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História Cheeky Boy - Capítulo 1


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Notas do Autor


De novo esses gays, aff, esse Heron não cansa de escrever sobre eles.

Capítulo 1 - O Garoto Atrevido.


Fanfic / Fanfiction Cheeky Boy - Capítulo 1 - O Garoto Atrevido.

Park Residence-15:26PM

Terça-Feira

Jimin soltou um resmungo ao ouvir uma barulho estridente, e abriu seus olhos minimamente, tendo a visão completamente turva.

-Finalmente a Bela adormecida acordou!-Ouviu a voz conhecida e voltou a afundar o rosto no travesseiro, sem vontade alguma de levantar.

Hoseok revirou os olhos, soltando o tecido das cortinas na qual havia acabado de abrir, e caminhou até a cama que era iluminada pelos raios solares vindos da janela. Em um movimento rápido, puxou o travesseiro entre suas mãos, fazendo com que a face do garoto fosse direto ao colchão e o mesmo exclamasse uma palavra desconexa como tentativa de xingar, enquanto se sentava, massageando seu nariz.

-Me deixe dormir, Hoseok!!

-Já são três da tarde, Jimin! Levante essa bunda da cama!

-Não estou a fim...

O rapaz observou o garoto se aconchegar novamente na cama, no intuito de voltar a dormir, e assim soltou um suspiro pesado, sentando-se ao lado dele. Hoseok estava triste por seu amigo...Jimin havia terminado seu relacionamento à uma semana e após isso sua rotina passou a decair. O garoto já não saía com tanta frequência, não fazia compras, não se alimentava direito e sequer desejava sair da cama. Estava extremamente deprimido e isso mostrava o quão doloroso aquilo havia sido. Hoseok sabia que fôra doloroso, pois o conhecia como mais ninguém. Talvez conhecesse ele mais do que o próprio.

-Jimin, você precisa superar isso.-Comentou enquanto encarava o garoto, vendo o mesmo de olhos fechados e em silêncio. Sonso, estava agindo como se o mais velho não estivesse alí.-Não me ignore!!-Exclamou puxando a coberta que o outro abraçava, vendo-o choramingar falsamente.

-Eu estou falando sério.-Olhou o amigo fixamente, fazendo-o compreender e acentir com a cabeça, enquanto se sentava, encostado na cabeceira da cama.

Jimin estava abalado. Extremamente abalado. Sempre pensou que toda pessoa tivesse o seu "alguém". Pensou que muitos caras iriam aparecer em sua vida, alguns bons, outros ruins. Mas que me um momento alguém certo chegaria. E ele jurava que Taehyung era esse alguém.

-Eu apostei todas as minhas cartas nele, Seok.

O Jung respirou fundo. Queria tanto conseguir tirar a dor que Jimin carregava. Se tivesse esse dom, utilizaria sem pestanejar.

Ajeitou-se ao lado do rosado, relaxando suas costas na cabeceira, e rodeou seu braço direito nos ombros do mais baixo, acolhendo-o em um abraço delicado. Hoseok não era capaz de tirar a dor de Jimin...mas daria seu máximo para ameniza-la.

-Ele me prometeu...prometeu que me amaria daqui até a lua...e eu acreditei.

Engoliu a seco, sentindo o nó que se formava em sua garganta, tornar-se um grande incomodo. Seus olhos lacrimejaram e a ponta de seu nariz ardia, obtendo um tom avermelhado. Desejava chorar, mas se encontrava exausto após fazer isso tantas vezes.

-Pessoas vem e vão, Minnie. As vezes nos identificamos tão bem com alguém, que acreditamos ser a pessoa certa para nós. As vezes é, e as vezes não. E temos que aceitar isso.

-Eu me sinto completamente morto, Seok.

Hoseok sentiu seu peito doer e respirou fundo, odiava ver seu garoto assim, odiava ouvir isso de sua boca. Jimin era o melhor amigo de Hoseok, e o mesmo desejava de corpo e alma que também fosse seu soulmate. Jurava ser. Entretanto não cabia a ele decidir se de fato era, afinal a relação entre soulmates é algo bem mais complexo e delicado. E não podemos decidir isso com pouco tempo de convivência, mesmo que na situação de Hoseok fossem 15 anos ao lado de Jimin. Sendo ou não, Hoseok desejava que fossem soulmates, pois via ele desse jeito, como sua alma gêmea. Mas nada voltado ao lado amoroso como namorados. Obviamente ele amava e ama Jimin. Entretanto nunca teve sentimentos que fossem mais além, e tudo bem, afinal, não precisa namorar determinada pessoa para ser alma gêmea dela. A relação de alma gêmeas vai muito mais além disso e do que qualquer um pode imaginar.

-Eu sinto muito. Sinto muito por estar se sentindo assim. Você é incrível, Jimin, e tudo que eu mais quero é que se sinta feliz. Mas não posso simplesmente dizer para você ser feliz, pois as coisas não funcionam assim, não é como se dizer fosse tornar realidade...você amou Taehyung, e tudo bem! O amor é algo lindo. Mas ele não era a pessoa certa para você. Porém vocês tiveram a chance de aproveitar do amor um do outro e isso é mágico. O amor é desse jeito, é gostoso de sentir, faz você se ver como um bobo apaixonado. As vezes ele dura meses, anos e até mesmo sua vida inteira. E as vezes seu tempo é curto. Isso é comum. E de certa forma é bom...

Retirou seu braço dos ombros do amigo e segurou seu rostinho entre as mãos, fitando seus olhinhos avermelhados. Acariciou as bochechas gorduchinhas com seus polegares e esboçou um sorriso confiante.

-O amor verdadeiro é um sentimento incrível. Poucas pessoas tem a chance de sentir ele, sem que seja um amor familiar. E por isso existem tantas decepções amorosas. Você amou Taehyung verdadeiramente durante três anos e ele foi alguém importante e pode continuar sendo. Mas seu coração não queria ele....ele não é o seu "alguém".

