História Chosen - Capítulo 11


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Categorias Big Hero 6 (Operação Big Hero)
Personagens Baymax, Fred, Go Go Tomago, Hiro Hamada, Honey Lemon, Personagens Originais, Professor Robert Callaghan, Tadashi Hamada, Wasabi
Tags Big Hero 6, Drama, Hiro, Tadashi
Visualizações 41
Palavras 4.564
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu sei... Demorei um pouco, me desculpem...

Capítulo 11 - Talvez o problema seje o destino


O cheiro de éter era bem fraco e suave em comparação aos outros lugares daquele hospital.

 Tadashi fechou os olhos e escutou atentamente o som do monitor cardíaco; cada bip emitido pela máquina parecia estar trazendo mensagens reconfortantes de que seu irmão ainda estava vivo.


 Contudo, o fato de Hiro estar inconsciente à mais de uma semana por sua culpa o matava por dentro. Ele quase perde novamente a pessoa mais importante da sua vida por um erro que cometeu.

Eu deveria ter matado Callaghan... Ele apoia os cotovelos sobre a cama e segura o rosto com as mãos. Raiva. Ódio. Arrependimento. Medo. Essas emoções estavam se debatendo dentro dele, gritando por uma atenção merecida. Se eu tivesse matado aquele desgraçado, você estaria bem nesse momento. Não vê? Esse mundo quer tirar você de mim a qualquer custo... Eu não tenho escolhas...

 Tadashi respira fundo e levanta a cabeça, fitando o rosto de seu irmão adormecido.

“Não acha que já está na hora de acordar, meu pequeno?”

 Tadashi acaricia a bochecha do menor com todo o cuidado; com medo de que o mesmo quebrasse com um simples toque.

 A aparência de Hiro parecia estar melhorando a cada dia. Havia mais cor em sua pele. Mais vida. Se não fosse pelos fios da máquina, as faixas em volta da cabeça e alguns curativos pelo corpo, Hiro parecia estar apenas dormindo depois de um longo dia cansativo.

Ah, meu pequeno... O Hamada desvia sua atenção para as belas flores Tulipa de plástico.  O vermelho das flores se destacava no quarto branco. Aquilo era um enigma na qual Tadashi não conseguiu solucionar. Alguém havia colocado aquilo durante a sua ausência, mas quem teria feito isso e por que?

“Sabe… Acho que você tem uma admiradora secreta e isso é um grande problema. Tenho que descobrir quem é essa vadia...” Tadashi volta sua atenção para Hiro. “Você só precisa de mim, entende?”

 Voltando a acariciar as bochechas de seu irmão, Tadashi se perde em seus pensamentos. O arrependimento joga lembranças de como o maior tratou Hiro deis que o conheceu.

 Ele não se importou em conhecer o jovem como deveria. Ele apenas se importou em destruir a personalidade do menor.

 O destino havia lhe dado uma segunda chance de ter Hiro novamente em sua miserável vida.

 Aquela chance deu a oportunidade para ele seguir em frente; ter um novo irmão e uma nova vida. Contudo, o pensamento de tentar criar uma cópia fiel do seu irmão corrigindo os erros do jovem viajante parecia o correto a se fazer.

“Quero te conhecer melhor, meu pequeno. Saber sobre seus gostos, de sua história, de sua vida…” continuou o Hamada, abrindo um sorriso fraco com a súbita idéia que teve. “Podemos fugir de San Fransokyo assim que você acordar. Iremos começar a vida do zero em outro lugar, sem nenhum passado ou futuro previsível para nos atrapalhar.”

 O som da porta sendo aberta fez Tadashi se afastar um pouco de Hiro. Ele fecha a expressão quando vê uma enfermeira entrar com uma bandeja de remédios.

Essa é a vadia que colocou as flores?

“Você deve ser o tão falado Tadashi Hamada. Sou Rachel, a enfermeira responsável pelo seu primo.” apresentou a enfermeira com um grande sorriso.

