História Checkmate - Capítulo 1


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Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Chenle, Haechan, Jaemin, Jeno, Jisung, Mark, RenJun
Tags Haechan, Lee Donghyuck, Na Jaemin, Nahyuck, Nana, Nct Dream
Visualizações 34
Palavras 5.511
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela, Shoujo-Ai
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


sim... eu surgi com MAIS uma fanfic, mas essa é curtinha entao td bem eu acho
esse é o primeiro capítulo de três, espero que vcs gostem!

Capítulo 1 - Maniac


Tell all of your friends that I'm crazy and drive you mad

That I'm such a stalker, a watcher, a psychopath

And tell them you hate me and dated me just for laughs

So, why do you call me and tell me you want me back?

You maniac


Era um noite tranquila no campus, todos dormiam serenamente em suas camas. Jaemin também dormia profundamente, sonhando com alguma coisa envolvendo sorvete de creme e um pequinês, entretanto, seus doces sonhos foram interrompidos por um cutucão.

O primeiro cutucão veio na costela, fazendo-o se remexer sob os lençóis e grunhir palavras desconexas, mas não foi o suficiente para acordá-lo. O segundo cutucão veio no meio da barriga, este doeu um pouco e fez o rapaz acordar um pouco, mas não completamente, e então, veio o terceiro e último cutucão: na bochecha, finalmente acordando-o. Jaemin abriu seus olhos e deparou-se com a última pessoa que ele imaginava encontrar às duas da manhã de uma sexta-feira.

Donghyuck estava agachado ao lado de sua cama, os olhos grandes brilhando sob a penumbra, um brilho estranho e intenso, e uma expressão indecifrável no rosto. A princípio, Jaemin pensou que era algum tipo de assombração e sentiu um grito subir pela garganta, mas não pode soltar nenhum som pois logo os dedos gelados do Lee taparam sua boca. O Na encolheu-se, recuando até suas costas encostarem na parede, o rosto dele a milímetros do seu.

Após alguns segundos, o Lee se afastou silenciosamente, sem desviar o olhar da expressão assustada do mais alto.

— Preciso que você venha comigo. Preciso da sua ajuda pra por o meu plano em prática. — sussurrou ele.

— O qu-

— Troque de roupa e vá até a lavanderia, vou estar te esperando lá. Vá rápido. — e, dizendo isso, Donghyuck deu-lhe as costas, subiu na escrivaninha e pulou a janela. Jaemin morava no segundo andar, então não havia muito problema em fazer isso.

E, mesmo com o choque de acordar com o rapaz lhe encarando no meio da noite, com aquela história maluca de plano e o tom imperativo em sua voz, mesmo com todas as circunstâncias absurdas daquela madrugada, Jaemin viu-se em frente ao volante do seu carro, usando a primeira roupa que encontrou no guarda-roupa – um jeans de três anos atrás, uma camiseta com o mascote da faculdade, um esquilo, sorrindo de forma levemente perturbadora, uma jaqueta de moletom e chinelos – dirigindo na cidade deserta para Deus sabe-se lá onde com Lee Donghyuck no banco do carona.

E a situação se tornava ainda mais absurda pois nenhum dos dois se conhecia muito bem. Eles nunca trocaram mais do que algumas palavras ao se encontrarem no campus uma vez ou outra, não tinham nenhuma conexão além de alguns amigos em comum. Jaemin cursava fotografia, bebia até seis copos de café por dia e adorava filmes de terror,  enquanto Donghyuck estudava história, pintava as unhas de preto, estava sempre usando uma camisa quadriculada vermelha e meias coloridas com desenhos engraçados. Nada estava fazendo sentido naquele momento.

— Ah… para onde estamos indo? — indagou Jaemin, quando o carro parou no sinal vermelho. Donghyuck tirou um caderno de algum lugar e abriu-o numa página rabiscada com caneta vermelha. Podia-se ler "Incrível Plano De Vingança pt. I" no topo da página.

— Vamos para Gyooe. — disse ele.

— Okay.

O silêncio dentro do carro era ensurdecedor, inúmeras dúvidas preenchendo a cabeça do Na enquanto ele virava a esquina aproximando-se do subúrbio da cidade.

— Porque estamos indo lá?

— Você vai ver quando chegarmos lá. Vire à esquerda naquela rua ali. — Donghyuck instruiu, apontando na direção que o outro devia seguir. — Isso agora segue reto… para em frente àquela casa marrom bem embaixo da árvore. Isso.

