História Cherry - TaeYoonSeok - Capítulo 4


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bangtan, Bdsm, Bts, Hoseok, Jikook, Namjin, Políamor, Sope, Taegi, Taehyung, Taeyoonseok, Vhope, Yoongi, Yoonseok
Visualizações 161
Palavras 4.320
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


mais um! espero que gostem!

Capítulo 4 - Quatro


O despertador foi silenciado com um tapa forte e o corpo grande de Taehyung se remexeu na cama, encolhendo as pernas nuas enquanto coçava o cabelo e a nuca. Estava deitado de lado, o cobertor azul com estampas de pequenos elefantes agora estava embolado pelas pernas e o ele o puxou para se cobrir outra vez e mais parecer um bolinho empacotado.

Piscou diversas vezes até conseguir abrir os olhos e encarar o quarto já clareado pela luz natural que vinha de fora. Eram nove horas da manhã.

O celular vibrou, estava abaixo do travesseiro e não demorou pra ser pego e verificado, havia notificações de redes sociais e mensagens, Jimin foi quem mandou à última.

[25/07 às 09:02] Jiminie:
bom dia, taetae!
acho que vou me atrasar, jeon veio ontem a noite
vamos passar ai até as dez para te buscar

Taehyung franziu o cenho lentamente até compreender o que exatamente Jimin insinuou com as mensagens, estava sonolento e demorou muito a pegar no sono na noite anterior por causa do tanto de informações que sua cabeça estava processando.

A avó, como sempre, notou que algo estava errado com ele, mas Cho apenas acarinhou sua cabeça quando ele mentiu dizendo que estava tudo bem.

Ele precisou esfregar os olhos para reler a mensagem e então quase cair da cama com um pulo que deu. Digitou uma resposta rápida e confusa.

[25/07 às 09:08] K. Taehyung:
como assmi 'nós vaoms passar aqui???!!! VC FICOU DOISO PARK JUMINS?????
como asim o jeon vai estaer com voc???
vc vizualizou sual maldITA RESPONDE JIMIN

[25/07 às 09:02] Jiminie:
ele vai nos dar uma carona, ingrato
e realmente não estou disposto a pegar ônibus depois de uma madrugada inteira sentando, taehyung

[25/07 às 09:08] K. Taehyung:

é completamente irrelevante saber do que você faz com a sua bunda
eu realmente não precisava saber sobre isso
espero que esteja assado

[25/07 às 09:02] Jiminie:
e satisfeito também, querido
vai logo se arrumar, jeon está no banho e eu já estou pronto
pelo amor de deus evite as sandálias de dedos
você não é um peregrino, meu anjo

[25/07 às 09:08] K. Taehyung:
vai se foder

Ele não pode segurar o pequeno riso. Jimin sempre o faria sorrir, mesmo em situações difíceis. Deitou na cama outra vez, deixou o celular sobre a barriga e bocejou enquanto encarava o teto.

Havia pensando bastante depois de conhecer Suga e ter a conversa mais estranha de toda a sua curta vida e provavelmente seria a única também. Não pode recorrer a Jimin, em todo caso, ele até tentou dar atenção à ligação exasperada de Tae, mas a voz emburrada do tal Jeon não deixava que os dois ficassem à vontade.

Tae olhou para o criado mudo velho do quarto, a folha de papel ainda estava ali com a caneta verde por cima. Uma nova lista sobre coisas mais necessárias e relevantes para alguém que deveria assumir mais responsabilidades. Decidiu por esquecer os sonhos idiotas e infantis para se focar nas duas pessoas que eram sua família, que precisavam dele e era a razão pela qual ele faria qualquer coisa.

Levantou, arrumou a cama e rumou para o banheiro minúsculo no fim do corredor. Nem a avó ou o irmão estavam em casa, ela teria o levado ao colégio. Tae se lavou, colocou as roupas sujas na lavadora, varreu a cozinha e tomou café com o que estava separado para si dentro do forno. Lavou as louças que sujou e estava calçando o único par de tênis inteiro que possuía quando o celular tocou com uma mensagem de Jimin o pedindo para descer.