“Foi você que trouxe as flores?” Tadashi não escondeu sua a raiva quando perguntou, olhando de cima a baixo para a mulher.

 Rachel era uma mulher média com cabelos curtos e loiros. Próximo dos trinta anos, a enfermeira não parecia se importar de usar maquiagem para parecer bonita. Seus olhos castanhos claros fitou Tadashi por um breve momento.

“Oh céus. Você está péssimo! A quando tempo você não dorme?” Rachel coloca a bandeja sobre a mesa. “Gostaria que eu trouxesse algum chá ou calmante?”

“Responda a minha pergunta. Foi você que trouxe essas flores?”

“Não. Nenhuma enfermeira tem permissão de dar presentes aos seus pacientes.” Rachel olha para as flores de plástico. “Talvez alguma visita deixou essas flores.”

“Hiro não pode receber nenhuma visita além de familiares. Eu sou a única família que ele tem.” Tadashi franzi o cenho. Todos já deveriam saber disso.

“Mas-” Rachel se cala rapidamente. Ela solta uma risada nervosa e volta sua atenção para os remédios. “Acabei de me lembrar que o Dr.Clark está te chamando em seu consultório.”

Hum... Tadashi cruza os braços inconscientemente. Algo lhe dizia que aquela mulher sabia de algo que ele deveria saber.

“Anda. O Dr.Clark não gosta de ficar esperando.”

“Se alguma coisa acontecer com Hiro me avise imediatamente.” Tadashi se levanta. “Entendeu?”

 A enfermeira abre um sorriso forçado em resposta.

Ótimo. Tadashi segura a súbita vontade de espancar a mulher e sai do quarto. Se essa prostituta não cuidar direito do meu irmão ela vai se arrepender.

 Ele não precisou andar muito para chegar ao consultório do médico. Como de costume a porta estava fechada e não havia tempo a perder com formalidades.

“Algum problema com o Hiro?” perguntou Tadashi ao abrir a porta.

“Sua mãe nunca te ensino que teve bater na porta antes de entrar?” o médico desvia sua atenção dos papéis sobre sua mesa e encara o Hamada com cara de poucos amigos. “Entre e feche a porta.”

 Tadashi fecha a porta sem cuidado e encara o médico com raiva.

 Não era a primeira vez que ele ficava de frente a frente com o tão famoso Nicolas Clark, um médico jovem que conseguia identificar o problema do paciente enquanto ninguém mais conseguia. Sua capacidade de solucionar as doenças antes que elas atingisse pontos críticos o transformou no melhor médico de San Fransokyo.

 Nicolas cuidou de Cassandra depois do incêndio misterioso da Lucky Cat Café que até então nenhum policial conseguiu dizer se foi um acidente ou um crime. O médico fez de tudo para manter a mulher viva, mas não viu outra saída a não ser deixar a mulher em coma induzido. Ele havia dito que Cassandra só iria viver por algumas semanas.

 Contudo, a mulher ficou viva por mais do que Tadashi pretendia. Para não perder seu tempo fazendo visitas, transferiu ela para um hospital de Nova Iorque.

“Algum problema com o Hiro?” repete Tadashi.

“Nenhum. O estado do meu paciente continua o mesmo.” Nicolas ajeita o óculos e deixa sua expressão neutra. “Mas não o chamei para falarmos de seu primo. Te chamei pois esse assunto envolve sua tia.”

“Cassandra?” Tadashi pisca, surpreso. Teria a vadia finalmente morrido? Finalmente uma boa notícia.

“Recebi a pouco um telefonema de Charles,  o médico responsável por sua tia.”

“E?”

“E ele quer que você vá para Rochester imediatamente.”  o médico se levanta.

“O quê? Eu não vou para Nova Iorque.”

“Mesmo que essa seja a última chance que você pode ver sua tia?”

“Para mim, aquela vadia já morreu a muito tempo.” Tadashi cospe as palavras com raiva. “Eu só vou sair desse hospital quando Hiro poder sair também.”