Jimin sorriu fraco ao ouvir a forma como Hoseok falou. O mesmo se recordava das conversas que tiveram sobre relacionamentos e sentimentos. E Hoseok sabia bem a forma como jimin se expressava.

-O seu "alguém" ainda está por aí! E ele precisa de você. Precisa que você continue vivendo e seguindo com sua vida. Para quando te encontrar, te ver saudável e lindo como você é! Então viva, Minnie! Viva pelo seu amor e ele viverá por você até poder lhe encontrar e te amar de coração e alma.

Hoseok era incrível. Com certeza era. Um amigo de ouro, na qual Jimin tinha a sorte e o privilégio de ter ao lado. Talvez ele estivesse certo...obviamente estava. Mas isso não mudava o que o garoto sentia, ambos sabiam disso. Entretanto ouvir o Jung foi o bastante para ao menos Jimin sorrir. Perder Taehyung foi doloroso...mas seria mais doloroso ainda perder Hoseok. Então Jimin precisava viver e manter-se com seu amigo. Afinal, o universo existe à muitos anos...e Jimin teve a sorte de viver durante o mesmo tempo que o Jung. Então aproveitaria isso até o último segundo de sua vida.

-Você está certo.

-Claro que estou! Sou sábio, garotinho! Agora levanta. Vou preparar algo maravilhoso para você comer e depois vamos sair, você está precisando de sol. Está tão branco que eu posso te usar como corretivo para erro ortográfico em papel.

Jimin negou com a cabeça, rindo fraco e se levantou da cama, indo fazer suas higienes. O garoto estava com um odor nenhum pouco agradável, causado por quatro dias sem se banhar. Imagine então seu hálito.

[...]

Hoseok terminava de colocar as coisas na mesa, enquanto uma música qualquer tocava em seu celular. O garoto ficou longos minutos ponderando em qual playlist de música colocar. "Panela velha faz comida boa" ou então "músicas de gay sofridos". Decidiu que os gays sofridos não seriam uma boa opção levando em conta o estado do amigo, então colocou na outra opção, na qual era a playlist repleta de músicas antigas. Sim, Hoseok era bem eclético se tratando de música. Talvez os adolescentes modernos se envergonham por quem escuta tais músicas em plenos dias atuais. Mas Hoseok se amarrava em uns velhinhos, não tinha vergonha disso.

-Tomou banho mas continua usando pijama? Vai sair assim?

-Nem pretendo sair, você que vá sozinho.

-Escuta aqui, projeto de "gnomiu". Você vai sair sim, nem que eu tenha que amarrar um carrinho da Hot Wheels em cada pé e mão sua, e te empurrar de quatro pela porta da frente.

-O certo é "gnomo", seu analfabeto.

-Tsc, ficou deitado durante tanto tempo que nem sabe dos memes. Enfim! Comece a comer, eu vou escolher uma roupa adequada para você.

Sequer deu tempo do garoto contestar e já sentiu Hoseok pressionar seus ombros, obrigando-o a se sentar na cadeira próxima da mesa e saindo da cozinha em seguida. Revirou seus olhos com a atitude do rapaz e fitou as coisas sobre a mesa. Fazia tempo que Jimin não comia da comidinha deliciosa do Jung. Com certeza aquilo animou-lhe um pouco.

Jimin terminou de se alimentar e assim foi obrigado a vestir-se com a roupa escolhida pelo amigo. Tratava-se de uma camisa branca comum e um conjunto jeans composto por uma calça e jaqueta. Hoseok achava que Jimin ficava bem vestindo aquela roupa e não perderia a chance de apreciar aquela belezura de amigo.

-Falou que eu preciso sair para pegar sol, mas já são quase quatro horas. Como diabos vai estar ensolarado agora?

-Mimimimimimi.

Hoseok debochou do garoto enquanto saiam pela porta da casa e assim que a fechou, notou um papel preso na mesma.

-Jimin, o que é isso?

-Hm?

Encararam o papel vendo que se tratava de uma post-it de cor amarela preso a porta com um curto pedaço de fita.

-"A orta fechou recentemente? Faz tempo que não te vejo, xuxuzinho!"

Após Hoseok ler o que havia escrito no bilhete, ambos se olharam e o Jung caiu na gargalhada enquanto Jimin estava com uma expressão confusa. O que diabos aquele papel fazia em sua porta? E por quê estava escrito aquilo?

-Quem escreveu isso, Jimin?

-E eu lá vou saber!

-Não conhece a caligrafia?

-Não...será que erraram a casa?

-Não sei. Mas achei divertido. Caso não tenham errado, você tem algume admiradore.

-O que??? Claro que não!!

-Então por que diabos lhe mandariam um bilhete com uma cantada? Bem mal feita na verdade, só pra ressaltar.

Sem resposta, Jimin manteve-se calado e então o amigo esboçou um sorrisinho, lhe entregando o papel.

-Certo, esqueça isso. Vamos, vou te levar ao parque.

Rodeou o braço nos ombros do mais baixo enquanto ele observava o bilhete em suas mãos, se perguntando quem poderia ter escrito aquilo. Jimin não tinha outros amigos além de Hoseok e Namjoon. Sabia que não era de Hoseok, e seria muito menos de Namjoon já que sua personalidade o impediria de fazer algo assim, e o mesmo possuí uma namorada. Taehyung com certeza não seria, j5a que ambos havia encerrado seu relacionamento...e com certeza não foi de um jeito agradável.

[...]

Snowball Ice Cream Parlor-13:00PM

Quinta-Feira

-Você realmente não faz ideia de quem seja?

-Se eu soubesse acha que eu estaria aqui rachando a cuca pra descobrir?

