História Choices - Capítulo 22


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Notas do Autor


Acho interessante comentar uma coisa, não sei se notaram mas a "Bella" é muito diferente da Mia, sem aquela desconfiança, indiferença, e diversão tão típica dela, porque aquilo era tudo um resultado dos sofrimentos que viveu, então sem saber sobre eles ela está leve e feliz como ela própria já falou, só quero que vocês também levem em conta o que a Ambre falou, em parte o Nathaniel é apaixonado por uma pessoa que não existe, porque querendo ou não quando a Mia voltar ela não vai mudar do nada e tudo que aconteceu nesses cinco anos na vida dela vão lhe afetar sim.

Capítulo 22 - Oh my angel


Bella se sensibilizava com Nathaniel empenhado em acompanhá-la naquele passeio pelo parque permitido por todos os seus médicos, havia algo de metafórico na forma como ele não acelerava mais do que ela podia caminhar, estavam ritmados indo para um caminho que nenhum dos dois sabia como acabaria, era como estar na mesma página que alguém e os dois aproveitassem a leitura, mas Bella nem ao menos sabia em que livro estava, se o gênero era romance ou drama, apenas arriscava-se a ler um modelo que nunca escolheu antes.

Quem os olhasse arriscaria que eram um casal que iniciou um namoro há pouco tempo e ainda não sabia onde estava no relacionamento, aquela época onde os limites entre toques e assuntos é hesitante. Riam de comentários amenos, mas não falavam sobre o tópico que realmente importava.

Quando Nathaniel ofereceu um sorvete a Bella decidiu que aquela foi sua melhor escolha do dia, pois foi fascinante vê-la se questionar sobre qual sabor gostava e o atendente da sorveteria ficar tão encantado com ela que a deixou provar todos para decidir seu preferido.

A face de satisfação que ela mostrou ao se deliciar com o de creme valeu  o dia dele de verdade. Não era um sabor anormal mas para Bella a nova descoberta parecia os primeiros passos de um bebê rumo sua concepção de que o mundo o pertence.

— Você é clássico, você gosta de chocolate. — Bella tenta adivinhar de uma forma tão divertida que apenas por provocação se inclina na direção dele, como se fosse uma ação típica de sua personalidade, Nathaniel fica surpreso como é natural para ela se aproximar, tão natural que nem nota que ele tremeu quando por animação ela apertou o braço dele para incentivá-lo a responder se era mesmo de chocolate que gostava. 

— Eu gosto de tomar um novo a cada vez. — se ouve falando e não está bem em admitir. Bella sorri com deboche.

— Você me surpreendeu Nathaniel, não ousaria achar que você é tão desapegado e livre de preconceitos quanto a conhecer sabores. — ri quando ele cora, ri mais quando por vingança Nathaniel suja o nariz dela de sorvete. 

— Eu estava falando sobre os sorvetes. — afirma escolhendo se defender. Bella sorri.

— Eu também estava falando sobre os sorvetes Nathaniel. — não estava e seu quê de maldade não assusta Nathaniel, talvez o fez se interessar ainda mais por ela. Bella ainda iria se descobrir, ele esperava estar junto para entendê-la por todo processo que isso envolvia.

Se sentaram em frente ao estabelecimento, em uma escada de cimento muito bem desenhada, o vento bagunçava seus cabelos enquanto observavam o mundo lá fora não estar tão confuso quanto o deles, Bella estava linda naquele vestido florido, uma das peças que Ambre a emprestou, tanto que Nathaniel queria um quadro daquele momento. Com os olhos franzidos pela claridade ela olhou ele por cima do ombro e lhe presentou com um sorriso ameno de quem agradece por algo simples mas que remete a muito. Ela realmente não sabia sobre o passado, mas constantemente se perguntava se lá havia alguém que cuidasse tanto dela quanto Nathaniel cuidou.

— Então o que acontece agora? — ela perguntou firme, Nathaniel sabia ao que ela se referia. — O que uma pessoa que saiu de um coma faz depois que recebe alta e não sabe quem é? — não estava exigindo que ele lhe falasse, só queria um conselho. Nathaniel mordeu os lábios fingindo pensar.

— Ela se apoia nos amigos que não se importam em saber quem ela é. — era sobre Nathaniel que estávamos falando. Bella riu levemente.

— Não quero que seja minha moleta, ou meu herói, aquele complexo que você achou que eu teria quando acordasse de nunca sentir coisas ruins por você porque me salvou não é real, não gosto de você porque me salvou, gosto de você porque salva a todos, porque não egoísta e o mundo é completamente, não precisa continuar me salvando para que esse sentimento cresça. — foi o auge de sua verdade, no meio de árvores, ar e promessas Bella estipulou como se sentia por Nathaniel, que reconheceu aquelas palavras como sendo o prelúdio do romance que sempre imaginou que teria.

— Não sou seu herói, você salvou a si mesma, você não desistiu, não gostei de você por sua vulnerabilidade gostei de você porque... — colocou drama na espera do que viria a seguir, instigando Bella a ficar mais perto dele, que suspirou. — Porque você era bonita, essa é a razão de você se chamar Bella. — Bella empurrou o ombro dele de brincadeira, rindo dele e de quem ele era quando estava com ela.

— Você é uma pessoa excepcional Nathaniel. — Bella afirmou.

— Você é uma pessoa excepcional também Bella. — Nathaniel retrucou.

 

...