“Certo.” Nicolas não pareceu abalado com a declaração. Ele abre uma gaveta e tira uma pasta. “Aqui estão os dados de sua tia e as passagens aéreas para Nova Iorque. Seu vôo sai ao meio dia.”

“Isso é algum tipo de piada?”

“Eu pareço estar brincando?”

“Você não ouviu o que acabei de dizer?” Tadashi ficou incrédulo. “Eu não vou! Liga para o médico e mande desligar logo os aparelhos, porra!”

“Sr. Hamada, se você não for ver sua tia serei obrigado a tomar medidas drásticas.” o médico ajeita os óculos. “Será suspenso seu direito de ser acompanhante do jovem Takachiho e de ver o mesmo enquanto ele estiver nesse hospital.”

“O quê?!”

“Também irei encaminhar o senhor para um hospital psiquiátrico mais próximo. Talvez eles consigam cuidar de seus transtornos mentais que anda tendo.”

“Eu não tenho nenhum problema!”

“E acha mesmo que vão acreditar em você?” Nicolas estende a pasta para o jovem. “Você tem dez segundos para escolher.”

“AH, MAS QUE PORRA!” Tadashi tira a pasta da mão do médico e saí do consultório com passos longos e duros.

Se esse filho da puta pensa que eu não vou fazer nada em relação a isso ele está muito enganado! Tadashi segue até o elevador xingando mentalmente o médico de tudo e qualquer nome que viesse em mente. Sua raiva o cegou dos eventos alheios ao seu redor. Ele ficou mais puto da vida quando alguém esbarrou nele com força.

“OLHA POR ONDE ANDA!” Tadashi olha para o ser que teve a audácia de esbarrar e ainda por cima não pedir desculpas por tal ato. “DESGRAÇADO.”

 Apesar de tantos olhares caírem no jovem depois do súbito grito, o indivíduo continuou a andar com calma. Pelas roupas escuras e cabelos negros, Tadashi deduziu que se tratava de gótico qualquer que estava pouco se fudendo pro perigo.

 O Hamada bufa e ignorando os olhares, continua o seu caminho até o elevador.

 Ele não podia perder mais tempo. Quanto mais rápido for para Nova Iorque e dar um fim logo naquela vadia que um dia chamou de tia, mais rápido seria o seu retorno para ficar junto com seu pequeno.

- ☆ -

 Quatro batidas suaves na porta fez Nicolas tira os olhos das informação interessante que consegui juntar ao longo do tempo.

 O médico por um breve momento olha para a porta antes de voltar sua atenção nos papéis.

“Entre.” Ordena o médico, ouvindo a porta sendo aberta logo em seguida.

“Pelo humor que Tadashi estava antes de pegar o elevador, diria que ele não aceitou o pedido de bom grato.”

 Ao ouvir a voz, Nicolas larga os papéis e encara o rapaz em sua frente.

 Os cabelos negros do rapaz com traços asiáticos estavam úmidos, assim como as roupas que usava.

“Mesmo sendo primos distantes, tanto você como o seu irmão são quase cópias fiéis aos irmãos Hamada.” a expressão do médico suaviza. “Sente por favor. Aconteceu algo para estar desse jeito?”

“Garoa.” O rapaz tira a jaqueta preta levemente molhada e senta em uma das cadeiras. “Daqui algumas horas vai se transformar em uma forte tempestade.”

“Tempestade? Não me lembro de algum meteorologista falar que teria uma tempestade hoje.”

“O ser humano não consegue prever tudo. Sempre vai haver algum evento inesperado.” o rapaz ajeita os cabelos. “Tadashi deu muito problema?”

“Um pouco, mas nada do que eu pudesse lidar.”

“Obrigado.”

“Não me agradeça, era o mínimo que eu poderia fazer pra pessoa que salvou minha irmã.” Nicolas abre um sorriso preguiçoso no rosto. “Ela gostaria que você fosse almoçar conosco qualquer dia desses.”