-Realmente...não tem nenhum amigo que voltou de viagem ou algo do tipo? Talvez você tenha esquecido.

-Não, Hoseok. Você sabe que os únicos amigos que tenho são você e Namjoon.

-E enquanto aos seus vizinhos?

-Não sou amigo de nenhum. Na minha esquerda mora uma velhinha que só vejo quando está regando suas plantinhas. Na minha direita mora uma família com uns pivetes insuportáveis. E na minha frente mora um cara, mas o vi poucas vezes.

-Já conversou com ele?

-Já. Já emprestei minha mangueira para ele.

-VOCÊ O QUE???

-NÃO NESSE SENTIDO, SEU IDIOTA. MANGUEIRA DE ÁGUA.

Ao notarem que todos os observavam pelo tom de voz alterado, ambos se encolheram constrangidos, tomando seus milkshakes como se nada houvesse acontecido. Estavam na sorveteria próxima da casa do Park. Hoseok agora se dedicava ao máximo a retirar seu amigo de casa sempre que podia e notava que isso aos poucos fazia bem à ele. Obviamente não estava curando seu coração deslacerado, mas melhorando sua saúde física. Agora se encontravam saboreando belos milkshakes enquanto tentavam descobrir quem era a pessoa que passou a mandar bilhetes com cantadas para o baixinho. Já fazia duas semanas que ele recebia tais bilhetes. E todos eram do mesmo jeito, em um post-it amarelo, com uma caligrafia em letra cursiva, preso na porta com uma fita. A única coisa que mudava era a cantada escrita no papel. Era sempre uma diferente, mas a qualidade era a mesa:Ruim.

"Miau, miau miau miau miau, miau miau miau, miau miau miau miau, miau, miau miau miau.

Achei que gostaria que eu me comunicasse no seu idioma nativo, gatinho!"

"Poderia por favor me passar seu instagram? É que minha mãe insistiu para que eu seguisse meu sonho!"

"Minha queda por você se tornou tão grande que hoje eu digo que tenho um precipício por você."

"Sabe qual é a diferença entre você e um picolé? O picolé eu não quero chupar."

Hoseok gargalhou enquanto lia os bilhetes que Jimin trouxe para mostrar ao mesmo. Estava rindo tão alto que recebeu um tapa do garoto na tentativa de repreende-lo. As pessoas já estavam olhando a dupla novamente.

-Jimin do céu, isso é tão???

-Sim.

-Incrível!!

-O que??? Não!! Achei que ia falar "idiota".

-E por que seria? Essa pessoa tem um humor maravilhoso e ainda se habilita a escrever sempre algo diferente para você.

-Pelo amor de Lilith, Hoseok! São cantadas, e muito ruins!

-E é isso que torna elas boas. Deveria estar feliz com essa situação.

-Por que diabos eu deveria??

-Jimin, se toca! A pessoa tira o tempo dela todos os dias para escrever para você. Claro que são cantadas ruins, mas é a forma da pessoa demonstrar que gosta de ti. E ainda faz questão de colocar na sua porta todos os dias.

O garoto se calou, vendo o amigo voltar a atenção para seu milkshake, e então passou a refletir. De certo modo Hoseok estava certo. Olhando por outro ponto de vista isso era bem atencioso. Pegou um dos bilhetinhos, lendo o conteúdo e deixou uma sorrisinho escapar.

"Você é tão lindo que seu nome devia ser uma elogio. "Nossa, estou me sentindo tão Jimin hoje"."

[...]

Park Residence-20:28PM

Domingo

Jimin estava sentando em frente a escrivaninha de seu quarto, encarando os papéis sobre a mesa. Céus, sua cabeça estava uma bagunças. Tentava a todo custo descobrir quem estava lhe mandando aqueles bilhetes, mas falhava miseravelmente. Como alguém poderia se sair tão bem mantendo sua identidade secreta? O garoto já estava frustrado depois de se esforçar tanto para descobrir quem era e não conseguir. Isso lhe causava uma inquietação enorme.

Suspirou desapontado, ajeitando os papéis e guardando-os em uma caixinha, mantendo apenas um em mãos. Se levantou, saindo do quarto e foi até a porta principal da casa, saindo e cruzando sua varanda, caminhando curtos passos pelo seu jardim, deitando-se na grama. Encarou o seu noturno acima de si, notando a quantidade de estrelas e então esticou suas mãos sobre seu rosto, observando o papel que tinha em mãos.

"Sua beleza é tanta, que as obras de arte feitas por Van Gogh e Picasso, lhe invejariam por atrair mais olhares de admiração."

Jimin sorriu e trouxe o papel junto ao seu peito, voltando a encarar o céu. Talvez esse teria se tornado seu post-it favorito. O garoto possuía muitos problemas de insegurança, ainda mais relacionados a sua aparência. E ao ler essas palavras ele conseguiu se sentir bem e bonito....sentiu-se bom o bastante. Bom o bastante talvez para quem escreveu aquilo.

-Gosta de estrelas?

Tomou um susto ao ouvir uma voz se pronunciar e só então notou a presença de mais alguém alí. Sem se dar ao trabalho de se levantar, apenas virou o rosto e observou o rapaz encostado no poste da calçada em frente a cada de Jimin. Era seu vizinho frontal.

-Gosta de ficar observando as pessoas de mansinho?!

-Não se enquadra em um de meus hobbies, mas posso adicionar.

Respondeu com um sorrisinho, fazendo Park revirar os olhos, negando com a cabeça e sorrindo, voltando a olhar para o céu.

-Não me respondeu ainda.

-Hm?

-Gosta de estrelas?

-Ah, sim!

-Por que?

Jimin se manteve em silêncio durante alguns breves segundos e sorriu para o céu, virando seu rosto e voltando a encarar o rapaz.

-Porque mesmo estando tão longe de mim, elas ainda sabem como me proporcionar bons sentimentos. Sentimentos que muitos que estão por perto não conseguem...

