus olhos nos pés dele, me esforçando para ignorar a confusão que se forma aos poucos no meu redor.

Percebo que ele começa a ficar mais lento quando entramos numa região mais silenciosa e um tento escura. Minha curiosidade é ativada imediatamente e, num ato automático minha cabeça se levanta, guiando os meus olhos para o todo lugar obscuro ao meu redor. Um arrepio me toma, mesmo que o clima não esteja nem perto do frio, mas eu sinto um pouco de insegurança ao notar que não há mais ninguém por perto e, que a única iluminação que temos, além da lua quase invisível por conta das nuvens que bloqueia boa parte de sua luz, apenas um poste ilumina pouca parcela da rua, posto que os outros dois que estão por perto têm suas lâmpadas queimadas. Olho para cima enquanto caminhamos em passos lentos e observo o viaduto como nosso teto, sem conseguir bloquear o pensamento triste sobre perder minha virgindade numa rua escura qualquer, com um homem qualquer.

Tento me lembrar do porquê de ter vindo com esse homem para cá e o quê me motivou a procurar por alguém que pudesse fazer algo para mim. Ao me lembrar, noto não ser um motivo tão grandioso dadas as circunstâncias. Mas não sinto vontade de parar. Não vamos fazer isso para sempre e, quando acabar, simplesmente vamos cada um para sua casa e nada disso mais vai existir. É só sexo. Não é uma escolha que vá destruir minha futura carreira como escritora ou que vá me impedir de entrar numa universidade. Só sexo.

Esbarro no peito dele, em virtude de eu seguir caminhando enquanto meus pensamentos me tiravam a atenção no tempo em que ele já havia parado no lugar, apenas me olhando.

Meu rosto se levanta para o seu e lança um sorriso desajeitado, durante o meu recebimento do seu sorriso de divertimento. Ele pega minha mão e me puxa consigo para perto de uma parede.

- É aqui que vamos ficar? - pergunto parecendo completamente ingênua quando ele gruda minhas costas na superfície vertical.

- Ninguém vai nos encontrar aqui – diz baixinho segurando o meu rosto e inclinando-a com suas mãos para o lado, abrindo o espaço entra meu ombro e pescoço indo com os lábios em direção a pele nua, começando a disparar beijos fervorosos. - E, além do mais… - para, beijando meu queixo e dando uma mordida nele antes de me olhar e retornar ao pronunciamento mais uma vez. - Fazer isso aqui ou num motel daria o mesmo resultado pra nós dois. De qualquer jeito, no fim seria só uma foda.

Suas mãos vêm para minha cintura e me apertam com força além do necessário, causando desconforto, enquanto seus beijos avançam para o meu rosto, na bochecha e, por fim, na boca. Eu fecho meus olhos numa tentativa de me conectar com ele, mas nada acontece. Eu retribuo ao beijo intensivo, porém não reconheço a sensação de forma alguma. Jamais senti antes o que sinto agora, e não posso dizer que gosto disso. Com certeza não gosto. Sua boca tem sabor alcoólico e algo que se parece com tabaco e, enquanto sua língua remexe dentro da minha boca de maneira possessiva em demasia, suas mãos fazem o mesmo com o resto do meu corpo, movendo-se nos seios, na cintura, na bunda, e apertando em todos os lugares. Forte.

Um de seus apertos na coxa me faz soltar um gemido de dor, somente o fazendo sorrir durante um beijo no meu ombro, como se eu houvesse liberado um gemido de prazer. Seguro com força a parede atrás de mim rezando para isso acabar logo e, quase me sinto um pouquinho melhor ao sentir ele avançar para a conclusão desse encontro desagradável. Finalmente suas mãos começam a afastar o meu vestido para cima e explorar o meu corpo mais de perto, levando-o para cima da minha cintura e parado ele acima dos seios. Ele puxa meu top sem mangas bruscamente para baixo e expõe meus seios completamente. O gesto me deixa o mais constrangida possível e sinto meu rosto queimar de vergonha. Ele não percebe, é claro; prossegue com sua tortura nos seios, lambendo como um cão nojento e faminto, mordendo meus mamilos deixando-os doloridos sem parar, e os apertando com as mãos como se fossem bolas de criança.