Ficou nervoso por ter conhecer o tal Jeon logo em uma situação assim já que não tinha certeza se Jimin havia contato ao cara sobre ele estar entrando para fazer o que Jimin fazia. Taehyung tinha certeza que nunca pararia de se sentir completamente envergonhado sobre isso, ele gostaria de ser mais como o melhor amigo às vezes.

Park Jimin não parecia se importar muito sobre o que outros diziam de si.

Ao lado do prédio onde moravam, na calçada da conveniência esquecida por Deus, duas senhoras vizinhas cochichavam uma para outra sobre o carro que estava estacionado ali. Não era todo dia que um Volvo CX40 passava pelo bairro, muito menos parava por ali.

Elas ficaram quietas quando Taehyung abriu o portão barulhento, depois trancou o cadeado pesado e encarou as senhoras que pareciam prontas para perguntar alguma coisa. Uma delas negou com o rosto e cochichou algo ao notar que o rapaz ia em direção ao carro.

Para completar tudo ele sabia que logo a fofoca chegaria até sua avó.

Deu a volta no veiculo para ouvir a trava da porta e então entrou para ser recebido pela voz animada de Jimin.

— Bom dia, Taetae!

O rosado quase se jogou para o banco de trás enquanto abraçava os ombros de Tae. Ele estava de joelhos sobre o banco do passageiro igual uma criança e sorria daquele jeitinho fofo que deixavam seus olhos como duas linhas. O carro – extremamente espaçoso – cheirava a limpeza, ao perfume quase doce de Jimin e ao perfume do homem sentado no banco do motorista que encarava os dois em silêncio enquanto a língua empurrava a bochecha direita para fora.

— Bom dia, Jiminie.

— Ah, este é o Jeon Jungkook. Jungkookie esse é o Tae!

Jungkook se curvou como podia para cumprimentar Taehyung e deu um sorriso simpático que serviu pra constatar de vez: puta merda, que homem lindo.

— Oi, muito prazer. – ele estava morrendo de vergonha.

— O prazer é meu. Jimin falava muito em você...

— Espero que ele fale bem. – Tae acomodou a pequena bolsa que trazia sobre o colo e Jimin abraçou o banco deitando a cabeça no encosto e mandando um beijinho para o amigo. – Você parece bastante bem humorado.

— Eu estou. – suspirou. – Mas, te conto depois. Já tomou café? – o outro assentiu. – Eu não. Estou morto de fome. – Jimin se virou para se sentar direito quando Jungkook saiu com o carro.

Numa última olhada Tae ainda viu as duas senhoras cochichando na calçada.

— O que você quer comer, my mochi?

O Kim, no banco de trás, sussurrou pra si mesmo o apelido umas três vezes antes de segurar o riso e ficar completamente vermelho quando percebeu a mão de Jungkook escorregar para a coxa de Jimin após trocar a marcha do carro. Ele apertou e Jimin quase ronronou como um gatinho.

Kimchi.

— Eu preciso estar no escritório antes do meio dia. – pareceu lamentar. – Eu deixo vocês onde possam comer e de lá posso fazer uma ligação e mandar o motorista.

— Queria tomar café com você, Jungkookie. – Tae não precisava olhar para saber que um bico de desagrado estava estampado na cara do amigo.

Ele se sentia o maior castiçal do mundo segurando a maior vela do mundo. Sacou o celular com a tela trincada e fingiu ter alguma coisa para fazer ali só pra não ter de prestar tanta atenção na conversa entre o casal. Ele teve de recorrer aos fones quando ouviu Jimin falar sobre estar com a bunda dolorida.

Quase meia hora depois de serem deixados na frente de um restaurante muito caro numa rua lotada de lojas caras onde até mesmo um copo d'água era caro, os dois dividiram uma mesa, enquanto Jimin comia e Tae beliscava o prato que fora obrigado a pedir.