Jaemin estacionou exatamente no lugar que fora instruído, sob uma árvore grande cuja copa caía sobre seu carro, escondendo-o na sombra. Donghyuck jogou o caderno no banco de trás e abriu a porta apressadamente, abrindo o porta-malas do carro onde, alguns minutos antes, ele guardou dois baldes de tinta vermelha e uma sacola com pincéis, ovos e papel higiênico barato. Jaemin saiu do carro e ajudou-o a pegar aqueles estranhos materiais, seguindo-o até o outro lado da rua até uma casa com um portão branco e muro cinza. Havia um carro preto em frente à casa, daqueles modelos modernos e elegantes.

— O quê… o quê você vai fazer? — perguntou o mais alto.

— Vamos nos vingar desse filho da puta. — rosnou o outro com uma expressão assustadora.

Donghyuck parou em frente à porta do motorista, vestiu luvas de plástico, que surgiram do nada, e abriu uma lata de tinta, pegando o pincel e mergulhando-o no líquido. Antes de tirá-lo de lá, encarou Jaemin.

— Você vai ficar parado aí?

— Eu… eu não sei.

— Anda, pega um pincel e mãos à obra!

Jaemin observou-o puxar o pincel e praticamente arremessá-lo contra o carro. SPLASH! A tinta se espirrou por metade do vidro, o vermelho brilhando sob a luz do poste, e então o garoto continuou a jogar tinta por todo lado e começou a desenhar coisas como caveiras, pintos e diabinhos além de escrever coisas esquisitas. Tudo isso ainda no lado direito do carro. O Na não sabia o que fazer, estava nervoso e ainda não havia compreendido completamente a situação na qual se encontrava.

Aquilo não era errado? Eles poderiam ser presos por vandalismo! Ele estaria encrencado se seu irmão mais velho descobrisse que andou vandalizando o carro de um estranho no meio da noite…

— Você pode me dar algum motivo? — murmurou.

— O quê?

— Um motivo. Eu quero um motivo pra fazer isso. Eu não sei exatamente do quê estamos nos vingando então… sei lá.

Donghyuck parou o que estava fazendo e suspirou.

— Esse safado do Jeno me traiu. Não uma, não duas, nem três, mas umas cinco vezes, que eu saiba. — explicou ele, apontando furiosamente em direção à casa. — Aquele burguêsinho nojento que não lava aquela porra daquele pinto mixuruca dele teve a audácia de me trair. Ele me fez de bobo por meses! Meses! E sequer teve a coragem de terminar comigo, eu tive que descobrir da pior maneira possível, senão isso ia continuar por sabe-se lá quanto tempo!

Jaemin encarou-o, inexpressivo e levemente impressionado com a boca suja do Lee.

— Quê foi?

— Como ele se chama mesmo?

— Jeno.

O rapaz abriu sua própria lata de tinta e foi até a parte da frente do carro, arrastando o pincel para lá e pra cá. Poucos segundos depois, ele jogou o pincel no chão, largou a lata e pôs as mãos na cintura, fitando com admiração o seu trabalho. Donghyuck se aproximou, ficando logo ao lado dele, sorrindo ao ver o que ele tinha escrito.


JENO PINTO PEQUENO 3CM DURO.


O garoto precisou tapar a boca para conter uma gargalhada.

— Eu adorei!

Ele se aproximou e desenhou um pintinho bem pequenininho ao lado de "Jeno" e riu, virando-se para Jaemin, a dupla trocando um olhar furtivo e risonho, como crianças que tinham acabado de fazer alguma travessura.

— E agora, o grand finale!

Eles pegaram os rolos de papel higiênico.

— Aqui. — chamou Donghyuck, estendendo uma máscara de ski para o maior. — Caso alguém nos veja.

— E você só pensou nisso agora?

O outro deu de ombros e vestiu sua máscara.

Os rapazes pegaram cada um, um rolo de papel e jogaram sobre o carro, espalhando o papel por todo lugar, grudando o na tinta. Jogaram um pouco mais de tinta aqui e ali, pegaram galhos, folhas e sujeira da rua e jogaram sobre o capô, e, no fim, ainda furaram os pneus.

Assim que terminaram, tiraram fotos e entraram no carro, rindo baixinho. Donghyuck tirou suas luvas e jogou-as numa sacola plástica, Jaemin fez o mesmo e, então, deu a partida.

— Queria poder ver a cara dele quando vir a nossa obra de arte. — ouviu o menor dizer

— Ele com certeza vai aparecer na faculdade com a mesma expressão amanhã. — disse.