O mal-estar cresce, e a visão fica pior. Tudo gira ao meu redor, embrulhando o meu estômago e me causando tonteira. Sinto-me fraca e livre de qualquer força que poderia fazer algo além de me manter de pé. Fecho os olhos tentando fugir do mundo girando, mas a sensação não cessa. Tudo o que sinto é dor. De dentro para fora. Minha alma estava ferida antes, agora o corpo seguiu o mesmo rumo.

Seguro os ombros do homem faminto diante de mim e tento o empurrar para trás. Para mim já chega disso. Eu não estou bem em nenhum dos sentidos; não é de sexo que eu preciso, eu só quero ficar sozinha agora e me esquecer de até onde eu cheguei para esconder minha decepção. Foi imaturo e irresponsável. E completamente idiota. Empurro ele uma segunda vez, já que da primeira minha força foi inexistente e ele sequer sentiu as minhas mãos nele. Mas desta vez ele sente, disso eu não tenho dúvida; na primeira vez seus ombros não se moveram, desta vez, sim. Porém, ele me ignora por completo e volta a fazer seu trabalho com a boca. Quero fugir daqui. Minha barriga dói pelo embrulho dentro dela e, eu só quero um espaço para tirar aquilo que me causa tanta fraqueza; preciso expulsar aquele álcool para fora do meu corpo, mas, principalmente, preciso me expulsar para longe desse homem que me causa tanta agonia agora.

- Preciso de um tempo – murmuro com a voz fraca, sem conseguir abrir os olhos. Novamente eu sou ignorada. - Por favor. - Insisto ficando desesperada por uma fuga.

Seus dedos apertam minhas nádegas com força no mesmo instante que sua boca suga meu mamilo na mesma intensidade. Evito gritar de dor, sem querer que ele confunda com prazer outra vez, e mordo o lábio impedindo isso, conseguindo sentir o gosto do sangue surgir pelo meu esforço.

- Eu preciso ir – digo mais alto, quase um grito. - Por favor, me deixe. - Minha voz soa aflita como eu mesma jamais ouvira antes.

- Não se deixa um homem excitado e vai embora – sussurra com a voz rouca e grave, deixado explícito o quanto ele está excitado como diz. - Agora que começamos nós não podemos mais parar, gracinha. - Sua voz me causa náusea e meu coração acelera com um novo sentimento: medo.

- Me desculpe, essa não foi a minha intenção – meus sentimentos ficam claros quando minha voz soa entrecortado, repleta de angústia. - Mas eu realmente não estou me sentindo bem. Por favor me deix… - a minha súplica é interrompida por sua mão que cobre a minha boca da mesma forma que ele faz com tudo: dor.

Meu olhos se abrem em alerta e o noto me encarando bem de perto, com seu nariz quase tocando o meu. Sua respiração em contato com o meu rosto me causa repulsa e aumenta o enjoo crescente dentro de mim; seus olhos me encaram com raiva, me deixando extremamente temerosa. Seu corpo se aproxima mais e se junta com firmeza ao meu, espremendo o meu corpo miúdo na superfície dura com tanta pressão que em certo ponto eu acreditei poder ter meus ossos todos quebrados em menos de um minuto. Mas antes disso ele para e move o quadril, esfregando sua excitação no meu corpo devagar, numa tortura lenta e dolorosa.

- Viu só? - pergunta indo com seu rosto para perto do meu ouvido. Seu hálito quente atinge minha orelha ao dizer: - Esse é o preço de uma garota pela sua insolência.

Meus olhos queimam ao terminar de ouvi-lo, pois eu já sei o que virá em seguida. Estou inteiramente imobilizada entre ele e o concreto atrás de mim; qualquer tentativa de resistência seria inútil agora, e a única alternativa que me é possível optar, é sentir. Sentir a vergonha pelas escolhas anteriores; sentir a dor física de todas as pressões feitas por ele no meu corpo; sentir o gosto horrível na boca, causado não só por ele, mas pela bebida que me deu; sentir fraqueza, tristeza, decepção, medo, nojo, mágoa, solidão, desespero.