Comentou sorrindo e assim retirou seu olhar do rapaz, fitando o post-it em suas mãos, umedecendo seus lábios com a língua.

-Com exceções...

[...]

Park Residence-17:00PM

Terça-Feira

Jimin havia acabado de retornar do mercado. Tinha feito suas compras e bom... fazia um belo tempo que não realizava suas compras como era de costume, e isso o fez lotar as mãos com sacolas e mais sacolas.

Cruzou o jardim, indo até a porta da casa e travou uma batalha contra seu próprio bolso para pegar as chaves da porta, enquanto segurava as sacolas. Podia coloca-las no chão, mas naquela tarde choveu brevemente, mas o suficiente para molhar a varanda de Park. Felizmente quando saiu do mercado a chuva havia cessado.

Estava quase choramingando, quando sentiu um par de mãos retirarem as sacolas de suas mãos e assim olhou para o lado, vendo seu vizinho. Já se encontraram algumas vezes, mas até hoje Park não sabia seu nome, e isso era meio frustrante já que de alguma forma o outro sabia o seu. Deveria perguntar a ele, mas sentia vergonha de fazer isso, afinal como seria capaz de não saber o nome dele após conversarem algumas vezes?

Sorriu pegando as chaves com mais facilidade e assim abriu a porta da casa, dando espaço para o rapaz. O mesmo entrou na casa, carregando as sacolas e foi guiado pelo garoto até a cozinha, podendo então por as compras sobre o balcão que havia ali.

-Muito obrigado!!

-Disponha. Mas então, como você está?

-Estou indo...e você?

-Estou bem, obrigado por perguntar. Bom, já vou indo.

-Oh...espera! Gosta de café?

-Adoro café.

-Irá adorar mais ainda depois que provar o meu.

O rapaz sorriu já entendo o convite e assim Jimin sorriu de volta. O vizinho era bem educado e gentil com o garoto, notou isso durante as poucas vezes que socializaram. Talvez fosse melhor para Jimin ter mais um amigo, e para isso precisava melhorar suas estratégias de socialização.

-Aonde coloco essas coisas?

-Pode por na geladeira.

O moreno abriu a geladeira, colocando lá as coisas que antes estavam na sacola em sua mão. Fechou a porta da geladeira, vendo um post-it colado na porta da mesma e assim de pôs a ler ele.

-"Sua beleza é tanta, que as obras de arte feitas por Van Gogh e Picasso, lhe invejariam por atrair mais olhares de admiração."

-Hm?

-O post-it. É o que está escrito.

-Ah sim!!

-Sua namorada que escreveu?

-Ah, não. Sou homossexual. E não tenho namorado.

-Ah sim. Posso perguntar quem escreveu?

-Eu me pergunto todos os dias.

-Como assim?

-Recebi anonimamente.

-Ah sim...bom, seja quem for, deve ser uma pessoa sensata.

-Por que diz isso?

-Porque ela não mentiu ao escrever isso.

Jimin petrificou no lugar, sem saber o que responder e imediatamente voltou sua atenção para a cafeteira, sentindo-se envergonhado. Não era possível de ver, mas juraria estar completamente vermelho naquele momento.

[...]

Central Park-12:30

Sexta-Feira

-Estou dizendo, Namjoon, já são 61 bilhetes ao todo. Faz dois meses que eu recebo eles.

-Todos os dias?

-Sim! Todos os dias tem um colado na minha porta.

-Wow, isso é estranho. Já pensou em falar com a polícia?

-O que?? Por quê?

-Sei lá. É um desconhecide te mandando bilhetes todos os dias. A pessoa pode ser louca ou perigosa.

-Não, não...creio que se quisesse fazer algo ruim comigo já teria feito, afinal sabe onde eu moro.

-Realmente. Mas então, você gosta dos bilhetes?

-Ah...no começo eu achei bem estranho isso. Mas confesso que comecei a gostar aos pouquinhos. Por mais que as cantadas sejam ruins, sempre dou risada.

-Isso é bom. Pelo menos sabemos que a pessoa deve ser divertida.

-Sim! Eu realmente gostaria de descobrir quem é.

-O que você faria se descobrisse?

-Ah, não sei...conversaria com ela.

-Tentaria algo?

-Não, não. Não estou a fim de ter outra decepção amorosa.

-Ah Jimin, já faz dois meses que terminou com Taehyung. Uma hora vai ter que se relacionar com alguém.

-Sim, mas essa hora com certeza não é agora.

-Vai deixar para fazer isso quando estiver na beira dos oitenta anos e grisalho, é?

-E quem te disse que vou ser grisalho? Tá repreendido, encho meu cabelo de química mas não fico grisalho.

-Ai ficará careca!

-Melhor do que grisalho. Pelo menos posso desenhar uma flecha na cabeça e fazer cosplay de Aang do avatar.

Namjoon riu do amigo, e negou com a cabeça enquanto voltava sua atenção para as árvores do parque. Fazia tempo que eles não se viam e felizmente puderam aproveitar esse tempo juntos. Caminharam pelo parque, se deliciaram com algumas comidas de rua e colocaram o papo em dia, podendo até mesmo relembrarem dos velhos tempos. Diferente de Hoseok, Namjoon conhecia Jimin apenas a quatro anos, mas ainda sim os dois tinham muita história deles juntos para contarem.

-Lembra daquela vez que o guardinha do estacionamento correu atrás de nós dois?

-Nossa, nem me lembre.

-Você correu tão rápido que eu pensei que o Papa-Léguas tinha entrado no seu corpo.

Jimin resmungou da piadinha, batendo no ombro do amigo e sorriu em seguida, tinha que admitir que aquela situação foi engraçada, por mais que tenha sido constrangedora.

-Ainda não sei como ele achou que estávamos usando crack.