— Não vai ser a mesma coisa que ver ao vivo a primeira impressão… mas tudo bem, vai ser suficiente.

O silêncio que se instaurou no carro não foi tão estranho quanto antes, foi confortável, até. Não demorou muito para que chegassem ao campus. Jaemin deixou Donghyuck em casa e voltou ao seu dormitório. O relógio marcava quatro horas da manhã. O rapaz deu de ombros e deixou-se cair na cama, adormecendo no mesmo instante com a impressão de que tudo aquilo fora apenas um sonho.


Horas mais tarde, às dez da manhã, Jaemin acordou e não conseguiu pegar no sono outra vez, mesmo querendo dormir o dia todo. Levantou-se, o corpo pesado e os músculos tensos, como se tivesse corrido uma maratona. Ele não havia entendido muito bem porque estava tão cansado, mas apenas ignorou. Depois de entrar na faculdade, estava cansado todos os dias, então não fazia muita diferença.

Dirigiu-se para a cozinha do seu pequenino apartamento, após tomar um banho, abriu a geladeira e apanhou a caixa de cereal e o leite, virando-se para pegar uma tigela no armário. Jisung, seu colega de quarto, surgiu. Estava usando seus pijamas ainda, o cabelo estava todo emaranhado e o rosto inchado de sono; ele era adorável. O garoto sentou na bancada da pia e encarou Jaemin.

— Você quer que eu faça um pra você também? — indagou o mais velho, o outro assentiu, fazendo-o rir.

Enquanto apanhava outra tigela, ouviu Jisung dar uma risadinha.

— Hyung, olha! — e então ele estendeu o celular para si.

Na tela passava um vídeo mostrando um carro cheio de desenhos e frases escritos com tinta vermelha, papel higiênico, galhos, folhas e mais um monte de porcariias grudadas na carroceria. Jisung ria com deleite da cena enquanto Jaemin encarava as imagens de cenho franzido.

— Não foi um sonho. — constatou, embasbacado.

— O quê você disse, hyung?

— Nada! Nada… de quem é esse carro? O quê aconteceu? — indagou, desviando o assunto.

— Ah, é o carro do Lee Jeno, de arquitetura. Pelo que me contaram, o namorado dele, que agora é ex, descobriu todos os chifres que ele colocou na cabeça dele e resolveu se vingar. — contou o mais novo, com deleite. Ele parecia estar genuinamente se divertindo com aquilo e Jaemin não podia julgá-lo. — Ele mereceu, traição não tem perdão.

— Pois é, pois é, não tem mesmo, agora coma seu cereal. — o maior interviu, estendendo-lhe a tigela de cereal.

Mais tarde, o Na encontrou com seus amigos, Seungmin e Hyunjin, no parque em frente ao campus, para tirarem algumas fotos para um trabalho. Eles caminharam por algum tempo, conversando animadamente e rindo do assunto mais comentado do momento: o carro arruinado de Lee Jeno. Em algum momento, decidiram parar um pouco e descansar, sentando-se no gramado. Hyunjin trouxera consigo alguns sanduíches de queijo e os três dividiram.

Jaemin ainda queria continuar fotografando, então, depois de comer seu sanduíche, pegou sua câmera e levantou-se.

O rapaz andou por algum tempo, sem se afastar muito de onde seus amigos estavam, observando os arredores com atenção. Ele gostava da natureza, das árvores, do ar fresco, fazia-o se sentir bem e tranquilo. No meio de sua caminhada, avistou a figura familiar de Donghyuck sentada num banco, as pernas esticadas e abertas, a cabeça jogada para trás, numa pose engraçada. Ele parecia estar dormindo. O Na pegou sua câmera e observou-o através da lente, dando zoom em seu rosto.

Nem parecia o garoto vingativo com um olhar brilhando de raiva e desprezo, com tinta vermelha no rosto e mãos que vira na madrugada daquele mesmo dia. Sua expressão era serena, sem nenhum sorriso de canto, sem nada ruim. Seu cabelo vermelho vivo caía sobre seus olhos, algumas mechas rebeldes apontavam para cima e Jaemin riu, pois pareciam chifres de um diabinho, o que combinava muito bem com ele. Tirou uma foto da cena para seu acervo pessoal, admirando o resultado na tela da câmera. Até que ele é bonitinho dormindo assim, pensou, Nem parece aquele garoto endiabrado de ontem.