— Eu nunca vim até aqui antes. – o mais alto comentou e olhou ao redor. A decoração do restaurante era como uma obra de arte para Tae, da iluminação aos quadros bonitos espalhados pelas paredes. A mesa bem posta, a porcelana clara, as taças longas e todos aqueles talheres que ficavam emparelhados por tamanho de dentro para fora. Ele ficava com receio de tocar em algo e quebrar.

Não é que Taehyung fosse um garoto que nunca soube o que é luxo, pelo contrário, ele admirava a arte, tinha uma grande vontade de aprender a fotografar e nunca negaria o quanto suspirava por uma coleção nova da Gucci. Acontece que, como a maioria dos jovens de sua geração, Tae era realista o suficiente para entender que só lhe restava isso: suspirar e se conformar com a vida que tinha.

Mas, naquele momento quase inacreditável, ele estava com Jimin em um restaurante caro e que ficava em Hongdae comendo o melhor Kimchi de sua vida.

— O que achou dele? – a pergunta veio do nada, depois de Jimin beber um gole da água gelada na taça bonita de cristal.

— De quem?

— Do Jungkook. – encheu a boca com mais comida, as bochechas mais pareciam dois balões fofos. Tae engoliu o que estava mastigando e assentiu.

— Um gato. – assumiu e o amigo sorriu orgulhoso. – O que ele faz?

— Ele é produtor musical. Ele tem uma produtora com um amigo de infância e tal. – engoliu a porção e bebeu mais água. – Sabe o que ele me disse ontem? – Tae negou. – Ele tem de ir ao Japão para resolver coisas da produtora, ele quer que eu vá com ele. – os olhos pequenos estavam brilhando pela expectativa.

— Você já viajou com ele antes, o que tem de diferente? – estranhou.

— Dessa vez é uma viagem normal, Tae. – ele ainda pareceu não entender. – Jungkook não vai me pagar para ir com ele, ele quer que eu vá como parceiro dele. Não é um trabalho.

— O que?! – quase gritou, ele se sentia feliz por Jimin, mas também preocupado. Viu o amigo assentir e parar de comer. – Jimin...

— Eu só aceitei. – encolheu os ombros. – A gente tinha transado e ele estava ali do meu lado, ele estava suado e respirando alto... Ele me pediu e eu aceitei. – sorriu, mas parecia um pouco triste. – Eu não sei dizer não a ele. E ele sabe disso.

— Você está apaixonado por ele, Jiminie. – não foi uma pergunta, foi uma afirmação porque ninguém no mundo conhecia Park Jimin como Kim Taehyung. Ou o contrário.

— Enquanto for só paixão está tudo bem, Tae. Você sabe, eu me apaixono tão fácil. – desconversou com uma aceno de mão e sorriu voltando a comer.

— Mas, com ele é diferente, não é? – abaixou o tom de voz e segurou a mão pequena do melhor amigo quando este continuou sorrindo, mesmo que seus olhos estivessem marejados. – Oh, Jiminie.

— Por favor, não quero falar disso agora, tá bom? – pediu com a voz embargada. – Eu aceitei a viagem, eu aceitei me envolver com Jungkook há quase um ano atrás e agora eu apenas preciso saber lidar com as consequências disto.

— Mas, você sabe que pode falar quando quiser, não sabe? Você é o meu melhor amigo no mundo, Jiminie-ah e eu te amo. – apertou a mão pequena e recebeu de volta o carinho dos dedinhos de Jimin. – Você não sabe o quanto está me ajudando com tudo que tem acontecido...

— Como foi com o Suga?

— Estranho. – pareceu lembrar. – Ele é tão pequeno, mas intimidador pra caralho.

— Acho ele bem fofo, mas jamais diga isso a ele. – negou e Tae sorriu quadrado. – Ele é um gato também.

— Isso eu tenho de concordar, ele ficou esfregando o pé na minha perna e... – a risada de Jimin o fez calar e franzir as sobrancelhas.

