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História Choisi d'Aphrodite - Capítulo 41


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Capítulo 41 - Virada do Ano - Parte 2


[ Capítulo 41 - Virada do Ano - Parte 2 ]

Depois de passarem por casa para por roupas mais confortáveis, Eren, Levi e os irmãos já estavam em meio ao festival de rua onde a animação das pessoas não parecia que iria acabar tão cedo.

Assim como Farlan havia pedido, foram direto nas barracas de comida para o menino enfim comer alguns dos doces caramelizados do qual era tão fã.

Aproximaram-se da praça central, onde uma melodia alta ecoava e muitas outras pessoas dançavam cantando a letra de forma desafinada, porém divertida.

Isabel com Farlan nos braços, este que ainda segurava um saquinho de doces, se juntou às pessoas que dançavam, e logo estavam dançando entre as pessoas com grandes sorrisos no rostos.

- Eren, está tudo bem mesmo? - Levi perguntou segurando na mão do outro, este que o olhou de soslaio rapidamente.

- Por que não estaria?

- Porque estás a agir de forma estranha, desde cedo na verdade. Aconteceu alguma coisa? Eu fiz alguma coisa?

- Não, é que… Eu também não sei. - respondeu baixinho e soltou um risinho amargurado. - Não sei porque estou assim, é tão complicado.

- Podes falar comigo o que precisar, tudo bem? - Levi segurou no seu queixo e juntou os lábios devagar e de forma suave, Eren prendeu os dedos na camisa dele.

Sentia-se desesperado e assustado a medida em que aquela sensação tão ruim ficava cada vez maior em seu peito.

- Queres voltar para casa?

- Não. - exclamou com pressa. - Não vamos voltar para casa, a Isa e o Farlan estão bem animados.

- A Hanji deve estar por cá, podemos procurar ela e deixamos os meus irmãos com ela.

- Não, está tudo bem, eu quero ficar por cá, é a primeira vez que venho para o festival de rua do ano novo. Sempre tinha que passar em família, quero aproveitar um pouco mais aqui.

- Certo, mas se estiveres ainda a não se sentir bem, podemos voltar, não há problema. - Eren assentiu e voltou os olhos a Isabel que olhava para o casal de namorados com um sorriso, Farlan chamou o nome dos dois e logo Levi estava puxando Eren para perto dos dois que dançavam.

O pequeno pulou para os braços do irmão mais velho, rindo alto enquanto Levi começava a se mover no ritmo da música que tocava.

Isabel agarrou-se em Eren, passando as mãos pelos ombros do adolescente e o puxando para dançar também.

- Isa, eu sou um desastre dançando. - Eren comentou deixando-se ser guiado pela ruiva.

- Eu que o diga. - Levi respondeu aproximando-se dos dois, Farlan riu com o comentário. - Acho que até hoje os meus dedos dos pés estão doendo.

- Não vi a graça. - Eren resmungou vendo os três irmãos rindo.

O clima entre eles manteve-se bem animado enquanto a música ainda era tocada, em algum momento Hanji acabou por aparecer junto a Moblit que não estava a fazer turno naquela noite.

- O capitão Erwin disse que poderia ficar no meu lugar sem problemas, então cá estou. - o policial comentou sorrindo, via-se que tinha bebido um pouco diante as bochechas levemente vermelhas e os olhos derrotados, nada como Hanji que sorria a ponto de dar câimbras no rosto e se abraçava ao namorado se movimentando de um lado a outro, mais ou menos ao ritmo da música.

- Lee, eu tô com sede. - em meio a um intervalo, Farlan cutucou as bochechas do irmão para avisar que gostava de beber algo.

- Posso ir lá comprar. - Eren avisou e Isabel deixou que se soltasse.

- Vou contigo.

- Não, não precisa. É coisa rápida, vou e volto logo.

- Eu vou, eu vou. - Farlan exclamou e Eren aceitou que o menino fosse para o seu braço.

- Voltamos logo.