Quando apontou a câmera para ele novamente, Donghyuck estava de olhos abertos, encarando do mesmo jeito de quando havia acordado-o em plena madrugada, a expressão serena substituída por uma indecifrável. Jaemin sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha e baixou a câmera, virando-se e voltando rapidamente para junto de seus amigos.


Alguns dias se passaram desde aquela madrugada de sexta-feira, e desde então Jaemin sequer viu Donghyuck outra vez. O rapaz estava começando a pensar que ele era uma espécie de fantasma que aparecia vez ou outra, quando bem entendia.

Os problemas da vida universitária preencheram sua mente e ele não tinha mais tempo para pensar naquele plano maluco de vingança. Entretanto, o Na viu-se procurando pela silhueta esguia do menor pelo campus, inconscientemente. Ainda estava tão intrigado, tão confuso, com tantas perguntas que não conseguia parar de pensar naquilo.

Renjun, seu amigo e vizinho, estava contando-lhe sobre um filme de terror que assistiu no dia anterior quando ele avistou Donghyuck na cafeteria da faculdade. Estava sentado numa mesa no fundo do estabelecimento, usando a mesma camisa de flanela vermelha, o jeans justo e rasgado nos joelhos e All-Stars pretos. Ele não estava sozinho, Jeno estava sentado na sua frente, parecendo muito bravo.

A dupla pegou uma mesa perto da janela, e de lá não dava para ver muita coisa da discussão entre o ruivo e seu ex-namorado, mas Jaemin sabia que Donghyuck provavelmente tinha aquela expressão assustadora de raiva e desprezo no rosto. Dava para adivinhar, na verdade, pela maneira como ele apertava seu copo de café, quase quebrando-o entre os dedos.

— Ei Nana...Nana! — chamou Renjun. — Você tá me ouvindo?

— Quê? Ah, tô sim. — disse o maior, chacoalhando a cabeça e voltando-se ao amigo, que lhe fitou com a sobrancelha arqueada.

— Então, sobre o que era o filme que eu tava falando?

— Ah… sobre… alienígenas?

— Há! Não! Era sobre clones. Eu estava falando sobre "Us", aquele filme do Jordan Peele, seu galalau. — disparou o chinês, irritado. — O que você tá olhando tanto? — ele então, virou-se na direção da mesa onde Donghyuck estava sentado a tempo de vê-lo jogar o copo de café na cabeça de Jeno, gritar alguns xingamentos – entre eles o infame "Jeno, pinto pequeno!" – e sair correndo.

Jaemin não conseguiu conter a risada, nem ele, nem Renjun e nem metade das pessoas da cafeteria. Jeno arrastou-se até o caixa, jogou algumas notas para o atendente e saiu furioso não muito tempo depois, com sua camisa polo cor-de-rosa manchada de café.

— Meu Deus, o quê foi isso? — arfou Renjun, retomando o fôlego depois de rir por uns dez minutos. — Do nada!

— Ah, não foi do nada, não… ele mereceu. Corno. — Jaemin murmurou.

— Ele foi o corno ou quem botou o chifre?

— Quem botou o chifre, mas mesmo assim, corno.

Eles riram e continuaram a tomar seu café calmamente como se nada tivesse acontecido.


Após um longo dia de estudos, já era noite quando Jaemin voltou para seu apartamento. Largou os sapatos perto da porta e deixou a bolsa sobre a escrivaninha. Estava suado depois de passar o dia todo andando para cima e para baixo com a câmera na mão, então, decidiu tomar um bom banho.

De banho tomado, o rapaz enrolou uma toalha na cintura, pensando em qual filme de terror poderia assistir.

Ao sair do banheiro, deparou com Donghyuck sentado em sua cama.

— AAAH!!! — gritou, assustado, desequilibrando-se. Sua toalha acabou caindo e ele a apanhou rapidamente. Encarou o rapaz à sua frente que lhe encarava, indiferente. — O quê… o quê raios você tá fazendo aqui?

— Não se preocupe, não me importo com o que você tem aí embaixo, não me olhe assim. — foi o que disse. — Tenho coisas mais importantes para pensar, como, por exemplo, a parte dois da minha vingança.

— Ah… eu deveria ter adivinhado. Você não poderia ter mandado uma mensagem ao invés de invadir o meu quarto outra vez?

— Não, não gosto de mensagens. E eu não tenho seu número. — o Lee disse, levantando-se. — Vista-se logo, coloque uma roupa bonita, temos muito o que fazer.

— Espera… e quem disse que eu iria te ajudar?

Donghyuck lhe encarou, confuso, como se ele tivesse acabado de dizer alguma coisa absurda. Ele piscou.