Meu rosto umedece e um soluço de doer a garganta me escapa, só então eu percebo que choro. Desisto de tentar esconder e, permito que tudo seja liberto; começo a chorar como um bebê, soluçando alto a ponto de gritar tamanho o desespero. Eu não seria capaz de sofrer calada nem se tentasse.

- Aaaah, por favor… - ele resmunga tranquilamente, tirando a mão do meu rosto e fazendo careta como se decepcionado, me observando enquanto me prende pelos ombros. - Eu achei você bonita antes, mas agora estou começando a mudar de ideia. - Ignoro o seu comentário sem me alterar. - Vamos, pare de chorar, parece até que eu estou te esfaqueando.

Sem nenhuma dúvida isso seria mais suportável.

Eu não digo nada; não conseguiria. Apenas choro, sem conseguir fazer outra coisa. E ele não gosta, revira os olhos e grunhe em desaprovação a minha péssima aparência. E, para não precisar olhar para o meu rosto enquanto me penetra, agilmente seus braços se movem e eu sou girada até ficar de costas para ele, o rosto apertado contra a superfície áspera que arranha o meu rosto com seus movimentos de homem sedento, arrancando fora minha calcinha rasgando o tecido frágil de uma só vez. Uma de suas mão empurram minhas costas para que toda a parte acima da minha cintura fique imóvel contra a superfície dura, enquanto a outra mão puxa meu quadril para trás e desliza sobre minha pele devagar.

Algo rígido roça na minha vagina e passeia por fora dela num vai e vem como uma tortura. Eu apenas fecho os meus olhos com força, aguardando pelo que está para vir. E quando ele finalmente o faz, entrando de uma só vez com a força de todos os apertos que foram distribuídos pelo meu corpo unidas num só movimento, um grito me escapa ao notar a dor exorbitante surgir do local invadido. A dor não passa mediante ele move o corpo dentro de mim. Ruídos seus são ouvidos por mim e eu tenho vontade de cobrir o buraco por onde eles entram, mas sequer consigo sentir meus braços no momento.

Eu continuo chorando, mas sinto meu rosto seco, sem uma gota de lágrima; todas elas se secaram. Então, aos poucos eu me acostumo com a dor horrível que surge a cada estocada firme dele, empurrando o meu corpo para frente e me arrastando contra a parede grossa, numa troca de dores vindas de trás do meu corpo e outra da frente dele. O choro passa, mas as sensações permanecem intactas. Tudo, exatamente igual. Nada melhora. Um tapa é disparado contra minha pele, porém eu quase não o sinto, apenas ouço, completamente silenciosa.

Então ele alcança o seu objetivo. O sinto escorrer em grande quantidade na minha intimidade até descer pelas pernas. Mas antes de sair de dentro de mim, seu rosto se aproxima pela última vez e sussurra:

- Você devia me agradecer.

Então, não ouço mais nada. Estou sozinha.

Não enxergo mais nada coerente a minha volta, tudo são vultos e sombras. Tampouco ouço; os sons que detecto não passam de ruídos, sons estridentes que me ferem diretamente na cabeça. Todo o meu corpo está ferido. A dor corporal é completa e absoluta, tanto quanto a dor da alma. Odiaria me ver de frente agora, pois certamente morreria pela humilhação. Mas talvez eu tenha merecido. Se tudo acontece por um motivo, comigo não poderia ser diferente. Eu procurei por isso; fui eu quem buscou a descoberta, e consegui. Eu descobri, finalmente. Descobri que não se deve procurar por algo que não lhe pertence. Eu descobri que o mundo em que eu vivia era o melhor que poderia me servir. Descobri que era feliz e, graças a isso, sei que jamais voltarei a ser. As descobertas não foram inúteis, mesmo que dolorosas; agora sei do que jamais saberia se não procurasse por elas. Sei que tenho sentidos que jamais pensei que existissem dentro do meu corpo e do meu cérebro. A partir de hoje eu sei o que é dor, sei o que é vergonha, sei o que significa não significar nada.