- Por que é que pareces tão preocupadinho? - Hanji perguntou embolando algumas palavras, Moblit que também começou a escutar a conversa abanou a cabeça num movimento que concordava com Hanji.

- O maninho acha que o Eren está estranho.

- Não é nada, é só uma impressão. - resmungou mudando de assunto logo depois, para que Hanji não insistisse.

Enquanto isso, Eren seguia junto com Farlan entre as barraquinhas procurando algo para que o garoto pudesse beber.

Compraram duas garrafas de água, uma delas o pequeno bebeu a metade e a outra ficou a segurar na mão de sobra. Os dois pararam em uma barraquinha de crepes, o cheiro dos mais variados recheios deixou Farlan e Eren com vontade de comer e por isso entraram na fila, na vez dos dois pediram vários sabores e por isso ficaram com as mãos cheias de saquinhos de papel cheio de crepes dos mais variados sabores.

- O seu troco… - o homem da barraca olhou para as mãos cheias de Eren e Farlan, o dinheiro estendido na direção dos dois garotos que não tinha como pegar o troco.

- Deixa-me deixar estas coisas com um pessoal que estamos e logo volto para pegar o troco, tudo bem?

- Claro, vou deixar separado. - o homem sorriu, deixando que Eren e Farlan seguissem caminho.

Os dois voltaram caminho até onde Levi e os outros se encontravam, os dois sempre provando um pouco dos crepes em mãos.

- Ora, o que é isso? - Hanji aproximou-se dos dois recém chegados olhando para os crepes com bastante curiosidade.

Eren entregou Farlan a Isabel e cada um pegou os crepes da mão de Eren, este que avisou que voltaria a barraca de antes para buscar o troco, Farlan e mesmo Levi se ofereceram para ir junto, mas o acastanhado apenas negou dizendo que em questão de poucos minutos estaria de volta.

Com passos largos, Eren voltou a pequena barraca de crepes onde pegou o troco de volta, já estava seguindo em direção ao lado da praça onde os outros estavam à sua espera quando sentiu uma mão em seu ombro que lhe puxou ligeiramente.

Sem usar o uniforme da polícia, mas ainda assim mantendo uma postura formal, Eren reconheceu a mulher loira que já teria visto vez ou outra na polícia militar.

- Posso ajudar? - Eren perguntou, sentindo mais uma vez aquela sensação de desespero.

- Eren Jaeger. - Traute exclamou se aproximando do adolescente para murmurar: - Preciso que venha comigo agora para testemunhar sobre Levi Ackerman.

- Como? - Eren balbuciou, as mãos começaram a tremer.

- Levi Ackerman vai ser investigado por ajudar na fuga da rebelde Annie Leonhart e você é testemunha pois estava com ele.

- Eu.. Eu não sei do que está falando. - a mulher sorriu, maldosa.

- Vi como o Levi correu em direção à um de nosso policiais, roubou a arma e atirou causando confusão entre os civis, além do mais um dos nossos outros companheiros viram como entregou a arma a outra pessoa, esta que aparentemente foi quem libertou a rebelde de fato, em todo o tempo você estava com ele.

Eren sentiu o seu chão sumir por um momento, a sua cabeça girou rápido demais e por isso deu um passo atrás.

- Preciso que venha comigo agora, sei que é uma festa mas o teu depoimento é muito importante para o caso.

Traute não mentia quando dizia que tinha visto toda a cena se desenrolar, mas os companheiros ao qual falava não eram os da polícia militar, mas sim os capangas de Kenny que estavam a observar a confusão naquele dia, a polícia ainda estava em busca dos suspeitos sobre a libertação da rebelde.

- Vou retornar ao posto policial que está aqui próximo para começar o meu turno, se estás aqui provavelmente o suspeito também, vou pedir uma partilha atrás dele.

- Espere. - Eren segurou na mão dela, a mulher sentiu como o adolescente tremia. - Estás a confundir o Levi e mesmo eu, assim que a confusão começou eu passei mal e saímos de lá antes mesmo dos tiros serem ouvidos. Posso fazer um depoimento sobre a situação, agora mesmo se quiseres.

