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História Christmas - Capítulo 54


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Capítulo 54 - Scar Tissue


Camila POV


 Hoje completo cinco meses na Inglaterra, ainda não consigo assimilar como tudo mudou tão rápido, ainda quando acordo espero virar para o lado e encontrar Lauren me olhando com cara de sono e me dando beijo de bom dia, ainda me vejo olhando pela minha galeria que só existia ela, e apesar de tudo, ainda choro todos os dias desde que ela fez isso comigo, me sinto traída e tento ao máximo entender suas razões, mas uma parte de mim quer apenas culpá-la por ter feito nós nos separarmos, ter me destruído e me lançado para um futuro que nem eu mesma escolhi, ela fez isso por mim, e eu não sei até que ponto foi bom ou ruim. 


 Aos poucos estou tentando focar na faculdade e me entregar a isso, consegui fazer algumas amizades mas nada que me aprofundo muito, não quero me apegar a ninguém já que no momento tudo que quero fazer é ficar sozinha e não deixar ninguém entrar. Estou indo bem por agora, lembro quando cheguei não sabia nem por onde começar, estava tão devastada que sentia literalmente minha alma morrer, era como se tivessem arrancado toda minha vida e agora eu só tinha o meu corpo ali, vazio. 


 E o que mais me machuca, é que nunca poderia odiá-la, nunca vou poder me proteger tentando transformar todo meu amor em ódio, porque nunca faria isso, e nem quero. Nosso amor foi algo tão grande e sincero, não tenho como apagar ela da minha vida, e espero que após toda minha mágoa passar, eu consiga enxergar tudo claro nessa situação, mas agora, tudo o que me resta é essa cicatriz. 


 Eu estou vivendo temporariamente nos quartos comunitários da faculdade, divido ele com uma menina que só entra aqui para dormir e olhe lá, e isso era tudo o que eu precisava, ela deve achar que estou em uma depressão absurda, já que tudo o que viu de mim foi pedaços das minhas crises de choro e ansiedade, que com os meses se passando aqui só aumentou. Tudo o que já passei na vida foi tão difícil, não venho de uma história feliz e todos sabem, mas mesmo tendo sofrido tanto nas ruas nunca cheguei a me sentir tão perdida e solitária como me sinto, talvez amar não seja de todo um final feliz. 


 Lauren e eu ainda estamos tentando nos acostumar, não nos falamos mais todos os dias, porque cada vez que converso com ela, é como sentir como se fosse algo que me foi roubado, o sentimento de perda que nunca sai do meu peito. Ela me parece animada com a faculdade, sempre que nos falamos está contando novidades que está acontecendo com ela e a Mani, fico feliz que elas se tenham nesse momento, porque odiaria vê-la na minha posição agora. 


 Hoje faz uma semana que não falo com ela, e odeio admitir que isso me fez melhor do que falar, eu sinto o quanto ela está feliz pelos stories no instagram, ela e a Normani sempre em festas, não consigo transmitir a mesma felicidade e não quero que ela se sinta mal por estar bem e eu não, então nos afastarmos acaba sendo a melhor opção, nunca vou conseguir me curar se estou tão dependente dela. 


 Sabi: Hola! O que está fazendo? 


 Olhei minha tela bloqueada vendo que Sabina estava me chamando, ela foi a primeira pessoa que consegui falar na faculdade, e tem se mostrado uma pessoa muito legal e genuína, ela é muito alegre e seu jeito é único, me lembra um pouco da Dinah as vezes, o que me conforta a saudade que sinto da minha Cheechee. 


 Eu: Na minha cama maratonando Friends, e você? 


 Pausei minha série e prestei atenção no celular, em que Sabina já digitava, nós nunca conversamos tanto pelo celular, era sempre mais na faculdade, o que me deixou curiosa. 


 Sabi: Me arrumando para te buscar! E não aceito não. Você tem quarenta minutos, latina. 


 Olhei perplexa para o celular, esperando ela terminar de mandar o restante mas era só isso. Sabina sabia ser muito persistente, e quando queria algo chegava até fingir ser mimada até conseguir, o que era engraçado, mas me dava medo quando ela falava sério. 


 Eu: Você está brincando, né? 


 Eu: Sabina?? 


 Vinte minutos depois, desisti de esperar a resposta e resolvi me arrumar só para ver o que ela queria, não gostava de ser ingrata ou parecer que sou indiferente às pessoas, ainda mais ela que está sendo tão legal comigo. Ela acabou descobrindo o que estou passando e tem me dado a maior força, porque ela teve que passar pelo mesmo para vim para a faculdade. Seu namorado estava com ela há três anos, e ele terminou para ela não desistir dos sonhos e ficar com ele, foi nobre da parte dele. Só que na minha história, quem terminou fui eu. 


 O restante da viagem em LA foi como um funeral, eu estava devastada com a notícia e tentando colocar de uma vez por todas na cabeça da Lauren que eu não precisava ir para Inglaterra tentar um futuro bem sucedido, eu poderia ter isso com ela do meu lado aqui em Miami ou em qualquer lugar que ela escolhesse, eu não queria um futuro sem ela. Mas ela não acreditava nisso, e isso me desesperava, porque não era mais uma opção eu não ir. Como ela podia ter feito essa decisão por mim? 