— Não vai?

Jaemin abriu a boca mas não conseguiu dizer nada, pois, não sabia exatamente o que responder. Fitou o outro, o silêncio se estendendo por mais tempo do que é considerado normal. Seus ombros caíram e ele suspirou.

— Me dê cinco minutos.

E então, pela primeira vez, Donghyuck sorriu.

Rapidamente, o Na vestiu suas calças e uma camiseta preta qualquer, calçou os sapatos e virou-se para o menor, prontamente.

— Fall Out Boy? — leu ele, observando a estampa na camiseta alheia. — Não sabia que você gostava.

— Ahn… é, eu gosto. Bastante.

— Do que mais você gosta?

— De bandas? Green Day, Paramore, Three Days Grace… não me julga, eu era emo alguns anos atrás…

— Não tô julgando… — Donghyuck disse, a sobrancelha arqueada e aquele sorrisinho de canto lhe deixando intrigado. — Vamos, temos muito do que nos vingar ainda.

Dentro do carro, o ruivo tirou o celular do bolso e deixou tocando Thanks For The Memories enquanto eles se aproximavam do centro da cidade.

Jaemin estacionou sob uma árvore, e então, saíram. O destino ficava na rua de cima; uma boate. A música podia ser ouvida já de muito longe, e as luzes escapavam por frestas nas janelas. Podia-se ler "Eden" em letras neon brilhando na fachada. As portas eram vermelhas, acolchoadas, com janelinhas redondas no meio. Dois seguranças estavam parados dos lados, imóveis e impassíveis. Donghyuck mostrou um cartão dourado para eles, e então eles puderam entrar, sendo atingidos por uma onda de calor e o cheiro forte bebidas e perfumes doces. A música estava tão alta que o Na sentia a batida reverberar em seu estômago.

— Pensei que iríamos destruir o carro dele outra vez! — gritou Jaemin. — Se soubesse que viríamos aqui, teria colocado uma roupa melhor!

— Relaxa! Você ficou uma delícia com essa roupa! — o outro gritou, olhando-o de cima abaixo e rindo de suas bochechas coradas. — Vem!

Donghyuck puxou-o pelo pulso multidão adentro, empurrando as outras pessoas e atravessando a pista. Chegaram ao bar e sentaram-se nos banquinhos em frente ao balcão.

— O quê vamos fazer? — Jaemin perguntou, observando o outro pedir duas cervejas.

— Espere e verá.

Aquela resposta não lhe ajudou em nada, apenas deixando-o mais apreensivo. Aquele cara era imprevisível e ele tinha medo do que raios iriam fazer naquele lugar. Olhou em volta, observando a decoração estranha, as luzes, o DJ e as pessoas dançando como se não houvesse amanhã enquanto bebericava de sua cerveja. Tentou imaginar o que Donghyuck tinha planejado para aquela noite, mas não conseguia pensar em nada, nadinha mesmo, não fazia ideia do que se passava na cabeça daquele doido.

Subitamente, sentiu seu pulso ser puxado novamente e olhou o garoto com um olhar confuso.

— Vamos dançar! — ele gritou.

Mesmo que Jaemin não soubesse dançar, e detestasse música eletrônica, tentou imitar os movimentos do Lee no meio da pista de dança, sem muito sucesso. Ele se movia suavemente, quase como se fosse um reflexo natural do seu corpo. Era hipnotizante observar como as luzes refletiam em sua pele cor de mel, ou como movia seu corpo tão próximo do mais alto, sem se importar com nada nem ninguém.

De repente, Jaemin parou e avistou um semblante familiar entre a multidão de jovens bêbados; Jeno Pinto Pequeno estava entrando na boate acompanhado de alguns amigos, rindo.

— Ei, aquele ali não é o...

E então tudo aconteceu numa fração de segundo.

No mesmo instante que Jaemin viu Jeno, Donghyuck também o viu. Ele pode perceber que seus olhares se encontraram, mas antes de processar a informação, a boca do menor chocou-se contra a sua. Demorou alguns segundos para entender o que estava acontecendo, logo retribuindo e puxando-o para si. Agarrou os quadris alheios e mordeu-lhe o lábio, beijando com a mesma selvageria com que foi beijado, e permanecendo assim por um bom tempo.

Quando se separaram, não viu Jeno em lugar nenhum. Viu Donghyuck logo à sua frente, o cabelo bagunçado e seus lábios vermelhos e inchados curvados num sorriso bobo. Voltaram ao bar e pediram mais duas cervejas

— Você não é tão lerdo quanto eu pensei! — exclamou o ruivo.