— Ele fez isso com você também?! – o outro assentiu. – Quando eu o conheci, Suga acariciou a minha coxa e a gente quase transou no carro, graças a Deus eu sou um rapaz descente.

— E eu sou Vicent Van Gogh. – debochou e recebeu um guardanapo na cara. – Jimin!

— Suga exala essa coisa... Não sei nomear direito, sabe? Ele morde os lábios e, então ele brinca com a língua, eu acho que ele conseguiria seduzir qualquer pessoa caso quisesse. – empurrou o prato quase vazio para o lado. – E também tem a forma como ele te olha e avalia você em um silêncio que desespera...

Enquanto Jimin fazia sua avaliação sobre Suga, o outro prendeu o olhar ao redor do salão do restaurante quase vazio. As mesas para quatro lugares eram redondas e as cadeiras com encostos macios de tons pastel entre rosa e bege.

Então, absolutamente do nada, Tae sentiu um arrepiou percorrer sua espinha e arrepiar cada pelo de seu corpo. Quase sentiu frio o suficiente para se encolher e procurar uma fonte de calor em si. Ele franziu outra vez as sobrancelhas escuras e girou o pescoço para a direita até encontrar um par de olhos castanhos o observando do outro lado do salão, próximo ao balcão de caixas. O homem vestia um terno bonito, aparentemente caro e preto. Ele conversava com outro homem mais alto e que claramente trabalhava no local já que trajava um uniforme limpo de chef.

Taehyung, sem saber bem a razão, manteve o contato visual com o homem, ele o viu ajeitar a gravata cinza e puxar o nó bem feito para os lados, os lábios dele se moveram para dizer algo que foi logo respondido pelo cheff. A língua rosada lambeu o lábio inferior e os dentes superiores prenderam o lábio inferior para dentro da boca.

O homem guardou ambas as mãos nos bolsos da calça e desviou o olhar para dar atenção à conversa que tinha.

—... E o Jungkook me disse que o Suga foi o primeiro com quem ele saiu quando entrou para a organização... Taehyung você está me ouvindo?!

— Oi? – se virou para o amigo que fez um bico emburrado e olhou na direção que o outro olhava antes.

— Oh, Jin está aqui! – sorriu e pareceu animado. – Você vai adorar o Jin, ele é tão engraçado!

— É o homem de terno? – sussurrou e Jimin esticou o corpo para conseguir ver quem estava na frente de Jin.

— Oh, não. Aquele é Jung Hoseok. O sócio de Jungkook.

Tae olhou outra vez na direção de Jin e Hoseok, viu quando eles se abraçaram brevemente e então Hoseok lhe lançou uma última olhada antes de sair do restaurante.

— Ele é lindo. – comentou mais para si mesmo.

— Oh, querido, nem pensei nisso. – Jimin negou várias vezes e ergueu um dedinho no ar. – Ele e Suga tem essa coisa sem nome que todo mundo sabe ser um relacionamento estranho.

— Ele também é... É...

— Sim, ele também frequenta a BTS, antes de mesmo de Jeon... Ele a fundou com o RapMon... Marido do Jin... Meu Deus, isso mais parece uma novela! Todo mundo conhece todo mundo, isso é estranho.

— Jimin, por favor, evite pensar demais, você não é bom nisso.

— Você é um ingrato, eu deveria te deixar sozinho e ir descansar minha bunda bonita em casa!

— Por que toda vez que eu chego perto você está falando sobre sua bunda bonita, Park Jimin?

Os dois encararam o homem alto que se aproximou e sentou na cadeira entre eles. O chapéu, assim como o resto do uniforme, estava impecavelmente limpo e alinhado. Jin tinha ombros largos, lábios carnudos e uma pele quase de porcelana. Ele poderia facilmente ser o homem mais bonito do mundo.

— Porque a minha bunda é uma pauta importante, hyung.

— E você, rapaz bonito, quem é? – ele apoiou os cotovelos a mesa e o queixo nas mãos, piscou forte com os dois olhos.