- Me acompanhe então, aqui não é o lugar certo para este tipo de conversa.

Eren assentiu, e mesmo com todo aquele instinto que dizia para não seguir aquela mulher loira, Eren o fez temendo pelo o que poderia acontecer a Levi e pensando na nova versão do que contaria sobre o dia da execução.

Não fazia ideia que havia um posto policial montado por ali, começava a se afastar mais do ponto onde pretendia estar e isso o deixava preocupado, tinha avisado a Levi que não levaria muito tempo, mas lá estava ele tomando mais tempo do que realmente pretendia.

Traute andava bem ao seu lado direito, vez ou outra olhava de soslaio para o adolescente que perdia-se nos próprios pensamentos o que era uma ótima oportunidade para ela. Estava quase chegando perto da rua que desejava, ali era menos movimentado e os acessos para as ruas de Stohess era bem mais fáceis por ali.

Em certo ponto, já com as ideias montadas em mente, Eren começou por achar estranho a falta de um posto policial e por isso assim que ia questionar, sentiu como a mulher lhe empurrou para o lado com força, lhe jogando numa entrada entre duas lojas.

Eren cambaleou dois passos, surpreso pelo empurrão inesperado, abriu os lábios para questionar o motivo daquilo mas sentiu alguém atrás de si, teve a chance apenas de olhar de soslaio rapidamente antes de ver uma figura a segurar um grande pedaço de ferro e atirar-lhe contra a cabeça.

A vista de Eren girou e ele sentiu as pernas cederem por conta da tontura que lhe atingiu, o ouvido zunia cada vez mais alto enquanto a visão lhe abandonava.

Em meios aos pontos negros que tomavam conta de sua visão, Eren sentiu os braços a serem amarrados e foi suspenso ao ar, jogado nos ombros daquele que havia lhe dado um pancada na cabeça.

A última coisa que Eren viu foi o rosto da mulher que havia lhe levado até ali.

[ … ]

- Ele está demorando, vou procurar ele. - Levi anunciou.

- Ele não saiu faz muito tempo, Levi. - Hanji comentou embolado, a jornalista já estava tão bêbada que até mesmo noção dos minutos já havia perdido. - Ele acabou de sair.

- Não, quatro olhos. - Levi revirou os olhos, começando a ficar mais irritado do que impaciente. - Já faz vinte minutos, não vou esperar mais.

- Maninho. - Isabel segurou no braço do irmão. - Ele deve ter encontrado algum conhecido…

- Isabel, não vou esperar mais cinco minutos. - murmurou irritado. - Ele não estava se sentindo bem, se alguma coisa aconteceu com ele eu vou ficar maluco, ainda mais do que já estou aqui parado.

A ruiva soltou o braço do irmão e deixou que este se enfiasse em meio às pessoas em busca do namorado.

Levi estava ansioso, os olhos corriam depressa por todos os lados em busca da figura de Eren, ao chegar em meio às barracas procurou pela de crepe e a avistou um pouco mais afastada de onde estava, deu passos rápidos até ali e tocou no ombro do homem que aparentemente cuidava do caixa.

- Com licença, pode me dar uma informação? - ao ver o homem assentir, Levi continuou: - Acho que faz cerca de 20 a 30 minutos, o meu namorado veio buscar um troco. Ele tem cabelos castanho, olhos verdes, é alto… Lembra de ter visto ele?

- Ah sim, o menino que comprou muita coisa com uma criança de cabelos loiros.

- Isso, por acaso viu para onde ele foi depois daqui?

- Ele estava conversando com uma mulher loira bem ali. - o homem apontou e Levi levou os olhos ao local, não vendo rastros de Eren ou mesmo de uma mulher loira. - Quando olhei de volta os dois já haviam sumido.

- Ah tudo bem, obrigado. - Levi murmurou.