Era até estúpido duvidar da teimosia de Nathaniel, por cinco anos ele esperou ela acordar, é claro que ele a convenceria de que morar com ele até decidir o que queria de sua vida era o melhor a se fazer. Havia um quarto de hóspedes e ele foi decorado para que ela se sentisse recepcionada no lugar grande demais para uma pessoa só. Quando ela tentou falar que não precisava de mais roupas de Ambre, que as que tinha  eram o suficiente foi cortada por ela que falou que roupas nunca eram demais e que traria outras, quando falou sobre empregos foi a vez de Nathaniel a cortar dizendo para ela não se preocupar com isso, fingiu que se deu por vencida mas deixou em sua mente a ideia de usar o computador dele quando ele não estivesse em casa para conseguir uma vaga, digo com os documentos que um colega de Armin conseguiu para ela seria fácil voltar a sociedade.

Na primeira noite ficou acordada por muito tempo, mudar de ambiente depois de passar anos presa em um lugar com tantas paredes brancas causou animação nela, que ofegava constantemente pensando em sua vida, era madrugada quando girou a maçaneta da porta pronta para ir a cozinha tomar água e se acalmar. Deu um passo para trás quando viu que Nathaniel estava prestes a bater, também passando por um episódio de falta de sono, os dois se fitaram sem pressa, então Bella se encostou na soleira da porta com um sorriso esperando que ele desse sua desculpa.

— Só pensei que seria difícil se acostumar com um novo lugar e que estaria desconfortável. — explicou preocupado com essas sensações, Bella suspirou.

— Eu estava nervosa...Sobre estar aqui. — afirma com sinceridade, tanta que Nathaniel fica confuso.

— Você acha que eu tentaria algo? Que eu... — fica preocupado mas Bella o interrompe.

— Estava nervosa porque tenho medo de gostar, de aceitar você, sua vida, eu fazendo parte dela, e nós dois nos dando conta que quem eu sou não merece isso e nos quebrando. Tenho medo de me apegar a você porque essa não é minha vida, quero fugir do meu passado por não saber como ele era, mas acho que esse tipo de coisa sempre volta para você, entende? — seus sentimentos estão confusos. Tudo está acontecendo rápido em relação a decidir. Nathaniel entende, entende demais.

— Por que acredita que não merece? — questiona com cuidado.

Bella mareja os olhos antes de responder. Não é fácil.

— Porque estou parando de tentar encontrar culpados quando estou sozinha, talvez eu tenha sido deixada porque não era uma boa pessoa, talvez ninguém precisasse de mim. — coloca voz em suas preocupações.

A luz da lua presente na janela do corredor os ilumina enquanto parados na frente de um quarto duas pessoas quebradas falam como se sentem.

— Eu precisei. Eu preciso. Meus pais se amam, são completamente apaixonados um pelo outro, mas isso não queria dizer que se eles colocassem alguém no mundo compartilhariam esse amor da forma certa, quando eu era criança cresci no clube deles, tinha lazer, comida, festas, mas não tinha o tempo deles, porque eles o gastavam divertindo-se, nunca tive, eu decidi sozinho meus princípios, quando falei que seria um médico, que viveria uma vida que não presava por meus próprios prazeres mas sim pela felicidade dos outros eles surtaram, falaram que eu viveria para o trabalho, que não aproveitaria minha vida, que tinha que tomar de conta do clube, me cobraram algo que nunca me deram, e me excluíram da vida deles como se eu não existisse. Me afetou, sempre me afetou, em meu íntimo sempre questionei minha escolha então um dia você entrou por aquela porta e eu falei para mim mesmo que te ajudaria, e agora eu vejo você, viva, acordada, sorrindo, falando, eu precisei de você para renovar minha certeza e preciso de você para não perdê-la. — toda história de pontos fracos de Nathaniel se resumiu naquela declaração. Com lágrimas já passando pelas bochechas, Bella deu agora um passo para frente.

— Eu invadi sua vida, não pode me agradecer. — É com certeza sua posição sobre esse assunto.

— Não me importo se é Bella, Jessy, Amy, Emma ou quem for, quando lembrar-se quem você é, vou me certificar de fazer você se apaixonar por mim. — nenhum dos dois desde que isso começou falou sobre paixão, sobre a insanidade que era se apaixonar nessas circunstâncias, mas nenhum dos dois também se assustou quando Nathaniel aspirou sobre. 

Bella ensaiou uma volta para dentro do quarto, não sabia como poderia retribuir a certeza de Nahaniel, então quando girou os calcanhares pronta para entrar balançou a cabeça e voltou a observá-lo que estava parado focado nela. Um. Dois. Três. Os passos que o distanciavam dela, ela os percorreu e com uma impulsividade que Nathaniel não reconhecia colou os lábios nos dele. No começou foi só um selinho, mas com  consciência sobre aquele beijo Nathaniel tomou o rosto dela com ambas as mãos e ultrapassou a barreira do que esperavam dele sobre ela. Bella entreabriu sua boca e Nathaniel percorreu toda ela com sua língua, em um gesto macio e eficaz para preencher qualquer insegurança sobre seu destino incerto. Era uma mistura de erro com o melhor acerto de todos. Ele sentia falta daquele contato, só notou que sentia falta de beijar alguém naquele instante, depois de anos sem fazer aquilo soava necessário continuar, e Bella bem, ela gostou de alguém a aquecer e aplacar o frio que seu corpo foi habituado a sentir por anos.

O cenário daquele beijo foi a luz da lua. Duas pessoas de pijama e um ato sem segundas intenções.

 

 

 

 



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