Talvez essa seja a lei da vida. Para aprender a andar as crianças caem várias vezes. Eu sou apenas uma criança dando seus primeiros passos, tendo sua primeira queda e… chorando como uma. Meu corpo rejeita qualquer tentativa de se manter de pé e, então a gravidade age sobre ele, me levando de encontro ao chão ríspido de uma só vez, fazendo meus braços sem vida quicarem e minha cabeça sacudir, batendo com força na parede que sustenta minhas costas. No mesmo instante minha visão escurece, mas não faço nada para resolver, sequer me preocupo. Permaneço parada, fecho meus olhos e os aperto, porém, sem força ou vontade para abri-los de volta, permito que fiquem dessa forma.

Abro novamente os olhos e, percebendo minha visão relativamente normalizada, enxergo dentre os fios de cílios a escuridão que me cerca. É possível avistar o viaduto sobre mim, e mais nada além disso. Quando abaixo lentamente a cabeça posso ver a rua que se estende bem distante de onde estou, e nenhuma pessoa passando por ela. Esse lugar é completamente isolado. Minhas pálpebras cansadas se deitam novamente e eu respiro fundo, procurando pelos últimos indícios de que estou viva. Encho meus pulmões com todo o oxigênio que posso resgatar e o libero aos poucos, sentido dores ao fazer isso.

Incrível como um único acontecimento pode mudar a nossa vida. Em menos de uma noite eu posso mudar o meu eu por completo. Um simples desconhecido teve esse poder hoje. Eu não sei no que me transformei, mas seja lá o que for, não gosto dela. Detesto essa Lilith rompida. Odeio cada centímetro do corpo dessa nova pessoa que me tornei. Imunda, violada, trouxa, humilhada, abandonada… Entregue por mim mesma ao inferno.

Risos invadem meus ouvidos, mas meu corpo não se move de forma alguma, apenas espero que esse som suma e me deixa sozinha, pois seu som é doloroso, quase tão doloroso quanto o som dos fantasmas que gritam comigo em minha mente. Contudo, as risadas não me deixam. Ao contrário disso, se aproximam mais e mais, até parecerem estar a um metro de distância. Continuo sem me mover. Apenas esperando…

- Mas olha só o que eu achei… - Diz uma voz arrastada e bêbada de homem, seguida por uma luz extremamente forte vinda direto para os meus olhos como punhais afiados.

- Parece que encontraram nosso cantinho primeiro – Desta vez a voz foi de uma mulher, no mesmo estado que o homem. - Talvez ela tope uma…

- Não! Credo! - Ele repudia, interrompendo-a. - Olha só o estado dessa garota. Já foi usada. - Ela ri alto com o comentário dele.

- Quero que me foda até ficar como ela… - a luz começou a se distanciar dos meus olhos na medida em que ela foi sussurrando devagar para o homem. - Com força até eu não conseguir nem andar…

Suas vozes desaparecem junto com a luz, que deduzi como a lanterna de um celular, e eu choro mais uma vez, mas sem lágrimas, somente soluços fortes, dolorosos e intensos. Minhas lágrimas se esgotaram e, mais nada parece ser capaz de tirar de dentro de mim toda a angústia e desespero que me consomem. Grito, alto, com a força que me resta, mas a dor persiste, e prossegue com seu trabalho de me destruir.

Eu só queira desligar de mim mesma, me apagar, dormir, ou qualquer coisa que me fizesse esquecer de tudo o que me aconteceu nas últimas horas. Quero me esquecer do quanto fui imbecil, do quanto fui fraca, do quanto dói, de toda a humilhação, das tentativas de fazer algo certo, de procurar algo melhor, da busca pela perda… Quero me esquecer de tudo que sou, porque é esse o problema: Lilith Harrison.



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