Pela primeira vez na vida, queria que a sua asa lhe mandasse alguma sensação, fosse qualquer uma, mas que pelo menos desse alguma ideia sobre Eren, mas ali parado em meio a um monte de pessoas, Levi se via cada vez mais perdido com apenas um pressentimento ruim na cabeça.

O Ackerman continuou a procurar, rodando por todo o festival e mesmo por outras ruas onde a festa não acontecia mas ainda assim não tinha nenhum sinal de vida de Eren. Perguntou a diversas pessoas sobre o adolescente, não recebendo nenhuma informação boa.

- Droga, Eren. - murmurou ansioso e resolveu voltar para onde os irmãos estavam, numa expectativa grande de encontrar Eren com Isabel e Farlan, explicando o motivo para a demora.

Mas quando voltou ao ponto onde estava, não viu Eren entre os irmãos e amigos, apenas Hanji e Moblit a dançar juntos e Isabel com um Farlan adormecido nos braços.

O jornalista olhou de um lado a outro, sentindo a garganta fechar-se. Aproximou-se da irmã que sorriu e olhou para os seus lados em busca de Eren.

- Não… Não achaste o Eren? - o sorriso sumiu ao receber a resposta negativa, Isabel olhou para os lados do mesmo modo desesperado que Levi estava fazendo minutos atrás.

- Ele não apareceu aqui, não é?

- Achei que a esta altura o tinhas encontrado, mas… Vou ajudar a procurar. - ela virou-se para Hanji, e separou a dança romântica da Zoe e seu namorado. - O Eren sumiu, Hanji… Sumiu.

A jornalista levou seu tempo a entender, o álcool ainda fazendo efeito em sua mente, ao contrário dela Moblit pareceu entender a situação rapidamente.

- Será que… - balbuciou e olhou ao redor.

- Será que o que? - Hanji perguntou e Levi estava prestes a socar a amiga.

- Nessas festas pessoas sempre somem, é a mesma questão dos adolescente que tinham sido levados para bordéis em Stohess.

De todas as possibilidades, Levi não queria pensar naquela, não queria sequer imaginar que Eren podia ter sido sequestrado para parar em lugares tão podres como os bordéis de Stohess.

- Vou procurá-lo novamente, ele deve estar por aqui, deve ter se sentido mal e então foi para algum posto médico. - Levi deu as costas e saiu a procurar novamente, desta vez não sozinho, pois Isabel e Moblit também passaram a procurar o adolescente.

Levi procurou em todos os postos médicos distribuídos pelo festival, mas em nenhum deles Eren estava ou mesmo tinha sido visto a passar por ali.

Procurou pelas barracas novamente e perguntou a mais algum grupo de pessoas, mas aparentemente ninguém tinha visto Eren em canto algum, aumentando o desespero do Ackerman.

Quando se encontrou novamente com a irmã e os dois amigos, Hanji já estava meio sóbria por notar a seriedade da situação, o dia já estava amanhecendo e não tinham notícia de Eren.

- Talvez ele foi para casa?

- Sem avisar? Impossível. - Levi murmurou sentindo-se angustiado.

[ … ]

Eren acordou minutos depois da pancada, estava sentado no chão com os pulsos presos e as pernas bambas, sentia a boca coberta que abafou o murmúrio de dor pela cabeça que parecia prestes a explodir.

O ouvido ainda zunia, mas ainda assim voltou ao normal primeiro que a sua vista embaçada.

A primeira coisa que Eren escutou foi um choro baixo e murmúrios desesperados, pedidos de ajuda que aparentemente não alcançaram nada além da madrugada escura e fria. Quando teve a visão de volta, Eren viu mais três adolescentes, todos amarrados juntos enquanto choravam e se debatiam contra as cordas que lhes prendiam em um barra de ferro, assim como a que estava preso.

- Eu já mandei você calar a boca, merda. - um homem chutou perto ao rosto da menina que chorava mais alto que os outros, a garota tremeu e se encolheu fechando os olhos que derramavam lágrimas abundantes.

- Andem logo com isto, não temos a vida toda, seus idiotas. - Traute anunciou e Eren viu a mulher a apontar para um galpão escuro. - Temos entregas a fazer ainda hoje.

