História Cherry - TaeYoonSeok - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bangtan, Bdsm, Bts, Hoseok, Jikook, Namjin, Políamor, Sope, Taegi, Taehyung, Taeyoonseok, Vhope, Yoongi, Yoonseok
Visualizações 165
Palavras 2.078
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


enjoy :)

Capítulo 1 - Um


   

               Kim Taehyung estava fodido.

            As três folhas de papel em suas mãos continuavam sendo lidas repetidas vezes como se a qualquer momento mágico a rescisão do contrato de trabalho não estivesse sendo detalhada no monte de letras impressas.

            Mas, não havia magia nenhuma e ele foi demitido.

            Não prestou muito atenção aos motivos explicados pelo supervisor depois de ouvir a temida frase, parecia até que tudo acontecia em um universo paralelo e em câmera lenta. Retirou o uniforme simples, se vestiu com suas próprias roupas e estava há exatamente duas horas sentado no mesmo banco de ponto de ônibus sem saber como voltaria para casa... Na verdade, ele não queria voltar e contar à avó que pela terceira vez em apenas um ano fora demitido do emprego.

            Tae suspirou e piscou para afastar a ardência das lágrimas.

            Sentia-se frustrado e cansado. Com vinte e um anos já deveria ter alcançado todos os objetivos listados quando tinha apenas dez, mas sequer alcançou o mais simples deles.

            Taehyung morava em Seul há seis anos, desde que os pais faleceram por consequências diferentes, mas com a diferença de apenas seis meses. A mãe perdeu a luta para um câncer no estômago e o pai pareceu não querer apenas continuar sem ela. Não ficou sozinho, mesmo assim. A avó, Kim Cho-He assumiu as responsabilidades por Tae e seu irmão mais novo, Hyun-Su e com o dinheiro da venda da casa conseguiram comprar o pequeno apartamento onde viviam, no subúrbio da capital. Cho, já com quase oitenta anos, gastava tudo que recebia da pequena aposentadoria para criar os netos, mas Taehyung não poderia apenas vê-la se esforçar tanto.

            O primeiro emprego, em uma mercearia não durou mais que quatro meses. Ele fora pego dormindo três vezes até acontecer à demissão, era difícil conciliar as aulas na faculdade e a carga horária pesada. No segundo discutiu com o gerente que agrediu uma colega de trabalho achando que ninguém mais via e no terceiro apenas não deu sorte.

            Agora, Taehyung sentia vergonha de voltar para casa de mãos vazias outra vez.

            Ficou naquele ponto de ônibus até ser a hora de ir para a faculdade, nó ônibus lotado percebeu que nem havia almoçado e os estômago roncou pela fome. Meia hora depois, assim que passou pelos portões bonitos da universidade, foi abraçado de surpresa por ambos os lados.

            — Taetae! – a voz, quase doce de Jimin e fez sorrir um pouco. – Que milagre não estar atrasado.

            — Você chorou.

            Os três pares de pés pararam no caminho e Jimin o encarou tentando abrir bem os olhos pequenos, mordiscando a pele do lábio inferior. Jennie, ao seu lado, ainda o inspecionava como uma especialista.

            — Por que você chorou, Tae? – agora o tom de voz de Jimin era preocupado.

            O rapaz era mais velho, coisa de dois meses apenas, mas baixinho e de aparência fofa. Ah, e atualmente o cabelo dele estava tingido de rosa. Park Jimin era o melhor amigo que Taehyung poderia pedir.

            — Fui demitido. – Tae encolheu os ombros largos e um bico se formou nos lábios. – De novo.

            — Oh, eu sinto muito. – o menor acarinhou o ombro de Tae e soltou um muxoxo. – Mas, por quê?

            — Algo sobre cortes de custos. Eu não quis saber direito. Acho que fiquei desesperado.

            — Já contou para a sua avó? – ele negou a pergunta de Jennie. – Pagaram o que deviam? – ele assentiu. – Pelo menos você não ficou sem nada como da última vez.

            — Mas, não vai durar nada. As compras da dispensa estão acabando, Hyun precisa de um tênis novo e eu sei se vou poder comprar os livros do próprio semestre.

            — Para de pensar negativo, Taehyung! Você não é assim! – a menina de cabelos escuros e ondulados o sacudiu um pouco. – Podemos conseguir outro emprego para você e o Jimin te ajuda dividindo os livros, vai ficar tudo bem!

            Tae sorriu para ela, mas Jimin sabia que era um sorriso falso mascarado pelo desespero nos olhos grandes do amigo. Jennie Kim era dos três a que sempre via jeito em tudo, mas ela também era a que vinha de uma família bem sucedida, herdaria dinheiro o suficiente para dar um jeito em tudo.