— Ei! Eu não sou nem um pouco lerdo… mas, deu certo?

— Eu acho que sim. Abri os olhos no meio do beijo e vi ele todo puto, tava até ficando vermelho. — riu o outro. — Deu tudo certo.

— Era isso o que você planejou? Me beijar na frente dele? Poderia ter feito isso com qualquer um!

— Não, não poderia.

Jaemin não teve tempo de dizer qualquer outra coisa, pois, foi beijado outra vez.

Eles foram embora não muito tempo depois, e não trocaram uma palavra sequer no caminho, deixando que Gerard Way cantasse sobre como adolescentes o deixavam assustado ao invés disso.

Quando voltou para seu apartamento, deparou-se com Jisung em pé no meio do quarto.

— Hyung, onde você estava?

O rapaz se lembrou, então, de que prometera fazer uma maratona de filmes de terror com seu querido dongsaeng. Levou a mão à testa, encolhendo-se.

— Mil perdões, Jisung! Eu tive que… tive que… tive que ajudar o meu irmão! É, isso, ajudar o meu irmão… — disparou. — Ele tá doente.

O olhar inquisitivo do mais novo tornou-se preocupado.

— Jaehyun hyung tá bem? O que ele tem?

— Ah… febre e… diarréia. É, diarréia. Ugh, tava feia a coisa. — Jaemin chacoalhou a mão em frente ao nariz e fez uma careta, fugindo para o banheiro. — Vou tomar um banho, okay? Estou fedendo. Vá dormir que amanhã você precisa acordar cedo.

Jisung franziu o cenho e deu de ombros, rindo da maneira estranha como seu hyung correu para o banheiro, logo retornando para sua cama.


Durante o mês que se seguiu, Jaemin notou os olhares furiosos que Jeno Pinto Pequeno lhe lançava no campus, e ria internamente toda vez que ele o encarava. Renjun não entendia o porquê daquilo, e toda vez que perguntava, o outro desviava o assunto ou dizia que ele provavelmente era míope.

E, também, durante esse mês, Donghyuck não apareceu em lugar algum. Ele podia ser visto de longe, zanzando perto do prédio de história. O Na ainda tinha a impressão de que todas as vezes que o viu por aí eram miragens, por algum motivo. Tinha algo sobre o Lee que o fazia parecer surreal.

Vez ou outra, Jaemin viu-se lembrando dos beijos que trocaram na boate. Foi só encenação para provocar Jeno… ou talvez não. Donghyuck o beijou várias vezes depois, mesmo com o ex namorado fora do campo de visão. Será que ele estava por perto e eu não vi? pensava o rapaz, Se bem que eu tenho certeza de que ele foi embora depois daquilo…

O seu problema não eram os motivos do ruivo ter lhe beijado, mas o ato em si. Não conseguia esquecer como os lábios dele eram absurdamente macios, ou como a sensação de poder beijá-los era eletrizante, viciante, como uma droga. A maneira com suas mãos exploravam suas costas e apertava seus ombros, lhe deixando todo arrepiado, não saía de sua cabeça. Parecia loucura, e, de fato, poderia ser, mas Jaemin queria beijá-lo muitas outras vezes… mas aquilo era bobagem. O que Lee Donghyuck ia querer com um Zé Ninguém como ele?

Cansado de tentar desvendar aquele quebra-cabeça infinito, Jaemin deixou aquela história de lado e focou em estudar para as provas que se aproximavam com o fim do mês.

Em plena terça-feira, precisou passar a tarde enfurnado na biblioteca, usando os computadores da faculdade para estudar pois o seu estava no conserto. Saindo de lá, no caminho para o estacionamento, viu uma cena curiosa.

Donghyuck atravessando o asfalto, pisando fundo, parecendo extremamente furioso e tão vermelho quanto seu cabelo. Correndo atrás dele, havia ninguém mais, ninguém menos, que Jeno Pinto Pequeno – o Na adorava chamá-lo assim – gritando e xingando-o.

— Você é completamente louco! Stalker! Você vai pagar por tudo o que fez, seu desgraçado! Psicopata! — ele berrava, também ficando vermelho.

Àquela altura, Jeno alcançou Donghyuck e agarrou-lhe os braços. Eles gritavam e se debatiam, e a situação parecia estar ficando cada vez mais grave.

Quando se deu conta, Jaemin já estava no meio do estacionamento socando a cara de Jeno Pinto Pequeno.