Eren se encolheu, sentindo tudo doer e os olhos marejaram, aquilo só podia ser um pesadelo, não era?

- Não te preocupas, olhos esmeraldas. - Eren olhou para o lado oposto de onde Traute gritava ordens aos homens, com uma capa escura e um cigarro na mão, um homem de rugas profundas e chapéu olhava para Eren. - Teu destino é muito pior que só ir para alguns bordéis de Djel Sannes.

Eren notou com choque a semelhança dos olhos de Levi e aquele homem, mesmo alguns traços pareciam ao olhar de mais perto, além do mais, lembrava-se bem do rosto daquele homem da vez em que quase fora levado por ele no dia de chuva em que saiu em busca do namorado de forma tão desesperada.

- Não te preocupas que aposto que o meu sobrinho vai até o inferno atrás de tu quando descobrir quem é o teu dono. - o homem sorriu se acocorando próximo a Eren. - Prazer em conhecer-te, Eren Jaeger, sou o tio do teu namorado, Kenny Ackerman.

O adolescente sentiu-se enjoado, o que aquele homem queria dizer com "dono", "destino muito pior"? 

- Kenny, tudo já está pronto. Podes já levar o Eren Jaeger ao Lorran, devem chegar em Maria por volta da tarde.

- Ótimo. Vamos indo, Eren. - Kenny soltou as amarras que prendiam o adolescente na barra de ferro e o puxou com força para que se levantasse e fosse até o carro que o esperava.

Eren olhou assustado para os dois, as primeiras lágrimas escorrendo pelas suas bochechas. Maria? O estavam levando a Maria?

Eren recusou-se a ser puxado, fazendo força e debatendo-se contra Kenny que tinha um aperto forte em seu braço.

- Tch, não me dês trabalho, pirralho. Tens sorte de que sou eu a levar-te a Maria. - Kenny revirou os olhos e puxou Eren com mais força.

Eren recusou-se mais alguma vezes, sempre puxando o braço de volta buscando uma saída que infelizmente, não existia.

Kenny logo perdeu a paciência e por isso remexeu numa das tiras de couro presas as suas pernas, de lá puxou um pequena adaga, a ponta afiada parou no pescoço de Eren que prendeu a respiração.

- Ou vais agora de bem sem agir feito um pirralho irritante, ou então vais a sangrar quieto o caminho todo. - o homem sibilou baixo e Eren parou de resistir, aceitando que não tinha para onde correr daquela enrascada ao qual havia se metido.

Kenny empurrou-lhe para dentro do veículo preto, amarrando-o no banco de trás de forma deitada, o homem jogou para cima de si um tecido negro que lhe cobriu.

- Ficas calado o caminho todo, ouviste? - Kenny não esperou uma resposta mas acabou por escutar o primeiro fungado do garoto que agora que tinha o rosto coberto deixava as lágrimas caírem ainda mais livres.

O Ackerman suspirou silenciosamente, mais uma vez aquela sensação de que estava fazendo as coisas erradas, se Kuchel estivesse viva, imaginava a mulher protegendo o namorado do filho e brigando com Kenny como se o garoto fosse o seu próprio filho, era assim que a irmã agia, Kuchel fez tudo por Levi enquanto ainda era viva, e se ainda estivesse entre eles, Kenny estaria encrencado com ela.

Seguiu caminho dirigindo em meio a madrugada, já imaginava o desespero que causaria na família daquele que estava no banco de trás, tentando engolir o choro que praticamente lhe sufocava.

Eren não conseguia pensar em nada, a mente estava em branco e seu corpo ardia por conta da marca da asa em suas costas. A marca de Afrodite lhe doía tanto que estava começando a ter espasmos de dor, o peito parecia bater forte e lentamente, a respiração já estava errática desde que fora jogado para dentro do carro e a vontade de vomitar era presente por conta do seu estômago embrulhado.