“Agradeço o convite.” o rapaz olhar para os papéis na mesa. “Vejo que andou pesquisando sobre a vida de Tadashi.”

“Tomei a liberdade de saber mais sobre seu primo. Seu comportamento me intriga.”

“E o quê descobriu?”

“Coisas bastantes relevantes.” o médico entrega os papéis para o rapaz. “Uma enfermeira cometeu suicídio colocando fogo no berçário na qual ele e o irmão estavam. Apenas Tadashi e alguma crianças sobreviveram.”

“É mesmo uma maldição…” o rapaz murmurou, começando a ler os papéis. “O fogo esteve de algum modo envolvido nas mortes da família Hamada.”

“E se perder o irmão gêmeo já não bastasse, teve uma infância bem conturbada até o nascimento de Hiro.” continuou o médico. “Sofreu maus tratos da babá e da única tia alcoólatra, Cassandra.”

“Cass era mesma alcoólatra?”

“Infelizmente sim.”O médico suspirou. “Ela tentou ser uma pessoa melhor depois do incêndio que matou os pais de Tadashi. Mas isso não foi o suficiente para conseguir o perdão do jovem. Ele ainda a odeia por tudo que fez.”

“E a psicóloga constatou comportamento estranho nos primeiros dias em que foi morar com a tia… Como se ele fosse uma outra pessoa.” comentou o rapaz enquanto terminava de ler os papéis “Um exemplo de pessoa e… Um perfeito irmão?”

“Infelizmente, há grandes chances de que Tadashi tenha desenvolvido uma segunda personalidade para conviver com a tia e agradar o irmão.” o médico passa a mão pelos cabelos, frustrado. “E após a morte do irmão, ambas de sua personalidade entraram em colapso. Isso transformou ele no que é hoje.”

“Um demônio.” o rapaz olha para o médico. “Também tenho uma teoria em relação à Tadashi.”

“E qual seria?”

“Quem está vivo é na verdade Takeshi e não Tadashi. Pense bem. Ambos eram gêmeos. Como ter certeza de quem morreu e quem sobreviveu?”

“Bom argumento.” o médico franziu o cenho “E também a mãe pode ter sentido qual dos seus filhos tenha morrido e nomeou o outro com o nome do morto. É muito comum isso acontecer; nomear as crianças com nomes que lembra e homenageia aqueles que já participaram.”

“E mesmo sendo iguais, nada comprova que ambos tomariam as mesma decisões diante dos mesmo problemas.”

“Acho melhor trocarmos de assunto. Por mais curioso que eu estou ficando a respeito de sua teoria, nada desse mundo tem como responder a essa pergunta: Quem é o Hamada vivo?” o médico se levanta.”Avisei a todos que a partir de agora você é o novo acompanhante de Hiro Takachiho e por falar nele, tenho boas notícias. Ele teve melhoras significativas e acredito que em breve ele vai acordar.”

“Eu sei.” afirma o rapaz, permanecendo sentado. “É por isso que estou aqui. Vou ser a primeira pessoa que Hiro verá quando acordar.”

 O médico abre um sorriso.

“Acredita que ele vai acordar hoje?”

 O rapaz abre um sorriso enigmático.

“Sim doutor. Hiro vai acordar hoje.”

“É assim que se fala meu rapaz” Nicolas abre a porta. “Gostaria de me acompanhar até o quarto do seu irmão, Sr.Takachiho?”

- ☆ -

“Informamos que durante o vôo, poderão ser utilizados laptops, jogos eletrônicos e câmeras de vídeo. Os telefones celulares deverão permanecer desligados. Dentro de instantes daremos início ao nosso serviço de bordo” a voz da aeromoça fez Tadashi revirar os olhos.

 Ele não precisava ser lembrado que havia esquecido seu celular no quarto do Hiro. Agora não tinha meios de saber qualquer novidade a respeito do menor.