— Larga ele, seu arrombado! — rosnou, empurrando-o. O moreno levou a mão ao rosto, gemendo de dor. — Que saco!

— Ah, seu novo namoradinho veio te salvar! Que lindo!

— Eu não sou namorado dele! — disseram em uníssono, entreolhando-se, confusos. Neste instante, foi a vez de Jeno de socar a cara do mais alto, fazendo-o cair no chão.

— Eu tenho mais o que fazer do que perder meu tempo com vocês. — disse, com desdém em seu olhar, virando-se e entrando no carro preto que ainda tinha um pintinho vermelho desenhado com tinta vermelha no porta-malas.

— Você ficou maluco? — exclamou Donghyuck. — Pirou a cabeça pra se meter onde não foi chamado?

Jaemin o encarou, ofendido.

— Com licença, mas ele estava prestes a te descer a porrada, eu só quis ajudar! Ingrato!

— Eu não pedi pela sua ajuda, e agora, olha só, tá ai no chão, esturricado.

— Quem invadiu o meu apartamento no meio da madrugada e me arrastou pra se vingar daquele doido foi você! E quem me levou pra uma boate e me agarrou na frente dele foi você  também! — o Na disparou. — Você que me enfiou nessa!

O Lee ficou quieto, bufando e encarando-o com raiva enquanto tentava pensar em alguma resposta afiada para sair por cima na discussão. Segundos depois, ele pareceu desistir.

— Cê tá bem? — perguntou, agachando-se ao lado do outro.

— Tô suave. Ele nem sabe bater. — Jaemin riu, dando de ombros. — Eu e meu irmão brigamos o tempo todo e ele já me bateu tanto que um soquinho desses não me derruba.

— Mas você tá no chão.

— Detalhes.

Donghyuck deu uma risadinha e se levantou, estendendo a mão para que o rapaz pudesse levantar também.

— Mas e aí, você quer, sei lá, me ajudar a completar a parte três do meu Incrível Plano de Vingança? — disse o ruivo, sem soltar sua mão.

— Espera… é impressão minha ou você pegou gosto pela coisa? — rebateu o mais alto, encarando-o com o cenho franzido. Ele deu de ombros.

— Sei lá, é divertido.

Jaemin riu.

— Tô dentro.


Era uma noite tranquila. O céu, sem nuvens, estava salpicado de estrelas e a lua cheia brilhava no alto.

Jisung saiu com alguns amigos mais cedo, e provavelmente ia voltar tarde. Jaemin estava em seu quarto, assistindo a uma série de terror que Renjun lhe recomendou outro dia, enquanto esperava notícias de Donghyuck. O garoto dissera que ia aparecer quando fosse a hora de terminar a vingança contra Jeno, entretanto, faziam horas que ele não ouvia nenhuma palavra vinda do Lee. Eles sequer tinham o contato um do outro no celular, como iriam se comunicar? O jeito era confiar na mente maluca do ruivo.

Subitamente, ouviu-se um barulho estranho vindo do lado de fora. Parecia um bicho arranhando a parede. Jaemin deixou a série de lado e foi averiguar, e, ao invés de um gato vira-lata, encontrou Donghyuck tentando escalar sua janela. Ele segurava uma sacola, o que dificultava a escala. O Na esticou sua mão para ajudá-lo, agarrando seu braço e puxando-o pela camiseta para dentro do quarto.

Ele caiu de joelhos no chão, logo se levantando. Estava vestindo uma calça preta, coturnos e um moletom preto largo e com um capuz.

— Obrigado. — arfou, olhando o mais alto de cima abaixo. — É isso que você vai usar?

O rapaz checou suas roupas.

— Ah, sim, porquê? O que vamos fazer?

— Você vai ver, mas coloque algo mais discreto.

Jaemin deu de ombros e virou-se para o seu armário ao pé da cama. Ele não tinha nenhuma calça preta então emprestou uma das calças de Jisung. Vestiu um moletom preto e os tênis, virando-se para o Lee.

— E aí?

— Ótimo. Vamos.

Dentro do carro, com Misery Business do Paramore tocando, Donghyuck começou a remexer a sacola que carregava.

— O quê você tem aí? — Jaemin indagou, tentando olhar o que ele estava fazendo enquanto prestava atenção na rua.

— Cera, cola permanente, e… — ele enfiou a mão na sacola e dela tirou um pênis de borracha cor-de-rosa. Jaemin começou a rir e se engasgou com a própria saliva.

— Que porra é essa?

— É um pinto de borracha, ué, nunca viu um não?