A cabeça parecia levar um nova pontada a cada vez que mais uma lágrima descia, mas ainda assim Eren não conseguia parar de chorar em desespero, a mente no pai e em Levi, devia ter aceitado a companhia dele para buscar o troco ou devia ter aceitado mesmo voltar para casa quando este ofereceu, se o tivesse feito, agora estaria com Levi, com a sensação de desespero acabada.

- Levi… - chamou baixinho, num tom de súplica, na expectativa de que o mesmo fosse escutar aquele murmúrio que pedia desesperadamente por ajuda.

A marca de Afrodite queimou, lembrando-o que Levi não poderia escutar aquele murmúrio e muito menos sentir a enrascada em que ele estava, a asa negra não o permitia a isso.

Eren se encolheu, sentindo suas amarras arranharem a sua pele a medida em que se encolhia de dor.

Tudo o que podia fazer no momento era chorar e pensar que Levi já teria dado a sua falta e já o estivesse a procurar.

[ … ]

Isabel arrumou Farlan nos braços, o pequeno ainda dormia pesadamente e a ruiva o abraçou ligeiramente buscando algum conforto enquanto ao lado de Hanji e Moblit, esperava pela volta do irmão mais velho que ainda estava pelas ruas em busca de Eren.

Hanji ao seu lado murmurava algumas coisas inaudíveis, tinha vomitado bastante e a ressaca agora fazia parte de um dos seus problemas, Moblit passava os dedos pelo cabelo dela numa forma de ajudar a mulher a se recompor.

Levi voltou longos minutos depois, os passos apressados em direção a Isabel em busca de qualquer notícia positiva, mas ao logo ver o rosto desolado de Isabel a Moblit, apenas suspirou alto em frustração.

- Que droga. - resmungou passando as mãos pelo cabelo, puxou alguns fios negros e fechou os olhos sem ideia do que fazer.

- Acho melhor irmos na polícia. - Moblit falou. - Vamos fazer uma ocorrência, mas não agora, acho que é melhor para todo mundo descansar, não vai adiantar muita coisa sair atrás do Eren desse jeito.

- Acho que é uma boa ideia, já é alguma coisa. - Isabel murmurou. - Ainda temos que… Ainda temos que avisar ao doutor Grisha sobre isso, não podemos deixar que ele fique sem saber do que está acontecendo.

- O meu turno começa daqui a poucas horas, posso ir adiantando o processo.

Levi meio a contragosto acabou por aceitar ir para casa, precisava de pelo menos comer algo para poder aguentar o resto do dia, além do mais, Isabel parecia bastante cansada e por isso ficar a buscar Eren pelas ruas forçando os outros a ficarem ali não iria servir de nada.

- Deixa-me carregar ele. Já ficaste com ele assim a madrugada toda. - Levi pegou o irmão mais novo e o aconchegou em seus braços deixando Isabel um pouco livre.

Voltaram para casa num clima pesado depois de se despedirem de Hanji e Moblit, a cabeça do Ackerman parecia prestes a explodir e teve de refrear a vontade de meter-se nas ruas do distrito de Stohess.

Assim que passaram pelas grades da casa dos Jaeger, Levi sentia os pés pesados, Isabel ao seu lado murmurava que talvez Eren estivesse em casa numa expectativa grande de que tudo aquilo era apenas um susto.

Assim que Dorothea abriu a porta, o olhar da mulher percorreu os dois recém chegados com um sorriso gentil que morreu aos poucos ao ver o olhar perdido dos dois.

- Onde é que está o Eren? - a mulher perguntou olhando ao redor dos dois ou mesmo para o portão lá na entrada da casa, o fungado de Isabel trouxe os olhos da empregada de volta aos dois.

Assustada a governanta assistiu Isabel a derramar-se em lágrimas e em soluços altos.

- Dorothea, o Grisha já está em casa? - a mulher assentiu. - Será que podes chamá-lo? Temos uma má notícia.


Notas Finais


Perdoem-me qualquer erro, revisei mas posso ter deixado algo passar batido.
Até o próximo capítulo!!


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