Hoje definitivamente parece ser o dia que o universo quer me fuder da melhor forma possível. Tadashi olha com raiva a janela ao seu lado, mordendo levemente os lábios em desgosto. Não havia nada a não ser os tons de cinza das nuvens para se ver. Mesmo assim, ele não desviou os olhos. Vou ficar preso nesse maldito avião por mais de cinco horas e não tem nada para eu descontar a raiva.

 Havia uma série passando na pequena tela em sua frente, mas nada que pudesse prender sua atenção. Tadashi não queria perder seu tempo assistindo algo onde alguns anjos são piores que os próprios demônios.

 Com o olhar fixo na paisagem monocromática, a mente do jovem permite o mesmo de se perder em suas antigas lembranças. Por um momento, tudo em volta de Tadashi desapareceu e de súbito, um céu azul sem nuvens se estendeu diante dele.

 A luz forte do Sol o fez fechar os olhos por um breve momento. Sons diferentes eram ouvidos e entre eles, os desagradáveis gritos das cigarras.

“Tadashi!”

 Tadashi abre os olhos ao ouvir a voz até então esquecida. Ele se lembra daquele dia. Ele tinha apenas quatro anos. Sua mãe havia ficado entediada e decidiu fazer um piquenique em um parque próximo da casa.

 Ao olhar ao redor o jovem encontra sua falecida mãe sentada sobre a grande toalha xadrez vermelha, enquanto a árvore mais próxima a cobria com uma sombra agradável.

“Tadashi!” chama novamente Maemi, agitando os braços para chamar a atenção do filho. “Vem aqui! Não deixa eu e seu irmão sozinhos com essa comida toda!”

 Tadashi continuou no lugar, observando atentamente a mãe.

 Seus cabelos ruivos estavam amarrado em um rabo de cavalo. As roupas que usava eram as suas favoritas; uma calça marrom e uma camisa larga vermelha. Os seus belos olhos verdes encarava Tadashi com carinho.

“Não estou com fome, mãe.” a resposta sai facilmente dos lábios do jovem Hamada.

 Maemi abre um fraco sorriso.

“Tudo bem.” a mulher acaricia a barriga inchada. “Hey. Não vão ser incrível? Logo seremos só nós quatro fazendo passeios aos sábados!”

“Quatro? O pai também vai participar?”

“Não, seu bobo. Vai apenas eu, você e seus irmãos.”

 Tadashi piscou, surpreso.

“Tem…. Dois aí?” ele aponta para a barriga da mãe.

“Não!” Maemi começa a rir. “Tem apenas o nosso pequeno Hiro. Espero que você e seu irmão sejam os melhores irmãos mais velho que Hiro poderia ter.”

“Mas eu não tenho outro irmão.”

“Você tem sim. Ele sempre vai estar com você, mesmo que não o veja.” 

 De súbito, tudo em sua volta se transforma. Não havia mais sol, um parque e Maemi. Tadashi agora se encontrava em um pequeno quarto.

 A luz da lua cheia iluminava fracamente o quarto,  pintando tudo com um azul fraco. Havia pouca decoração no lugar, mas o que mais chamava a atenção de Tadashi era o berço em sua frente.

Poderia ser?

 Rapidamente, Tadashi se aproxima do berço e fica nas pontas dos pés para olhar o que havia dentro. Seu coração bateu mais rápido quando viu um adorável bebê Hiro dormindo.

“Hiro?” sussurrou o jovem.

 Hiro abre os olhos lentamente e encara Tadashi.

“Hey.” Tadashi abre um sorriso. Ele tinha tanto a dizer, mas nada com que a frase que escapou de seus lábios.  “Eu sou Tadashi, seu irmão mais velho.”

 O bebê estende os pequenos braços em direção ao jovem e abre um belo sorriso.

 Aquela visão do paraíso fez algo dentro do jovem se manifestar. Suas emoções ficaram intensa e Tadashi sentiu a imensa necessidade de proteger o menor. Ele estende a mão a Hiro e segura com cuidado aquela mão pequenina,  sentindo o sorriso em seu rosto aumentar.