 Hoje era o dia do meu voo, se passou três dias que voltamos e eu grudei nela o máximo que pude, não queria ir embora, não podia me ver vivendo longe dela e da sua família, e saber que isso aconteceria daqui a poucos minutos me deixava em pânico. Lauren estava tentando o máximo se manter forte e positiva, ela estava tão feliz por ter consigo entrar em Yale, e mesmo sofrendo com isso tudo, eu só conseguia admirar seu sorriso e sua felicidade. 


"Nós vamos nos falar todos os dias Camz, quatro anos são duros e longos, mas a gente consegue fazer dar certo. E mesmo que em algum ponto a gente sentir que precisa parar, você sabe que sempre vou esperar por você." Lauren estava com as mãos no meu rosto, tentando de forma inútil secar as lágrimas que caiam desenfreadas. 


"Lauren, você não pode acreditar nisso." Eu solucei, negando com a cabeça. "Vamos estar em lados extremos no mundo, e são quatro anos, não são quatro dias nem quatro meses. Eu não posso viver com o sentimento que estou te prendendo e impedindo que sua experiência seja completa como você mesmo tanto me falou, nossos anos da faculdade vão ser únicos e iremos lembrar para o resto da vida. Eu posso me arrepender dessa decisão e passar esses quatro anos sofrendo e chorando por você, mas não posso ser egoísta agora." 


 Ela estava tão perto de mim, seus olhos verdes estavam cercados pelo vermelho por conta do choro, ela tentava se agarrar em mim ao máximo, e eu só queria deixar ela me segurar e não me largar mais. Acariciei sua bochecha e coloquei seu cabelo atrás da orelha, tentei sorrir de forma confiante mas devo ter feito uma careta sofrida, eu estava em pedaços. 


"Eu amo tanto você!" Ri fraco, sentindo mais lágrimas descerem, ela soluçou baixinho, negando com a cabeça, sabia que ela tinha entendido. "E é por te amar tanto, que não podemos ficar juntas agora. Estamos machucadas mesmo que a gente finja que não, não nego que estou magoada por tudo isso, e eu sei que precisamos do nosso tempo para curar. Vamos ficar bem, porque nosso amor vai além de um namoro ou uma promessa de para sempre, é algo que nunca vai sair de nós duas, é nosso." 


"Não faz isso..." Ela implorou, sua voz saindo desesperada, apenas puxei ela para um abraço e enterrei meu rosto em seu pescoço, queria lembrar desse cheiro pro resto da minha vida. "Como vou ficar sem você? Eu não quero.." Seus soluços estavam doendo no fundo da minha alma, eu não conseguia parar de chorar, e tenho certeza que não pararia tão cedo, se um dia eu conseguisse. 


 O alto falante anunciando meu voo cortou nosso abraço, limpei meu rosto o máximo que consegui e segurei a mão dela na minha, seria a última vez que tocaria nela, que ficaríamos de mãos dadas, era a última vez de tudo. Não tive tempo de refletir, seus lábios grudaram no meu e eu soltei um suspiro sôfrego, minhas mãos foram diretamente para o seu pescoço e me entreguei ao seu beijo, esqueci de tudo que estava ao meu redor e só conseguia focar na sua boca contra a minha, seus lábios demonstrando desespero em ficar colados nos meus, nossas línguas tentando deixar marcado o gosto que o nosso beijo tinha. 


"Você pode não ser minha namorada, mas sempre será minha!" Lauren sussurrou contra meus lábios, sua voz estava rouca e falha, apertei ainda mais meus olhos fechados e deslizei minhas mãos do seu pescoço, largando-a. 


"Te quiero." Dei um último selinho e me virei, não ia suportar mais um minuto. Praticamente corri em direção à fila de embarque, não olhando para trás. 


 Quando me vi, estava chorando mais uma vez, relembrar esse momento em particular era horrível para mim, porque era como se tivesse acontecido ontem, mas ao mesmo tempo como se eu não a visse há três anos. Tentei me recuperar e após alguns minutos estava melhor, tinha colocado qualquer roupa e estava na minha cama esperando Sabina, não sabia o que ela queria, mas precisava me desfazer dessas memórias, ou seria mais uma noite virada chorando, e isso estava me esgotando. Escutei as batidas na porta e mandei ela entrar, sorrindo levemente ao ver ela entrar, com Sina do lado, as duas viviam grudadas, e me fazia feliz ver que elas tentavam me incluir no grupo delas. 


"Que carinha vermelha, tá tudo bem?" Ela me olhou preocupada, apenas dei de ombros e fui cumprimentar elas. 


"E o que traz vocês aqui?" Voltei a me sentar na cama, elas fizeram o mesmo ficando de frente para mim. 