— Eu sou Taehyung. – sorriu. – Kim Taehyung.

— Eu ouvi sobre você. – estendeu a mão para tocar o queixo bem marcado de Tae. Ele realmente era bonito, mas não apenas uma beleza fabricada. O garoto não vestia roupas de qualidade, a pele estava oleosa e o cabelo desalinhado, mas ainda assim, Kim Taehyung era lindo. Naturalmente lindo. Qualquer coisa adicionada e ele apenas o levaria ao patamar perigoso de poder.

E Jin sabia bem disso, não haveria razões para ser modesto, ele sabia por que era como Tae. Ele quase despencou do alto de um ego doentio há dois anos quando foi arrogante demais para assumir que Namjoon já era dono de todo o seu coração, corpo e alma.

— Eu sou Seokjin, mas você pode me chamar de Jin-hyung.

— Hyung, vou levar o Tae para um banho de loja! Onde devemos ir primeiro.

O mais velho raspou o polegar pelo queixo de Tae, refletiu por um breve momento e sorriu depois de piscar forte.

— Vá até a loja da Gucci e procure por Chaerin. Diga a ela que eu mandei vocês dois lá. – Jimin assentiu, animado. – Você vai gostar de lá, Taehyung.

 

 

 

E ele gostou.

Ficou paralisado em frente à loja completamente dourada com vitrines iluminadas por pequenas lâmpadas azuis, as pessoas continuavam a passar ao sua volta ocupadas demais para apreciar o brilho quase infantil nos olhos do rapaz que teve de ser puxado pelo amigo para se mover e entrar na loja.

Jimin o rebocava com um pouco de dificuldade, o puxava pelo pulso e mais parecia uma mãe apressada e irritada com o filho birrento. Tae tentava de alguma forma olhar tudo ao mesmo tempo, ia da exposição de sapatos e bolsas até a nova coleção outono/inverno vestidas nos manequins pretos.

De repente, ele se sentiu pequeno demais ali.

— Olá, boa tarde. No que posso ajudá-los?

Uma garota extremamente bonita e bem vestida os abordou, o cabelo curto estava penteado para o lado e seu perfume era doce e agradável.

— Boa tarde. Nós estamos procurando pela Chaerin, Kim Seokjin nos mandou aqui.

— Ah, só um momento. – ela se afastou e Jimin virou-se para Tae.

— Ei, Tae, acorda. – estralou os dedos e o outro o encarou. – Onde está o cartão do Suga?

— Carteira. Na minha carteira. – vasculhou a bolsa velha que segurava e entregou para Jimin. – Oh, eu estou na Gucci.

— Eu prefiro a Chanel, mas beleza. – deu de ombros.

Ouviram os passos firmes de saltos altos se aproximarem e ambos olharam em direção a mulher que se aproximava com um sorriso pequeno nos lábios. Ela era da altura de Jimin, vestia um grosso casaco branco sobre calças jeans e camiseta simples, o cabelo loiro estava preso em um coque elegante e a maquiagem perfeitamente feita.

— Boa tarde. – se curvou e os dois fizeram o mesmo. – Sou Lee Chaerin.

— Eu sou Park Jimin, esse é meu amigo Taehyung.

— Jin me ligou tem alguns minutos, dispensei duas clientes por causa de vocês garotos, vamos... – ela sorriu. – Eu acho que sei de algo que você vai gostar. – disse enquanto encarava Taehyung.

 

 

— Jimin, eu não sei se está tudo bem em ter gastado tanto.

— Na minha vez gastei o dobro! De verdade, eu comprei uma coleção inteira de listras. Eu amo listras, você sabe. – trocou o peso de pé enquanto observavam o motorista mandado por Jungkook guardas as catorze sacolas grandes no porta-malas do carro branco. – Agora, nós vamos para a minha parte favorita.

— Que parte? – os dois entraram no carro, no banco de trás e logo Jimin estava com o celular em mão digitando freneticamente.