            Durante as primeiras aulas Taehyung continuou quieto, sem ligou para as investidas de Jimin em fazê-lo rir sobre qualquer besteira. Rabiscou sem parar a contracapa do caderno e suspirou cansado.

            Sua mente estava fazendo contas, estava separando o necessário do dispensável. Talvez se economizassem ainda mais com roupas não tivessem de diminuir a lista de compras. Hyun calçava dois números a menos que si, poderia dá-lo o tênis mais novo e voltar a usar o mais velho. Talvez se largasse a faculdade e aceitasse um emprego integral, talvez pudesse trabalhar de madrugada também.

            Não se via como uma prioridade.

            Então, Jimin se sentou a sua frente, com as pernas ao redor do encosto da cadeira anterior a sua carteira e os dedos pequenos empurraram pela madeira um cartão preto com apenas um logotipo prateado impresso. Tae encarou e franziu as sobrancelhas.

            Pegou o cartão e observou melhor o logotipo simples, as letras garrafais, virou-o para apenas encontrar "Bangtan Sonyeondan" impresso com um aspecto metalizado que brincava com os olhos. Não havia um contato, um endereço... Nada.

            — O que é isso?

            — É onde eu trabalho.

            Tae compreendeu e devolveu o cartão, arrastando pela mesa.

            Ele sempre soube o que Jimin fazia e nunca lhe pareceu um problema, mesmo que nunca tenha perguntado nada sobre isso nos anos de amizade. A profissão do amigo era um segredo que rendia bastante dinheiro! Jimin já morava sozinho, tinha um bom carro e sempre se vestia bem! Ajudava muito a família em Busan também. O pouco que Tae sabia era que no último ano Jimin mantinha um relacionamento apenas e seu parceiro o mantinha financeiramente.

            Jimin o chamava de Jeon. Ou, para constrangimento do mais novo, Kookie.

            — Eu não vou fazer isso, Jimin. – olhou ao redor para notar que estavam sozinhos na sala. – Não posso fazer isso.

            — Tae você é lindo. – começou enquanto juntava os dedinhos pequenos sobre a mesa. – Jeon uma vez viu uma foto de nós dois e comentou que sua beleza é incomum... Eu até senti ciúmes. – o sorriso grande deixou seus olhos ainda mais apertados pelas bochechas fofas. – Você tem noção de quanto dinheiro rola nisso? – apontou para o cartão.

            — Não. – mordiscou o lábio inferior, puxando a pele seca. – Quanto?

            — Muito. Aquela porcaria de salário que você recebia? Você ganha o triplo só pra conversar com um deles durante duas horas, ele ou ela nem precisa te tocar... Só se você quiser. – deu de ombros. – O Jeon me mantém, você sabe, e eu não saio com mais ninguém além dele, então consigo manter guardado todo o dinheiro que tinha antes. Reformei o restaurante dos meus pais... – sorriu orgulhoso. – Mas, que eles nunca saibam de onde tirei a grana.

            — Como é? – ele olhou para o cartão. – Nesse lugar?

            — É discreto. As reuniões acontecem em endereços diferentes, prezam a nossa identidade e as deles, tem garotos e garotas que vão apenas para fazer companhia, bebem e conversam. Conseguem uma grana alta e até fácil. Existem três níveis dentro da BTS. – Jimin pegou o cartão entre os dedos e brincou com ele, girando entre o indicador e o polegar. – Melon é onde conversamos apenas, circulando pelo bar e essas coisas. Green Apple é aceitar algo mais intimo, a sós... Jeon me convenceu a topar isso em duas noites, foi vergonhoso. – soltou uma risadinha de si mesmo e Tae sorriu porque o riso de Jimin era contagiante. – E tem o Cherry.

            — Cherry? – o rosado assentiu.

            — Eu nunca fui até lá. Jeon diz que ainda não é o momento. – o bico fofo nos lábios cheios fez Tae querer apertá-lo. – Escuta, ok? Você precisa muito de dinheiro agora, eu sei que se eu te oferecer, o teu orgulho não vai te deixar aceitar, então eu só estou te dando esse cartão porque te amo e quero te ajudar, Tae. – ele empurrou o cartão outra vez para Taehyung. – Apenas pense. Se não quiser, rasgue o cartão... Se for tentar, mergulhe na água.

            Tae franziu ainda mais o cenho, completamente confuso. Jimin se levantou, beijou-lhe a bochecha e saiu da sala carregando a mochila grande demais para suas costas.