“Eu vou cuidar de você, Hiro.”

Isso é uma promessa.

“Senhor?”

Hum? Tadashi estranha a nova e desconhecida voz que ecoa pelo quarto. Tudo em sua volta é mergulhado na escuridão. Tadashi fecha os olhos e quando abre, percebe que estava naquele maldito avião. Eu dormi?

“Senhor?”

 Tadashi olha o lado e vê a mesma aeromoça de antes.

“Desculpe acordá-lo, mas o senhor tem que sair.” disse a mulher.

“Hum?” Tadashi olha ao redor e se espanta por ver ninguém além daquela mulher. “Eu dormi por cinco horas?” pergunta, incrédulo.

“Aparentemente sim.” a moça se afasta.

Parecia ter se passado apenas alguns minutos... Tadashi se levanta e rapidamente sai do avião.






“Você deve ser Tadashi Hamada. É um prazer finalmente conhecê-lo.” o médico de jaleco branco estende a mão. “Sou Charles, o médico responsável por sua tia.”

 Tadashi lança um olhar de ódio ao homem em sua frente.

 Esse era o cara que o obrigou a vir até aqui? Esse era o filho da puta que precisava de uns belos socos? Tadashi iria amar usar o cara como saco de pancadas.

 Ele precisava descontar sua raiva que até agora só estava acumulando. Depois de sair do aeroporto, Tadashi descobriu duas coisas sobre Nova Iorque: os taxistas de lá amam falar sem parar e era bem comum ficar preso em um engarrafamento por mais de uma hora.

“Vamos acabar logo com isso.”Tadashi olha ao redor e se assusta ao ver a horas que era exibida na televisão. Já eram 18h30. Sua passagem de retorno estava marcado para às 20h30. “Onde tenho que assinar?”

“Hã?” Charles piscou, surpreso pela súbita pergunta. “O quê disse?”

“Onde eu tenho que assinar para vocês desligarem os aparelhos?”

“Ah… Isso…” o médico olha ao redor, percebendo que muita gente na recepção estavam prestando atenção na conversa. “Aqui não é um bom lugar para termos essa conversa. Me acompanhe por favor.”

“Não temos nada para conversar. Minha única razão para estar aqui é para assinar esse papel.”

“Mas-”

“Com todo o respeito doutor, eu não deveria estar nesse maldito lugar perdendo o meu precioso tempo. Caso não saiba, uma pessoa muito importante pra mim está em San Fransokyo e precisa urgentemente de mim.” Tadashi aumenta um pouco o tom de voz. “Então poderia me dar logo a porra dos papéis que tenho que assinar antes que eu perca a pouca paciência que me resta.”

 Charles avalia Tadashi por um momento.

“Os papéis estão na minha sala. Me acompanhe.”

 Ignorando os olhares que caiam sobre si, Tadashi segue o médico com passos rápidos.

 Os corredores daquele hospital eram semelhantes do hospital de San Fransokyo, a única diferença era o piso. O elevador era grande e com um espelho no fundo.

 Charles o levou até o segundo andar. Sua sala era bem simples em comparação do Nicolas, com pouca decoração e com cores neutras. O médico pede para Tadashi se sentar, começando a revirar as gavetas logo em seguida.

“Onde eu coloquei… Ah. Aqui está você.” o médico tira uma pasta amarela e entrega o objeto ao jovem. “Preciso que você assine as três primeiras folhas e entrega elas para mim.”

 Tadashi pegou uma caneta aleatória da mesa e abre a pasta. Ele assina as folhas e entrega ao médico sem ao menos ler o que estava escrito.

“Eu só preciso das três folhas.” Charles tira as folhas da pasta. “Isso fica para você. Aqui tem informações dos exames que fizemos e-”

“Posso ir agora?”

“Hum?”

“Eu posso ir? Já assinei o que tinha que assinar.”