-Eu só me lembro que eu estava te mostrando os crocks cinza que eu tinha comprado no mercado.

-Tá explicado. Ele achou que éramos usuários de "crocks".

Ambos gargalharam, recordando do ocorrido. Passaram ótimos momentos juntos, e mesmo que Namjoon não encontrasse Jimin com tanta frequência, ambos sabiam que podiam contar sempre com o outro. Era o tipo de amizade que nem o tempo ou distancia é capaz de separar. Jimin era como um irmãozinho mais novo para Namjoon, e prometeu para si mesmo que cuidaria e protegeria ele sempre. E até o momento não havia falhado nisso.

-Lembra daquele dia no playground? Quando você levou sua priminha para brincar.

-Lembro! Você me acompanhou depois de eu insistir tanto.

-Claro, você estava morrendo de medo de ficar sozinho com a criança e não saber cuidar dela, caso se machucasse.

-Eu não sei nem cuidar de mim, Jimin! Quem dirá de uma criança.

-Isso é verdade. Mas você soube cuidar muito bem de mim naquela tarde.

O garoto sorriu para o mais velho, recebendo outro sorriso. Naquela tarde um trio de rapazes tiraram sarro do garoto por estar vestindo roupas "femininas". E até mesmo praticaram homofobia contra o mesmo. E Namjoon fez questão de dar um esporro em cada um deles, enquanto Jimin tampava as orelhinhas da pequena Kim, para que a garota não escutasse a lista de palavrões que o mesmo proferia. Namjoon não era do tipo que brigava ou se exaltava, ainda mais do tipo de quem xingava. Sempre foi um rapaz bem culto e calmo, na qual utilizava sua sensatez para lidar com os momentos. Mas tudo era diferente quando mexiam com seu pequeno ursinho de pelúcia. Era isso que Jimin era, uma pelúcia pequenina. E Namjoon era a criancinha que amava a pelúcia e a protegia com todas as forças para que ninguém a machucasse.

-Sou muito grato por te ter como amigo, Namu!

-Oh céus, não me chame assim.

-Por que não?

-Porque eu sinto 99% da minha postura de macho alfa e bandido mau, indo embora.

[...]

Park Residence-14:38

Segunda-Feira

Jimin encarava a janela do quarto enquanto bebia de seu café quentinho. O clima estava levemente gélido e dublado no lado de fora. Talvez fosse um bom dia para sair de casa e aproveitar o clima lá fora.

Terminou de beber seu café e vestiu uma jaqueta de couro apenas para o esquentar um pouco, já que o clima estava levemente gelado mas não de forma exagerada Se pôs a caminhar em direção a porta da casa após pegar seus pertences e assim saiu pela porta a fechando e encontrando o post-it na mesma.

-"Se você soubesse o quanto meus olhos brilham ao te ver, debocharia da luz emitida pelo sol."

Mais um para a coleção. Jimin sorriu após ler e guardou o bilhete no bolso da jaqueta, girando seus calcanhares e cruzando a varanda e o jardim da casa. Parou na calçada ao ouvir uma música e uma voz. Olhou ao redor e seus olhos pararam na casa da frente. A porta da mesma estava aberta e o som vinha de la.

-Tsc. Depois é assaltado e não sabe o porquê.

Atravessou a rua, caminhando pelo jardim da casa se aproximando da porta no intuito de fecha-la, entretanto teve sua atenção atraída pela musica e voz que agora eram mais altas, por conta da aproximação. Deu um passo atravessando a porta aberta e seus olhos rolaram pelo lugar até parar na sala de estar. Entreabriu a boca ao ver a cena diante de seus olhos.

-"That girl is pretty wild now

The girl's a super freak

The kind of girl you read about

In the new wave magazines

That girl is pretty kinky

The girl's a super freak

I'd really like to taste her

Every time we meet"

O vizinho estava de pé na sala cantando e dançando de forma animada. Jimin aproximou-se, apoiando seu ombro na parede e ficou observando o rapaz cantando junto a música que tocava em sua playlist do Spotify posta na TV.

-"She's all right, she's all right

That girl's all right with me yeah...

He, he, he....HEY!!"

(Super Freak-Rick James)

Estava para prosseguir com a música quando finalmente notou a presença do garoto e assim deu um grito em conjunto com a letra da música, tornando a situação extremamente engraçada. Rapidamente procurou pelo controle da tv, a desligando e então conseguiu escutar o som da risada de Jimin ecoando pelo local.

-Você não sabe bater não?

-Se a porta estivesse fechada eu bateria!

O moreno se calou e então virou o rosto, xingando mentalmente ao recordar que de fato não havia fechado a porta após retornar para casa. Voltou a encarar o garoto e então notou o olhar do mesmo abaixado. Fez uma expressão confusa e olhou para baixo, recordando que estava sem camisa.

-Gosta do que vê?

-Já vi melhores, garoto atrevido.

-Obrigado, ajuda muito na minha auto estima.

Caminhou em direção ao quarto sendo seguido pelo garoto que gargalhava, repetindo diversas vezes um "estava brincando!"

Adentraram o quarto e assim o rapaz foi até o guarda roupa no intuito de pegar uma camisa.

-Vai me dizer o motivo de ter vindo?

-Eu só ia fechar a sua porta. Mas ai eu escutei o som alto e quando vi, já estava apreciando uma bela bailarina do Faustão.

-Vou te por pra fora da minha casa.

O rosado apenas riu e então olhou ao redor pelo quarto. O local era bem diferente do quarto de Jimin, mas não deixava de ser bonito. Caminhou até a mesinha ao lado da cama e pegou um globinho de neve em mãos, vendo que havia um bonequinho de neve dentro dele. Chacoalhou apenas para observar os pontinhos brancos voarem e colocou o objeto no local, voltando a percorrer o lugar com os olhos. Haviam alguns bonequinhos, figuras de ação para ser exato, um despertador, canetas, post-it, borracha, lápis...calma...post-it!