            O Kim continuou ali encarando o cartão como se a qualquer momento ele fosse o atacar, se transformar em uma granada sem pino.

            O estômago roncou alto e Tae guardou o material. Guardou o cartão no bolso também.

 

 

 

            O prédio de sete andares possuía dois pequenos apartamentos em cada andar. Era uma construção velha e feia no meio de mais construções velhas e feias na parte mais monótona de Noryangjin, para Tae tudo ali cheirava a peixe ou frutos do mar.

            Elevador quebrado, quatro andares de escada até chegar ao que chamava de lar. Deixou os tênis no lugar de sempre: ao lado dos do irmão e das sandálias gastas da avó. O cheiro de lamén, e talvez também porco grelhado, quase o fez chorar de fome. Encontrou o irmão sentado na única poltrona da pequena sala com os olhos vidrados na televisão que transmitia um jogo de futebol que parecia importante para o menino.

            — Boa noite. – a mochila pesada foi deixada sobre o sofá, ele ouviu os passos arrastados da avó e a mulher baixinha logo surgiu da cozinha usando um avental desbotado. O cabelo curto e completamente branco se mantinha firme no coque baixo. Ela sorriu para o neto e ele lhe beijou a testa, quando ele se curvou um pouco. – Como estão?

            — Muito bem e você?

            — Um pouco cansado. – bagunçou o cabelo escuro do irmão que apenas resmungou. – E com muita fome.

            — Você trabalha muito, Taehyung, precisa descansar! Você deve se lavar, jantar e dormir. Nada de ficar até tarde acordado! – ralhou e ele assentiu.

            — Hyung! – menino de apenas doze anos o puxou pela camisa e sorriu. – Temos um passeio, vamos visitar o estádio de futebol! Eu posso ir?!

            — Oh, eu não sei...

            — Todos os meus amigos vão! É o estádio da copa do mundo!

            — Quanto?

            — Oito mil wons.

            — Hyun, nós já falamos sobre isso... – a idosa interviu.

            — Por favor, hyung! Eu quero muito ir, muito! – puxou a camisa de Tae outra vez.

            — Tudo bem, você vai. – acariciou os cabelos do menino.

            — Ah, obrigado! Você é o melhor! – o abraçou apertado enquanto a avó encarava Tae com olhos preocupados.

            — Tem certeza, Taehyung? – ele assentiu. – Como foi no trabalho? – a mulher se virou para voltar a cozinha.

            — O trabalho... – Tae encarou o irmão abraçado a si, encarou as costas da avó que caminhava devagar em direção a cozinha e lutou bravamente contra a vontade de chorar.

            Durante o banho naquela noite abafada de verão, Tae outra vez pensou. Chorou e pensou. Por que tinha de ser tão difícil?! Sentia-se culpado por mentir para a avó, mas envergonhado demais para colocar mais preocupações sobre os ombros cansados dela. Estava em uma luta mental sobre largar logo os estudos, mas se formar era algo que sempre sonhou! Era um dos itens mais importantes de sua lista idiota.

            Jantou com a família, ouvindo o irmão contar sobre todas as aventuras escolares do dia, ouvindo a avó dizer que faria um bolo no dia seguinte. Na realidade, Tae nem parecia presente. Tinha fome, mas não vontade de comer. Deitou-se cedo e de luzes apagadas encarou o breu do quarto minúsculo até a curiosidade lhe obrigar a ficar de pé e ir até a calça usava mais cedo que ficou pendurada em um cabide velho no canto do cômodo. Tirou de lá o cartão preto e sentou na cama, dobrando as pernas bonitas como um índio. Da gaveta da cabeceira puxou a folha amassada e amarelada de caderno, a lista idiota de um menino sonhador de dez anos.

            Ah, se ele soubesse como ser adulto era ruim.

1.       Ter uma casa grande

2.      Formar-me no ensino superior

3.      Ter um cachorro chamado Yeontan

4.      Fazer uma tatuagem

5.      Conhecer a Grécia

6.      Viver um grande amor

Tae rolou os olhos para aquela listagem infantil e amassou a folha, jogando de volta para a gaveta bagunçada.

Seus olhos pararam no copo d'água que sempre deixava sobre o criado mudo, aproximou o cartão e antes de jogá-lo dentro dele, mandou os sonhos para o inferno. Viu o cartão afundar e depois de alguns segundos o logotipo simples se apagar para dar lugar a um nome e um número de telefone.

Taehyung suspirou e puxou o cartão molhado de volta.

SUGA
              XXXXXXXXXX

 



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