— Sim, mas, pra quê um pinto de borracha?

O sorriso de Donghyuck o fez perder a vontade de saber.

Logo, chegaram ao bairro que Jeno morava, estacionando na rua de trás dessa vez. A dupla saiu do carro, vestindo os capuzes de seus moletons e tentando não serem vistos, o que não era muito difícil visto que todos os moradores daquele bairro estavam no sétimo sono. Caminharam até a casa do alvo e pararam em frente à ela, observando-a.

— Vamos invadir. — disse o ruivo.

— O quê?!

Antes que o Na pudesse protestar ou impedi-lo, Donghyuck pulou no muro, escalando os arbustos e indo parar no topo do muro, sentando-se. Ele riu.

— Vem logo, bobão. Não é tão difícil.

Jaemin respirou fundo e tentou escalar o muro, sendo ajudado pelo menor a chegar ao topo. Eles se equilibram e deram a volta, alcançando a janela do quarto de Jeno. O ruivo abriu a janela cautelosamente, silencioso e furtivo como um gato. Rapidamente, ele saltou para o lado de dentro e puxou o outro também.

Jeno dormia numa pose engraçada em sua cama, as pernas abertas, os braços jogados pros lados e a boca aberta, babando no travesseiro. Donghyuck riu baixinho e fez uma careta, aproximando-se dele.

— Nem pra dormir direito não serve. — sussurrou. — Olha isso, babando no travesseiro todo. Que nojo. Pelo menos o sono dele é absurdamente pesado, vamos logo.

O rapaz apanhou o pênis de borracha enquanto Jaemin espalhava cola pela testa de Jeno, com cuidado para não acordá-lo. Grudaram o pênis e tiraram diversas fotos, e, então, eles começaram a preparar a cera. Com destreza, o Lee espalhou a cera pelas sobrancelhas do ex namorado, grudando o papelzinho por cima.

— Você puxa de um lado e eu puxo do outro, okay?

— Okay.

— Um… dois… três!

Puxaram a cera de uma vez só. Jeno acordou num sobressalto, gritando. Ele tentou agarrar Donghyuck, mas ele foi mais rápido Em um segundo, a dupla pulou a janela, desceu pelo muro e correram até o carro, gargalhando. Jaemin ligou o carro e saiu o mais rápido que pôde do bairro.

— A cara dele foi impagável! — o menor riu. — Meu Deus, que coisa maravilhosa!

— Ele correndo com o pinto na cabeça! Mano, foi demais! — o Na gargalhava.

— Você tá com as fotos?

— Tô, pega meu celular no meu bolso.

Donghyuck deslizou a mão dentro do bolso alheio, pegando o aparelho.

— Põe o dedinho aqui, isso… ah, que obra de arte! Olha isso! Quero imprimir e colocar na minha parede!

Jaemin os levou até uma loja de conveniência, onde compraram alguns salgadinhos e refrigerantes pra matar a fome depois de saciar a sede de vingança. Sentados numa mesinha do lado de fora da loja, continuaram a comentar as fotos que tiraram e a rir da cara daquele bobão.

Já era bem tarde quando o celular do mais alto tocou. Era Jisung perguntando onde ele estava, entre outras coisas que ele não conseguiu escutar. O mais novo parecia estar bêbado e o rapaz achou melhor voltar para casa antes que acontecesse alguma coisa.

— Obrigado. — disse Donghyuck, depois de pagarem pela comida. — De verdade.

— Não há de quê. Quando precisar se vingar de alguém, é só falar.

— Isso me lembra de uma coisa. — o Lee murmurou. — Não tenho seu número.

— Você disse que não gostava de mandar mensagens.

— Não gosto, mas, se eu precisar me vingar de alguém, vai ser muito útil ter o seu contato salvo. — ele pegou seu celular e virou-o para o Na. — Vamos trocar.

Eles, então, trocaram os aparelhos e salvaram o número um do outro.

— Até mais… — Jaemin murmurou, estendendo sua mão para cumprimentá-lo.

Donghyuck segurou seu pulso e puxou-o para perto, beijando-o. Segundos depois, afastou-se e deu aquele sorriso travesso do qual Jaemin não conseguia se esquecer.

— Até mais, Nana.

O rapaz piscou, ainda surpreso com o gesto, e quando voltou a si percebeu que o ruivo já havia ido embora.


Notas Finais


e aí? o que acharam? hyuck vingativo é tudo pra mim audhaushahs aliás STAN TALENT STAN CONAN GRAY

vejo vcs no próximo capítulo!


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