Jimin pegou o post-it de coloração amarelada em mãos e olhou para trás, vendo o moreno retirar uma das camisas do cabide, distraído. Voltou a encarar o papel e pegou o que estava em seu bolso. Eram iguais!! Será que era ele??? Muitas pessoas usam post-it, há uma grande possibilidade de não ser ele. Mas também uma grande possibilidade de ser.

-Me lembre de comprar um alarme anti "baixinhos curiosos"

Escutou o rapaz e rapidamente guardou os papéis no bolso da jaqueta, se virando e vendo o mesmo terminar de vestir a camisa, virando-se para ele.

-Digamos que isso se tornou um dos meus hobbies.

Comentou Jimin ao se lembrar da vez que o rapaz chegou de mansinho enquanto ele observava o céu e assim o moreno deixou uma risada escapar, saindo do quarto e sendo seguido pelo mesmo.

-Já que está aqui, que tal tomarmos um café?

-Eu estava saindo para dar uma volta. Podemos ir em uma cafeteria.

-Ótimo, pois meu café é horrível.

Disse por fim pegando sua carteira, celular e chaves da casa, saindo junto ao garoto.

[...]

Park Residence-09:00PM

Terça-Feira

Na manhã seguinte a primeira coisa que Park fez ao acordar foi checar se havia o bilhete em sua porta e para sua surpresa não. Isso provava que seu vizinho era o tal admirador, certo? Mas e se não??? E se a pessoa tivesse esquecido de colocar hoje?

-Ainda é muito cedo...talvez venha mais tarde.

Deduziu, fechando a porta e indo em direção a cozinha no intuito de preparar seu café. Tomou uma caneca de café e optou por comer uma tigela de cereais com leite, já que hoje não estava a fim de preparar algo demorado.

Passou a tarde inteira em casa, checando sua porta a cada meia hora. Ainda não havia recebido seu bilhetinhos do dia. De certa forma isso deixava o mesmo ansioso por cogitar na ideia de seu vizinho ser o admirador. Afinal, Jimin havia pegado seu bloquinho de post-it no dia anterior sem ele saber, e por isso hoje não receberá um papelzinho em sua porta.

Ouviu a campainha tocar e então caminhou até a porta, abrindo-a e vendo que se tratava de Hoseok. Ficaram sem sair durante a semana pois Hoseok havia voltado a trabalhar, já que suas férias se encerraram duas semanas atrás.

-Benzinho! Como foi seu dia?

-Um saco.

Fechou a porta e caminhou até a sala, sendo acompanhado pelo amigo. Ambos se sentaram no sofá e assim Hoseok retirou sua mochila das costas, deixando-a no chão, em meio aos seus pés.

-Oh meu bem, sinto muito por isso. Mas não se preocupe, sua noite será ótima!

-Ah é?

Hoseok abriu a bolsa e retirou de dentro o seu PS2, fazendo Jimin arregalar os olhos e abrir um largo sorriso. Céus, fazia tanto tempo que o garoto não jogava em um Playstation 2. Não mediu esforços ao arrancar o aparelho das mãos do amigo e ir conectar na televisão.

-Desde quando você tinha esse PS2?

-Desde ontem. Minha mãe veio me visitar e trouxe algumas coisas minhas de quando mais novo.

-Linda, perfeita, sensata, nunca questionei!

O Jung apenas riu da animação do garoto enquanto fechava a bolsa e logo se recordou de uma coisa.

-Ah!! Já estava esquecendo. Parece que hoje a madame não pegou seu bilhetinho e eu tive que receber por ela.

Jimin o olhou confuso e logo viu o mesmo erguer a mão segurando um post-it. Arregalou os olhos correndo até o mesmo e pegando o papel, que diferente dos outros possuía uma colocação azul.

-Aonde pegou isso??

-Na sua porta, ué.

Jimin passou a pular completamente contente. Ele era azul!! Isso significava que seu vizinho era o admirador, com certeza era ele!

-Qual é a de hoje?

-"Fui brincar de me apaixonar por você e deu que até hoje permaneço nesse joguinho."

-Gostei, gostei. Está melhorando.

-Hoseok do céu!!!

-O que foi???

-Eu acho que já sei quem é meu admirador!

-O QUE?! QUEM??

[...]

Park Residence-11:00

Quarta-Feira

-Jimin aonde ele está? Daqui a uma hora tenho que estar no trabalho!

-Calma, Hoseok! Você que quis vir para cá, não te obriguei a nada.

-Olha aqui seu merd...

-Shiii!!! Ele está saindo.

Ambos se ajeitaram no jardim, fingindo agir naturalmente, algo que a dupla era de longe boa em fazer. E enquanto isso o moreno atravessava a porta da casa do outro lado da rua, fechando a mesma e caminhando pelo jardim. Sorriu ao avistar o garoto e aproximou dele e de seu amigo, após atravessar a rua.

-Bom dia, Jimin!

-Bom dia!! Ah, esse é meu amigo, o Hoseok.

-Muito prazer, Hoseok.

Estendeu a mão e o garoto o analisou de cima para baixo, estalando sua língua no céu da boca e olhando para Jimin com um olhar que apenas ele entendia.

-E que prazer hein?!

Apertou a mão do mesmo com um sorrisinho, recebendo um tapa em seu ombro, vindo de Jimin.

-Bom, já vou indo, preciso ir no mercado.

Anunciou se virando e então ambos os garotos passaram a cochichar desesperados sem saber como manter o rapaz alí. A verdade era que eles queriam descobrir se ele de fato era o admirador, mas não sabiam como.

-Calma!! O Jimin quer te perguntar uma coisa!