— Você tem muita sorte! Eu dei minha vaga para você, mas alguém cancelou.

— Do que você está falando?!

Excuseeeeee me! Estou ocupado! – continuou digitando e Tae rolou os olhos antes de abraçar pela décima vez a bolsa novíssima da coleção atual Gucci que havia custado mais dinheiro do que ele poderia juntar em um ano todo trabalhando fritando barrigas de porco. – Prontinho.

Ele casaria com a bolsa se pudesse.

Quase uma hora depois, graças a um belo engarrafamento, eles estacionaram no subsolo de um prédio pequeno e muito bonito. Na fachada ornamentada com colunas de vidro e madeira era fácil ler o nome EXO em uma caligrafia elegante.

Não precisou mais que dois segundos dentro da recepção para Taehyung perceber que estava em uma clinica de estética barra salão de beleza.

Jimin trocou poucas palavras com a recepcionista estrangeira e os dois subiram para o segundo andar para serem recebidos por um homem alto e muito bonito.

— Park Jimin, está atrasado.

Ele abraçou Jimin deixando um beijinho carinhoso no topo de sua cabeça. O homem era alto e magro, tinha traços delicados e o cabelo descolorido penteado para o lado. Havia também um piercing em seu lábio inferior.

— Não me culpe. Ah, esse é o Tae de que falei. Tae esse é o Baekhyun! Ele é simplesmente o Jesus Cristo dos cabelos.

— Ainda bem que pelo menos você me valoriza.

— Mas já vai começar, Baekhyun?!

Os três olharam em direção a outro rapaz que folheava uma revista de moda, sentado em uma das cadeiras de cabeleireiro. Ele ergueu o olhar e suspirou antes de deixar a revista de lado e ficar de pé. Ele era bastante alto e usava óculos de armação redonda.

— Não estou falando com você, Chanyeol. – desfez e voltou sua atenção para Jimin e Tae.

— Que seja. Jiminie, vamos retocar essa raiz? Esse rosa já estava virando laranja. – mexeu nos cabelos de Jimin.

— Eu sei, está horrível. Baekhyun, você cuida do Tae. Salve esse cabelo destruído e essa pele oleosa... – Jimin pareceu pensar enquanto um bico se formava em seus lábios. – Bum está ai?

— Foi almoçar, mas volta em meia hora.

— Certo. Ele vai fazer uma completa nele. Cera quente. – apontou para Tae.

— Hey, calma ai! Como assim completa?! – o Kim agarrou-se a bolsa com mais força ainda e o casal esteticista o achou adorável.

— Depilação, meu anjo.

— O que?! – praticamente gritou. – Eu depilo as minhas pernas a cada quinze dias, Jimin!

— Não quero nem imaginar como deve estar à situação do seu...

— Está muito bem, obrigado! Eu não vou depilar nada, muito menos com cera quente! Isso deve doer pra caralho!

— Kim Taehyung você vai depilar tudo ou eu não me chamo Park Jimin!

 

 

— Você já pintou o cabelo alguma vez?

A voz de Baekhyun era gostosa de ouvir assim como seu sorriso doce. O rapaz e Tae descobriram coisas em comum durante a primeira hora ali, enquanto uma manicure cuidava de suas unhas e uma limpeza de pele o fazia sentir mil vezes melhor.

Jimin tagarelava do outro lado do salão sobre doramas e animes com Chanyeol.

— Quando eu era mais novo pintei de laranja, eu escondo as fotos até hoje.

Os dois riam e Baekhyun parou atrás de cadeira giratória, encarou Tae pelo reflexo do espelho grande e iluminado por lâmpadas brancas. Cruzou os braços enquanto batia o pé direito no chão.

— Você confia o seu cabelo a mim?

— Eu não sei o motivo, mas confio. – encolheu os ombros.

— Não vai se arrepender...

— TAE O BUM CHEGOU, VAMOS DEPILAR ESSE SEU RABO AGORA!