"Sei que você já negou várias vezes isso, mas não vou parar até um dia você aceitar, e vim tentar a sorte. Vamos sair com a gente?" Recebi o olhar esperançoso da Sabi e Sina, era até engraçado a carinha de cachorro que caiu da mudança que elas faziam. 


"Eu vou." Falei ao soltar a respiração, eu não podia mais viver assim, ou eu tentava voltar a viver, ou eu desistia de tudo agora e voltava para Miami. 


"Não acredito!" Sina gritou animada e se jogou em cima de mim, gargalhei com o susto e as duas começaram a pular na cama me esmagando.


 Narrador POV. 


 Lauren estava rodeada de fumaça e cheiro de álcool, em mais um final de semana nas típicas festas de fraternidade que ela estava se metendo, Normani estava a todo vapor no espírito universitária, e Lauren estava se jogando junto com ela, não queria se deixar sucumbir o que a maltratava por dentro, porque quando deixasse, não teria volta. 


 Ela não tinha se permitido voltar à 'ativa', ainda estava de luto do relacionamento que já não existia mais, mas cada dia que se passava sentia que era mais irracional se privar do que podia acontecer, sendo que o motivo do término era justamente esse, aproveitar ao máximo esses quatros anos, porque não voltariam mais. 


"Eu não sei porque você não me da uma chance, eu sou tão chata assim?" A mulher à sua frente olhava-a com diversão, estava interessada na hispânica desde que a conheceu, as últimas festas que se encontravam tentava se aproximar e ver se conseguia algo com ela, mas Lauren era irredutível. 


"Você sabe que não é isso, Ester." Lauren arrastou seu nome de forma proposital, gostava de brincar com a espanhola, Expósito era uma mulher de tirar o fôlego, todos babavam aos seus pés e era uma das mulheres mais bonitas da faculdade. "É complicado, não quero te iludir ou machucar." 


"Você sabe que não estou atrás de um relacionamento, não é? Isso aqui não precisa ser mais do que casual, se nós duas sentimentos vontade, por quê não?" Ester se aproximou mais, cercando Lauren com o braço encostado na parede. 


 Era uma briga interna dentro dela, sentia que não estava pronta, mas ao mesmo tempo não queria viver com esse sentimento e acabar sendo tarde demais para voltar a se relacionar com outras pessoas. O álcool estava a inebriando, e o cheiro do perfume importado da outra não deixava pensar com clareza. Sentindo que finalmente a outra se rendeu, Lauren só conseguiu sentir os lábios tocando os seus. 


 Tentou lutar contra o desespero que a tomou, mas no fim ela entendeu. Não podia fazer isso, porque além de estar traindo a si mesma, sentia que mesmo não estando com a Camila, ainda era tão dela. Ela se afastou e com os olhos lacrimejados só conseguiu pedir desculpas para Ester e correr dali, se sentindo sufocada e perdida. 


 A noite passou rapidamente, mesmo que para as duas tenha sido uma lentidão sem fim. Lauren, já no seu quarto terminou sua noite chorando e se culpando pelo que aconteceu. Camila, tentava focar sua atenção nas amigas e o restante do grupo de pessoas que estava reunido na pizzaria, mas de vez em quando seus pensamentos a traiam e levavam para um lugar que ela não queria mais. 


 Lolo: Acho que o que eu vou dizer vai quebrar tudo o que ainda restou de nós duas, mas preciso ser sincera e não posso mentir para você. 


 Lolo: Eu fiquei com outra pessoa na noite passada, não é algo que me orgulho ou faria de novo, porque só me fez perceber o quanto ainda sou dependente de você, me sinto sua mesmo após tudo. 


 Lolo: Mas foi bom para abrir meus olhos, e espero do fundo do meu coração que você não interprete de forma errada. Precisamos manter uma distância maior, ter você por perto, sempre conversando e tentando ignorar tudo ao nosso redor não está sendo saudável, e só vai fazer ser mais difícil de seguir em frente. Isso não quer dizer que vou te excluir da minha vida e esquecer que você existe, porque não sou capaz de algo assim, mas preciso me afastar. 


 Lolo: Eu não estou bem, mas estou me aproximando todos os dias. Eu te amo. 


 Com a vista turva, Lauren enviou todas as mensagens e desligou o celular, se preparando para começar o dia, tinha aulas e focaria apenas nisso, a partir de hoje ia tentar esquecer seus sentimentos por Camila e voltar a viver sua vida. Não foi um plano sucedido, no entanto. 


 Já Camila acordou com as novas mensagens, saber que Lauren beijou outra pessoa a atordoou e magoou mais do que deveria, ela sabia muito bem que isso aconteceria em algum momento, elas não virariam freiras e celibatárias por quatro anos, mas não se sentia nem perto de estar pronta para isso, Lauren disse que também não estava, mas mesmo assim fez, e ela não sabia se machucava mais ela fazer, ou saber que ela queria se afastar para se sentir pronta e voltar a ficar com outras pessoas. Engoliu todo o choro que ficou preso na garganta, e desligou sua mente, as duas não podiam viver mais assim. 


 A partir daquele dia, tudo mudou. 



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