“Não vai ver sua tia antes que o aparelho seja desligado?” Charles pisca, surpreso pela falta de simpatia do jovem.

“Vou considerar isso como um sim.” Tadashi vai até a porta e sai com passos rápidos da sala.

 Ele ignorou os gritos do médico o chamado e os olhares das poucas enfermeiras. Ele precisava voltar para San Fransokyo.

 Ele precisava estar novamente ao lado de Hiro.

- ☆ -

 Tadashi estava tendo um péssimo começo de dia.

 Era inevitável seu desejo culpar alguém por suas desgraças e descontar a raiva nessa pessoa. Após chegar no aeroporto faltando apenas alguns minutos para seu vôo sair, o jovem recebe a notícia nada agradável de que todos os voos para San Fransokyo haviam sidos suspenso pela forte tempestade.

 Os voos só foram liberados de madrugada e pouca mais dez passageiros cansados e irritados embarcaram. Entre eles estava Tadashi que a muito tempo havia jogando o resto da sua boa educação pelos ares.

 Assim que chegou em San Fransokyo, o jovem tratou de sair rápido do aeroporto e pegou o primeiro o primeiro táxi que viu. Péssima escolha. O motorista dirigia na velocidade de uma tartaruga.

“Tem como você ir mais rápido?” Tadashi pergunta ao taxista.

“São apenas sete da manhã, me caro. Não há trânsito para se preocupar.” o motorista responde com uma você lenta. “Calma que logo estaremos no hospital.”

“Calma?” repete o jovem, batendo com força no painel do carro para chamar a atenção do homem. “Meu irmão precisa de mim seu desgraçado! Era pra eu estar lá ontem! Acelerar esse carro ou eu juro que te jogo na rua e dirijo eu mesmo!”

 O motorista encara Tadashi por um breve momento antes de voltar sua atenção para rua.

“Poderia ter falado isso mais cedo.”

 O carro começa a ganhar velocidade e de um momento pro outro, a tartaruga se transformou em uma lebre bem veloz. O motorista passou vários faróis vermelhos e em questão de segundos, o enorme edifício já podia ser visto.

“Deu 20 dólares pela corrida.” o motorista informa assim que encosta o carro na calçada.

 Tadashi entrega o dinheiro e sai do veículo com passos rápidos. Ele entra no hospital e vai correndo até uma atendente da recepção.

“Preciso do crachá.”

“Bom dia senhor.” a moça tira os olhos do monitor. “As visitas só começam às onze da manhã.”

“Eu sou acompanhante de Hiro Takachiho.”

“Mesmo?” a moça olha no monitor e começa a digitar rapidamente. “Nome?”

“Tadashi Hamada.”

 A atendente terminar de digitar e ao ler o que estava escrito na tela, olha para Tadashi.

“Desculpe senhor, mas você não é mais o acompanhante de Hiro Takachiho.”

“Como assim?!” Tadashi bate no balcão. “Eu sou o único parente vivo que ele tem!”

“O único?” a moça franziu o cenho e olhou novamente para o monitor. “Aqui diz que Hiro Takachiho está sendo acompanhado pelo irmão.”

O quê?

 Tadashi dá um passo para trás como se aquelas palavras tivessem o socado no rosto. Havia alguém nesse momento com o Hiro? E ainda se passando pelo seu irmão?

“Deixa eu ver se entendi. Tem um estranho se passando por irmão do meu primo e vocês transferiram o meu direito de ser o acompanhante para esse desgraçado?”

“Ele apresentou documentos que comprova que ele é, de fato, irmão de Hiro Takachiho.” defende a mulher. “Agora peço que saia do hospital. Visitas só são permitidas as onze horas.”

 Tadashi olha por um momento para a moça antes de olhar para o corredor. Por impulso, ele corre para dentro corredor e entra no primeiro elevador que vê aberto. Aquilo só podia ser um pesadelo. Ele era o único parente do Hiro. O único!