Todas as outras pessoas no local riram enquanto Tae escondia o rosto com a mão e Jimin se levantava com um pequeno furacão cor de rosa para puxá-lo. Baekhyun, entre risos, disse que cuidaria de seu cabelo quando ele voltasse.

Vinte minutos depois, Kim Taehyung estava nu e de quatro sobre uma maca confortável enquanto Jimin segurava sua mão e também segurava o riso.

— Eu te odeio Jimin.

— Você vai me agradecer, é muito bom estar lisinho. – assentiu e Tae fez uma careta quando sentiu a cera quente ser espalhada por lugares que não eram comuns para si. – Não faça esse show todo, só dói na primeira vez... É tipo sexo.

— Eu nem vou transar, inferno!

— Nunca se sabe. – pareceu sábio. – Na primeira vez que fiquei com o Jungkook quase morri do coração tentando desviar da mão boba dele... Minha depilação estava vencida. – sussurrou a última parte.

— Eu sei que eu não v- PUTA QUE PARIU! – gritou quando a primeira tira de papel, cera e pelos foi puxada. – Eu te odeio.

 

 

Na sexta feira, após uma semana agitada e rápida demais, eram quase dez horas quando Tae se encarou no espelho do elevador que se movia para o último andar de um dos hotéis mais caros de Seul. Ele ajeitou a gravata borboleta e puxou o smoking suit beige para se ajustar aos ombros, depois os pulsos abotoados. Estava nervoso, as mãos não paravam de suor e uma centena de mariposas pareciam levantar voo em seu estômago. Massageou a nuca enquanto observava o painel eletrônico iluminar cada andar que ultrapassava.

Quis que alguém entrasse ali, mas parecia ser uma viagem só de ida, sem paradas.

Respirou profundamente quando as portas se abriram e um longo corredor iluminado era a única direção que poderia seguir, caminhou apertando as mãos em punhos nervosos, umedecendo os lábios sem parar e logo podendo ouvir a música que ficava mais e mais alta a cada passo que dava.

Quando entrou ninguém o notou e havia tantas pessoas ali. Homens e mulheres muito bem vestidos, conversando e alheios a sua existência medrosa. Taehyung quis voltar atrás umas cinco vezes.

Caminhou sem saber a quem procurar, chamou a atenção de duas mulheres que bebiam taças de champanhe. Se coração estava tão acelerado que ele achou poder ter um ataque.

— O que fez com o seu cabelo?

A voz de Suga o parou e ele se virou rapidamente para encarar o homem próximo a si que segurava um copo com uísque em uma mão e estendia a outra para lhe tocar o queixo.

Suga, assim como todos, vestia-se elegantemente. O blazer vermelho combinava com a camisa e calça pretas. Uma gargantilha de couro adornava o pescoço pálido e Tae se sentiu constrangido por encará-la demais.

— Pintei.

— Hm. – sugou o ar e assentiu. – Ficou lindo.

Ele sorriu com o elogio e Yoongi tocou uma mecha de cabelo agora em um tom de cinza escuro. Combinava com o tom de pele de Tae, combinava com o rosto dele, combinava com o sorriso quadrado.

O deixava ainda mais irresistível

— Rapmon está chegando, ele quer te conhecer e conversar sobre o necessário. – o Kim assentiu. – Enquanto isso vou te apresentar para algumas pessoas.

— Tu-Tudo bem.

— Antes que eu esqueça, aqui o seu nome não é Taehyung.

— Não?

Yoongi sorriu sem mostrar os dentes e acenou para alguém atrás de Tae que não se atreveu a olhar para saber quem era. Em seguida uma terceira pessoa se aproximou dos dois.

— Boa noite. – se curvou brevemente para cumprimentar ambos.

— Boa noite, Minho. – Yoongi sorriu e Tae fez o mesmo, nervosamente.

— Boa noite.

— Então, eu te falei sobre alguém novo. – o homem encarou Taehyung. – Esse é Choi Minho. Minho, esse é o V.

E a partir desse ponto, a vida de Kim Taehyung nunca mais foi à mesma.



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