Exclamou Hoseok, atraindo a atenção do rapaz e então o garoto de cabelos rosados arregalou os olhos com a tática horrível do amigo de atrair a atenção do outro.

-Pode perguntar, Jimin.

-Ah...bem...hm...

Céus e agora? O que ele poderia falar? Não poderia simplesmente lançar um "você é a pessoa que me passa cantada todos os dias?", imagina só que vergonha se não for ele.

-Eu só queria saber se tem como trazer um pacote de café do mercado! É isso! Café!

-Oh, é isso?

-Não, não é. Ele quer saber se você é quem tem uma quedinha por ele e vive mandando cantada por bilhetinhos.

-HOSEOK!!!

Jimin repreendeu o amigo com um berro, fazendo o mesmo se encolher com uma careta. Hoseok era um língua solta! Não sabia ficar quieto, o rei das matracas!

-E seu eu for?

A resposta do rapaz foi o suficiente para que a dupla de amigos sentissem as pernas bambearem em conjunto. O pior de tudo era o tom intimidante e ao mesmo tempo provocativo na voz do moreno. Isso sim foi o que fez os dois garotos virarem aqueles bonecos de posto, completamente molengas.

-Acabei de me lembrar de que tenho que trabalhar para me sustentar, caso contrário vou ter que morar em um boeiro junto com as tartarugas ninjas.

Falou Hoseok escapando da situação com sucesso, se pondo a caminhar para fora dalí, abandonando o amigo naquela situação constrangedora. Um situação que o outro com certeza iria pedir para Jimin explicar fio-a-fio, durante suas fofocas.

-Quer ir comigo ao mercado?

O rapaz se pronunciou novamente e então Jimin o encarou, engolindo a seco e acentindo com a cabeça. Ambos começaram a andar lado-a-lado na calçada, em direção ao mercado próximo dalí. Estava um silêncio constrangedor entre ambos e Jimin estava completamente nervoso e envergonhado, não sabia como agir. Diferente do outro que parecia estar bem a vontade.

-Então, você...ham...

-Sim, Jimin. Sou eu quem lhe manda bilhetes.

Respondeu já sabendo o que o mesmo queria perguntar e então o garoto sentiu um grande alívio por finalmente descobrir quem era. Mas agora como ele iria reagir? O que iria falar? Sequer sabia o nome do outro.

-Por que faz isso?

-Porque gosto de você.

Calma, Jimin. Mantenha a calma. Não adianta ter uma parada cardíaca agora que descobriu quem é a pessoa. Vai estragar o bagulho?!

-Desde quando?

-Desde que me mudei para cá.

-E por que não mandou os bilhetes antes?

O rapaz parou de andar, fazendo Jimin o imitar e então viu o mesmo virar para ele, o encarando. Havia falado algo errado? Sua pergunta foi ruim? Céus, por que ele estava tão nervoso agora na presença dele? Antes não ficava assim.

-A quanto tempo você recebe bilhetes meus?

-Ah...a dois meses.

-Exatamente. E o que aconteceu contigo a dois meses?

Jimin parou para pensar e não entendeu aonde o rapaz estava querendo chegar. O que havia feito a dois meses? Nada além de terminar...oh.

-Terminei meu relacionamento.

-Você terminou?

-Hmm...ele terminou.

-Eu sei. Eu vi.

Voltou a caminhar e então Jimin ergueu uma sobrancelha surpreso, acompanhando o mesmo novamente.

-Como assim?

-Eu estava voltando do trabalho e vi ele terminando com você na sua varanda. Sei que não é correto escutar a conversa dos outros, mas como vocês estavam gritando acabei ouvindo.

O garoto de fios rosados ficou em silêncio sem saber o que dizer. Talvez devesse ficar bravo com o outro por ouvir a conversa, ainda mais uma tão íntima. Mas ele não pareceu ter feito intencionalmente.

-Eu sinto muito.

-Tudo bem, já passou.

-Não, Jimin. Eu realmente sinto muito.

Virou-se para o mesmo e segurou seus ombros, fazendo-o olhar para o mesmo fixamente.

-Depois que ele foi embora, eu vi você. Eu vi o quanto chorou. Eu notei como seu coração estava despedaçado. Eu senti a sua dor, vendo você chorar.

Jimin entreabriu a boca surpreso. Não sabia o que dizer. Mas não tinha duvidas de que o outro estava sendo sincero. Era notável ver a preocupação em seu olhar.

-Naquele momento eu quis tanto te abraçar. Te abraçar o mais forte que podia e dizer que ficaria tudo bem. Mas quem seria eu para fazer aquilo? Havíamos trocado palavras duas ou três vezes, apenas.

Suspirou afastando suas mãos dos ombros do garoto e então as colocou nos bolsos da calça, desviando seu olhar para a cerca da casa que estava atrás do outro.

-Depois daquele dia eu não vi mais você saindo de casa. Antes sempre o via sair quando estava indo trabalhar, ou então o via nos finais de semana, no jardim. Eu sentia que você estava deixando de viver e isso me deixou tão triste. E então um dia eu vi seu amigo te visitando, achei que seria uma chance de te ver novamente, mas não achei coerente eu aparecer simplesmente na sua casa. Eu queria expressar meu carinho por você, mas não sabia como...

-E ai decidiu usar bilhetinhos com cantadas?

-Achei que isso talvez pudesse te animar ou pelo menos te fazer rir.

Jimin umedeceu seus lábios com a língua, desviando seu olhar e então passou a refletir um pouco sobre tudo isso. O outro não disse nada, sabia que era muita informação ao mesmo tempo e até entenderia se o mais baixo o achasse louco ou esquisito

-Obrigado.

-Como??

-Obrigado. A segundos atrás você me perguntou o que havia ocorrido comigo a dois meses e eu quase não me lembrei. Creio que com o tempo que passou eu me distraí mais com os bilhetes e querendo saber de quem era, do que com minha decepção amorosa.