 Assim que a porta do elevador são abertas, o jovem corre cegamente pelos corredores até chegar no quarto onde seu irmão estava, empurrado qualquer coisa que estivesse em seu caminho.

“Hiro!” Tadashi abre a porta com força, causando um forte estrondo.

 Seus olhos procuram rapidamente pela cama onde seu irmão estava e sente um grande alívio ao ver seu bem mais precioso do mesmo jeito que havia o deixado.

“Argh… Mas merda está acontecendo aqui?”

 Próximo de Hiro, um rapaz com camiseta branca que aparentemente estava dormindo tira seu rosto sobre a beira da cama e encarar Tadashi com mau humor.

Mas o quê- O tempo pareceu congelar no momento que os olhos de Tadashi encontra o intruso. Aquilo era uma piada de mau gosto do destino?

 Sentado na cadeira próxima da cama estava alguém muito parecido com ele.  A cor da pele, os cabelos bagunçados e até mesmo a expressão mau humorada eram idênticas. Apenas os brincos negros em formato de moeda e o fato do rapaz ser mais velho era o que diferenciava os dois.

“Quem é você?” Tadashi pergunta com uma voz falha assim que se recupera do choque inicial.

“Sou a pessoa que terá o maior prazer de te chutar pra fora se você não sair agora mesmo desse quarto.”

 Tadashi arregalou levemente os olhou com a ousadia do outro.

“Por acaso sabe quem eu sou?” o Hamada dá um passo para frente. “Sou Tadashi Hamada. Irmão legítimo de Hiro e o cara que vai acabar com sua raça, seu filho de uma prostituta desgraçada.”

“Você nunca foi e nunca será o verdadeiro irmão de Hiro.” o rapaz faz uma expressão de desgosto. “Você não passa de um doppelganger demoníaco.”

 Antes de qualquer reação que Tadashi pudesse ter, um movimento incomum na cama chama a sua atenção.

 Hiro estava acordando.

 Mas não foi algo comum. Geralmente as pessoas que acordaram do coma reagem de maneira muito diferente do que o menor fez.

“Hum…” reclamou o menor, coçando os olhos enquanto boceja. “Kyle…?”

Kyle?

“Estou aqui.” o rapaz responde com uma voz mansa, se inclinando para ficar próximo do menor.

 Hiro se esforça para se sentar na cama e olha para os lados. Seus olhos se arregalaram levemente quando encontraram com os de Tadashi, mas não havia algum tipo de reconhecimento lindos olhos castanhos. Ele volta a olhar novamente para o rapaz.

“Você tem um irmão?!”

“Ele não é meu irmão.” o tal Kyle franziu o cenho. “Esqueceu que sou filho único?”

“Hiro?” Tadashi chama atenção do menor, se aproximando da cama. “Você conhece esse homem?”

“Sim. Trabalho pra ele.” Hiro inclina a cabeça pro lado. “Já você por outro lado… Eu te conheço?”

 Tadashi recua, sentindo a dor que aquelas palavras lhe causaram.

“Claro que me conhece.” Tadashi abre um sorriso nervoso. “Sou seu irmão, lembra? Tadashi Hamada.”

 Hiro estava fazendo algum tipo de brincadeira de muito mau gosto? Ou aquilo era um castigo por suas ações? Tadashi não sabia. Só sabia que a expressão confusa formada no rosto do menor o matou por completo.

“Irmão? Eu não tenho nenhum irmão.” Hiro olha pro rapaz antes de voltar a olhar para o maior. “E não conheço nenhum Tadashi.”

 Tadashi sentiu o chão de seus pés desaparecer, assim como os seus sentidos. Gritos distantes o xingando e pessoas entrando no quarto a pressa soaram vagamente. Ele não reagiu quando o tiraram do quarto a força.

 A única coisa que registrou foi o fato de seu irmão havia se esquecido dele.

Notas Finais


"Kyle" era o eventual OC que avisei no primeiro capítulo. Ele é um personagem criado por mebameba.tumblr.com


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