O moreno esboçou um sorriso calmo. De certa forma estava contente em ouvir aquilo. Saber que colaborou para que Jimin esquecesse o que tanto o entristecia, deixava-o feliz.

-Você não me acha louco?

-Por que?

-Um cara começa a te mandar cantadas do nada, tendo falado contigo apenas algumas vezes, sem ter intimidade alguma com você....isso não é louco?

-Bom, se isso te torna louco, devo ser mais louco ainda por ter gostado.

Sorriu de ladinho, caminhando e deixando o outro para trás, com uma feição surpresa e de certo modo boba.

-Hmm, então isso significa que sou mais louco.

-Hm?

-Só um louco gostaria de uma pessoa louca.

Jimin gargalhou, batendo no ombro do outro e assim adentraram o mercado juntos. O rapaz passou a pegar as coisas que estavam em falta na sua casa e enquanto isso o baixinho o observava. Ainda tinha muitas perguntas a fazer para ele.

-Como passou a gostar de mim tendo conversado tão pouco?

-Bom...foi com o tempo na verdade. Confesso que te achei uma gracinha na primeira vez que conversamos. Você foi extremamente educado e atencioso.

-Me achava uma gracinha?

-Huhum. Depois passei a ver você saindo de sua casa e sempre via você com um sorrisinho. Parecia estar de bom humor sempre. Teve até um dia que jurei ter visto você falar com as flores do seu jardim.

-Como acha que elas crescem? Precisam de incentivo!

O moreno riu, e por breves segundos analisou o rostinho do garoto, antes de virar seu rosto, voltando a rolar seu olhar pelos objetos no mercado.

-Enfim, foi algo que adquiri com o tempo. Mas não se preocupe, não mandei os bilhetes com o objetivo de te fazer criar algum sentimento por mim.

-E por que não?

-Seria tolice. Ainda mais pelo fato de você ter saído de um relacionamento recentemente. Só queria ter animar mesmo.

Comentou enquanto pegava um pote de geleia de uva, sentindo os lábios do garoto tocarem dua bochecha em um selar carinhoso. Ergueu uma das sobrancelhas confuso e surpreso, logo o encarando.

-E você conseguiu, parabéns.

-Bom, isso alivia a dor de saber que não sabe meu nome.

-Como sabe que não sei???

-Porque nunca me chamou por ele.

-A culpa não é minha, você nunca me disse.

-Por acaso você me perguntou, gracinha?

-Touché. Você está certo. Mas como descobriu o meu?

-Te perguntei no primeiro dia que nos falamos. Diferente do garotinho, tenho boa educação.

-Ashiii, vai me dizer o seu ou terei que utilizar uma bola de cristal?

-Para você meu nome pode ser "Amor".

-Ah não, as cantadas ruins ao vivo!

-Ruins?! Minhas cantadas são ótimas!

-Okay então Sr.Cantadas.

-Não gostei do apelidinho. Meu nome é Jeon Jungkook.

-O apelido é mais bonito.

-Tô começando a gostar menos de você.

Jimin novamente riu ao lado do mesmo e Jeon sorriu enquanto observava a risadinha gostosa do garoto, junto ao seu rostinho. Park ficava lindo ao sorrir.

-Mas me diga! Como suspeitou que era eu?

-Vi o post-it amarelo na mesa ao lado da sua cama.

-Foi você que sumiu com ele??? Eu revirei a casa inteira procurando.

-Yahh, eu não queria rouba-lo! Foi atitude do momento, não queria que soubesse que eu estava bisbilhotando suas coisas.

-Tive que comprar mais em vão. Ainda por cima azuis.

-Sua cor favorita é amarelo?

-Sim, e a sua?

-Digamos...que agora seja amarelo também.

[...]

Jeon Residence-13:00

Quinta-Feira

A tarde do outro dia se iniciava e Jungkook havia recebido uma ligação de seu amigo Yoongi. Fazia tempo que os rapazes não se viam e por isso marcaram de se encontrar para por o papo em dia. O rapaz terminou de colocar sua jaqueta bomber preta e calçar seus coturnos, lembrando-se de pegar seus pertences e o papelzinho que havia mais uma de suas cantadas. Jimin já havia descoberto que era ele, mas isso não significava que deveria parar com aquilo.

Saiu pela porta de casa e ao fecha-la notou que havia um post-it amarelo grudado na mesma. Sorriu de canto o pegando e lendo o que estava escrito.

-"Sabe qual é a diferença entre você e uma sorvete? Caso não, venha descobrir."

Encarou o papel com uma expressão confusa e virou o mesmo, lendo a parte traseira e logo caiu sua ficha ao ver que era uma de suas cantadas alí

Se virou rapidamente para a casa do garoto e viu o mesmo encostado no batente da porta com os braços cruzados, erguendo sua destra e acenando para o mesmo com um sorrisinho. E em seguida adentrou a casa, fazendo questão de deixar a porta aberta.

Jeon rapidamente pegou seu celular, ligando para o amigo e anunciando que havia tido um imprevisto e não poderia ir.

-Tudo bem, nos vemos outro dia, Jeon. Mas o que houve? Algo importante?

-Você não faz ideia do quanto. É caso de vida ou morte, Hyung.

Encerrou a ligação e atravessou a rua, indo em direção a casa do garoto. Garotinho desastrado..."esqueceu" a porta aberta. Parece que Jungkook teria que ir fecha-la. E torcia para ver um Jimin na sala. Mas ao invés de ve-lo sem a camisa, desejava o ver nú por completo...agora cantando seria só mais um detalhe.
















Notas Finais


Recomendo que escutem a música Super Freak, qualidade 100%. O único defeito dela é que acaba.
Enfim, foi isso, espero que tenham gostado. Quem gostou ta gostado e quem não gostou vai ficar sem gostar.


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